
Ano 11 | nº 2612 | 09 de dezembro de 2025
NOTÍCIAS
Cotação no mercado do boi gordo estável em São Paulo
A semana começou com poucos negócios. No entanto, houve melhora nas ofertas e o ritmo de escoamento da carne está bom, típico deste período.
Segundo os dados apurados pela Scot Consultoria, no mercado paulista, o boi gordo sem padrão-exportação segue em R$ 322/@, o “boi-China” está cotado em R$ 326/@, a vaca gorda em R$ 302/@ e a novilha em R$ 314/@ (todos os preços são brutos, no prazo). A semana começou com poucos negócios. No entanto, houve melhora nas ofertas e o ritmo de escoamento da carne está bom, típico deste período. As cotações de todas as categorias permaneceram estáveis. As escalas de abate estavam, em média, para 11 dias. No Tocantins, as cotações não mudaram nas praças monitoradas. As escalas de abate estavam, em média, para sete dias. No atacado de carne com osso, a primeira semana do mês começou em bom ritmo, como esperado, devido o pagamento dos salários. Além disso, o fim do ano, tipicamente mais aquecido por conta das bonificações, do pagamento do 13º salário e das confraternizações, reforça a movimentação do mercado. Dessa maneira, após quedas pontuais nas últimas semanas, os preços voltaram a subir para algumas categorias e seguem firmes. A cotação da carcaça casada do boi capão não mudou, enquanto a do boi inteiro subiu 1,9%, ou R$0,40/kg. Para as fêmeas, não houve alteração para a carcaça casada da vaca, e a da novilha subiu 1,2%, ou R$0,25/kg. No mercado de carnes alternativas, a cotação do frango médio caiu 0,7%, ou R$0,05/kg. Já o suíno especial subiu 2,4%, ou R$0,30/kg.
SCOT CONSULTORIA
Arroba do boi gordo deve ter novas altas graças aos EUA e à demanda interna
Retorno das exportações ao mercado norte-americano deve aquecer ainda mais as vendas da proteína nacional
O mercado brasileiro do boi gordo foi pautado por preços sustentados no Brasil, de estáveis a mais altos, ao longo desta semana, em meio à expectativa de uma demanda aquecida no mês de dezembro. O analista de Safras & Mercado Fernando Iglesias sinaliza que o período marca o auge do consumo interno, somado à expectativa de uma ótima demanda por parte dos Estados Unidos após a derrubada da sobretaxa de 40% às exportações brasileiras. Para o especialista, essas variáveis são os principais fatores que motivam a elevação dos preços da arroba do boi gordo, mesmo que isso ocorra de maneira comedida. “É importante lembrar que o ano ainda é pautado por grande disponibilidade de animais para o abate, o que funciona como um limitador para altas mais contundentes”, pondera. Preços médios do boi gordo: Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 4 de dezembro: São Paulo (Capital): R$ 325, estável em relação ao valor praticado no último final de semana; Goiás (Goiânia): R$ 320, alta de 1,59% frente aos R$ 315 praticados no encerramento da semana passada; Minas Gerais (Uberaba): R$ 320, avanço de 1,59% ante aos R$ 315 do fechamento anterior; Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 320, inalterado frente à última semana; Mato Grosso (Cuiabá): R$ 300, sem alterações ante a semana passada; Rondônia (Vilhena): R$ 280, sem mudanças frente ao final da última semana. O analista de Safras & Mercado comenta que o mercado atacadista apresentou preços mistos ao longo da semana, muito embora o ambiente de negócios ainda indique a possibilidade de reajustes de preços no curto prazo, em especial para os cortes do traseiro. “Esses cortes são muito demandados nesta época do ano, considerando o impacto da entrada do 13º terceiro salário, criação dos postos temporários de emprego e confraternizações inerentes ao período”, disse. Quarto do traseiro: cotado a R$ 26 o quilo, avanço de 1,96% ante o valor praticado na semana passada, de R$ 25,50; Quarto do dianteiro: vendido por R$ 18,50 o quilo, recuo de 2,63% em relação aos R$ 19 registrados no final da semana passada. As exportações de carne bovina in natura do Brasil renderam US$ 1,754 bilhão em novembro (19 dias úteis), com média diária de US$ 92,343 milhões, conforme os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A quantidade total exportada pelo país chegou a 318,493 mil toneladas, com média diária de 16,762 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 5.508,80. Em relação a novembro de 2024, houve alta de 57,9% no valor médio diário da exportação, ganho de 39,6% na quantidade média diária exportada e avanço de 13,1% no preço médio.
