CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 1701 DE 29 DE MARÇO DE 2022

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Ano 8 | nº 1701| 29 de março de 2022

ABRAFRIGO

ProBrasil homenageia ministra Tereza Cristina por realizações à frente da Agricultura

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Após três anos e três meses de dedicada gestão ao agro brasileiro, a Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Tereza Cristina, deixará o cargo que ocupou brilhantemente à frente de uma das pastas mais importantes para o desenvolvimento do país. Reconhecendo todo seu trabalho, o ProBrasil – Proteínas do Brasil prestou uma homenagem à ainda ministra, na segunda-feira (28). Tereza Cristina deixará o Ministério ainda este ano para concorrer ao Senado Federal pelo estado do Mato Grosso do Sul. Além da ministra e equipe, participaram do encontro os representantes das associações que formam o ProBrasil – ABIEC, ABINPET, ABIPESCA, ABPA, ABRA, ABRAFRIGO, SINDIRAÇÕES e UBRABIO.

NOTÍCIAS

Boi: tendência de queda no valor da arroba 

O mercado tem sentido a pressão da oferta crescente da safra de capim e isso já era observado no Centro-Norte e agora acontece em São Paulo, diz Scot

O mercado do boi gordo deve trabalhar sob pressão nesta última semana de março, com tendência de queda no preço da arroba. A análise é feita pelo analista da Scot Consultoria, Felipe Fabbri. “O mercado tem sentido a pressão da oferta crescente da safra de capim e isso já era observado no Centro-Norte e agora chegou na praça paulista, com compradores tentando ofertar cada vez menos animais”, destaca. O analista ainda pontua quais fatos devem merecer atenção do mercado nesta semana. “Ainda temos o consumo de carne em ritmo compassado. Do lado dos frigoríficos exportadores, as recentes quedas do dólar seguem pressionando as margens, o que deve manter um viés de baixa no boi gordo nas principais praças do país”, complementa.

 SCOT CONSULTORIA

Boi gordo: estabilidade na segunda-feira

Nas regiões do interior de SP, o boi gordo segue valendo R$ 337/@, enquanto a vaca e a novilha gordas são negociadas a R$ 295/@ e R$ 330/@, respectivamente (preços brutos e a prazo), informa a Scot Consultoria

Nas praças do interior paulista, alguns compradores ativos ofertaram preços abaixo da referência, mas sem concretização de negócios, relata a Scot Consultoria. Com isso, o boi gordo segue valendo R$ 337/@ nas praças paulistas, enquanto a vaca e a novilha gordas são negociadas a R$ 295/@ e R$ 330/@, respectivamente (preços brutos e a prazo), informa a Scot. Apesar da calmaria nos negócios, a IHS Markit observou uma tendência de pressão baixista para os preços da arroba nesta etapa final do mês.

SCOT CONSULTORIA/IHS

China amplia compra de carne bovina do Brasil

País asiático retoma encomendas após pausa por casos de ‘vaca louca’

