
Ano 8 | nº 1780 | 21 de julho de 2022
NOTÍCIAS
BOI: Mercado frio em São Paulo
A entrada da segunda quinzena do mês, caracterizada pelo menor consumo de carne bovina, esfriou o mercado
Os frigoríficos abriram o dia ofertando menos R$1,00/@ de boi gordo e R$2,00/@ de vaca e novilha gordas, na comparação com o levantamento anterior (19/7). No Paraná – Noroeste, os compradores da região têm trabalhado na retranca em função do consumo morno e abriram o dia ofertando R$3,00/@ a menos pela novilha gorda. Boi gordo e vaca gorda mantiveram estáveis. No Norte de Minas Gerais, queda de R$2,00/@ de novilha gorda na comparação com o dia anterior. Não houve alteração de preços para o boi e vaca gordos. Nas praças do interior de São Paulo, estado referência para outras regiões de pecuária, o valor do boi gordo “comum” (direcionado ao mercado interno) recuou mais R$ 1/@ na quarta-feira, para R$ 310/@ (valor bruto, no prazo), segundou apurou a Scot Consultoria. Com isso, além da queda nos preços machos, os frigoríficos paulistas abriram as compras ofertando R$ 2/@ a menos pelas arrobas da vaca e da novilha gordas, agora negociadas por R$ 280 e R$ 302, respectivamente (preços brutos e a prazo). A cotação do boi-China segue valendo em torno de R$ 315/@ nas praças de São Paulo.
SCOT CONSULTORIA
Brasil preenche cota e exporta menos carne para EUA
Mesmo assim, participação brasileira sobe para 20% nas importações norte-americanas
A cota de exportação de carne fresca do Brasil para os Estados Unidos foi preenchida e as vendas para os norte-americanos caem em maio. Após ter atingido a marca recorde de 46 mil toneladas comercializadas em janeiro, o volume de vendas do Brasil para os Estados Unidos foi declinando e ficou em 15 mil toneladas em maio, segundo dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Apesar dessa queda, os brasileiros mantiveram uma participação de 20% no volume de carne bovina importada pelos norte-americanos de janeiro a maio. No mesmo período do ano passado, era de 9%. Nos cinco primeiros meses deste ano, os EUA importaram 724 mil toneladas. Deste volume, 151 saíram do Brasil. Os norte-americanos deverão importar 1,6 milhão de toneladas neste ano, 9% a menos do que em 2021.
FOLHA DE SP
Boi: desvalorização do real pode trazer alta nos preços
Apesar dos preços estáveis no dia de hoje, o mercado ainda espera pelo dia dos pais para o aquecimento da demanda
O mercado físico de boi gordo registrou preços estáveis na quarta-feira, mas houveram algumas tentativas de compra abaixo da referência média na região Norte. Já no restante do Brasil, o mercado operou com uma ou outra negociação acima da referência média envolvendo animais padrão China. Segundo o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, essas negociações foram mais comuns em São Paulo. O processo de desvalorização do real pode ser um fator relevante para a retomada da alta dos preços do boi gordo, tornando a conta das exportações mais vantajosas, comenta. As cotações permaneceram inalteradas. O comentarista ainda afirma que já a partir de agosto o mercado contará com novos elementos de alta, a começar pelo aquecimento da demanda doméstica, com o Dia dos Pais atuando como motivador do consumo de carnes em todo o país. Em São Paulo (SP), a referência para a arroba do boi foi para R$ 317. Já em Dourados (MS), os preços ficaram em R$290. Em Cuiabá (MT) a arroba de boi gordo caiu R$1 e teve preço de R$ 290. Por outro lado, em Uberaba (MG), os preços ficaram em R$295. Em Goiânia (GO), preços em R$ 290 a arroba. O mercado atacadista também continuou a operar com preços em queda. Segundo Iglesias, o ambiente de negócios volta a sugerir pela continuidade deste movimento no curto prazo, algo compreensível em linha com uma demanda fraca e reposição mais lenta entre atacado e varejo durante a segunda quinzena do mês. Além disso, outro ponto a ser considerado está em potencial melhora dos preços ao longo da primeira quinzena de agosto. O Dia dos Pais é uma data comemorativa que costuma motivar a demanda por carne bovina, por consequência estimulando a reposição entre atacado e varejo, aponta. O quarto dianteiro do boi caiu e teve preço de R$ 16,80, assim como a ponta de agulha caiu a R$ 16,70. O quarto traseiro do boi também caiu e ficou em R$ 22,20 por quilo.
