CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2802 DE 22 DE SETEMBRO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2802 | 22 de setembro de 2026

 

NOTÍCIAS

Mercado do boi gordo: estabilidade em São Paulo

Com poucos negócios na segunda-feira, a cotação não mudou.

Pelos dados da Scot Consultoria, no mercado paulista, o boi gordo destinado a mercado interno segue valendo R$ 350/@, enquanto o “boi-China” está cotado em R$ 355/@ (valores brutos, no prazo). A semana começou com poucos negócios e, com isso, a cotação não mudou. As escalas de abate atendiam, em média, a seis dias. Com a ponta vendedora segurando a boiada, já há negócios acima da referência do mercado, em torno de R$360,00/@, mas com volume não suficiente para se tornar referência. No Rio de Janeiro, após altas na cotação das fêmeas no último dia útil (18/9), as cotações permaneceram estáveis para todas as categorias. As escalas de abate estavam, em média, para cinco dias. No mercado atacadista da carne com osso, as vendas na última semana no varejo foram fracas, o que ocasionou menor pedido para reposição de estoque. Por outro lado, a disponibilidade das carcaças, principalmente as do boi inteiro e das fêmeas, está menor e, somado a isso, a cotação dos bovinos destinados ao abate está firme, sustentando o preço das carcaças. Dessa maneira, a cotação de todas as carcaças subiu. A cotação da carcaça casada do boi capão subiu 1,7%, ou R$0,40/kg, enquanto a do boi inteiro subiu 1,3%, ou R$0,30/kg. Para as fêmeas, a da vaca subiu 1,3%, ou R$0,30/kg, e a da novilha subiu 2,6%, ou R$0,60/kg. A tendência é de que as vendas permaneçam menos intensas, porém com preços sustentados devido à menor oferta e à cotação firme no mercado do boi gordo. No mercado de proteínas alternativas, a cotação do frango médio caiu 1,3%, ou R$0,10/kg. A cotação do suíno especial subiu 3,7%, ou R$0,30/kg.

SCOT CONSULTORIA

Arroba do boi tem alta de quase 5% e expectativa para último trimestre é ainda melhor

Mercado futuro negocia valores R$ 20 acima do spot, mas expectativa é de reajuste; China, EUA e demanda interna devem elevar valores

O mercado brasileiro do boi gordo registrou uma semana de elevado spread entre os valores praticados para a arroba no mercado físico e futuro. De acordo com o analista de Safras & Mercado Fernando Iglesias, esse cenário reflete uma expectativa de elevado potencial de alta na demanda no último trimestre do ano. “A diferença entre os valores do mercado spot [setembro] e futuro [outubro] excedeu os R$ 20, mas a tendência é de que o mercado busque um ajuste de convergência nas próximas semanas”, pontua. Iglesias ressalta que, de modo geral, o mercado físico do boi registrou negócios em patamares acima da referência média durante a semana, ainda que os frigoríficos de maior porte estejam operando com escalas de abate mais confortáveis, considerando a incidência de animais de parceria e até mesmo a utilização de confinamentos próprios. “No entanto, os frigoríficos de menor porte ainda são obrigados a negociar de maneira mais contundente, diante de um quadro mais complicado na composição de suas escalas de abate”, contextualiza. Por conta desse cenário, houve relatos de negócios pontuais a R$ 360 a arroba no interior de São Paulo, embora pouco representativos, embora a média no estado ainda se concentre entre R$ 350 e R$ 355 a arroba. A expectativa de retorno da cota de exportação para a China a partir de outubro, o aumento de embarques aos Estados Unidos diante da oportunidade de 300 mil toneladas a serem compradas com tarifas reduzidas e o aumento da demanda doméstica por conta da injeção de receitas das eleições e das festas de fim de ano tendem a elevar os preços da arroba do boi. Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 17 de setembro: São Paulo (Capital): R$ 355, alta de 4,41% frente aos R$ 340 praticados no final da semana passada. Goiás (Goiânia): R$ 340, aumento de 3,03% frente aos R$ 330 registrados no final da última semana. Minas Gerais (Uberaba): R$ 335, inalterado frente ao final da semana passada. Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 345, alta de 2,99% ante os R$ 335 registrados no encerramento da última semana. Mato Grosso (Cuiabá): R$ 330, estável em comparação à última semana. Rondônia (Vilhena): R$ 335, alta de 0,60% em relação aos R$ 333 do final da semana passada. Conforme Iglesias, o mercado atacadista registrou preços mais altos no decorrer da semana. A entrada dos salários na economia estimulou a reposição entre atacado e varejo durante a primeira metade do mês. Entretanto, para a segunda quinzena, a expectativa é de menor intensidade do consumo. “A elevada competitividade dos cortes suínos e da carne de frango também limita o espaço para novos avanços da carne bovina, especialmente em um ambiente de menor poder aquisitivo das famílias”, pontua. Quarto do traseiro bovino: R$ 27,50 por quilo, alta de 3,77% ante os R$ 26,50 registrados no final da semana passada. Quarto do dianteiro do boi: R$ 19,50 por quilo, avanço de 2,63% ante os R$ 19,00 praticados no fechamento da última semana. As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 495,054 milhões em setembro (8 dias úteis), com média diária de US$ 61,881 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A quantidade total exportada pelo país chegou a 79,711 mil toneladas, com média diária de 9,964 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 6.210,50. Em relação a setembro de 2025, houve baixa de 23% no valor médio diário da exportação, queda de 30,3% na quantidade média diária exportada e avanço de 10,5% no preço médio.