Impulsionadas pelo consumo asiático, principalmente da China, as exportações brasileiras de carne bovina bateram recorde neste início de ano. Os resultados projetam um 2022 favorável aos pecuaristas e frigoríficos. Especialistas afirmam que nem mesmo os impactos já provocados pela guerra na Ucrânia devem prejudicar significativamente os embarques brasileiros. Somente em fevereiro, foram exportadas 182.341 toneladas de carne bovina (in natura e processadas), conforme a Abrafrigo (Associação Brasileira de Frigoríficos). O resultado é recorde para o mês, e a receita alcançou US$ 975,8 milhões. A China não comprava do Brasil desde 4 de setembro, num embargo de mais de 90 dias motivado por dois casos atípicos da doença EEB (encefalopatia espongiforme bovina), conhecida como vaca louca. Os dados da associação de frigoríficos mostram que, só em fevereiro, houve um aumento de 47% no volume e de 77% na receita em comparação com o mesmo mês do ano passado. Ocorreu ainda um ciclo de expansão no mês anterior, inclusive no preço médio das carnes. Foram exportadas 342,3 mil toneladas no primeiro bimestre deste ano, com faturamento que atingiu US$ 1,78 bilhão, segundo a Abrafrigo, com dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior). O preço médio da carne subiu 20% em dólares em relação ao início do ano passado. A China comprou 140,9 mil toneladas nos dois primeiros meses do ano, ou 41% do total. Embora tenha visto sua participação recuar —era 47% em 2021—, o total supera os embarques no mesmo período do ano passado, quando o país importou 119 mil toneladas. Os EUA são o segundo maior mercado neste ano, com 43,5 mil toneladas, ou 12,7% do total, seguido pelo Egito, com 31.7 mil toneladas (9,3%), e Hong Kong. A redução percentual da China mesmo comprando mais significa que os exportadores brasileiros conseguiram ampliar as vendas para outros destinos, entre eles a Rússia. No total, houve alta nos embarques para 88 países, enquanto outros 36 compraram menos. “O gado, teoricamente, foi menos impactado nessa confusão, porque basicamente toda a nossa produção é no pasto. O pessoal de aves e suínos acabou tendo um novo impacto negativo, mais na perspectiva do que nos preços, por conta dos grãos. A Rússia e a Ucrânia são relevantes em milho e trigo, e o cenário ficou bem mais complicado”, disse César Castro, especialista de agronegócio do Itaú BBA. Haverá encarecimento em algum momento, o que vai pressionar ainda mais o consumidor. “Boi, tudo que a gente tiver, acaba exportando para a China.” Outros mercados que figuram no alto do ranking são Hong Kong, Israel, Chile, Filipinas, Emirados Árabes Unidos, Itália e Rússia. “Mesmo com a queda na perspectiva de crescimento econômico global [por conta da guerra], o ano para as exportações de carne vai ser bom”, disse Marcos Fava Neves, docente da USP (Universidade de São Paulo) especializado em agronegócios. De acordo com ele, os impactos da guerra poderão fazer a economia mundial crescer de 0,8% a 1% a menos, o que significaria uma alta de cerca de 4% no ano. “Isso representa oportunidades boas para as carnes, principalmente a bovina e predominantemente na Ásia, que vem batendo recordes de importações. É torcer para que não tenha nenhum tipo de problema, embargo sanitário. Não tendo, deve ser muito bom”, disse Neves. Castro afirmou que o forte volume exportado, porém, tem suas consequências para os frigoríficos que não vendem para o exterior, já que eles não conseguem precificar a carne no mercado interno.

FOLHA DE SP

Confinamento bovino deve ter alta em 2022 apesar de custo maior com milho, diz DSM

O confinamento de bovinos tende a registrar um novo crescimento neste ano, apesar do aumento de despesas com milho e farelo de soja, dois principais insumos da alimentação na pecuária, estimou na segunda-feira a companhia de nutrição animal DSM

O cereal entrou em uma escalada de altas decorrente da invasão russa sobre a Ucrânia, quarta maior exportadora global. Já o farelo vem na esteira da quebra de safra de soja no Brasil, após seca na região Sul que também atingiu países vizinhos e elevou as cotações internacionais. Em contrapartida, o Gerente Técnico Nacional de Confinamento da DSM, Hugo Cunha, disse à Reuters que as despesas com o boi magro, utilizado na reposição, recuaram em diversas praças pecuárias e ficaram estáveis na média nacional. Além disso, o preço da arroba bovina aumentou em níveis maiores do que os custos. “O milho, soja, e todos os insumos subiram. Porém estas despesas com alimentação, frete e sanidade representam cerca de 28% do custo total do confinamento. O boi magro para reposição responde pelos outros 72% e ficou ‘flat’, enquanto a arroba subiu 15%”, disse ele. “Então, quem fecha hoje o confinamento, em relação ao ano passado, tem um resultado mais lucrativo”, afirmou. Levantamento da DSM, em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), indica que o custo total do confinador aumentou 6,5% neste ano. Por outro lado, a rentabilidade cresceu quatro pontos percentuais, para 8%. Dados do Censo de Confinamento DSM, divulgados nesta segunda-feira, indicam que 6,5 milhões de bovinos foram terminados em sistema intensivo em 2021, alta de 2% sobre o ano anterior. Para este ano, Cunha disse que é cedo para cravar um número sobre o avanço do confinamento, que poderia se igualar aos 2% de 2021 ou atingir a média de crescimento dos últimos anos, de 5%, mas a tendência é de alta, no embalo de maiores exportações para a China.