AGÊNCIA SAFRAS
ECONOMIA
Dólar fecha em alta e vai ao maior valor desde janeiro
Desempenho perante o real refletiu os ganhos da divisa americana no mercado exterior
Após uma manhã volátil, o dólar comercial firmou alta ao longo da tarde e fechou o dia cotado a R$ 5,4607, subindo 0,71%. É o maior valor desde 24 de janeiro, quando a moeda fechou a R$ 5,5017. O movimento refletiu a ampliação dos ganhos da divisa americana no mercado internacional, que passou por um ajuste após os recuos recentes. Ao mesmo tempo, os ruídos locais vindos da política e as preocupações fiscais potencializaram as perdas do real quando comparado ao desempenho de outros pares emergentes. Na máxima do dia, o dólar comercial foi cotado a R$ 5,4703 e, na mínima, chegou a R$ 5,3911. Perto das 17h10, o dólar futuro para agosto avançava 0,87%, aos R$ 5,4750. No mesmo horário, no exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de moedas de seis divisas principais, subia 0,35%, aos 107,06 pontos.
VALOR ECONÔMICO
Ibovespa emenda quarto pregão de alta, mas Vale limita ganhos do índice
Em NY, ações de tecnologia e consumo discricionário lideram as altas
Em sessão que teve Nova York reforçando trajetória positiva, com ações de tecnologia e consumo discricionário liderando as altas, o Ibovespa buscou acompanhar o movimento, mas acabou fechando o pregão próximo à estabilidade. As performances negativas de Vale e bancos limitaram os ganhos do referencial local. Não obstante, foi o quarto fechamento consecutivo do índice no campo positivo. Após ajustes, o índice avançou 0,04%, aos 98.286 pontos, com mínima intradiária em 97.277 pontos e máxima de 98.366 pontos. No exterior, S&P 500 subiu 0,59%, aos 3.959 pontos; Dow Jones ganhou 0,15%, aos 31.874 pontos e Nasdaq saltou 1,58%, aos 11.897 pontos.
VALOR ECONÔMICO
Apesar de recuo no 2º trimestre, IPPA apresenta estabilidade no balanço do 1º semestre
O IPPA/Cepea (Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários) recuou 3,9% no segundo trimestre de 2022 frente ao trimestre anterior, em termos reais, segundo cálculos do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP
Esse resultado esteve atrelado às quedas observadas para os Índices formados por grãos, hortifrutícolas e cana e café, tendo em vista que o IPPA-Pecuária/Cepea avançou na comparação do segundo trimestre deste ano frente ao trimestre anterior. Dados do Cepea mostram que o IPPA-Grãos/Cepea recuou expressivos 6,4% entre o primeiro e segundo trimestres de 2022, influenciado sobretudo pelas desvalorizações do milho e da soja. No caso do IPPA-Hortifrutícolas/Cepea, a queda foi de 4,4%, com reduções sendo observadas para os preços do tomate, banana, laranja e uva. Quanto ao IPPA-Cana e Café/Cepea, a diminuição foi de 5,6%, sendo relacionada à desvalorização do café, uma vez que o preço da cana ficou praticamente estável nesse período. Já no caso do IPPA-Pecuária/Cepea, foi observado avanço de 1,2% entre o primeiro e segundo trimestres de 2022, movimento que foi sustentado pelas valorizações do frango, do suíno, do leite e dos ovos. No balanço do primeiro semestre deste ano, o IPPA/Cepea permaneceu praticamente estável em comparação ao mesmo período de 2021, com um modesto avanço de 0,3%. Segundo pesquisadores do Cepea, o resultado esteve atrelado ao contrabalanceamento das variações dos Índices de grupos de alimentos nesse período. Enquanto os grupos formados por grãos e pecuária tiveram quedas reais de 3% e de 5,3%, respectivamente, os de hortifrutícolas e de cana-café subiram expressivos 10,1% e 27,7%, nesta ordem. A pressão sobre o IPPA-Grãos/Cepea no primeiro semestre de 2022 veio das desvalorizações do arroz, do milho e da soja e, no caso do IPPA-Pecuária/Cepea, das quedas nos preços do boi gordo e do suíno. Já para o IPPA- Hortifrutícolas/Cepea, o impulso veio das elevações nos valores do tomate, banana e uva e, para IPPA-Cana e Café/Cepea, foram fortes os avanços observados nos preços dos dois produtos que compõem o Índice.
