
Ano 9 | nº 1999 |14 de junho de 2023
NOTÍCIAS
Preços estáveis no mercado do boi gordo em São Paulo
Os preços permaneceram estáveis nas praças pecuárias paulistas na comparação feita dia a dia
Os pecuaristas, que têm a possibilidade, seguram o gado a espera de melhores ofertas de compra. Por parte das indústrias, alguns frigoríficos têm optado por escalas de abate atendendo apenas uma semana. Com isso, o boi gordo “comum” (direcionado ao mercado interno) e o “boi-China” (abatido com até 30 meses) seguem apregoados em R$ 240/@ em São Paulo – sem ágio, portanto, para o animal padrão-exportação –, enquanto a vaca e a novilha gordas são negociadas por R$ 215/@ e R$ 230/@, respectivamente (preços brutos e a prazo), de acordo com os dados da Scot. Em Alagoas houve queda de R$2,00/@ de boi, R$8,00/@ de vaca e R$2,00/@ de novilha na comparação diária. Na exportação de carne bovina in natura. Até a segunda semana de junho, foram exportadas 70,3 mil toneladas de carne bovina in natura, a média diária embarcada foi de 11,7 mil toneladas, aumento de 61,5% comparada a junho/22, o faturamento médio diário está em US$60,2 milhões, aumento de 21,7% na mesma comparação.
SCOT CONSULTORIA
Mercado do boi gordo apresentou preços estáveis na terça-feira
Embora alguns negócios tenham sido registrados abaixo da média de referência, o movimento de queda está perdendo força devido à oferta mais equilibrada de animais terminados
No entanto, a recuperação dos preços da arroba ainda está distante, conforme apontado pelo analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias. Os frigoríficos, além de terem escalas de abate confortáveis, também estão lidando com estoques elevados. Como resultado, mesmo durante a primeira quinzena do mês, não houve recuperação nos preços no atacado. A expectativa é que aumentos mais consistentes ocorram apenas no próximo mês, quando a oferta se reduzirá e a composição das escalas de abate será mais desafiadora, aumentando a possibilidade de reajustes. Em São Paulo, a referência para a arroba do boi ficou em R$ 242,00. Em Dourados (MS), a arroba foi indicada a R$ 229,00. Em Cuiabá, o valor indicado foi de R$ 206,00 por arroba. Em Goiânia, Goiás, a indicação foi de R$ 220,00 para a arroba do boi gordo. Já em Uberaba (MG), o preço da arroba atingiu R$ 225,00. No atacado, os preços permanecem estáveis. De acordo com Iglesias, não há grandes expectativas de recuperação, mesmo durante a primeira metade do mês, que geralmente tem maior demanda. Além disso, as proteínas concorrentes também enfrentam dificuldades para se ajustar ao mercado interno, especialmente a carne de frango. O quarto traseiro foi precificado a R$ 17,90 por quilo, mantendo-se estável. O quarto dianteiro teve preço de R$ 13,15 por quilo, sem alterações.
Já a ponta de agulha foi vendida a R$ 12,90 por quilo, também sem variações.
