
Ano 11 | nº 2686 | 07 de abril de 2026
NOTÍCIAS
Mercado do boi gordo: alta na cotação do boi gordo e da vaca em São Paulo
A segunda-feira iniciou com alta na cotação do boi gordo e da vaca gorda. O mercado abriu a semana firme, sustentado por uma menor oferta. O boi gordo e a vaca tiveram alta de R$2,00/@ e R$3,00/@ na cotação, respectivamente. A cotação da novilha e do “boi China” não mudou em relação a quinta-feira (2/4). A escala de abate estava, em média, para oito dias.
Em Alagoas, o dia abriu com alta de R$3,00/@ na cotação do boi gordo. Para as demais categorias, a cotação não mudou. Não há referência de “boi China” no estado. As escalas de abate estavam, em média, para sete dias. No mercado atacadista da carne com osso, a semana, que foi mais curta devido ao feriado da Sexta-feira Santa, apresentou menor ritmo no segmento, mesmo com a recuperação das vendas no varejo mais próximo do fim de semana, com o consumidor se preparando para o domingo de Páscoa, que tende a movimentar o mercado. Por outro lado, o menor volume de carne disponível e a arroba do boi gordo sustentada limitaram possíveis ajustes negativos. Com isso, a cotação de todas as carcaças casadas subiu. A carcaça casada do boi capão subiu 1,5%, ou R$0,35/kg, enquanto a do boi inteiro subiu 1,7%, ou R$0,40/kg. Para a vaca, a cotação da carcaça casada aumentou 1,1%, ou R$0,25/kg, e a da novilha teve alta de 0,9%, ou R$0,20/kg. Para os próximos dias, é esperada uma melhora no ritmo das vendas, com pedidos para reposição de estoques, o que deve sustentar o mercado. No mercado de proteínas alternativas, a cotação do frango médio subiu 5,3%, ou R$0,35/kg. Já a cotação do suíno especial caiu 1,0%, ou R$0,10/kg.
SCOT CONSULTORIA
Demanda para a China fortaleceu preços da arroba do boi em março; o que esperar de abril?
Detecção de febre aftosa em rebanho chinês pode fazer com que país eleve as importações de proteína bovina
O mercado físico do boi gordo no Brasil registrou um cenário de ambientes distintos ao longo de março. Conforme o analista de Safras & Mercado Fernando Iglesias, a primeira quinzena do mês foi marcada pela eclosão do conflito no Oriente Médio, o que estabeleceu dificuldades logísticas e levou a indústria frigorífica a pressionar o mercado, derrubando os preços da arroba. Já na segunda quinzena, em meio ao quadro de oferta limitado, por conta das boas condições das pastagens no Centro-Norte do Brasil, o mercado passou a trabalhar com um foco maior na China, de modo a buscar preencher a cota de embarques destinada ao Brasil neste ano, de 1,1 milhão de toneladas. “Assim, houve uma aceleração nos embarques de carne bovina, o que permitiu com que as negociações de compra da arroba acontecessem em patamares mais altos, estabelecendo novos pontos de máxima em quase todo o país”. O que esperar de abril? Apesar do cenário de retomada nos preços da arroba, Iglesias ressalva que se esse ritmo de embarques acelerado for mantido, a tendência é de que a cota destinada ao Brasil possa se esgotar entre os meses de maio e julho. “Isso pode vir a esvaziar as exportações no terceiro trimestre, causando uma forte derrubada nos preços da arroba, justamente em um período importante de entrada de animais provenientes dos confinamentos”, alerta. Porém, o analista ressalta que o foco de aftosa no gigante asiático, divulgado na quinta-feira (2), é um ponto de atenção. “Se for apenas um caso isolado não haverá grandes alterações em relação a dinâmica já estabelecida em torno das exportações. No entanto, a China pode se tornar mais presente no contexto da importação se a doença se alastrar pelo país a ponto de prejudicar de maneira mais incisiva o rebanho, o que por enquanto não parece