CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2826 DE 27 DE OUTUBRO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2826 | 27 de outubro de 2026

 

NOTÍCIAS

Mercado do boi gordo: cotações estáveis em São Paulo

Com poucos negócios e escoamento de carne fraco, a cotação não mudou.

Pelos dados da Scot, o boi gordo sem padrão-exportação segue cotado em R$ 380@ no mercado paulista, enquanto o “boi-China” está apregoado em R$ 385/@ (valores brutos, no prazo). Mercado parado, com poucos negócios. A maior parte das indústrias paulistas estavam fora das compras, aguardando posição do mercado para retomar as negociações. Dessa forma, a cotação permaneceu estável para todas as categorias. A escala de abate estava, em média, para sete dias. No Espírito Santo, o mercado estava firme, com escalas curtas, em média, para quatro dias. Dessa forma, a cotação da vaca subiu R$5,00/@. Para as demais categorias, não houve alteração. No mercado atacadista da carne com osso, na última semana, as vendas no varejo perderam força, porém, com recuperação no final de semana. Com isso, o atacado seguiu o mesmo ritmo, com pedidos de reposição tímidos nesse período. Apesar desse quadro, com o menor volume de produtos nas câmaras frias e com o mercado do boi gordo firme, a cotação de todas as carcaças casadas subiu. A cotação da carcaça casada do boi capão subiu 0,4%, ou R$0,10/kg, e a do boi inteiro subiu 0,6%, ou R$0,15/kg. Para as fêmeas, a carcaça casada da vaca subiu 0,6%, ou R$0,15/kg, enquanto a da novilha subiu 0,4%, ou R$0,10/kg. No curto prazo, a tendência é de que as vendas sigam devagar, porém não se deve descartar altas pontuais no período. No mercado de proteínas alternativas, a cotação do frango médio caiu 4,3%, ou R$0,33/kg. Já a do suíno especial caiu 1,9%, ou R$0,20/kg.

SCOT CONSULTORIA

Arroba do boi inicia a semana em leve alta com forte desvalorização do real

Receita em moeda nacional das exportações é elevada, ampliando a capacidade de pagamento das indústrias habilitadas, diz analista

O mercado físico do boi gordo inicia a semana com preços firmes, sustentado pela oferta restrita de animais e pelo posicionamento ainda pouco confortável das escalas de abate, concentradas entre cinco e seis dias úteis na maior parte das regiões pesquisadas. De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, o movimento de alta ocorre de maneira mais seletiva, mas a dificuldade para ampliar as programações impede uma mudança consistente de direção. “A forte desvalorização do real adiciona um novo elemento de sustentação à arroba, ao elevar a receita em moeda nacional das exportações e ampliar a capacidade de pagamento das indústrias habilitadas.” Segundo o especialista, o mercado também continua carregando expectativas em torno da demanda chinesa durante o último trimestre. Preços médios da arroba do boi: São Paulo: R$ 386,75 — na sexta: R$ 386,25. Goiás: R$ 372,21 — na sexta: R$ 371,25. Minas Gerais: R$ 380,65 — na sexta: R$ 380,29. Mato Grosso do Sul: R$ 380,66 — na sexta: R$ 380,45. Mato Grosso: R$ 362,97 — na sexta: R$ 360,81. O mercado atacadista de carne bovina iniciou a semana com preços acomodados. Segundo Iglesias, a proximidade da virada do mês pode favorecer a reposição entre atacado e varejo nos próximos dias, mas o ambiente atual ainda apresenta menor apelo ao consumo. “Além disso, a ampla competitividade da carne de frango e dos cortes suínos limita o espaço para reajustes mais expressivos.” Quarto dianteiro: R$ 22,30 por quilo. Quarto traseiro: R$ 29,50. Ponta de agulha: R$ 21,00 por quilo

SAFRAS NEWS

ECONOMIA

Dólar à vista avança 8,2%, maior alta diária desde 1999, com vitória de Lula

Maior parte do mercado estava posicionada para a vitória de Flávio Bolsonaro e projetando um ajuste fiscal com o possível mandato do senador

