
Ano 11 | nº 2482 | 06 de junho de 2025
NOTÍCIAS
Mercado do boi registra alta nos preços em diversas regiões
Em Dourados, no Mato Grosso do Sul, a demanda por boi e novilha jovem cresceu
O informativo Tem Boi na Linha, divulgado na quinta-feira (5) pela Scot Consultoria, apontou aumento na cotação do boi gordo e do chamado “boi China”, em meio à redução na oferta de animais para abate. Segundo o boletim, “a oferta de bovinos diminuiu e, para conseguir comprar boiadas, os compradores aumentaram o valor das ofertas de compras”. A valorização registrada foi de R$3,00 por arroba para o boi gordo e o “boi China”. Para as fêmeas, os preços se mantiveram estáveis, conforme o levantamento. As escalas de abate seguem, em média, em sete dias. No Sul de Minas Gerais, o mercado apresentou lentidão no escoamento da carne, ainda que houvesse uma boa oferta de fêmeas. Mesmo com esse cenário, “a cotação não mudou para nenhuma das categorias”, segundo o informativo. As escalas de abate na região permanecem em cerca de sete dias. Em Dourados, no Mato Grosso do Sul, a demanda por boi e novilha jovem cresceu. Além disso, foram observados sinais de melhora no escoamento de carne. Nesse contexto, o preço do “boi China” aumentou R$3,00 por arroba, enquanto a arroba da novilha subiu R$2,00. As escalas de abate atendem, em média, a cinco dias. Já no Sudeste de Rondônia, embora ainda haja boas ofertas de animais, o mercado apresentou indícios de recuo. O escoamento de carne foi classificado como razoável. Nessa região, a cotação do “boi China” subiu R$5,00 por arroba. As escalas de abate estão, em média, para oito dias.
Scot Consultoria
Arroba do boi gordo teve mais altas
Menor disponibilidade de animais que atendem aos requisitos de exportação ajuda a explicar a elevação dos preços. O mercado físico do boi gordo segue apresentando preços em alta nas principais praças de comercialização do país.
Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, o ambiente de negócios ainda sugere pela continuidade deste movimento no curto prazo, considerando o posicionamento das escalas de abate. “O quadro geral aponta para menor disponibilidade de animais jovens, em especial aqueles que cumprem os requisitos de exportação para a China. A oferta de fêmeas segue representativa no Centro-Norte brasileiro, aumentando a diferença de preços para fêmeas e machos”. De acordo com ele, as exportações são o grande elemento de demanda para a atual temporada, com o país caminhando a passos largos para um recorde histórico. Preços da arroba do boi: São Paulo: R$ 315,08 — ontem: R$ 313,25. Goiás: R$ 294,11 — na quarta: R$ 291,79. Minas Gerais: R$ 297,35 — anteriormente: R$ 295,29. Mato Grosso do Sul: R$ 312,39 — ontem: R$ 309,43. Mato Grosso: R$ 306,76 — na quarta: R$ 304,39. O mercado atacadista teve preços mais altos para a carne bovina nesta quinta-feira. O ambiente de negócios volta a sugerir para novos reajustes no curto prazo, em linha com a boa reposição entre atacado e varejo durante a primeira quinzena do mês. O quarto traseiro foi precificado a R$ 24,50 por quilo, alta de R$ 1,50; o dianteiro foi cotado a R$ 19,50 por quilo, alta de R$ 1,00; e a ponta de agulha foi indicada a R$ 18,50 por quilo, alta de R$ 0,50.
Agência Safras
Boi/Cepea: Maior interesse comprador e oferta mais restrita estabilizam preços
A sequência de quedas de preços em boa parte de maio vem dando espaço para estabilidade no mercado pecuário e, desde meados da semana passada, começam a ser frequentes negócios com reajustes para cima, apontam levantamentos do Cepea
Segundo o Centro de Pesquisas, tem aumentado o interesse de compradores por animais no spot e, ao mesmo tempo, a oferta está mais restrita devido à resistência dos pecuaristas que pedem valores maiores. Ainda conforme acompanhamento do Cepea, as escalas de abate encurtaram para cerca de uma semana; algumas compras no início desta semana previam o embarque em um ou dois dias. No atacado da Grande SP, o Centro de Pesquisas aponta que as cotações médias da carne seguem estáveis, havendo melhora no ritmo de vendas.