REUTERS

Rentabilidade de confinadores deve subir neste ano, diz Cepea

Projeção é de aumento para 13,4%; no ano passado, retorno sobre investimentos na atividade foi de 6,65%, o menor desde 2016

Em 2021, o retorno sobre os investimentos (ROI, na sigla em inglês) dos pecuaristas que trabalham com confinamento despencou, chegando a 6,65%, segundo levantamento que a empresa de nutrição e saúde animal DSM e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, fizeram em parceria. No ano anterior, a rentabilidade tinha sido de 23,83%. Mas, em 2022, o indicador deve voltar a subir, segundo o estudo. De acordo com Thiago Carvalho, pesquisador do Cepea, o retorno sobre os investimentos chegará a 13,4% neste ano. A projeção foi calculada com base no atual patamar dos custos e da arroba do boi gordo.  A rentabilidade dos confinadores no ano passado ano foi a menor desde 2016, quando o ROI médio foi de 5,57%. Segundo o Cepea, em Campinas (SP), o preço do milho usado na composição de rações para bovinos aumentou 24,4% entre 2020 e 2021, passando de R$ 79,72 para R$ 99,18 a saca. Na mesma base de comparação, o custo para adquirir um boi magro aumentou 2,1%, de R$ 4.290 para R$ 4.380 por cabeça, e o preço médio da arroba do boi gordo passou de R$ 270 para R$ 305, um aumento de 13%. No ano passado, o custo final do boi confinado ficou no intervalo entre R$ 260 e R$ 302 por arroba, e o preço de venda, entre R$ 285 e R$ 330. Segundo Carvalho, alguns pecuaristas do Centro-Oeste que deixaram para negociar gado a preço de balcão no fim do ano acabaram fechando no vermelho devido à queda vertiginosa das cotações durante o embargo chinês à carne bovina do Brasil. Depois de o Ministério da Agricultura confirmar dois casos atípicos de vaca louca, os chineses ficaram mais de três meses sem importar a carne brasileira. A DSM, dona da Tortuga, está presente em um terço dos confinamentos brasileiros e acompanha o desempenho de seus clientes desde 2015. Ao longo desse período, mais de 7 mil produtores e 200 mil animais fizeram parte do levantamento. Nesse intervalo, a média do ganho diário de carcaça subiu 7,8%, para 1,15 quilo, número 21% superior à média nacional, que foi de 950 gramas a mais por dia. O rendimento de carcaça aumentou 0,9%, para 56,29 quilos, e o período de permanência dos animais em confinamento caiu 4,5%, para 107 dias. Hugo Cunha, Gerente Nacional de confinamento da DSM, afirma que, com a falta de pastagens e as boas perspectivas para a segunda safra de milho, alguns pecuaristas anteciparam de maio para março o início do confinamento dos animais.

VALOR ECONÔMICO

ECONOMIA

Dólar fecha em alta de 0,52%, a R$ 4,7714 na venda

Apesar da recuperação de ontem, o dólar ainda cai 14,40% no acumulado do ano frente ao real