ser o caso”, destacou. Variação de preços da arroba: diante das baixas iniciais e das altas na segunda metade do mês, os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 31 de março: São Paulo (Capital): R$ 360, estável em relação aos valores praticados no final de fevereiro; Goiás (Goiânia): R$ 340, inalterado frente ao encerramento de fevereiro; Minas Gerais (Uberaba): R$ 345, avanço de 1,47% ante os R$ 340 registrados no fechamento de fevereiro; Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 350, avanço de 2,94% ante os R$ 340 praticados no final do mês retrasado; Mato Grosso (Cuiabá): R$ 355, aumento de 4,41% frente aos R$ 340 praticados no fechamento de fevereiro; Rondônia (Vilhena): R$ 320, alta de 3,13% perante os R$ 310 registrados no final de fevereiro. No mercado atacadista, conforme Iglesias, o destaque ficou com a forte resiliência de preços ao longo de março, explicada pelo quadro de oferta restrita de carne bovina no cenário doméstico devido à forte demanda voltada à exportação para a China. Como ponto de atenção, Iglesias alerta que a demanda para a carne de frango segue aquecida, cenário que deve se repetir ao longo de todo o ano, favorecendo o consumo de proteínas mais acessíveis por grande parte da população, como ovos e embutidos. Quarto do dianteiro: foi precificado a R$ 21,80 por quilo em março, aumento de 3,81% frente aos R$ 21,00 por quilo praticados no final de fevereiro; Cortes do traseiro bovino: foram cotados a R$ 27,50 por quilo, avanço de 1,85% ante os R$ 27,00 por quilo registrados no encerramento de fevereiro.
SAFRAS NEWS
Missão técnica japonesa pode abrir mercado para carne bovina do Brasil
Técnicos japoneses vão avaliar o sistema sanitário dos três Estados do Sul do Brasil. Auditoria in loco é uma etapa decisiva no longo processo de validação sanitária para aval aos embarques de carne, aguardada há décadas pelo Brasil.
A missão técnica do Japão que avaliará o sistema sanitário brasileiro para uma possível abertura de mercado do país asiático à carne bovina nacional chegou ao Brasil no fim de semana e terá agendas até 13 de abril. Apesar dos pedidos do governo brasileiro para ampliar a área avaliada, a auditoria será focada nos três Estados do Sul, os primeiros a obter certificado de livres de febre aftosa sem vacinação. A auditoria in loco é uma etapa decisiva no longo processo de validação sanitária para aval aos embarques de carne, aguardada há décadas pelo Brasil. Depois da visita dos técnicos japoneses, o trâmite para autorização para o início das exportações é apenas documental. Ainda assim, há cautela no setor privado, e a demora na abertura não está descartada. O Japão importa cerca de 700 mil toneladas de carne bovina por ano, 60% do consumo local anual, sobretudo dos Estados Unidos e da Austrália, com negócios que rondam US$ 4 bilhões anuais. Canadá, México, Nova Zelândia e Uruguai também exportam ao país. O Brasil quer entrar nesse mercado, devido ao alto valor pago pelos japoneses pela carne — os preços médios variam entre US$ 4,5 mil e US$ 6,8 mil por tonelada — e para diversificar a pauta exportadora, ainda mais após a imposição de cotas pela China, principal cliente. A comitiva é formada por auditores do Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca e da Organização Nacional de Pesquisa em Agricultura e Alimentos do Japão. Os resultados da auditoria serão analisados por um comitê de saúde animal japonês antes da tomada de decisão. A reportagem apurou que o objetivo da inspeção será avaliar a consistência e confiabilidade do dossiê técnico — enviado pelo Brasil a partir do questionário feito pelos japoneses — e a aplicação efetiva da legislação e dos procedimentos