
Ano 11 | nº 2801 | 21 de setembro de 2026
NOTÍCIAS
Boi China e boi gordo sobem 1,4% na semana
Vaca e novilha acumulam alta de 1,5% na semana
O mercado do boi gordo encerrou a semana com cotações estáveis em São Paulo, após dois dias consecutivos de alta. Segundo dados divulgados pelo informativo “Tem Boi na Linha” desta sexta-feira (18), a oferta controlada de gado e a demanda consistente deram sustentação aos preços ao longo da semana, apesar da cautela dos compradores. Na sexta-feira, o mercado registrou poucas negociações, mas permaneceu firme. Na comparação diária, os preços ficaram estáveis para todas as categorias. Considerando a variação semanal, as cotações do boi gordo e do “boi China” avançaram 1,4%. Para vaca e novilha, a alta foi de 1,5%, segundo dados divulgados pelo “Tem Boi na Linha”. De forma geral, a oferta de fêmeas esteve menor que a de machos. Esse cenário contribuiu para sustentar um ágio menor entre as categorias. As escalas de abate atendiam, em média, a sete dias. Também foram registrados negócios pontuais acima das referências para o boi gordo e a novilha. Apesar dos valores acima das referências, os negócios foram poucos e, segundo dados divulgados pelo “Tem Boi na Linha”, não caracterizavam uma nova referência de mercado. No Tocantins, o mercado iniciou a sexta-feira com cotações estáveis, após as altas registradas no dia anterior, 17 de setembro, e ao longo da semana. A oferta atendia à demanda, mas sem excedentes. Mesmo assim, havia dificuldades para alongar as escalas de abate, enquanto a postura firme da ponta vendedora ajudava a manter a sustentação do mercado. As escalas de abate no estado atendiam, em média, entre cinco e oito dias, segundo dados divulgados pelo “Tem Boi na Linha”. Em Alagoas, o mercado permaneceu firme e em alta. Na comparação diária, a cotação subiu R$ 3,00 por arroba para o boi gordo e para a novilha. Para a vaca, os preços ficaram estáveis, segundo dados divulgados pelo informativo. O cenário observado no encerramento da semana mostra um mercado sustentado pela oferta controlada de animais e pela demanda consistente, enquanto os compradores mantêm uma postura mais cautelosa. Em São Paulo, mesmo com a estabilidade na sexta-feira, as cotações acumularam alta ao longo da semana nas quatro categorias acompanhadas.
SCOT CONSULTORIA
Boi gordo: Negociações continuam acima da referência média por conta de restrições na oferta
O mercado físico do boi gordo encerrou a semana apresentando negociações acima da referência média em boa parte do país.
Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, a restrição de oferta tem sido um elemento importante para justificar tal comportamento, uma vez que a demanda, tanto nas exportações quanto no mercado doméstico, apresenta limitações. “Os frigoríficos de maior porte ainda dispõem de escalas mais confortáveis, contando com a incidência de animais de parceria, somado a utilização de confinamentos próprios. Para a situação dos frigoríficos menor porte o quadro é mais complicado, com escalas de abate mais encurtadas”, disse. Preços do boi gordo: São Paulo: R$ 354,71. Goiás: R$ 343,89. Minas Gerais: R$ 340,53. Mato Grosso do Sul: R$ 348,55. Mato Grosso: R$ 332,12. O mercado atacadista apresentou elevação em seus preços no decorrer da sexta-feira, em um ambiente de negócios que sugere por menor espaço para novos reajustes no curto prazo, considerando que a próxima semana não possui grande apelo ao consumo. Além disso, a carne bovina ainda apresenta menor competitividade frente as proteínas concorrentes, em especial na comparação com os cortes do frango. Quarto dianteiro: R$ 20,50 por quilo, alta de R$ 1,00. Traseiro bovino: permanece a R$ 27,50 por quilo. Ponta de agulha: R$ 19,00 por quilo, alta de R$ 0,50.
SAFRAS NEWS
Alta nas cotações na região de Dourados (MS)
Retenção sustenta alta na cotação.
