CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 1552 DE 16 DE AGOSTO DE 2021

clipping

Ano 7 | nº 1552 | 16 de agosto de 2021

 

NOTÍCIAS

Recuo no preço da novilha gorda em São Paulo

As escalas de abate mais tranquilas nas praças paulistas sustentaram os preços do boi gordo e da vaca gorda na última sexta-feira (13/8) sem a necessidade de ofertas de compra acima da referência. Já a cotação da novilha gorda caiu R$1,00/@ no comparativo diário, com uma menor demanda pelos compradores pela categoria

Desta forma, segundo levantamento da Scot Consultoria, o boi, a vaca e a novilha gordos ficaram cotados, respectivamente, em R$317,00/@, R$293,00/@ e R$311,00/@, preços brutos e a prazo.

SCOT CONSULTORIA 

Boi: mercado segue travado

De acordo com a consultoria Safras & Mercado, a arroba do boi gordo negociada no mercado brasileiro seguiu com preços estáveis e acomodados. Além disso, o analista Fernando Iglesias aponta que o ambiente de negócios pouco mudou e as escalas de abate seguem em nível confortável, atendendo entre cinco e sete dias.

Na B3, os contratos futuros do boi gordo têm seguido o padrão do mercado físico e as cotações continuam acomodadas. A ponta mais curta teve leve avanço, mas o restante da curva teve recuo. O vencimento para agosto passou de R$ 318,15 para R$ 318,45, do outubro foi de R$ 323,05 para R$ 322,90 e do novembro foi de R$ 328,80 para R$ 328,65 por arroba.

AGÊNCIA SAFRAS

Prêmio Pecuária Saudável divulga vencedores das ações de educação e comunicação da defesa sanitária animal

A Comissão de Educação Sanitária, da Superintendência Federal de Agricultura de São Paulo (SFA-SP), conquistou o segundo lugar na categoria Instituição Pública. Foram anunciados na sexta-feira (13) os vencedores das três categorias do “Prêmio Pecuária Saudável – Educação e Comunicação para Defesa Sanitária”. Ao todo, 49 projetos de instituições públicas, privadas e do terceiro setor foram inscritos no concurso

A iniciativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), com o apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), reconhece, premia e dissemina as boas práticas organizacionais e profissionais voltadas à educação e comunicação social em apoio às ações de defesa sanitária animal. Na categoria instituição privada, o primeiro lugar foi para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Mato Grosso do Sul com o projeto “Programa de Educação Sanitária e Saúde Animal do Senar”. Voltado para produtores rurais, técnicos, estudantes e demais interessados no setor agropecuário, o programa busca desenvolver ações destinadas à redução de riscos zoossanitários. Em segundo lugar, ficou a “Cartilha do Produtor”, do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do Rio Grande do Sul (Fundesa). O terceiro lugar para “A Literatura de Cordel na Educação Sanitária”, da UniNordeste Caucaia (Ceará), com destaque para a professora Vanessa Porto Machado. Já na categoria instituição pública, o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf-ES) ganhou com o projeto “Plano Estadual de Educação e Comunicação em Saúde Animal – 2020-2021”. O projeto busca fomentar a notificação de suspeitas ou ocorrências de doenças em animais de produção por meio de ações educacionais e de comunicação social. O segundo foi conquistado pela “Comissão de Educação Sanitária (CES)”, da Superintendência Federal de Agricultura de São Paulo (SFA-SP), que promove capacitação, promoção e execução de projetos destinados focados no fortalecimento da educação sanitária para os mais diversos públicos do agro. O terceiro lugar com o projeto “Sanitarista Júnior”, da Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca do Governo de Santa Catarina. O projeto “Educar brincando”, do Instituto Catarinense de Sanidade Agropecuária (Icasa), foi o vencedor da categoria terceiro setor. A instituição busca formar multiplicadores em educação sanitária.