SAFRAS NEWS

Embarques de carne bovina reagem na terceira semana, mas ritmo de setembro ainda é 30% menor que em 2025

Brasil exportou 130 mil toneladas nos primeiros 13 dias úteis do mês; terceira semana foi a mais forte do período

As exportações brasileiras de carne bovina ganharam força na terceira semana de setembro, mas o ritmo médio dos embarques ainda permanece abaixo do registrado no mesmo mês de 2025. Nos primeiros 13 dias úteis de setembro de 2026, o Brasil enviou ao exterior 130,31 mil toneladas do produto, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A média diária ficou em 10,02 mil toneladas, representando queda de 29,9% em relação à média de setembro do ano passado. Depois de exportar 40,58 mil toneladas na primeira semana e 39,13 mil toneladas na segunda, o Brasil embarcou 50,60 mil toneladas na terceira semana de setembro. O volume representou crescimento de aproximadamente 29% em relação à semana anterior e foi o melhor resultado semanal do mês até agora. Essa recuperação reduz parte da preocupação provocada pelo início mais lento de setembro. Para o pecuarista, uma continuidade desse avanço nas semanas restantes seria positiva, pois aumentaria a necessidade de matéria-prima por parte dos frigoríficos exportadores e poderia ajudar a sustentar as cotações do boi gordo. Ainda assim, o desempenho da terceira semana, isoladamente, não é suficiente para reverter a comparação negativa com 2025. O mercado precisará acompanhar se a aceleração representa uma retomada consistente dos embarques ou apenas uma concentração pontual de cargas. Apesar da retração registrada em setembro, o Brasil já exportou 2,049 milhões de toneladas de carne bovina em 2026. A superação da marca de 2 milhões de toneladas antes do encerramento do terceiro trimestre evidencia a relevância da demanda internacional para o escoamento da produção brasileira. A leitura dos dados, portanto, apresenta dois movimentos distintos. O acumulado anual continua robusto, mas setembro mostra perda de velocidade na comparação com o mesmo período do ano passado. Para o pecuarista, essa diferença é importante. Um grande volume acumulado confirma a competitividade da carne brasileira no mercado mundial, porém é o ritmo mais recente dos embarques que costuma exercer influência mais imediata sobre as compras dos frigoríficos, as escalas de abate e os preços pagos pela arroba. Caso a média diária de 10,02 mil toneladas seja mantida durante os 22 dias úteis previstos para setembro, o mês poderá terminar com aproximadamente 220 mil toneladas exportadas.

SECEX/MDIC

Lula diz que Uruguai cedeu ao Brasil parte da cota de exportação de carne bovina à China

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na segunda-feira que o Uruguai cedeu ao Brasil parte da cota de exportação de carne bovina do país para a China, uma vez que os frigoríficos brasileiros já completaram a cota nacional de embarques em 2026 ao país asiático.

“Agradeci a autorização concedida ao Brasil para uso do excedente da cota uruguaia de exportação de carne bovina para a China”, disse Lula, em uma publicação no X. O Ministério de Relações Exteriores do Uruguai não comentou o assunto imediatamente. A postagem de Lula no X foi feita após um encontro bilateral com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, em Nova York, no contexto da Assembleia Geral da ONU que ocorre nesta semana. “Tratamos de temas da agenda bilateral, em especial infraestrutura e comércio agrícola”, acrescentou Lula. Enquanto o Brasil já completou sua cota com tarifa mais baixa de 1,1 milhão de toneladas para 2026, o Uruguai ainda teria volumes disponíveis para este ano. Os volumes, no entanto, não estão claros e a negociação ainda precisaria de um aval da China, que passou a taxar em 55% os volumes extracota.

