
Ano 11 | nº 2828 | 29 de outubro de 2026
NOTÍCIAS
Mercado do boi gordo: alta na cotação em São Paulo
Com oferta curta de boiadas, a cotação do boi gordo subiu R$5,00/@.
A cotação do boi gordo e a do “boi China” subiu R$5,00/@ em São Paulo, e a da vaca e a da novilha, R$2,00/@. A oferta de boiadas estava curta e os pecuaristas negociaram a preços favoráveis diante desse cenário. Frigoríficos maiores, com contratos estabelecidos e menor necessidade de compra imediata, ainda conseguiram negociar na referência ou abaixo dela, mas os frigoríficos menores, que atuam no mercado spot, pagaram mais pela arroba bovina. Porém, há alguns pontos de atenção. O primeiro é que a ponta compradora tem trabalhado com escalas curtas, adquirindo apenas o necessário. O segundo é o escoamento de carne bovina no mercado interno, que tem sido moroso, como é típico do final do mês. Caso a oferta fique mais confortável e a exportação não ganhe ritmo, o cenário pode mudar. O câmbio também é um fator a ser monitorado. Em Minas Gerais, a cotação de todas as categorias subiu R$3,00/@ na região de Belo Horizonte, e a do boi gordo, R$2,00/@ na região Norte. Para as demais categorias na região Norte e nas demais regiões mineiras, a cotação ficou estável.
A cotação do “boi China” não mudou. Na região Oeste do Maranhão, a cotação do boi gordo subiu R$2,00/@, enquanto a da vaca e a da novilha não mudou.
SCOT CONSULTORIA
Boi gordo sobe 6% em outubro e arroba chega a R$ 400 em SP, aponta Cepea
Indicador Cepea/Esalq atinge recorde real de R$ 386,30 por arroba, oferta reduzida sustenta reajustes em outras regiões
O preço do boi gordo atingiu um novo recorde real em São Paulo, com o Indicador Cepea/Esalq registrando média de R$ 386,30 por arroba à vista na terça-feira (27). O valor representa uma valorização de 6% na parcial de outubro, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Em algumas negociações pontuais, a arroba chegou a R$ 400, enquanto a maior parte dos negócios no mercado paulista ocorreu entre R$ 385 e R$ 395. De acordo com o Cepea, o mercado pecuário apresentou uma recuperação no ritmo das negociações após um período de menor movimentação, relacionado às incertezas do cenário pós-eleitoral. Apesar da melhora na liquidez, o comportamento dos preços ainda varia entre as regiões produtoras, com estabilidade em algumas praças e novos reajustes em outras. Em Cuiabá, a menor disponibilidade de animais para abate levou a reajustes de R$ 5 a R$ 10 por arroba, tanto para o boi gordo quanto para as fêmeas. Com a valorização, os pecuaristas demonstraram maior disposição para negociar, contribuindo para a melhora da liquidez na região. As negociações do boi gordo ocorreram entre R$ 360 e R$ 365 por arroba, enquanto as fêmeas foram comercializadas entre R$ 330 e R$ 340. As escalas de abate dos frigoríficos variaram de três a oito dias. Nas regiões de Cassilândia e Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul, os preços subiram R$ 5 por arroba para machos e fêmeas. Segundo o Cepea, a oferta de animais permanece reduzida, embora alguns frigoríficos tenham conseguido ampliar as compras nos últimos dias. Com isso, as escalas de abate avançaram e passaram a variar entre sete e dez dias. Em outras regiões acompanhadas pelo centro de pesquisas, como Tocantins, Dourados, no Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, norte de Goiás e oeste da Bahia, os preços e as escalas permaneceram estáveis. A valorização do boi gordo também ocorre em um cenário de firmeza dos preços da carne bovina no mercado atacadista. Na terça-feira (27), a carcaça casada de boi foi negociada à média de R$ 26,15 por quilo à vista, segundo o Cepea. Para os próximos dias, o mercado segue atento à disponibilidade de animais terminados e ao ritmo das compras dos frigoríficos. O levantamento indica um cenário de estabilidade em algumas regiões e de valorização em outras, com possibilidade de novos reajustes conforme as condições de oferta e demanda.