sanitários pelos atores envolvidos. Os inspetores também vão analisar a efetividade das ações de vigilância e controle da febre aftosa em níveis nacional, regional e local. A intenção é comprovar a capacidade do país de prevenir, detectar e controlar a doença. A avaliação do sistema sanitário pelos japoneses valerá para uma eventual abertura de mercado para os três Estados do Sul, apesar de pedidos do Brasil para incluir ao menos Rondônia e Acre, que também já tinham o reconhecimento de zonas livres de aftosa sem vacinação. O itinerário inclui visitas a fazendas de gado bovino, frigoríficos, laboratório federal agropecuário, estruturas de vigilância em aeroportos e divisas estaduais e agências de defesa agropecuária. Uma vez vencida a barreira sanitária existente, apesar do status brasileiro e da presença da carne bovina nacional em mais de 160 países, o Brasil deverá tentar melhorar as condições comerciais de acesso ao Japão. Atualmente, exportadores enfrentam tarifas de até 38,5%, consideradas altas no mercado internacional. Os Estados Unidos, por exemplo, cobram 26,4% e a China, 12% dentro da cota definida no começo do ano. Os técnicos que chegaram no último fim de semana vão visitar autoridades em saúde animal do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Como parte da avaliação de risco, eles vão analisar o arcabouço legal brasileiro e sua aplicação, as condições de produção e distribuição pecuária, dos estabelecimentos, a rastreabilidade e o controle da movimentação animal, a quarentena, o diagnóstico laboratorial, a vigilância e a resposta a uma eventual emergência em aftosa. Há um termo de confidencialidade firmado entre os governos brasileiro e japonês para não divulgar informações sobre os cronogramas, locais a serem visitados, os preparativos para a inspeção in loco e demais detalhes operacionais relacionados, sob pena de cancelamento da missão. Uma comitiva de especialistas sanitários japoneses já esteve no Brasil em 2025 para uma avaliação prévia, mas não oficial e definitiva, em itinerário semelhante ao de agora. As negociações para a abertura do mercado foram destravadas depois da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Japão, em março do ano passado, quando houve compromisso do primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, de envio da missão. Logo depois, em junho de 2025, o Brasil recebeu o reconhecimento da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) de país livre da febre aftosa sem vacinação, uma das exigências feitas pelo Japão para adquirir carne de seus fornecedores. Na semana passada, Yasushi Noguchi, embaixador do Japão em Brasília, afirmou em entrevista a um veículo de imprensa brasileiro que o país vive uma fase de expansão econômica e busca de maior resiliência na sua cadeia de suprimentos. Ele disse que, nesse cenário, as parcerias com o Brasil se tornam estratégicas e citou o processo de abertura para a carne bovina. “Estamos dando passos para entrar na próxima etapa e esperamos que esse processo se acelere, e possamos decidir sobre a abertura do mercado de carne bovina”, disse em entrevista ao Poder360. Questionado sobre outros Estados que poderão ser avaliados, ele disse que a medida depende do resultado da inspeção no Sul e que, posteriormente, poderão conversar com as autoridades brasileiras para “ver qual será a próxima etapa”.
VALOR ECONÔMICO
ECONOMIA
Dólar atinge menor valor ante real desde o fim de fevereiro, antes da guerra
O dólar fechou a segunda-feira em leve baixa no Brasil, acompanhando o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior, com as movimentações dos EUA em busca de um desfecho para a guerra com o Irã novamente conduzindo as operações.