MAPA 

Carnes acumulam receita cambial superior a US$11 bi

As exportações das carnes de julho de 2021 atingiram novo recorde

Levando em conta apenas o produto in natura – as exportações de carnes de julho de 2021 atingiram novo recorde, desempenho confirmado pelo MAPA. Com o bom desempenho do último mês, a receita cambial acumulada nos sete primeiros meses do ano ultrapassou a marca dos US$11 bilhões, aumento de 13% em relação a idêntico período de 2020. Do total, 46% foram proporcionados pela carne bovina (aumento de 8,54% no ano), 37% pela carne de frango (aumento de 15%) e 14% pela carne suína (no ano, aumento de 25% na receita cambial). Em relação ao volume, a carne bovina encerra o período com decréscimo: redução de 3,25%, determinada sobretudo pelo produto in natura. O índice de aumento do volume de carne de frango ficou em 7,37%, e o da carne suína chegou a 14,56%. O resultado final foi um aumento de volume próximo de 6%. O destaque cabe aos preços obtidos pelas três carnes, todos em expansão. Na média, o da carne bovina aumentou 12%, o da carne suína 9% e o da carne de frango 7,18%.

AGROLINK 

Demanda por carne bovina pode aquecer neste 2° semestre

De acordo com analista da consultoria Safras & Mercado, o avanço da vacinação contra Covid no país deve elevar o consumo, puxando ainda os preços

O cenário de escalas de abate confortáveis e alongadas segue predominante no mercado de boi gordo no Brasil. O analista Fernando Iglesias observa que, nesse ambiente, as cotações têm se mantido firmes, variando entre a estabilidade e altas pontuais. “Agora no mês de agosto deve continuar havendo uma acomodação dos preços, pois não há muito espaço para os pecuaristas exercerem pressão sobre os preços. Apesar de as escalas estarem mais confortáveis, a gente vê uma incidência de animais a termo no mercado, com a entrada de animais confinados nos estados, principalmente em São Paulo”, observa Iglesias. O especialista pondera que há boa fluidez nas negociações do boi gordo, embora a tendência seja de continuidade dos preços no curto e médio prazo. “Agora, para o restante do semestre, a gente tem que ficar atento com o avanço da vacinação, que felizmente está chegando nas faixas mais jovens da população e deve garantir uma demanda melhor pela carne, dando uma perspectiva de avanço para os preços da carne bovina e, logo, do boi gordo — só observando o nosso mercado interno”, acrescenta o analista. Em relação ao mercado chinês, responsável por 47% das exportações brasileiras de carne bovina, Iglesias prevê a manutenção dos atuais níveis de embarque e considera que o fechamento do mercado argentino deve corroborar a sustentação dos atuais volumes exportados para o cliente asiático. “O Brasil deve se beneficiar do ‘autoexílio’ do mercado argentino em 2021, mas em 2022 a gente já prevê um cenário um pouco diferente, com a recomposição do plantel de suínos da China — isso deve acabar fazendo os embarques brasileiros serem um pouco menores no ano que vem”, observa.

Safras & Mercado

ECONOMIA

Dólar fecha em leve queda de 0,15%, a R$5,2461

O dólar fechou em leve queda ante o real na sexta-feira, captando o dia de dólar fraco no mundo após dados nos Estados Unidos amenizarem receios sobre corte de liquidez

Na semana, porém, a moeda acumulou alta, pressionada pelo tensionado ambiente político-fiscal no Brasil. O dólar à vista caiu 0,15% na sexta, a 5,2461 reais, após variar de 5,282 reais (+0,53%) a 5,2208 reais (-0,64%). Na semana, a cotação ganhou 0,23%, elevando a apreciação em agosto para 0,73%. Em 2021, o dólar sobe 1,05%.

REUTERS

Ibovespa recua em semana cheia de balanços

O Ibovespa fechou em alta na sexta-feira, após três quedas consecutivas, que definiram um desempenho negativo no acumulado semana, marcada por uma enxurrada de balanços corporativos, e receios com as perspectivas político-econômicas no país

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,32%, a 121.089,71 pontos, mas acumulou declínio de 1,4% na semana, segundo dados preliminares. O volume financeiro somava 28,5 bilhões de reais.

