
Ano 11 | nº 2688 | 09 de abril de 2026
NOTÍCIAS
Cotações firmes e estáveis no mercado do boi gordo em São Paulo
Escalas curtas e expectativa de melhora no consumo sustentaram o mercado, com negócios pontuais acima da referência.
A cotação de todas as categorias ficou estável. No entanto, com as escalas curtas e a expectativa de melhora no consumo de carne no mercado interno, impulsionada pela entrada dos salários, alguns frigoríficos passaram a buscar alternativas para ampliar suas programações, oferecendo mais pela arroba dos bovinos terminados. Com isso, alguns negócios foram registrados acima dos preços vigentes, ainda que sem volume suficiente para se tornarem referência. Caso essa estratégia fosse mantida, o viés seria de alta no curto prazo, condicionado ao desempenho das vendas de carne. Para os frigoríficos voltados à exportação, as negociações ocorreram com maior regularidade, visando assegurar o cumprimento dos compromissos. As escalas de abate atendiam média, a sete dias. Na Bahia, o mercado esteve firme e a cotação de referência não mudou. A oferta era enxuta, mas atendia à demanda, sem excedentes. As escalas de abate atendiam, em média, a sete dias. Na exportação de carne bovina in natura, o volume exportado em março foi recorde para o mês, com 233,9 mil toneladas embarcadas, aumento de 8,7% em relação a março de 2025, até então o recordista, quando foram exportadas 215,2 mil toneladas. A média diária de embarque foi de 10,6 mil toneladas. A cotação média da tonelada ficou em US$5,8 mil, alta de 18,7% na comparação com o mesmo período de 2025, tornando-se o segundo melhor mês de março em termos de preço por tonelada de carne, ficando atrás apenas de março de 2022. Com o bom desempenho dos embarques e os bons preços pagos por tonelada, março de 2026 também foi o melhor mês entre seus pares em termos de faturamento, alcançando US$1,4 bilhão, 29,0% superior ao faturado em março de 2025. Até o momento, este também é o maior faturamento de 2026.
SCOT CONSULTORIA
Oferta restrita sustenta preços do boi gordo e leva frigoríficos a reduzir abates
Disponibilidade limitada de animais mantém preços firmes, encurta escalas de abate e leva indústria a reduzir o ritmo de produção
O mercado físico do boi gordo ainda registra negócios pontuais acima da média de referência, em um cenário marcado pela oferta restrita, que mantém as escalas de abate encurtadas na maior parte do país. Diante da disponibilidade limitada de animais, frigoríficos começam a ajustar suas estratégias, com redução no ritmo de abates e até a possibilidade de concessão de férias coletivas em algumas unidades. Quando se observa a exportação, o mercado ainda está atento a progressão da cota chinesa como elemento chave para a atual temporada, em caso de rápido esgotamento haverá maior dificuldade durante o terceiro trimestre, disse o analista da Consultoria Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias. No mercado externo, a atenção se volta para o avanço da cota chinesa, considerada fator decisivo para o desempenho da temporada. Segundo o analista da Consultoria Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, em caso de rápido esgotamento haverá maior dificuldade durante o terceiro trimestre. Referência média da arroba do boi gordo: em São Paulo, a referência média para a arroba do boi ficou em R$ 366,75, na modalidade à prazo. Em Goiás, a indicação média foi de R$ 351,43 para a arroba do boi gordo. Em Minas Gerais, a arroba teve preço médio de R$ 352,65. No Mato Grosso do Sul, a arroba foi indicada em R$ 359,66. No Mato Grosso, a arroba ficou indicada em R$ 363,04. O mercado atacadista ainda se depara com preços acomodados durante a terça-feira, com expectativa de novos reajustes no curtíssimo prazo, considerando os efeitos da entrada dos salários na economia, motivando a reposição entre atacado e varejo. De acordo com Iglesias, o limitador para altas mais consistentes ainda é o comportamento das proteínas concorrentes, em especial da carne de frango, que seguem com preços deprimidos no início da semana. Quarto traseiro: R$ 27,50 por quilo; Quarto dianteiro: R$ 22,00 por quilo; Ponta de agulha: R$ 20,00 por quilo.