O dólar fechou em alta frente ao real na segunda-feira, em dia marcado por receios sobre os próximos passos de política monetária do Federal Reserve, a guerra na Ucrânia e a disseminação da Covid-19 na China. A moeda norte-americana à vista subiu 0,52% no dia, a 4,7714 reais na venda, recuperando-se após registrar a oitava sessão seguida de desvalorização na sexta-feira. Na B3, às 17:12 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,47%, a 4,7735 reais. Depois de o banco central norte-americano ter elevado os juros em 0,25 ponto percentual neste mês, na primeira alta desde 2018, os mercados monetários passaram a precificar ajuste mais agressivo, de 0,5 ponto, no próximo encontro do Federal Reserve, o que é visto como fator de impulso global para os rendimentos dos Treasuries e para o dólar. Além disso, a alta da moeda norte-americana nesta sessão refletiu cautela de investidores com as negociações de paz entre Rússia e Ucrânia, que ainda não tiveram progresso concreto, e temores sobre o salto nos casos de Covid-19 na China, que levou a um lockdown no centro financeiro de Xangai, comentou Guilherme Esquelbek, da Correparti Corretora. Ele também chamou a atenção para a valorização internacional do dólar frente a divisas de países exportadores de commodities diante da forte queda do petróleo, com o barril do tipo Brent fechando esta segunda-feira em baixa de quase 7%, a 112,48 dólares. A possibilidade de o Banco Central encerrar seu ciclo de aperto monetário em maio, com o Presidente Roberto Campos Neto sinalizando alta da Selic a 12,75% ao ano, também foi destacada pelo Goldman Sachs, que, assim como várias outras instituições financeiras, esperava elevação adicional dos juros em junho. Custos de empréstimos mais altos têm sido apontados como importante fator de impulso para o real, já que tornam a moeda mais atraente para investidores que buscam lucrar com a tomada de empréstimos em países de juro baixo e aplicação desses recursos num mercado que oferece maiores rendimentos. Atualmente, a Selic está em 11,75%.

REUTERS

Ibovespa interrompe sequência de oito altas consecutivas

O Ibovespa caiu 0,29%, a 118.737,78 pontos. O volume financeiro da sessão foi de 22,5 bilhões de reais – nas últimas cinco sessões, o montante havia ficado entre cerca de 26 bilhões e pouco mais de 30 bilhões de reais

A MARFRIG subiu 4% e a BRF avançou 2,3%. O setor teve sessão positiva, com altas de 1,6% da JBS e de 3,7% de MINERVA, em meio à alta do dólar, o que beneficia empresas com operações no exterior. O principal índice da bolsa brasileira caiu na segunda-feira, com a queda do petróleo aliada a um movimento de correção em ativos domésticos, após oito altas consecutivas, enquanto o avanço em Wall Street ajudou a limitar perdas. Ações da Petrobras cederam diante da baixa vertiginosa nas cotações do petróleo, após novas restrições contra Covid-19 na China. Além disso, no fim da tarde, notícia sobre potencial interferência do presidente Jair Bolsonaro na companhia pressionou ainda mais os papéis. Frigoríficos estiveram entre os destaques de alta. O dólar subiu ante o real, também interrompendo sequência de quedas, enquanto os principais contratos de juros futuros voltaram a recuar. Em Nova York, o Nasdaq avançou 1,3%, liderando alta entre os principais índices acionários. O mercado aguarda para terça-feira, na Turquia, a primeira reunião presencial em mais de duas semanas entre representantes de Ucrânia e Rússia. Apesar dessa sinalização, um oficial sênior dos Estados Unidos disse que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, não parece pronto para fazer concessões, enquanto representantes da Ucrânia também não esperam grandes avanços. Além disso, o mercado aguarda por dado de emprego nos EUA nesta semana, que pode ajudar a calibrar apostas para o aperto monetário no país.

REUTERS

Mercado eleva projeção para inflação este ano pela 11ª vez, a 6,86%, mostra Focus

Para a taxa básica de juros Selic, as estimativas permaneceram em 13,0% e 9,0% ao final de 2022 e 2023. Também não sofreu alteração o cenário para a atividade, com a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) permanecendo em 0,50% e 1,30%, respectivamente.

O mercado deu seguimento à piora do cenário para a inflação no Brasil com a 11ª elevação seguida na projeção para o resultado do IPCA neste ano, aproximando-se de 7%, de acordo com pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central na segunda-feira. Segundo a mediana das projeções dos analistas consultados no Focus, o IPCA deve registrar alta em 2022 de 6,86%, contra avanço de 6,59% previsto na semana anterior. Para 2023 a conta subiu em 0,05 ponto percentual, a 3,80%. Essas leituras se dão em meio ao aumento das projeções também para a inflação dos preços administrados, a 6,03% e 4,52%, respectivamente, neste ano e no próximo. O levantamento anterior apontava avanços de 5,80% e 4,51% para os preços desse grupo. O centro da meta oficial para a inflação em 2022 é de 3,5% e para 2023 é de 3,25%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Depois de o Banco Central elevar a Selic a 11,75% neste mês, em um dos mais fortes apertos monetários do mundo, o Presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou que o pico da inflação brasileira deve ocorrer em abril, tocando 11% no acumulado em 12 meses. Ele também reforçou ser provável que a autoridade monetária esteja perto de encerrar seu ciclo de aperto monetário com uma taxa Selic de 12,75% em maio. Mas explicou que essa decisão pode ser repensada, com um ajuste adicional em junho, se a crise provocada pelo conflito na Ucrânia se agravar ou se houver alguma mudança brusca e não prevista no mercado.