Cepea
Exportações de carne bovina in natura em maio ficam em 218 mil toneladas
Média diária registrou alta de 2,9% em maio frente ao mesmo período do ano passado
Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), do Mdic, os embarques de carne bovina in natura finalizaram o mês de maio registrando o envio de 218 mil toneladas. O volume exportado ao longo de maio do ano passado foi de 211,9 mil toneladas em 21 dias úteis. O mês de maio registrou o terceiro melhor desempenho deste ano, ficando atrás somente do mês de abril que exportou 271,7 mil toneladas e o mês de março que embarcou 245,8 mil toneladas. A média diária exportada até a quinta semana de maio/25 ficou em 10,3 mil toneladas, alta de 2,9%, quando se compara com a média observada em maio de 2024, que estava em 10 mil toneladas. Os preços médios ficaram em US$ 5.200 por tonelada o que representa um ganho anual de 15,5%, quando se compara com os valores observados em maio de 2024, com US$ 4.503 por tonelada. O valor negociado ficou em US$ 1 bilhão e 134 milhões. No ano anterior a receita total foi de US$ 954,4 milhões. A média diária do faturamento ficou em US$ 54 milhões um ganho de 18,8%, frente ao observado no mês de maio do ano passado, que ficou em US$ 45,4 milhões.
SECEX
Para estudar compra de carne, Japão terá comitiva no Brasil
Japoneses avaliarão frigoríficos e sistema de inspeção brasileiros; missão será a primeira após o país virar área livre de aftosa sem vacina. Certificado da OMSA será entregue ao Presidente Lula no dia de hoje.
A Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconheceu o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação. O novo status sanitário, almejado há décadas, pode ajudar a abrir mercados mais exigentes para as carnes bovina e suína brasileiras e a ampliar comércios estratégicos. O certificado foi aprovado na semana passada, em assembleia-geral do órgão, e será entregue oficialmente pela diretora-geral Emmanuelle Soubeyran ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Paris, nesta sexta-feira (6/6), em cerimônia simbólica com a presença de empresários brasileiros. Os principais ganhos da certificação da OMSA devem ser na ampliação de mercados já abertos e que podem passar a comprar outros produtos. O anúncio da certificação, na semana passada, já despertou o interesse de alguns países importadores. Indonésia e Filipinas já revelaram interesse em importar miúdos bovinos. Já o Canadá quer comprar carne com osso. Os dois principais países ainda fechados à carne bovina brasileira são o Japão e a Coreia do Sul, que juntos consomem cerca de 10% do volume da proteína do mercado mundial. Com os japoneses, a expectativa é grande no curto prazo. Uma missão técnica vai ao Brasil na segunda quinzena deste mês para visitar frigoríficos e avaliar o sistema de inspeção brasileiros. A comitiva japonesa vai ao Rio Grande do Sul e à Santa Catarina. Os técnicos do Japão vão visitar estabelecimentos registrados no SIF (Serviço de Inspeção Federal) e postos de controle nas fronteiras na segunda quinzena de junho. Para o setor produtivo, o novo status pode ajudar a diminuir a concentração de mercados e a situação de dependência de poucos grandes compradores das carnes brasileiras. “Já exportamos carne bovina para 155 países, e podemos potencializar as vendas dentro desses países, além de abrir mercados no Japão e na Coreia do Sul”, disse João Paulo Franco, coordenador de Produção Animal da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta aumento anual de ao menos US$ 120 milhões apenas com o possível envio de miúdos suínos e carne suína com osso de oito frigoríficos do Rio Grande do Sul já habilitados para a China. A principal aposta da entidade é na melhoria de acesso a mercados exigentes do que na abertura para novos destinos. A certificação vai dar uma arrancada e um impulso na ampliação de mercados”, disse Ricardo Santin, presidente da entidade, ao Valor. “O Paraná [maior produtor de carne suína do país] não tem habilitação, mas tem várias plantas com condições de ser habilitadas para a China”, disse. Japão, Coreia do Sul, México e China só compram carne suína das empresas de Santa Catarina, Estado que obteve o reconhecimento da OMSA em 2007. Para esses quatro destinos, os embarques em 2024 somaram 399 mil toneladas. O faturamento dos estabelecimentos catarinenses, de quase US$ 1 bilhão, representou perto de um terço da receita de todas as exportações de carne suína no período (US$ 2,9 bilhões). Cerca de 250 empresários e autoridades brasileiras vão participar de um churrasco para degustação de carnes brasileiras após a cerimônia com o presidente Lula.
