
Ano 11 | nº 2822 | 21 de outubro de 2026
NOTÍCIAS
Mercado do boi gordo: estabilidade em São Paulo
Com oferta contida e poucos negócios, as cotações não mudaram.
Após a alta na cotação da vaca no dia anterior (19/10), o mercado abriu a terça-feira com poucos negócios e preços estáveis, com os negociadores aguardando o direcionamento do mercado no decorrer da semana. A oferta de boiadas estava contida, e os frigoríficos estavam comprando apenas o necessário para manter as escalas de abate fluindo. As escalas de abate estavam, em média, para sete dias. Na Bahia, a oferta de boiadas estava enxuta. Com isso, a cotação do boi gordo subiu R$7,00/@ na região Sul e R$5,00/@ na região Oeste. No Acre, na comparação feita dia a dia, a cotação do boi gordo subiu R$5,00/@. Para as demais categorias, houve estabilidade. Na exportação de carne bovina in natura, até a terceira semana de outubro, o Brasil exportou 107,8 mil toneladas de carne bovina in natura. A média diária foi de 9,8 mil toneladas, 32,7% menor do que em outubro de 2025, quando a média foi de 14,6 mil toneladas por dia. Em relação à segunda semana do mês, a média diária subiu de 8,8 para 9,8 mil toneladas, e a queda frente a outubro de 2025 diminuiu de 39,9% para 32,7%. A cotação média da tonelada ficou em US$6,2 mil, alta de 12,4% em relação ao mesmo período do ano passado, quando estava em US$5,5 mil. Com 11 dias úteis, metade dos 22 dias de outubro de 2025, o volume embarcado corresponde a 33,6% das 320,5 mil toneladas exportadas no mês inteiro do ano passado. O faturamento, de US$671,5 milhões, equivale a 37,8% dos US$1,78 bilhão de outubro de 2025.
SCOT CONSULTORIA
Após sequência de recordes, mercado do boi gordo perde força no início da semana
Frigoríficos reduzem ritmo de compras, mas oferta restrita de animais mantém preços da arroba firmes, aponta Cepea
Após uma sequência de recordes nos preços da arroba, o mercado do boi gordo começou a semana em ritmo mais lento de negociações. Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, a segunda-feira (19) foi marcada por cautela dos compradores e estabilidade nas cotações em algumas regiões do país. De acordo com o Cepea, parte dos frigoríficos adotou uma postura de espera, acompanhando o desempenho das vendas de carne bovina durante o fim de semana antes de definir novas compras. Apesar da desaceleração nos negócios, os preços da arroba continuam firmes, sustentados principalmente pela oferta restrita de animais prontos para abate. Em algumas praças pecuárias, inclusive, foram registrados reajustes positivos de até R$ 5 por arroba. Em Minas Gerais, o mercado apresentou estabilidade em parte das regiões produtoras. No Triângulo Mineiro, os preços permaneceram nos mesmos patamares da última sexta-feira (16), enquanto os compradores aguardavam novos sinais do mercado para definir possíveis ajustes. Já no norte do estado, a menor disponibilidade de animais terminados contribuiu para sustentar as cotações. Nas duas regiões, os negócios ocorreram entre R$ 355 e R$ 365 por arroba. A principal diferença esteve nas escalas de abate, que ficaram mais alongadas no Triângulo Mineiro, variando de oito a 15 dias. Segundo colaboradores do Cepea, esse cenário está relacionado à atuação de grandes frigoríficos, que também recorrem a negociações no mercado a termo para garantir o abastecimento. Em Rio Verde (GO), a oferta restrita de animais no mercado físico continuou influenciando as negociações. Entretanto, o abate de animais próprios permitiu que alguns frigoríficos alongassem suas escalas. Outros compradores, diante da necessidade de adquirir novos lotes, elevaram as ofertas em até R$ 5 por arroba. Na região, o boi gordo foi negociado entre R$ 350 e R$ 355 por arroba, com escalas de abate variando de sete a dez dias. Em Rondonópolis (MT), parte dos negócios ocorreu nos mesmos patamares da semana anterior, próximos de R$ 350 por arroba. Também foram registrados reajustes de R$ 5 por arroba para machos e fêmeas, acompanhados de boa liquidez ao longo do dia. As escalas de abate ficaram entre dez e 15 dias. Além da movimentação mais lenta no mercado físico, os dados parciais das exportações brasileiras de carne bovina apontam redução no ritmo dos embarques em relação ao ano passado. Segundo informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), divulgadas na segunda-feira (19), o Brasil exportou 107 mil toneladas de carne bovina in natura em outubro, com média diária de 9,803 mil toneladas. O volume médio diário ficou quase 33% abaixo do registrado em outubro de 2025. Entretanto, na comparação com setembro deste ano, houve crescimento de 5,48%. Apesar da redução no volume embarcado em relação ao ano passado, os preços internacionais continuam valorizados. O valor médio pago por tonelada de carne bovina exportada apresentou alta de 12,4% na comparação anual. Diante desse cenário, o mercado do boi gordo inicia a semana com negociações mais cautelosas, mas sem sinais de recuo generalizado nos preços. A oferta limitada de animais e a necessidade de recomposição das escalas de abate seguem como fatores de sustentação das cotações.
