
Ano 11 | nº 2803 | 23 de setembro de 2026
NOTÍCIAS
Mercado do boi gordo: oferta controlada sustenta cotações em São Paulo
Vendas de carne lentas e oferta controlada mantinham o mercado sem mudanças. Na comparação feita dia a dia, as cotações não mudaram.
O mercado abriu aquela terça-feira com poucos negócios, com parte da indústria fora das compras. Com as vendas de carne em ritmo lento e escalas de abate suficientes para atender à demanda, a ponta compradora atuava com cautela, definindo suas estratégias e aguardando um direcionamento mais claro do mercado. Entre os frigoríficos ativos nas compras, a postura também era de cautela. Alguns ofertavam preços abaixo das referências vigentes, refletindo a lentidão do mercado interno, enquanto outros seguiam negociando dentro das referências. A oferta de gado permanecia controlada, o que sustentava as cotações. As escalas de abate atendiam, em média, a sete dias. Na região Noroeste do Paraná, na comparação diária, alta de R$2,00/@ para a cotação da vaca e de R$3,00/@ para a do “boi China”. Para as demais categorias, estabilidade. Até a terceira semana de setembro, o volume exportado foi de 130,3 mil toneladas, com uma média diária de 10,0 mil toneladas, queda de 29,9% frente ao embarcado por dia em setembro de 2025, o melhor setembro de toda a série histórica. A média diária embarcada aumentou 7,6% em relação a agosto e 0,6% frente à primeira quinzena do mês. A cotação média da tonelada está em US$6,3 mil, 2,0% acima da registrada em agosto e 11,9% maior na comparação com o mesmo período de 2025. Com mais da metade do mês transcorrido, o volume exportado até aquele momento estava abaixo de metade do embarcado em setembro de 2025. Contudo, mantido o ritmo atual, setembro deveria superar as 200,0 mil toneladas, ultrapassando agosto e interrompendo a sequência de queda nas exportações. Apesar do menor volume na comparação ano a ano, a alta no preço pago pela tonelada de carne reduzia o impacto sobre o faturamento. No tema das exportações, valia destacar que, no dia anterior (21/9), foi divulgado que, durante uma conversa entre os presidentes do Brasil e do Uruguai, o governo uruguaio autorizou o Brasil a utilizar o excedente de sua cota de exportação de carne bovina para a China em 2026. No entanto, a redistribuição dessa cota ainda não foi confirmada pelo governo chinês.
SCOT CONSULTORIA
Escalas de abate encurtadas, dão suporte aos negócios
O mercado físico do boi gordo experimentou acomodação dos preços na segunda-feira (21). Segundo o analista de Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, ainda são relatadas negociações acima da referência média.
Isso ocorre por conta da posição menos confortável das escalas de abate em frigoríficos de menor porte. “Para os de maior porte, o cenário é de maior conforto, dada a incidência de animais de parceria, somado a utilização dos confinamentos próprios”, disse. O especialista ressalta que o dia foi pautado pela declaração do presidente Lula sobre o Brasil passar a ter acesso às cotas não utilizadas pelo Uruguai (salvaguarda chinesa). “De qualquer forma, ainda restam muitas dúvidas a respeito, como qual seria o volume e, principalmente, se haverá anuência chinesa para esse caso.” Média da arroba do boi gordo: São Paulo: R$ 355,33 — na sexta: R$ 354,71. Goiás: R$ 344,64 — na sexta: R$ 343,89. Minas Gerais: R$ 340,88 — na sexta: R$ 340,53. Mato Grosso do Sul: R$ 348,84 — na sexta: R$ 348,55. Mato Grosso: R$ 332,76 — na sexta: R$ 332,12. O mercado atacadista inicia a semana também com preços acomodados, em um ambiente que oferece pouco espaço para novos reajustes no curto prazo. “A semana não apresenta fatores relevantes de estímulo ao consumo e a carne bovina continua perdendo competitividade para as proteínas concorrentes, especialmente para os cortes de frango”, ressalta Iglesias. Quarto dianteiro: R$ 20,50 por quilo. Quarto traseiro: R$ 27,50 por quilo. Ponta de agulha: R$ 19,00 por quilo
SAFRAS NEWS
Cota do Uruguai pode abrir espaço para mais 80 mil toneladas de carne brasileira na China
Volume equivale a até 400 mil cabeças e poderia reaquecer as compras de boi China, mas Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, alerta que operação ainda depende do aval de Pequim
