
Ano 9 | nº 2043 |15 de agosto de 2023
ABRAFRIGO NA MÍDIA
Na receita, exportações totais de carne bovina em julho caem 29%
Com os preços negociados para a carne bovina ainda em queda expressiva em relação a 2022, as exportações totais de carne bovina em julho apresentaram redução de 29% na receita e crescimento de apenas 1% no volume
A informação é da Associação Brasileira de Frigoríficos (ABRAFRIGO), a partir da compilação dos dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Em julho de 2022, o Brasil arrecadou US$ 1,229 bilhão com a comercialização de 203.592 toneladas de carne bovina in natura e processada. Em julho de 2023, a receita foi de US$ 877,1 milhões e o volume foi de 205.612 toneladas. No acumulado do ano, o país obteve receita de US$ 5,811 bilhões (-22%) com a movimentação de 1.282.066 toneladas (-0,55%). Em comparação, no ano passado, até julho, a receita foi de US$ 7,461 bilhões e o volume exportado de 1.289.187 toneladas, segundo a Abrafrigo. No ano passado, em julho, a China comprou 111.945 toneladas que proporcionaram uma receita de US$ 786,22 milhões. Neste ano, no mesmo mês, as aquisições foram de 93.691 toneladas e a receita de US$ 447 milhões. A China continua como o maior comprador do produto brasileiro no acumulado, embora com uma diminuição expressiva na geração de receita para o país e uma pequena queda no volume importado. Em 2022, nos sete primeiros meses do ano, as compras da China resultaram em US$ 4,462 bilhões de receita, com movimentação de 654.686 toneladas. Em 2023, a receita foi de US$ 3,059 bilhões e a movimentação de 611.987 toneladas. Ou seja: redução de 31,5% no valor e de 6,5% no volume. O resultado do desempenho do gigante asiático vem impactando decisivamente no desempenho total das vendas de carne bovina deste ano. De janeiro a julho, os preços médios de exportação apresentaram queda percentual mensal de 8,66, 14,86, 21,15, 24,88, 20,35, 28,97 e 29,38, respectivamente, em relação aos mesmos meses do ano anterior. Além disso, a valorização do Real em relação ao Dólar também foi outro fator que impactou nas receitas dos exportadores. O segundo maior comprador da carne bovina brasileira, até julho, foram os Estados Unidos que elevou suas importações de 115.536 toneladas em 2022 para 142.662 toneladas em 2023, com crescimento de 23,5% no volume. Já a receita caiu 12,3%: de US$ 636,4 milhões no acumulado de 2022 foi a US$ 557,8 milhões em 2023. O Chile foi o terceiro maior importador: em 2022 adquiriu 41.958 toneladas com receita de US$ 215,3 milhões. Em 2023, movimentou 57.199 toneladas (+36,3%), com receita de US$ 280,8 milhões (+30,4%). Hong Kong, a cidade estado chinesa, neste ano vem ampliando suas aquisições de carne bovina e ocupa a quarta posição entre os 20 maiores importadores. Em 2022, adquiriu 55.915 toneladas com receita de US$ 198,7 milhões. Em 2023 elevou as importações para 63.831 toneladas (+14,2%) com receita de US$ 196,7 milhões (-1%). O Egito ocupa a quinta posição com redução nas importações: em 2022 elas foram de 78.583 toneladas e em 2023 de 45.908 toneladas (- 41,6%), com receita de US$ 301,2 milhões no ano passado e de US$ 160,8 milhões neste ano (-46,6%). No total, 67 países apresentaram evolução nas suas importações enquanto que outros 94 reduziram as compras.