REUTERS 

Inflação volta a crescer para todas as faixas de renda em julho

Com alta de 5%, famílias de renda média-baixa são o grupo com a maior inflação acumulada no ano

O Indicador de Inflação por Faixa de Renda apontou aceleração da taxa de inflação para todas as faixas de renda no mês de julho. O estudo foi divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), na sexta-feira (13/8), e revelou que o aumento de preços foi maior para as famílias de renda muito baixa (1,12%), comparativamente às de renda alta (0,88%), em relação mês de julho. A inflação acumulada ao longo do ano também mostrou que o grupo de menor renda, que recebe até R$ 1.650,50, também registrou taxas superiores ao grupo de maior renda, com rendimentos superiores R$ 16.509,66. A inflação acumulada para esses grupos foi de 4,8% e 4,28%, respectivamente. Por outro lado, o grupo que apresenta a maior alta acumulada do ano é o de famílias de média-baixa, que recebem entre R$ 2.471,09 e R$ 4.127,41, com variação de 5% no ano. O grupo de habitação contribuiu pelo terceiro mês consecutivo para a alta de preços das famílias de renda mais baixa. O principal impacto veio do reajuste de 7,88% das tarifas de energia elétrica, refletindo a elevação do custo da bandeira vermelha nível 2. Outro impacto para esse grupo veio da alta do petróleo, aliada a uma leve desvalorização cambial, que elevou o preço do gás de botijão. A variação foi de 4,17% em julho, décima quarta elevação seguida registrada. O segundo grupo que mais contribuiu para a alta da inflação dos domicílios de renda muito baixa foi o de alimentação e bebidas. Mesmo diante da deflação apresentada em itens importantes, como arroz (-2,35%), feijão preto (-1,87%), batata (-12,03%) e óleo de soja (-0,01%), a elevação dos preços das carnes (0,77%), das aves e ovos (2,84%) e de leites e derivados (1,28%) contribuiu positivamente para o aumento verificado neste grupo. Essas famílias também experimentaram influência do aumento dos transportes, sobretudo, dos reajustes dos ônibus urbano (0,38%), intermunicipal (0,34%) e interestadual (0,55%). A inflação do grupo de transportes também afetou as famílias de renda alta, sendo o principal foco de inflação para esse grupo. O impacto veio pelos reajustes da gasolina (1,6%), das passagens áreas (35,2%) e do transporte por aplicativo (9,4%). Essas famílias, além de terem um menor impacto das altas dos alimentos e da energia elétrica, dado o menor peso desses itens em seus orçamentos, foram beneficiadas pela queda de 1,4% nos preços dos planos de saúde. Na comparação com julho de 2020, a pesquisa mostra que a inflação no mesmo mês de 2021 foi mais elevada para todos os segmentos de renda. A alta inflacionária vem, de uma maneira geral, da piora no comportamento de 7 dos 9 grupos de bens e serviços que compõem o IPCA: com exceção dos grupos “artigos de residência” e “saúde e cuidados pessoais”, todos os demais apresentaram taxas de crescimento de preços maiores este ano.

IPEA 

Atividade econômica segue com alta em junho, mostra BC

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), registrou alta de 1,14% em junho em relação ao mês anterior, segundo dado dessazonalizado divulgado pelo BC na sexta-feira