A oferta de bovinos na região de Dourados está reduzida. As chuvas na última semana beneficiaram a qualidade do pasto, permitindo ao pecuarista segurar a boiada e negociar a preços mais firmes. Desta forma, na comparação semanal, houve alta para o boi gordo, a vaca e a novilha. Para o boi gordo e para a novilha, as cotações subiram 0,6%, ou R$2,00/@, negociadas, em média, em R$341,50 e R$331,50, respectivamente. Para a vaca, a alta foi de 1,6%, ou R$5,00/@, negociada em R$324,50/@. O diferencial de base está em R$3,00/@, ou 0,9% menor, com a arroba do boi gordo em São Paulo cotada em R$344,50. Todos os preços são a prazo, descontados o Senar e o Funrural. Para o curto prazo, a expectativa é de alta.
SCOT CONSULTORIA
União Europeia oficializa retirada de couros e peles bovinas do EUDR
Norma publicada no dia 17 no Jornal Oficial da União Europeia retira oficialmente do escopo do Regulamento Europeu contra o Desmatamento (EUDR) couros e peles bovinas (códigos 4101, 4104 e 4107), abrangendo o produto em todos os estágios.
A regra entrou em vigor no dia18, informou em comunicado o Centro da Indústria de Curtumes do Brasil (CICB). A medida consta do Regulamento Delegado (UE) 2026/2102, de 13 de julho de 2026, que altera a lista de produtos abrangidos pelo EUDR. O CICB afirmou que a exclusão do couro do EUDR foi uma pauta trabalhada pelo Centro, pelo projeto Brazilian Leather e por associados. “O couro do Brasil participou de inúmeras ações, articulações e projetos para este fim nos últimos anos e recebe a oficialização da retirada do regulamento como um marco para o setor”, destacou.
ESTADÃO
ECONOMIA
Dólar fecha sessão sem gatilhos perto da estabilidade
O dólar fechou a sexta-feira próximo da estabilidade no Brasil, em paralelo à perda de força da moeda norte-americana ante outras divisas durante a tarde, em uma sessão sem gatilhos fortes para as cotações.
O dólar à vista encerrou a sessão com variação positiva de 0,11%, a R$5,1451. Na semana, a divisa acumulou alta de 0,39% e, no ano, baixa de 6,27%. Às 17h05, o dólar futuro para outubro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 0,36% na B3, aos R$5,1585. Na sexta-feira os investidores digeriram nova pesquisa do Datafolha mostrando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 46% das intenções de voto no segundo turno, contra 44% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os percentuais são os mesmos da pesquisa da semana anterior e indicam empate técnico, já que a margem de erro é de 2 pontos percentuais. No meio da manhã, o Banco Central vendeu US$1 bilhão em leilão de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) para 2 de abril de 2027. Com a operação, o BC deu liquidez ao mercado à vista em um momento de fluxo de saída de dólares do país, antes das eleições de outubro. Os dados mais recentes do BC mostram que em setembro até o dia 11 já saíram do Brasil US$5,987 bilhões líquidos, sendo que cerca de 90% foram pelo canal financeiro — que reflete operações em carteira e remessas de lucros, entre outras. No fim da manhã, sem efeito nas cotações, o BC vendeu 50.000 contratos de swap para rolagem do vencimento de 1º de outubro. No exterior o dólar sustentou ganhos ante boa parte das demais divisas durante a manhã, mas ao longo da tarde a moeda perdeu força, em movimento percebido também no Brasil. Às 17h08, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,06%, a 100,190.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda e acumula primeira perda semanal desde agosto
O Ibovespa fechou com queda modesta na sexta-feira, acumulando a primeira perda semanal desde meados de agosto, com investidores ajustando apostas. No setor de proteínas, MINERVA ON avançou 4,46%, em sessão de recuperação após quatro quedas seguidas, período em que acumulou declínio de 7,75%. No setor, MBRF ON subiu 1,08%.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,41%, a 185.229,17 pontos, na sessão, acumulando um declínio de 1,06% na semana. No dia, alcançou 185.991,47 pontos na máxima. Na mínima, marcou 184.460,91. O volume financeiro somou R$38,37 bilhões, influenciado ainda pelo vencimento de opções sobre ações na bolsa paulista. Com o cenário eleitoral seguindo sob os holofotes, investidores também voltaram as atenções para eventos como o primeiro aumento de juros nos Estados Unidos desde 2023 e o corte na taxa Selic no Brasil nos últimos dias. Na visão do economista e CEO da Corano Capital, Bruno Corano, o investidor está recalibrando preços diante de fatores como mais incerteza eleitoral, preocupação fiscal, juros globais menos favoráveis. Na cena política, nova pesquisa publicada na noite de quinta-feira reforçou o quadro disputado na corrida presidencial no país. De acordo com o Datafolha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 46% das intenções de voto em um eventual segundo turno na eleição presidencial de outubro, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) soma 44%. Os percentuais são os mesmos da semana passada e mantêm os candidatos em empate técnico, dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais, mostrou a pesquisa divulgada na noite de quinta-feira. Nessa semana, também trouxe desconforto quanto às perspectivas fiscais o anúncio do reajuste do Bolsa Família na véspera. No exterior, último pregão da semana registrou alta nos rendimentos dos títulos de 10 anos do Tesouro dos Estados Unidos, o que corroborou a fraqueza na bolsa paulista, enquanto o S&P 500 subiu 0,17%. Dados da B3 mostraram saída líquida de estrangeiros das ações brasileiras no último dia 16, reduzindo o saldo positivo acumulado em setembro para R$6,287 bilhões, de R$7,251 bilhões até o dia 15.
