Ano 7 | nº 1550 | 12 de agosto de 2021
NOTÍCIAS
Boi gordo: avanço das escalas de abate
As cotações também ficaram estáveis na comparação diária
Em São Paulo, a maior oferta de bovinos confinados e o aumento das escalas de abate permitiram aos frigoríficos a manutenção dos preços na última quarta-feira (11/8) na comparação diária. Segundo levantamento da Scot Consultoria, o boi, vaca e novilhas gordos foram negociados, respectivamente, em R$317,00/@, R$293,00/@ e R$312,00/@, preços brutos e a prazo. Em Paragominas-PA, as cotações também ficaram estáveis na comparação diária, com a oferta de boiadas para abate suficiente para atender a demanda das indústrias, que estão escaladas para a próxima semana. A cotação do boi gordo na região ficou em R$300,00/@, preço bruto e a prazo. Já no Noroeste do Paraná, com o cenário de oferta semelhante às praças anteriores, a cotação da vaca gorda recuou R$1,00/@ no comparativo diário. Boi e novilha gordos ficaram com os preços estáveis. A cotação da vaca gorda ficou em R$297,00/@, preço bruto e a prazo.
SCOT CONSULTORIA
Boi: cotações estáveis
De acordo com a consultoria Safras & Mercado, a arroba do boi gordo negociada em São Paulo, capital, voltou a cair de R$ 318 para R$ 317, na modalidade a prazo
A expectativa de altas na primeira quinzena de agosto não se consolidou em virtude da pequena reação pelo lado da demanda. Segundo o analista Fernando Iglesias, com as limitações do consumo doméstico, o resultado depende do exterior. Na B3, os contratos futuros do boi gordo tiveram um dia em que as cotações ficaram praticamente estáveis, mas com leves altas predominando. O vencimento para agosto passou de R$ 317,15 para R$ 318,20, do outubro foi de R$ 323,60 para R$ 323,75 e do novembro foi de R$ 329,00 para R$ 329,95 por arroba.
Safras & Mercado
Demanda tímida arrefece pressão altista nos preços das boiadas
Ambiente de negócios sugere estabilidade pela acomodação dos preços no curto prazo
O mercado físico de boi gordo registrou preços estáveis na quarta-feira. “Os frigoríficos ainda desfrutam de uma posição bastante confortável em suas escalas de abate, posicionadas entre cinco e sete dias úteis em média. Mesmo com escalas de abate confortáveis, os frigoríficos não exercem pressão sobre o mercado. A incidência de contratos a termo e a utilização de confinamentos próprios torna a situação mais confortável para os frigoríficos de maior porte”, assinala o consultor Fernando Henrique Iglesias. Para que haja maior robustez do movimento de alta, são necessários avanços mais consistentes da demanda. “Mas, como há limitações claras em torno do consumo doméstico, é evidente a dependência do bom resultado das exportações, com ênfase nas vendas destinadas à China”, disse Iglesias. Em São Paulo, Capital, a referência para a arroba do boi ficou em R$ 318,00 na modalidade a prazo, ante R$ 317 na segunda-feira. Em Goiânia (GO), a arroba teve preço de R$ 305, estável. Em Dourados (MS), a arroba foi indicada em R$ 314, ante R$ 313. Em Cuiabá, a arroba ficou indicada em R$ 308, estável. Em Uberaba, Minas Gerais, preços a R$ 314 a arroba, ante R$ 313. No mercado atacadista, os preços da carne bovina seguem firmes. Segundo Iglesias, o ambiente de negócios sugere por menor espaço para reajustes durante a segunda quinzena do mês, período que conta com menor apelo ao consumo. “O consumidor médio ainda encontra dificuldades para absorver novos reajustes da carne bovina no atacado, buscando proteínas mais acessíveis. Asso, a carne de frango segue com a preferência da população brasileira, consequência da atual situação macroeconômica”, apontou Iglesias. O quarto dianteiro foi precificado a R$ 17,00 por quilo. O quarto traseiro teve preço de R$ 21,25 por quilo, estável. Já a ponta de agulha foi precificada a R$ 17,00 por quilo, estável.
