CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 1901 DE 19 DE JANEIRO DE 2023

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Ano 9 | nº 1901 |19 de janeiro de 2023

 

NOTÍCIAS

Queda na cotação da arroba da vaca gorda em São Paulo

A boa oferta de bovinos terminados e pouca demanda deixaram as cotações para todas as categorias pressionadas. Dessa forma, a cotação da vaca gorda caiu R$2,00/@ em relação ao levantamento anterior (17/1)

Nas praças de São Paulo, segundo apuração da Scot Consultoria, as cotações do boi gordo continuam pressionadas, mas a arroba do macho se manteve estável na quarta-feira, em R$ 270/@, no prazo, valor bruto. Por sua vez, no mesmo mercado paulista, a vaca gorda sofreu desvalorização de R$ 2/@ na comparação diária, recuando para R$ 259/@, enquanto o valor da novilha gorda ficou estável, em R$ 265/@ (preços brutos e a prazo), de acordo com a Scot. O “boi China”, está cotado em R$ 275/@ em São Paulo (preço bruto e a prazo), segundo dados da Scot. Em Goiás, Sul, devido à boa oferta de bovinos e escalas de abate fechadas até o final do mês, os preços de todas as categorias caíram. O preço da arroba do boi gordo caiu R$5,00/@ e as fêmeas R$2,00/@ na comparação feita dia a dia (17/1). Na Bahia, Oeste, no comparativo diário, a cotação dos bovinos ficou estável em relação ao fechamento anterior (17/1), desta forma não houve alterações de preços.

SCOT CONSULTORIA

Mercado físico do boi gordo segue pressionado nesta semana

De acordo com o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o ambiente de negócios sugere a intensificação desse movimento no curto prazo, em linha com a posição bastante confortável das escalas de abate

O preço da carne no atacado também gera estímulo à manutenção da pressão de queda. Como fator de suporte aos preços é necessário citar a boa capacidade de retenção neste momento. Os boatos envolvendo a China não impactaram nas negociações no mercado físico durante o dia, diferente do ocorrido nos futuros de boi gordo na B3. Em São Paulo (SP), a referência para a arroba do boi permaneceu em R$ 275. Em Minas Gerais, os preços fecharam em R$ 278. Da mesma forma, em Dourados (MS), a cotação se manteve R$ 257. Em Cuiabá (MT), a arroba de boi gordo finalizou o dia cotada a R$ 252. Já em Goiânia (GO), a arroba está em R$ 270. O atacado voltou a operar com preços acomodados nesta quarta-feira (18). De acordo com Iglesias, o ambiente de negócios ainda inspira cuidados, avaliando a reposição mais lenta entre atacado e varejo durante a segunda quinzena do mês. “Além disso, as demais carnes permanecem mais competitivas na comparação com a carne bovina. Ele ressaltando que a descapitalização da população remete a um consumo mais amplo de proteínas mais acessíveis, a exemplo do frango e do ovo”, destaca o comentarista. O quarto dianteiro foi precificado a R$ 14 por quilo.  Já a ponta de agulha ficou com preço de R$ 14,50. O quarto traseiro do boi ficou cotado em R$ 20 por quilo.

AGÊNCIA SAFRAS

China reabilita 3 frigoríficos do Brasil e Indonésia abre mais 11, diz Fávaro

A China reabilitou três unidades frigoríficas do Brasil, uma de carne bovina e duas de aves, enquanto a Indonésia habilitou 11 frigoríficos de carne bovina do país, disse na quarta-feira o Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, após reunião com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva

A unidade da JBS (BVMF:JBSS3) de Mozarlândia, em Goiás, estava com os embarques de carne bovina para a China suspensos desde o ano passado e poderá retomar as vendas ao país, conforme informação do ministério. As plantas de aves contempladas com o fim da suspensão chinesa são da Belo Alimentos em Itaqueraí (MS), e da São Salvador Alimentos, localizada em Itaberaí (GO). “Isso é uma excelente notícia, é um sinal de que a credibilidade brasileira voltou a acontecer”, disse Fávaro a jornalistas, citando a importância do Presidente Lula. No caso da Indonésia, entre as grandes empresas habilitadas, a Marfrig (BVMF:MRFG3) teve três unidades de bovinos –em Tangará da Serra (MT), Promissão (SP) e Chupinguaia (RO)–, a Minerva (BVMF:BEEF3) teve a planta de Janaúba (MG) aprovada, além da Frigol, com a unidade de Água Azul (BVMF:AZUL4) do Norte (PA). Segundo dados do Ministério da Agricultura, o mercado da Indonésia foi aberto em 2019, e no ano passado o Brasil embarcou 20,6 mil toneladas de carnes ao país, com receita de 110,4 milhões de dólares.