REUTERS
Segunda prévia sinaliza IGP-M de setembro próximo a 1,5%, diz André Braz, da FGV
Após cair 0,36% na segunda prévia de agosto, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) subiu 1,47% na segunda prévia de setembro, informou na sexta-feira (18) a Fundação Getulio Vargas (FGV). Foi a maior taxa desde abril (2,64%).
O desempenho foi impulsionado por aumentos de preços no atacado e no varejo, disse André Braz, economista da fundação. Para o técnico, a segunda prévia sinaliza um resultado próximo a 1,5% para o indicador completo do mês. Em agosto, o IGP-M caiu 0,22%. A variação de preços no atacado, 60% do indicador, foi o “carro-chefe” da edição de setembro do índice, comandando o aumento de preços, completou. Da segunda prévia de agosto para igual medição em setembro, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que representa o setor atacadista, saiu de uma queda de 0,50% para um avanço de 1,95%. Contribuíram para tal movimento os aumentos de preços nas principais commodities usadas para cálculo do indicador. É o caso de soja em grão (6,80%), minério de ferro (3,09%), carne bovina (4,92%), farelo de soja (10,08%) e milho em grão (4,37%). “Produtos agrícolas e industriais igualmente avançaram [de preço]”, resumiu ele. “O IP está com pressão [inflacionária] bem espalhada”, notou. Outro segmento que impulsionou a segunda prévia de setembro foi o varejo, 30% do indicador. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) saiu de uma queda de 0,49% para uma alta de 0,47% entre a segunda prévia de agosto e igual prévia em setembro. Isso porque não se tem mais efeito de energia elétrica mais barata, fenômeno observado em agosto causado pelo “bônus de Itaipu”, comentou. Esse é um desconto automático, aplicado na conta de luz, que devolve aos consumidores excedentes financeiros gerados por operação da usina hidrelétrica binacional de Itaipu. Assim, a tarifa de energia elétrica residencial saiu de uma queda de 8% para uma alta de 8,68% da segunda prévia de agosto para igual prévia em setembro. Também contribuíram para o IPC maior altas de preços em condomínio residencial (1,70%), tomate (13,22%) e cigarros (7,80%), acrescentou. Como as influências que estão empurrando para cima a segunda prévia não devem sumir até o fim do mês, o especialista não descartou continuidade de aumentos de preços no período – contribuindo, assim, com a elevação do IGP-M de setembro. “Daqui até o fechamento, a taxa não deve mudar muito. O IGP deve fechar em torno de 1,5% como antecipa a segunda prévia”, afirmou.