Isso ajudou o IBC-Br a terminar o segundo trimestre deste ano com crescimento de 0,12% sobre os três meses anteriores. O resultado de abril a junho, entretanto, foi mais fraco do que a expansão de 1,64% registrada pelo IBC-Br no primeiro trimestre, pressionado pela queda de 0,55% em maio sobre o mês anterior, em dado revisado depois de queda de 0,43% informada inicialmente. Na comparação com junho de 2020, o IBC-Br registrou alta de 9,07% e, no acumulado em 12 meses, teve avanço de 2,33%, segundo números observados. O IBGE divulgará os dados oficiais sobre o PIB do segundo trimestre em 1 de setembro, depois de informar que a economia cresceu 1,2% nos três primeiros meses do ano. Em junho, o destaque ficou para a retomada de serviços com a reabertura da economia. O setor cresceu 1,7% em junho, terceiro mês seguido de ganhos e bem acima do esperado. Por outro lado, a indústria ficou estagnada, fechando o segundo trimestre com fortes perdas, enquanto o varejo teve queda inesperada de 1,7% em junho sobre o mês anterior. A pesquisa Focus mais recente do BC com uma centena de economistas mostra que a projeção de expansão do PIB para este ano é de 5,30%, indo a 2,05% em 2022.

REUTERS

Riscos político e fiscal ‘tiram’ 30 mil pontos da Bolsa

Segundo analistas, o Ibovespa poderia estar entre 142 mil e 152 mil pontos se fossem considerados apenas os resultados das empresas

Em meio a uma crise institucional e ao aumento do risco fiscal, o mercado financeiro pareceu não se importar com o cenário político. Desde o começo do mês, não houve nenhuma variação brusca na Bolsa e no dólar, que estão praticamente no mesmo patamar, pouco acima dos 120 mil pontos e dos R$ 5,20, respectivamente. Analistas do mercado, no entanto, afirmam que os ativos brasileiros estão sentindo, sim, a crise. A Bolsa estaria entre 142 mil e 152 mil pontos e o câmbio, inferior a R$ 5 se não houvesse tanto ruído em Brasília, dizem.  “Quando o Presidente traz o tema do voto impresso (para o debate) ou aumenta a base de benefício social a um ano da eleição, ele acaba antecipando o risco das eleições nos preços dos ativos”, diz o gestor Luiz Felipe Laudari, da Mauá Capital. Os cálculos de que o Ibovespa (principal índice da B3) deveria estar mais alto consideram a evolução de outras bolsas, os resultados das empresas listadas no País e também o preço das ações dessas companhias. “Quando você olha os mercados lá fora, vê o americano batendo recorde todo dia. Frankfurt também. Todas as bolsas estão com valorização de 15% no ano ou mais. E, aqui, ela beira a estabilidade, com pouco mais de 1%. Deveríamos estar subindo mais que o mercado americano, por causa do risco de ser um emergente”, afirma Alvaro Bandeira, sócio do Modalmais. A alta acumulada do Ibovespa no ano é de 1,97%, enquanto a do indicador da Bolsa de Nova York é de 17,33%, a da Nasdaq, de 16,73% e a de Frankfurt, de 16,4%. Entre os emergentes, a Bolsa da Argentina subiu 26,6% e a da Rússia, 20,1%. Caso o Ibovespa tivesse acompanhado o nível dos emergentes, com uma alta de 20% no ano, o índice estaria em 142,6 mil pontos – na sexta-feira, no entanto, encerrou o pregão com 121,2 mil pontos. Os analistas destacam que o desempenho pífio brasileiro só não é pior graças aos resultados das companhias, melhores do que previstos desde o início da pandemia. O estrategista-chefe da XP, Fernando Ferreira, diz que 77% das empresas do Ibovespa que publicaram seus resultados do segundo trimestre até agora tiveram desempenho em linha ao esperado ou até melhor. “O que tem segurado a Bolsa é a história micro das empresas. Estamos tendo mais uma temporada de resultados fortes”, afirma Ferreira. O gestor acrescenta que, se fossem considerados apenas os fundamentos das companhias e a expectativa de lucro atual delas, o Ibovespa estaria em 152 mil pontos.