Globo Rural
Vacina contra febre aftosa vive momento de despedida
Duas décadas atrás, o imunizante chegou a responder por 35% do mercado veterinário para a bovinocultura. Vacinas contra a febre aftosa já foram o carro-chefe das vendas da indústria de saúde animal no Brasil
As vacinas contra a febre aftosa já foram o carro-chefe das vendas da indústria de saúde animal no Brasil. Duas décadas atrás, muito antes do reconhecimento do país como área livre da doença sem vacinação, que a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) ratificará em cerimônia em Paris, na França, nesta sexta-feira (6/6), o imunizante chegou a responder por 35% do mercado veterinário para a bovinocultura (corte e leite). Esse nicho representa cerca de 50% das vendas totais da indústria. Atualmente, o mercado brasileiro de produtos veterinários fatura R$ 12 bilhões por ano. Com o fim da imunização contra a aftosa, a indústria deixará de vender R$ 300 milhões ao ano a partir de 2025, montante que corresponde a 5% da receita dos produtos para bovinos e a 3% da movimentação total do mercado. Ainda que o imunizante já tenha sido o principal produto da indústria de saúde animal, sua virtual “despedida” acabou não causando grandes problemas para as fabricantes, que se prepararam antecipadamente para o fim da imunização obrigatória contra a doença no país. No ano passado, o Ministério da Agricultura decidiu antecipar o cronograma de retirada de vacinação para acelerar o processo de obtenção da certificação da OMSA. Na última imunização, em 2024, ocorreu a aplicação de quase 80 mil doses de vacinas. Antes, a previsão era encerrar a aplicação neste ano. Mesmo com o novo quadro, as empresas ressaltam a importância de os criadores seguirem aplicando outras imunizações e usarem produtos veterinários para manter a sanidade do rebanho brasileiro nos próximos anos. De acordo com Emílio Salani, vice-presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos de Saúde Animal (Sindan), o segmento reconheceu a necessidade de adaptar estratégias à nova realidade do rebanho brasileiro. Salani ressaltou, por outro lado, que a manutenção da saúde do rebanho brasileiro exige a continuidade no uso de outras vacinas, como contra a brucelose e a raiva, e demais profilaxias necessárias no manejo animal. Atualmente, a vacina contra brucelose é a única obrigatória no Brasil. Ao todo, aplicam-se, por ano, 26 milhões de doses. Já a vacinação contra raiva é obrigatória em regiões endêmicas, que, hoje, cobrem cerca de 70% do território brasileiro. A estimativa do Sindan é de que se apliquem 157 milhões de doses do produto por ano. “Não podemos abandonar a profilaxia para nos prevenir contra doenças que não são erradicáveis, como a raiva”, afirmou Salani. “Os pecuaristas com boa performance vão crescer. Aqueles que não vão bem com o rebanho vão se defender com margens cada vez mais estreitas”. Segundo o dirigente, uma das iniciativas da indústria de saúde animal para se adaptar ao fim da vacinação obrigatória contra a aftosa foi priorizar a venda de protocolos reprodutivos. Esses itens garantem expansão e aumento da produtividade do rebanho. A indústria já identificou uma queda nas vendas de vacinas que não obrigatórias nos últimos anos. Salani disse que o movimento não tem uma razão única, mas que ele preocupa a indústria. “As vendas e aplicações desses produtos têm caído, o que pode levar a uma perda do status sanitário”, pontuou. A estabilização econômica e comercial, com melhoras no preço da arroba bovina, pode inverter esse quadro, avaliou.