Publicado em: Notícias Agrícolas/Agroemdia/Portal DBO/Globo Rural/Valor Econômico/Canal Rural/Pagina Rural/Agrolink/Portos e Navios/Carnetec/O Globo/SBT News/Record News/CNN/Broadcastagro
NOTÍCIAS
Início da semana com preços estáveis nas praças pecuárias paulistas
Na segunda, como ocorre corriqueiramente, grande parte das indústrias frigoríficas esperam para ver como foram as vendas no final de semana para abrirem as ofertas de compra. Assim, os preços para todas as categorias de bovinos para abate não mudaram em relação à última sexta-feira (11/8)
O boi gordo está sendo negociado em R$225,00/@, a vaca gorda em R$200,00/@ e a novilha gorda em R$215,00/@, preços brutos e a prazo. A cotação do “boi China” está em R$230,00/@, preço bruto e a prazo. Ágio de R$5,00/@. Na região Oeste do Rio Grande do Sul, a maioria das indústrias estão fora das compras e os relatos são de pressão baixista. Os preços para o boi e vaca estão estáveis e, para a novilha, caiu R$0,20/kg. O boi gordo está sendo negociado em R$8,40/kg, a vaca em R$7,10/kg e a novilha em R$8,00/kg, preços brutos e a prazo. No mercado atacadista de carne com osso, mais uma semana de queda nos preços em São Paulo, devido ao grande volume de carne oferecido. As cotações da vaca e da novilha casada caíram 1,9% e 1,7%, precificadas em R$13,25/kg e R$14,15/kg, respectivamente. Para os machos, o preço da carcaça casada de bovinos castrados caiu 2,3%, negociada em R$15,14/kg. Para a carcaça de bovinos inteiros, queda de 2,7%, precificada em R$13,63/kg
Scot Consultoria
Volume exportado de carne bovina alcança 83,3 mil toneladas na segunda semana de agosto/23. Preços caem 26,50%
Segundo a Secretária de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o volume exportado de carne bovina in natura atingiu 83,3 mil toneladas até a segunda semana de agosto/23. No mesmo período do ano anterior, o volume total embarcado ficou em 203,1 mil toneladas em 23 dias úteis
A média diária exportada na segunda semana de agosto/23 ficou em 9,2 mil toneladas, avanço de 4,80%, frente a observada no mês de agosto do ano anterior, com 8,83 mil toneladas. Já no comparativo semanal, a média diária apresentou um recuo de 10,68%. O preço médio ficou em US$ 4.506 por tonelada, queda de 26,50% frente à agosto de 2022, com US$ 6.132 por tonelada. O analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, apontou que o preço negociado para a tonelada segue sendo prejudicial às exportações. “A queda de 26,50% é bem expressiva para o começo do mês e acaba influenciando os preços da arroba bovina. A receita das exportações não é a mesma que observamos no ano passado”, comentou. O valor negociado para o produto na segunda semana de agosto/23 ficou em US$ 375 milhões. A média diária ficou em US $ 41,7 milhões, queda de 23,00%, frente ao observado no mês de agosto do ano passado, com US$ 54 milhões.
AGÊNCIA SAFRAS
ECONOMIA
Dólar sobe mais de 1% ante real em dia de preocupações com China
O dólar à vista teve alta firme ante o real nesta segunda-feira, acima de 1%, em meio a preocupações dos mercados globais com o crescimento da China – importante compradora das commodities brasileiras – e mais especificamente com o setor imobiliário chinês
O dólar à vista fechou o dia cotado a 4,9662 reais na venda, com alta de 1,26%. Foi a sétima alta do dólar em agosto, em um total de dez sessões, com a moeda norte-americana acumulando ganho de 5,01% no mês. Na B3, às 17:12 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 1,18%, a 4,9820 reais. Desde cedo os mercados globais foram conduzidos pelas preocupações com a desaceleração da China, agravada por dificuldades na área imobiliária do país. No centro da turbulência estava a Country Garden, importante incorporadora chinesa que busca atrasar o pagamento de um título privado. Os receios com a China somaram-se à possibilidade, ainda presente nas mesas de negociação, de que o Federal Reserve ainda possa elevar mais uma vez a taxa de juros dos Estados Unidos em 2023, para segurar os preços no país. Na sexta-feira, o Departamento do Trabalho dos EUA informou que o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) para a demanda final subiu 0,3% em julho, ante variação zero do mês anterior. Nos 12 meses até julho, os preços ao produtor aumentaram 0,8%, após alta de 0,2% em junho. Neste cenário, o dólar desde cedo apresentava ganhos consistentes ante as divisas de países emergentes e exportadores de commodities. A moeda norte-americana também avançava ante as divisas fortes.
