Ano 7 | nº 1551 | 13 de agosto de 2021
NOTÍCIAS
Cenário calmo para o boi gordo
A oferta de gado não está apertada, mas não permite pressão de baixa
O mercado do boi gordo segue com o cenário de estabilidade. A oferta não faz com que a indústria tenha dificuldade maior em comprar, mas não é suficiente para gerar pressão de baixa contundente. Para o curto prazo, a segunda quinzena deve arrefecer o consumo doméstico, mas as atenções se voltam ao ritmo dos embarques de carne bovina, que começaram agosto em ritmo forte. Para as exportações, a evolução recente dos casos de covid-19 na China merece atenção, uma vez que medidas mais generalizadas para a contenção destes casos no início afetaria a demanda do principal comprador do Brasil. Além das exportações, o equilíbrio entre mais gado de confinamento chegando e a demanda doméstica ganhando corpo com o segundo semestre ditarão o rumo mercado. Por ora, a expectativa segue de cenário calmo para os preços em curto prazo.
SCOT CONSULTORIA
Boi gordo fecha com preço estável e margem de abate confortável na quinta
Frigoríficos em geral ainda se deparam com uma posição de maior conforto em suas escalas de abate, atendendo entre cinco e sete dias úteis
O mercado físico de boi gordo registrou preços estáveis na quinta-feira (12). Segundo o analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, os frigoríficos em geral ainda se deparam com uma posição de maior conforto nas suas escalas de abate, atendendo entre cinco e sete dias úteis, em média. “A incidência de contratos a termo e a utilização de confinamentos próprios torna o quadro ainda mais tranquilo para os frigoríficos de maior porte”, assinala Iglesias. Mesmo nesse ambiente mais favorável, os frigoríficos não exercem pressão sobre o mercado, mantendo a fluidez dos negócios. “Também é relevante destacar a redução do diferencial de base entre São Paulo e estados como Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, com negociações realizadas praticamente no mesmo patamar de preço”, disse o analista. Em São Paulo, a referência para a arroba do boi ficou em R$ 318 na modalidade à prazo. Em Goiânia (GO), a arroba teve preço de R$ 305. Em Dourados (MS), a arroba foi indicada em R$ 314. Em Cuiabá, a arroba ficou indicada em R$ 308, estável. Em Uberaba, Minas Gerais, preços a R$ 314 a arroba. No mercado atacadista, os preços da carne bovina seguem firmes. Segundo Iglesias, o ambiente de negócios oferece menor expectativa de reajustes durante a segunda quinzena do mês, período que conta com menor apelo ao consumo. A carne de frango ainda detém a predileção do consumidor médio em detrimento da carne bovina, que permanece em um patamar bastante proibitivo. “Mesmo com o potencial avanço da demanda doméstica, novos avanços dos preços da carne bovina são limitados por este fator”, disse Iglesias. O quarto dianteiro foi precificado a R$ 17 por quilo. O quarto traseiro teve preço de R$ 21,25 por quilo, estável. Já a ponta de agulha foi precificada a R$ 17 por quilo, estável.
AGÊNCIA SAFRAS
Boi/Cepea: Embarques à China seguem intensos e com preços altos
Os elevados preços do boi gordo no mercado brasileiro vêm sendo repassados aos valores da carne exportada
Entre julho/20 e julho/21, a média mensal do boi gordo (Indicador CEPEA/B3) subiu 44%, em termos nominais (ou seja, sem considerar os efeitos da inflação). Para a carne exportada, dados da Secex mostram que, no mesmo período, houve valorização de 33%, com a média atingindo recorde em julho, de US$ 5.427,72/tonelada. No caso específico da China, o valor médio foi de US$ 5,77/kg em julho/21, aumento de 33,6% em um ano. Segundo pesquisadores do Cepea, esse incremento nos valores da carne exportada vem sendo observado mesmo com o dólar em elevado patamar (acima dos R$ 5). De janeiro a julho de 2021, a China foi destino de 490,17 mil toneladas da carne bovina brasileira (correspondendo a 46% de todo o volume embarcado pelo Brasil no período), quantidade 8,5% superior à do mesmo período do ano passado, quando somava o até então recorde de 451,77 mil toneladas.