Valor Econômico
ECONOMIA
Dólar fecha abaixo de R$5,60 pela 1ª vez no ano. Baixa de 1,03%
O dólar caiu mais de 1% no Brasil na quinta-feira e encerrou a sessão abaixo de R$5,60 pela primeira vez em 2025, acompanhando o movimento quase generalizado de recuo da moeda norte-americana no exterior, após o Banco Central Europeu (BCE) indicar uma pausa em seu processo de corte de juros e em meio às negociações comerciais entre EUA e China.
A moeda norte-americana à vista fechou em baixa de 1,03%, aos R$5,5871 — o menor valor de fechamento para o dólar em 2025. Esta é a menor cotação de encerramento desde 14 de outubro do ano passado, quando fechou aos R$5,5827. Em 2025, a divisa dos EUA acumula perdas de 9,58%. Às 17h45, na B3 o dólar para julho — atualmente o mais líquido no Brasil — cedia 0,82%, aos R$5,6165. Na ausência de novidades sobre o pacote fiscal em discussão entre governo e Congresso em Brasília, que pode substituir elevações do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) anunciadas pela equipe econômica há duas semanas, os investidores se voltaram na quinta-feira para o exterior. Lá fora, as notícias eram fatores de pressão para o dólar, favorecendo as moedas de países exportadores de commodities e emergentes, como o real. No início do dia o BCE reduziu suas taxas de juros, conforme esperado, mas passou indicações de que dará uma pausa no atual ciclo de cortes. Outro fator para o recuo do dólar ante boa parte das demais divisas era o avanço das negociações entre EUA e China, envolvidos em uma disputa tarifária. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder da China, Xi Jinping, se falaram por telefone nesta quinta-feira e trataram das tensões comerciais crescentes. Nas redes sociais, Trump afirmou que a conversa, focada principalmente no comércio, levou a “uma conclusão muito positiva”, anunciando mais discussões entre EUA e China.
Reuters
Ibovespa fecha em queda pressionado por bancos
No setor de proteínas, MINERVA ON subiu 4,9%, em dia de recuperação após tombo de mais de 7% na véspera. Na contramão, MARFRIG ON caiu 1,86%, enquanto JBS ON ganhou 0,6% e BRF ON fechou estável
O Ibovespa fechou em queda na quinta-feira, pressionado principalmente por bancos. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,56%, a 136.236,37 pontos, após marcar 136.030,75 pontos na mínima e 137.451,31 pontos na máxima do dia. O volume financeiro somou R$22,12 bilhões. Na visão do responsável pela mesa de ações do BTG Pactual, Jerson Zanlorenzi, há um nível maior de incertezas, o que tem afetado o apetite a risco. Um dos componentes que têm pesado, afirmou, é a discussão envolvendo o recente anúncio de aumento do IOF e o quadro fiscal do país. “Isso mostra ainda uma dificuldade do governo em avançar e discutir essas pautas que geram tanta preocupação no mercado, de desequilíbrio fiscal, eficiência de indústrias”, observou, ponderando que há também questões externas afetando o sentimento dos investidores na bolsa paulista. Em Wall Street, o S&P 500 recuou 0,53%, com a queda nas ações da Tesla compensando notícias de progresso nas negociações comerciais entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping. O rendimento do título de 10 anos do Tesouro dos Estados Unidos subia a 4,3985% no final da tarde.
Reuters
Superávit comercial do Brasil fica abaixo do esperado em maio, com maior importação.