SAFRAS NEWS
Corrida para exportar carne à China faz preço do boi bater recorde
Frigoríficos ampliaram demanda por animais para abate para preencher cota para o país asiático em momento de oferta restrita
O ritmo acelerado do preenchimento da cota de exportação de carne bovina para a China, num momento de oferta restrita de animais para abate, fez o preço do boi gordo atingir recorde nominal histórico. Ontem, o indicador do boi gordo Cepea/Esalq, uma referência para o mercado, alcançou R$ 365 por arroba, alta de 2,53% no mês. Em 12 meses, a valorização é de 12,5%. A demanda por bovinos está aquecida porque os frigoríficos estão correndo para ampliar as exportações para a China, principal cliente do Brasil, enquanto ainda há espaço na cota com tarifa reduzida. Como resultado, a expectativa da indústria é de que a cota estará toda preenchida já em maio. Desde o início do ano, a China impôs salvaguardas a importações de carne bovina de diferentes fornecedores e estabeleceu para o Brasil uma cota de 1,1 milhão de toneladas, com tarifa de 12%. Fora da cota, a taxa é de 55%. Especialistas ouvidos pelo Valor acreditam que as cotações tendem a se manter em níveis elevados até o preenchimento da cota chinesa. “Pode haver uma volatilidade de preços sim [com o fim da cota]”, disse Thiago Bernardino, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Ele observou, porém, que a oferta de carne está restrita em países importantes para o suprimento global, como os Estados Unidos, onde há o menor rebanho bovino em décadas. Isso limitaria o espaço para quedas na arroba do boi e dos preços da proteína no mundo. No Brasil, a disponibilidade de gado também continua ajustada por ora, forçando a formação de preços maiores, disse. Para Alcides Torres, diretor da Scot Consultoria, a cota chinesa foi o principal fator de mudança na dinâmica do mercado, pois acelerou as compras de gado para abate e posterior exportação da carne. Como resultado, os embarques totais atingiram a máxima histórica para o mês de março neste ano. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgados na terça-feira (7) mostram que os embarques de carne bovina in natura brasileira somaram 233,95 mil toneladas em março, alta de 8,6% na comparação anual. O preço médio também subiu, 18,7%, para US$ 5.814,80 por tonelada. A cota chinesa, na prática, reduziu o mercado para a carne brasileira na China, uma vez que em 2025 o país asiático havia importado um total de 1,68 milhão de toneladas. Apesar das mudanças na dinâmica de vendas externas de carne bovina, não há sinais de alteração nas intenções de confinamento de gado bovino em 2026, de acordo com Alcides Torres, da Scot. “Segundo a nossa própria estimativa, este ano devemos ter entre nove e dez milhões de cabeças confinadas, mas não tem a ver com essa dinâmica provocada pela imposição do tarifaço chinês”, afirmou. Ele observou que eventos como a Copa do Mundo e as eleições tendem a dar suporte ao consumo interno, o que contribui para a continuidade dos planos do setor de investir em terminação intensiva de gado.
VALOR ECONÔMICO
Carne brasileira exportada a Hong Kong pode indicar rota indireta à China
Uruguai também se destaca nas compras da proteína do Brasil, o que pode indicar estratégia do país para direcionar a sua carne ao mercado chinês, mais valorizado
No acumulado de janeiro a março de 2026, o Brasil exportou 827,49 mil toneladas de carne bovina – incluindo produto in natura, industrializado e miúdos –, um avanço de 16,28% em relação ao mesmo intervalo de 2025, segundo dados coletados pela Agrifatto, com base em informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). “De forma geral, o desempenho das exportações segue sustentado por uma combinação de demanda internacional firme e competitividade do produto brasileiro”, destaca a consultoria, acrescentando que, “a manutenção de preços atrativos no mercado global, aliada ao câmbio ainda favorável, reforça a atratividade da carne bovina nacional frente a outros grandes fornecedores”. Considerando os