REUTERS

ECONOMIA

Dólar avança mais de 1% após falas sobre salário mínimo e com impacto do exterior

O dólar à vista avançou ante o real na quarta-feira, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicar possíveis mudanças no salário mínimo, bem como no Imposto de Renda (IR), e diante do fortalecimento da moeda norte-americana no exterior na parte da tarde

A sessão ainda teve bateria de dados econômicos nos Estados Unidos, falas de membros do Federal Reserve (Fed) e divulgação do Livro Bege, relatório sobre a economia norte-americana publicado pelo banco central dos Estados Unidos. O dólar à vista subiu 1,11%, a 5,1613 reais na venda. Lula assinou durante encontro com as centrais sindicais um despacho determinando que os Ministérios do Trabalho e da Previdência, entre outros, apresentem em 45 dias uma proposta para uma política de valorização do salário mínimo. O prazo pode ser estendido por igual período e o grupo também vai debater sobre o novo valor do mínimo para 2023. Durante o evento, Lula afirmou que o salário mínimo tem que crescer em linha com o crescimento da economia. Na véspera, o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o governo vai definir o valor do mínimo deste ano a partir de uma negociação com as centrais, mas indicou que a viabilidade de um valor acima dos 1.302 reais já em vigor dependerá do cálculo do número de beneficiários do INSS, uma vez que uma parcela grande dos pagamentos previdenciários é indexada ao mínimo. “No horário da tarde, pesou (no câmbio) o debate sobre o salário mínimo”, disse Diego Costa, chefe de câmbio para as regiões Norte e Nordeste da B&T Câmbio. Na quarta, Lula também afirmou que o governo vai “mudar a lógica” para diminuir o Imposto de Renda cobrado dos mais pobres e aumentar sobre os ricos, e que vai “brigar” para subir o valor de isenção do IR para 5 mil reais, conforme promessa de campanha. “Ele voltar a afirmar isso acaba trazendo maior percepção de risco”, disse Rafael Rondinelli, analista de macroeconomia do banco Modal, observando que certo bom humor era visto nos últimos dias quanto ao cenário doméstico após declarações de Haddad. O Ministro apresentou um pacote de medidas econômicas na semana passada cuja iniciativa foi bem vista mercado, ainda que com ressalvas sobre se o plano é executável e críticas em relação a um foco no curto prazo. Além disso, nesta semana, em Davos, para o Fórum Econômico Mundial, o Ministro reiterou confiança na aprovação de uma reforma tributária neste ano e disse que quer ter a discussão sobre uma nova regra fiscal definida até abril. O cenário externo também colaborou para o avanço do dólar localmente na quarta-feira. O cenário mudou à tarde, diante de declarações dos membros do Fed que destacaram a necessidade da instituição de elevar os juros além de 5% para controlar a inflação, um patamar maior do que o precificado no mercado. O dólar apagou as perdas na sessão frente a uma cesta de moedas fortes durante à tarde e operava estável, enquanto passou a subir frente aos principais pares emergentes do real.

REUTERS

Ibovespa fecha em alta com Vale e Itaú

O Ibovespa fechou em alta pelo segundo pregão seguido na quarta-feira, com destaque para Vale e Itaú Unibanco, enquanto a Americanas caiu mais de 8%, ampliando a mais de 85% a perda desde a eclosão do escândalo contábil da varejista