REUTERS

Abate bovino perde força em Mato Grosso e queda das fêmeas reforça sinal de retenção de matrizes

Após crescer apenas 0,7% entre janeiro e agosto, atividade frigorífica ficou cerca de 7% abaixo de 2025 nos dois últimos meses de julho e agosto

O abate de bovinos em Mato Grosso chegou a 4,87 milhões de cabeças entre janeiro e agosto de 2026, volume praticamente estável em relação ao mesmo período do ano passado. O avanço foi de aproximadamente 0,7%, segundo levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), com dados do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea-MT).  Para o pecuarista, o dado mais relevante está na composição dessa redução. Em agosto, foram abatidas 254,45 mil fêmeas, queda de 15,6% na comparação anual. Elas representaram 41,7% de todo o abate realizado no mês, participação aproximadamente quatro pontos percentuais inferior à registrada um ano antes. Esse recuo reforça o sinal de retenção de matrizes. Depois de um período marcado pelo descarte elevado de vacas e novilhas, parte dos produtores parece estar reavaliando a retirada das fêmeas do rebanho, especialmente diante da recuperação dos preços do bezerro e da expectativa de maior valorização do boi nos próximos ciclos. Enquanto diminuiu a saída de fêmeas, o abate de machos ganhou participação. Em agosto, foram abatidos 356,34 mil animais dessa categoria, equivalentes a 58,3% do total mensal. No acumulado dos oito primeiros meses, os machos somaram 2,51 milhões de cabeças, ou 51,5% dos abates, ante 2,36 milhões de fêmeas, correspondentes a 48,5%. A mudança na composição ajuda a explicar por que o volume total de agosto, de 610,79 mil cabeças, ficou próximo ao registrado em julho, apesar da forte retração das fêmeas. Na prática, a maior oferta de machos compensou parcialmente a redução do descarte de vacas e novilhas.

INDEA-MT 

China inicia auditoria a frigoríficos no Brasil

Cinco técnicos chineses vão percorrer estabelecimentos produtivos, laboratórios oficiais, abatedouros e fazendas em cinco Estados até o próximo sábado (26/9). Há expectativa de que a auditoria ajude nas tratativas para a abertura de mercado chinês para miúdos de bovinos e suínos do Brasil

Começou no domingo (20/9) a auditoria da China a frigoríficos de carnes bovina, suína e de aves do Brasil. Cinco técnicos chineses vão percorrer estabelecimentos produtivos, laboratórios oficiais, abatedouros e fazendas em cinco Estados até o próximo sábado (26/9), além de passar por Brasília (DF) para reuniões com o Ministério da Agricultura e representantes dos exportadores brasileiros. Recentemente, em entrevista à CNN, o ministro da Agricultura, André de Paula, disse que há expectativa de anúncio de reabilitação de plantas de carne bovina que estão com as vendas suspensas para a China atualmente e de habilitações de novas unidades, bem como avanços para o início das vendas de miúdos de bovinos e suínos. A comitiva chinesa chegou no início desse domingo (20/9) a Brasília, onde teve reunião com o Ministério da Agricultura. De lá partiu para Porto Alegre (RS). No Rio Grande do Sul, os técnicos vão visitar o Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA) e uma planta de suínos no interior do Estado. De lá, o grupo partirá para o Paraná onde visitará um frigorífico de aves nesta terça-feira (22/9). O itinerário inclui ainda duas visitas a abatedouros, de aves e bovinos, no interior de São Paulo na quarta-feira (23/9) e a uma fazenda em Rondônia, na quinta-feira (24/9). A passagem pelo Estado incluirá ainda a auditoria a mais duas plantas de carne bovina. Depois, os técnicos seguirão para uma reunião final com o Ministério da Agricultura em Cuiabá (MT). Atualmente, cinco frigoríficos exportadores de carne bovina estão com a habilitação suspensa para a China: as unidades da JBS em Vilhena (RO), que será visitada pelos chineses, e em Pontes e Lacerda (MT), a Prima Foods em Araguari (MG), a Frialto em Matupá (MT) e a SulBeef, em Várzea Grande (MT). Já a Copacol, de Cafelândia (PR), está impedida de comercializar carne de aves. Não há bloqueios no momento para frigoríficos de carne suína. Como a China reconheceu o status brasileiro de país livre de febre aftosa sem vacinação, há expectativa de que a auditoria ajude nas tratativas para a abertura de mercado de miúdos de bovinos e suínos do Brasil para lá.