AGÊNCIA SAFRAS
Mato Grosso tem recorde no abate de fêmeas em maio, diz Imea
Pelo quarto mês seguido, as fêmeas representaram mais da metade (52,63%) dos bovinos abatidos nos frigoríficos do Estado
O início da entressafra das pastagens com o tempo mais seco no Centro-Oeste do país e a fase de baixa disponibilidade de animais no ciclo pecuário brasileiro resultaram no maior envio de fêmeas para o abate da história de Mato Grosso em maio deste ano, de acordo com o boletim do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), publicado na segunda-feira (12/06). Ao todo, 290.617 fêmeas foram para o “gancho” no mês passado no Estado. O número representa um aumento de 27,35% na comparação com o mês anterior, afirmou o Imea citando dados do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea). “O volume abatido foi 50,03% maior que o observado no mesmo período dos últimos anos”, disse no boletim. Pelo quarto mês seguido, as fêmeas representaram mais da metade (52,63%) dos bovinos abatidos nos frigoríficos de Mato Grosso. As médias de participação das vacas nos abates do Estado nos últimos dois anos foram de 39,13% e 37,33%, respectivamente. Os abates totais de bovinos em Mato Grosso chegaram a 552.212 cabeças nas indústrias, aumento de 22,83%. “Essa conjuntura de excesso de animais disponíveis nas indústrias explica a forte pressão exercida sobre os preços do boi e da vaca gorda que tem sido vista no Estado”, completou o Imea. O instituto também informou que o diferencial de base entre as praças de Mato Grosso e São Paulo em maio de 2023 esteve em -13,88%, ajuste de +0,46% no comparativo mensal. No mesmo período, o preço médio do boi gordo a prazo em Mato Grosso fechou em R$ 229,89 por arroba livre do Funrural, o que significa desvalorização de 7,05% em relação a abril deste ano. “Essa retração é dada por causa da grande oferta de animais terminados no mercado”, disse o boletim. Em São Paulo também houve pressão baixista nos preços, gerando queda de 7,54% no comparativo mensal. A média do boi a prazo em maio de 2023 foi de R$ 266,93 por arroba no Estado. “A perspectiva para o segundo semestre é que este [diferencial] volte a encurtar, em virtude da recuperação sazonal nos preços em Mato Grosso”, completou.
VALOR ECONÔMICO
Preço alto impacta consumo de carnes no Brasil, diz pesquisa
Uma pesquisa recente realizada pela plataforma online Kantar aponta que o aumento dos preços está levando os brasileiros a reduzirem o consumo de carnes em suas refeições
Segundo o estudo, que ouviu 3.800 pessoas durante o primeiro trimestre deste ano, houve uma queda de 9% no consumo de proteínas nesse período, em contraste com a diminuição de 6% no segmento de alimentos e bebidas em geral. A diretora do Painel de Uso da Kantar, Aurelia Vicente, ressalta que o consumo de proteínas em geral vem apresentando uma queda, especialmente no caso da carne bovina. Essa tendência já era observada desde o ano passado, mas se intensificou com o aumento da inflação. Atualmente, a carne bovina representa 39% do consumo de proteínas, em comparação com os 43,1% registrados no primeiro trimestre de 2021. Por outro lado, a carne suína ganhou destaque, subindo de 4,6% para 9,1% nesse mesmo período. Mesmo as proteínas mais acessíveis, como salsichas e linguiças, perderam importância no período. O consumo de linguiças caiu de 15,4% para 14,9%, enquanto o de salsichas diminuiu de 4,8% para 3,8%. No entanto, o consumo de carne de aves está se recuperando no curto prazo, passando de 25,9% para 28,6%, após um período de alta nos preços em 2022. Em relação aos peixes e frutos do mar, houve estabilidade nos primeiros três meses deste ano, representando 4,3% do consumo total de proteínas. Porém, esses alimentos apresentaram uma queda em relação a 2021, quando representavam 6% do consumo. A diretora da Kantar, Aurelia Vicente, destaca que a retomada do consumo de carne de frango está relacionada à busca por opções mais acessíveis e ao equilíbrio financeiro dos consumidores. Com os preços em alta, as pessoas estão optando por alternativas como salsichas e linguiças, que estão ganhando espaço nas mesas dos brasileiros, principalmente nas classes sociais mais baixas. Aurelia ressalta que o comportamento dos preços será determinante para o consumo nos curto e médio prazos. Ela enfatiza que, quando as pessoas tiverem mais possibilidades financeiras, é provável que retomem a compra de carnes bovina e de frango, que são as preferidas dos brasileiros. A diretora também destaca que o preço elevado não afeta apenas as carnes, mas também outras commodities, como arroz e feijão.