números do primeiro trimestre do ano, dois países compradores chamaram atenção dos analistas da Agrifatto. O primeiro deles foi Hong Kong, cujas importações de carne bovina brasileira em março/26 cresceram 19,32% no comparativo mensal e 9,67% em relação ao resultado obtido em igual mês de 2025. “Esse comportamento pode indicar uma possível reativação parcial do chamado ‘canal cinza’, caracterizado pelo redirecionamento indireto da carne para a China via regiões intermediárias, especialmente em momentos de maior restrição ou preenchimento de cotas no mercado chinês”, observa a Agrifatto. Outro destaque foi o Uruguai: só em março/26, registrou importação 40,9% superior ao volume obtido em fevereiro/26 – na comparação com março de 2025, o aumento foi de 44,6%. Nesse caso, diz a consultoria, o aumento pode estar ligado a “uma estratégia de arbitragem comercial”, na qual o Uruguai absorve produto brasileiro para o mercado interno enquanto direciona sua produção própria a mercados mais remuneradores, como a China. Segundo observa a Agrifatto, as compras do México apresentaram avanço relevante em março/26, com alta mensal de 11,80% e volume de 8,03 mil toneladas. A Indonésia também se destacou, com elevação expressiva tanto no comparativo mensal quanto anual, ainda que partindo de uma base menor, aponta a consultoria. Por sua vez, a China permaneceu como principal compradora, com 101,99 mil toneladas adquiridas em março/26, um recuo mensal de 1,54%, mas incremento de 6,36% no comparativo com março/25. Com isso, a participação chinesa no ranking total dos importadores da proteína brasileira ficou em 36,28% em março/26. Na avaliação da Agrifatto, mesmo diante de sinais de maior controle via cotas e possível desaceleração pontual no ritmo de compras diretas, a demanda estrutural do mercado chinês segue consistente, seja pelo consumo interno resiliente, seja pela necessidade de recomposição de estoques. “Esse cenário tende a favorecer tanto fluxos diretos quanto indiretos, como observado em Hong Kong e outros mercados intermediários”, ressalta a consultoria.
PORTAL DBO
Com o fim das tarifas de Trump, Brasil avança no mercado de carne bovina dos EUA
Exportações brasileiras da proteína in natura ao mercado norte-americano renderam US$ 589 milhões no 1º tri/26, um forte avanço de 61% ante mesmo período de 2025
Com a eliminação das tarifas abusivas impostas pelo governo Trump, o Brasil voltou a fortalecer a sua posição no mercado de carne bovina dos Estados Unidos, conforme mostram os dados oficiais de exportações no acumulado de janeiro a março deste ano, disponíveis no site da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e coletados pelo Portal DBO. No primeiro trimestre de 2026, o mercado norte-americano respondeu por 14,8% do total da receita gerada com os embarques brasileiros de carne bovina in natura (refresca, congelada e resfriada), consolidando a posição de segundo maior cliente da proteína nacional, atrás somente da China, com participação de 45,6%. Em números, as exportações aos EUA geraram faturamento US$ 589 milhões nos primeiros três meses do ano, um forte avanço de 61% sobre o resultado registrado em igual intervalo de 2025. Considerando apenas os dados de março/26, as vendas de carne bovina in natura ao mercado dos EUA atingiram US$ 209,6 milhões, com aumento de 20,7% sobre a receita obtida em março/25. No mês passado, a participação do mercado norte-americano nos embarques totais subiu para 15,4%, ante 43,7% da China. No primeiro trimestre de 2026, as exportações do produto in natura ao mercado chileno somaram US$ 223 milhões, um aumento de 37,6% sobre o faturamento do mesmo período de 2025. No período, o Chile ocupou a terceira posição no ranking dos maiores compradores da proteína brasileira (em faturamento), com participação de 5,6%, à frente do México (2,6%), Egito (2,4%), Rússia (3,3%), Emirados Árabes Unidos (2,2%), Arábia Saudita-Israel (ambos com 2% de participação), Filipinas-Holanda (ambos com 1,9%), Uruguai (1,6%) e Hong Kong (1,4%), entre outros.