GLOBO RURAL

ECONOMIA

Dólar cai a R$5,1080 sob influência do exterior

O dólar fechou a segunda-feira em baixa e novamente na faixa dos R$5,10, acompanhando o recuo dos rendimentos dos Treasuries e da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior.

No Brasil, uma nova pesquisa eleitoral reforçou o cenário de empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Planalto, com Lula mantendo levemente a frente. O dólar à vista encerrou a sessão com queda de 0,72%, a R$5,1080. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 6,94%. Às 17h03, o dólar futuro para outubro — atualmente 3o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,79% na B3, aos R$5,1170. Pesquisa BTG/Nexus divulgada pela manhã mostrou Lula com 46% das intenções de voto em uma simulação de segundo turno, contra 45% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, eles estão em empate técnico. No levantamento anterior, Lula tinha 47% e Flávio somava 45%. O recuo do dólar na segunda-feira, porém, esteve ligado principalmente à baixa das cotações também no exterior, com investidores se apegando à possibilidade de um acordo de paz entre EUA e Irã nesta semana, quando haverá reunião da ONU em Nova York. Ainda que permaneça em níveis elevados, o petróleo Brent cedeu para a faixa dos US$100 o barril e os rendimentos dos Treasuries caíram, enquanto os principais índices de ações em Nova York avançaram. Nos mercados de moedas, isso se traduziu na baixa do dólar ante divisas como o real, o peso chileno, o won coreano e o rand sul-africano, entre outras. “(Temos) queda dos rendimentos dos Treasuries, queda do petróleo, bolsas na Europa fechando majoritariamente em alta e Nova York também indo bem”, citou durante a tarde o diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo. “Então, a queda (do dólar ante o real) reflete o exterior. Estamos absolutamente alinhados com a performance do dólar lá fora”, acrescentou. Após marcar a cotação máxima intradia de R$5,1381 (-0,14%) às 9h01, logo após a abertura, o dólar à vista atingiu a mínima de R$5,1028 (-0,82%) às 13h09. No restante da tarde, manteve-se pouco acima dos R$5,10.

REUTERS

Ibovespa fecha em alta com aval externo

O Ibovespa fechou em alta na segunda-feira, ultrapassando os 187 mil pontos no melhor momento, em meio a um ambiente favorável a risco no mercado internacional, com alívio nos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano e queda dos preços do petróleo.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 0,82%, a 186.752,93 pontos, de acordo com dados preliminares, com investidores também repercutindo nova pesquisa eleitoral. Na máxima do dia, chegou a 187.434,25 pontos. Na mínima, marcou 185.246,81 pontos. O volume financeiro no pregão somava R$24,78 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

Mercado eleva projeção do IPCA de 2026 e reduz estimativas para Selic e PIB, aponta Focus

Para 2027, a mediana das expectativas para a inflação foi mantida em 4,30% pelos economistas e analistas que participam da pesquisa do Banco Central, e para a alta do PIB, reduzida de 1,45% para 1,43%

A mediana das projeções dos economistas do mercado para a inflação oficial brasileira em 2026 subiu de 4,90% para 4,92%, de acordo com o relatório Focus, do Banco Central (BC), divulgado na segunda-feira (21) com estimativas coletadas até a sexta-feira (18). Para 2027, a mediana das expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) se manteve em 4,30%, e, para 2028, continuou em 3,80%. O IPCA 12 meses suavizado caiu de 4,65% para 4,62%. Para a taxa básica de juros (Selic), a mediana das estimativas recuou de 13,75% para 13,50% em 2026. Para 2027, permaneceu em 12% pela 14ª semana, e, para 2028, seguiu em 10,50%, pela 12ª semana. A mediana das projeções para o crescimento da economia brasileira em 2026 recuou de 1,89% para 1,88%. Para 2027, a mediana das expectativas para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) cedeu de 1,45% para 1,43% e, para 2028, se manteve em 1,87%. A mediana das projeções para o dólar no fim de 2026 se manteve em R$ 5,20, segundo o relatório Focus. Para 2027, a mediana das expectativas para a moeda americana continuou em R$ 5,28, e, para 2028, seguiu em R$ 5,30.

VALOR ECONÔMICO

SUÍNOS & FRANGOS

ITAÚ BBA: Preço do suíno desaba, e vendas no mercado interno dão prejuízo

Margem bruta das vendas de carne suína no mercado interno ficou negativa em 32% em agosto — há um ano, era de 27%, segundo o Itaú BBA.