Cepea
IBGE: primeiros resultados apontam queda no abate de bovinos e crescimento em suínos e frangos no 2º tri de 2021
Os primeiros resultados da produção animal no 2º trimestre de 2021 apontam, na comparação com o 2º trimestre de 2020, que o abate de bovinos caiu 4,5%, enquanto o de suínos cresceu 7,1% e o de frangos aumentou 7,4%
Em relação ao 1º trimestre de 2021, o abate de bovinos aumentou 7,7% e o de suínos 3,2%, enquanto o de frangos caiu 3,0%. Já a aquisição de peças de couro pelos curtumes cresceu 2,6% em comparação com o mesmo tri do ano anterior e 6,2% em relação ao trimestre anterior, somando 7,51 milhões de peças inteiras de couro cru. No 2º trimestre de 2021, foram abatidas 7,07 milhões de cabeças de bovinos sob algum tipo de serviço de inspeção sanitária. Essa quantidade representou queda de 4,5% em comparação com o 2º trimestre de 2020 e aumento de 7,7% em relação ao 1º trimestre de 2021. A produção de 1,87 milhão de toneladas de carcaças bovinas no 2º trimestre de 2021 consistiu em retração de 1,9% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior e aumento de 8,6% em relação ao apurado no 1º trimestre de 2021. O abate de suínos somou 13,03 milhões de cabeças no 2° trimestre de 2021, representando um aumento de 7,1% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior e de 3,2% em comparação ao 1° trimestre de 2021. O peso acumulado das carcaças registrou 1,22 milhão de toneladas no 2º trimestre de 2021, o que consistiu em incremento de 9,5% em relação ao 2° trimestre de 2020 e de 5,2% em comparação com o trimestre imediatamente anterior. No 2º trimestre de 2021, foram abatidas 1,52 bilhão de cabeças de frango. Esse resultado significou um acréscimo de 7,4% em relação ao trimestre equivalente do ano anterior e retração de 3,0% na comparação com o 1° trimestre de 2021. O peso acumulado das carcaças foi de 3,58 milhões de toneladas no 2º trimestre de 2021. Esse total significou aumento de 10,5% em relação ao 2° trimestre de 2020 e redução de 2,1% frente ao trimestre imediatamente anterior.
IBGE
Boi: escalas de abate seguem confortáveis e arroba acomodada
De acordo com a consultoria Safras & Mercado, o cenário de escalas de abate confortáveis e alongadas segue dominando o mercado do boi gordo no Brasil. Apesar do ambiente favorável, a consultoria ressalta que as cotações têm se mantido firmes, variando entre a estabilidade e até algumas leves altas pontuais
Até o final do ano, a atenção estará mais voltada à demanda doméstica. Na B3, os contratos futuros do boi gordo tiveram um dia em que as baixas predominaram na curva, mas com ritmo bastante moderado, como têm sido o padrão dos últimos dias. O vencimento para agosto passou de R$ 318,20 para R$ 318,15, do outubro foi de R$ 323,75 para R$ 323,05 e do novembro foi de R$ 329,95 para R$ 328,80 por arroba.