REUTERS

Arrecadação sobe 5,3% em fevereiro e bate recorde com ganhos de royalties do petróleo

A arrecadação do governo federal teve alta real de 5,27% em fevereiro sobre igual mês do ano passado, atingindo patamar recorde de 148,664 bilhões de reais, divulgou a Receita Federal na segunda-feira

O resultado de fevereiro, puxado por ganhos do governo com royalties de petróleo em meio à alta nos preços do barril, foi o maior para o mês da série histórica corrigida pela inflação, iniciada em 1995. Se considerada apenas a receita administrada pela Receita Federal, que engloba a coleta de impostos de competência da União, a arrecadação teve uma alta real de 3,45% no mês. Em contrapartida, as receitas administradas por outros órgãos, que são sensibilizadas sobretudo pelos royalties decorrentes da produção de petróleo, deram um salto de 79,77% acima da inflação. Nos dois primeiros meses do ano, o crescimento real da arrecadação foi de 12,92%, a 383,986 bilhões de reais, também com o desempenho mais forte para o período na série. De acordo com a Receita, o desempenho da arrecadação também reflete uma melhora em indicadores macroeconômicos, o que amplia ganhos de empresas e impulsiona o pagamento de tributos. No mês, as vendas de serviços subiram 9,5% na comparação com fevereiro de 2021, enquanto houve aumento de 30,5% no valor em dólar das importações e de 13,6% no valor das notas ficais eletrônicas emitidas. Por outro lado, houve recuo de 7,2% na produção industrial e de 1,5% na venda de bens. Um dos fatores colocados pelo fisco como determinantes para o resultado positivo do mês foi uma alta real de 6,7% nos ganhos de PIS/Cofins na comparação com fevereiro de 2021, sob influência do setor financeiro e o setor de combustíveis. Além disso, houve aumento real dos recolhimentos de IOF no período, de 26,3%, especialmente em operações de crédito de empresas e em títulos e valores mobiliários. Também foi registrada elevação de 57,8% em Imposto de Renda retido na fonte sobre capital, com ganhos em rendimentos de fundos e títulos de renda fixa, e de 38,2% em Imposto de Renda da pessoa física por ganhos na venda de bens.

REUTERS

Ipea: número de ocupados em janeiro atinge patamar pré-pandemia

O Ipea aponta que, mesmo diante de uma recuperação mais forte do emprego formal, a maior parte das novas vagas ainda está sendo gerada nos segmentos informais da economia.

Levantamento divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sinaliza que a retomada do mercado de trabalho está se consolidando no Brasil, com expansão da população ocupada e com efeitos sobre a redução do desemprego. A pesquisa do Ipea salienta que, apesar do cenário mais favorável, o mercado de trabalho brasileiro ainda apresenta uma série de desafios a serem superados. Os pesquisadores lembram que, em janeiro, o país ainda tinha um contingente de 12,1 milhões de desempregados, dos quais mais de 30% estão nessa situação há mais de dois anos. No documento, elaborado com base nos dados da Pesquisa Nacional de Amostras de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os pesquisadores do Ipea observaram que, em janeiro deste ano, o contingente de ocupados no país chegou 94,1 milhões de trabalhadores, atingindo patamar semelhante ao do período pré-pandemia, quando alcançava 94,5 milhões em janeiro de 2020. Segundo o estudo, o recuo generalizado do desemprego foi mais intenso na Região Sudeste, onde a taxa de desocupação caiu 3,9 pontos percentuais de 2020 para 2021, passando de 15,1% para 11,2%. Em termos absolutos, as maiores taxas de desocupação foram verificadas no Amapá (17,5%), Bahia (17,3%) e Pernambuco (17,1%). Já as taxas de desocupação das regiões metropolitanas e não metropolitanas passaram de 17,1% e 12%, em 2020, para 13,1% e 9,6%, em 2021. À exceção da administração pública, que mostrou queda de 2,4%, na comparação interanual, todos os demais setores tiveram expansão da ocupação no último trimestre de 2021. Destaque para os serviços de alojamento e alimentação (23,9%), serviços domésticos (21,7%), pessoais (14,7%) e construção civil (17,4%). A pesquisa do Ipea acentua também que no último trimestre móvel encerrado em janeiro de 2022, enquanto o montante de trabalhadores com carteira evoluiu 9,3% na comparação interanual, os contingentes de ocupados sem carteira e por conta própria aumentaram 19,8% e 10,3%, respectivamente. Para o ano de 2022 como um todo, porém, a estimativa do Ipea é que embora se mantenha a expectativa de continuidade do processo de recuperação do mercado de trabalho, o ritmo dessa recuperação tende a diminuir, como reflexo do desempenho mais moderado da economia.