O ESTADO DE SÃO PAULO 

Índice de Confiança do Agronegócio cresce no 2º trimestre

O Índice de Confiança das Indústrias (antes e depois da porteira) subiu 7,8 pontos, para 118,5 pontos, influenciado, segundo a Fiesp, pela melhora nas avaliações sobre a economia

O Índice de Confiança do Agronegócio (IC Agro), divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pela CropLife Brasil, aumentou no segundo trimestre de 2021, atingindo 119,9 pontos, 2,4 pontos acima do levantamento anterior. Em nota, a Fiesp diz que as indústrias, que fecharam os dois trimestres anteriores com a confiança em queda devido à deterioração das perspectivas econômicas, retomaram o entusiasmo com a perspectiva de crescimento do PIB. “O recuo da taxa de câmbio no trimestre também melhorou a situação das empresas com custos em dólar, como é o caso de diversos segmentos de insumos agropecuários”, disse o Diretor titular do Departamento do Agronegócio da Fiesp, Roberto Betancourt. Segundo a metodologia do estudo, os resultados demonstram otimismo quando são superiores a 100 pontos e pessimismo quando ficam abaixo dessa marca. No caso da indústria antes da porteira (insumos agropecuários), o avanço foi de 9,2 pontos, a 117,1 pontos, o maior aumento entre os índices pesquisados. Já a indústria depois da porteira registrou alta na confiança de 7,2 pontos, para 119,1 pontos. “Os preços dos grãos recuaram, minimizando a pressão sobre os custos dos frigoríficos; as exportações do agronegócio continuaram aquecidas, com receitas 28% maiores no segundo trimestre deste ano em relação a idêntico período de 2020; e a melhora nas perspectivas para a economia brasileira atenuou os temores relacionados ao comportamento do consumo doméstico”, destacou Betancourt. Ele chamou a atenção, porém, para a quebra da segunda safra de milho, que deve reduzir os volumes de exportação, com impacto negativo no próximo trimestre para empresas de logística e tradings. O Índice do Produtor Agropecuário foi na contramão e caiu 5,0 pontos, para 121,7 pontos no segundo trimestre.

ESTADÃO CONTEÚDO 

EMPRESAS 

BRF avalia que levará tempo para preços refletirem alta de custos de grãos

A companhia de alimentos brasileira BRF avaliou na sexta-feira que é necessário mais tempo para que os preços dos produtos no Brasil reflitam totalmente os custos mais altos dos grãos que pesaram em seus resultados no segundo trimestre, disse o CEO Lorival Luz, em teleconferência com analistas

O maior exportador de carne de frango do mundo apontou os altos estoques do produto em alguns países, como o Japão, como motivo para não conseguir elevar os preços no mercado brasileiro, onde a companhia realiza a maior parte de suas vendas. Com a queda dos estoques globais de carnes, a BRF espera ajustar os preços e recuperar parte das margens perdidas nos próximos trimestres. “O ambiente adverso do ponto de vista da estrutura de custos afetou todas as empresas do setor”, disse Luz. O CEO afirmou que o aumento nos custos dos grãos foi sem precedentes, reconhecendo que afetou alguns mercados mais do que outros. Nos Estados Unidos, por exemplo, as empresas de alimentos conseguiram repassar mais rapidamente os custos elevados para os preços, mas não foi o caso no Brasil. A BRF possui fábricas no Brasil e no Oriente Médio, sendo um dos principais fornecedores globais de alimentos halal. Em teleconferência com jornalistas, Luz reiterou os planos de instalação de unidades de produção em pelo menos um país da América do Norte, Europa ou até mesmo na China, mas não deu prazo para isso. O CFO Carlos de Moura disse que o aumento do preço do diesel também elevou os custos no Brasil, uma vez que a empresa enfrentou custos de frete mais altos. A BRF também disse que a pandemia prejudicou seu desempenho financeiro, principalmente no Brasil e nos mercados halal localizados no Golfo Pérsico.