SAFRAS NEWS
Exportações de carne bovina do Brasil disparam em dezembro com crescimento de 59% no volume e 80% no faturamento
Na primeira semana de dezembro/25, volume e faturamento avançam mais de 50% em relação ao ano passado, com preço médio da tonelada registrando alta de 13,4%
As exportações brasileiras de carne bovina seguem firmes em dezembro e alcançou 76,7 mil toneladas na primeira semana de dezembro/25, conforme os dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex). No ano anterior, o Brasil exportou 202,5 mil toneladas de carne bovina em dezembro de 2024. A média diária exportada ficou em 15,3 mil toneladas na primeira semana de dezembro, isso representa um avanço de 59,1% frente a média diária exportada em dezembro do ano passado, que foi de 9,6 mil toneladas. Já no faturamento a primeira semana de dezembro de 2025 alcançou US$ 430,9 milhões, enquanto no fechamento de dezembro do ano anterior ficou em US$ 1,002 bilhão. A média diária do faturamento até a primeira semana de dezembro ficou em US$ 86,1 milhões e registrou um ganho de 80,5%, frente ao observado no mês de dezembro do ano passado, que ficou em US$ 47,7 milhões. Os preços médios pagos pela carne bovina ficaram próximos de US$ 5.617 por tonelada até a primeira semana de dezembro/25 e isso representa um ganho anual de 13,4%, já que o valor médio em 2024 estava em US$ 4.952 por tonelada.
SECEX/MDIC
Exportações firmes garantem fôlego ao mercado de boi, apesar de oferta maior e ajustes nos preços
Dados fazem parte do Agro Mensal, relatório divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA
As exportações firmes de carne bovina seguem sendo o principal pilar de sustentação do mercado em um período de maior oferta de animais terminados, segundo o Agro Mensal do Itaú BBA. O IBGE apontou que os abates cresceram 7% no terceiro trimestre, com destaque para setembro, que registrou alta de 13% na comparação anual. Dados preliminares do Serviço de Inspeção Federal (SIF) sugerem que outubro manteve ritmo intenso, com avanço próximo de 15% frente ao mesmo mês do ano anterior. O relatório destaca que as boas margens obtidas pelos confinadores ao longo do ano — especialmente aqueles que utilizaram ferramentas de gestão de risco — estimularam a entrada de um volume expressivo de gado terminado intensivamente, reforçando ainda mais a oferta no final do período seco. O contrato futuro com vencimento em outubro, por exemplo, chegou a negociar acima de R$ 330/@ durante grande parte dos meses de março a agosto e encerrou outubro em R$ 317/@, refletindo a atratividade da engorda intensiva no período. Mesmo com as exportações aquecidas em outubro, o forte crescimento dos abates ampliou a disponibilidade interna de carne, acima do normal para a época. Ainda assim, o boi gordo apresentou reação no início de outubro e avançou cerca de 5,6% até meados de novembro, movimento acompanhado por uma valorização ainda maior da carcaça casada, que subiu 7,9% no período. Segundo o Itaú BBA, o setor entra no final do ano com fundamentos sólidos: oferta elevada, exportações robustas e um mercado interno que, embora pressionado, deve operar com maior equilíbrio com o avanço das chuvas e a melhora das pastagens.
ITAÚ BBA
Europa recolhe carne bovina do Brasil e amplia pressão contra acordo Mercosul-UE
Medida foi tomada em pelo menos 11 países da UE e no Reino Unido por causa de hormônios proibidos em lotes de carne brasileira. Segundo consultor, Brasil precisa ter cuidado por causa do rigor das exigências do mercado de carne.