O dólar à vista registrou valorização expressiva na segunda-feira, encerrando o dia com a maior alta frente ao real desde janeiro de 1999. O movimento refletiu a frustração dos agentes do mercado com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A maior parte estava posicionada para a vitória de Flávio Bolsonaro e projetando um ajuste fiscal com um possível mandato do senador. Além de os investidores terem feito apostas favoráveis aos ativos brasileiros, havia um menor prêmio de risco embutido no câmbio relacionado ao endividamento público do país. Com a virada surpreendente de Lula, o horizonte se tornou outro. Por isso, hoje mecanismos de “stop-loss” foram acionados e o risco voltou ao preço. Quem aproveitou a alta de hoje foi o exportador com caixa no exterior. Houve relatos de internalização de capital, com empresas exportadoras fazendo a contraparte da busca por dólar, o que ficou evidente no dólar casado, a diferença em pontos entre a cotação do dólar futuro e do dólar à vista. Encerradas as negociações da segunda-feira, o dólar à vista fechou em alta de 8,21%, a R$ 5,4027, depois de ter encostado na máxima de R$ 5,6048 pela manhã. Houve duas travas de negociações batidas pelo dólar futuro na B3. Uma no nível de 8,4% no mercado futuro e outra em 12%. No caso do euro comercial, a valorização de hoje foi a maior observada desde o início da compilação dos dados de euro pelo Valor, em 2014, com apreciação de 8,04%, a R$ 6,0386. O dia foi também de superlativos no volume de negociações dos mercados futuros. Na B3, até as 18h05, o volume negociado nos contratos mais líquidos do dólar cheio e dólar mini rondava US$ 78,3 bilhões, podendo se tornar até o fechamento, às 18h30, o segundo dia de maior negociação desde 19 de dezembro de 2024, quando o dólar bateu a máxima intradiária nominal histórica, de R$ 6,30 (na data foram negociados US$ 90,3 bilhões). No exterior, houve intenso volume de negociação, com a plataforma CME Group batendo o recorde em negócios diários, de US$ 4,5 bilhões no início da tarde. Para estrategistas do Morgan Stanley, o dólar pode ficar perto de R$ 5,50, uma vez que a exposição favorável ao real foi apontada como a forma preferida de os investidores expressarem uma visão construtiva sobre o resultado eleitoral. Em um segundo momento, com mais prêmio de risco, o dólar pode ir para a faixa de R$ 5,60 a R$ 5,70. “A sazonalidade desfavorável ao real em novembro e dezembro, decorrente de saídas de recursos de empresas e pagamentos de dividendos, poderia intensificar a desvalorização da moeda brasileira”, acrescentam.

VALOR ECONÔMICO

Ibovespa fecha em queda de quase 14% após reeleição de Lula acionar “circuit breaker”

O Ibovespa fechou com a maior queda desde 2020 na segunda-feira, marcada por “circuit breaker” na bolsa paulista, em meio a uma forte reprecificação das ações brasileiras após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conquistar a reeleição no domingo. 

Investidores vinham se posicionado para uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da disputa, principalmente após ele liderar a primeira etapa da disputa, vislumbrando um governo mais favorável ao mercado e melhora do cenário fiscal. Mas, no domingo, Lula venceu Flávio por 51,79% a 48,21% dos votos válidos, uma diferença de 4,4 milhões de votos, frustrando tais expectativas e desencadeando uma forte correção no mercado financeiro brasileiro como um todo. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa despencou 13,88%, a 176.608,23 pontos, maior perda percentual em um dia desde 16 março de 2020 (-13,92%), período marcado pela pandemia de Covid. O índice Small Caps tombou 26,92%, para 2.036,13 pontos, maior queda em um dia da sua série histórica, iniciada em 2005. O volume financeiro no pregão totalizou quase R$114,9 bilhões, bem acima de uma média diária já alta no mês, de cerca de R$57,5 bilhões e perto do recorde registrado em abril desse ano, quando atingiu R$120 bilhões, inflado naquela sessão pelo vencimento de opções. A B3 acionou o “circuit breaker” na abertura, suspendendo por 30 minutos a negociação de ativos à vista, renda fixa privada e opções referenciadas em ações, BDR, Ibovespa, Ibovespa B3 BR+, IBrX-50, Índice Small Cap e ETFs. A B3 afirmou que decisão de acionar o mecanismo baseou-se na análise do cenário de formação do preço teórico do Ibovespa, que indicava queda superior a 20%. O “circuit breaker” não era acionado na bolsa desde março de 2020. “O mercado embutiu nos seus preços uma expectativa diferente no primeiro turno do que efetivamente se concretizou no segundo turno e como esse resultado foi diametralmente diferente das expectativas há esse ajuste forte”, afirmou a investidora Louise Barsi, cofundadora do Grupo AGF (Ações Garantem o Futuro). Ainda nesta segunda-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou ao Estadão que o governo apresentará uma proposta para que possa perseguir o centro da meta fiscal ao longo do ano, e não mais o piso da margem de tolerância. Na visão de agentes financeiros, houve um aumento das incertezas sobre as perspectivas fiscais do país e a direção dos preços dos ativos brasileiros agora dependerá das sinalizações sobre a política econômica do novo mandato. As atenções estão voltadas para a decisão sobre quem comandará o Ministério da Fazenda, bem como uma definição mais precisa da estratégia de consolidação fiscal para os próximos quatro anos. O Goldman Sachs espera, “no máximo, medidas modestas para conter o crescimento dos gastos primários, acompanhadas por novos aumentos de uma carga tributária que já é elevada.