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,71%, a 112.228,39 pontos. O volume financeiro somou 37,9 bilhões de reais, em sessão também marcada pelo vencimento de opções do Ibovespa. Após um começo de ano mais tenso, o Ibovespa já trabalha com desempenho positivo em 2023, o que muitos agentes financeiros atribuem também ao fluxo positivo de capital externo – positivo em cerca de 3 bilhões de reais no mercado secundário neste ano. Para o analista Luis Novaes, da Terra Investimentos, o Ibovespa teve seu desempenho limitado pelas declarações do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sinalizando uma faixa de isenção no Imposto de Renda maior na próxima reforma tributária, a depender de uma discussão com sua equipe econômica. “A indicação foi vista com receio pelo mercado, pois significaria uma diminuição na capacidade de arrecadação do governo num momento de gastos crescentes”, afirmou Novaes. Agentes financeiros também estão monitorando as discussões em relação ao salário mínimo de 2023, principalmente especulações sobre o valor ficar acima de 1.302 reais. Em relação ao tema, Lula defendeu que salário mínimo aumente de acordo com o crescimento da economia. O Presidente também assinou na quarta-feira um despacho determinando que os Ministérios do Trabalho e da Previdência, entre outros, apresentem em 45 dias uma proposta para uma política de valorização do salário mínimo. No exterior, Wall Street abriu no azul, mas encerrou a quarta-feira no vermelho, diante de uma bateria de dados econômicos, bem como declarações de integrantes do Federal Reserve. O S&P 500 caiu 1,56%, o que também pesou no pregão brasileiro, ajudando a tirar o Ibovespa da máxima.

REUTERS

Valor do crédito rural contratado na safra 2022/23 até dezembro supera os R$ 206 bilhões

Mais de R$ 206 bilhões do Plano Safra 2022/23 foram contratados entre 1º de julho e 31 de dezembro de 2022, de acordo com o levantamento feito pela Gerência de Desenvolvimento Técnico da Ocepar (Getec), com base em dados do Banco Central do Brasil

O montante é 24% superior ao registrado no mesmo período de 2021, quando foram captados R$ 165,9 bilhões. A maior parte dos recursos usados para contratação teve origem na poupança rural (38%); recursos obrigatórios (23%); recursos com taxas livres (23%); fundos constitucionais (7%), BNDES equalizável (6%) e outros (3%). As cooperativas brasileiras captaram R$ 17,48 bilhões, ou seja, R$ 2,77 bilhões a mais quando comparado com o volume captado até outubro (R$ 14,71 bilhões). A distribuição dos recursos tem como a maior parte destinados para à industrialização, custeio, comercialização e investimento, nesta ordem de importância. As cooperativas paranaenses captaram, até o momento, um volume significativo de recursos, ou seja, aproximadamente 30% (R$ 5,40 bilhões) do total contratado pelas cooperativas do país. Os segmentos que os recursos foram direcionados pelas cooperativas paranaenses estão na mesma ordem que a nacional. Verifica-se também que o montante total já captado de crédito rural do Plano Safra 2022/23 representa um montante de R$ 206,76 bilhões dos R$ 340,9 bilhões disponibilizados. Ou seja, aproximadamente, 60,6% dos recursos do Plano Safra já foram utilizados. “Se a taxa de juros e o custo de produção estivessem menores, o valor captado estaria muito mais avançado”, afirma o analista da Getec, Salatiel Turra.

OCEPAR

MEIO AMBIENTE

Em 2022, Amazônia teve maior desmatamento em 15 anos, diz Imazon

O desmatamento na Amazônia bateu novo recorde em 2022, ano em que a cobertura vegetal da floresta perdeu 10.573 km², o equivalente a quase 3 mil campos de futebol, segundo relatório divulgado hoje (18) pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon)

Pelo monitoramento feito via satélite, 2022, que atingiu seu maior patamar desde 2008, quando o Imazon começou a monitorar a Região Amazônica. Nos últimos 4 anos, a perda florestal na Amazônia foi de 35.193 km², segundo o Imazon. A área supera as de estados como Sergipe (21 mil km²) e Alagoas (27 mil km²). O período coincide com o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro, que costumava desacreditar dados sobre o desmatamento. O governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem prometido dar prioridade ao assunto. A Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, tem dado declarações sobre a preservação da floresta. Em uma das primeiras medidas, foi destravado o Fundo Amazônia, que conta com doações da Alemanha e Noruega para serem aplicados em ações de proteção ambiental. “Esperamos que esse tenha sido o último recorde de desmatamento reportado pelo nosso sistema de monitoramento por satélite, já que o novo governo tem prometido dar prioridade à proteção da Amazônia”, disse a pesquisadora Bianca Santos, da Imazon, no material divulgado na quarta-feira (18). O instituto destacou o salto de desmatamento registrado em dezembro, mês em que 287 km² de floresta foram derrubados, aumento de 150% em relação ao mesmo mês de 2021 (140 km²) e pior último mês do ano de toda série histórica. “No último mês do ano, houve uma corrida desenfreada para desmatar enquanto a porteira estava aberta para a boiada, para a especulação fundiária, para os garimpos ilegais e para o desmatamento em terras indígenas e unidades de conservação. Isso mostra o tamanho do desafio do novo governo”, disse Carlos Souza Jr, Coordenador do Monitoramento da Amazônia no instituto, no material de divulgação. Cerca de 80% da área desmatada em 2022 ficam em terras sob responsabilidade do governo federal (8.443 km²). Outros 11% de território destruído fica sob jurisdição dos governos estaduais (1.130 km²). Ainda de acordo com o relatório, o estado que mais desmatou em 2022 foi o Pará (3089 km²), seguido por Amazonas (2270 km²) e Mato Grosso (1228 km²).