BEEF POINT/CANAL RURAL
Exportação de gado em pé ensaia recuperação
Embarques crescem no 1º quadrimestre de 2023, em função da maior demanda turca e da queda nos preços da reposição, que tornam a venda “para o navio” mais atrativa
O mercado de exportação de gado vivo dá sinais de retomada. Impulsionado pela demanda da Turquia (país que segue como principal importador do Brasil), os embarques estão voltando de norte a sul. Os números ainda estão distantes dos registrados no período em que a atividade navegava de vento em popa, mas parecem ter saído da calmaria dos últimos anos. No primeiro quadrimestre de 2023, foram vendidos 95.957 bovinos, por US$ 82,6 milhões, mais do que o dobro do número registrado em igual período do ano passado, quando o País embarcou 47.494 animais, com faturamento de US$ 47,6 milhões.
PORTAL DBO
ECONOMIA
Dólar à vista tem leve baixa
O dólar à vista deu continuidade na terça-feira ao movimento mais recente de queda ante o real no Brasil, com as cotações reagindo a notícias sobre o estímulo econômico anunciado na China e sobre a desaceleração de preços nos EUA
O dólar à vista fechou o dia cotado a 4,8622 reais na venda, com baixa de 0,12%. Esta é a menor cotação de fechamento desde 6 de junho do ano passado, quando encerrou a 4,7959. Na B3, às 17:16 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,07%, a 4,8785 reais. No início do dia, a moeda norte-americana reagia ao anúncio de que o Banco do Povo da China cortou sua taxa de recompra reversa de sete dias em 10 pontos-base, para 1,90%, injetando 2 bilhões de iuanes (279,97 milhões de dólares) no sistema. Foi a primeira redução desta taxa de empréstimo de curto prazo em dez meses, com o objetivo de restaurar a confiança do mercado e sustentar a recuperação do país no pós-pandemia. Como de costume, o estímulo anunciado pela China favoreceu as moedas de países exportadores de commodities, como o real brasileiro, colocando o dólar em queda. Esta tendência de baixa para o dólar foi amplificada a partir das 9h30, quando o Departamento do Trabalho dos EUA anunciou que o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) aumentou 0,1% em maio, depois de avançar 0,4% em abril. Nos 12 meses até maio, o índice subiu 4,0%, menor patamar nessa base de comparação desde março de 2021, após o aumento de 4,9% em abril. Os dados reforçaram a ideia de certa acomodação dos preços, o que abriria espaço para o Federal Reserve interromper — pelo menos neste mês — o atual ciclo de alta dos juros nos EUA. Na reta final dos negócios com a moeda à vista, porém, o dólar se reaproximou da estabilidade. “Os dados de inflação nos EUA confirmaram as apostas de que o Fed deve manter os juros na quarta-feira. Por conta disso, vimos esta queda do dólar pela manhã. Mas estamos ainda em um ambiente de expectativa e cautela por conta da decisão do Fed”, ponderou a economista Cristiane Quartaroli, do Banco Ourinvest.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda de 0,51% com realização de lucros após 7 altas seguidas
O Ibovespa fechou em queda na terça-feira, reflexo de movimentos de realização de lucros após sete pregões consecutivos de alta, descolando do desempenho mais positivo de Wall Street, em meio a expectativas de uma pausa no ciclo de aperto monetário nos Estados Unidos
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,51%, a 116.742,71 pontos, após subir mais de 8% nos sete pregões anteriores. O volume financeiro somou 27,97 bilhões de reais, em sessão na véspera de vencimento de opções do Ibovespa e do índice futuro. Para o analista Matheus Lima, da Top Gain, trata-se de uma “correção saudável” após um rali de alta que fez o Ibovespa romper máximas do ano nesta semana, sendo negociado em patamares de preço que não eram vistos há um bom tempo. Ele destacou que os dados de inflação dos Estados Unidos, divulgados mais cedo, foram uma notícia positiva, corroborando apostas na pausa no ciclo de aperto monetário nos EUA na quarta-feira, mas que o mercado já vinha precificando. Na quarta-feira, o Federal Reserve anuncia sua decisão de política monetária e a maioria das apostas no mercado aponta para manutenção dos juros na faixa de 5% a 5,25% ao ano. Em Wall Street, o S&P 500 avançou 0,69%. Na B3, ações de empresas de commodities ainda foram apoiadas pela decisão do BC chinês de cortar uma taxa de empréstimo de curto prazo, o que foi interpretado no mercado como sinal de possível redução das taxas de longo prazo na próxima semana. De acordo com o especialista da Blue3 Investimentos Gabriel Felix, a decisão favorece commodities, mas não foi suficiente na sessão para evitar a queda do Ibovespa, que refletiu os efeitos de movimentos de realização de lucros. “Uma correção depois de dias seguidos de alta é natural e até bem-vinda”, afirmou. Papéis mais sensíveis à economia brasileira, como os de companhias de consumo, que vinham mostrando desempenho positivo na esteira de expectativas de uma redução mais cedo da Selic, por sua vez, figuravam entre as maiores quedas, afetados ainda pela alta da curva de juros.