VALOR ECONÔMICO
Governo vê dívida pública perto de 90% do PIB em 2029 e acima disso se perseguir piso da meta
Estimativas foram enviadas como informação complementar à proposta de Orçamento de 2027. Governo atribui piora ao cenário de juros mais altos e diz manter compromisso com busca de superávit
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) revisou suas projeções de dívida pública e agora vê o indicador perto dos 90% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2029, ou até acima desse patamar caso o resultado das contas fique no piso inferior da meta fiscal nos próximos anos. As novas estimativas constam nas informações complementares do PLOA (Projeto de lei Orçamentária Anual) de 2027, encaminhadas ao Congresso na sexta-feira (18). O documento reúne demonstrativos, planilhas e dados que dão suporte à peça orçamentária. Pelos cálculos do Tesouro Nacional, o próximo mandato de presidente da República também será marcado pela alta no endividamento, ainda que menos intensa do que o observado na atual gestão. Segundo as projeções, a DBGG (dívida bruta do governo geral), um dos principais indicadores de solvência de um país, deve subir seis pontos percentuais nos próximos quatro anos, chegando a 89,7% do PIB em 2030. Um ano antes, o endividamento já encosta nos 90% do PIB, com uma estimativa de 89,6% do PIB. O atual mandato de Lula deve se encerrar com uma expansão de 12 pontos percentuais na dívida bruta, que fechará o ano em 83,7% do PIB, segundo as novas previsões. A equipe econômica atribui a piora dos últimos anos à regularização de despesas represadas no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), como as sentenças judiciais (precatórios), e à alta na taxa básica de juros, a Selic, que afeta diretamente a remuneração de metade dos títulos de dívida emitidos pelo governo. O cenário projetado pelo Tesouro é mais desfavorável que o traçado pelo órgão no fim de junho, no RPF (O Relatórios de Projeções Fiscais). Naquela ocasião, a previsão era que a DBGG alcançasse o pico de 87,9% do PIB em 2029. Procurado, o Ministério da Fazenda disse que a revisão se deve à incorporação de taxas de juros mais altas ao cenário para os próximos anos. “Não houve alteração relevante nas hipóteses fiscais. Em particular, a mudança não decorre de aumento das despesas primárias nem de qualquer flexibilização do compromisso fiscal do governo federal”, afirmou.
FOLHA DE SP
Agroindústria teve recuo de 2,9% em julho
Indicador da FGV Agro mostra retração na maioria dos segmentos em relação a 2025. Indústria de alimentos de origem vegetal teve queda de 3,8% no período
A produção da agroindústria registrou contração de 2,9% em julho de 2026, em relação ao mesmo mês do ano passado, acompanhando a queda da atividade da indústria brasileira como um todo. O dado é do Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), elaborado pelo Centro de Estudos do Agronegócio da FGV (FGV Agro). O número é decorrência dos juros altos e do esgotamento do modelo de crescimento puxado pelo consumo das famílias, segundo o FGV Agro. A retração foi generalizada entre os diferentes segmentos agroindustriais, com poucas exceções. O pior desempenho foi registrado no ramo de produtos não alimentícios, que apresentaram uma queda conjunta de 4,5%. O segmento que puxou essa queda foi o de insumos agropecuários, cuja atividade registrou recuo de 20,8%. É uma indústria que vem sofrendo tanto com a restrição de crédito e de liquidez por parte dos produtores rurais como por dificuldades na obtenção e custos de insumos. Na comparação anual, os destaques foram as quedas na produção de insumos intermediários para fe4rtilizantes, adubos e fertilizantes, defensivos e tratores e máquinas agrícolas. Outra agroindústria que registrou retração foi a de produtos têxteis, cuja produção caiu 6,7% no mês. Nesse ramo, houve queda na produção de fibras, na tecelagem, na fabricação de tecidos de malha, de artefatos têxteis, de vestuário, de artigos de malha, de curtimento de couro e de calçados. Houve ainda queda de 0,1% entre as indústrias de produtos florestais, com menor fabricação de produtos de madeira e embalagens, ofuscando a alta do setor de papel e celulose. O desempenho do segmento de não alimentícios só não foi pior devido às performances das produções de biocombustíveis e de fumo, que cresceram 6,1% e 23,6%, respectivamente. As indústrias de biocombustíveis estão com produção aquecida com a maior safra de cana-de-açúcar e novas usinas de etanol de milho. O segmento de produtos alimentícios e bebidas, por sua vez, registrou uma queda agregada de 1,6% em julho, puxada pela menor produção de alimentos em geral (baixa de 2,6%), enquanto a produção de bebidas teve um aumento de 5%. A indústria de alimentos de origem vegetal foi a que teve o pior desempenho nesse setor, com queda de 3,8%, puxada pela redução na moagem de trigo e pela menor fabricação de açúcar refinado, já que a safra de cana-de-açúcar está mais voltada para a produção de etanol. Já a produção de alimentos como conservas e sucos, óleos e gorduras, arroz e café registraram expansão. As indústrias de alimento de origem animal tiveram retração de 1,7%, resultado da queda na produção de carne bovina e de pescados. Segundo o FGV Agro, o setor de carne bovina já deve ter começado a sentir em julho os impactos do preenchimento da cota chinesa de importação de 1,106 milhão de toneladas, que entraram no país sem a tarifa adicional de 55%. A China é o principal destino de exportação da carne brasileira. Já no segmento de bebidas, houve alta na produção tanto de bebidas alcoólicas com não alcoólicas, de 6,8% e 3,3% respectivamente. A despeito da retração generalizada na comparação anual, o FGV Agro observou que o desempenho da agroindústria em julho foi melhor do que no mês anterior. Mesmo considerando os ajustes sazonais, a atividade do setor cresceu 0,4% na comparação mensal. Mas, no acumulado do ano, a agroindústria já recuou 0,8%.