AGÊNCIA SAFRAS
Produção de carne angus cresce 18,5% no primeiro semestre
De janeiro a junho, a produção de carne angus no país chegou a 12,858 mil toneladas, com maior demanda do varejo na pandemia
A produção de carne bovina da raça angus acumula um crescimento de 18,5% no primeiro semestre de 2021, atingindo 12,858 mil toneladas, segundo dados divulgados na quarta, 11, pela Associação Brasileira de Angus. Na primeira metade do ano passado, a raça angus havia registrado produção de 10,882 mil toneladas. A Gerente do Programa Carne Angus Certificada, Ana Doralina Menezes, destaca que esse crescimento significativo levou em conta a inclusão de cortes de dianteiro no programa. “Com a pandemia de coronavírus e o fechamento de restaurantes, o consumidor se viu obrigado a preparar seu próprio churrasco. Com isso, houve uma demanda maior por parte do varejo com o intuito de oferecer novas opções de cortes aos consumidores, com os cortes de dianteiro, que tem a mesma qualidade dos cortes de traseiro”, explica. Ana disse que além dos cortes tradicionais de picanha, maminha, alcatra, a programa passou a oferecer cortes como acém, raquete, peito, granito, entre outros, que antes eram não eram encontrados de forma separada da peça de dianteiro, mas que oferecem a mesma qualidade padrão da carne angus. “Com isso, o volume de cortes por carcaça aumentou, chegando a uma média de 69,81 quilos em 2021, contra 58,84 quilos em 2020, o que proporcionou, também, um melhor aproveitamento por parte das indústrias”, avalia.
No que tange às exportações, Ana informa que os volumes de carne angus embarcados na primeira metade de 2021 avançaram 21,5% em relação ao mesmo período do ano passado. “Foram exportadas 338,872 toneladas de carne Angus de janeiro a junho, contra 279,088 toneladas na primeira metade do ano passado, tendo como destinos principais China, Cingapura, Hong Kong, Indonésia, Rússia, Catar, Arábia Saudita e Irã”, sinaliza. Na contramão do cenário vivenciado pelo Brasil, que registrou uma redução de 8% nos abates de bovinos na primeira metade deste ano, o cenário vivenciado pela raça Angus foi de crescimento. Segundo Ana Doralina Menezes, os abates da raça Angus apresentaram um crescimento de 4% no primeiro semestre, atingindo 121.588 cabeças, contra 117.320 animais no mesmo período do ano passado.
AGÊNCIA SAFRAS
ECONOMIA
Dólar fecha em alta de 0,47%, a R$5,2200
O dólar fechou em alta na quarta-feira e voltou a ficar acima de 5,20 reais, com a prevalência do clima incerto no plano local
O dólar à vista subiu 0,47%, a 5,2200 reais na venda. O real amargou o pior desempenho global na sessão, que via o índice do dólar contra uma cesta de pares em baixa de 0,2% no fim da tarde. Enquanto o dólar seguiu mais fraco nos mercados externos, aqui gradualmente voltou a ganhar força até bater uma máxima da sessão acima de 5,23 reais, com operadores recorrendo a compras defensivas diante da temperatura ainda elevada no campo político-fiscal no Brasil. O Presidente Jair Bolsonaro frustrou a expectativa do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), ao, apenas algumas horas depois de ver a Proposta de Emenda à Constituição do voto impresso ser derrubada pelo plenário da Casa, voltar a atacar as urnas eletrônicas e levantar suspeitas sobre as eleições. Em paralelo, investidores monitoraram manchetes sobre a reforma do Imposto de Renda e a PEC dos precatórios. Esta última, que já havia gerado reação negativa no mercado pela ideia de parcelamento do pagamento das dívidas, causou ainda mais mal-estar depois de o Tesouro Nacional tentar explicar mudanças na chamada regra de ouro que, na prática, flexibilizam a norma, considerada antes uma das principais âncoras fiscais do país. “Quando você junta esses fatores fiscais com uma inflação persistentemente alta, fica mais difícil para o mercado digerir o risco político”, disse Gustavo Menezes, gestor macro da AZ Quest com foco em câmbio.