REUTERS
Diretrizes do relatório da reforma tributária desagradam bancada ruralista
Parlamentares ligados ao agronegócio cobram clareza sobre desoneração da cesta básica e isenções
As diretrizes apresentadas no relatório do grupo de trabalho da reforma tributária da Câmara dos Deputados não agradaram a bancada ruralista. Os parlamentares ligados ao agronegócio querem que o texto final da proposta, que deverá ser divulgado na próxima semana, seja claro sobre a manutenção da desoneração da cesta básica e da isenção para as exportações, entre outros pontos defendidos pelo setor. A análise inicial da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) sobre as premissas da reforma tributária é que elas são vagas, geram confusão e podem complicar ainda mais o sistema de arrecadação de tributos do país. A bancada diz que é “descabida” a votação do texto na primeira semana de julho, conforme acordado pelo relator, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PPAL). “Os princípios que foram apresentados pelo grupo de trabalho na semana passada não nos satisfazem. Achamos que pairam dúvidas muito acentuadas, o que faz trazer uma incerteza muito grande sobre o impacto da reforma tributária do ponto de vista do agro”, disse o vice-presidente da FPA, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), na terça-feira. “Só o texto definitivo vai nos permitir uma análise mais detalhada das consequências. Se o texto for como foi anunciado e realmente apresentado dia 20, pensar em votar a reforma tributária logo em julho é algo descabido. O prazo necessário será maior para que as consequências sejam avaliadas e possamos ter interveniência. Não consideramos que essa matéria deva ter acelerada a sua deliberação à medida que nem há ainda o texto proposto para a reforma tributária”, acrescentou Jardim. “O problema não é só tempo, é que nós não votaremos algo que não tenhamos segurança sobre suas reais consequências”, completou. Uma das preocupações da bancada é com a desoneração ou não da cesta básica. “O texto diz que poderá ser mantida a desoneração da cesta básica. Isso nos parece insuficiente. Queremos que o texto seja mais determinativo e diga que deverá ser mantida a isenção sobre a cesta básica. Não ter isso é correr o risco de imediatamente ter um acréscimo do custo do alimento para o brasileiro”, apontou. O deputado disse que a convivência de dois sistemas de tributação durante um “longo período”, como está sinalizado nas diretrizes do GT, pode “trazer muita confusão, pode gerar litígio e, ao contrário do enunciado, que é simplificar, pode complicar”. Ele pediu mais clareza nessa transição. Em relação à possibilidade de a produção rural ter alíquota diferenciada, a dúvida é quanto ao alcance dessa medida. “A referência de que haverá uma alíquota diferenciada para produção rural é extremamente vaga para nós. O que é produção rural? Como se contempla todos os segmentos de insumos e depois a agroindústria? O agro é uma cadeia de produção. Essa referência, e sem mínimo sinal de quanto poderá ser a alíquota, traz apreensão, mas mais do que isso, o receio de que isso signifique impacto, cobrança, elevação da carga tributária e inflação sobre os produtos”, destacou. O parlamentar também avaliou que há indefinição sobre a manutenção da isenção sobre as exportações e sobre a caracterização dos produtores rurais como contribuintes, o que pode elevar significativamente os custos para a maior parte do setor. Outra preocupação é sobre o tratamento que será dado para o ressarcimento de empresas do agro que têm crédito acumulado. “Queremos uma reforma neutra, sem acréscimo de arrecadação, e estamos temerosos que quando o texto vier de que isso possa estar embutido um crescimento de arrecadação”, disse. Arnaldo Jardim disse que a bancada vai levar sugestões e observações ao relator da reforma tributária, com quem quer manter um diálogo permanente.