CANAL RURAL/CEPEA
Arroba do boi tem mais um dia de alta: veja os preços médios em 9 estados
Escalas de abate encurtadas e expectativa para envio de carne à China no último trimestre ajudam a explicar a continuidade da elevação
A oferta restrita de animais e o posicionamento desconfortável das escalas de abate, entre cinco e seis dias úteis na média nacional, trouxe mais um dia de alta nas cotações da arroba do boi gordo. Somado a isso, o mercado continua em expectativa para a demanda chinesa no último trimestre do ano. De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, o Brasil pode exportar até 400 mil toneladas de carne bovina aos asiáticos entre novembro e dezembro caso o governo não implemente um sistema interno de gestão da cota 2027, impedindo que o volume permitido para o ano que vem (1,128 milhão de toneladas) se esgote antecipadamente. Confira os preços médios do Indicador do Boi Datagro: São Paulo: R$ 386,12. Bahia: R$ 366,08. Goiás: R$ 366,60. Minas Gerais: R$ 373,13. Mato Grosso do Sul: R$ 379,13. Mato Grosso: R$ 367,11. Pará: R$ 373,12. Rondônia: R$ 362,41. Tocantins: R$ 369,92.
SAFRAS NEWS
ECONOMIA
Dólar tem sessão volátil e fecha estável com noticiário político e exterior no radar
Em sessão de volatilidade, o dólar alternou altas e baixas em diferentes momentos até encerrar a quarta-feira próximo da estabilidade ante o real, com investidores ponderando o noticiário eleitoral e o cenário externo, em dia de decisão do Federal Reserve sobre juros.
O dólar à vista fechou com variação negativa de 0,04%, a R$5,3466. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 2,59%. Às 17h03, o dólar futuro para novembro cedia 0,20% na B3, aos R$5,3460. Após os movimentos fortes da segunda e da terça-feira, em meio aos ajustes de posição pós-eleição no Brasil, o dólar iniciou a sessão desta quarta-feira próximo da estabilidade, com os investidores à espera de novos gatilhos para as cotações. No fim da manhã o dólar voltou a ganhar força ante o real e outras divisas de emergentes, em sintonia com o avanço dos rendimentos dos Treasuries antes do principal evento econômico do dia — a decisão sobre juros do Federal Reserve, às 15h (horário de Brasília). No Brasil, com a agenda de indicadores esvaziada, as atenções também seguiram voltadas para a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência, para os EUA. O avião que transportava o senador e sua família chegou pela manhã em Miami. Investigado em inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio descumpriu a ordem para entregar seus passaportes e saiu do país dois dias depois de perder a eleição para Lula. Além dos receios com o futuro da política fiscal no novo governo Lula, alguns agentes citaram preocupações de que a fuga de Flávio possa intensificar os atritos entre Brasil e EUA, com eventuais reflexos no câmbio. No meio da tarde, o Federal Reserve anunciou a manutenção de sua taxa de juros na faixa de 3,75% a 4,00%, como era largamente esperado, com o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) dizendo que aguardará a coleta de mais informações para decidir o rumo da política monetária dos EUA. Já após a decisão, o dólar voltou a perder força e se reaproximou da estabilidade ante o real, enquanto no exterior a moeda norte-americana tinha sinais mistos ante outras divisas de países emergentes — alta ante o peso chileno e o peso colombiano, mas queda ante o peso mexicano e o rand sul-africano.
REUTERS
Ibovespa fecha com queda forte em novo capítulo de ajustes pós-eleição
A bolsa paulista experimentou mais uma sessão de ajustes negativos pós-eleição na quarta-feira, com o Ibovespa renovando mínima de fechamento desde agosto.
O pregão, porém, também foi marcado pela repercussão de decisão de política monetária norte-americana e balanços no Brasil, incluindo Santander Brasil, Klabin e Hypera, além da ida do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos, derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último domingo na disputa pelo Palácio do Planalto. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 2,71%, a 170.946,55 pontos, de acordo com dados preliminares, marcando 170.162,48 na mínima e 175.711,22 na máxima do dia. O volume financeiro do pregão foi novamente robusto e somava R$54,77 bilhões antes dos ajustes finais.
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Confiança da indústria cai pelo terceiro mês seguido com piora em indicadores sobre situação atual
A confiança da indústria caiu pelo terceiro mês seguido em outubro diante de uma piora nos indicadores sobre a situação atual do setor, afirmou a Fundação Getulio Vargas (FGV) na quarta-feira.