CEPEA
Produção agroindustrial voltou a crescer no Brasil em maio, diz FGV
Nos primeiros cinco meses do ano, porém, índice PIMAgro caiu em relação ao mesmo período de 2021
Depois de estagnar no início do segundo trimestre, o PIMAgro, índice do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) que mensura o ritmo da atividade em diferentes ramos que fazem parte do setor, retomou, em maio, a trajetória de alta que começou a ser ensaiada em novembro de 2021. O indicador subiu 1,5% em relação a abril e 0,9% em comparação com maio do ano passado. “Mesmo assim, esse maior volume de produção em maio último não foi suficiente para que a produção nos primeiros cinco meses de 2022 superasse o resultado do mesmo período de 2021”, destacou o FGV Agro. Nessa comparação, o índice recuou 0,6%. O PIMAgro é baseado em dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) e nas variações do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-BR), da taxa de câmbio e do Índice de confiança do Empresário da Indústria de Transformação (ICI) da FGV. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, a alta de maio foi garantida por um incremento de 1,9% no grupo formado por produtos não-alimentícios, puxado por insumos (10,5%), têxteis (2,3%) e pelo ramo florestal (0,7%). No segmento de produtos alimentícios e bebidas, a variação interanual foi levemente negativa (0,1%), em decorrência sobretudo de uma queda de 9,2% na área de alimentos de origem vegetal. De janeiro a maio, a queda de 0,6% foi determinada pelo recuo de 2,1% no grupo de produtos não-alimentícios, principalmente por causa de declínios nas áreas de biocombustíveis (16,8%), têxteis (11,3%) e borracha (5,9%). Em alimentos e bebidas, houve aumento nesse intervalo, de 0,8%.
VALOR ECONÔMICO
EMPRESAS
JPMorgan melhora projeção de margens da Marfrig no 2º tri, mas corta preço-alvo
Analistas do JPMorgan melhoraram suas estimativas de Ebitda e margens para os resultados da Marfrig no segundo trimestre e em 2022, mas cortaram o preço-alvo no final de 2023 a 17,50 reais, de 21,50 reais ao final deste ano, citando maior custo do capital
As margens da América do Sul devem subir para 8% (no segundo trimestre), com melhores preços e volumes de exportação, “todos impulsionados pela demanda chinesa, que permaneceu muito forte ao longo do trimestre”, afirmaram Lucas Ferreira e equipe em relatório a clientes com data de segunda-feira. “Esperamos que essa tendência continue no segundo semestre, com margens chegando perto de um nível de 10%.” Na visão dos analistas, porém, a elasticidade dos preços continua sendo uma preocupação no mercado de carne bovina nos Estados Unidos, dada a dificuldade de se repassar preços. Eles afirmaram que este ano praticamente não houve o aumento nos preços da carne bovina normalmente observado durante o segundo trimestre, uma vez que os preços permaneceram relativamente estáveis e ficaram cerca de 6% abaixo dos níveis vistos no mesmo período do ano passado. “Dito isso, vemos margens de carne bovina na América do Norte em 13% (no período de abril a junho). No segundo semestre, esperamos que as margens do terceiro trimestre tenham uma pequena recuperação sazonal para 13,5%, encerrando o ano em 11%.” Nesse contexto, a equipe do JPMorgan agora estima receita de 20,975 bilhões de reais para o período de abril a junho, com Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de 2,4 bilhões de reais e margem Ebitda ajustada de 11,4%. Para o ano de 2022, eles calculam receita de 86,209 bilhões de reais, com Ebitda de 9,9 bilhões de reais e margem Ebitda de 11,5%. Anteriormente, projetavam receita de 91,218 bilhões, Ebitda de 9,6 bilhões e margem Ebitda de 10,5%. A recomendação ‘neutra’ foi mantida. Apesar de acharem as ações ‘baratas’ do ponto de vista de ‘valuation’, enxergam um ‘momentum’ fraco, pois as margens de carne bovina dos EUA tendem a diminuir com a oferta de gado e provavelmente com preços do segmento dada a inflação alta nos EUA. Eles também acrescentam que a participação da Marfrig na BRF traz mais perguntas do que respostas neste momento em termos de direcionamento estratégico para o novo investimento.