REUTERS
Ibovespa fecha novamente em queda
O Ibovespa fechou em queda na segunda-feira pela décima sessão consecutiva, marcando a maior série de baixas em quase quatro décadas, com o declínio da Vale respondendo por uma relevante participação no desempenho negativo.
Apesar de o número de sessões em baixa chamar a atenção, o Ibovespa acumulou no período um declínio de apenas 4,2%, depois de avançar 19,7% em quatro meses seguidos de alta, com parte relevante dessa alta atribuída à perspectiva de queda da Selic. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,06 %, a 116.809,55 pontos. O volume financeiro somou 22,3 bilhões de reais. A última vez em que o Ibovespa caiu por mais do que 10 pregões foi entre o final de janeiro e o começo de fevereiro de 1984, quando fechou em baixa por 11 pregões seguidos, segundo dados da Refinitiv. Desde o começo de agosto, os estrangeiros têm vendido mais do que comprado ações brasileiras, com o saldo acumulado no mês até o dia 10 negativo em quase 6,6 bilhões de reais, em dados que excluem as ofertas de ações. Nesta sessão, em particular, as negociações na bolsa paulista tiveram como pano de fundo o declínio de commodities como o petróleo e o minério de ferro no exterior, enquanto a agenda local destacou o índice de atividade econômica IBC-Br. A temporada de balanços no Brasil também está em sua reta final nesta semana, incluindo uma bateria de resultados após o fechamento da B3 nesta segunda-feira. Antes da abertura, Embraer reportou seus números. E agentes financeiros também têm no radar nos próximos dias os vencimentos do índice futuro — na quarta-feira — e de opções sobre ações na sexta-feira. Análise gráfica do Itaú BBA diz que o “copo meio cheio” é que o Ibovespa segue em tendência de alta e que o movimento de baixa recente não se trata de um movimento de aversão a risco, por enquanto, mas de realização de lucros. Eles calculam que se o Ibovespa permanece acima da região de 116.300/115.700 pontos continua em tendência de alta. Preocupações com a saúde da economia chinesa e a política monetária norte-americana também têm corroborado a correção no mercado acionário brasileiro.
REUTERS
Projeção do valor bruto da agropecuária tem queda pela terceira vez este ano
Mesmo assim, a alta deve ser de 1,9% em relação ao resultado de 2022, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária. O desempenho da carne bovina, o principal do seu segmento, com R$ 132,4 bilhões, terá redução de 9,3% neste ano
O Ministério da Agricultura estimou que o Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária em 2023 será de R$ 1,135 trilhão com base nas informações de julho, alta de 1,9% em relação ao resultado de 2022, quando ficou em R$ 1,114 trilhão. Mesmo assim, esse é o terceiro corte consecutivo nas perspectivas para o setor. Nas contas da Pasta, o faturamento da produção agrícola deve crescer 4% neste ano, para R$ 801,9 bilhões, puxado pelos resultados das lavouras de soja (R$ 328 bilhões), milho (R$ 142,6 bilhões) e cana-de-açúcar (R$ 104,8 bilhões). Apenas cinco produtos apresentam variação negativa na receita em 2023: algodão (-8,6%), batata (-3,7%), café (-7,8%), mamona (-16,7%) e trigo (-13,1%). O crescimento do segmento, porém, é mais moderado do que a estimativa divulgada em julho, de 4,9%. Já a pecuária deverá ter queda de 2,9%, com faturamento de R$ 333,6 bilhões. O desempenho da carne bovina é o principal do segmento, com R$ 132,4 bilhões, mas terá redução de 9,3% neste ano. A receita da carne de frango também deve diminuir 8,7%, para R$ 83,8 bilhões. Ovos (21,5%), leite (9,2%) e carne suína (7,2%) apresentam altas no período. A baixa no segmento é mais acentuada do que a