
Ano 9 | nº 2000 |15 de junho de 2023
NOTÍCIAS
Acomodou-se a pressão de baixa nas praças paulistas?
Em São Paulo, a cotação do boi gordo permaneceu estável desde o início de junho. As únicas categorias que apresentaram quedas nos preços, durante a primeira quinzena do mês, foram o “boi China” e a vaca gorda, que caíram R$10,00/@ e R$5,00/@, respectivamente.
Em São Paulo, segundo apuração da Scot Consultoria, o preço do boi gordo está estável desde o início de junho, o que sugere certa acomodação da arroba no Estado. “Durante a primeira quinzena do mês, as únicas categorias que apresentaram quedas nos preços no mercado paulista foram o ‘boi-China’ e a vaca gorda, com recuos de R$ 10/@ e R$ 5/@, respectivamente”, informa a Scot. Segundo a consultoria, as negociações estão travadas e, quem pode, está segurando os lotes de gado gordo nas fazendas na expectativa de uma eventual reação nos preços no curto prazo. Dessa maneira, no Estado de São Paulo, o boi gordo “comum” (direcionado ao mercado interno) e o “boi-China” seguem valendo R$ 240 – portanto, sem ágio para o animal padrão-exportação –, enquanto a vaca e a novilha gordas são negociadas por R$ 215 e R$ 230, respectivamente (preços brutos e a prazo). As negociações estão travadas e, quem pode, está segurando a venda na expectativa de que os preços comecem a reagir. Portanto, as cotações de todas as categorias estão estáveis no comparativo feito dia a dia em São Paulo. Na região Noroeste do Paraná, no comparativo diário, houve queda de R$4,00/@ de novilha gorda. Para o boi e vaca gordos, preços estáveis. Na região de Goiânia, em Goiás, o preço do boi gordo subiu, enquanto o da vaca gorda caiu. O movimento foi de R$3,00/@ na comparação diária.
SCOT CONSULTORIA
Mercado físico do boi gordo registrou preços estáveis na quarta-feira
Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, a indústria frigorífica ainda possui escalas de abate confortáveis
Para Iglesias, a expectativa é que haja uma maior propensão a reajustes apenas durante a virada do mês, período em que haverá uma oferta residual de animais de safra e uma oferta inexpressiva de animais confinados. No entanto, o mercado carece de elementos de demanda que justifiquem altas significativas no preço da arroba do boi gordo em 2023. É necessário um evento novo que altere essa perspectiva, ressaltou o analista. Em São Paulo, a referência para a arroba do boi foi de R$ 242,00. Em Dourados (MS), a arroba foi indicada em R$ 229,00. Em Cuiabá, o preço indicado foi de R$ 206,00. Em Goiânia, Goiás, a indicação foi de R$ 220,00 para a arroba do boi gordo. Já em Uberaba (MG), a arroba foi cotada a R$ 225,00. No atacado, os preços se mantiveram acomodados. Segundo Iglesias, a tendência de curto prazo é de pouco espaço para a recuperação dos preços, uma vez que a segunda metade do mês tem menor apelo ao consumo. Além disso, as proteínas concorrentes continuam mais competitivas em comparação com a carne bovina. O quarto traseiro foi precificado a R$ 17,90 por quilo, mantendo-se estável. Já o quarto dianteiro teve preço de R$ 13,15 por quilo, também sem alterações. A ponta de agulha foi precificada a R$ 12,90 por quilo, mantendo-se estável.
AGÊNCIA SAFRAS
ECONOMIA
Dólar cai mais de 1% sob influência do anúncio da S&P
O dólar à vista voltou a cair ante o real na quarta-feira, pela quarta sessão consecutiva, com as cotações reagindo à expectativa de novos cortes de juros na China, a uma leitura dovish da decisão de política monetária do Federal Reserve e à elevação da perspectiva do Brasil por uma agência de risco, a S&P
O dólar à vista fechou o dia cotado a 4,8108 reais na venda, com baixa de 1,06%. Esta é a menor cotação de fechamento desde 6 de junho de 2022, quando encerrou a 4,7959. Pela manhã, a moeda norte-americana recuava no Brasil e no exterior, em meio à expectativa de que Banco do Povo da China possa cortar seus juros de médio prazo para estimular a economia. Sempre que a China anuncia estímulos econômicos, as moedas de países exportadores de commodities, como o real brasileiro, são favorecidas, em detrimento do dólar. O Fed anunciou a manutenção dos juros na faixa de 5% a 5,25% ao ano, mas sinalizou em novas projeções econômicas que os custos dos empréstimos podem aumentar mais 0,5 ponto percentual até o final do ano. No entanto, o chair do Fed, Jerome Powell, acabou segurando a recuperação do dólar, ao adotar em alguns momentos um discurso um pouco mais brando — ou “dovish”, no jargão do mercado – em fala à imprensa. Powell afirmou que as projeções do Fed não são um “plano” ou uma “decisão”. Na prática, ele manteve a porta aberta para a instituição realizar qualquer movimento – seja manter a taxa de juros, seja elevá-la. Com isso, o dólar voltou a perder força ao redor do mundo, inclusive em relação ao real. Perto do fechamento do dólar à vista no Brasil, a agência de classificação de risco S&P elevou a perspectiva para a nota de crédito do Brasil de “estável” para “positiva”, e reafirmou o rating “BB-“. De acordo com a agência, sinais de maior certeza sobre políticas fiscal e monetária estáveis podem beneficiar as perspectivas de crescimento econômico do país, atualmente baixas. O anúncio deu novo impulso baixista à moeda norte-americana, que encerrou com baixa superior a 1%. No mercado futuro, o dólar para julho seguia apresentando perdas firmes na esteira do noticiário do dia. Na B3, às 17:23 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 1,26%, a 4,8195 reais.
