CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2672 DE 17 DE MARÇO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2672 | 17 de março de 2026

 

NOTÍCIAS

O mercado do boi gordo inicia a semana com estabilidade em São Paulo

Mercado começa a semana com ritmo lento de negócios e preços sustentados pela oferta contida.

Pelos dados da Scot Consultoria, o boi gordo sem padrão-exportação está cotado em R$ 347/@ no mercado paulista, enquanto o “boi-China, a vaca gorda e a novilha terminada são negociados por R$ 350/@, R$ 322/@ e R$ 335/@, respectivamente (preços brutos, no prazo).

Como é comum para o início da semana, o mercado abriu com poucos negócios. Parte da indústria frigorífica não havia entrado nas compras, e as ativas negociavam com as referências do fechamento da semana passada. A oferta de boiadas esteve compassada, o que sustentou o mercado. Com isso, na comparação com a sexta-feira (13/3), as cotações não mudaram. A escala de abate estava, em média, para nove dias. Em Alagoas, em relação ao fechamento da semana anterior, o mercado abriu aquela segunda-feira ofertando R$2,00/@ a mais pelo boi gordo e pela vaca. Para a novilha, não houve alterações. No mercado atacadista da carne com osso, na semana, a reposição dos estoques por parte do varejo foi baixa; logo, o ritmo de saída da carne com osso seguiu o mesmo compasso. Com isso, a cotação das carcaças casadas caiu. A cotação da carcaça casada do boi capão e a do boi inteiro caiu 1,1%, ou R$0,25/kg, sendo negociadas em R$23,55/kg e R$22,30/kg, respectivamente. A cotação da carcaça casada da vaca caiu 1,4%, ou R$0,30/kg, cotada em R$21,25/kg, e a da novilha recuou 1,8%, ou R$0,40/kg, apregoada em R$21,75/kg. Para a semana, era esperada a manutenção desse cenário com o avanço do mês. Por outro lado, as altas nos combustíveis, que afetavam o transporte e aumentavam o preço do frete, poderiam impactar o preço final da carne, limitando as quedas. No mercado de proteínas alternativas, a cotação do frango médio caiu 2,9%, ou R$0,18/kg, cotado em R$6,00/kg, enquanto a do suíno especial subiu 1,0%, ou R$0,10/kg, sendo negociada em R$10,40/kg.

SCOT CONSULTORIA

Incerteza logística e alta do diesel devem afetar arroba do boi na 2ª quinzena de março

Indústrias ensaiaram aumento dos preços na última semana, mas voltaram atrás para reavaliar custos adicionais por conta da guerra no Oriente Médio. O mercado físico do boi gordo registrou grande volatilidade de preços ao longo da semana por conta do conflito no Oriente Médio.

O analista de Safras & Mercado Fernando Iglesias ressalta que em São Paulo algumas indústrias tiveram que mudar sua estratégia e voltaram a negociar em níveis mais altos de preço no início da semana. “Depois, voltaram a trabalhar com preços mais baixos na compra de gado. Já em outros estados, a exemplo de Mato Grosso do Sul, permanecem as tentativas de compra em níveis mais baixos de preço”, conta. Segundo ele, no atual contexto, a grande preocupação para o mercado de carne bovina segue na necessidade de reavaliar as rotas e no tempo adicional das cargas no oceano, com a paralisação no Estreito de Ormuz. Iglesias ressalta que os preços dos combustíveis, que vem em elevação no Brasil e ao redor do mundo, é outro ingrediente a se ponderar na segunda quinzena de março. “Os impactos na logística do setor de carnes vai continuar, com possíveis atrasos na entrega, o que vai ser computado no mercado nos próximos dias. Se o quadro no Oriente Médio se agravar ao longo deste mês, teremos certamente mais problemas nessa dinâmica logística global”, avalia. Preços médios do boi gordo. Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 12 de março: São Paulo (Capital): R$ 345, baixa de 1,43% em relação aos R$ 350 praticados no final da semana passada; Goiás (Goiânia): R$ 330, estável frente ao encerramento da semana passada; Minas Gerais (Uberaba): R$ 345, inalterado frente ao fechamento da semana anterior; Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 335, queda de 1,47% ante os R$ 340 praticados no final da semana passada; Mato Grosso (Cuiabá): R$ 340, sem alteração frente ao valor praticado na semana passada; Rondônia (Vilhena): R$ 310, recuo de 1,59% ante os R$ 315 registrados no final da semana passada. No mercado atacadista, houve acomodação de preços ao longo da semana. Iglesias ressalta que nem mesmo a entrada dos salários na economia foi suficiente para justificar novos reajustes dos preços da carne bovina. “O fato é que a carne bovina já assumiu um patamar de preços que afasta boa parte dos consumidores brasileiros, em especial aquelas famílias que têm como renda entre um e dois salários-mínimos. A prioridade está no consumo de proteínas mais acessíveis, a exemplo da carne de frango, embutidos e ovos”, contextualiza Iglesias. Quarto do dianteiro: precificado a R$ 20,50, queda de 2,38% frente aos R$ 21,00 por quilo do final da semana anterior; Quarto traseiro: cotados a R$ 27,00 por quilo, sem alterações em relação à última semana. As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 341,193 milhões em março até o momento (5 dias úteis), com média diária de US$ 68,238 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A quantidade total exportada pelo país chegou a 59,986 mil toneladas, com média diária de 11,997 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 5.687,80. Em relação a março de 2025, houve alta de 22,9% no valor médio diário da exportação, ganho de 5,9% na quantidade média diária exportada e avanço de 16,1% no preço médio.