A Comissão Europeia determinou o recolhimento de lotes de carne bovina brasileira após a detecção de hormônios proibidos em remessas que chegaram ao bloco no início do mês. Após a descoberta, os produtos foram retirados das prateleiras em 11 países da União Europeia (UE), além do Reino Unido. Devido ao ocorrido, autoridades nacionais emitiram alertas sanitários e reforçaram a fiscalização em mercados como Alemanha, Áustria, Itália, Grécia, Países Baixos e Irlanda. Ainda não há informação oficial sobre a origem exata dos lotes no Brasil. Segundo Fernando Iglesias, analista de Safras & Mercado, o episódio não é incomum. “Nós já vimos isso acontecer anteriormente. A China, recentemente, teve todas aquelas questões envolvendo o fluazuron também, aqui com o Brasil, no início de novembro”, disse. Ele alerta, no entanto, que o Brasil precisa ter muita cautela dentro do mercado global, considerando um maior rigor das exigências internacionais. “O Brasil precisa ser muito cauteloso para não sofrer nenhum tipo de consequência nesse ambiente, que tem sido cada vez mais rigoroso e criterioso em relação à qualidade dos produtos que são consumidos, não só de carne bovina, como de outros produtos”, destaca. O recolhimento dos lotes ocorre em um momento decisivo para o acordo comercial Mercosul-UE — em negociação há mais de duas décadas. A reação mais dura em relação ao caso partiu da Associação Irlandesa de Agricultores (IFA), que classificou o episódio como “preocupante” e indicativo de falhas nos controles sanitários brasileiros. Segundo o presidente da IFA, Francie Gorman, o caso reforça argumentos contra a abertura do mercado europeu à carne do Mercosul. De acordo com a emissora pública nacional da Irlanda, RTÉ, Gorman acrescentou que as conclusões “devem servir de alerta sério para os burocratas e apoiadores que tentam aprovar um acordo comercial com o Mercosul em benefício da grande indústria, em detrimento dos agricultores europeus e da saúde e bem-estar dos cidadãos da UE.” A França, que lidera a resistência ao acordo, também enfrenta forte pressão interna de produtores rurais. Agricultores temem perder espaço para a carne brasileira e de outros países do bloco sul-americano. Embora críticos sigam mobilizados, o presidente Emmanuel Macron afirmou a empresários brasileiros, em 6 de novembro, ver “perspectivas positivas” para o avanço do tratado. Pouco depois, porém, o Parlamento francês aprovou uma resolução rejeitando a assinatura. Na segunda-feira, 8, a Comissão do Comércio Internacional (ITA) do Parlamento Europeu vota um pacote de salvaguardas agrícolas. Conforme noticiado pelo Agro Estadão, entre as medidas em discussão, está a intervenção automática caso as importações do Mercosul aumentem mais de 10% ao ano ou os preços caiam mais de 10%. As ações buscam tranquilizar produtores europeus e facilitar a aceitação política do acordo, apoiado por países como Espanha e Alemanha. A expectativa é de aprovação. Se aprovado, o texto do acordo será submetido ao Parlamento Europeu entre 16 e 19 de dezembro. Para seguir adiante, precisa do aval de 15 dos 27 Estados-membros. A assinatura do tratado está prevista para o dia 20, no Brasil, caso haja consenso. Pelo texto atual, o Mercosul poderá exportar 99 mil toneladas de carne bovina à UE com tarifa reduzida e outras 180 mil toneladas de frango. Assim, o acordo é considerado estratégico para ampliar mercados. “[As detecções de hormônios proibidos] são questões pontuais e têm que ser tratadas como uma questão pontual, não é algo recorrente. O Brasil é hoje referência em sanidade animal, é referência em precocidade da carne, é referência em produto de qualidade que atende as necessidades dos principais mercados em escala global. O Brasil, hoje, tem muito critério para atender essa demanda mundial”, enfatizou Iglesias.
O ESTADO DE SÃO PAULO/AGRO
ECONOMIA
Dólar tem baixa leve com “risco Flávio Bolsonaro” segurando ajustes
Após a disparada da sessão anterior, o dólar chegou a oscilar abaixo dos R$5,40 nesta segunda-feira, mas o “risco Flávio Bolsonaro” reduziu o espaço para ajustes e fez a moeda norte-americana fechar com uma baixa leve.
O dólar à vista encerrou a sessão com leve queda de 0,23%, aos R$5,4220. No ano, a divisa acumula perdas de 12,25%. Às 17h03, o contrato de dólar futuro para janeiro — atualmente o mais líquido no Brasil — cedia 0,31% na B3, aos R$5,4505. Na sexta-feira, o dólar à vista fechou em alta de 2,34%, aos R$5,4346, após a notícia de que o ex-presidente Jair Bolsonaro escolheu seu filho Flávio para ser candidato à Presidência. O avanço foi consequência da avaliação de que, se Flávio for de fato candidato, o favorito do mercado — o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) — estará fora da disputa. Além disso, um cenário sem a candidatura de Tarcísio é visto como favorável à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No domingo, porém, Flávio Bolsonaro disse que há uma possibilidade de não ir até o fim na disputa eleitoral, mas que sua desistência teria um preço. Especula-se que o preço poderia estar relacionado ao interesse da família de buscar a aprovação da anistia para os envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. “A candidatura do Flávio Bolsonaro adicionou muito ruído”, disse à tarde Alison Correia, analista de investimentos e cofundador da Dom Investimentos, em comentário escrito. “O mercado sentiu, e sentiu muito não porque esse movimento muda fundamentos econômicos, mas porque virou o pretexto perfeito para uma correção que já era esperada depois da sequência intensa de queda do dólar e alta da bolsa. Quando Flávio dá sinais de que pode desistir, o humor melhora”, acrescentou. No exterior, o dia foi de alta para o dólar ante a maior parte das demais divisas, com os investidores se posicionando antes da decisão sobre juros do Federal Reserve, na quarta-feira. No Brasil, a expectativa quase unânime é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central mantenha a taxa básica Selic em 15% ao ano na quarta-feira.