CEPEA/ESALQ
ECONOMIA
Dólar cai ante o real influenciado por exterior e eleição no Brasil
O dólar fechou a terça-feira em baixa ante o real, influenciado tanto pelo recuo da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior quanto pelo cenário eleitoral no Brasil, a cinco dias do segundo turno.
Em uma sessão no geral positiva para os ativos brasileiros, o dólar à vista encerrou com queda de 0,58%, a R$5,0182%. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 8,58%. Às 17h02, o dólar futuro para novembro — o mais negociado no Brasil — cedia 0,50% na B3, aos R$5,0280. A moeda norte-americana operou em baixa durante boa parte do dia ante divisas como o iene, a libra, o euro e o franco suíço, com os rendimentos dos Treasuries de longo prazo também em queda no exterior. Em relação às divisas de países emergentes, o dólar sustentou perdas ante o peso chileno, o sol peruano e o rand sul-africano, o que também trazia um viés de queda para as cotações no Brasil. Esse movimento foi corroborado pelo noticiário político brasileiro, marcado na véspera pela divulgação de novas pesquisas eleitorais. Ainda que a disputa pela Presidência esteja acirrada, a maior parte dos institutos segue indicando alguma vantagem numérica nas intenções de voto para o senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesse cenário, o Ibovespa superou os 208 mil pontos, favorecido pelo fluxo de investimentos estrangeiros, o que justificava a queda do dólar ante o real. “O dinheiro de investidores de fora que entra na bolsa dá suporte ao real, e a agenda eleitoral, com novas pesquisas, mantém as oscilações presentes”, pontuou Vitor Kayo, economista sênior da Nomad. Uma nova pesquisa eleitoral da Quaest está programada para a quarta-feira, enquanto um levantamento do Datafolha deve sair na quinta-feira. No fim da manhã desta terça-feira, sem efeito nas cotações, o Banco Central vendeu 75.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 3 de novembro. Às 17h04, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,25%, a 101,710.
REUTERS
Ibovespa fecha em alta com apoio de estrangeiros a poucos dias de eleição
O Ibovespa fechou em alta na terça-feira, rondando os 209 mil pontos no melhor momento, com bancos e B3 entre os principais suportes.
A bolsa paulista continua em clima de expectativa para o desfecho da eleição presidencial no país, com o segundo turno no domingo, enquanto investidores estrangeiros continuam fornecendo apoio para as ações brasileiras. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 1,57%, a 208.295,98 pontos, chegando a 208.941,57 na máxima e marcando 205.082,26 na mínima do dia. O volume financeiro no pregão somou R$42,5 bilhões.