Depois de um ano eufórico, marcado por margens historicamente altas, os produtores de suínos têm visto a sua rentabilidade derreter no mercado interno em 2026. Diferente das crises anteriores no setor, normalmente causadas pelo aumento nos custos de produção, desta vez a razão do problema é o excesso de oferta, que derrubou os preços no Brasil ao menor patamar desde 2020, em termos nominais, segundo a consultoria agro do Itaú BBA. A razão é um excesso de oferta, atribuído a um desordenado aumento na produção, favorecido por uma estabilidade nos custos de produção. Do lado da demanda, as exportações acumulam um crescimento de 9% até agosto deste ano e o consumo interno apresenta um leve crescimento. A meia carcaça no atacado paulista caiu 43% em julho, em comparação ao mesmo período do ano passado. Em agosto, o suíno vivo foi negociado a R$ 4,78 por quilo, bem abaixo do custo de produção, estimado em R$ 6,30 por quilo. “Hoje, o prejuízo de engordar o suíno é de R$ 180 por cabeça. Em março, estava em R$ 80 por cabeça”, afirma César de Castro Alves, gerente da consultoria agro do Itaú BBA. Com isso, a margem bruta das vendas no mercado interno ficou negativa em 32% no mês passado. Há um ano, ela estava em 27%, segundo a consultoria. Para Wagner Yanaguizawa, analista de proteínas do Rabobank, o aumento na produção, estimado em 6,5% no primeiro semestre pelo banco, é consequência da bonança de 2025. “Um cenário que poderia ser positivo se transformou em sobreoferta”, afirmou. Os primeiros sinais da crise começaram a aparecer no final do primeiro trimestre, mas o setor demorou para reduzir os alojamentos em meio a uma forte demanda para as exportações e à expectativa de uma alta no consumo doméstico, teoricamente estimulado pela alta no preço da carne bovina — o que costuma favorecer o consumo de proteínas mais baratas. “Está tendo um incremento no consumo interno, mas está sendo abaixo do que o mercado esperava”, diz Yanaguizawa. Apesar da diferença entre os preços da carne suína em relação à bovina e ao frango ter atingido o maior patamar dos últimos quatro anos em julho, o aumento do consumo no Brasil foi de apenas 1% no primeiro semestre, segundo o Rabobank. O Itaú BBA estima que o consumo total aparente tenha crescido 2% no Brasil no primeiro semestre. Mesmo assim, “não está cabendo carne no mercado interno”, diz Alves. “O avanço das exportações não tem sido suficiente para absorver o aumento da oferta doméstica e restabelecer o equilíbrio do mercado interno”, complementa o banco, em relatório. “O mercado de suínos doméstico tem muitos processados, que podem estar sofrendo pelo lado da renda”, diz Alves. A esperança do setor está nas festividades de final de ano, que normalmente favorecem o consumo de carne suína. “Espero que os preços reajam no final do ano, mas tem que subir muito para chegar no break even”, disse Alves, do Itaú BBA. Para isso, será essencial um ajuste na oferta. Na avaliação do Itaú BBA, ainda não há sinais claros de que esse movimento já esteja em curso. Já Yanaguizawa, do Rabobank, diz que há alguns indícios de queda nos alojamentos em algumas regiões, o que pode ser interpretado como um período de transição até uma fase de recuperação. “Diante da queda de receita, muitos produtores independentes, que estão com o fluxo de caixa apertado, optaram por descartar algumas matrizes, o que acabou agravando a crise de oferta em julho e agosto”, disse Yanaguizawa. Neste mês, o mercado estaria passando por um período de transição, preparando-se para o início de uma recuperação em outubro. “Acredito em uma retomada nos preços por conta de uma possível melhora no balanço entre oferta e demanda”, afirmou. Enquanto as margens no mercado doméstico têm descido ladeira abaixo, a rentabilidade das exportações de carne suína continua bastante favorável. Neste ano, o spread de exportação está em 38%, acima da média dos últimos cinco anos de 34%, segundo o Itaú BBA. “O preço de exportação, em dólares, está razoável e a demanda está firme. O melhor cenário, hoje, é para quem exporta”, finaliza Alves.

ITAÚ BBA/RABOBANK

imprensaabrafrigo@abrafrigo.com.br

POWERED BY NORBERTO STAVISKI EDITORA LTDA

Whatsapp 041 999368886

 

 

abrafrigo

Leave Comment