O Índice de Confiança da Indústria (ICI) recuou 0,3 ponto, para 91,0 pontos, disse a FGV. Em setembro, a queda do indicador havia sido de 2,4 pontos. “O resultado ratifica as análises dos últimos meses de desaceleração da demanda e de acúmulo de estoques. Em relação ao futuro, o resultado tem caráter compensatório e mantém afastado o sentimento de otimismo entre os empresários para os próximos meses”, disse Stéfano Pacini, economista do FGV IBRE. “Os efeitos dos estímulos setoriais parecem estar passando e a resiliência do mercado de trabalho parece não sustentar mais a confiança dos empresários que enfrentam condições monetárias restritivas e ambiente de incerteza ainda elevado”, acrescentou. O Índice de Situação Atual (ISA) teve queda de 1,1 ponto, para 92,5 pontos, o menor patamar desde dezembro de 2025, disse a FGV. Já o Índice de Expectativas (IE) registrou alta de 0,6 ponto, para 89,8 pontos, acrescentou.
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Inflação da indústria acelera e vai a 1,54% em setembro
Indicador acumula alta de 5,04% de janeiro a setembro
O Índice de Preços ao Produtor (IPP), conhecido como a inflação da indústria ou de “porta de fábrica”, por considerar os preços sem impostos e fretes, subiu 1,54% em setembro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em agosto, houve alta de 0,34%. Com o desempenho de setembro, o IPP acumula alta de 5,04% em 2026. No resultado em 12 meses até setembro, há aumento de 4,34% no indicador. Das 24 atividades acompanhadas pelo IPP, 16 registraram alta de preços em setembro. O IPP é formado por dois índices: o da indústria de transformação e o da indústria extrativa. A taxa na indústria de transformação passou de 0,17% em agosto para 1,12% em setembro. O IPP da indústria extrativa subiu 11,04% em setembro, depois de alta de 4,34% em agosto. Os alimentos, as indústrias extrativas e o segmento de refino de petróleo e biocombustíveis responderam por quase a totalidade (98,1%) da alta da inflação do setor industrial em setembro. Os preços de alimentos subiram 2,40%, com influência de 0,58 ponto percentual (p.p.) na taxa de 1,54% do IPP, ou 37,7% do total. As indústrias extrativas, por sua vez, registraram aumento de 11,04%, com impacto de 0,47 p.p.. Isso representa 30,5% do total do IPP. Os preços de refino de petróleo e biocombustíveis avançaram 4,88% e responderam por 0,46 p.p. da taxa de 1,54% do IPP ou 29,9% do total. Somadas, as influências dos três segmentos somam 98,1% do IPP. Nos alimentos, derivados da cana-de-açúcar e da soja são os quatro produtos de maior influência no resultado, com 1,66 p.p., da variação de 2,40%. Segundo o IBGE, o aumento dos preços desses produtos esteve, de forma geral, ligado a uma menor disponibilidade (no caso do açúcar, um processamento maior da cana voltada ao etanol contribuiu para isso). Dúvidas em relação ao alcance do El Niño também aceleraram a demanda, particularmente no caso da soja. Nas indústrias extrativas, o IBGE atribuiu os resultados principalmente aos “óleos brutos de petróleo”, produto de maior peso na estrutura da atividade. O comportamento reflete as oscilações observadas no mercado internacional, em um contexto de complicações nos conflitos no Oriente Médio, com reflexos sobre a logística no estreito de Ormuz. No refino de petróleo, quatro produtos, entre eles “gasolina, exceto para aviação”, foram responsáveis por 4,49 p.p. da taxa de 4,88%. Os demais seis produtos exercem também uma influência líquida positiva de 0,39 p.p.