REUTERS
Ibovespa fecha em alta com ajustes; Petrobras ajuda
O Ibovespa fechou em alta na segunda-feira, com as ações da Petrobras entre os principais suportes, em pregão de ajustes na bolsa paulista, após forte correção negativa na última sessão desencadeada por preocupações com o cenário eleitoral para 2026.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,39%, a 157.985,81 pontos, de acordo com dados preliminares, tendo marcado 159.235,36 pontos na máxima e 157.369,36 pontos na mínima do dia. O volume financeiro somava R$24,7 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Mercado eleva projeção para Selic ao final de 2026 no Focus e vê manutenção da taxa em janeiro
Economistas consultados pelo Banco Central elevaram suas projeções para a taxa básica de juros ao final de 2026 e passaram a ver manutenção da taxa em janeiro, mostrou a edição mais recente do Boletim Focus na segunda-feira, que também apontou ajuste para baixo nas contas para a inflação oficial medida pelo IPCA para este ano e o próximo.
Os dados do BC mostram que o ajuste nas projeções para a Selic apontando a expectativa de um BC mais cauteloso em 2026 se deu principalmente na sexta-feira, quando os ativos brasileiros sofreram fortes perdas após a notícia de que o ex-presidente Jair Bolsonaro teria decidido apoiar a candidatura do seu filho Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência. Os agentes consultados pela autoridade monetária mantiveram as expectativas para a Selic ao final deste ano em 15,00%, antes do Comitê de Política Monetária (Copom) anunciar nesta semana sua última decisão de política monetária em 2025 em meio a ampla expectativa de manutenção da taxa. Já para 2026, os agentes preveem agora uma Selic terminal de 12,25%, aumento ante os 12,00% calculados na semana anterior, mostrou o Focus. Para a reunião do Copom em janeiro, os agentes passaram a ver manutenção da Selic, ante corte de 0,25 ponto percentual previsto na semana passada. Para o IPCA, os economistas ouvidos pelo BC realizaram ajustes para baixo nos cálculos, estimando agora alta de 4,40% em 2025 e 4,16% em 2026, ante 4,43% e 4,17%, respectivamente. Ambos os números estão dentro da meta de inflação, que é de 3% ao ano com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. No sentido oposto, houve alteração para cima nas estimativas para o crescimento do Produto Interno Bruto para este ano e o seguinte — 2,25% e 1,80%, respectivamente, ante 2,16% e 1,78% na semana anterior. O ajuste se deu a despeito de, na semana passada, dados do IBGE terem mostrado que o PIB cresceu menos do que o esperado no terceiro trimestre, com alta de 0,1% sobre o trimestre imediatamente anterior, ante expectativa dos economistas de expansão de 0,2%.
REUTERS
Balança comercial brasileira tem superávit de US$ 1,92bi na 1ª semana de dezembro
Valor é resultado de US$ 7,43 bilhões em exportações e US$ 5,51 bilhões em importações no período
A balança comercial registrou superávit de US$ 1,92 bilhão na primeira semana de dezembro, informou a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/Mdic). O valor é resultado de US$ 7,43 bilhões em exportações e US$ 5,51 bilhões em importações no período. No ano, a balança acumula superávit de US$ 59,76 bilhões. A média diária de exportações na primeira semana de dezembro avançou 25,4% sobre o mesmo mês do ano passado, para US$ 1,49 bilhão. A alta foi puxada pelas vendas da agropecuária (+58,9%), seguidas da indústria extrativa (+42,8%) e indústria de transformação (+11,3%). Já a média diária de importações subiu 14,3% na mesma base de comparação, para US$ 1,10 bilhão. O crescimento foi liderado pelas compras da indústria extrativa (33,3%) e acompanhado pela indústria de transformação (14,1%) e agropecuária (13,3%).