REUTERS
Ibovespa fecha com queda
A MINERVA ON disparou 14,65%, ganhando fôlego no final do pregão, após reportagem publicada pelo Valor Econômico, sem citar fontes, de que os controladores da companhia começaram a discutir a possibilidade fechar o capital da empresa
O Ibovespa fechou com queda discreta na quarta-feira, em meio a uma nova bateria de resultados corporativos, com investidores também atentos a desdobramentos da nova etapa da reforma tributária. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa cedeu 0,12%, a 122.056,34 pontos, tendo recuado a 120.826,92 pontos na mínima e avançado a 122.755,97 pontos na máxima do dia. O volume financeiro no pregão somou 28,8 bilhões de reais. Em Brasília, a reforma do Imposto de Renda ganhou nova versão antes de ir a votação na Câmara dos Deputados, prevendo alterações no Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica (IRPJ) e na Contribuição Social Sobre Lucro Líquido (CSLL). Em Wall Street, o S&P 500 e o Dow Jones fecharam em máximas recordes, após dados indicarem que o aumento da inflação nos EUA pode ter atingido um pico.
REUTERS
Vendas no varejo caem 1,7% em junho na comparação com maio, diz IBGE
As vendas no varejo brasileiro caíram 1,7% em junho na comparação com o mês anterior e tiveram alta de 6,3% sobre um ano antes, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quarta-feira. A expectativa em pesquisa da Reuters era de avanço de 0,7% na comparação mensal e de 9,1% sobre um ano antes.
REUTERS
Indústria recua em dez dos 15 locais pesquisados em junho
Com variação nula (0,0%) da indústria nacional de maio para junho de 2021, na série com ajuste sazonal, dez dos 15 locais pesquisados apresentaram taxas negativas. As quedas mais acentuadas ocorreram no Paraná (-5,7%) e no Pará (-5,7%). Já os maiores avanços foram na Bahia (10,5%) e na Região Nordeste (6,4%)
Frente a junho de 2020, dez dos 15 locais pesquisados mostraram resultados positivos. A média móvel trimestral recuou em oito dos quinze locais pesquisados e as quedas mais acentuadas foram: Paraná (-3,5%), Bahia (-3,1%), Pará (-2,6%), Região Nordeste (-2,5%) e Pernambuco (-1,2%). O acumulado no ano (janeiro-junho) foi positivo em 12 dos 15 locais pesquisados, com destaque para Ceará (26,8%), Amazonas (26,6%) e Santa Catarina (26,1%.)
Já o acumulado dos últimos 12 meses teve 12 dos 15 locais pesquisados com taxas positivas. Na série com ajuste sazonal, dez dos quinze locais pesquisados apontaram taxas negativas, com as perdas mais acentuadas assinaladas por Paraná (-5,7%) e Pará (-5,7). O primeiro marcou o terceiro recuo consecutivo e acumulou nesse período redução de 10,2%; já o segundo intensificou a queda observada em maio último (-2,4%). Pernambuco (-2,8%), Mato Grosso (-1,9%), Espírito Santo (-1,6%), Goiás (-1,1%), Rio Grande do Sul (-0,9%), São Paulo (-0,9%), Minas Gerais (-0,6%) e Santa Catarina (-0,3%) completaram o conjunto de locais com recuo na produção nesse mês. Por outro lado, Bahia (10,5%) e Região Nordeste (6,4%) apontaram as expansões mais elevadas, com o primeiro local registrando a segunda taxa positiva consecutiva e a mais elevada desde julho de 2020 (11,7%); e o último interrompendo seis meses seguidos de queda na produção, período em que acumulou perda de 21,1%. Amazonas (4,4%), Ceará (3,8%) e Rio de Janeiro (2,8%) assinalaram os demais resultados positivos em junho de 2021. A média móvel trimestral teve variação nula (0,0%) no trimestre encerrado em junho de 2021 frente ao nível do mês anterior. Em termos regionais, oito dos 15 locais pesquisados apontaram taxas negativas, com destaque para Paraná (-3,5%), Bahia (-3,1%), Pará (-2,6%), Região Nordeste (-2,5%) e Pernambuco (-1,2%). Por outro lado, Ceará (4,3%), Rio de Janeiro (3,3%), Amazonas (2,2%) e Minas Gerais (1,2%) mostraram os principais avanços em junho de 2021. O acumulado dos últimos 12 meses avançou 6,6% e 12 dos 15 locais pesquisados registraram taxas positivas e 12 apontaram maior dinamismo frente aos índices de maio. Espírito Santo (de -4,3% para 0,6%), Ceará (de 11,1% para 15,2%), Santa Catarina (de 12,0% para 15,0%), Amazonas (de 13,3% para 16,1%), Minas Gerais (de 8,6% para 11,1%), São Paulo (de 6,3% para 8,7%) e Rio Grande do Sul (de 9,7% para 12,0%) mostraram os principais ganhos entre maio e junho de 2021. Mato Grosso (de -5,7% para -7,3%), Goiás (de -0,4% para -1,6%) e Pernambuco (de 9,4% para 9,0%) assinalaram as perdas entre os dois períodos.