Após oscilar em margens bastante estreitas ao longo da sessão, o dólar à vista encerrou o dia com leve baixa de 0,26%, aos R$5,1467 — menor cotação de fechamento desde os R$5,1344 de 27 de fevereiro, véspera do início da guerra. No ano, a divisa norte-americana passou a acumular recuo de 6,24%. Às 17h03, o dólar futuro para maio — o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,33% na B3, aos R$5,1750. Assim como em sessões anteriores, as esperanças de um acordo entre EUA e Irã para encerrar a guerra voltaram a influenciar as cotações, com o dólar sustentando baixas ante a maior parte das demais divisas desde cedo. Ainda pela manhã o Irã transmitiu ao Paquistão sua resposta à proposta dos EUA para o fim da guerra, rejeitando um cessar-fogo e enfatizando a necessidade de um fim permanente para o conflito, disse à agência de notícias oficial iraniana Irna. EUA e Irã avaliavam um plano intermediado pelo Paquistão para encerrar a guerra, que já dura cinco semanas, enquanto se aproxima o prazo final dado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, para que Teerã feche um acordo e reabra o Estreito de Ormuz, sob pena de ataques à sua infraestrutura. Trump deu até as 20h de terça-feira (21h de Brasília) para que o Irã feche um acordo. Durante a tarde da segunda-feira, o presidente norte-americano reiterou suas ameaças e disse que o Irã poderia ser neutralizado em uma noite, sendo que “essa noite pode ser amanhã à noite”. No exterior, em um dia de liquidez reduzida em função de feriados em várias praças da Europa, o dólar se mantinha em queda no fim da tarde. Às 17h13, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,25%, a 100,010.
REUTERS
Ibovespa tem alta tímida apoiada em Petrobras com investidor atento a ultimato dos EUA ao Irã
O Ibovespa fechou com um acréscimo modesto na segunda-feira, sustentado principalmente pelo avanço da Petrobras, em mais um dia de alta dos preços do petróleo no exterior, enquanto agentes financeiros aguardam o desfecho do ultimato dado pelos Estados Unidos ao Irã envolvendo um acordo de cessar-fogo.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,12%, a 188.279,30 pontos, de acordo com dados preliminares, tendo marcado 189.219,50 na máxima e 187.811,25 na mínima do dia. O volume financeiro somava R$16,67 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Mercado eleva previsão do IPCA de 2026 pela 4ª semana, apura Focus
A mediana das projeções dos economistas do mercado para a inflação oficial brasileira em 2026 subiu pela quarta semana seguida, de 4,31% para 4,36%, segundo o relatório Focus, do Banco Central (BC), divulgado na segunda-feira (6) com estimativas coletadas até a última sexta-feira.
Para 2027, a mediana das expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou de 3,84% para 3,85% e, para 2028, subiu de 3,57% para 3,60%. O IPCA 12 meses suavizado caiu de 4,10% para 4,09%. A mediana das previsões para o crescimento da economia brasileira em 2026 se manteve em 1,85%. Para a taxa básica de juros (Selic), a mediana das estimativas se manteve em 12,50% em 2026, seguiu em 10,50% em 2027 pela 60ª semana e, para 2028, se manteve em 10% pela 11ª semana seguida. Para 2027, a mediana das expectativas para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) continuou em 1,80% pela 14ª semana, e, para 2028, seguiu em 2% pela 108ª semana seguida. A mediana das projeções dos economistas do mercado para o dólar no fim de 2026 continuou em R$ 5,40. Para 2027, a mediana das expectativas para a moeda americana seguiu em R$ 5,45, e, para 2028, permaneceu em R$ 5,50 pela oitava semana seguida.
VALOR ECONÔMICO
FAO: Preços dos alimentos voltam a subir e acendem alerta
Entre os produtos, os cereais tiveram alta de 1,5% em março
O índice internacional de preços de alimentos voltou a subir pelo segundo mês consecutivo, refletindo mudanças recentes no mercado global de commodities agrícolas e insumos produtivos. O indicador, que acompanha a variação de preços de um conjunto de produtos, registrou alta em março após já ter avançado em fevereiro, acumulando um nível ligeiramente superior ao observado no mesmo período do ano passado. De acordo com a FAO, o índice ficou 1% acima do registrado há um ano. A elevação recente tem sido considerada moderada, mesmo diante do impacto de tensões geopolíticas, com influência direta sobre os custos de energia e fertilizantes. A entidade aponta que a alta do petróleo tem pressionado os preços, enquanto a oferta global de grãos tem contribuído para conter movimentos mais intensos. O economista-chefe da FAO, Máximo Torero, alertou que a continuidade do conflito pode alterar decisões produtivas no campo. Segundo ele, custos elevados e margens reduzidas podem levar produtores a diminuir o uso de insumos, reduzir áreas plantadas ou optar por culturas menos dependentes de fertilizantes, o que pode afetar a produção futura e os preços ao longo deste e do próximo ano. Entre os produtos, os cereais tiveram alta de 1,5% em março, impulsionados principalmente pelo trigo, que subiu 4,3% diante de preocupações com a seca nos Estados Unidos e menor plantio na Austrália. O milho avançou de forma moderada, enquanto o arroz registrou queda de 3% devido à menor demanda. Outros grupos também apresentaram elevação, como óleos vegetais, carnes e laticínios, com destaque para o açúcar, que subiu 7,2%. A valorização do petróleo, que avançou 5,1% no mês e está mais de 13% acima do nível de um ano atrás, segue como fator central nesse cenário, especialmente após interrupções logísticas relevantes no comércio global de insumos.