PORTAL DBO
EMPRESAS
JBS vê queda do boi no 2º semestre com cota chinesa e confinamentos
Outros países aumentam sua demanda por carne, mas não o suficiente para preencher redução de compras da China, segundo executivos do setor. Gilberto Tomazoni: pode até ter uma acomodação do preço da arroba no segundo semestre
O esperado preenchimento da cota brasileira de exportação de carne bovina para a China até meados do ano e a ampliação da oferta de bois para abate provenientes de confinamentos tendem a jogar para baixo as cotações da arroba do animal no segundo semestre, afirmou nesta terça-feira (7/4) o diretor executivo global da JBS, Gilberto Tomazoni. A possível redução da demanda pela carne bovina brasileira, após o preenchimento da cota anual de 1,1 milhão de toneladas sem tarifa extra de 55% estabelecida pelo governo chinês, deve gerar um excedente de volume que precisará ser direcionado aos mercados interno e externo, disse o executivo a jornalistas durante o 12 Annual Brazil Investment Forum, promovido pelo Bradesco BBI. Além da diferença de aproximadamente 600 mil toneladas entre a cota fixada pelos chineses e o volume exportado pelo Brasil no ano passado, o país também deixará de exportar, sem tarifação adicional, cerca de 350 mil toneladas que foram embarcadas no fim de 2025 e que serão contabilizadas pela China na cota de 2026, por terem chegado a portos chineses neste ano. Mesmo a demanda crescente por carne bovina de outros países do Sudeste Asiático e dos Estados Unidos, que passa por um longo período de oferta escassa de gado bovino para abate, não será suficiente para absorver as cerca de 950 mil toneladas que a China tende a deixar de importar do Brasil em 2026, disse Tomazoni. “É muita coisa. A China comprava perto de 50% da exportação brasileira [de carne bovina]. Os mercados estão crescendo, mas não na taxa [do que a China potencialmente deixará de comprar]”, afirmou Tomazoni. “O Brasil está buscando mercados, mas os Estados Unidos compram coisas diferentes [das compras de carne bovina da China]. O pessoal fala do ciclo [de baixa oferta de gado] mas achamos que pode até ter uma acomodação do preço da arroba no segundo semestre”, acrescentou. Demanda global Apesar das cotas chinesas e da guerra no Oriente Médio, Tomazoni e outros executivos do segmento presentes no fórum mostraram otimismo quanto à demanda global por carnes. Se antes do conflito já se observava um aumento do consumo, sustentado por aumentos de renda e da ingestão de proteína nas dietas, a guerra reforça a preocupação com a segurança alimentar, disse o diretor presidente da Minerva Foods, Fernando Galletti de Queiroz, no evento. “Vemos no curto prazo países elevando seus estoques de segurança”, afirmou Galletti. Assim como Minerva e JBS, a MBRF observou aumento dos custos logísticos no Oriente Médio, dada a utilização de rotas marítimas e terrestres alternativas, alta do petróleo e de taxas cobradas por seguradoras, disse o diretor presidente global da MBRF, Miguel Gularte, no fórum. Porém, com a maior demanda por diversas carnes após o início do conflito, o repasse tem sido feito com facilidade, acrescentou. Galletti, da Minerva, disse ver oportunidades de expandir vendas para mercados ainda fechados à carne brasileira, como Japão e Coreia do Sul, bem como a outras nações do Sudeste Asiático. Tomazoni mencionou potenciais incrementos em vendas à União Europeia bem como para a África. No Brasil, a Copa do Mundo e as eleições também devem estimular o consumo de carne, disse Gularte. Embora a perspectiva seja de menor oferta de gado bovino para abate no Brasil devido ao ciclo de baixa da pecuária, o país tem a seu favor um processo em curso de incremento de produtividade, com melhorias genéticas e de nutrição. “Há um espaço absurdo de crescimento. O país vai dar as cartas no mercado de carne bovina”, afirmou Gilberto Tomazoni.
VALOR ECONÔMICO
INTERNACIONAL
Preços da carne sobem e puxam alta do índice global de alimentos da FAO
O Índice de Preços de Alimentos da FAO (FFPI) atingiu média de 128,5 pontos em março de 2026, alta de 3,0 pontos (2,4%) em relação ao nível revisado de fevereiro, marcando o segundo mês consecutivo de aumento.