VALOR ECONÔMICO
Exportações/Cepea: Faturamento com exportações do agro têm avanço moderado no início de 2023
O faturamento com as exportações brasileiras dos produtos do agronegócio seguiu avançando nos quatro primeiros meses de 2023, mas o ritmo de alta foi menos intenso que o verificado em anos anteriores.
Pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, realizadas com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Secretaria de Comércio Exterior – sistema Siscomex – mostram que, de janeiro a abril de 2023, o faturamento em dólar do setor cresceu 4,3% frente ao mesmo período do ano anterior, sendo puxado pelo aumento do volume – de 9,8% –, visto que os preços em dólar caíram 5%. Em moeda nacional, o faturamento apresentou alta de 4,9%. Pesquisadores do Cepea destacam que os produtos que mais contribuíram para o aumento do volume exportado foram o milho (os embarques cresceram expressivos 144%), o etanol (+74%), o óleo de soja (26,1%), a carne suína (+16,4%), a carne de frango (+13,4%), celulose (+9,8%), soja em grãos (+3,3%), açúcar (+2,5%) e farelo de soja (+1,1%). Quanto à queda no preço médio pago pelos produtos do agronegócio brasileiro, pesquisadores do Cepea indicam que esse movimento se deve ao arrefecimento na taxa de crescimento da demanda internacional em 2023 e também ao avanço da produção mundial. A taxa de crescimento das economias ao redor do mundo tem diminuído, resultando em menor pressão de demanda sobre os preços das commodities. Do lado da oferta, os elevados preços praticados em 2021 e 2022 motivaram o incremento da produção em importantes países. No Brasil, confirma-se o avanço superior a 14% na safra de grãos, sendo que a produção de soja cresceu mais de 20% no ciclo 2022/23. No entanto, preocupações de ordem sanitária e fitossanitária seguem na agenda dos produtores, principalmente devido ao surgimento de casos de influenza aviária em aves silvestres no País. Quanto ao câmbio, a expectativa dos agentes do mercado financeiro é de que se mantenha próximo a R$ 5 neste ano, podendo ficar abaixo desse patamar caso o programa de controle da dívida pública seja eficiente. Além disso, a inflação deve se manter mais comportada, por conta da esperada estabilidade do dólar e do arrefecimento dos preços das matérias-primas. Ao setor agroexportador, após ser agraciado por uma produção recorde, resta esperar que os preços no mercado internacional não sejam demasiadamente depreciados para que possam superar o recorde valor do faturamento externo obtido em 2022.