REUTERS

Mercado ajusta para baixo projeções de inflação, PIB e câmbio neste ano no Focus

Economistas consultados pelo Banco Central ajustaram para baixo suas projeções para a inflação, o crescimento da economia e o câmbio ao final deste ano, mostrou o Boletim Focus na segunda-feira, que também apontou uma revisão para baixo na taxa básica de juros ao final do ano que vem.

Os agentes veem agora uma inflação medida pelo IPCA de 5,19% ao fim de 2026, ante estimativa de 5,22% uma semana atrás. Para 2027, a inflação é estimada agora em 4,34%, ante 4,32%. Para 2028 a conta se manteve em 3,75%. A meta de inflação é de 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. O mercado também passou a ver crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,80% ao fim deste ano, ante 1,83% uma semana atrás, e 1,31% em 2027, ante 1,32%. Para o câmbio, os agentes enxergam o dólar cotado a R$5,05 ao fim deste ano, ante R$5,13 na semana passada, e para o ano que vem a estimativa é de R$5,15, ante R$5,22. As estimativas para a taxa básica de juros Selic ao final de 2026 foram mantidas em 13,25% ao ano, com expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central faça um corte de 0,25 ponto percentual em sua reunião de novembro e uma nova redução de mesma magnitude no encontro de dezembro. Para 2027, os economistas ouvidos pelo BC passaram a ver a Selic em 11,75%, ante 12,00% na semana anterior. A pesquisa realizada com cerca de uma centena de instituições financeiras foi concluída na sexta-feira, antes de, no domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conquistar uma virada histórica sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial e conquistar um inédito quarto mandato na Presidência da República. Após o resultado eleitoral, os ativos brasileiros registravam fortes quedas no exterior e a expectativa é de que as ações brasileiras e o real despenquem no pregão desta segunda-feira. Agentes do mercado financeiro preferiam uma vitória de Flávio sob o argumento de que, com ele no Palácio do Planalto, haveria uma chance maior de controle nas contas públicas, embora nem o senador nem seus assessores econômicos tenham apresentado detalhes concretos de um eventual ajuste durante a campanha.

REUTERS

Melhora na confiança do consumidor em outubro não muda perspectiva desfavorável, avalia FGV

Para o economista da fundação Rodolpho Tobler, a alta foi uma “oscilação natural”, após período prolongado de quedas