VALOR ECONÔMICO
Fazenda estima alíquota média efetiva da CBS abaixo de 8,5%
A projeção foi divulgada após o Tribunal de Contas da União definir em 11,3% a alíquota de referência do novo tributo federal
O Ministério da Fazenda estima que a alíquota média efetiva da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) sobre o consumo ficará abaixo de 8,5% em 2027, após consideradas as reduções e isenções previstas na reforma tributária. A projeção foi divulgada na quarta-feira (28), após o Tribunal de Contas da União (TCU) definir em 11,3% a alíquota de referência do novo tributo federal. A pasta ressaltou que, por decisão do Congresso Nacional, vários produtos e serviços terão alíquotas zeradas ou reduzidas e, por isso, os 11,3% devem ser considerados a alíquota máxima da CBS a ser cobrada em 2027. A cesta básica e diversos medicamentos, por exemplo, terão alíquota zero, enquanto serviços de saúde e educação terão redução de 60%. Profissões regulamentadas por conselhos federais terão redução de 30%, e a construção civil terá descontos entre 50% e 70%. Com esses tratamentos diferenciados, a Fazenda calcula que a alíquota média efetiva sobre o consumo ficará abaixo de 8,5%. Segundo a pasta, o impacto será menor principalmente para as famílias de baixa renda, que têm parte relevante do consumo concentrada em itens da cesta básica e terão acesso ao cashback previsto na reforma. O mecanismo permitirá a devolução de até 100% do imposto pago em determinadas despesas, como contas de energia elétrica, água e telefonia. Como mostrou o Valor, o percentual de 11,3% da alíquota da CBS validado hoje pelo TCU, e que precisará ser ainda fixado pelo Senado, ficou acima das estimativas com as quais o mercado vinha trabalhando, surpreendeu tributaristas e reforçou a perspectiva de que a alíquota conjunta da CBS e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que formam o novo Imposto sobre Valor Agregado (IVA), possa superar 30%. A legislação, porém, prevê que, se a soma das alíquotas de referência superar 26,5%, o governo terá de enviar ao Congresso medidas para reduzi-la a esse patamar ou menos. A Fazenda advertiu, por outro lado, que o percentual divulgado hoje para CBS não pode ser utilizado como base para o cálculo do IBS, já que diversos fatores que afetam a alíquota do tributo federal não influenciam o cálculo do imposto estadual, como por exemplo o Imposto Seletivo. A reforma tributária substitui cinco tributos sobre o consumo — PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS — por um IVA dual, formado pela CBS, de competência federal, e pelo IBS, de Estados e municípios. A CBS entra em vigor em 2027, enquanto o IBS começará a ser implementado em 2029, de forma gradual, até 2033. A alíquota de referência do IBS que valerá a partir de 2029 será definida pelo TCU em 2028. No ano que vem, o tributo terá uma alíquota simbólica de 0,1%. O novo sistema também criou o Imposto Seletivo, que incidirá sobre bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. O cálculo da alíquota de referência para 2027 segue a regra de neutralidade da arrecadação prevista na reforma. O percentual foi definido para que a receita estimada da CBS, somada à do Imposto Seletivo e à do IPI residual, na média dos anos-base de 2024 e 2025 e como proporção do PIB, seja equivalente à arrecadação média de PIS, Cofins, IPI e IOF sobre seguros entre 2012 e 2021, também como proporção do PIB. O redutor aprovado pelo TCU para as compras governamentais segue a mesma lógica.
VALOR ECONÔMICO
CNI reduz de 2% para 1,6% projeção de crescimento do PIB em 2026
Segundo a CNI, a pressão inflacionária tende a acelerar por influência de vários fatores: alimentos, preços administrados, como energia e combustíveis, e serviços
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) diminuiu de 2% para 1,6% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2026. De acordo com o Informe Conjuntural do 3º Trimestre, divulgado na quarta-feira (28), a revisão para baixo do desempenho da economia se deve, principalmente, às perspectivas menos favoráveis para a indústria — em especial o segmento de transformação — e os serviços, cujos efeitos devem se sobrepor ao avanço da agropecuária e da indústria extrativa. “Os setores em que nós estamos mantendo ou aumentando a projeção de crescimento independem do que a gente chama de ciclo econômico. Quem está mais dependente de mercado interno está sendo muito afetado por conta da taxa de juros”, explicou o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Mario Sergio Telles. A desaceleração da economia deve ser sentida de forma mais intensa pela indústria, cuja expectativa de crescimento foi alterada de 2% para 1,3% — a maior revisão negativa entre os setores. Segundo a CNI, nem mesmo a expansão da indústria extrativa, estimada em 9,1%, será capaz de compensar