Cepea
Itaú eleva com força projeção de crescimento do PIB e vê inflação mais baixa
O Itaú elevou acentuadamente na terça-feira sua projeção para a expansão da atividade econômica do Brasil neste ano, em linha com o maior otimismo de outras instituições financeiras, e revisou para baixo seus prognósticos para a inflação ao consumidor, prevendo ainda a antecipação de um afrouxamento “gradual” da política monetária
O banco privado espera agora que o crescimento do PIB em 2023 seja de 2,3%, quase 1 ponto percentual acima da taxa de 1,4% esperada antes, “diante do crescimento acima do esperado no primeiro trimestre e da expectativa de que, a despeito dos efeitos do aperto monetário, o consumo vai se manter sustentado pela renda nos próximos trimestres”, segundo relatório. Dados do IBGE mostraram no início deste mês que a economia brasileira voltou a crescer no primeiro trimestre de 2023 e superou as expectativas com o melhor resultado para a atividade desde o final de 2020, refletindo o desempenho mais forte do setor agrícola em quase três décadas. Na esteira dos dados, muitas outras instituições revisaram para cima suas projeções oficiais para o PIB do ano inteiro. Para 2024, o Itaú também aumentou sua expectativa para o crescimento econômico, de 1,0% para 1,5%. No que diz respeito à inflação, o Itaú revisou para baixo a expectativa de alta do IPCA em 2023 a 5,3%, de 5,8% antes, “incorporando preços mais baixos de produtos comercializáveis e corte de 5% nos preços da gasolina na refinaria”. Para 2024, o banco ajustou ligeiramente a projeção de inflação a 4,4%, de 4,5%. “Esperamos que a redução das pressões inflacionárias e uma decisão prudente sobre o regime de metas para a inflação permitirão que o Copom antecipe o ciclo de flexibilização, com corte de 0,25 p.p., em setembro, e dois cortes de 0,50 p.p. nas reuniões de novembro e dezembro, o que levaria a taxa Selic a 12,50% ao final de 2023”, estimou o Itaú no relatório, acrescentando que “a eventual flexibilização da política monetária deveria ocorrer de forma gradual”. “O ajuste fiscal ainda é desafiador e a política monetária nos países desenvolvidos continua avançando em território contracionista. Esses fatores demandam cautela com as projeções de inflação de médio prazo e recomendam uma condução parcimonioso da distensão monetária”, disse o banco. Para 2024, o Itaú manteve previsão de Selic de 10%, diante de uma desinflação lenta dos preços de serviços.
REUTERS
Conab:próxima de atingir um novo recorde, produção de grãos está estimada em 315,8 milhões de toneladas
Os produtores brasileiros deverão colher 315,8 milhões de toneladas na safra de grãos 2022/2023. A nova estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgada na terça-feira (13/06), aponta para novo recorde de produção podendo registrar um crescimento de 15,8%, o que representa um volume 43,2 milhões de toneladas superior ao estimado no ciclo anterior, como revela o 9º Levantamento da Safra de Grãos
De acordo com o documento, a área destinada para o plantio apresenta um crescimento de 4,8% em relação ao ciclo 2021/22, sendo estimada em 78,1 milhões de hectares. A soja se destaca com o maior crescimento neste ciclo. Com a colheita praticamente finalizada, chegando a 99,9% da área semeada, a estimativa é de um volume de 155,7 milhões de toneladas. O resultado supera em 24% a produção da temporada passada, ou seja, cerca de 30,2 milhões de toneladas colhidas a mais. Mato Grosso, principal estado produtor, registra um novo recorde para a safra da oleaginosa, com produção estimada em 45,6 milhões de toneladas. Bahia também é um destaque com a maior produtividade do país com 4.020 kg/ha. “Nos dois casos, o resultado é reflexo do bom pacote tecnológico e condições climáticas favoráveis neste ciclo”, ressalta o gerente de Acompanhamento de Safras da Conab, Fabiano Vasconcellos. Para o milho, a projeção também é de um novo recorde com produção estimada em 125,7 milhões de toneladas, somando-se as 3 safras do cereal ao longo do ciclo, é 11,1% acima do volume produzido em 2021/22, o que representa 12,6 milhões de toneladas. Na primeira safra do grão, a colheita está quase finalizada com uma produção de 27,1 milhões de toneladas. Já para a segunda safra, em fase inicial de colheita, estima-se uma produção de 96,3 milhões de toneladas. “As condições climáticas têm sido favoráveis para o desenvolvimento da cultura até o momento”, pondera Vasconcellos. Outra importante cultura de 2ª safra, o algodão tem uma colheita estimada de 2,98 milhões de toneladas apenas da pluma. As lavouras apresentam um bom desenvolvimento, e predominam os estádios de formação de maçãs e maturação, com a colheita já iniciada em áreas da Bahia e Mato Grosso do Sul. Para o arroz, a expectativa é que sejam colhidas cerca de 10 milhões de toneladas na safra 2022/23. Já para o feijão, é esperada uma produção em torno de 3 milhões de toneladas, somando-se as três safras da leguminosa. Dentre as culturas de inverno, destaque para o trigo. A área semeada do cereal já atinge 46,9% no país, o que representa um crescimento de 9,7% na área plantada, com a cultura podendo alcançar 3,4 milhões de hectares, o que resulta em uma produção de 9,8 milhões de toneladas.