VALOR ECONÔMICO
SUÍNOS
Produção de carne suína cresce acima das exportações e mantém pressão sobre preços
Embarques aumentaram 7,5% até agosto, mas não absorveram o aumento da oferta. USDA prevê alta de 8,4% na produção brasileira em 2026 e de 1,9% em 2027.
As exportações brasileiras de carne suína mantiveram desempenho positivo em 2026, mas o crescimento dos embarques ainda não foi suficiente para retirar o excesso de oferta do mercado interno. Segundo o Agro Mensal de setembro, da Consultoria Agro do Itaú BBA, os embarques cresceram 7,5% no acumulado até agosto, enquanto a expansão da produção mantém os preços da carne e do suíno vivo sob pressão. Em agosto, o Brasil exportou 115 mil toneladas de carne suína in natura, volume praticamente estável em relação aos dois meses anteriores, mas 6,9% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. Apesar do avanço anual, o ritmo das vendas externas não acompanhou o crescimento da disponibilidade doméstica. O resultado mantém o mercado em busca de um ponto de equilíbrio. Com mais carne disponível internamente, a demanda externa precisaria crescer de forma mais consistente para reduzir os excedentes e abrir espaço para uma recuperação das margens dos produtores. Para o Itaú BBA, uma redução da produção poderia contribuir para diminuir os excedentes e melhorar a rentabilidade da atividade. Até o momento, porém, não há sinais claros de que esse ajuste esteja em andamento. A questão ganha peso diante dos investimentos previstos para ampliar a capacidade produtiva nos próximos anos. Com mais capacidade de produção, o mercado dependerá de crescimento adicional da demanda para absorver os volumes, principalmente no exterior. A perspectiva indica que o desempenho das exportações terá papel cada vez mais relevante para o equilíbrio da cadeia. O crescimento dos embarques observado até agosto é positivo, mas ainda não compensou o aumento da oferta brasileira. No curto prazo, a demanda interna pode oferecer algum alívio às cotações. Os preços elevados da carne bovina e, em menor intensidade, do frango em relação à carne suína podem favorecer a procura pelo produto. A sazonalidade também pode ajudar. O consumo de proteínas costuma ganhar força no fim do ano, período em que a demanda doméstica pode contribuir para reduzir parte da oferta disponível e dar suporte aos preços. O Itaú BBA, porém, avalia que esses fatores não devem provocar uma recuperação acentuada das cotações. Com os preços em níveis baixos e a oferta em expansão, a expectativa é de melhora gradual, sem correção expressiva dos desequilíbrios atuais. As projeções do escritório do USDA no Brasil reforçam a perspectiva de continuidade da expansão produtiva. A estimativa é de crescimento de 8,4% da produção brasileira de carne suína em 2026 e de mais 1,9% em 2027. Com esse avanço, a produção deve chegar a 5,25 milhões de toneladas no próximo ano. No comércio exterior, o USDA projeta exportações de 1,8 milhão de toneladas em 2026, alta de 5% em relação a 2025. Para 2027, a previsão é de crescimento adicional de 2,8%. Os números indicam que as exportações devem continuar avançando, mas também que a cadeia precisará de expansão sustentada da demanda para acompanhar o aumento da capacidade produtiva. Sem esse crescimento, o excesso de oferta tende a continuar limitando a recuperação dos preços e das margens.
O PRESENTE RURAL
FRANGOS
Frango/Cepea: Maior demanda pela carne impulsiona cotação do vivo
Os preços do frango vivo comercializado no estado de São Paulo têm apresentado forte reação neste mês. Segundo o Cepea, o avanço está atrelado à aquisição mais ativa de lotes extras de animais por parte da indústria para atender ao incremento da demanda pela carne na ponta final.
De acordo com agentes consultados pelo Centro de Pesquisas, inclusive, a primeira quinzena de setembro foi uma das mais positivas dos últimos meses em termos de incremento no volume de vendas e nas cotações.
CEPEA
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