IBGE
Exportações do agro bateram recorde em julho
Puxada por soja e carnes, a receita dos embarques superou US$ 10 bilhões pela primeira vez no mês. Já o volume embarcado registrou retração de 9,9%
As exportações do agronegócio brasileiro bateram recorde em julho e alcançaram US$ 11,29 bilhões, 15,8% mais que no mesmo mês de 2020. Os embarques em julho nunca haviam superado US$ 10 bilhões. O crescimento refletiu a valorização dos preços das commodities exportados, segundo o Ministério da Agricultura, já que o volume embarcado registrou retração de 9,9%. O índice de preços dos produtos exportados teve elevação de 28,5% na comparação dos meses. A alta foi puxada pelos efeitos do clima em regiões produtoras de cereais e carnes e pela demanda chinesa por importações. A participação do setor nas exportações totais do país recuou para 44,2%, ante 50,2% em julho de 2020. A China seguiu como principal destino, responsável pela compra de 35,2% das exportações do agro no mês passado (US$ 3,97 bilhões). As importações do agronegócio também aumentaram em julho – 25,8%, para US$ 1,24 bilhão. Com isso, o superávit comercial chegou a R$ 10,05 bilhões, elevação de 14,7%. O valor das exportações do complexo soja (grão, farelo e óleo) cresceu 21,6% em julho e atingiu US$ 5,01 bilhões, um recorde para o mês. As vendas externas de carnes atingiram desempenho inédito para julho, com US$ 2,03 bilhões. O número foi puxado pelos aumentos de 24% dos preços médios de exportação e de 8,8% do volume embarcado. As exportações de carne bovina alcançaram US$ 1,01 bilhão, cifra 30% superior ao registrado em julho de 2020, graças à elevação de quase 32% na cotação do produto, influenciada pela oferta menor em países produtores, como Brasil e Estados Unidos. Os embarques de carne de frango cresceram 48,9%, chegando a US$ 698,21 milhões, valor recorde para todos os meses da série histórica, segundo o ministério. Emirados Árabes Unidos, México e Filipinas aumentaram as compras significativamente, e a desvalorização do real em relação ao dólar manteve o produto brasileiro competitivo mesmo com a elevação do preço do milho. A carne suína também teve recorde em julho, com aumento de 21% no valor exportado (US$ 232 milhões) e de 2,9% na quantidade, para 93 mil toneladas. A China foi o destino de 38,4% das exportações do agronegócio de janeiro a julho, de acordo com os dados do Ministério da Agricultura.