SAFRAS NEWS

Carne bovina: frigoríficos avaliam reduzir abates nas próximas semanas

Como resultado de um consumo doméstico de carne bovina enfraquecido e do aumento dos estoques nas indústrias, frigoríficos brasileiros já estudam reduzir o ritmo de abates nas próximas semanas, conforme dados apurados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

De acordo com pesquisadores, apesar disso, as negociações envolvendo o boi gordo continuam ocorrendo no mercado, mas sem uma tendência clara de preços. Alguns negócios são fechados com valores ligeiramente menores e outros com pequenas altas, embora o cenário geral ainda seja de estabilidade nas cotações neste início da segunda quinzena de março. Além disso, o ambiente de negócios também é influenciado por fatores externos à exemplo da guerra no Oriente Médio que, à medida que se estende por mais dias, têm aumentado a insegurança em relação a custos logísticos, como o preço do combustível e eventuais impactos sobre rotas de exportação. Ao mesmo tempo, a maior oferta de carne de frango, produto considerado substituto da carne bovina, pressiona o consumo e amplia a concorrência nas gôndolas dos supermercados. Do lado da oferta de animais, os pesquisadores lembram que o Brasil vive um momento de menor disponibilidade de boi gordo para abate, já que parte do rebanho ainda não atingiu o peso ideal. O cenário mantém uma disputa entre pecuaristas e frigoríficos. “Enquanto produtores pedem preços mais altos pela arroba, indústrias tentam reduzir os valores. Quando não conseguem fechar negócios, frigoríficos frequentemente retornam ao mercado oferecendo as mesmas cotações dos dias anteriores”, explicam. Apesar das vendas mais lentas no mercado de carne, os preços no atacado seguem relativamente estáveis. Na grande São Paulo, a carcaça casada bovina foi negociada na quinta-feira, 12, a uma média de R$ 24,43 por quilo à vista. Na parcial de março, considerando o período entre os dias 2 e 11, o diferencial entre a arroba do boi gordo negociada no estado de São Paulo e os preços da carcaça casada no atacado paulista ficou em R$ 16,12 por arroba, com vantagem para a carne.

Já a arroba do boi gordo, até a quinta-feira, foi cotada em média a R$ 347,50 no indicador Cepea/Esalq, enquanto a carcaça casada era negociada em média a R$ 364,50 por arroba equivalente.

O ESTADO DE SÃO PAULO/AGRO

Couro: exportação começa bem o ano

A China, a Itália e o Vietnã foram os principais destinos do couro brasileiro. A cotação do couro verde não mudou em relação a janeiro.

Na região Central do Brasil, o couro verde de primeira linha foi negociado a R$0,60/kg, e o couro comum foi cotado em R$0,50/kg. No Rio Grande do Sul, a cotação também não mudou, com o couro verde sendo comercializado em R$0,90/kg. Todos os preços são à vista, sem bonificação e sem ICMS. No primeiro bimestre, o volume exportado aumentou, com exceção das aparas. A exportação do couro wet blue aumentou 31,4% em volume, seguido pelo couro salgado e pelo couro acabado. O faturamento, consequentemente melhorou. O faturamento com o wet blue em fevereiro foi de US$39,1 milhões, aumento de 33,5% frente a janeiro. A receita com o couro acabado foi de US$33,6 milhões. A China, a Itália e o Vietnã foram os principais destinos do couro brasileiro. Os dados do primeiro bimestre indicam um início de ano favorável para a exportação de couro. Mesmo com a estabilidade das cotações no mercado interno, o aumento do volume embarcado evidenciou a sustentação da demanda internacional pelo produto brasileiro.