REUTERS 

MEIO AMBIENTE

Queimadas atingiram 20% do território nacional nas últimas três décadas

Os dados fazem parte de um estudo inédito realizado pelo Mapbiomas, um projeto integrado realizado por universidades, organizações ambientais e empresas de tecnologia

Todo ano, uma área maior que a Inglaterra pega fogo no Brasil. Nos últimos 36 anos, 150,9 mil quilômetros quadrados, em média, foram tragados pelo fogo. Se somada a área queimada desde 1985, o acumulado do período chega a praticamente um quinto do território nacional. Foram 1.672.142 km² de vegetação queimada, o equivalente a 19,6% do Brasil. Os dados fazem parte de um estudo inédito realizado pelo Mapbiomas, um projeto integrado realizado por universidades, organizações ambientais e empresas de tecnologia. Durante um ano e meio, os pesquisadores se debruçaram no processamento de mais de 150 mil imagens geradas por uma série de satélites, analisando dados dos anos 1985 a 2020. Com recursos de inteligência artificial, foram sobrepostas imagens detalhas com registros de queimadas ocorridas nos 8,5 milhões de quilômetros quadrados do território brasileiro, em todos os tipos de uso e cobertura da terra. Ao todo, foram 108 terabytes de imagens processadas, revelando áreas, anos e meses de maior e menor incidência do fogo. O resultado desse trabalho permite agora identificar a área queimada em cada mês, durante todo o período avaliado, além do tipo de uso e cobertura do solo que queimou. O levantamento revela que quase dois terços (65%) do fogo ocorreram em áreas de vegetação nativa, sendo que os biomas Cerrado e Amazônia concentram 85% de toda a área queimada pelo menos uma vez no país. No caso do Cerrado, a área queimada por ano, desde 1985, equivale a 45 vezes a área do município de São Paulo. Outro dado preocupante aponta que cerca de 61% das áreas afetadas pelo fogo entre 1985 e 2020 foram queimadas duas vezes ou mais, ou seja, não se trata de eventos isolados. No caso da Amazônia, 69% do bioma queimou mais de uma vez no período, sendo que 48% queimou mais de três vezes. A análise mostra que o Pantanal foi o bioma que mais queimou nos últimos 36 anos: 57% de seu território foi queimado pelo menos uma vez no período, o que remete a uma área de 86.403 km² atingidos pelo fogo. No Cerrado, a área atingida chegou a 36% (733.851 km²), enquanto na Amazônia o fogo foi identificado em 16,4% do bioma (690.028 km²). “A informação de que 20% da área do Brasil já foi queimada não é pouca coisa. A Amazônia, por exemplo, que é metade deste País, teoricamente, não deveria queimar. É uma floresta úmida, o fogo não faz parte de seu regime natural, mas temos visto esse avanço, puxado por fatores como o avanço de áreas pastagem”, diz Ane Alencar, Coordenadora do Mapbiomas Fogo. “Esse cenário mostra que o fogo tem que ser trabalhado com ações de combate como política pública. É um cenário muito preocupante e que tem se agravado nestes últimos anos.” Vera Arruda, pesquisadora da equipe do MapBiomas Fogo responsável pelo mapeamento do Cerrado, afirma que a região é dona de uma vegetação nativa onde o fogo faz parte de seu regime, mas não na dimensão que tem ocorrido. “A extensão e frequência da área queimada no Cerrado nas últimas quase quatro décadas revela que algo está errado com o regime de fogo no bioma”, comenta. Os Estados com maior ocorrência de fogo no período analisado foram Mato Grosso, Pará e Tocantins. Embora os grandes picos de área queimada no Brasil tenham ocorrido principalmente em anos impactados por eventos de seca extrema (1987, 1988, 1993, 1998, 1999, 2007, 2010 e 2017), altas taxas de desmatamento – principalmente aquelas ocorridas na Amazônia depois de 2019 – tiveram alto impacto no aumento da área queimada. A estação seca, entre julho e outubro, concentra 83% da ocorrência de queimadas e incêndios florestais.