AGROLINK
GOVERNO
Ministério e CVM vão desenvolver mercado de capitais para o agro
Objetivo é a ampliação das fontes de financiamento do setor agropecuário. Acordo visa a expandir o acesso do setor agropecuário ao mercado de capitais
O Ministério da Agricultura assinou um acordo de cooperação técnica com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para expandir o acesso do setor agropecuário ao mercado de capitais. Em nota, a Pasta disse que o convênio visa o compartilhamento de conhecimento técnico, o aperfeiçoamento de diagnósticos e análises, bem como a formulação e disseminação de ações de promoção do acesso ao financiamento de atividades agropecuárias por meio do mercado de capitais. A coordenação do convênio ficará a cargo da Secretaria de Política Agrícola, apoiada pelo Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário e da Superintendência de Securitização e Agronegócio da CVM. “Atualmente, parte relevante dos recursos financeiros destinados ao agro já provém de operações realizadas no mercado de títulos e valores mobiliários, tornando a parceria estratégica para um setor agropecuário”, escreveu o Ministério da Agricultura, na nota. O acordo de cooperação técnica tem duração de dois anos e pode ser prorrogado mediante celebração de aditivo. Em uma rede social, o diretor de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário, Tiago Dahdah, escreveu que a ampliação das fontes de financiamento “é um passo importante para fortalecer a competitividade, a inovação e a sustentabilidade do setor”. Para ele, o acordo representa um movimento estratégico para aproximar ainda mais o agronegócio do mercado de capitais, “aperfeiçoando capacidades de diagnóstico, análise, formulação e disseminação de ações voltadas ao financiamento privado das atividades agropecuárias”. Ele ressaltou que a construção de instrumentos complementares de financiamento ganha ainda mais importância em um cenário “em que as restrições fiscais impõem limites ao crédito oficial”. “A agenda de fortalecimento do financiamento privado não substitui a importância da política de crédito rural. Ao contrário, ela a complementa e contribui para um ecossistema mais moderno, diversificado e aderente à dimensão e ao dinamismo do agro brasileiro”, completou.