Safras & Mercado
ECONOMIA
Dólar fecha em alta de 0,66%, a R$5,2542
O dólar voltou a fechar em alta e superou a casa de 5,25 reais na quinta-feira, numa máxima em cinco semanas, com o mercado repercutindo novas incertezas fiscais
O dólar à vista subiu 0,66%, a 5,2542 reais, maior nível desde 8 de julho (5,2549 reais). No exterior, o índice da divisa norte-americana contra uma cesta de rivais ganhava 0,1%, mantendo-se perto de máximas em mais de quatro meses. Mas a cena local continuou com forte peso sobre a formação dos preços dos ativos. Num sinal de que incertezas fiscais seguem pautando o mercado, além do dólar os juros futuros fecharam a sessão regular em alta –expressiva, de até 18 pontos-base, nos vértices longos, mais suscetíveis a dúvidas sobre a trajetória da dívida pública. O olhar torto do mercado para a reforma do IR se soma a outros fatores de risco fiscal, como a ideia de aumento do Bolsa Família à custa de uma proposta de parcelamento dos valores dos precatórios –o que para muitos economistas nada mais é do que uma forma de pedalada fiscal, num contexto de um governo com popularidade em queda e a um ano da eleição presidencial. Na quinta, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, reafirmou a postura mais dura do BC em relação ao aumento de preços na economia ao pontuar que a autoridade monetária fará o que for preciso para ancorar as expectativas de inflação, já que essa é sua missão fundamental.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda
O Ibovespa fechou em queda na quinta-feira, no menor patamar em três meses, com as ações da Ultrapar afundando 12% após o resultado trimestral decepcionar, em uma sessão marcada por uma batelada de balanços corporativos
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,14%, a 120.663,58 pontos, mínima de fechamento desde 12 de maio, segundo dados preliminares. O volume financeiro somava 30,5 bilhões de reais.
REUTERS
Com venda de participações, BNDES LUCRA R$5,3 bi no 2º tri
O BNDES apresentou lucro líquido no segundo trimestre de 5,3 bilhões de reais, informou o banco de fomento na quinta-feira
As vendas de ações de Vale e Klabin, contribuíram com um lucro líquido de 7 bilhões de reais e o desempenho no semestre ainda foi impulsionado pelo resultado positivo de 1,4 bilhão com equivalência patrimonial de JBS. “Essas operações de desinvestimento seguem a estratégia de diminuir o risco da exposição da carteira de participações acionárias do banco”, informou o BNDES em comunicado. Já o resultado da intermediação financeira atingiu 6,6 bilhões de reais, aumento de 50% em comparação ao primeiro trimestre deste ano, impactado pelo resultado bruto na venda de debêntures da Vale em abril. A carteira de participações societárias fechou o segundo trimestre em 69,3 bilhões de reais, um acréscimo de 12,7%, em função da valorização da portifólio em cerca de 6,6 bilhões. A inadimplência acima de 90 dias se manteve em patamar baixo, porém passou de 0,01% em 31 de dezembro para 0,19% em 30 de junho, o que segundo o banco é um patamar inferior à média do Sistema Financeiro Nacional (2,30% em 30 de junho). Em julho, o BNDES pagou dívida junto ao Tesouro Nacional no total de 16,5 bilhões de reais e o saldo devedor atual é de, aproximadamente, 99,7 bilhões. Considerando pagamentos antecipados (54,5 bilhões de reais), ordinários (8,2 bilhões), dividendos (4,9 bilhões) e tributos (8,3 bilhões), o BNDES transferiu ao Tesouro Nacional 75,9 bilhões de reais neste ano, até julho.
REUTERS
Setor de serviços do Brasil cresce 1,7% em junho, diz IBGE
O volume do setor de serviços do Brasil cresceu 1,7 por cento em junho em relação a maio e teve alta de 21,1 por cento na comparação com o mesmo mês do ano anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quinta-feira.