Reuters
FRANGOS & SUÍNOS
Preços sobem em SC e caem no PR para o suíno vivo
Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a arroba do suíno CIF ficou estável em R$ 129,00/R$ 138,00, assim como a carcaça especial, custando R$ 9,30 o quilo/R$ 9,70 o quilo
Na cotação do animal vivo, conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à terça-feira (19), ficaram estáveis os preços no Rio Grande do Sul, valendo R$ 6,28/kg, e em São Paulo, com valor de R$ 7,75/kg. Houve queda de 0,31% no Paraná, atingindo R$ 6,35/kg, e em Minas Gerais, alcançando R$ 7,25/kg. A única alta foi em Santa Catarina, na ordem de 0,47%, fechando em R$ 6,41/kg.
Cepea/Esalq
Frango mantém estabilidade
Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a ave na granja ficou estável em R$ 6,10/kg, assim como o frango no atacado, com preço de R$ 7,60/kg
Na cotação do animal vivo, São Paulo ficou sem referência de preço. Em Santa Catarina não houve mudança de valor, custando R$ 4,25/kg, assim como no Paraná, valendo R$ 5,54/kg.
Conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à terça-feira (19), tanto a ave congelada quanto a resfriada cederam 0,25%, custando, respectivamente, R$ 7,95/kg e R$ 8,04/kg.
Cepea/Esalq
INTERNACIONAL
Austrália recolhe carne com traços de vírus de aftosa e peste suína africana
Produtos estavam à venda em supermercados de Melbourne, a segunda maior cidade do país
O governo da Austrália confirmou ontem que identificou fragmentos dos vírus da febre aftosa e da peste suína africana em produtos de carne suína que estavam à venda em supermercados de Melbourne, a segunda maior cidade do país. O Departamento de Agricultura, Pesca e Silvicultura retirou os produtos do mercado e reforçou a vigilância e a testagem em outros itens. Por não se tratar de vírus ativo, a Austrália mantém seu status de área livre de aftosa. “Os oficiais estão no processo de garantir a segurança dos produtos e fazer testes. Mais informações serão fornecidas quando essas investigações forem concluídas”, disse o governo, em nota. Segundo as autoridades australianas, as doenças não representam ameaça à saúde humana. No comunicado, o governo reforçou que a febre aftosa é a maior ameaça de biossegurança para o rebanho local e que a entrada da doença e da peste suína africana na Austrália teria consequências graves para a saúde animal, comércio e economia do país.
VALOR ECONÔMICO
Austrália aumenta a guarda contra febre aftosa após casos na Indonésia
A Austrália disse na quarta-feira que aumentou a proteção contra a febre aftosa em seus aeroportos internacionais após um surto da doença na Indonésia
Os viajantes que chegam à Austrália vindos da Indonésia agora serão solicitados a caminhar sobre esteiras sanitárias nos aeroportos, a mais recente medida para aumentar as medidas de biossegurança da Austrália, disse o governo. Os tapetes conterão uma solução de ácido cítrico projetada para desalojar qualquer sujeira da sola do sapato e cobri-la com o ácido. A medida ocorre depois que fragmentos virais de febre aftosa foram detectados em produtos de carne que chegaram recentemente à Austrália da Indonésia e da China, disse o ministro da Agricultura, Murray Watt, em entrevista coletiva. “Detectamos a febre aftosa e fragmentos virais da peste suína africana em um pequeno número de produtos suínos à venda no CBD de Melbourne que foram importados da China”, disse Watt, acrescentando que estes foram detectados durante verificações de rotina. “Além disso, um passageiro vindo da Indonésia foi interceptado nos últimos dias com um produto de carne bovina que eles não declararam e que testou positivo para fragmentos virais da febre aftosa”, acrescentou. Esses fragmentos virais não são vivos e não podem ser transmitidos, disse ele. Watt também disse que, apesar dessas descobertas, a Austrália permanece livre da febre aftosa. A modelagem do governo projeta que um surto generalizado de febre aftosa na Austrália teria um impacto econômico direto estimado de cerca de 80 bilhões de dólares australianos (55,3 bilhões de dólares). Mais de 317.000 animais foram infectados em 21 províncias da Indonésia, principalmente nas ilhas mais populosas de Java e Sumatra, com mais de 3.400 animais abatidos, segundo dados do governo.
Reuters
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