O possível uso pelo Brasil de parte da cota uruguaia de carne bovina para a China ganhou um novo desdobramento. Depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciar que o Uruguai autorizou o aproveitamento de seu excedente, estimativas da Safras & Mercado apontam que cerca de 80 mil toneladas estão em discussão. O volume, porém, ainda não está disponível aos frigoríficos brasileiros: falta a autorização das autoridades chinesas. A dimensão é relevante para a pecuária. Segundo a consultoria, 80 mil toneladas poderiam representar aproximadamente 320 mil a 400 mil cabeças de gado. Se a autorização sair rapidamente, o movimento poderá provocar uma recomposição das compras de animais habilitados para a China já em outubro, justamente quando as indústrias começam a preparar cargas para 2027. Apesar da sinalização positiva do Uruguai, o ponto central permanece o mesmo: Pequim precisa concordar com a operação. Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, destaca que a gestão das cotas é responsabilidade das autoridades chinesas e que o Brasil já buscou anteriormente uma flexibilização das regras sem sucesso. O alerta atualizado da Safras & Mercado reforça essa cautela. Além da anuência chinesa, seria necessário estabelecer um mecanismo que permita contabilizar carne de origem brasileira dentro do volume originalmente destinado ao Uruguai. Por isso, a consultoria recomenda tratar as 80 mil toneladas como uma possibilidade, e não como oferta adicional já garantida ao Brasil. Mesmo que a autorização chinesa seja concedida, existe outro desafio: o tempo. O trânsito marítimo entre Brasil e China leva aproximadamente 45 a 60 dias. Dessa forma, outubro seria praticamente a única janela segura para concentrar embarques com possibilidade de internalização da carne ainda em 2026. A partir de novembro, cresce consideravelmente o risco de a mercadoria chegar apenas em 2027. Quanto mais tarde vier uma eventual autorização chinesa, menor será a possibilidade de utilização integral das 80 mil toneladas ainda neste ano.
COMPRE RURAL
ECONOMIA
Dólar fecha estável ante real em meio à expectativa de acordo entre EUA e Irã
Após oscilar em margens estreitas, o dólar fechou a terça-feira próximo da estabilidade ante o real, em uma sessão marcada pela expectativa de que EUA e Irã possam chegar a um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio.
O dólar à vista encerrou a sessão com variação negativa de 0,08%, a R$5,1040. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 7,01%. Às 17h03, o dólar futuro para outubro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,21% na B3, aos R$5,1115. O Copom defendeu na ata a manutenção do nível restritivo da taxa básica Selic, hoje em 13,75%, diante da pressão da demanda, ainda que se observe um arrefecimento da atividade econômica, do crédito e da inflação. “Embora a política monetária esteja contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação, a inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo que a política monetária mantenha caráter restritivo”, afirmou o BC. Ao analisar o documento, a economista-chefe da SulAmerica Investimentos, Natalie Victal, citou um “ganho de convicção na desaceleração da atividade”. Para Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, a ata indicou que o Copom está confiante no processo de desinflação da economia. “Apesar do nosso cenário base ser de manutenção da taxa de juros no patamar atual de 13,75% até o final do ano, entendemos que a ata de hoje aponta para uma maior inclinação do Copom seguir afrouxando a Selic nas próximas reuniões, impondo um viés baixista para a nossa projeção”, disse Lin em comentário escrito. Durante o restante da manhã e à tarde, porém, a moeda norte-americana perdeu força gradativamente, virando para o negativo, ainda que as oscilações fossem limitadas. O movimento ocorreu em meio à expectativa de que EUA e Irã possam chegar a um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio. Na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse acreditar em um acordo com o Irã apenas depois das eleições legislativas norte-americanas, em novembro. Ao mesmo tempo, afirmou que pode “aniquilar a República Islâmica” se um acordo de paz não for alcançado. Após o discurso, Trump disse a repórteres que autoridades dos dois países tiveram uma reunião “muito boa”, de três horas, na terça-feira. Às 16h35, já após os comentários de Trump, o dólar à vista atingiu a cotação mínima de R$5,0976 (-0,20%), para depois retornar para perto da estabilidade. “O dólar passou por oscilações durante o dia, mas manteve-se em um patamar comportado e refletindo a menor aversão ao risco por parte dos investidores frente ao cenário externo”, disse à tarde Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, em comentário escrito.