Após cinco quedas consecutivas, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) subiu 0,5 ponto em outubro, para 84,7 pontos, maior pontuação desde julho (88,3 pontos), informou na segunda-feira (26) a Fundação Getulio Vargas (FGV). No entanto, a taxa positiva não pode ser considerada como retomada de confiança do consumidor, no entendimento do economista da fundação Rodolpho Tobler. Para ele, a alta foi uma “oscilação natural”, após período prolongado de quedas – e, não necessariamente, reversão de tendência negativa do indicador. “Temos que ter cautela porque foi uma alta pequena [em magnitude]”, disse. “E, mesmo com ela, o indicador continua em faixa inferior a 90 pontos, o que é terreno negativo”. Ele lembra que, na ótica do índice, o quadrante favorável é acima de 100 pontos. “A confiança ainda está em terreno muito mais de pessimismo do que de otimismo. E esse aumento foi mais causado por [melhora em] expectativas”, disse. Tobler se refere ao fato de que, nos dois componentes do ICC, o Índice de Expectativas (IE) subiu 2,8 pontos, para 88 pontos, e o Índice de Situação Atual (ISA), caiu 2,6 pontos, para 81,4 pontos. Assim, ponderou, os números mostram que, na prática, o brasileiro não visualiza melhora na situação presente em termos de condições de consumo. Outro aspecto que inspira cautela é a piora que os consumidores perceberam na avaliação de finanças pessoais. O indicador de situação financeira atual das famílias, um dos tópicos usados para cálculo do ISA, recuou 3,1 pontos, para 71,3 pontos, menor nível desde janeiro (70,1 pontos). Já o indicador de situação econômica local atual, também componente do ISA, caiu 2,2 pontos, para 91,8 pontos, menor nível desde março de 2025 (91,3 pontos). Esses resultados ocorrem em um contexto que as famílias ainda operam com altos patamares de endividamento e de inadimplência, o que reduz espaço para consumo. Além disso, completou, chama atenção o fato de que a melhora na confiança não foi puxada por famílias de menor renda. Pelo contrário: nas quatro faixas de renda pesquisadas pela FGV, o ICC caiu 5,4 pontos entre famílias com ganhos mensais abaixo de R$ 2.000,00. “O ICC da baixa renda subiu muito no mês passado [em setembro, avanço de 10,7 pontos]”, lembrou. Ele não descartou possibilidade de o dado ter sido influenciado por anúncio de reajuste no valor do Bolsa Família, programa de transferência de renda do governo. “Mas a alta não se sustentou”, comentou, a admitir que isso pode ser sinal de alerta para próximos desempenhos do ICC. Assim, mesmo com aumento, os sinais delineados no ICC de outubro apontam ímpeto menor de consumo das famílias quando comparado com períodos anteriores. No entanto, o técnico não descarta novas altas no indicador. Isso porque medidas, como perspectiva de queda na taxa básica de juros (Selic) – que norteia os juros de mercado – e o recebimento de valor maior no Bolsa Família, podem ajudar a manter indicador no terreno positivo. Mas ele não acredita que, mesmo com saldo positivo no ICC, a intenção de consumo, no fim deste ano, seja tão forte como observada ao término de anos anteriores. “Creio que em 2025 e em 2024 tivemos demanda um pouco mais aquecida do que vamos ver agora ao fim de 2026”, disse.

VALOR ECONÔMICO

Intenção de consumo das famílias cai 0,8% em outubro, diz CNC

Segundo a entidade, esta foi a terceira queda consecutiva do indicador, que atingiu o menor patamar desde janeiro