VALOR ECONÔMICO
Concessão de crédito rural e agroindustrial recua 16%
Segundo a Serasa Experian, recursos concedidos em financiamentos rurais e agroindustriais de janeiro a junho somaram R$ 83 bilhões
“Recuo na concessão no primeiro semestre de 2025 tem como um dos fatores o movimento de maior cautela no mercado”, afirmou Marcelo Pimenta. A concessão de crédito rural e agroindustrial nos primeiros seis meses do ano teve retração de 16% em relação ao mesmo período de 2024 e alcançou R$ 83 bilhões, de acordo com o Boletim Agro da Serasa Experian. “O recuo na concessão no primeiro semestre de 2025 tem como um dos fatores o movimento de maior cautela no mercado”, afirmou Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian. “O setor convive com desafios como a elevação gradual da inadimplência, eventos climáticos e critérios mais rigorosos de conformidade socioambiental.” “Nesse contexto, dados e modelos preditivos ganham ainda mais relevância, apoiando as instituições financeiras na calibragem do apetite de risco e na manutenção de uma oferta de crédito”, acrescentou Pimenta. A Serasa mapeou 2,8 milhões de pessoas físicas que trabalham na atividade rural, que contrataram financiamento rural ou agroindustrial e que autorizam o uso de dados do Cadastro Positivo. Apenas no segundo trimestre, o volume de crédito concedido alcançou R$ 47,2 bilhões, uma queda de 9,8% em relação ao mesmo intervalo de 2024. Nesse período, o valor médio concedido por CPF ficou em R$ 157,9 mil, uma queda de 22,1%. Por outro lado, a quantidade total de contratos teve um aumento de 11,4% na mesma base de comparação, para 343,6 mil segundo o levantamento. O maior volume de crédito agroindustrial concedido no trimestre foi para a região Sul, para onde foram destinados R$ 15 bilhões entre abril e junho. Já o Centro-Oeste foi a região em que houve o maior valor de crédito concedido por contrato (R$ 468 mil), a maior média de contratações feitas para cada pessoa física (1,37 contratos por CPF), e o maior tíquete médio por capita (R$ 639 mil por CPF) no trimestre. A região com a maior quantidade de CPFs com contratos foi o Nordeste, com 108 mil contratações.
GLOBO RURAL
GOVERNO
Ministério da Agricultura cria Programa Nacional de Rastreabilidade Voluntária
Proposta não será limitada a um nicho e vai abarcar cadeias produtivas
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) instituiu o Programa Nacional de Rastreabilidade Voluntária (PNRV). A iniciativa foi publicada na segunda-feira, 8, por meio de uma portaria da pasta. Segundo o documento, a ideia é “promover e possibilitar a rastreabilidade voluntária das cadeias produtivas da agropecuária”. Conforme a pasta, o PNRV vai funcionar dentro do âmbito do Programa Agro Brasil + Sustentável, que entre outras funções permite que o produtor tenha acesso a crédito rural mais barato por práticas sustentáveis. O PNRV vai servir para “produtos ao longo da cadeia produtiva e logística” e terá abrangência para agentes que fazem parte dessas cadeias. A responsabilidade de implementar e operacionalizar o novo programa será da Secretaria de Desenvolvimento Rural do Mapa, que poderá ser feita mediante parcerias ou acordos. Também está previsto um chamamento público para selecionar o operador que vai ser responsável por garantir os registros e acompanhamento das informações de acordo com o padrão do Sistema Nacional de Identificação, Rastreamento e Autenticação de Mercadorias (Brasil-ID/Rastro-ID). Os dados e informações deverão estar no Sistema Integrado de Rastreabilidade (SIR). A portaria traz ainda regras sobre a segurança e a capacidade de armazenamento desses dados. O Programa Nacional de Rastreabilidade Voluntária foi apresentado pelo Mapa na AgriZone, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30). A pasta tem ainda ao menos duas iniciativas de rastreabilidade com focos diferentes: o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB), criado em 2024, e o Programa Nacional de Rastreabilidade de Produtos Agrotóxicos, anunciado com implementação adiada.