VALOR ECONÔMICO
EMPRESAS
JBS tem melhor resultado trimestral de sua história
Lucro líquido da empresa alcançou R$ 4,4 bilhões de abril a junho
Value ou growth? Na JBS, tem sido os dois. A mensagem é de Guilherme Cavalcanti, executivo que comanda as finanças da gigante das carnes. As ações da empresa, avaliada em R$ 82,9 bilhões em bolsa, subiram 44,8% em 2021. A companhia divulgou ontem o melhor resultado trimestral de sua história, aproveitando o excepcional momento vivido pelos frigoríficos dos EUA, onde gera a maior parte do caixa. Sim, já estão ficando até batidos os números estratosféricos dos frigoríficos brasileiros nos últimos trimestres, mas eles seguem quebrando recordes. No segundo trimestre, a JBS lucrou R$ 4,4 bilhões, um avanço de 29,7% na comparação anual. O grupo está aproveitando o momento para antecipar o pagamento de R$ 2,5 bilhões em dividendos, o que traz o yield ao acionista para 10,8% (considerando recompra de ações e os dividendos já pagos neste ano). Turbinada por uma “barbecue season” que também bombou os resultados de Marfrig e Tyson Foods nos EUA, a receita líquida da JBS aumentou 26,7%, chegando a R$ 85,6 bilhões no trimestre. Com isso, a companhia ultrapassou pela primeira vez a marca de R$ 300 bilhões em receita em 12 meses. No trimestre, a JBS entregou um Ebitda de R$ 11,7 bilhões – aumento de 10,3% -, com margem de 13,7%. A geração de caixa livre chegou a R$ 3,2 bilhões. Não fosse o impacto de R$ 3 bilhões provocado pelo aumento de estoques, um efeito colateral da escassez de contêineres, o desempenho seria ainda melhor. Cavalcanti elencou uma porção de números que dão uma medida do momentum da empresa dos irmãos Batista. Desde 2020, a JBS já investiu US$ 6,4 bilhões – o equivalente a R$ 34 bilhões. Aos acionistas, foram R$ 12,2 bilhões, em dividendos ou recompra de ações. As aquisições no exterior chegam a R$ 11,5 bilhões e o capex passou de R$ 5 bilhões. Na rubrica de ESG, a JBS colocou mais de R$ 5 bilhões, entre doações diversas para combater a covid-19 e investimentos no Fundo Amazônia, patrocinado pela companhia. “Os números mostram que construímos a JBS com os olhos do futuro, sem perder o foco do curto prazo”, afirmou o CEO Gilberto Tomazoni. No curto prazo, a operação vai muito bem nos Estados Unidos, especialmente em carne bovina. A JBS USA Beef (que também abriga os negócios da companhia na Austrália e no Canadá) reportou a melhor margem entre todas as frentes de negócios. No segundo trimestre, a margem Ebitda ajustada dessa área ficou em 20,7%, um recorde. O Ebitda totalizou R$ 7 bilhões, 60% do resultado consolidado da empresa. Na operação brasileira, a Seara e a Friboi ainda enfrentam dificuldades com os custos de produção – grãos e boi gordo pressionam as margens. Entre abril e junho, a Seara registrou uma margem Ebitda de apenas 9%, queda significativa ante os 16,9% registrados em igual intervalo do ano passado. O negócio brasileiro de carne bovina – que também inclui couro e subprodutos – teve uma margem foi de apenas 3,4%, queda de mais de dez pontos na comparação anual. De acordo com Tomazoni, a Friboi já apresenta sinais de recuperação. No primeiro trimestre, a margem havia sido de só 2%.
VALOR ECONÔMICO
Controladores da Minerva discutem fechamento de capital
VDQ e Salic iniciaram discussões para aproveitar a geração de caixa e desconto implícito das ações
Os controladores da Minerva Foods começaram a discutir a possibilidade fechar o capital da companhia, apurou o Pipeline. A transação, um leveraged buyout, se daria para aproveitar o desconto implícito que os acionistas enxergam numa empresa que vem gerando caixa regularmente. O assunto ainda não chegou ao conselho de administração da Minerva, mas já entrou na pauta do comitê prévio dos controladores. Por meio de um acordo de acionistas, a VDQ — holding da família Vilela de Queiroz — e a gestora saudita Salic controlam a Minerva com 51% do capital. Nas discussões internas, VDQ e Salic já começaram a fazer as contas. Uma análise obtida pela reportagem mostra que a operação poderia custar cerca de R$ 3 bilhões. Nesses cálculos, os controladores da Minerva chamariam uma OPA de fechamento de capital a R$ 12 por ação, um prêmio de 40% sobre a atual cotação. Em 2019, antes da pandemia, as ações chegaram a valer mais de R$ 14. Antes de comprar a BRF, a Marfrig chegou a sinalizar à VDQ com uma oferta de R$ 11. Desde 2020, ações da Minerva Foods caíram 25%. A avaliação é que, diante da consistência de geração de caixa, a Minerva teria condições de dar um passo nesse sentido sem tornar o índice de endividamento da companhia insustentável. Na análise, os acionistas consideraram que a Minerva vai gerar mais R$ 700 milhões em caixa livre no segundo semestre, apenas seguindo a atual toada dos negócios e com uma melhora de margens que já está contratada. Além disso, a companhia ainda deve receber R$ 313 milhões do bônus de subscrição que alguns acionistas detêm — essas opções, a R$ 5,39, vencem em dezembro e a VDQ detém o direito de subscrever R$ 250 milhões. Os ingressos de caixa esperados para os próximos meses fariam com que a Minerva fechasse o ano com um índice de alavancagem de 1,7 vez, um nível confortável para uma operação do gênero. Em junho, o indicador estava em 2,4 vezes. “Fechando o capital, os controladores passariam a ter direito da 100% do fluxo de caixa”, diz uma fonte. Numa operação de R$ 3 bilhões, a alavancagem subiria para cerca de 3 vezes. O fechamento de capital da Minerva pode ser positivo para a Salic. A gestora do reino da Arábia Saudita prefere que os investimentos fiquem em companhias privadas, sem a necessidade de prestação de contas trimestrais ao mercado. Na B3, a Minerva está avaliada em R$ 4,8 bilhões.