O ESTADO DE SÃO PAULO 

FRANGOS & SUÍNOS

Frango/Cepea: Cotações da carne renovam recordes nominais

Levantamentos do Cepea mostram que o preço do frango inteiro renovou o recorde nominal da série histórica, iniciada em 2004 

Segundo pesquisadores, além do período de início de mês, o retorno das aulas presenciais e o otimismo com a flexibilização das medidas restritivas aumentam a demanda interna por carne de frango, impulsionando os preços. Porém, o movimento de alta nas cotações do frango inteiro – que ocorre de maneira geral desde abril deste ano, mas se intensificou nas últimas semanas –, reduz a competitividade dessa carne frente às principais concorrentes.

Cepea

Suinocultura discute custos de produção e medidas para combater a crise no setor

A expressiva elevação nos custos de produção, com constantes altas nas cotações de soja e milho, principais componentes da ração animal, e de insumos consumidos diariamente nas granjas, bem como o aumento das despesas com mão-de-obra, têm agravado o novo quadro de crise que se instalou na suinocultura comercial brasileira

O preço pago pelo suíno vivo para produtores do mercado independente está bem abaixo dos custos da produção dessa proteína animal, mesmo que as exportações de carne suína brasileira sigam aquecidas, com forte participação da China como a principal compradora da produção brasileira. No varejo, o preço dos cortes de carne suína se mantém no mesmo patamar, sem redução, e o mercado interno não tem absorvido essa alta dos custos nas granjas, mantendo o preço do suíno vivo aquém do necessário a ser pago ao produtor, que amarga um prejuízo em torno de R$ 280,00 por animal comercializado. A crise que atinge a suinocultura também preocupa o produtor integrado, que hoje representa quase 90% da produção de suínos no caso do Paraná, que é o segundo maior produtor nacional. Os produtores integrados estão reivindicando uma revisão urgente no percentual aplicado aos itens que compõem suas planilhas de custos, principalmente no que diz respeito aos encargos trabalhistas. Segundo eles, há divergências entre a planilha dos produtores e a planilha adotada pela integradora, o que levou membros das chamadas Cadecs a se reunirem em Toledo, no Oeste do Paraná, na quinta-feira, 12, com representes da indústria, para uma análise mais detalhada dessas planilhas, e que se estude a possibilidade de se adotar uma planilha única pela empresa e produtores, que evite prejuízos como vem ocorrendo nos últimos tempos. No mercado spot, se tornou evidente a necessidade de uma melhor organização da classe dos produtores que atuam de forma independente. Um dos pontos analisados e apontado como uma das principais medidas para aliviar o quadro é a imediata redução da pauta de ICMS para vendas interestaduais de suínos do Paraná, que atualmente é de 12%. Na reunião dos produtores independentes, realizada na quarta-feira, 11, ficou decidida a criação de uma comissão que irá tratar da redução do ICMS, no Paraná, junto ao Governo do Estado, além da adoção de medidas que busquem elevar o consumo. As reuniões de produtores de suínos, independentes e integrados, realizadas esta semana, em Toledo, foram organizadas pela Associação Paranaense de Suinocultores (APS).

APS 

Com oferta ajustada, preço do suíno reage no país  

De acordo com o analista da Safras & Mercado, Allan Maia, o suinocultor conseguiu repassar os custos de nutrição animal às cotações, embora o cenário de pressão sobre as margens da atividade continue pesando

O mercado brasileiro de suínos se recuperou ao longo da última semana, com o ritmo de negócios apresentando maior fluidez e o quadro de oferta mais ajustado frente à demanda. A expectativa para o restante do mês, segundo Maia, é positiva por causa da demanda interna aquecida. “O spread ainda estreito entre a carcaça suína e o frango congelado é outro fator que pode ajudar o escoamento dos cortes suínos ao longo das próximas semanas”, sinaliza.