REUTERS
Ibovespa fecha em alta após dia volátil, com melhora externa
Indicação do presidente americano, Donald Trump, de que os Estados Unidos estão avançando em direção a um acordo com o Irã ajuda a alimentar maior apetite por risco
Depois de passar a metade do pregão no campo negativo, o Ibovespa mudou de direção durante a tarde após a indicação do presidente americano, Donald Trump, de que os Estados Unidos estão avançando em direção a um acordo com o Irã, o que ajudou a alimentar um maior apetite por risco nos mercados acionários. A melhora no ambiente externo ocorreu mesmo depois de Trump ter ameaçado “aniquilar” o Irã e “empurrá-lo para o inferno” durante a manhã. Com a virada no humor dos mercados durante a tarde, as blue chips também ganharam força, o que ajudou a intensificar os ganhos do índice. Com isso, após variar entre os 184.977 pontos e os 187.672 pontos, o Ibovespa fechou em alta de 0,44%, aos 187.423 pontos. Entre as blue chips, as PN do Bradesco foram destaque de alta, ao subir 1,49%. Da mesma forma, as preferenciais da Petrobras avançaram 0,73%, ao passo que as ON da Vale ganharam 0,39%. Na ponta contrária, as ordinárias do Banco do Brasil lideraram as perdas, com recuo de 1,39%. Ações de petroleiras chegaram a liderar as maiores perdas do Ibovespa ao longo da sessão, mas viraram e passaram a ficar entre os maiores ganhos, caso da Brava. No fim, as ON da companhia subiram 2,82%, na contramão do recuo nos contratos futuros do Brent para novembro, que voltaram a fechar abaixo de US$ 100 por barril. “Uma normalização mais consistente do fluxo por [Estreito de] Ormuz reduziria a pressão sobre a inflação e poderia permitir uma descompressão adicional das curvas de juros, especialmente após a forte alta observada nas últimas semanas”, destacou a Monte Bravo, em nota. O dia também foi marcado pelas declarações de Lula na abertura da Assembleia da ONU, de que não cederá a pressões de multinacionais sobre o Pix e endurecerá o tom contra as bets. Ainda assim, a reação dos mercados ao discurso de Lula e ao de Trump foi bastante tímida. Embora o cenário externo tenha pesado mais sobre o cenário local hoje, as eleições permaneceram no foco dos agentes, com apenas nove pregões antes do pleito, em 4 de outubro. Para a Monte Bravo, a disputa segue extremamente apertada.
VALOR ECONÔMICO
Arrecadação federal ultrapassa R$ 2 trilhões em oito meses
O governo federal acumula arrecadação de R$ 2,019 trilhões, de janeiro a agosto de 2026, segundo dados divulgados na terça-feira (22) pela Receita Federal. Além da inflação medida pelo IPCA, para o período, o valor representa crescimento de 7,12% na comparação com os mesmos oito meses de 2025.
Em agosto, a arrecadação federal alcançou R$ 235,5 bilhões. O valor representa alta acima de inflação de 8,25% em relação a agosto do último ano. Desse total, R$227,8 bilhões arrecadados são administrados pela Receita Federal, excluídos os fatores não recorrentes e de alterações na legislação. De acordo com análise divulgada pelo órgão, os acréscimos são resultado do aumento na arrecadação da contribuição para a Previdência Social, Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), que reflete o aumento das vendas. Também o avanço nas arrecadações do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), além do desempenho da arrecadação do Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), foi determinante nos resultados apresentados. Neste mês, o Imposto de Exportação sobre óleo bruto também teve destaque entre os fatores que alavancaram os resultados, com arrecadação de R$1,9 bilhão em agosto, o que resultou no acumulado de R$9,9 bilhões de janeiro a agosto de 2026.