VALOR ECONÔMICO
FRANGOS & SUÍNOS
Frango registra altas em julho e agosto
O mercado da carne de frango segue com altas maiores que seus principais concorrentes, a bovina e a suína, registrando altas consecutivas nos últimos meses, segundo a pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Juliana Ferraz
Em julho, no comparativo com junho, a ave resfriada alcançou alta de 6%, chegando a R$ 7,37/kg, um recorde nominal. Na parcial de agosto, até o dia 10, o aumento registrado foi de 7%, alcançando R$ 7,88/kg da ave resfriada, renovando o recorde nominal. “Mesmo com esse movimento de alta, a carne de frango segue mais competitiva, se comparar com o atual preço da carcaça suína (R$ 10,36/kg) e da bovina (R$ 20,07/kg)”, explica. Segundo a pesquisadora, o movimento de alta pode ser atribuído a quatro fatores principais, como o controle da oferta de produto por parte dos frigoríficos, demanda aquecida, repasse (pouco a pouco) dos custos de produção e bom ritmo de exportações. “Com a perspectiva de retomada das aulas presenciais, é possível que haja manutenção destas altas, já que o frango é muito utilizado na merenda escolar”, disse. Com os aumentos nos preços do produto, Juliana Ferraz informa que a relação de troca com o milho e o farelo de soja é favorável, apesar das margens apertadas. “Nesta parcial de agosto, enquanto o frango vivo teve alta de 3,3%, o milho subiu 2,5% e o farelo de soja, 1,2%”, afirmou.
CEPEA
Produtores podem abater 130 mil suínos com greve em Quebec, no Canadá, que interrrompeu funcionamento de frigoríficos
Os agricultores podem ter que sacrificar e eliminar mais de 130.000 suínos no leste do Canadá, já que uma greve de meses em um processador de suínos deixou um acúmulo de animais
A instalação de processamento da Olymel em Vallee-Jonction, Quebec, que geralmente abate 36.000 animais por semana, foi fechada desde 28 de abril, quando os funcionários saíram. A empresa tem enviado alguns dos animais para os Estados Unidos e oeste do Canadá, uma alternativa que ainda deixa 15 mil suínos para trás todas as semanas, segundo David Duval, presidente da Eleveurs de Porcs du Quebec, que representa os produtores da província. “Os animais lutam contra ondas de calor como esta. Se, além disso, eles estão abarrotados, está se tornando extremamente difícil”, disse Duval em entrevista na segunda-feira. “Ouvi vários produtores que me disseram ‘Não sei onde colocá-los na próxima semana.” De acordo com Duval, a situação é sem precedentes em Quebec, que construiu uma indústria de suínos considerável, produzindo quatro vezes a quantidade consumida localmente. Nos Estados Unidos, no ano passado, fazendeiros eliminaram rebanhos enquanto a pandemia de coronavírus fechava as plantas. Em vez de os cortes serem transformados em presunto e bacon, as carcaças eram destinadas a aterros ou fábricas de processamento. “A Olymel está tomando medidas especiais para limitar esse acúmulo, para controlar o acúmulo o máximo que pudermos”, disse Richard Vigneault, porta-voz da Olymel, em entrevista por telefone.
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