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF), calculada pela Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo (CNC), caiu 0,8% em outubro ante setembro, para 103,6 pontos, informou nesta segunda-feira (26) a organização. Foi a terceira queda consecutiva do indicador, que atingiu o menor patamar desde janeiro (103,6 pontos). Maior preocupação com mercado de trabalho, bem como menor interesse em compra de itens duráveis, como fogões e geladeiras, levaram ao resultado, informou a CNC. Na comparação com outubro do ano passado, no entanto, o ICF subiu 2,2%. Todos os sete tópicos usados para o cálculo do indicador mostraram queda na passagem de setembro para outubro: emprego atual (-0,7%), renda atual (-0,3%), nível de consumo atual (-1,3%), perspectiva profissional (-0,6%), perspectiva de consumo (-1%), acesso ao crédito (-0,7%), e momento para duráveis (-1,8%). Na comparação com outubro do ano passado, no entanto, o único recuo registrado foi em perspectiva profissional (-7,7%). Os outros tópicos tiveram alta: emprego atual (1,5%), renda atual (0,9%), nível de consumo atual (2%), perspectiva de consumo (3,4%), acesso ao crédito (7%) e momento para duráveis (14%). A retração da intenção de consumo em outubro ante mês anterior ocorreu tanto entre famílias de renda elevada quanto nas de renda mais baixa. No recorte do ICF por faixas de renda, entre aquelas com rendimento de até dez salários-mínimos, o indicador caiu 0,8% em outubro, para 101,4 pontos. No grupo com renda superior a dez salários-mínimos, a redução também foi de 0,8%, e o indicador chegou a 115,4 pontos. E, nas duas faixas de renda, o tópico “Momento para Compra de Duráveis” foi o principal destaque negativo. Esse tópico recuou 1,7% entre famílias de menor renda, com queda de 2% entre as de maior renda em outubro ante setembro, detalhou a CNC. Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, os resultados evidenciam que o “bolso do consumidor” poderia estar mais bem preparado do que está. Mas mostrou-se otimista com o desempenho do varejo, no curto prazo, devido às datas sazonais historicamente boas para vendas no comércio, que ainda estão por vir. “O mês do Dia das Crianças é uma espécie de prévia da Black Friday e confraternizações de fim de ano, que mobilizam consumidores em todo o País”, lembrou. No entanto, Tadros admitiu que ainda há dúvidas sobre o patamar de consumo nos próximos meses. “Ainda que a massa salarial e a taxa de ocupação tenham estabilizado em bons patamares, há incertezas no horizonte do consumidor, tanto internas quanto externas”, avalia. “Parcelas de dívidas e contas em atraso são o outro lado desta equação que ainda se inclina para a redução no poder de compra do brasileiro”, complementou ele.

VALOR ECONÔMICO

EMPRESAS

China suspende compras de carne bovina de unidade da MBRF em Promissão (SP)

Motivo não foi informado; governo chinês já havia interrompido compras de outras plantas frigoríficas, alegando identificação de resíduos de substâncias proibidas

A China suspendeu as compras de carne bovina da unidade da MBRF localizada em Promissão (SP), de acordo com informações da Administração-Geral das Alfândegas da China (GACC, na sigla em inglês). A medida passou a valer na última quinta-feira (22/10). O site da GACC não informa o motivo da suspensão. Anteriormente, a China havia interrompido compras de outras plantas frigoríficas, de diferentes empresas, alegando a identificação de resíduos de substâncias proibidas no país. Em nota ao Valor, a MBRF afirmou que tomou conhecimento da medida e já está redirecionando os volumes de produção para seu complexo industrial de Várzea Grande (MT), que tem “plena capacidade” para atender a demanda do mercado chinês, além de contar com outros quatro complexos habilitados para este mercado — três no Uruguai e um na Argentina. “Estão mantidas todas as demais habilitações da unidade de Promissão, incluindo para os Estados Unidos, seu principal mercado de exportação”, disse a MBRF no comunicado. “A empresa reforça ainda que abriu diálogo com as autoridades competentes, confiante na robustez de seus processos”, continuou. Além da planta de Promissão (SP), outras cinco unidades frigoríficas brasileiras habilitadas a exportar para o mercado chinês estão suspensas pelo país, de acordo com a GACC: uma da Prima Foods em Araguari (MG), uma da Frialto em Matupá (MT), duas da JBS, em Vilhena (RO) e Pontes e Lacerda (MT), e uma da Sulbeef (Frigosul) em Várzea Grande (MT).

VALOR ECONÔMICO

SUÍNOS & FRANGOS

Bem-estar animal avança na suinocultura, mas financiamento é entrave

Levantamento foi divulgado pela organização de proteção animal Alianima. Financiamento da adaptação continua sendo citado como um dos principais obstáculos