o enfraquecimento da indústria de transformação. O segmento da transformação segue pressionado pela queda da demanda interna, pela piora das condições financeiras das empresas e das famílias — consequência dos juros elevados—, pela entrada substancial de produtos importados e pelo aumento dos custos de produção. Por isso, da projeção de alta de 0,6%, divulgada em julho, a CNI passou a estimar queda de 0,7% do setor para 2026. Já a indústria da construção teve a expectativa de alta mantida em 1,5%, com sustentação da expansão do Minha Casa, Minha Vida e dos investimentos em infraestrutura. A exemplo da indústria, o setor de serviços também dá sinais de esgotamento em sua capacidade de crescimento. O volume de serviços praticamente estável desde o fim do ano passado e a desaceleração do comércio varejista, sobretudo nos segmentos mais sensíveis ao crédito, contribuíram para a revisão do PIB do setor, que passou de alta de 1,9% para avanço de 1,6%. Entre os setores produtivos, a agropecuária foi a única a ter a projeção de crescimento revista para cima. Impulsionado pela revisão positiva da segunda safra de milho, o PIB do setor deve subir 2,5% e não mais 1,8%, conforme o cálculo anterior. O mercado de trabalho continuará sendo um importante fator de sustentação à demanda, avalia o documento. Embora a geração de vagas formais, especialmente na indústria e no comércio, esteja em desaceleração, a CNI prevê crescimento de 1,2% da população ocupada em 2026. Nesse cenário, a taxa de desemprego, hoje em 5,3%, recuaria para 5% ao fim do ano. O mercado de trabalho aquecido e o menor número de trabalhadores disponíveis para atender à demanda do setor produtivo devem pressionar os salários para cima. A projeção da entidade é que a massa de rendimento real salte 4,6% em relação a 2025. De acordo com a CNI, as despesas federais devem crescer 4,6% em termos reais, isto é, acima da inflação, impulsionada pelo pagamento de benefícios previdenciários, gastos com pessoal e execução de despesas discricionárias em ano eleitoral. Já a receita líquida deve aumentar 5,9%, refletindo a redução de incentivos fiscais, a limitação ao aproveitamento de créditos tributários e pelas receitas ligadas ao petróleo e por outras receitas administradas, entre outras medidas de arrecadação. Mesmo assim, o governo federal deve encerrar o ano com déficit primário de R$ 54,6 bilhões, o equivalente a 0,4% do PIB projetado pela CNI. As contas públicas só não fecharão o ano no vermelho, de fato, porque cerca de R$ 67,3 bilhões em precatórios e outras despesas não serão computadas na meta de resultado primário. Diante das exceções, estima-se superávit de R$ 12,6 bilhões (0,1% do PIB). Segundo a CNI, a pressão inflacionária tende a acelerar por influência de vários fatores: alimentos, preços administrados, como energia e combustíveis, e serviços. Nesse cenário, projeta-se que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) suba 5,15% no ano, quase um ponto percentual acima dos 4,26% registrados no ano passado. E, dessa forma, o Banco Central (BC) deve reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual em cada uma das duas reuniões restantes de 2026, levando a taxa básica de juros a encerrar o ano em 13,25%. A CNI calcula ainda que as concessões totais de crédito devem subir 5,15%. Para as empresas, a alta deve chegar a 6,4%; para as famílias, a 4%. Lideradas pela indústria extrativa, as exportações devem crescer 10,3% em relação a 2025, alcançando US$ 386,7 bilhões. Para as importações, a expectativa é que totalizem US$ 309,4 bilhões, 6,4% a mais do que em 2025. Com isso, a balança comercial deve fechar 2026 com superávit de US$ 77,3 bilhões, quase 30% a mais do que em 2025.
VALOR ECONÔMICO
SUÍNOS & FRANGOS
Regionalização sanitária evitará perda bilionária com doença de Newcastle
Segundo ministério, medida evitará perdas potenciais de quase US$ 1 bilhão por ano para os exportadores de carnes de aves. Segundo a Pasta, entre os mercados com maior impacto econômico potencial mitigado estão a China (US$ 485 milhões); a Arábia Saudita (US$ 293 milhões); e a Argentina (cerca de US$ 57 milhões)