estimativa divulgada no mês passado, de 2,4%. “O efeito de preços mais baixos tem repercutido no decréscimo do VBP de alguns produtos, como algodão, café, mamona e trigo”, disse o ministério, em nota. “Ao longo destes últimos 18 meses, observou-se que o VBP tem crescido a taxas relativamente menores. Pode-se atribuir esse decréscimo do crescimento real do VBP aos preços de milho e soja que têm apresentado tendência de redução”, completou. Os produtos que apresentam melhor desempenho neste ano são mandioca (42,9%), laranja (27,2%), banana (16,8%), tomate (15,9%), cacau (13,8%), cana-de-açúcar (11,6%), amendoim (10,6%), feijão (10,4%), arroz (9,3%), uva (7,5%), soja (2,5%) e milho (1,4%). Os Estados com maior peso no VBP são os que apresentam a liderança na produção de grãos, pecuária bovina e café, como Mato Grosso, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
MAPA
Atividade econômica perde força no 2º trimestre, mas ainda cresce 0,43%, indica BC
A economia brasileira encerrou o segundo trimestre com crescimento, mas em forte desaceleração em relação ao ritmo visto no início do ano, em meio aos efeitos da política monetária restritiva e do esvaziamento do impulso do setor agrícola, de acordo com dados do Banco Central na segunda-feira
O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do BC) avançou 0,63% em junho em relação ao mês anterior, mostrou dado dessazonalizado do indicador, que é um sinalizador do PIB (Produto Interno Bruto). O dado de maio foi revisado para mostrar queda de 2,1%, depois de contração de 2,0% informada anteriormente, marcando o segundo mês no vermelho desde o início do ano. Com isso, o IBC-Br apresentou no segundo trimestre crescimento de 0,43% na comparação com os três primeiros meses do ano, quando registrou avanço de 2,21%. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o IBC-Br teve alta de 2,10%, enquanto no acumulado em 12 meses passou a uma alta de 3,35%, de acordo com números observados. Dados do IBGE mostraram que o PIB do Brasil cresceu 1,9% no primeiro trimestre deste ano, refletindo em grande parte o forte desempenho do setor agrícola. O IBGE divulga em 1º de setembro os dados do PIB no segundo trimestre. No entanto, analistas destacam que a contribuição positiva do setor já perdeu força, e a economia brasileira agora enfrenta os efeitos da política monetária restritiva. O IBC-Br é construído com base em proxies representativas dos índices de volume da produção da agropecuária, da indústria e do setor de serviços, além do índice de volume dos impostos sobre a produção.
Reuters
Expectativa de alta do PIB de 2023 no Focus do BC passa de 2,26% para 2,29%
O Boletim Focus divulgado na segunda-feira, 14, pelo Banco Central trouxe leve melhora na projeção de crescimento econômico para este ano
A mediana para a alta do Produto Interno Bruto (PIB) em 2023 passou de 2,26% para 2,29%, contra 2,24% há um mês. Considerando, por sua vez, apenas as 39 respostas nos últimos cinco dias úteis, a estimativa para o PIB no fim de 2023 passou de 2,33% para 2,30%. Já para 2024, o Relatório Focus mostrou manutenção da estimativa de crescimento do PIB, de 1,30%, mesma mediana de um mês atrás. Considerando apenas as 36 respostas nos últimos cinco dias úteis, a estimativa para o PIB de 2024 passou de 1,32% para 1,24%. Em relação a 2025, a mediana continuou em 1,90%, ante 1,88% de quatro semanas antes. O Boletim ainda trouxe a estimativa de crescimento para 2026, que permaneceu em 2,00%, contra 1,90% de um mês atrás. O Ministério da Fazenda prevê crescimento de 2,5% este ano. No Banco Central, a estimativa atual é de 2,0%, conforme o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de junho.