REUTERS
Ibovespa avança e fecha acima dos 119 mil pontos em dia com Fed e S&P
O Ibovespa fechou em alta na quarta-feira, acima dos 119 mil pontos pela primeira em quase oito meses, após o Federal Reserve confirmar expectativas no mercado e manter os juros dos Estados Unidos na faixa de 5,00% a 5,25% ao ano, embora tenha deixado a porta aberta para aumento adicional até o final do ano
A melhora na perspectiva da nota de classificação de risco do Brasil para “positiva” pela Standard & Poor’s fez o Ibovespa acelerar a alta e renovar máxima da sessão na última meia-hora de pregão. Apesar de titubear, reagiu nos ajustes para confirmar uma máxima de fechamento desde outubro do ano passado. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,99%, a 119.068,77 pontos. O volume financeiro somou 71,9 bilhões de reais, em sessão marcada pelo vencimento de opções sobre o Ibovespa. O banco central norte-americano sinalizou em novas projeções econômicas que os juros nos Estados Unidos provavelmente aumentarão mais 0,5 ponto percentual em 2023, diante de uma atividade econômica mais forte do que o esperado e uma desaceleração lenta da inflação. “A decisão pode ser considerada hawkish na nossa avaliação, haja vista as alterações observadas nos dots (projeções para os juros), algo que considerávamos estratégico para afastar cenários de cortes precoces”, avaliou o economista-chefe do Ativa Investimentos, Étore Sanchez, em comentário a clientes. Na visão dele, o Fed “comprou tempo” para avaliar o andamento da economia, e o fez afastando cenários de cortes precoces, para no mínimo o início do ano que vem. Mesmo sendo uma decisão amplamente esperada, houve volatilidade em praticamente todos os mercados.
REUTERS
S&P eleva perspectiva do Brasil para “positiva” e reafirma nota de crédito
A agência de classificação de risco S&P elevou na quarta-feira a perspectiva para a nota de crédito do Brasil de “estável” para “positiva”, e reafirmou o rating “BB-“.
Trata-se da primeira melhora de perspectiva da nota de crédito do Brasil por uma das três principais agências de classificação de risco globais desde o início do novo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. A agência disse, em relatório, que a mudança reflete sinais de maior certeza sobre políticas fiscal e monetária estáveis, que podem beneficiar as perspectivas de crescimento econômico do país, atualmente baixas. Além disso, a S&P afirmou que, apesar de ainda elevados déficits fiscais, o crescimento contínuo do Produto Interno Bruto (PIB) somado ao arcabouço fiscal proposto podem resultar em um aumento menor da dívida do governo do que o inicialmente esperado. Para a agência, esse fator pode dar suporte à flexibilização monetária e sustentar a posição externa líquida. “Tais desenvolvimentos reforçariam nossa visão da resiliência da estrutura institucional do Brasil, com estabilidade na formulação de políticas baseada em amplos freios e contrapesos entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do governo”, disse a S&P. A agência, como de costume, também citou os cenários que poderiam levar a uma elevação na nota de crédito, ou a um rebaixamento. Do lado negativo, poderia levar a um corte na nota de crédito a inadequada estrutura de políticas econômicas ou uma implementação deficiente que resulte em crescimento econômico limitado, e, consequentemente, em uma deterioração fiscal ainda maior e endividamento acima do esperado. Já do lado positivo, a S&P citou que uma elevação de rating pode acontecer caso as instituições governamentais sejam capazes de implementar uma política econômica pragmática que contenha as vulnerabilidades das finanças públicas e crie uma base para um maior crescimento econômico. “Essencial para isso seria a aprovação de reformas adicionais — entre elas uma reforma tributária atualmente em debate”, disse à agência.