AGÊNCIA BRASIL
Governo reduz para 2% o crescimento do PIB e espera inflação menor em 2026
O Ministério da Fazenda reduziu sua projeção oficial para o crescimento da economia em 2026, de 2,3% para 2%, e cortou a estimativa de inflação de 5,1% para 4,9%. As novas projeções, divulgadas na terça-feira (22) no Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica (SPE), indicam desaceleração da atividade econômica nos setores de serviços e indústria. A inflação, apesar da melhora, deva continuar acima do teto da meta.
A atividade econômica de 2026 deve crescer 2%, abaixo do esperado. A revisão na estimativa do PIB (Produto Interno Bruto), de 2,3% para 2,0%, foi motivada por uma piora nas projeções para os setores de serviços (de 2,4% para 1,8%) e indústria (de 2,1% para 1,7%), parcialmente compensada por melhora na agropecuária (de 1,8% para 2,8%). A desaceleração é resultado da “transmissão defasada da política monetária sobre a demanda doméstica”. O boletim indica que o efeito dos juros altos sobre o consumo e o investimento está sendo mais sentido. O comprometimento da renda das famílias “atingiu o maior nível da série histórica no segundo trimestre, o que limita a conversão do avanço da massa de rendimentos em consumo”, diz o texto. A projeção de inflação para 2026 recuou para 4,9%, mas ainda supera a meta. A revisão para baixo reflete resultados melhores que o esperado para os preços de alimentos no domicílio e de alguns serviços até julho. Mesmo com a melhora, a estimativa do governo para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) continua acima do limite máximo de 4,5% perseguido pelo Banco Central (meta de 3% com tolerância de 1,5 ponto). Para o INPC, usado no reajuste do salário-mínimo, a projeção caiu de 5,3% para 5,1%. A Fazenda, no entanto, alerta para fatores de risco que podem pressionar os preços, como o fenômeno El Niño e a alta do petróleo devido a conflitos internacionais, que “elevou as incertezas quanto aos efeitos de segunda ordem da alta do preço do petróleo sobre outras cadeias produtivas”, diz a SPE. Para 2027, o governo projeta um crescimento menor, com inflação maior. O boletim também ajustou as expectativas para o ano que vem, revisando o crescimento do PIB de 2,5% para 2,3% e elevando a projeção de inflação de 3,6% para 3,8%. A piora no cenário de preços de 2027 é justificada “refletindo os efeitos de um El Niño mais intenso sobre a safra do próximo ano”. O documento também projeta possível reversão no ciclo pecuário que pode encarecer as carnes. A atividade econômica mais fraca, por sua vez, reflete um ciclo de queda de juros “marginalmente mais gradual do que o previsto anteriormente”, o que adia parte da recuperação da economia para os anos seguintes. A alta internacional do petróleo deixou de ser um movimento pontual para se tornar persistente. De acordo com Débora Freire, secretária de Política Econômica, o preço do barril de Brent superou os US$ 100, bem acima da média anual de US$ 79 prevista anteriormente. A queda rápida nos estoques de petróleo eleva o prêmio de risco e pressiona juros de longo prazo. A secretária explicou que o cenário global é de incerteza e exige o monitoramento constante das decisões econômicas. A forte emissão de dívidas ligadas à IA nos EUA gera uma expressiva concorrência por poupança. Esse ciclo de investimentos na área de tecnologia pressiona os custos e as taxas de juros de longo prazo americanas. A política do Fed (Federal Reserve) de elevar as taxas de juros reflete diretamente no custo do dinheiro de outros países. A expectativa do banco central norte-americano é que ocorra mais um aumento de juros ainda este ano. A perda de ritmo da economia da China causa uma reação no mercado do Brasil. “Para nós o efeito é misto: deve tornar mais barata a importação de máquinas e equipamentos, mas o crescimento concentrado nesses setores na China desaquece a exportação de commodities”, afirmou Freire. A desaceleração da economia do país deve continuar ao longo do terceiro trimestre. Freire avaliou o resultado do segundo trimestre como “uma atividade no segundo trimestre em desaceleração em razão dos efeitos defasados da política monetária”. A produção agropecuária nacional começa a dar sinais de estabilização. “A gente está esperando, portanto, desaceleração [do setor] no terceiro trimestre”, projetou a secretária de Política Econômica.