Os índices de preços de todos os grupos de commodities — cereais, carne, lácteos, óleos vegetais e açúcar — subiram em diferentes intensidades, refletindo não apenas os fundamentos de mercado, mas também os impactos do aumento nos preços da energia, associados à escalada do conflito no Oriente Próximo. Na comparação anual, o FFPI ficou 1,2 ponto (1,0%) acima do registrado há um ano, mas ainda permanece 31,7 pontos (19,8%) abaixo do pico observado em março de 2022. Carne: alta puxada por suínos e bovinos. O Índice de Preços da Carne da FAO atingiu média de 127,7 pontos em março, alta de 1,2 ponto (1,0%) em relação a fevereiro e 9,4 pontos (8,0%) acima do nível de um ano atrás. O aumento foi impulsionado principalmente pela alta nos preços da carne suína, acompanhada por uma elevação moderada nas cotações da carne bovina, enquanto os preços das carnes ovina e de frango recuaram. Os preços da carne suína dispararam, sustentados por aumentos nas cotações da União Europeia diante do fortalecimento da demanda sazonal. Os preços globais da carne bovina também subiram, com destaque para o Brasil, onde a menor oferta de gado reduziu a disponibilidade para exportação em um cenário de demanda internacional firme. Esse movimento foi parcialmente compensado pela estabilidade dos preços na Austrália, sustentada por uma oferta abundante. Por outro lado, os preços da carne ovina caíram devido ao aumento das exportações da Nova Zelândia. Ainda assim, preços mais firmes na Austrália — impulsionados pela demanda consistente em mercados-chave — ajudaram a limitar a queda, apesar das tarifas mais altas impostas pelos Estados Unidos e de restrições logísticas que afetaram o acesso aos mercados do Oriente Próximo. Já os preços globais da carne de frango apresentaram leve recuo, refletindo cotações mais fracas no Brasil, em meio a uma oferta abundante e demanda de importação estável. Os embarques para destinos importantes no Oriente Próximo foram redirecionados pela rota do Mar Vermelho.
FAO
ECONOMIA
Dólar cai ao menor valor em quase dois anos após acordo entre EUA e Irã
O dólar fechou a quarta-feira em baixa ante o real, no menor patamar em quase dois anos, depois de os Estados Unidos acertarem na véspera um cessar-fogo de duas semanas com o Irã, que aceitou reabrir o Estreito de Ormuz.
Após oscilar abaixo dos R$5,10 durante boa parte da sessão, o dólar à vista encerrou o dia com queda de 1,00%, aos R$5,1035, o menor valor de fechamento desde 17 de maio de 2024, quando atingiu R$5,1031. No ano, a divisa passou a acumular recuo de 7,02%. Às 17h17, o dólar futuro para maio — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,98% na B3, aos R$5,1275. Na noite de terça-feira, menos de duas horas antes do fim do prazo final para um acordo, o presidente dos EUA, Donald Trump, aceitou um cessar-fogo de duas semanas com o Irã, sujeito à suspensão do bloqueio de transporte de petróleo e gás pelo Estreito de Ormuz. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse em um comunicado que Teerã vai interromper os contra-ataques e fornecer uma passagem segura por Ormuz. Uma autoridade sênior iraniana disse à Reuters que a passagem pode ser aberta na quinta ou na sexta-feira, antes das negociações de paz, se os países concordarem com uma estrutura para o cessar-fogo. A expectativa de que o transporte de petróleo e gás possa ser normalizado fez o petróleo tipo Brent despencar, enquanto os ativos de maior risco dispararam ao redor do mundo. Em evento do Bradesco BBI pela manhã, em São Paulo, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, abordou o fato de o dólar ter avançado ante o real logo após o início da guerra que opõe EUA e Israel ao Irã. Em sua visão, o movimento de desvalorização do real “não foi tão diferente dos pares”, sendo que o Brasil já enfrentou momentos de ruídos maiores no câmbio, como o visto na virada de 2024 para 2025. De acordo com David, o real tende a acompanhar os ciclos de altas e baixas das demais moedas no mundo, mas a divisa brasileira tem um “beta” elevado — o que significa dizer que em muitos momentos sua variação é maior. À tarde, o BC informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$6,335 bilhões em março, o primeiro mês da guerra no Oriente Médio.