ESTADÃO CONTEÚDO
EMPRESAS
Prejuízo da Marfrig foi de R$ 784 milhões no segundo trimestre
Resultado refletiu, entre outros fatores, as perdas bilionárias na BRF, sua controlada. No mesmo período do ano passado, a companhia registrou um lucro líquido de R$ 4,3 bilhões
A Marfrig reportou hoje um prejuízo líquido de R$ 784 milhões no segundo trimestre, refletindo, entre outros fatores, as perdas bilionárias na BRF, sua controlada. No mesmo período do ano passado, a companhia registrou um lucro líquido de R$ 4,3 bilhões. Excluindo o impacto da dona da Sadia da conta, o prejuízo foi de R$ 332,3 milhões. A receita caiu 5,7% considerando o balanço da BRF, para R$ 32,5 bilhões. Desconsiderando os números da controlada, as vendas recuaram também 5,7%, para R$ 20,4 bilhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado e consolidado caiu 42,3%, para R$ 2,3 bilhões, com margem de 7,1% — 440 pontos base a menos no comparativo anual. Em entrevista, o diretor financeiro da Marfrig, Tang David, afirmou que apesar do resultado líquido negativo, a empresa apresentou boas margens e um desempenho sólido, considerando um ambiente global “desafiador e complexo”. A alavancagem (relação entre dívida e Ebitda) da companhia subiu de 2 para 3,5 vezes em real e de 2,01 para 3,76 vezes em dólar. A dívida da Marfrig é de R$ 39,8 bilhões, pouco mais de R$ 2 bilhões de incremento no período de 12 meses. Tang destacou a redução de 14,5% na dívida líquida consolidada em relação ao primeiro trimestre, melhora atribuída por ele à geração de caixa livre, queda do dólar e entrada de recursos do follow-on na BRF. Por falar em follow-on, a Marfrig anunciou hoje um aumento de capital da ordem de R$ 2,163 bilhões, com a venda de 300 milhões de ações a R$ 7,21 (média dos papéis nos últimos 60 dias) para os acionistas que já estão na base. Marcos Molina, controlador da Marfrig, garantiu R$ 1,5 bilhão do total. “Já havíamos anunciado [em 31 de maio] que poderíamos fazer esse movimento para acompanhar o follow-on na BRF. Não é uma oferta pública”, reforçou o diretor financeiro. Em entrevista, a diretoria da empresa realçou os crescimentos de 2,4% e 53,5% em receita e Ebitda em relação aos dados do primeiro trimestre do ano. No entanto, o prejuízo líquido no último trimestre foi 23,8% maior do que o observado entre janeiro e março de 2023. A receita da Marfrig na América do Norte ficou praticamente estável, com alta de 0,6% no comparativo anual, para R$ 14,6 bilhões. Já o Ebitda recuou 60,2%, para R$ 759 milhões, com margem de 5,2%. O recuo do Ebitda deve-se principalmente à redução da oferta de gado nos Estados Unidos. Tim Klein, CEO para a América do Norte, acredita que a indústria deve se adequar à disponibilidade de boi gordo nos Estados Unidos em breve. “Um aspecto positivo é uma mudança na demanda que deve permitir que a empresa opera de maneira rentável daqui para a frente”, disse. Na América do Sul, a receita caiu 18,6%, para R$ 5,8 bilhões, e o Ebitda recuou 14,8%, para R$ 578 milhões. Os negócios foram prejudicados pelo representante das vendas à China. Segundo o CEO para a América do Sul, Rui Mendonça, havia estoques na China quando os embarques foram retomados. Ele acredita em uma normalização dos negócios neste semestre. “A partir de julho vimos um aumento da demanda e preço, com o governo chinês investindo para aumentar o consumo. Isso deve acontecer cada vez mais, porque a China precisa crescer”, avaliou. Com o maior número de plantas habilitadas para exportar do Brasil para a China, Mendonça fala em um cenário “extremamente favorável” de preços e volumes no segundo semestre.