SCOT CONSULTORIA

Pesquisa indica que brasileiros não pretendem parar de consumir carne bovina

Uma pesquisa inédita encomendada pelo movimento A Carne do Futuro é Animal ao Instituto Qualibest mostra que os brasileiros não têm intenção de abandonar o consumo de carne bovina. O estudo “O que o brasileiro pensa sobre a carne” ouviu 1.021 pessoas em todo o país e buscou mapear hábitos de consumo, percepções, preferências, críticas e mitos relacionados às proteínas.

Segundo o levantamento, apenas 1% dos entrevistados afirmaram ter como meta parar de consumir carne bovina a curto prazo. No total, apenas 3% acreditam que o alimento não traz benefícios à saúde. A maioria esmagadora, 72%, pretende manter o nível atual de consumo, enquanto 12% dizem que vão reduzir e outros 12% pretendem aumentar a ingestão de carne bovina. O estudo também detalha aspectos do comportamento de consumo. Para 73% dos entrevistados, a carne é consumida principalmente em casa, durante o almoço; o tradicional churrasco com amigos aparece em segundo lugar, citado por 62%. No momento da compra, os supermercados são o principal canal, escolhido por 69% dos consumidores, à frente de açougues e boutiques de carne. A pesquisa investigou ainda percepções sobre sustentabilidade na produção, bem-estar animal, rastreabilidade e preferência por raças no momento da compra, fornecendo insights estratégicos para as ações de comunicação do movimento junto à sociedade. O movimento A Carne do Futuro é Animal é uma iniciativa do Canivete Pool, projeto criado por produtores do Mato Grosso com o objetivo de auxiliar a gestão das fazendas, aumentar a produtividade média e melhorar indicadores de sustentabilidade da carne produzida. Criado em 2022, o grupo conta atualmente com 74 membros em 27 municípios do estado, que juntos devem abater mais de 200 mil cabeças de gado neste ano.

O PRESENTE RURAL 

ECONOMIA

Dólar fecha em forte queda com alívio de risco global

Após a recompra de títulos por parte do Tesouro Nacional, houve um alívio adicional nos mercados locais, incluindo o câmbio, com o dólar renovando as mínimas do dia 

O dólar à vista encerrou o pregão da segunda-feira em queda forte frente ao real, de 1,6%. O movimento é reflexo da menor percepção de risco global. Na última sexta-feira, operadores de câmbio mencionaram um aumento forte em posições compradas em dólar diante da cautela em véspera de fim de semana. Como não houve um aumento nas tensões no Oriente Médio nos últimos dois dias, hoje esse “hedge” foi desfeito e o real se destacou entre as moedas mais líquidas acompanhadas pelo Valor. Na parte da tarde, após a recompra de títulos por parte do Tesouro Nacional, houve um alívio adicional nos mercados locais, incluindo o câmbio, com o dólar renovando as mínimas do dia. Encerradas as negociações do mercado à vista, o dólar comercial fechou negociado em queda de 1,60%, cotado a R$ 5,2294, depois de ter encostado na mínima de R$ 5,2263 e batido na máxima de R$ 5,2835. Já o euro comercial registrou desvalorização de 0,84%, a R$ 6,0184. Perto do fechamento, o real tinha o melhor desempenho frente ao dólar, na relação das 33 moedas mais líquidas, seguido por rand sulafricano e peso mexicano. No exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, recuava 0,56%, aos 99,803 pontos. Desde o começo da sessão, o dólar à vista recuou frente ao real, em um movimento de correção de excessos, dado que o último pregão foi marcado por forte aumento na posição comprada em dólar contra o real pelos agentes do mercado. “Foi um movimento de precaução contra qualquer fator de risco que pudesse surgir no fim de semana”, diz o profissional. “Mas hoje parte disso voltou, já que um estresse maior não se confirmou. Até porque é caro ficar arrastando posições compradas em dólar contra o real, ainda mais nesse cenário, que indica que o BC pode não cortar os juros, ou cortar muito pouco.” O economista-chefe da Western Asset, Adauto Lima, concorda que os juros elevados beneficiam o real e fazem com que o dólar não se sustente em níveis muito altos por muito tempo, mas também lembra que o fator petróleo também beneficia o real.