MINISTÉRIO DA FAZENDA
Varejo brasileiro cresce 7% em agosto, diz Stone
As vendas no varejo brasileiro em agosto foram 7% maiores do que o registrado no mesmo mês do ano passado, e cresceram 0,5% na comparação com julho, segundo dados divulgados pela empresa de meios de pagamento Stone na terça-feira (22).
De acordo com o levantamento mensal da empresa, cinco dos oito segmentos analisados apresentaram crescimento de vendas em agosto. O maior avanço foi observado na categoria de Combustíveis e Lubrificantes (2,7%), seguido por Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo (1,6%). Já no comparativo anual, sete dos oito segmentos analisados apresentaram alta. Assim como na base mensal, os maiores avanços foram observados em Combustíveis e Lubrificantes (15,2%) e Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo (8,5%). Olhando para as regiões do país, 25 estados apresentaram crescimento em agosto, na comparação anual, sendo o maior avanço no Amazonas (21,8%). Ao mesmo tempo, dois estados registraram queda, sendo eles: Espírito Santo (0,4%) e Rio Grande do Sul (1,6%).
REUTERS
INTERNACIONAL
Carne bovina da Argentina supera em US$ 1.000 o preço obtido pelo Brasil no exterior
Em agosto/26, a proteína in natura argentina atingiu valor médio de US$ 7.114/t no mercado internacional, 15,4% acima da cotação média de exportação do produto brasileiro, de US$ 6.166/t
O preço médio de exportação de carne bovina in natura da Argentina tem registrado avanços significativos ao longo de 2026, bem superiores aos observados para a carne bovina brasileira no mesmo período. Em agosto/26, a carne bovina resfriada e congelada exportada pela Argentina atingiu um valor médio de US$ 7.114 por tonelada, 28,5% acima do preço médio alcançado em igual mês de 2025, de US$ 5.537 por tonelada, de acordo com dados do Consórcio de Exportadores de Carnes Argentinas (ABC). Por sua vez, a cotação média da carne bovina in natura embarcada pelo Brasil em agosto/26 ficou em US$ 6.166/tonelada, com acréscimo de 10,1% em relação ao resultado médio de agosto/25, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Portanto, na comparação entre os preços obtidos pelos dois países no mercado internacional de carne bovina, os frigoríficos argentinos recebem 15,4% (ou quase US$ 1.000/tonelada a mais) pela mercadoria exportada. Ambos os países têm, historicamente, a China como o principal comprador mundial de carne bovina. Em agosto/26, a China pagou, em média, US$ 5.960 pela tonelada da carne in natura argentina, enquanto o Brasil recebeu US$ 5.725/tonelada. Segundo o Consórcio ABC, ao longo de 2025, iniciou-se uma recuperação gradual nos preços da carne bovina argentina, que levou a um pico de quase US$ 7.300 por tonelada em maio de 2026. No entanto, após o pico de aproximadamente US$ 6.300 por tonelada registrado em abril de 2022, os valores iniciaram uma tendência de queda até atingirem um patamar mínimo próximo a US$ 3.740 em meados de 2024. Em agosto/26, a Argentina embarcou 72.900 toneladas de carne bovina resfriada e congelada, totalizando um valor próximo a US$ 518,4 milhões, segundo dados do Consórcio ABC. Em relação a agosto de 2025, os embarques cresceram apenas 0,4%, mas a receita em divisas aumentou 29,1%, refletindo justamente a forte recuperação dos preços internacionais da carne argentina. A China mantém uma participação determinante no comércio exterior de carne bovina argentina. Durante o mês de agosto, foram enviadas ao país asiático 18.100 toneladas de carne com osso e ossos bovinos provenientes da desossa; no total, a China concentrou 59,1% dos volumes exportados no último mês. Entre janeiro e agosto deste ano, as exportações de carne bovina resfriada e congelada da Argentina totalizaram 476.700 toneladas, gerando receita de US$ 3.290,8 milhões. Em comparação com os primeiros oito meses de 2025, os volumes cresceram 5,9%, enquanto o valor obtido aumentou 39,8%.
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