O ESTADO DE SÃO PAULO/AGRO
MEIO AMBIENTE
Europeus selam acordo provisório para adiar lei antidesmatamento
Parlamento votará o acordo durante a sessão plenária de 15 a 18 de dezembro de 2025. Regulamento impede a comercialização de itens produzidos em áreas desmatadas após 30 de dezembro de 2020
A presidência do Conselho Europeu e negociadores do Parlamento Europeu deram mais um passo rumo ao adiamento da Lei Antidesmatamento do bloco (EUDR, na sigla em inglês). Na última quinta-feira (4/12), eles firmaram um acordo político provisório para determinar a prorrogação por um ano da entrada em vigor do regulamento. A medida também prevê soluções específicas para facilitar a implementação por parte das empresas, das partes interessadas globais e dos Estados-Membros. O Parlamento votará o acordo durante a sessão plenária de 15 a 18 de dezembro de 2025. O texto acordado deve ser aprovado pelo Parlamento e pelo Conselho e publicado no Jornal Oficial da UE antes do final de 2025 para que as alterações entrem em vigor. Caso contrário, os prazos atuais serão aplicados. Segundo o acordo provisório, em linha com propostas apresentadas e votadas anteriormente, todas as empresas terão mais um ano para se adequarem às regras EUDR. Grandes operadores e comerciantes terão que aplicar o regulamento a partir de 30 de dezembro de 2026, e pequenos operadores – pessoas físicas e micro ou pequenas empresas – a partir de 30 de junho de 2027. Segundo os membros do Parlamento e do Conselho, o prazo adicional visa “garantir uma transição tranquila e permitir o aprimoramento do sistema de TI que operadores, comerciantes e seus representantes utilizam para elaborar as declarações eletrônicas de due diligence”. O Parlamento introduziu a exigência de que as autoridades competentes compartilhem informações sobre erros técnicos significativos ou interrupções que ocorram no sistema de informação. Conselho e Parlamento concordaram que a responsabilidade pela apresentação da declaração de due diligence deve recair sobre as empresas que forem as primeiras a colocar um produto relevante no mercado da União Europeia, e não sobre todos os operadores e comerciantes que posteriormente o comercializam. Com isso, o acordo reduz as obrigações dos micros e pequenos operadores primários, que agora só terão de apresentar uma declaração simplificada única. Também foi acordado que, até 30 de abril de 2026, a Comissão Europeia deverá apresentar um relatório para avaliar o impacto da lei e o encargo administrativo, em particular para os micros e pequenos operadores. “A essência do regulamento da UE sobre o desmatamento permanece intacta. Estamos protegendo florestas que enfrentam um risco real de desmatamento, evitando obrigações desnecessárias em áreas onde esse risco não existe. Este acordo leva a sério as preocupações de agricultores, silvicultores e empresas e garante que o regulamento possa ser implementado de forma prática e viável”, disse, em nota, a relatora do tema no Parlamento Europeu, a eurodeputada Christine Schneider, da Alemanha. A EUDR impede a comercialização de produtos derivados das cadeias de cacau, café, óleo de palma, soja, madeira, borracha e pecuária produzidos em áreas desmatadas após 30 de dezembro de 2020. O regulamento exige dos importadores a rastreabilidade desses itens como forma de garantir que o consumo europeu não incentiva novos desmatamentos.
VALOR ECONÔMICO
INTERNACIONAL
UE vê aprovação de salvaguardas como sinal para fechar acordo com Mercosul
Na tarde da segunda-feira (8), por 27 votos favoráveis, oito contrários e sete abstenções, o Comitê de Comércio Internacional da União Europeia endossou as salvaguardas comerciais do acordo