A balança comercial brasileira registrou superávit de US$7,239 bilhões em maio, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgados nesta quinta-feira, em resultado abaixo do esperado, em meio ao crescimento contínuo das importações.
O superávit para o mês ficou abaixo do projetado em pesquisa da Reuters com economistas, que apontava expectativa de saldo positivo de US$8,292 bilhões. Conforme a Secex, as exportações em maio atingiram US$30,156 bilhões, com recuo de 0,1% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, enquanto as importações somaram US$22,918 bilhões, uma alta de 4,7%. No caso das aves, a quantidade exportada caiu 14,4% na comparação com o mesmo mês do ano passado, com os valores de exportação cedendo 12,9%, para US$655 milhões. “A redução de exportação de carne de ave em maio é explicada, sim, pela restrição à exportação brasileira por conta da ocorrência da gripe aviária”, pontuou durante coletiva de imprensa o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão. Após o país registrar seu primeiro caso de gripe aviária em granja comercial, em meados de maio, cerca de 40 destinos importadores, incluindo a União Europeia, impuseram algum tipo de embargo à carne de frango do Brasil, seja total ou parcial. Os dados da Secex mostraram ainda que o saldo comercial acumulado no ano até maio foi positivo em US$24,432 bilhões, valor 30,6% inferior ao verificado no mesmo período do ano passado. O desempenho foi resultado de exportações de US$136,927 bilhões, com queda de 0,9% sobre o mesmo período de 2024, contra importações de US$112,495 bilhões, em alta de 9,2%. Durante coletiva de imprensa, Brandão destacou o fato de haver este ano um “deslocamento temporal” das exportações de soja e milho — dois importantes produtos da pauta exportadora brasileira. “Embora a soja esteja com aumento de volume, o milho ainda não. Mas temos um efeito de deslocamento temporal. Tivemos uma plantação um pouco mais tardia nesta safra, que está sendo vendida agora, uma colheita e uma exportação mais tardias de soja e milho”, comentou. “Este ano, os embarques vão acontecer mais nos próximos meses.”
Reuters
S&P Global reafirma rating do Brasil em ‘BB’, com perspectiva estável
Na avaliação da agência, a posição externa forte do Brasil compensa a fragilidade fiscal
A agência de classificação de risco S&P Global Ratings reafirmou a nota soberana de crédito do Brasil em ‘BB’ e manteve a perspectiva estável. Com isso, o país continua dois níveis abaixo do grau de investimento no ranking da agência. A decisão ocorre quase uma semana após outra agência, a Moody’s, rebaixar a perspectiva do rating soberano do país, ‘Ba1’, de positiva para estável. No comunicado da decisão, divulgado na quinta-feira, a S&P aponta que a perspectiva estável reflete a expectativa de que o país manterá uma posição externa sólida diante das fortes exportações de commodities e do status do real como uma moeda “ativamente negociada”, o que ajuda a mitigar a necessidade de financiamento externo. No entanto, a agência espera déficits fiscais elevados e contínuos “devido a uma ampla rigidez orçamentária, incluindo uma estrutura inflexível de gastos primários e um alto custo com juros”. “Acreditamos que a estrutura institucional do Brasil apoia, com o tempo, a formulação de políticas pragmáticas, com base em extensos mecanismos de freios e contrapesos entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Com o tempo — embora não antes das eleições presidenciais de 2026 —, isso provavelmente levará a iniciativas para enfrentar o frágil perfil fiscal do país”, defende a agência. Na avaliação da S&P, o Brasil “goza de estabilidade política ampla e de continuidade em políticas econômicas essenciais”. No entanto, a agência aponta que, diante da complexidade da Constituição brasileira, “é necessário amplo consenso político para aprovar mudanças legislativas significativas, o que tende a limitar tanto o avanço quanto o retrocesso de políticas”. A S&P cita progressos recentes, como a reforma tributária, aprovada no fim de 2023 e com implementação completa prevista para ocorrer até 2033. Apesar disso, a instituição avalia que o sistema político brasileiro “fez, em nossa visão, pouco progresso no enfrentamento da frágil situação fiscal”. “A percepção de falta de urgência para reduzir os desequilíbrios fiscais contribuiu para que as expectativas de inflação do setor privado ficassem acima da meta do Banco Central. Como resultado, o BC elevou a taxa básica (Selic), gerando uma postura monetária altamente restritiva em 2025”, observa a S&P. A agência projeta um crescimento de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano e avalia que o investimento deve desacelerar no segundo semestre. A posição externa forte do Brasil, contudo, compensa a fragilidade fiscal, na avaliação da agência. Além disso, a S&P acredita que a composição da dívida majoritariamente em moeda local “ajuda a mitigar os riscos associados ao alto endividamento”.