O Ministério da Agricultura estima que o reconhecimento da regionalização sanitária para os focos da doença de Newcastle identificados em Santa Catarina evitará perdas potenciais de quase US$ 1 bilhão por ano para os exportadores de carnes de aves. Isso porque a maioria dos países adotou restrição às importações apenas para a área afetada, nos arredores das granjas onde os focos foram detectados, sem afetar de forma generalizada as exportações. O cálculo considera um cenário em que os países aplicassem, em 2026, as mesmas restrições adotadas em 2024, quando o primeiro foco da doença foi registrado em criação comercial no Brasil, em Anta Gorda (RS), em comparação com as medidas aplicadas após as negociações internacionais. Segundo a Pasta, entre os mercados com maior impacto econômico potencial mitigado estão a China (US$ 485 milhões); a Arábia Saudita (US$ 293 milhões); e a Argentina (cerca de US$ 57 milhões). Também contribuíram para reduzir os impactos comerciais as medidas adotadas por parceiros como África do Sul, Jordânia, Cuba, Egito e Vietnã. Por outro lado, os frigoríficos estimam que os bloqueios atuais, mesmo mais amenos do que em 2024, podem impactar o embarque de 30 mil a 40 mil toneladas por mês. Esse volume engloba a produção destinada à China e Chile por empresas de Santa Catarina e para Uruguai, México e Malásia, de unidades de todo o Brasil, principais embargos vigentes, segundo uma fonte. A média mensal de exportação de frango é próxima de 500 mil toneladas. Se concretizado esse potencial, o efeito será de cerca de US$ 80 milhões por mês ou US$ 960 milhões em um ano. O cálculo não é definitivo, diz a fonte, pois as empresas conseguem realocar parte da produção. Em nota divulgada ontem, o Ministério da Agricultura ressaltou que o trabalho desenvolvido nos últimos anos para ampliar o reconhecimento internacional da regionalização sanitária contribuiu para reduzir os impactos comerciais dos três focos da doença de Newcastle registrados em granjas de perus nas cidades catarinenses de Nova Itaberaba, Nova Erechim e Coronel Freitas, neste mês. Após o foco em Anta Gorda, o governo negociou com importadores para limitar as restrições às regiões afetadas. Segundo a Pasta, a “estratégia segue os princípios de regionalização previstos no Código Sanitário para os Animais Terrestres da Organização Mundial de Saúde Animal e busca preservar o comércio das demais regiões do país”. O Ministério da Agricultura também divulgou a lista atualizada de restrições comerciais aplicadas por conta da identificação dos focos em Santa Catarina. As exportações de carnes de aves de todo o Brasil estão suspensas para Uruguai, México e Malásia. A suspensão dos produtos provenientes de Santa Catarina vale para China, Chile, Peru, Turquia, União Econômica Eurasiática (Armênia, Belarus, Cazaquistão, Quirguistão e Rússia), Paraguai e Uzbequistão. A maior parte dos compradores restringiram as importações de produtos provenientes da área de restrição, que abrange os municípios de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. A medida vale para Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Japão, União Europeia, Reino Unido, Coreia do Sul, Filipinas, África do Sul, Omã, Jordânia, Hong Kong, Egito, Argentina, Cuba, Vietnã, Canadá, Bahamas, Argélia, Namíbia, República Dominicana, Nova Caledônia, Tanzânia, Marrocos, Timor-Leste, Bolívia, El Salvador e Vanuatu.
VALOR ECONÔMICO
Granja de terceiro foco de Newcastle também produz perus
Estabelecimento em Nova Erechim (SC) possui 9,6 mil aves. Com o terceiro caso confirmado, o plantel de perus envolvido passa de 48,6 mil
A granja comercial onde foi identificado o terceiro caso de Doença de Newcastle neste ano no Brasil, localizada em Nova Erechim (SC), também produz perus, informou ao Valor nesta quarta-feira (28/10) a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), ligada à Secretaria de Agricultura e Pecuária do estado. A granja possui 9,6 mil aves, de acordo com comunicado divulgado no fim da tarde desta terça-feira (27/10) pela Cidasc. A identificação do terceiro foco ocorreu nas ações de vigilância ativa dos diversos órgãos envolvidos no monitoramento dos dois casos de Newcastle identificados até então em Santa Catarina, conforme a nota de terça-feira. As granjas onde os dois primeiros casos de Newcastle foram confirmados, em Nova Itaberaba e Coronel Freitas, também produziam perus. A primeira tinha um plantel de pouco mais de 6 mil aves. A segunda, de mais de 33 mil aves, segundo informações da Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH, na sigla em inglês). Ambas são fornecedoras da MBRF, segundo fontes a par do assunto. A empresa não quis comentar sobre os casos. Com o terceiro caso confirmado, o plantel de perus envolvido passa de 48,6 mil. No comunicado de ontem, a Cidasc informou que, com a identificação do terceiro caso, o raio de vigilância no oeste catarinense foi ampliado em aproximadamente 9,5 quilômetros. As equipes seguirão com os procedimentos sanitários padrão no local em que foi detectado o vírus, de acordo com o órgão. Em Nova Itaberaba, onde o primeiro foco foi confirmado, as medidas sanitárias já foram adotadas e a propriedade está em vazio sanitário, com o foco sendo considerado encerrado, conforme a Cidasc. Em Coronel Freitas, município do segundo foco, confirmado em 24 de outubro, o plantel de perus foi sacrificado e as aves foram enterradas, com a continuidade das etapas de limpeza e desinfecção.
GLOBO RURAL
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