VALOR ECONÔMICO

Ibovespa encerra perto dos 180 mil pontos com alívio global do risco e recuo dos juros futuros

O recuo dos juros futuros favoreceu ações cíclicas domésticas, que ficaram entre as maiores valorizações do índice

O recuo nos preços do petróleo deu suporte para uma recuperação dos ativos de risco ao redor do mundo na segunda-feira, o que também beneficiou a bolsa local, às vésperas da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central. O movimento externo mais favorável foi amplificado ainda por fatores locais, como leilões de recompra de títulos prefixados e atrelados à inflação feitos pelo Tesouro Nacional, o que ajudou a reverter uma parte do forte estresse visto na curva futura na última sexta-feira. Na máxima do dia, a principal referência acionária local chegou a tocar os 181.255 pontos, mas perdeu força durante a sessão. À tarde, o leilão extraordinário do Tesouro, que recomprou 35,5% do lote de 10 milhões de títulos públicos indexados à inflação (NTN-Bs) para cinco vencimentos, fez o índice ampliar os ganhos. Na prática, a iniciativa do Tesouro levou a um recuo nas taxas dos papéis atrelados à inflação, o que foi bem-recebido por investidores locais. Depois, o Ibovespa devolveu um pouco da alta e, no fim da sessão, encerrou com ganho de 1,25%, aos 179.875 pontos, distante da mínima de 177.656 pontos. O recuo dos juros futuros favoreceu ações cíclicas domésticas, que ficaram entre as maiores valorizações do índice, caso de Magazine Luiza (5,35%) e Direcional (3,55%). Blue chips também subiram em bloco: as PN da Petrobras avançaram 2,04% enquanto as ON da Vale subiram 0,69%. Para o BTG Pactual, os papéis da Petrobras seguem muito atraentes, por se tratar de uma das poucas opções de investimento entre empresas integradas de energia de mercados emergentes listadas. Além disso, a equipe do banco afirmou que o perfil de produção robusto e de baixo custo coloca a companhia em posição competitiva frente a pares globais. A estimativa do banco é que, se o preço do petróleo Brent voltar para US$ 80 por barril e os preços domésticos de combustíveis forem ajustados, a volte a gerar fluxo de caixa excedente nos próximos trimestres. Apesar do alívio na percepção de risco visto hoje, Luis Castro da Fonseca, sócio fundador da Nest Asset Management, avalia que a forte volatilidade nos mercados deve continuar nos próximos dias, com movimentos mais expressivos tanto para baixo quanto para cima até que se tenha uma maior definição sobre os próximos passos no conflito no Oriente Médio. Embora o Ibovespa tenha se recuperado, o executivo afirma não ter notado uma mudança positiva que possa ter beneficiado mais o Brasil do que outros países, definindo que o ocorreu na sessão da segunda-feira foi uma melhora global que, por consequência, favoreceu as ações brasileiras. Ontem, o volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 16,5 bilhões e de R$ 22,4 bilhões na B3. Em Wall Street, o dia também foi positivo. No fim, o Nasdaq avançou 1,22%; o S&P 500 ganhou 1,01%; e o Dow Jones teve alta de 0,83%.