Representantes de países-membros da União Europeia (UE) consideram que a votação favorável às salvaguardas comerciais do acordo do bloco com o Mercosul é um sinal favorável para a assinatura do documento, aguardada pelo governo brasileiro para o dia 20 deste mês. Na tarde da segunda-feira (8), por 27 votos favoráveis, oito contrários e sete abstenções, o Comitê de Comércio Internacional da UE endossou as salvaguardas, que definem que pode haver suspensão temporária de preferências tarifárias sobre as importações agrícolas dos países do Mercosul caso essas importações prejudiquem os produtores da UE. Há clima de otimismo entre representantes dos países-membros para a assinatura do acordo, embora autoridades vejam com desconfiança as posturas da Polônia e da França, que podem votar de forma contrária. Mas ainda que isso ocorra, não seria suficiente para barrar o acordo no Conselho Europeu, já que os contrários precisam somar 65% da população. Ainda assim, a aprovação de hoje das salvaguardas foi vista com bons olhos e, principalmente, pode atrair a França a votar favoravelmente, já que era uma das condições do país para dar aval ao acordo. Por meio de comunicado divulgado pelo Parlamento europeu, Bernd Lange, presidente da Comissão de Comércio Internacional, disse que a aprovação de hoje “deverá abrir caminho para que o acordo comercial seja assinado e, eventualmente, ratificado pelo Parlamento Europeu”. Agora, o Conselho se reunirá entre 15 e 18 de dezembro para deliberar sobre as salvaguardas. Há duas semanas, durante reunião do G20, na África do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que pretende assinar o acordo no próximo dia 20. Conforme revelou o Valor em novembro, um levantamento da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), indica que as exportações brasileiras poderiam crescer 2,7% em 20 anos. As vendas para o mercado europeu, segundo o órgão, aumentariam 13%. Representantes dos países destacam que há um olhar para o que consideram retrocessos na pauta do meio ambiente, como a queda nos vetos da lei do licenciamento ambiental, na semana passada, mas isso não deve ser suficiente para barrar a assinatura do acordo, disseram. O voto italiano também é visto com desconfianças por países-membros, principalmente após pressões do agronegócio local. Mas representantes do país afirmam que há tendência pelo voto favorável à assinatura do acordo. No comunicado divulgado ontem pelo Parlamento europeu, o bloco destacou que é o segundo maior parceiro comercial do Mercosul em bens, com exportações de € 57 bilhões em 2024. Além disso, foi destacado que o bloco representa um quarto do comércio total do Mercosul em serviços, com exportações da UE para a região totalizando € 29 bilhões em 2023.
VALOR ECONÔMICO
Filipinas proíbem importações de carne suína da Espanha e de Taiwan devido a surtos de peste suína
As Filipinas proibiram temporariamente as importações de suínos e produtos suínos da Espanha e de Taiwan após surtos de peste suína africana em ambos os locais, anunciou o Ministério da Agricultura de Manila.
Surtos de peste suína africana em países europeus e nas Filipinas criam oportunidades para fornecedores do Brasil, que tem no país asiático o principal cliente. As Filipinas foram o principal destino das exportações de carne suína do Brasil de janeiro a novembro, com 350,1 mil toneladas, aumento anual de 49,1%, segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). “Temos que ser vigilantes na prevenção de novas infecções por PSA para proteger empregos e investimentos”, disse o ministro da Agricultura, Francisco Tiu Laurel, em um comunicado na segunda-feira. A proibição da carne suína da Espanha, o maior produtor da União Europeia, segue um relatório de 28 de novembro das autoridades veterinárias do país confirmando à Organização Mundial de Saúde Animal a presença de casos de PSA entre porcos selvagens em Barcelona. As autorizações de importação para Taiwan e Espanha foram “automaticamente revogadas”, informou o ministério. Somente produtos suínos congelados produzidos na Espanha até 11 de novembro e carregados até 4 de dezembro terão permissão para entrar nas Filipinas, acrescentou o ministério. A peste suína africana não é prejudicial aos seres humanos, mas se espalha rapidamente entre porcos e javalis. Vários países já reagiram à sua disseminação na Espanha.
REUTERS
CARNES
Índice de Preços de Alimentos da FAO recua pelo terceiro mês consecutivo; carnes seguem em patamar elevado
O Índice de Preços de Alimentos da FAO (FAO Food Price Index – FFPI) registrou nova queda em novembro de 2025, marcando o terceiro mês consecutivo de recuo nos preços médios globais dos alimentos. O índice ficou em 125,1 pontos, uma redução de 1,2% em relação a outubro e 2,1% abaixo do nível observado em novembro de 2024.