REUTERS
Ibovespa renova máximas após anúncio de cessar-fogo entre EUA e Irã
O Ibovespa renovou recordes na quarta-feira, ultrapassando os 193 mil pontos pela primeira vez na história no melhor momento, beneficiado pela melhora do apetite a risco global após anúncio de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 2,09%, para 192.201,16 pontos, nova máxima de fechamento. No melhor momento, atingiu 193.759,01 pontos. Na mínima, 188.260,14 pontos. O volume financeiro no pregão somou quase R$42,5 bilhões, acima da média diária do ano, de R$35 bilhões. Os EUA e o Irã concordaram na terça-feira com um cessar-fogo de duas semanas mediado pelo Paquistão, que, segundo o presidente norte-americano, Donald Trump, exige que Teerã reabra o Estreito de Ormuz. A notícia fez o preço do petróleo desabar no mercado internacional. O barril sob o contrato Brent fechou o dia em queda de 13,29%, para US$94,75. Uma autoridade iraniana envolvida nas negociações disse à Reuters que o Irã pode reabrir o estreito de forma limitada e controlada na quinta ou sexta-feira, antes de negociações previstas para começar no Paquistão no dia 10. O clima, porém, segue tenso na região. Israel atacou o Líbano e o Irã disse que estava considerando ataques contra Israel em resposta. Também foram relatados ataques de Teerã a instalações de petróleo nos países vizinhos do Golfo Pérsico. Os EUA afirmaram que interromperam seus ataques ao Irã, mas estão prontos para retomar os combates se os esforços para alcançar uma paz mais duradoura fracassarem. Ainda, o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, disse que três cláusulas-chave de uma proposta de 10 pontos foram violadas antes do início das negociações na sexta-feira, no Paquistão. Nesta sessão, porém, prevaleceu a percepção de menor risco geopolítico no curto prazo. Em Nova York, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, fechou em alta de 2,51%. Na visão do estrategista de investimentos Nicolas Gass, sócio da GT Capital, o anúncio de Trump sobre o cessar-fogo acabou gerando uma euforia nos mercados, um clima de “risk on”, principalmente após o tom “catastrófico” de Trump na véspera. Mas, ponderou Gass, o risco de fracasso nas negociações ainda existe.
REUTERS
IGP-DI tem alta de 1,14% em março sob efeitos de guerra no Oriente Médio, diz FGV
O Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou alta de 1,14% em março, abandonando a queda de 0,84% no mês anterior, uma vez que tanto os preços ao produtor quanto ao consumidor voltaram a subir em meio aos efeitos do conflito no Oriente Médio, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) na quarta-feira.
O resultado ficou praticamente em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 1,12% e levou o índice a acumular em 12 meses queda de 1,30%. “O IGP-DI de março marca o primeiro mês em que os índices passam a incorporar, de forma mais clara, os efeitos diretos e indiretos do conflito no Oriente Médio”, destacou Matheus Dias, economista do FGV IBRE. Os Estados Unidos e o Irã concordaram com um cessar-fogo de duas semanas, suspendendo uma guerra de seis semanas que matou milhares de pessoas, se espalhou pelo Oriente Médio e causou uma interrupção sem precedentes no fornecimento global de energia. Em março, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI), que responde por 60% do indicador geral, subiu 1,38%, de queda de 1,21% no mês anterior. “No IPA, embora as maiores pressões ainda venham de produtos agropecuários — em geral não ligados diretamente aos choques da guerra —, itens sensíveis ao cenário geopolítico, como combustíveis e fertilizantes, já figuram entre as dez principais influências do índice, indicando a relevância crescente do conflito para os preços ao produtor”, disse Dias. Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) — que responde por 30% do IGP-DI — mostrou que a pressão aos consumidores aumentou ao subir 0,67% em março, de queda de 0,14% em fevereiro. Segundo Dias, o principal impacto no IPC veio da gasolina, que registrou alta média de 3,85%, mas com comportamento heterogêneo entre as capitais e variações superiores a 10% em alguns locais. O Índice Nacional de Custo de Construção (INCC), por sua vez, registrou aceleração da alta a 0,54% em março, de 0,28% antes, com itens intensivos em energia, como massa de concreto, blocos e cimento, mostrando pressão associada ao encarecimento dos insumos energéticos. O IGP-DI calcula os preços ao produtor, consumidor e na construção civil entre o 1º e o último dia do mês de referência.