VALOR ECONÔMICO

FOCUS: Mercado estima redução da Selic em 0,25 ponto esta semana

A taxa está no maior nível desde julho de 2006

Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) faz, nesta semana, nova reunião para decidir sobre a taxa básica de juros, a Selic, e a previsão do mercado financeiro é que ela seja reduzida em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano. A expectativa está no boletim Focus da segunda-feira (16), pesquisa divulgada semanalmente pelo BC com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos. Apesar do recuo da inflação e do dólar, o Copom não interferiu nos juros pela quinta vez seguida, na última reunião, no fim de janeiro. A taxa está no maior nível desde julho de 2006, quando se situou em 15,25% ao ano. Em ata, o colegiado confirmou que começará a reduzir os juros na reunião de março, marcada para esta terça (17) e quarta-feira (18), caso a inflação se mantenha sob controle e não haja surpresas no cenário econômico. Ainda assim, os juros serão mantidos em níveis restritivos. Na semana passada, o mercado estimava um corte de 0,5 ponto percentual na Selic, mas o aumento das expectativas de inflação mudou este cenário. Entre as razões para esta revisão está o impacto econômico da guerra no Irã, com o aumento no preço do petróleo pressionando a inflação futura. Da mesma forma, a estimativa dos analistas de mercado para a taxa básica, até o final de 2026, foi elevada nesta edição do boletim Focus, com a previsão de redução passando de 12,13% ao ano para 12,25% ao ano. Para 2027 e 2028, a projeção é que a Selic seja reduzida para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve chegar a 9,5% ao ano. A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – referência oficial da inflação no país – passou de 3,91% para 4,1% em 2026. Para 2027, a projeção da inflação permaneceu em 3,8%. Para 2028 e 2029, as previsões são de 3,5%, para ambos os anos. Apesar da alta, a estimativa para a variação de preços em 2026 se mantém dentro do intervalo da meta que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%. Em fevereiro, a alta dos preços em transportes e educação fez a inflação oficial do mês fechar em 0,7%, uma aceleração diante do registrado em janeiro, 0,33%. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o resultado levou o IPCA a acumular alta de 3,81% em 12 meses. Já a estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano variou de 1,82% para 1,83%. Para 2027, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país) ficou em 1,8%. Para 2028 e 2029, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 2% para os dois anos. Nesta edição do boletim Focus, a previsão da cotação do dólar está em R$ 5,40 para o fim deste ano. No fim de 2027, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,47.

AGÊNCIA BRASIL – EBC

Índice de atividade econômica do Banco Central tem alta de 0,80% em janeiro

Índice subiu 1% na comparação com janeiro de 2025

O IBR-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), considerado uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto), registrou alta de 0,80% em janeiro na comparação com o mês anterior, segundo dados dessazonalizados divulgados pelo BC nesta segunda-feira (16). A expectativa em pesquisa da Reuters para o resultado de janeiro era de aumento de 0,85%. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o IBC-Br teve alta de 1%, enquanto no acumulado em 12 meses passou a um ganho de 2,3%, de acordo com números não dessazonalizados.

REUTERS

Tesouro recompra quase R$ 30 bi em títulos para conter escalada dos juros

Estratégia buscou conter disparadas nas curvas dos últimos dias. Investidores passaram a prever chance de Selic cair em um ritmo mais lento por causa da guerra no Irã

O Tesouro Nacional recomprou R$ 12,1 bilhões em títulos prefixados e R$ 15,4 bilhões em títulos IPCA+ (indexados à inflação) nesta segunda-feira (16), em uma intervenção no mercado depois de uma escalada nos juros futuros. A estratégia buscou conter a disparada das curvas de juros nos últimos dias, quando investidores passaram a colocar na conta a possibilidade de a taxa Selic cair em um ritmo mais lento do que o esperado. A medida foi anunciada pelo Tesouro pela manhã em um comunicado que dizia que o objetivo era “oferecer suporte ao mercado de títulos públicos, assegurando seu bom funcionamento e o de mercados correlatos”. Diversos bancos e corretoras anunciaram nesta segunda uma redução na expectativa de corte de juros pelo Copom na reunião desta semana. A compra de R$ 27,5 bilhões em títulos pelo Tesouro Nacional foi a maior atuação do órgão no mercado de juros desde 2020, quando foi declarada a pandemia de Covid-19. Naquele ano, o Tesouro comprou R$ 35,6 bilhões em títulos (em valores nominais), mas as operações foram diluídas entre os dias 13 e 26 de março. Nesta segunda, a intervenção líquida ficou em R$ 26,86 bilhões, já que, ao mesmo tempo, o governo emitiu R$ 650 milhões em novos papéis atrelados à inflação –um volume bastante baixo considerando o histórico de captações do Tesouro. Segundo técnicos envolvidos na operação, a entrada do Tesouro ajudou a “colocar a bola no chão” e dar tranquilidade ao mercado num momento em que as incertezas em torno da guerra no Irã deixaram o mercado de juros sem referências. Num momento como esse, em que há disparo de ordens de venda para estancar possíveis perdas, o órgão atua para dar saída a esses investidores e restabelecer o bom funcionamento do mercado. Entre agentes do mercado financeiro, chamou a atenção o fato de a atuação do Tesouro ter ocorrido em semana de decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre a taxa básica de juros, a Selic. Na prática, ao tirar pressão da curva de juros, o Tesouro reduziu o estresse sobre essa variável em uma semana decisiva. Segundo um interlocutor do governo, os técnicos chegaram a levantar a questão sobre se o órgão devia atuar ou não diante desse contexto, mas a orientação do comando do Tesouro foi a de que a avaliação técnica deveria prevalecer. Isso significa, na prática, que o órgão recebeu sinal verde para fazer o que julgasse ser mais apropriado para manter o bom funcionamento dos mercados. A avaliação é que, da mesma forma, o Banco Central deve adotar a mesma postura e fazer o que for necessário em relação à taxa de juros. Na avaliação desse interlocutor, o órgão foi bem-sucedido em transmitir o sinal de que está atento e disposto a agir rápido, com atuação técnica independentemente de ser ano eleitoral ou não.