Levantamento de Safras & Mercado apontou que a média de preços do quilo do suíno vivo na região Centro-Sul do Brasil subiu 1,36%, de R$ 6,34 para R$ 6,42. A média de preços pagos pelos cortes de pernil no atacado avançou 1,11%, de R$ 11,61 para R$ 11,74. A carcaça registrou um valor médio de R$ 10,13, aumento de 2,02% frente ao valor registrado no começo do mês, de R$ 9,93. As exportações de carne suína “in natura” do Brasil renderam US$ 58,164 milhões em agosto (5 dias úteis), com média diária de US$ 11,632 milhões. A quantidade total exportada pelo país no período chegou a 24,053 mil toneladas, com média diária de 4,810 mil toneladas. O preço médio ficou em US$ 2.418,10. Em relação a agosto de 2020, houve alta de 24,58% no valor médio diário da exportação, ganho de 15,19% na quantidade média diária exportada e valorização de 8,15% no preço médio. Os dados são do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços e foram divulgados pela Secex. A análise semanal de preços, divulgado no fim da semana passada, apontou que a arroba suína em São Paulo passou de R$ 135,00 para R$ 138,00. No Rio Grande do Sul, o quilo vivo seguiu em R$ 5,70. No interior do estado a cotação mudou de R$ 6,60 para R$ 6,70. Em Santa Catarina, o preço do quilo na integração seguiu em R$ 5,90. No interior catarinense, a cotação avançou de R$ 6,60 para R$ 6,80. No Paraná, o quilo vivo mudou de R$ 6,55 para R$ 6,60 no mercado livre, enquanto na integração o quilo vivo permaneceu em R$ 5,70.

AGÊNCIA SAFRAS 

INTERNACIONAL

Nos EUA, preço das carnes pode subir a ponto de se tornar um luxo

As empresas estão cobrando mais por tudo, mas estão aumentando os preços não apenas para cobrir seus próprios custos mais elevados. Tiveram tanto sucesso que analistas dizem que as margens de lucro das grandes empresas americanas nunca foram tão altas

Como resultado, os relatórios de lucros trimestrais das empresas listadas no índice S&P 500 nas últimas semanas superaram as expectativas de Wall Street. Um exemplo é a produtora de carne Tyson Foods, que teve que lidar com custos mais altos de cereais para alimentar suas galinhas e outras fontes de inflação. No entanto, seus ganhos ainda aumentaram 42% no último trimestre em relação ao ano anterior. Grande parte disso deveu-se ao preço do frango que subiu 16% no último trimestre. “Estamos simplesmente pedindo um valor justo de mercado para esses produtos”, disse o CEO Donnie King. Conforme relatado pelo Wall Street Journal esta semana, a Tyson Foods “projetou custos mais altos da carne no futuro, à medida que a empresa de carnes busca transferir os altos preços atuais da ração animal, salários crescentes e despesas pandêmicas. Para restaurantes e supermercados.” A Tyson aumentou o preço médio da carne suína em 39,3% no último trimestre, enquanto elevou os preços da carne bovina e de frango em 11,6% e 15,6%, respectivamente. Os volumes de vendas também aumentaram. A empresa aumentou os preços para clientes de restaurantes para compensar a inflação e planeja aumentar os preços de varejo em 5 de setembro, disse King em uma teleconferência com analistas. Mais aumentos estão planejados, disse ele. O Wall Street Journal explica que “a intensa demanda dos restaurantes americanos por peitos e asas de frango às vezes supera os suprimentos, disseram executivos do setor. As cadeias de fast food estão lutando para lançar novos sanduíches de frango, enquanto as asas de frango desempenharam um papel importante nos restaurantes de comida para viagem vendas”. Além disso, o WSJ observou que a Tyson e outros fornecedores de carne dos EUA, incluindo JBS USA Holdings Inc., Sanderson Farms Inc. e Cargill Inc., estão sob pressão para atender aos pedidos cada vez maiores de restaurantes, que estão reabrindo lojas fechadas devido a pandemia. Enquanto isso, os consumidores continuam gastando muito nas redes de supermercados, disseram os executivos. Ressalte-se que a inflação anual nos Estados Unidos atingiu 5,4% em julho, a maior desde agosto de 2008, sustentada pelo aumento da massa salarial e pela geração de empregos.

Wall Street Journal 

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