REUTERS
FRANGOS & SUÍNOS
Exportações de carne suína registram recorde histórico em março
Embarques superam 150 mil toneladas, e crescem 32,2%
Levantamentos da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) mostram que as exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) registraram recorde histórico em março, com total de 153,8 mil toneladas embarcadas, número que supera em 32,2% o registrado no mesmo período do ano passado, com 116,3 mil toneladas. A receita dos embarques de março também é recorde, com US$ 361,6 milhões registrados no período, saldo 30,1% maior em relação aos US$ 278 milhões no terceiro mês de 2025. No ano (janeiro a março), o crescimento em volumes é de 16,5% em volumes, com 392,2 mil toneladas embarcadas no primeiro trimestre deste ano, contra 336,8 mil toneladas no mesmo período do ano passado. A receita registrada no período chegou a US$ 916 milhões, saldo 16,1% maior em relação ao ano anterior, com US$ 788,9 milhões. Principal destino das exportações de carne suína, as Filipinas foram destino de 48,9 mil toneladas em março (volume 80,7% maior em relação ao mesmo período do ano anterior), seguido pelo Japão, com 18,2 mil toneladas (+85,8%), China, com 12,7 mil toneladas (-9,5%), Chile, com 10,6 mil toneladas (+26,1%) e Hong Kong, com 8,8 mil toneladas (-29,4%). Santa Catarina segue como maior exportador de carne suína do Brasil, com 71 mil toneladas exportadas em março (+21,5% em relação ao mesmo período do ano passado), seguido pelo Rio Grande do Sul, com 43,3 mil toneladas (+71,4%), Paraná, com 21,4 mil toneladas (+10,5%), Minas Gerais, com 4,8 mil toneladas (+69 %) e Mato Grosso, com 4,2 mil toneladas (+37,8%).
ABPA
Mesmo com crise no Oriente Médio, exportações de carne de frango crescem 6% em março
Embarques para países impactados pelo Conflito do Oriente Médio seguem recebendo produtos, ainda que parcialmente, mesmo com fechamento do Estreito de Ormuz
As exportações brasileiras de carne de frango (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 504,3 mil toneladas em março, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O número supera em 6% o total exportado no mesmo período do ano passado, quando foram embarcadas 476 mil toneladas. A receita mensal das exportações também registrou recorde. Ao todo, foram US$ 944,7 milhões em março deste ano, número 6,2% maior em relação aos US$ 889,9 milhões no mesmo período de 2025. No ano (janeiro a março), o volume embarcado pelo setor chegou a 1,456 milhão de toneladas, superando em 5% o total exportado no primeiro trimestre de 2025, com 1,387 milhão de toneladas. O crescimento é ainda mais expressivo em receita, com US$ 2,764 bilhões neste ano, resultado 6,9% maior em relação ao ano anterior, com US$ 2,586 bilhões no ano passado. China retomou o ritmo das importações praticadas antes de maio de 2025 (quando ocorreu um foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade na produção comercial do Brasil, situação que já foi superada), com total de 51,8 mil toneladas em março deste ano (+11,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior). No ranking dos principais destinos estão o Japão, com 42,1 mil toneladas (+41,3%), a Arábia Saudita, com 38,7 mil toneladas (-5,3%), a África do Sul (+21,4%), com 33,1 mil toneladas e a União Europeia, com 30,7 mil toneladas (+33,7%). Em uma análise dos efeitos da Guerra no Golfo Pérsico e o fechamento do estreito de Ormuz, as exportações para os países do Oriente Médio que são destinos da carne de frango do Brasil registraram queda de 18,5% nos volumes embarcados em março deste ano na comparação com o mês de fevereiro, anterior ao conflito. São mais de 100 mil toneladas enviadas aos mercados da região no mês de março, com mais de 45 mil toneladas destinadas aos países diretamente impactados pelo fechamento do Estreito de Ormuz. As gestões de facilitação realizadas pelo Ministério da Agricultura e pelo setor têm sido efetivas, garantindo oferta de alimentos para as áreas hoje atingidas pela Guerra do Golfo. No restante dos mercados, a demanda segue crescente, em especial, nos principais destinos da Ásia. Principal estado exportador, o Paraná embarcou 202 mil toneladas, número 5,1% maior em relação ao mesmo período do ano passado. Em seguida estão Santa Catarina, com 109 mil toneladas (+2,7%), Rio Grande do Sul, com 70,7 mil toneladas (+11,9%), São Paulo, com 32,5 mil toneladas (+22,6%) e Goiás, com 26 mil toneladas (+14,8%).
ABPA
imprensaabrafrigo@abrafrigo.com.br
POWERED BY NORBERTO STAVISKI EDITORA LTDA
Whatsapp 041 996978868