VALOR ECONÔMICO
JBS teve prejuízo de R$ 263,6 milhões no 2º trimestre
Um fator que prejudicou as margens da JBS foi o alto custo com gado bovino na unidade da América do Norte. No primeiro trimestre deste ano, a companhia reportou um prejuízo de R$ 1,45 bilhão
A JBS, uma das maiores empresas de alimentos do mundo, registrou prejuízo líquido de R$ 263,6 milhões no segundo trimestre deste ano, comparado a um lucro de R$ 3,95 bilhões obtido no mesmo período de 2022, conforme balanço financeiro divulgado na segunda-feira (14/08). O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado recuou 56,9% na variação anual, para R$ 4,47 bilhões. A margem Ebitda ajustada caiu 6,2 pontos percentuais, para 5%. A receita líquida, por sua vez, teve uma redução de 3% no segundo trimestre deste ano em relação ao intervalo de abril a junho de 2022, para R$ 89,38 bilhões. Gilberto Tomazoni, CEO global da companhia, afirmou em entrevista à Globo Rural que o resultado se deve, principalmente, a uma base comparativa elevada, em meio a um cenário de oferta e demanda totalmente diferente do que era visto em anos anteriores. Ele ainda ressaltou que, em relação ao primeiro trimestre de 2023 – quando a JBS amargou um prejuízo de R$ 1,45 bilhão – houve uma significativa melhora no desempenho da companhia. “Estamos vivendo um contexto muito diferente, um desafio muito diferente no setor de proteínas do que vivemos no ano passado”, disse ele, ressaltando que toda a indústria passa por um novo ciclo. O executivo afirmou que durante a pandemia da Covid-19 as pessoas ficaram em casa, reduziram gastos e tiveram estímulos financeiros governamentais. Com isso, grande parte dos recursos de auxílio iam para o consumo de alimentos. “Isso está lá atrás. Acabaram os estímulos governamentais, o consumidor além de não ter esse dinheiro que recebia, tem uma inflação grande no mercado”, comentou. Nesse contexto, Tomazoni acredita que a comparação trimestral mostra que estão “saindo do que foi o pior momento da indústria” de carnes. No início de 2023, além da base comparativa elevada em relação a 2022, ainda houve uma suspensão temporária de exportações de carne bovina do Brasil para a China, em função de um caso atípico da doença “mal da vaca louca” no Pará. Houve também queda nos preços internacionais da carne bovina por uma movimentação da China, e do frango à medida que se espalhava pelo mundo a influenza aviária de alta patogenicidade (gripe aviária), que desencadeou embargos nos países mais atingidos e excesso de oferta global da proteína. Outro fator que prejudicou as margens da JBS no segundo trimestre deste ano foi o alto custo com gado bovino na unidade da América do Norte, visto que os Estados Unidos seguem em um momento de ciclo de ajuste na oferta de animais para abate. Esse patamar de despesa mantém o valor da proteína alto para o consumidor e limita a demanda. “O preço do ‘beef’ (carne bovina nos EUA) não cai no curto prazo (…) não tem nenhuma perspectiva de que venha uma redução de preço”, afirmou o CEO quando questionado sobre a expectativa para 2023. Com isso, o Ebitda ajustado da JBS Beef North America caiu 85,8% na variação anual, para R$ 433,5 milhões. A receita da unidade, porém, subiu 5,9% para R$ 28,77 bilhões. Nos segmentos de aves e suínos dos EUA, onde os números do segundo trimestre também ficaram negativos, Tomazoni disse que as exportações de suínos estavam positivas, mas o mercado interno patinava, somado a custos de produção elevados. “E o frango não é muito diferente”, afirmou.