Apesar dessa trajetória de queda recente, o índice ainda permanece bem acima dos níveis históricos anteriores à pandemia e segue 21,9% abaixo do pico registrado em março de 2022, no auge das disrupções logísticas globais e dos choques geopolíticos. A redução de novembro foi puxada principalmente pelos preços de lácteos, carnes, açúcar e óleos vegetais, que mais do que compensaram a alta observada no grupo dos cereais. O que o movimento geral do índice sinaliza ao mercado. Em termos gerais, a leitura do FFPI sugere um ambiente de maior acomodação dos preços internacionais dos alimentos, apoiado por: Perspectivas globais de oferta relativamente confortáveis; Melhora nas safras em países-chave; Ajustes logísticos após anos de instabilidade; Arrefecimento de alguns focos de demanda, sobretudo em grandes importadores. No entanto, essa tendência não é homogênea entre os diferentes grupos de produtos. E é justamente no grupo das carnes que aparecem sinais importantes — e até contraditórios — para o mercado global. Carne: queda mensal, mas preços seguem mais altos que há um ano O Índice de Preços da Carne da FAO registrou média de 124,6 pontos em novembro, com queda de 0,8% em relação a outubro. Ainda assim, o índice permanece 4,9% acima do registrado no mesmo período de 2024, evidenciando que, mesmo com recuo recente, os preços da carne seguem historicamente elevados. Essa dinâmica reflete comportamentos distintos entre os diferentes tipos de proteína animal. Suínos e aves puxam a queda. A redução mensal do índice foi impulsionada principalmente pelos preços da carne suína e de aves. Carne de frango: houve recuo nas cotações internacionais, sobretudo devido à queda nos valores de exportação do Brasil. O movimento ocorreu em um contexto de oferta abundante e concorrência internacional mais acirrada, além do esforço dos exportadores brasileiros para recuperar participação de mercado após o fim de restrições comerciais relacionadas à influenza aviária de alta patogenicidade (HPAI). A China, um dos principais compradores, retirou suas restrições no início de novembro, aumentando a competitividade entre fornecedores globais. Carne suína: os preços também apresentaram queda, principalmente na União Europeia, onde a oferta segue elevada e a demanda externa está mais fraca, especialmente da China. A redução do apetite chinês foi intensificada após a introdução de novas tarifas de importação no início de setembro. Carne bovina mostra estabilidade. Ao contrário do que ocorreu com aves e suínos, as cotações da carne bovina permaneceram amplamente estáveis no mercado internacional. Um dos fatores destacados pela FAO foi a retirada de tarifas sobre a importação de carne bovina pelos Estados Unidos, o que ajudou a conter pressões de alta, principalmente sobre produtos australianos. Com isso, grandes exportadores ajustaram seus preços para manter competitividade, resultando em estabilidade nas cotações globais da carne bovina, mesmo diante de uma demanda ainda firme.
FAO/BEEFPOINT
FRANGOS & SUÍNOS
Média diária exportada de carne suína avança 45% na primeira semana de dezembro/25
Segundo a Secex, houve crescimento em volume e na receita, com média diária de embarques atingindo 6,5 mil toneladas e preço médio em US$ 2.560 por tonelada.
As exportações brasileiras de carne suína in natura chegaram em 32,7 mil toneladas até a primeira semana de dezembro de 2025, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). No ano anterior, os embarques em dezembro somaram 94,4 mil toneladas em 21 dias úteis. A média diária exportada na primeira semana de dezembro ficou em 6,5 mil toneladas, avanço de 45,5% em relação à média de dezembro de 2024, com 4,4 mil toneladas por dia. No preço, a tonelada de carne suína foi negociada a US$ 2.560, valor 1,3% maior que o observado no ano anterior, quando o preço médio estava em US$ 2.529 por tonelada. O faturamento acumulado pelo setor na primeira semana de dezembro/25 alcançou US$83,7 milhões. Em novembro de 2024, a receita total havia sido de US$ 238,8 milhões. A média diária de faturamento ficou em US$ 16,7 milhões, com ganho de 47,3% frente a dezembro do ano passado, quando a média diária era de US$ 11,3 milhões.
SECEX/MDIC
Frango: Média diária exportada tem alta de 30% na primeira semana de dezembro/25
Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) o volume exportado de carne de aves in natura ficou em 128,09 mil toneladas na primeira semana de dezembro/25.
No ano passado, o volume total exportado foi de 413,4 mil toneladas em 21 dias úteis de dezembro. A média diária na primeira semana de dezembro/25 ficou em 25,6 mil toneladas, sendo que isso representa um ganho de 30,1% frente à média diária exportada do ano anterior, que ficou em 19,6 mil toneladas. O preço pago pelo produto até a primeira semana de dezembro ficou em US$ 1.687 por tonelada e isso representa uma queda de 8,7% se comparado com os valores praticados em dezembro do ano anterior, que estavam em US$ 1.848 por tonelada. No faturamento, a receita obtida até a primeira semana de dezembro ficou em US$ 216,1 milhões, enquanto em dezembro do ano anterior o valor ficou em US$ 764,2 milhões. Já a média diária de faturamento ficou em US$ 43,2 milhões, alta de 18,8 % frente a média diária observada em dezembro do ano anterior, que ficou em US$ 36.3 milhões.
SECEX/MDIC
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