Valor Econômico
GOVERNO
Lula pretende fechar acordo UE-Mercosul em até seis meses
Presidente brasileiro afirmou a Emmanuel Macron que, se necessário, poderá realizar um encontro com agricultores que não concordam com o acordo. Presidente Luiz Inácio Lula da Silva encontrou-se em Paris com o presidente da França, Emmanuel Macron
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na quinta-feira (5/6), em Paris, na França, que pretende fechar em até seis meses – período em que estará à frente do Mercosul – o acordo do bloco com a União Europeia. “Quero lhe comunicar que não deixarei a presidência do Mercosul sem concluir o acordo”, disse ele se dirigindo ao presidente francês, Emmanuel Macron, após uma declaração à imprensa. Lula pediu ao presidente francês que “abra o coração” e afirmou que, se necessário, poderá realizar um encontro com agricultores que não concordam com o acordo. “Precisamos saber quem não quer o acordo”, disse ele. Macron disse que a França é a favor das negociações de acordos e que esse específico é bom para alguns setores, mas pode ser um risco para o agronegócio, referindo-se à forma atual como ele é discutido. “Temos que aprimorar o acordo e trabalhar pra ter cláusulas de salvaguarda”, afirmou Macron ao acrescentar que a França quer mais relações comerciais, mas que é preciso respeitar os agricultores. Segundo Lula, “não está difícil fazer o acordo”. Ele disse que o Brasil está facilitando a importação de vinho da França e que não pretende barrar a importação de produtos franceses. “Macron pode dizer aos franceses que pode ter no mundo alguém preocupado com o meio ambiente, mas não tem melhor [que eu]”, afirmou destacando a atuação de Marina Silva à frente do Ministério do Meio Ambiente. “Não permita que nenhum país europeu coloque dúvida sobre o que o Brasil faz para diminuir o desmatamento”, pediu ao presidente francês. Lula está em Paris na primeira viagem de um presidente brasileiro à França em 13 anos. A última foi em 2012, quando o presidente François Hollande recebeu Dilma Rousseff. Após as declarações, Lula e Macron participarão de almoço oferecido pela presidência francesa. Depois, haverá uma sessão privada da Academia Francesa em homenagem a Lula, uma reunião com a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, e um encontro com a comunidade brasileira. A agenda será encerrada com um jantar oferecido por Macron. Lula fica na França até o dia 6 de junho.
Globo Rural
FRANGOS & SUÍNOS
Suínos/Cepea: Apesar de quedas no final de maio, média mensal se sustenta
Preço do suíno vivo em São Paulo subiu 1,5% no mês, enquanto saltou 2,9% no Paraná
Os preços médios do suíno vivo em maio superaram os do mês anterior, apontam levantamentos do Cepea. Segundo o Centro de Pesquisas, as cotações do animal estiveram firmes nas três primeiras semanas de maio na maior parte das regiões acompanhadas, sustentadas pelo tradicional aquecimento na demanda no período (em maio, reforçado pelo Dia das Mães). No encerramento do mês, porém, a procura mais fraca e o cenário especulativo em razão da gripe aviária pressionaram os valores, conforme explicam pesquisadores do Cepea. Na região SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba), o vivo foi negociado à média de R$ 8,55/kg em maio, alta de 1,5% em relação à de abril. Em Arapoti (PR), o avanço foi de 2,9%, para R$ 8,44/kg. No atacado da Grande São Paulo, a carcaça especial suína se valorizou 2,4% de abril para maio, sendo comercializada à média de R$ 12,74/kg no último mês.