GLOBO RURAL
INTERNACIONAL
Funcionários da JBS em greve nos EUA voltam a trabalhar
Trabalhadores da unidade de Greeley, no Colorado, estão parados há três semanas. Os trabalhadores da unidade de Greeley, no Colorado, devem voltar ao trabalho às 5h da manhã da terça-feira
Funcionários da JBS da unidade de carne bovina de Greeley, no estado do Colorado, Estados Unidos, voltarão ao trabalho nesta terça-feira (7/4) após três semanas de greve, segundo comunicado do sindicato que representa os trabalhadores, o UFCW Local 7, divulgado no sábado (4/4). A decisão teria sido tomada após a JBS concordar em se reunir com a entidade na quinta-feira (9/4) e na sexta (10/4) para retomar negociações de contrato, de acordo com a presidente do sindicato, Kim Cordova. Ao Valor, a JBS confirmou que tem reuniões marcadas com o sindicato nas datas citadas, mas disse que a agenda havia sido acertada “antes de o sindicato decidir encerrar a greve” e que tal decisão ocorre “sem qualquer novo acordo ou alteração na proposta original da empresa”. “Nossa última, melhor e definitiva proposta continua em vigor”, afirmou a JBS por meio de seu departamento de imprensa. Os trabalhadores da unidade de Greeley devem voltar ao trabalho às 5h da manhã da terça-feira (7/4), horário local, conforme o comunicado. “Apesar dos esforços da JBS para enganar os trabalhadores e a mídia quanto à situação da fábrica, a planta tem ficado praticamente paralisada, com apenas uma fração minúscula da produção ocorrendo em níveis de qualidade muito abaixo daqueles que os trabalhadores sindicalizados e qualificados são capazes de atingir”, afirmou o sindicato na nota. No comunicado, o UFCW Local 7 disse que a empresa vem insistindo em aumentos salariais de 1,5% em média por ano, abaixo tanto da inflação histórica quanto da prevista para este ano para o país. Conforme o sindicato, a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) projeta inflação de 4,1% para os Estados Unidos em 2026, incremento superior ao das previsões anteriores. Segundo a nota do sindicato, em fevereiro, os trabalhadores da planta votaram, por maioria, a favor da greve, “em resposta à recusa da empresa em negociar de forma justa com os trabalhadores” e, entre outras medidas, “conceder aumentos salariais que acompanhem o aumento do custo de vida no Colorado”. A JBS, por meio de seu departamento de imprensa, disse que recebeu uma notificação formal do UFCW Local 7 informando que o sindicato está “encerrando a greve e que apresentou uma oferta incondicional” para que os funcionários retornem ao trabalho na unidade de Greeley a partir de 7 de abril. “Ao longo de todo esse processo, mantivemos nosso compromisso com negociações de boa-fé e com a operação de nossa unidade de forma segura, responsável e em conformidade com todas as normas regulatórias”, disse a companhia. Sobre a proposta apresentada ao sindicato e trabalhadores, a JBS disse ser “abrangente” e incluir “aumentos salariais significativos, uma aposentadoria e outros benefícios valiosos”. “Acreditamos que este seja um pacote sólido e competitivo, e esperamos que os funcionários tenham a oportunidade de analisá-lo e votar sobre ele em breve”, afirmou.
VALOR ECONÔMICO
FRANGOS & SUÍNOS
Primeiras cargas de DDGS chegam à China, e Brasil envia farinha de vísceras de aves ao país asiático
Brasil avançou na ampliação de sua presença no mercado chinês
O Brasil avançou na ampliação de sua presença no mercado chinês com a chegada das primeiras cargas de DDGS (Grãos Secos de Destilaria com Solúveis) e o envio do primeiro contêiner de farinha de vísceras de aves ao país asiático. O DDGS, coproduto do etanol de milho, teve sua exportação viabilizada a partir de demanda apresentada pela União Nacional do Etanol de Milho (Unem) para abertura do mercado chinês. Após a conclusão das tratativas sanitárias entre Brasil e China, o acesso foi autorizado em maio de 2025. Em novembro do mesmo ano, os primeiros estabelecimentos brasileiros foram habilitados a exportar DDG/DDGS ao país. Como resultado, o primeiro navio com 62 mil toneladas do produto chegou ao porto de Nansha, em Guangzhou, no sul da China. Já o envio da primeira carga de farinha de vísceras de aves, utilizada principalmente na alimentação animal, decorre da abertura do mercado, concretizada em abril de 2023, a partir de demanda apresentada pela Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra). A operação amplia as oportunidades para a indústria nacional nesse segmento. As iniciativas evidenciam como a atuação conjunta entre governo e setor produtivo pode se transformar em novas frentes de comércio e em ampliação da pauta exportadora brasileira. Com cerca de 1,4 bilhão de habitantes, a China é o principal destino das exportações do agronegócio brasileiro. Em 2025, o país asiático importou mais de US$ 55,3 bilhões em produtos agropecuários do Brasil, o equivalente a 32,7% do total exportado pelo setor.
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