Conab
EMPRESAS
Acrimat espera impacto em abates após incêndio em planta da JBS em Diamantino
A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) espera que as escalas de abates de bovinos no estado sejam afetadas após o incêndio na unidade da JBS em Diamantino (MT), segundo nota divulgada pela entidade na segunda-feira (12).
“Num momento em que as indústrias em todo o estado estão a pleno vapor, utilizando praticamente 100% da capacidade, a suspensão da operação nessa unidade certamente prejudicará ainda mais as escalas de abate em todo o estado”, disse a Acrimat. “Esperamos que as unidades que se encontram paralisadas como as de Juína, Juara e Vila Rica sejam colocadas em funcionamento.” A Prefeitura de Juara informou em nota na segunda-feira (12) que a JBS entrou em contato com o governo local e pretende iniciar a seleção de empregados em parceria com o Sistema Nacional de Emprego (Sine) da cidade na quinta-feira (15) para potencial reabertura da planta no início de agosto. A JBS não respondeu, até a noite de terça-feira (13), aos questionamentos da CarneTec sobre a possibilidade de retomar operações em Juara, Juína e Vila Rica e estimativa para o retorno das operações em Diamantino. O incêndio na planta da JBS em Diamantino ocorreu na madrugada de sábado para domingo (11). A JBS disse que não houve vítimas. A planta tem capacidade de abate de mais de 4 mil bovinos por dia e é localizada em região de logística estratégica no estado, cercada de confinamentos e rodovias federais e estaduais, segundo a Acrimat. “A unidade de Diamantino recebe animais não só de áreas próximas da indústria, mas de grandes centros produtores, principalmente, da capital e seu entorno e da região noroeste e norte do estado”, disse a entidade. A Acrimat disse que se solidariza com os acionistas do grupo JBS pelo incidente e espera que a empresa consiga rapidamente recolocar a unidade em funcionamento.
CARNETEC
FRANGOS & SUÍNOS
Suínos: queda no PR e RS
Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a arroba do suíno CIF ficou estável em R$ 107,00/R$ 112,00, assim como a carcaça especial, custando R$ 8,40/kg/R$ 8,80/kg
Conforme informações do Cepea/Esalq sobre o Indicador do Suíno Vivo, referentes à segunda-feira (12), houve tímida alta de 0,38% em Santa Catarina, chegando a R$ 5,31/kg. Observou-se queda de 0,56% no Paraná, atingindo R$ 5,28/kg, e de 1,58% no Rio Grande do Sul. Os preços ficaram estáveis em Minas Gerais (R$ 5,95/kg), e em São Paulo (R$ 5,89/kg).
Cepea/Esalq
Preço do frango congelado em SP cai 1,49%
Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a ave na granja ficou estável em R$ 4,50/kg, enquanto o frango no atacado teve alta de 0,84%, valendo R$ 6,00/kg
Na cotação do animal vivo, São Paulo ficou sem referência de preço. Em Santa Catarina, o preço não mudou, valendo R$ 4,37/kg, da mesma maneira que o preço no Paraná, fixado em R$ 4,62/kg. Conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à segunda-feira (12), houve queda de 1,49% para a ave congelada, enquanto o frango resfriado ficou estável em R$ 5,92/kg.