VALOR ECONÔMICO
BRF tem prejuízo de R$ 1,3 bilhão no 2º tri
A BRF teve um prejuízo líquido de R$ 1,3 bilhão no segundo trimestre, comparado a um lucro das operações continuadas de R$ 451 milhões no mesmo período do ano passado, segundo informações divulgadas pela empresa na noite de segunda-feira (14)
A receita líquida caiu 5,7% a R$ 12,2 bilhões. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) ajustado consolidado da BRF caiu 32,7% a R$ 1 bilhão. No Segmento Brasil, a receita operacional líquida caiu 0,6% para R$ 6,5 bilhões. No Segmento Internacional, houve queda de 0,9% na receita líquida para R$ 6,06 bilhões. Essa unidade de negócios foi impactada por redução de 10% no preço médio de venda, em período em que o excesso de oferta de carne de frango pressionou as cotações internacionais. A BRF disse que recuperou parcialmente as margens no mercado internacional e manteve a liderança nas exportações de frango no mercado halal para os países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), com 50% de participação de mercado. A empresa conquistou 15 habilitações para exportações para Ásia (China, Japão e Cingapura), África do Sul e Argentina no segundo trimestre.
CARNETEC
FRANGOS & SUÍNOS
Suínos: Cotações estáveis no PR e SC
Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a arroba do suíno CIF ficou estável em R$ 120,00/R$ 122,00, assim como a carcaça especial, valendo R$ 9,40/kg/R$ 9,70/kg
Conforme informações do Cepea/Esalq sobre o Indicador do Suíno Vivo, referentes à sexta-feira (11), houve alta de 0,67% no Rio Grande do Sul, chegando a R$ 5,98/kg, e de 0,78% em São Paulo, atingindo R$ 6,44/kg. Ficaram estáveis os preços em Minas Gerais (R$ 6,66/kg), Paraná (R$ 6,21/kg), e Santa Catarina (R$ 5,99/kg).
Cepea/Esalq
Exportações de carne suína até a 2ª semana de agosto atingem 41% do faturamento total de agosto/22
Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) as exportações de carne suína in natura nos nove dias úteis de agosto já atingiram tanto em volume quanto em faturamento o que foi alcançado em agosto do ano passado. Além disso, houve melhora no desempenho em relação à primeira semana do mês.
O analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias explicou que é um bom desempenho, com valor médio subindo, ganho na quantidade média, discreto avanço no preço, e que esta é a carne que menos está sofrendo neste momento. A receita, US$ 105,8 milhões, representa 41,72% do total arrecadado em todo o mês de agosto de 2022, que foi de US$ 253.644,29. No caso do volume, as 43.904 toneladas são 41,30% do total registrado em agosto do ano passado, com 106.305 toneladas. A receita por média diária foi de US$ 11,7 milhões, valor 6,6% maior do que agosto de 2022. No comparativo com a semana anterior, houve elevação de 17,31%. Em toneladas por média diária, 4.878 toneladas, houve aumento de 5,5% no comparativo com o mesmo mês de 2022. Em relação à semana anterior, ampliação de 16,86%. No preço pago por tonelada, US$ 2.410, ele é 1,0% superior ao praticado em agosto passado. O resultado, frente ao valor atingido na semana anterior, representa alta de 0,38%.
AGÊNCIA SAFRAS
Frango estável no PR e queda em SC
Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a ave na granja ficou estável em R$ 5,00/kg, assim como o frango no atacado, valendo R$ 6,35/kg
Na cotação do animal vivo, São Paulo ficou sem referência de preço. No Paraná, o valor não teve alteração, com a ave cotada em R$ 4,51/kg; já em Santa Catarina, houve queda de 8,85%, atingindo R$ 4,12/kg. Conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à sexta-feira (11), a ave congelada teve aumento de 0,92%, custando R$ 6,55/kg, enquanto o frango resfriado subiu 0,77%, fechando em R$ 6,54/kg.