Agência Brasil

EMPRESAS

Barra Mansa prioriza recurso próprio em plano de expansão

Receita do frigorífico cresceu 52% no ano passado e chegou a R$ 2,6 bilhões

Ao contrário da maior parte de seus concorrentes (e do que rezam muitos manuais de gestão), o frigorífico Barra Mansa, de Sertãozinho (SP), tem preferido usar recursos próprios, e não empréstimos, para financiar seu plano de expansão. A empresa diz que, depois de um ano de forte aumento dos juros no país, ela colhe agora os frutos dessa decisão. “Temos uma das menores alavancagens do setor, e esse talvez seja o nosso maior diferencial”, afirma Guilherme Oranges, diretor comercial do Barra Mansa. “Nossa dívida é praticamente zero”. A alavancagem da empresa corresponde a 1,5 vez o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) sobre a dívida líquida. No terceiro trimestre, a JBS reportou indicador de 1,76 vez; a Marfrig, de 2,07; e a Minerva, de 2,18. O próximo passo do plano de crescimento da companhia não será a abertura de uma nova planta, como seria de se supor. Em vez disso, a empresa vai priorizar a busca de um confinador para fechar parceria e, com isso, aumentar a verticalização da produção. É uma abordagem que se assemelha à da relação que a companhia tem com os bancos: quanto menos ela depender deles – bancos e fornecedores independentes -, melhor. “Queremos ser donos da matéria-prima”, afirma o executivo. Em 2022, a busca pela autossuficiência parece ter dado certo: o faturamento do Barra Mansa cresceu 52% no ano passado e chegou a R$ 2,6 bilhões. Oranges explicou que a prioridade nos últimos anos foi ampliar a produção e ter qualidade para vender aos mercados mais exigentes. A empresa abateu 271,63 mil bovinos em 2022. “Investimos na nossa planta, que é uma das maiores do Estado em capacidade e número de habitações para exportação”, disse. Grandes companhias de carne valem-se, muitas vezes, de plantas espalhadas em diversos Estados e países para equilibrar o negócio. O aumento gradual da oferta de gado deve diminuir o custo de aquisição de gado pela indústria ao longo do ano. Além disso, os preços das embalagens e do frete marítimo estão se acomodando em patamares mais baixos do que os recordes dos dois últimos anos. “Falávamos em contêineres a US$ 4 mil, mas o custo chegou a US$ 14 mil por um mesmo trecho. Agora, ele está voltando para perto de US$ 5 mil”, comenta Oranges. O Barra Mansa exporta para 18 países – e, ontem, obteve a habilitação para vender à Indonésia. A empresa mitigou a queda da demanda interna vendendo ao exterior, sendo que a China comprou 60% da produção. E o consumo da proteína no gigante asiático tende a crescer este ano, na contramão da expectativa de alguns analistas. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta um aumento de 2,2% nas importações chinesas de carne bovina neste ano, quando elas devem chegar a 3,5 milhões de toneladas. “Não temos sentido uma redução nas exportações, mesmo a uma semana do feriado de Ano Novo Chinês. Nós vemos uma demanda maior que a do ano passado. Cortes que ficavam no mercado interno estão sendo revertidos para exportações”, disse Guilherme Oranges. Segundo ele, a carne brasileira caiu no gosto do chinês e não fica relegada a produtos embutidos, como acontece em alguns mercados da Europa. “E depois que a China passou a exigir animais de 30 meses, a pecuária brasileira, principalmente a paulista, mudou muito. Conseguimos produzir um animal jovem com peso relevante e bom para a indústria. Estamos adaptados a exportar para todos os mercados exigentes”, afirma.