REUTERS
Vendas no varejo do Brasil sobem 0,1% em abril sobre mês anterior, diz IBGE
As vendas no varejo brasileiro tiveram alta de 0,1% em abril na comparação com o mês anterior e avançaram 0,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quarta-feira. Pesquisa da Reuters apontou que as expectativas eram de altas de 0,3% na comparação mensal e de 0,95% sobre um ano antes.
REUTERS
FRANGOS & SUÍNOS
No Rio Grande do Sul, suíno vivo caiu 4,63% na quarta-feira
Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a arroba do suíno CIF ficou estável em R$ 107,00/R$ 112,00, assim como a carcaça especial, custando R$ 8,40/kg/R$ 8,80/kg
Conforme informações do Cepea/Esalq sobre o Indicador do Suíno Vivo, referentes à terça-feira (13), o preço ficou estável somente em Minas Gerais (R$ 5,95/kg), e houve leve alta de 0,51% em São Paulo, chegando a R$ 5,92/kg. Quedas foram registradas no Paraná, na ordem de 0,76%, caindo para R$ 5,24/kg, recuo de 1,32% em Santa Catarina, atingindo R$ 5,24/kg, e de 4,63% no Rio Grande do Sul, baixando para R$ 5,35/kg.
Cepea/Esalq
Preços do frango sobem na quarta-feira
Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a ave na granja ficou estável em R$ 4,50/kg, enquanto o frango no atacado teve alta de 0,83%, valendo R$ 6,05/kg
Na cotação do animal vivo, São Paulo ficou sem referência de preço. Em Santa Catarina, o preço não mudou, valendo R$ 4,37/kg, da mesma maneira que o preço no Paraná, fixado em R$ 4,62/kg. Conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à terça-feira (13), a ave congelada subiu 2,68%, alcançando R$ 6,13/kg, enquanto o frango resfriado aumentou 0,84%, fechando em R$ 5,97/kg.
Cepea/Esalq
Equador abre mercado para farinhas de aves do Brasil
O Equador abriu mercado para farinhas de aves para alimentação animal produzida no Brasil, segundo informações divulgadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na quarta-feira (14)
O Equador importou um total de US$ 554 milhões em farinha de origem animal para alimentação animal em 2022, segundo o Mapa. O Brasil também conquistou recentemente a aprovação para exportar alimentos mastigáveis para animais de estimação (pet food) para a África do Sul. A África do Sul importou US$ 60 milhões em pet food em 2022, quando o Brasil exportou quase US$ 100 milhões de produtos desta categoria para outros mercados. O Mapa disse que 24 novos mercados para produtos da agropecuária brasileira foram abertos desde janeiro de 2023. No segmento de proteína animal, as aberturas de mercado incluem o México (carne bovina, carne suína in natura, carne avícola termoprocessada, miúdos e pele de aves), Cingapura (produtos bovinos), China (farinha de aves e suínos), Polinésia Francesa (carne de frango), entre outros.
CARNETEC
INTERNACIONAL
Pecuaristas franceses pedem redução nas importações de carne
Vários pecuaristas franceses se manifestaram perante o Ministério da Economia francês para exigir a redução das importações de carne, em meio a um debate sobre o impacto do setor nas mudanças climáticas
Um relatório do Tribunal de Contas recomendou ao governo definir “uma estratégia de redução” do número de vacas, de forma a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, indignando o sector. “Atualmente importamos 25% do nosso consumo de carne bovina. Talvez a primeira coisa que deva ser feita seja proibir” a importação, disse Patrick Bénézit, presidente da Federação Nacional de Bovinos (FNB). O também segundo vice-presidente do FNSEA, principal sindicato agrícola da França, recomendou ao ministro da Economia, Bruno Le Maire, que explicasse aos franceses que “eles deveriam consumir 25% menos carne”. Os pecuaristas, que se manifestaram por uma hora e meia, também viram como “provocação” um tweet de Le Maire em 17 de maio por ocasião de sua visita a uma empresa de alternativas à carne. “Você sabia? 100 gramas de proteína vegetal geram entre 60% e 90% menos gases de efeito estufa do que 100 gramas de proteína animal”, escreveu o ministro. A França tem um rebanho bovino de 17 milhões de cabeças, que gera 11,8% de suas emissões de gases de efeito estufa, já que os bovinos produzem metano em seu processo de digestão. Os pecuaristas pediram um encontro com o governo, que acusaram de “incoerência”, exigiram “um plano de resgate” e criticaram os acordos comerciais da União Europeia (UE) com Canadá e México e as negociações com os países do Mercosul, que incluem a importação de carne.
EL OBSERVADOR
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