FOLHA DE SÃO PAULO 

INTERNACIONAL

Greve em unidade da JBS nos EUA coloca em risco oferta de carne bovina no país

Cerca de 3.800 trabalhadores pararam atividades nesta segunda (16)

Paralisação ocorre em meio a preços recordes do produto devido a severa escassez de gado

Trabalhadores da JBS no Colorado iniciaram uma greve na segunda-feira (16) devido a supostas práticas trabalhistas injustas em um dos principais frigoríficos de carne bovina dos Estados Unidos, no mais recente risco para o abastecimento de carne do país. Cerca de 3.800 trabalhadores da unidade em Greeley começaram uma paralisação de duas semanas nesta manhã, de acordo com comunicado do sindicato United Food and Commercial Workers Local 7. Na semana passada, a entidade havia dado aviso prévio de sete dias para a greve após a falta de acordo nas negociações de um novo contrato com a maior produtora de carne do mundo. A greve ocorre enquanto a indústria de processamento de carne enfrenta escassez de gado, com o menor rebanho dos EUA em décadas levando os preços da carne bovina nos supermercados a níveis recordes. A severa falta de animais está levando frigoríficos a reduzir operações. A Tyson Foods está fechando uma unidade de abate de gado em Nebraska e diminuindo atividades em uma instalação no Texas. A Cargill informou no mês passado que fecharia uma fábrica de carne moída em Milwaukee, enquanto a JBS afirmou que encerraria as atividades de uma unidade de processamento de carne na Califórnia. As empresas frigoríficas também têm sido alvo de críticas de ambos os lados do espectro político, mesmo com seus negócios de carne bovina continuando a operar no prejuízo. O governo Trump lançou uma investigação sobre fixação de preços, e um projeto de lei recente de senadores democratas pediu o desmembramento das empresas do setor de carnes. A paralisação em meio a um volume de abate já baixo deve elevar os preços da carne bovina, escreveu Chris Lehner, da ADM Investor Services, em nota na semana passada. “É provável que compradores de carne tenham aumentado a contratação antecipada de volumes, mas isso também limitará a quantidade de carne disponível no mercado diário”, afirmou. Ainda assim, o impacto da greve pode ser limitado, já que a JBS afirmou que transferirá temporariamente a produção para outras unidades a fim de evitar interrupções no abastecimento de carne aos consumidores. Embora um porta-voz da JBS tenha preferido não divulgar a capacidade de processamento da unidade de Greeley, Ben DiConstanzo, analista sênior de pecuária da Walsh Trading, disse que ela pode ser a maior planta de processamento de gado pronto para abate nos EUA. A instalação mantém parceria com mais de 175 produtores e paga US$ 3,1 bilhões por ano pela compra de animais, segundo o site da JBS. O sindicato decidiu iniciar a greve após meses de negociações sem acordo. Em comunicado, afirmou que a JBS se recusou a se reunir com os trabalhadores durante o fim de semana para evitar a paralisação e que a melhor proposta da empresa ainda não acompanha a alta do custo de vida e dos prêmios de seguro. A JBS disse na semana passada que mantém sua proposta de contrato. Um porta-voz da empresa disse que sua oferta é “forte e competitiva” e está alinhada com um acordo nacional com a UFCW International que proporcionou “aumentos salariais significativos, uma aposentadoria segura e estabilidade financeira de longo prazo” para os funcionários. Kim Cordova, presidente do sindicato, afirmou que os trabalhadores estão aderindo à paralisação mesmo com uma parcela significativa dos funcionários nos EUA sob o programa TPS (Temporary Protected Status), o que os deixa vulneráveis a mudanças nas políticas de imigração. O trabalho em frigoríficos é extenuante e depende fortemente de mão de obra imigrante. Nos primeiros dias da pandemia de Covid-19, mais de 45% da força de trabalho dos frigoríficos havia nascido no exterior, segundo o American Immigration Council.