VALOR ECONÔMICO

ONG pede para a SEC investigar “green bonds” da JBS

Mighty Earth contesta operações; companhia diz que acusação é “infundada”

A organização ambiental Mighty Earth entrou com uma representação na Securities and Exchange Commission (SEC), a “CVM” americana, em que pede a abertura de uma investigação sobre os mais de US$ 3 bilhões em bonds que a JBS emitiu nos Estados Unidos e que preveem taxas de juros atreladas ao alcance de metas de sustentabilidade (sustainability-linked loan). A companhia brasileira afirma que a acusação é “infundada”. No documento de dez páginas que entregou à SEC, ao qual o Valor teve acesso, a ONG avalia que as emissões foram “enganosas e fraudulentas”. A entrega do documento foi feita pela equipe da Mighty Earth e por Edivan Guajajara, ativista indígena da aldeia Zutiwa, da Terra Indígena Araribóia, no Maranhão. O grupo espera que a força-tarefa de ESG e Clima da SEC avalie o caso. A primeira emissão “verde” da companhia brasileira ocorreu em novembro de 2021, quando a JBS emitiu US$ 2 bilhões em papéis atrelados a metas de sustentabilidade, sendo US$ 1 bilhão nos EUA, pela JBS USA, e US$ 1 bilhão no Brasil. Até agora, a empresa já emitiu US$ 3 bilhões em títulos verdes no mercado internacional. Na emissão, a companhia comprometeu-se a reduzir a intensidade de carbono dos escopos 1 e 2 (relacionados às suas próprias operações) em 30% até 2030, com base na pegada de emissões de 2019. A meta foi dada em intensidade de carbono – ou seja, em quantidade de emissão por volume de carne produzida, e não em redução total das emissões. A meta também não considera as emissões do escopo 3, que envolve as emissões de metano e as ligadas a desmatamento de sua cadeia de fornecimento. Na ocasião, a JBS disse que a operação a ajudaria a alcançar a neutralidade de emissões de carbono, que ela pretende atingir em 2040. A operação com os bonds recebeu parecer favorável de segunda opinião da consultoria ISS ESG, que considerou que a meta era “consistente com a estratégia geral de sustentabilidade da empresa” e que era “material” para o modelo de negócios da JBS, mas não “material para toda a cadeia de produção” por não incluir o escopo 3. O centro da acusação da Mighty Earth é o de que a JBS relacionou a meta do bond ao seu compromisso de neutralizar suas emissões de gases de efeito estufa, mas que na realidade suas emissões totais continuaram aumentando nos últimos anos. A JBS, por sua vez, afirmou que as emissões dos títulos vinculados à sustentabilidade “são explicitamente limitados às reduções de escopo 1 e 2, como ficou claro na comunicação a todos os potenciais investidores”.

VALOR ECONÔMICO

GOVERNO

MAPA quer conversão de pastos em lavouras

O próximo Plano Safra (2023/24) deverá contar com o reforço de um programa mais robusto para estimular a conversão de pastagens degradas em lavouras, para que o país possa ampliar a área plantada com grãos em 5% a cada temporada por vários anos sem realizar desmatamentos, disse o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro

Em entrevista à Reuters, ele reafirmou que esse crescimento seria possível com o país utilizando cerca de 40 milhões de hectares de pastagens degradadas, que podem ser convertidas em lavouras. Para isso, crédito agrícola com taxas adequadas será oferecido, acrescentou o ministro, citando que outra prioridade do governo será o apoio à expansão do seguro agrícola. Antes de sua primeira viagem internacional como ministro, para um evento na Alemanha, Fávaro disse que o plano permitiria um aumento importante na produção de grãos e oleaginosas do Brasil, que hoje planta em cerca de 77 milhões de hectares, respeitando preocupações relacionadas ao meio ambiente. “Teremos incremento dos recursos para equalizar taxas de juros para esse programa que vamos criar de investir na conversão de pastagens”, disse o ministro citando as prioridades do próximo Plano Safra. Normalmente, por meio da chamada equalização de juros, o Tesouro subsidia programas de financiamento com taxas mais baixas dentro do Plano Safra, principalmente para pequenos produtores. A ideia de Fávaro ainda lembra objetivos do Plano ABC, lançado no final do segundo mandato de Lula. Mas esse programa para estimular a agricultura sustentável seguiu com abrangência relativamente pequena nos últimos anos, em relação ao total ofertado no Plano Safra. O ministro lembrou que o país tem atualmente cerca de 150 milhões de hectares de pastagens com baixa produtividade ou em processo de degradação ou áreas já degradadas, ao citar o estoque de terras do Brasil. “Por que não é convertido isso em lavoura? Por falta de investimento. Então vamos criar uma linha de crédito, com juros compatíveis, com carência, com prazos alongados… Para que o produtor possa tomar esse recurso e fazer essa conversão…”, afirmou ele, por telefone. Com isso, ele acredita em um aumento de área plantada de 5% ao ano por várias safras. “É algo factível, a um ritmo chinês, mas de forma sustentável.” Ele não deu detalhes sobre o patamar de juros que deverá ser buscado neste programa. O ministro afirmou que o novo governo respeita o meio ambiente e combate desmatamentos ilegais, mas não se pode tirar o direito previsto na legislação nacional de o produtor abrir parte das matas de sua propriedade. Ele defendeu que, se consumidores querem desmatamento zero no Brasil, algo que vai além da legislação atual, devem realizar pagamentos por serviços ambientais, para que os agricultores e proprietários de terras sejam recompensados por manter a floresta em pé. “Somos um governo que preza pela legalidade. Se o desmatamento fora do Código Florestal tem que ser combatido, porque está fora da lei, como nós vamos tirar o direito que está na lei de o produtor desmatar 20% da floresta e 65% no Cerrado?”, disse ele, ao ser questionado sobre o assunto. A legislação brasileira autoriza o desmatamento de parte das propriedades rurais, em percentuais que variam de acordo com a região. Ele reforçou, contudo, que é possível ter desmatamento zero no Brasil, “mas aí é preciso ter pagamentos por serviços ambientais, quem quer que não desmate que pague ao produtor”.

REUTERS

FRANGOS & SUÍNOS

Mais quedas para o mercado de suínos do PR, SC e RS

Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a arroba do suíno CIF ficou estável em R$ 118,00/R$ 124,00, enquanto a carcaça especial cedeu 1,10%/2,08%, valendo R$ 9,00/R$ 9,40 o quilo.

Na cotação do animal vivo, conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à terça-feira (17), o preço ficou estável somente em Minas Gerais, valendo R$ 6,96/kg. Houve queda de 1,28% no Paraná, chegando em R$ 6,19/kg, baixa de 1,28% no Rio Grande do Sul, custando R$ 6,19/kg, retração de 2,22% em Santa Catarina, atingindo R$ 6,18/kg, e de 1,34% em São Paulo, fechando em R$ 6,64/kg.

Cepea/Esalq

Rabobank vê alta de 1% na produção brasileira de carne suína em 2023

O Rabobank estima uma alta de 1% na produção brasileira de carne suína em 2023, impulsionada pela demanda do mercado externo, segundo o analista de Proteína Animal do Rabobank Brasil, Wagner Yanaguizawa, no podcast Foco no Agronegócio divulgado pelo banco na semana passada

“A gente está vendo uma retomada nas importações da China no final de 2022. Esse cenário, na nossa visão, deve manter-se neste ano”, disse o analista. Os custos de produção do setor, que atingiram patamares recordes em 2022 devido ao aumento nos insumos de nutrição animal, deverão continuar elevados em 2023, mas em patamares menores que no ano passado. As exportações de carne suína brasileira devem subir cerca de 2% em volume, impulsionadas pela demanda chinesa. “A gente acredita que, neste momento, a China deve continuar trazendo oportunidades, principalmente para o Brasil em termos de exportação, mas levantando sinais de alerta em relação à essa tendência de queda na demanda nos próximos anos”, disse Yanaguizawa, referindo-se aos investimentos chineses para elevar a produção local de carne suína. No mercado doméstico, após um consumo per capita recorde em 2022 de 18 kg por habitante, a demanda por carne suína pode reduzir o ritmo de crescimento em 2023, diante de uma maior competitividade da carne bovina esperada para o ano.

CARNETEC

Frango com cotações estáveis

Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a ave na granja ficou estável em R$ 4,90/kg, assim como o frango no atacado, custando R$ 6,15/kg.