Cepea
Exportação de carne suína alcançou 105,9 mil toneladas até a quinta semana de maio/25
A Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Mdic, informou que o volume exportado de carne suína in natura atingiu 105,9 mil toneladas na quinta semana de maio de 2025. No mesmo período do ano anterior, o volume exportado ficou em 91,6 mil toneladas em 21 dias úteis.
Até a quinta semana de maio/25, a média embarcada ficou com 5,04 mil toneladas, avanço de 15,6% no comparativo do total exportado em maio de 2025, que ficou em 4,3 mil toneladas. A receita obtida até a quinta semana de maio/25 com as exportações de carne suína foi de US$ 274,3 milhões, sendo que no ano anterior o faturamento finalizou o mês com US$ 210 milhões. Já a média ficou em US$ 13 milhões e representou um avanço de 30,6% frente ao montante obtido em maio de 2025, que foi de US$ 10 milhões. Já o preço pago por tonelada ficou em US$2.589 por tonelada, uma alta de 13% frente ao observado em maio do ano passado, com US$2.292 por tonelada.
SECEX
Preços da suinocultura independente reagem com aumento do consumo interno
Com a chegada do inverno, lideranças pontua que pode ter um aumento da procura por carne suína no mercado doméstico
Com acordo entre suinocultores e frigoríficos, segundo dados da Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS), o preço dos suínos no estado de São Paulo apresentou valorização de 3,20% na semana e está precificado em R$ 8,70/kg vivo, sendo que na semana passada estava ao redor de R$ 8,43/kg. No mercado mineiro, o valor do animal apresentou valorização de 3,66% nesta semana e está sendo negociado próximo de R$ 08,50/kg vivo, sendo que na semana anterior estava cotado em R$ 8,20/kg, segundo a Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg). Segundo informações da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), o valor do animal registrou queda de 0,24%, em que passou de R$ 8,17/kg na semana passada e está precificado em R$ 8,15/kg vivo.
APCS/ Asemg/ ACCS
Com queda de 14,45% no volume exportado em maio/25, setor de frango já sentir os impactos dos embargos internacionais
Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), do Mdic, o volume exportado de carne de aves in natura registrou queda de 17,60%, quando comparado ao volume exportado do mês de abril/25. Esse recuo significa o impacto das restrições e da incerteza gerada pela confirmação do primeiro foco de gripe aviária em uma granja comercial.
O volume movimentado ficou em 440.665 mil toneladas até o final de abril deste ano, enquanto a média diária foi de 22.033 mil toneladas. Até a quinta semana de maio/25, o volume total exportado ficou em 363.108 mil toneladas, baixa de 14,45% se comparado ao ano passado. No ano anterior, o volume exportado em maio encerrou o mês com 424.417 mil toneladas. A média diária da exportação ficou 17.290 mil toneladas até a quinta semana de maio/25, queda de 14,45%, frente ao observado em maio de 2024, que foi de 20.210 mil toneladas em 21 dias úteis. O valor negociado na quinta semana de maio deste ano foi de US$ 654,6 milhões, tendo em vista que o preço comercializado durante o mês de maio do ano anterior foi de US$ 751,8 milhões. A média diária ficou em US$ 31,1 milhões, queda de 12,9%, frente ao observado no mês de maio do ano passado, que ficou em US$ 35,8 milhões. Com relação ao preço pago pela tonelada, o resultado até a quinta semana de maio foi de US$ 1.802 por tonelada, avanço de 1,8% no comparativo com o mesmo período de maio do ano anterior, em que ficou em US$ 1.771 mil por tonelada.
SECEX
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