REUTERS
GOVERNO
Mdic publica portaria que estabelece regras de cotas do acordo Mercosul-Eftana Noruega
Portaria definiu como empresas brasileiras poderão acessar os quantitativos negociados para exportação de produtos como carne bovina, de frango, mel natural, batatas e farinha de soja
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) publicou na terça-feira (20) uma portaria que define os critérios para distribuição das cotas de exportação de produtos brasileiros destinados à Noruega. A medida faz parte do acordo de livre comércio entre o Mercosul e os Estados da Associação Europeia de Livre Comércio (Efta). A portaria publicada nesta terça-feira definiu como as empresas brasileiras poderão acessar os quantitativos negociados para exportação de produtos como carne bovina, carne de frango e suas preparações, mel natural, batatas, maçãs frescas, trigo duro, milho, melaço de cana, suco de maçã, farinha de soja e cavalos vivos. O Mdic disse que o acordo amplia o acesso de produtos brasileiros a mercados internacionais. “Na entrada em vigor do acordo, a Efta eliminará 100% das tarifas de importação dos setores industrial e pesqueiro. Considerados os universos agrícola e industrial, o acesso ao livre comércio dos produtos brasileiros alcançará quase 99% do valor exportado para o bloco”, informa a nota. Os percentuais de exportações brasileiras incluídas na lista de livre comércio serão de 100% para Islândia e Liechtenstein, 99,8% para Noruega e 97,7% para Suíça. Do lado da importação, aproximadamente 97% do comércio com a EFTA será liberalizado em regime de livre comércio. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a Suíça e Liechtenstein ainda não concluíram as etapas nacionais necessárias para a entrada em vigor do instrumento. “Para os produtos sujeitos à redução gradual de tarifas, os prazos previstos variam conforme o cronograma negociado, desde a entrada em vigor do acordo até períodos de 4, 8, 10 e 15 anos”, disse o Mdic. A Secex será responsável pela operacionalização e pelo controle das cotas, por meio do módulo de Licenças, Permissões, Certificados e Outros Documentos (LPCO) do Portal Único Siscomex. O exportador deverá registrar um pedido de licença no módulo LPCO, solicitação que será verificada pela Secex pela disponibilidade de saldo na cota solicitada. Após o aceite, a empresa terá 60 dias para efetuar a operação, mediante Declaração Única de Exportação (DUE). O acordo Mercosul-Efta foi assinado no Rio de Janeiro em 16 de setembro de 2025, e promulgado pelo decreto nº 13.126 de setembro de 2026. O bloco europeu reúne Noruega, Islândia, Suíça e Liechtenstein. O acordo passou a vigorar para as trocas comerciais entre Brasil e Islândia em 1º de outubro, e entrará em vigor para Brasil e Noruega a partir de 1º de novembro.
VALOR ECONÔMICO
INTERNACIONAL
USDA projeta produção mundial de carne bovina praticamente estável em 2027 frente a 2026
Segundo o último relatório do USDA, divulgado em outubro, a expectativa para 2027 é de que a produção mundial de carne bovina permaneça praticamente estável em relação a 2026, com recuo de 0,3%.
Apesar da expectativa de redução na produção de importantes produtores mundiais, como Brasil (-1,6%), Austrália (-2,2%) e Estados Unidos (-0,5%), em função da fase de alta do ciclo pecuário e da menor disponibilidade de animais para abate, Índia e Argentina deverão aumentar sua produção em 2,0% e 3,0%, respectivamente. Esse crescimento deverá ser impulsionado pelo maior abate de animais e, no caso da Argentina, também pelo aumento do peso das carcaças. Na América do Sul, destaque também para o Uruguai, com expectativa de aumento de 10,0% na produção. Para 2026, a expectativa é de recuo de 3,4% na produção mundial, diante das reduções projetadas para Brasil (-3,6%), União Europeia (-0,9%), Argentina (-3,0%) e Estados Unidos (-4,6%). Na China, a produção deverá recuar 15,4%. Segundo dados preliminares dos abates sob Serviço de Inspeção Federal (SIF), de janeiro a setembro de 2026, o número de bovinos abatidos no Brasil caiu 7,6% em relação ao mesmo período de 2025. O abate de machos recuou 2,5%, enquanto o de fêmeas apresentou queda de 14,6%. Com isso, a participação de fêmeas nos abates ficou 3,2 pontos percentuais menor na comparação anual. Assim como a produção, as exportações mundiais de carne bovina deverão recuar em 2027. A expectativa do USDA é de queda de 0,6%. Segundo o relatório, a redução dos embarques da Austrália, do Brasil e dos Estados Unidos deverá mais do que compensar o crescimento das exportações da Índia, do México e do Uruguai. As exportações australianas deverão diminuir 3,0%, enquanto as brasileiras estão projetadas para recuar 1,0%. Entre os principais fatores que explicam essa redução estão as limitações impostas pela cota de importação estabelecida pela China e a maior concorrência no mercado norte-americano. No caso do Brasil, soma-se a esses fatores a restrição de acesso a parte do mercado europeu. Para 2026, o relatório estima que as exportações mundiais permaneçam próximas às de 2025, com aumento de 0,4%. As quedas previstas para Brasil, Uruguai, Paraguai e Estados Unidos deverão ser compensadas pelo crescimento dos embarques da Austrália, Índia, Argentina, Nova Zelândia, Canadá e México. Vale destacar que o USDA projeta queda de 5,3% nas exportações brasileiras em 2026. Entretanto, de janeiro a setembro, mesmo com a redução dos embarques para a China, o volume exportado ficou apenas 1,5% abaixo do registrado no mesmo período de 2025.