Na cotação do animal vivo, São Paulo ficou sem referência de preço. No Paraná, não houve alteração no preço, valendo R$ 5,03/kg, enquanto em Santa Catarina, a alta foi de 5,96%, com preço de R$ 3,20/kg. Conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à terça-feira (17), tanto a ave congelada quanto o frango resfriado ficaram estáveis, custando, respectivamente, R$ 7,02/kg e R$ 7,18/kg.

Cepea/Esalq

Receita das exportações de genética avícola cresce 21% em 2022

Saldo das exportações alcançou US$ 178,8 milhões nos doze meses do ano

As exportações brasileiras de genética avícola (considerando ovos férteis e pintos de 01 dia) totalizaram 15,638 mil toneladas nos doze meses de 2022, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O desempenho foi 0,3% menor que o registrado em 2021, com 15,691 mil toneladas. Já em receita, houve aumento de 21% no mesmo período comparativo, totalizando US$ 178,8 milhões em 2022, contra US$ 147,7 milhões no ano anterior. Considerando apenas o mês de dezembro, as vendas de material genético avícola cresceram 29,9% em volume, com 1,782 mil toneladas em dezembro, contra 1,372 mil toneladas no décimo segundo mês de 2021. Em receita, a alta é de 67,4%, com US$ 19,8 milhões no último mês de 2022, e US$ 11,8 milhões em 2021. Principal destino das exportações, o México foi destino de 7,826 mil toneladas, volume 91,2% maior que o registrado em 2021. Em segundo lugar, o Senegal importou 3,377 mil toneladas (-40,6%). No terceiro posto, o Paraguai importou 2,799 (-7,6%). “O status sanitário brasileiro tem favorecido as vendas internacionais avícolas em diversos segmentos. É o caso da genética avícola, que manteve e até reforçou sua posição no fornecimento de insumos de alto valor agregado em diversos mercados, apoiando o fortalecimento da produção de núcleos produtores avícolas nas Américas, na África e na Ásia”, analisa o diretor de mercados da ABPA, Luís Rua.

ABPA

INTERNACIONAL

OPAS emite alerta para surtos de gripe aviária em aves em dez países das Américas

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) alertou para a crescente detecção de focos de gripe aviária em aves em dez países da Região das Américas e a recente confirmação de um caso de infecção humana causada pela influenza aviária A(H5) na América do Sul

Em um alerta epidemiológico, a OPAS destacou a importância do controle da infecção em aves como uma medida fundamental para reduzir o risco para as pessoas e recomendou que os países fortaleçam a vigilância da influenza sazonal e zoonótica em animais e populações animais. A Organização também reiterou suas diretrizes sobre o diagnóstico laboratorial precoce em amostras humanas e animais e a respectiva investigação de casos e contatos, e recomendou que essas e outras ações de vigilância, prevenção e controle sejam realizadas de forma coordenada entre os setores da saúde, agricultura e meio ambiente. Na região, o vírus influenza A(H5N1) foi identificado pela primeira vez em aves domésticas e selvagens em dezembro de 2014 na América do Norte. Desde então até a primeira semana de janeiro de 2023, Canadá, Chile, Colômbia, Equador, Estados Unidos, Honduras, México, Panamá, Peru e Venezuela detectaram surtos desse vírus em aves domésticas, granjas e/ou aves silvestres. As infecções por esse vírus em humanos, que muitas vezes podem ter manifestações graves, têm sido muito menos comuns. Mas sempre que os vírus da gripe aviária circulam entre as aves, há o risco de ocorrência esporádica de casos humanos. Até agora, duas infecções humanas foram confirmadas na região: a primeira em abril de 2022 nos Estados Unidos e a segunda, em 9 de janeiro de 2023, no Equador. Em geral, os casos humanos são raros e, quando ocorrem, não se espalham facilmente de pessoa para pessoa. No entanto, existe o risco de transmissão sustentada de humano para humano e pode levar a um surto ou até mesmo a uma pandemia. As pessoas em risco são aquelas expostas a aves infectadas (domésticas, selvagens ou em cativeiro), como criadores de pássaros e funcionários envolvidos no controle de surtos. Os profissionais de saúde também correm risco de infecção se medidas adequadas de prevenção e controle não forem observadas. A OPAS recomenda o uso de equipamentos de proteção individual e outras medidas de higiene e saneamento.

OPAS

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