BLOOMBERG

MEIO AMBIENTE

Governo lança Plano Clima com previsão de recursos de R$ 27,5 bilhões em 2026

Iniciativa orienta as ações do país para enfrentar as mudanças climáticas até 2035. Lançamento atualiza a primeira versão do plano, publicada em 2008

O governo federal lançou ontem o Plano Nacional sobre Mudança do Clima. Para este ano, a iniciativa contará com orçamento de R$ 27,5 bilhões em recursos reembolsáveis provenientes do Fundo Clima e R$ 5,9 milhões em recursos não reembolsáveis. Desde 2023, já foram destinados R$ 52,4 bilhões ao Plano Clima. O documento, detalhado por integrantes do governo no Palácio do Planalto, orienta as ações do país para enfrentar as mudanças climáticas até 2035. Dentre as metas a serem cumpridas ao longo deste ano estão: realização de 100% dos projetos que atendem aos objetivos do Plano Clima, 25% dos recursos aplicados nas regiões Norte e Nordeste e 20% dos recursos no eixo de adaptação. A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, ressaltou que o planeta está diante de uma “situação gravíssima de emergência climática”. Segundo ela, o plano é algo que já está sendo posto em prática e, a partir de agora, será intensificado “com todas essas estratégias, metas e responsabilidade para todos os setores da economia”. Sob coordenação da Casa Civil e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a elaboração do Plano Clima foi realizada ao longo de três anos com a participação de 25 ministérios. O lançamento atualiza a primeira versão do plano, publicada em 2008. O documento estabelece diretrizes para orientar a atuação do Brasil no enfrentamento à mudança climática por meio de políticas públicas de redução de emissões de gases de efeito estufa e de adaptação aos impactos climáticos, além de indicar os instrumentos financeiros disponíveis para implementação das medidas. O plano está organizado em três eixos complementares: Adaptação, Mitigação e Estratégias Transversais para Ação Climática. O eixo de adaptação define parâmetros e ações voltadas ao fortalecimento da resiliência da sociedade diante dos impactos da mudança climática. Ao todo, foram estruturados 16 planos setoriais e temáticos. Na área de mitigação, o Plano Clima reúne oito planos setoriais que estabelecem metas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa em setores estratégicos da economia. Já as medidas de adaptação focam na chamada “justiça climática” e buscam preparar cidades, populações, setores produtivos e ecossistemas para prevenir e reduzir os impactos climáticos negativos, especialmente sobre populações em situação de vulnerabilidade. São 312 metas setoriais a serem implementadas por meio de mais de 800 ações. O Plano Clima também deve ser “continuamente aprimorado”, com avaliações a cada dois anos e revisões estruturais a cada quatro anos, definiu o governo federal. “Esse processo permitirá acompanhar sua implementação e corrigir rotas, se necessário, garantindo que o Plano Clima permaneça alinhado aos desafios da agenda climática global e às necessidades de desenvolvimento do país”, informou o MMA.

VALOR ECONÔMICO

FRANGOS & SUÍNOS

Custos de produção de suínos caem e frango de corte se mantém estável em fevereiro

Os custos de produção de suínos e de frangos de corte tiveram comportamentos diferentes em fevereiro conforme os levantamentos mensais da Embrapa Suínos e Aves divulgados por meio da Central de Inteligência de Aves e Suínos (CIAS. 

Em Santa Catarina, o custo de produção do quilo do suíno vivo passou de R$ 6,45 em janeiro para R$ 6,36, queda de 1,39%, com o ICPSuíno recuando para 364,12 pontos. No ano, o índice acumula uma diminuição de 1,77%. No acumulado dos últimos 12 meses, a variação é de -0,04%. A ração, responsável por 71,92% do custo total de produção em fevereiro, baixou 1,08% no mês e acumula -1,42% no ano. No Paraná, o custo de produção do quilo do frango de corte em fevereiro se manteve praticamente estável em relação a janeiro, subindo R$ 0,01, chegando aos R$ 4,72, alta de 0,16%. No ano, o índice acumula alta de1,40%. Já no acumulado dos últimos 12 meses, a variação é negativa: -3,15%. Os custos com aquisição de pintos de 1 dia de vida (18,92% do total), caíram 0,04% em fevereiro, mas têm um aumento acumulado de 18,56% nos últimos 12 meses. Santa Catarina e Paraná são estados de referência nos cálculos dos Índices de Custo de Produção (ICPs) da CIAS, devido à sua relevância como maiores produtores nacionais de suínos e frangos de corte, respectivamente. A CIAS também disponibiliza estimativas de custos para os estados de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Rio Grande do Sul, fornecendo subsídios importantes para a gestão técnica e econômica dos sistemas produtivos de suínos e aves de corte.