Cepea/Esalq
Preço da carne de frango exportada continuou baixo na segunda semana de agosto
Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações de carne de aves in natura nos nove dias úteis de agosto chegaram a cerca de 53% do que foi embarcado em agosto do ano passado. Entretanto, o preço pago por tonelada ainda segue menor
O analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias explicou que “basicamente o que temos é um volume muito bom na exportação, mas temos que prestar atenção nos preços da carne de frango no mercado internacional. Tem um recuo em curso, e tem muito a ver com questões que envolvem a dificuldade de reaquecimento da economia chinesa”, disse. A receita, US$ 375.5 milhões, representa 45,31% do total arrecadado em todo o mês de agosto de 2022, que foi de US$ 828,9 milhões. No volume embarcado, as 211.487 toneladas equivalem a 53,12% do total registrado em agosto do ano passado, com 398.074,795 toneladas. A receita por média diária até este momento do mês de agosto foi de US$ 41,7 milhões, valor 15,8% maior do que o registrado em agosto de 2022. No comparativo com a semana anterior, houve queda de 16,06%. Em toneladas por média diária, 23.498 toneladas, houve aumento de 35,8% no comparativo com o mesmo mês de 2022. Quando comparado ao resultado no quesito da semana anterior, recuo de 20,09%. Já o preço pago por tonelada, US$ 1.775, é 14,7% inferior ao praticado em agosto do ano passado. Frente ao valor da semana anterior, aumento de 5,03%.
AGÊNCIA SAFRAS
INTERNACIONAL
EUA: Vários motivos para a expansão lenta do rebanho
O relatório de inventário de gado do meio do ano dos EUA confirmou que os números de gado continuam diminuindo e não há indicação significativa de reconstrução do rebanho até agora
Apesar dos preços acentuadamente mais altos do gado neste ano, não há dados que sugiram a retenção de novilhas ou diminuição suficiente no abate de vacas de corte para iniciar a expansão do rebanho, embora os dados semanais de abate mais recentes sejam encorajadores. O processo até agora é consideravelmente mais lento do que a expansão do rebanho depois que a seca em 2011-2013 levou os estoques de gado a uma baixa cíclica em 2014. Existem várias razões pelas quais os produtores estão se movendo de forma mais lenta e cautelosa até agora. A seca contínua ainda é um problema em regiões importantes da pecuária. Embora a seca provavelmente não esteja causando uma grande liquidação adicional de rebanhos de uma perspectiva de mercado mais ampla, certamente está impedindo a expansão do rebanho nessas áreas afetadas pela seca. Pastos e pastagens em locais recentemente emergidos da seca precisam de tempo para cicatrizar após 2-3 anos de danos causados pela seca e estresse. Os suprimentos de feno estão esgotados e devem ser reabastecidos. Muitas regiões ainda são vulneráveis à seca e há incerteza de que a produção de forragem possa permanecer restrita. Muitas operações de gado sofreram considerável estresse financeiro devido à seca e altos custos de insumos. A necessidade de curto prazo para obter retornos imediatos dos preços mais altos do gado pode estar causando vendas contínuas de novilhas e vacas de descarte por enquanto. Altos e, em muitos casos, recordes, os preços dos insumos foram um desafio especial em 2022. Os preços recordes do feno e os custos elevados de ração suplementar tiveram um grande impacto nas regiões de seca. Custos recordes ou quase recordes de fertilizantes, produtos químicos e combustíveis têm sido um desafio significativo para os produtores, especialmente em regiões de pastagens introduzidas. Embora alguns preços de insumos tenham moderado em 2023, a incerteza dos preços dos insumos fez com que os produtores reagissem com cautela aos preços mais altos do gado. Não apenas os custos dos insumos estão mais altos, mas as taxas de juros acentuadamente mais altas criam um clima econômico diferente que pode moderar o ritmo de expansão do rebanho em comparação com o período 2014-2019. Custos financeiros mais altos serão um fator muito mais significativo, já que os custos de reprodução de novilhas e vacas aumentarão nos próximos meses. Todos os fatores acima contribuem para o cenário econômico do setor e passam a fazer parte das expectativas do produtor que são a chave para a recomposição do rebanho. Até que um número suficiente de produtores de bezerros antecipe retornos suficientes por um período de tempo suficientemente longo, a expansão do rebanho será moderada. Enquanto isso, a oferta de gado continuará apertada. Os preços de mercado para bezerros e gado de engorda continuarão aumentando, à medida que o mercado oferecer mais incentivos de preço que eventualmente fortalecerão as expectativas do produtor e impulsionarão a expansão do rebanho. É provável que esse processo comece para valer no restante de 2023 e em 2024.
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