EMPRESAS
Despesa financeira afeta resultados da BRF
Dona de Sadia e Perdigão encerrou o segundo trimestre com prejuízo líquido de R$ 240 milhões
As despesas com juros e contingências e a pressão dos grãos sobre as margens operacionais levaram a BRF ao vermelho. Em balanço divulgado ontem à noite, a dona de Sadia e Perdigão reportou um prejuízo líquido de R$ 240 milhões no segundo trimestre, uma piora sensível na comparação com o lucro de R$ 307 milhões de igual intervalo de 2020. A receita líquida da BRF totalizou R$ 11,6 bilhões. O aumento, de 27,8%, deveu-se ao maior volume comercializado (6%) e também ao preço médio mais alto (20,6%), ainda que insuficiente para compensar a alta dos custos. Carlos Moura, Vice-Presidente de Finanças e de Relações com Investidores da BRF, destrinchou o aumento das despesas financeiras, que saíram de R$ 167 milhões entre abril e junho do ano passado para quase R$ 800 milhões. A grande responsável por essa diferença é uma opção de venda que o fundo soberano do Catar, sócio da BRF na produtora de carne de frango turca Banvit, possui. A opção, que vence no fim do ano, é atualizada por um múltiplo de Ebitda. Como o resultado da Banvit melhorou, esse valor foi atualizado para R$ 28 milhões. Um ano atrás, o contrário havia ocorrido – o pior desempenho da controlada turca reduziu as despesas financeiras em R$ 338 milhões. Vale ponderar que essas atualizações só vão afetar o caixa quando o fundo exercer a opção. Excluindo esse impacto, a despesa teria crescido 38%, para R$ 731 milhões. Segundo Moura, as despesas com juros atrelados ao IPCA subiram, um resultado inevitável diante da forte aceleração da inflação no país. Na linha de juros, as despesas aumentaram 35,8% na comparação anual, totalizando R$ 431 milhões. As contingências (processos perdidos) também tiveram impacto, com aumento de 70%, somando R$ 148 milhões no trimestre. “Há efeitos pontuais, mas estamos no caminho certo. Claro, a inflação atrapalha, tanto na despesa financeira quanto na margem operacional”. De fato, a inflação de custos – sobretudo dos grãos usados na ração animal – prejudicou a margem bruta da companhia. Nesse cenário, os resultados precisam ser muito bons para pagar os credores e, ao final, também chegar ao acionista. No segundo trimestre, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da BRF totalizou R$ 1,27 bilhão, aumento de 23% na comparação anual. Mesmo com a disparada dos grãos, a margem Ebitda caiu apenas 0,4% ponto, chegando a 10,9%. Em comparação, a rival Seara teve uma compressão de margem Ebitda bem maior (saindo de 16,9% para 9%). Considerando apenas o negócio no Brasil, a margem Ebitda da BRF caiu de 11,6% para 8,5%. O que sustentou a rentabilidade foi a operação internacional, que apresentou melhora no mercado do Oriente Médio, que a BRF lidera.
VALOR ECONÔMICO
FRANGOS & SUÍNOS
Suínos/Cepea: Vivo se valoriza, mas preços da carne recuam
Os preços do suíno vivo no mercado independente estão em alta nestas primeiras semanas de agosto, ao passo que os da carne no atacado da Grande São Paulo vêm recuando
Segundo pesquisadores do Cepea, no caso do animal vivo, as cotações estão sustentadas pela maior demanda de frigoríficos exportadores, tendo em vista que os embarques da proteína suína in natura estão intensos neste começo de mês. Além disso, os altos custos de produção (especialmente os relacionados à alimentação) fazem com que produtores reajustem positivamente os valores de venda de novos lotes de suíno pronto para abate. Já quanto à carne, as cotações são pressionadas pela fraca demanda brasileira, devido, principalmente, ao baixo poder de compra da população. Verifica-se, inclusive, que alguns agentes atacadistas reajustam negativamente as cotações de venda da carne, na tentativa de manter a liquidez e evitar elevações nos estoques.
Cepea
INTERNACIONAL
JBS anuncia proposta para fechar capital da Pilgrim’s Pride
Oferta é de US$ 26,50 por ação da empresa americana que o grupo brasileiro ainda não detém
A JBS aprovou na quinta-feira o envio de uma proposta à americana Pilgrim’s Pride Corporation (PPC) para comprar a totalidade das ações ordinárias da companhia em circulação nos Estados Unidos (no caso, na Nasdaq). A gigante brasileira detém atualmente 80,21% das ações da Pilgrim’s e, com a proposta, pretende fechar seu capital. A proposta é de US$ 26,50 por ação. “Caso a proposta seja aceita, a JBS fará a aquisição por meio de uma de suas subsidiárias nos Estados Unidos e a PPC poderá se tornar sua subsidiária integral”, disse a JBS, em fato relevante. A Pilgrim’s é uma das maiores produtoras de carne suína e de frango dos Estados Unidos, com vendas na América do Norte e Europa. A JBS assumiu o controle da companhia em 2009. O banco Barclays é o consultor financeiro da JBS na operação e o escritório Cravath, Swaine & Moore LLP, o consultor jurídico.
VALOR ECONÔMICO
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