A suinocultura brasileira avançou na adoção de práticas de bem-estar animal nos últimos anos, mas ainda enfrenta desafios para acelerar a transição aos sistemas de alojamento, segundo levantamento anual divulgado pela organização Alianima. O Observatório Suíno convidou 11 fornecedores a participarem do estudo, dos quais apenas um não respondeu ao questionário. O estudo aponta que 45,1% das matrizes suínas estão alojadas em baias coletivas durante a gestação, o que representa um avanço de 0,2 ponto percentual em relação ao levantamento do ano passado. Entre os fornecedores que responderam ao levantamento, JBS e Ecofrigo afirmaram ter alcançado 100% de suas matrizes em baias coletivas na fase de gestação. Também houve avanços nas respostas da Pamplona, Alegra Foods e Alibem. Outras três empresas, segundo o relatório, não apresentaram avanços considerados suficientes. O financiamento da transição continua sendo citado como um dos principais obstáculos. Neste ano, 80% dos fornecedores apontaram essa como uma dificuldade para avançar. A precificação do produto foi mencionada por 70%, e o planejamento das instalações, por 60%. “O cenário reforça a importância de um esforço conjunto entre produtores, empresas compradoras, instituições financeiras e poder público para viabilizar as mudanças necessárias. O objetivo é permitir que os compromissos assumidos sejam convertidos em melhorias efetivas nas condições de alojamento, sem desconsiderar os desafios técnicos e econômicos envolvidos”, afirma Maria Fernanda Martin, zootecnista e gerente de bem-estar animal da Alianima. O levantamento também aponta que 60% dos fornecedores afirmaram ter planos para oferecer mais espaço às matrizes na maternidade, mas somente em novas instalações. Outros 40% não indicaram planos de ampliação. Um ponto considerado positivo pela Alianima é que, pelo terceiro ano consecutivo, 100% dos fornecedores respondentes declararam não realizar castração cirúrgica sem anestesia, enquanto 80% informaram terem banido o desbaste dos dentes dos leitões. Já entre as empresas compradoras monitoradas, 53% nunca reportaram informações sobre a transição para sistemas de gestação coletiva ou deixaram de fazê-lo nas três edições mais recentes do levantamento. Foram contatadas 32 empresas, das quais 13 responderam ao questionário. “A ausência de reporte não comprova, por si só, que uma empresa não tenha avançado na transição. No entanto, impede que seus fornecedores, consumidores e outros públicos acompanhem de forma consistente os resultados alcançados, as dificuldades encontradas e a evolução em relação às metas divulgadas”, explica Maria Fernanda.

GLOBO RURAL

Porto de Paranaguá concentra 47% das exportações brasileiras de carne de frango

Porto embarcou 1,87 milhão de toneladas entre janeiro e setembro, alta de 18,7% em relação ao mesmo período de 2025.

O Porto de Paranaguá respondeu por 47% das exportações brasileiras de carne de frango entre janeiro e setembro de 2026. No período, foram embarcadas 1,87 milhão de toneladas pelo terminal paranaense, volume 18,7% superior ao registrado nos primeiros nove meses de 2025, quando foram exportadas 1,57 milhão de toneladas. Ao todo, o Brasil embarcou 3,98 milhões de toneladas de carne de frango por via marítima entre janeiro e setembro deste ano. O aumento registrado em Paranaguá correspondeu a 65,1% do crescimento das exportações brasileiras do produto no período. Das 451,9 mil toneladas adicionais embarcadas pelo país em relação ao mesmo período de 2025, 294 mil toneladas passaram pelo Porto de Paranaguá. Em setembro, foram 199,2 mil toneladas, alta de 12% na comparação com as 177,8 mil toneladas embarcadas no mesmo mês do ano passado. Os dados são do Comex Stat, sistema do Governo Federal que reúne informações sobre o comércio exterior brasileiro, e do Centro de Estatísticas da Portos do Paraná. A China foi o principal destino da carne de frango embarcada por Paranaguá entre janeiro e setembro, com 198,4 mil toneladas. As importações chinesas do produto passaram de 325 mil toneladas em todo o ano de 2025 para 450 mil toneladas nos nove primeiros meses de 2026. A China encerrou 2025 como o quinto maior comprador de carne de frango brasileira e assumiu a liderança do ranking em 2026. Segundo o diretor de Operações Portuárias da Portos do Paraná, Gabriel Vieira, o aumento das exportações está relacionado à demanda internacional pela proteína e às condições do mercado mundial. A infraestrutura portuária do Paraná também contribui para a movimentação do produto. A carne de frango foi o 11º produto mais exportado pelo Brasil. Em Paranaguá, o produto representou 5,5% das 33,9 milhões de toneladas exportadas pelos portos paranaenses no acumulado do ano. Entre janeiro e setembro, a movimentação de cargas embarcadas e desembarcadas pela Portos do Paraná alcançou 52,1 milhões de toneladas. Desse total, 18,2 milhões de toneladas corresponderam às importações, o equivalente a 35% do volume movimentado.

O PRESENTE RURAL

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