Cepea/Esalq
INTERNACIONAL
EUA: queda geral nas exportações de carne bovina
Após um excelente desempenho nas exportações de carne bovina dos EUA no primeiro semestre de 2022, este ano as vendas estão mostrando resultados piores, de acordo com a Federação de Exportação de Carne dos EUA usando dados do USDA
As exportações de carne bovina de abril ficaram 10% abaixo do ano passado, totalizando 111.416 toneladas, enquanto o valor caiu 18%, para US$ 859,5 milhões, segundo o relatório. Além disso, nos primeiros quatro meses de 2023, as exportações de carne bovina caíram 8% em volume para 437.910 toneladas e foram 21% menores em valor (US$ 3,21 bilhões) ano a ano. O presidente e CEO da USMEF, Dan Halstrom, disse: “Com o aperto na oferta de carne bovina dos EUA, é difícil acompanhar os notáveis totais de exportação registrados no primeiro semestre de 2022, mas as exportações continuam respondendo por uma parcela de produção semelhante ao recorde do ano passado”. Apesar dos totais mais baixos nas exportações de carne bovina dos EUA, México, Coreia, Europa e África mostraram forte demanda por carne bovina dos EUA em abril. O México foi o principal destino das carnes bovinas dos EUA, O peso forte e a robusta demanda de foodservice impulsionaram os embarques de abril para um total de 14.403 toneladas, um aumento de 10% em relação a 2022, enquanto o valor aumentou 18%, para US$ 81,8 milhões. As exportações para o México nos primeiros quatro meses de 2023 aumentaram 14%, para 64.912 toneladas, com um valor de US$ 365,4 milhões (aumento de 17%). Com a redução da inflação na Coreia do Sul, as exportações para o país superaram o volume de abril passado em 7%, totalizando 24.825 toneladas. No entanto, o valor das exportações foi de US$ 201,8 milhões, uma queda de 13% em relação ao ano passado. Além disso, as exportações para o país de janeiro a abril caíram 10% em relação a 2022 (88.708 toneladas), avaliadas em US$ 707,1 milhões (queda de 31%). A União Europeia, juntamente com o Reino Unido, registrou o maior mês nas exportações de carne bovina dos EUA desde setembro de 2019, apesar de sua restrição às importações de carne bovina de gado não tratado com hormônios. As exportações totalizaram 2.345 milhões de toneladas (aumento de 25%) com valor aumentando 32% para US$ 31,4 milhões. Desde o início de 2023, as exportações nos primeiros quatro meses subiram 14%, para 7.176 toneladas, atingindo US$ 89,8 milhões em valor. Embora a demanda britânica represente parte do crescimento, a falta de acesso isento de impostos ao Reino Unido provavelmente colocará a carne bovina dos EUA em grave desvantagem após os acordos de livre comércio recentemente implementados pelo Reino Unido com a Austrália e a Nova Zelândia. Além disso, para 2023, a participação específica dos EUA na cota de carne bovina de alta qualidade isenta de impostos da UE é de 27.800 toneladas. Também mostrando forte demanda por variedade de carne bovina dos EUA, a África do Sul continua sendo um ponto brilhante para as exportações de carne bovina dos EUA em 2023. Quase dobrando em relação ao ano passado, as exportações de abril aumentaram 96% para 1.374 milhões de toneladas e avaliaram US$ 1,5 milhão (aumento de 70%). De janeiro a abril, as exportações foram de 7.199 toneladas, alta de 162%, com valor chegando a US$ 7,8 milhões, alta de 165%. Peru, China/Hong Kong e Caribe também registraram totais bastante fortes em abril, enquanto o Japão caiu, registrando o menor total desde fevereiro de 2016.
No geral, o valor das exportações de carne bovina de abril equivalia a US$ 441,70 por cabeça, uma queda de 10% em relação ao ano passado, mas o maior desde julho. A média per capita de janeiro a abril foi de US$ 389,53, uma queda de 19% em relação a 2022. Além disso, as exportações de abril representaram 15,7% da produção total de carne bovina e 13,5% apenas para cortes de músculo, diz o relatório.
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