USDA
SUÍNOS & FRANGOS
China embargou apenas a carne de Santa Catarina após foco de Doença de Newcastle, diz governo
O Ministério da Agricultura afirmou na terça-feira que, após um foco de Doença de Newcastle em uma criação de perus reportado na segunda-feira em Santa Catarina, a China restringiu o embargo a importações de carnes de aves apenas ao Estado afetado pelo problema sanitário.
“A atuação do Mapa permitiu evitar a suspensão das importações provenientes de todo o território nacional”, afirmou o ministério. O Brasil tem um acordo com a China, importante importador, para realizar um autoembargo inicial no caso de aparecimento de Doença de Newcastle ou gripe aviária, para que os chineses definam posteriormente o alcance do embargo comercial. A doença viral afeta aves, mas não causa problemas para a saúde humana.
Com a restrição localizada ao Estado, o setor pode redirecionar embarques à China por meio da produção de outros Estados. Neste ano, a China aparece como o maior importador de carne de frango do Brasil, segundo dados do governo brasileiro. Santa Catarina responde por mais de 20% das exportações de carne de frango do Brasil, o maior exportador global desse produto, conforme dados da associação do setor ABPA. Para analistas, o foco da Doença de Newcastle em Santa Catarina provavelmente não causará danos econômicos duradouros ao setor avícola do país se as autoridades conseguirem contê-lo rapidamente. Já o México suspendeu importações de produtos avícolas de todo o Brasil, confirmou o ministério, após um comunicado do governo mexicano mais cedo. A nota do governo brasileiro relatou ainda que o Chile, outro importante importador, limitou embargos também ao Estado catarinense. “A situação dos demais mercados segue em monitoramento pelo ministério, que divulgará novas informações à medida que houver atualizações confirmadas”, afirmou o comunicado.
REUTERS
Produção e exportações mundiais de carne de frango devem crescer em 2027
Segundo o USDA, a expectativa para 2027 é de crescimento de 2,2% na produção mundial de carne de frango em relação ao ano anterior. A projeção é de aumento entre os principais produtores da proteína: Estados Unidos (+0,8%), China (+5,6%), Brasil (+1,9%) e União Europeia (+2,0%).
No Brasil, a maior produção deverá ser favorecida pela redução dos custos de produção, pelo crescimento do consumo doméstico e pela demanda externa relativamente firme. Para 2026, a expectativa também é de crescimento, com aumento de 3,7% na produção em relação a 2025. Assim como a produção, as exportações mundiais deverão seguir em ritmo de crescimento, com expectativa de aumento de 3,3% em 2027, na comparação com 2026. A China deverá apresentar crescimento expressivo de 25,0% nos embarques, impulsionado pela competitividade dos preços e pela ampliação de sua participação em mercados da África e do Oriente Médio. Para o Brasil, a expectativa é de aumento de 1,0% nas exportações. A recente restrição aos embarques para a União Europeia contribui para um crescimento mais moderado. Entretanto, medidas estão sendo adotadas para que o Brasil volte a integrar a lista de países autorizados a exportar para o bloco. No caso da carne de frango, a expectativa é de que a retomada dos embarques ocorra mais rapidamente do que para a carne bovina. Nos Estados Unidos, apesar da expectativa de aumento na produção, as exportações deverão recuar 1,1%, em função da perda de participação de mercado para Brasil e China.
USDA
USDA projeta queda na produção mundial de carne suína em 2027
Assim como para a carne bovina, a produção mundial de carne suína deverá recuar em 2027, com queda projetada de 0,7%. As reduções previstas para China e União Europeia deverão mais do que compensar o crescimento da produção no Brasil, Vietnã e Estados Unidos.
A maior queda deverá ocorrer na China, com recuo de 2,2%, em função da redução do rebanho suíno no país. A União Europeia também deverá apresentar redução na produção, de 0,5%.
Por outro lado, a expectativa é de que o Brasil aumente sua produção em 2,8%. Apesar da projeção de redução do plantel de matrizes em 2027, os ganhos de eficiência produtiva deverão contribuir para o crescimento da produção. Além do Brasil, destacam-se os aumentos projetados para Vietnã (+3,5%), México (+3,1%) e Filipinas (+4,4%). As exportações mundiais de carne suína deverão permanecer praticamente estáveis em 2027. O crescimento dos embarques do Brasil, da China, dos Estados Unidos e do México deverá compensar a redução das exportações da União Europeia. No Brasil, as exportações de carne suína deverão aumentar 2,0%. A maior produção contribui para esse cenário, embora o crescimento deva ser limitado pela menor demanda em mercados importantes. Na China, as exportações deverão crescer expressivos 21,0%, atingindo o maior volume desde 2018.
USDA
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