EMBRAPA SUÍNOS E AVES

Influenza Aviária avança na Ásia com novos focos na Coreia do Sul, Japão e Índia

Autoridades sanitárias reforçam vigilância diante da disseminação do vírus H5N1 em granjas e aves silvestres.

A disseminação da Influenza Aviária Altamente Patogênica (IAAP) segue gerando preocupação em diferentes países da Ásia, com novos registros da doença em granjas comerciais e aves silvestres. A Coreia do Sul, o Japão e a Índia confirmaram novos focos da enfermidade causados principalmente pela variante do vírus H5N1, levando autoridades sanitárias a intensificar medidas de biossegurança e monitoramento. Na Coreia do Sul, sete novos surtos foram registrados desde o início de março, elevando para 56 o total de ocorrências da doença no país em 2026, conforme dados divulgados pelo Ministério da Agricultura até 13 de março. O foco mais recente da Influenza Aviária foi identificado em um plantel com aproximadamente 45 mil frangos poedeiros no município de Pocheon, localizado na província de Gyeonggi. Com a confirmação do vírus H5N1, as autoridades adotaram imediatamente medidas sanitárias para conter a disseminação da doença. Desde o início do ano, a IAAP já atingiu 37 granjas de frango no país, incluindo 28 unidades de produção de ovos, oito granjas de reprodutoras e uma criação de frango caipira. Além dessas ocorrências, foram registrados surtos em 15 criações de patos, sendo nove voltadas à produção de carne e seis de reprodutoras. Três granjas de codornas e uma criação de gansos também foram afetadas. Os focos mais recentes foram confirmados em quatro províncias sul-coreanas: Chungcheong do Sul, Jeolla do Norte, Gyeongsang do Norte e Gyeonggi. Diante da ampla distribuição geográfica da doença, o governo reforçou o alerta para que os produtores mantenham elevados níveis de biossegurança nas granjas. No Japão, o Ministério da Agricultura confirmou no início de março um novo surto de Influenza Aviária Altamente Patogênica associado à variante H5N1. O vírus foi detectado em um plantel com aproximadamente 188 mil frangos de corte na cidade de Abira, localizada na ilha de Hokkaido. Com esse registro, o total de surtos confirmados no país desde outubro chega a 21. O episódio também representa o primeiro caso registrado na província de Hokkaido desde dezembro. Desde o início do atual ciclo de disseminação da doença no outono passado, mais de cinco milhões de aves já foram diretamente afetadas no Japão, seja por mortalidade causada pela enfermidade ou por abates preventivos realizados para conter a propagação do vírus. A Índia também voltou a registrar ocorrências de IAAP após um período sem notificações no estado de Bihar. Em meados de fevereiro, o vírus H5N1 foi detectado em uma instalação de pesquisa e treinamento avícola localizada em Patna. Cerca de cinco mil aves foram afetadas no local, conforme notificação oficial encaminhada às autoridades internacionais de saúde animal. Este foi o primeiro registro da doença no estado desde julho de 2025. A circulação da Influenza Aviária na região também envolve outros países asiáticos. A Indonésia notificou retrospectivamente à Organização Mundial de Saúde Animal a ocorrência de 24 surtos da doença entre fevereiro e agosto de 2025. Os casos foram registrados em 12 regiões distribuídas pelas ilhas de Java, Bornéu, Sulawesi e Sumatra, totalizando aproximadamente 15,5 mil aves afetadas. Segundo as autoridades sanitárias, a Influenza Aviária é considerada endêmica no país. Nas Filipinas, nove granjas avícolas continuam sob monitoramento devido a surtos ativos da variante H5N1, conforme dados divulgados pelo Escritório da Indústria Animal do Departamento de Agricultura. As ocorrências estão concentradas na ilha de Luzon, com foco principal na região do Vale de Cagayan. No Iraque, um surto envolvendo uma granja com cerca de 60 mil frangos poedeiros foi registrado no início de janeiro. Sem novos casos detectados desde então, as autoridades declararam o foco oficialmente encerrado.

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