Agência Brasil

EMPRESAS

Chapa da Marfrig para a BRF é eleita com 68,9% dos votos, dizem fontes

Indicação de Marcos Molina para a presidência do conselho foi aprovada por 99% dos presentes

A Marfrig conseguiu eleger sua chapa para o conselho de administração da BRF, disseram duas fontes consultadas pelo Valor. Em uma assembleia com 80,09% de quórum, a chapa foi eleita com 68,9% dos votos. A indicação de Marcos Molina, controlador da Marfrig, como Presidente do Conselho e de Sergio Rial (ex-Santander Brasil) como vice foi aprovada por 99% dos presentes, disseram as fontes. A Marfrig é a principal acionista da BRF, com participação de 33%. A chapa de dez conselheiros, que terão um mandato de dois anos, é composta por Molina, Rial, Augusto Cruz, Márcia Marçal dos Santos, Eduardo Pocetti, Flávia Bittencourt, Pedro de Camargo Neto, Altamir Batista da Silva e Deborah Vieitas e Aldo Mendes.

VALOR ECONÔMICO

A despedida do veterano Furlan na BRF

Herdeiro de Atílio Fontana estava no conselho da dona de Sadia e Perdigão desde a fundação em 2009

Um veterano que não nega o orgulho da origem na catarinense Concórdia se despede de uma marca clássica. A assembleia de acionistas que marcou a tomada de controle da BRF pela Marfrig também encerrou a história de mais de três décadas do ex-ministro Luiz Fernando Furlan como membro do conselho da Sadia — a companhia fundada pelo avô Atílio Fontana —, depois fundida com a Perdigão. Numa assembleia pacata na manhã da segunda-feira, Furlan fez questão de trazer os broches de Sadia e BRF para marcar o fim de um ciclo. “Sou um dos veteranos, nesse conselho desde a criação da BRF, em 19 de maio de 2009. Hoje estou me despedindo da BRF”, disse o ex-ministro. O herdeiro de Fontana também deixou recomendações para a Marfrig, uma acionista que nem sempre contou com sua simpatia no conselho da BRF. O ex-ministro votou contra a proposta de fusão, ainda em 2019, e também foi contrário ao follow-on, mas acabou apoiando a chapa do conselho proposta pela Marfrig. Menu Buscar “Espero que o novo grupo leve os ideais que nos imbuíram para juntar duas empresas líderes, que eram concorrentes e com o tempo — e a duras penas — aprenderam a conviver em torno da bandeira BRF”, disse Furlan, que assumiu a liderança da Sadia após os problemas bilionários com derivativos cambiais e negociou com Nildemar Secches, da Perdigão, para formar a BRF. A fala de Furlan fez alusão àquele que foi de um dos grandes problemas da primeira década da BRF: a rivalidade entre Sadia e Perdigão, um problema cultural que custou muito tempo para ser resolvido. Nesse período, a companhia também passou por mudanças bruscas — algumas delas tinham muito a ver com a rivalidade original. “Vejo que temos mais um recomeço na BRF. Tivemos a criação em 2009, a uma mudança em 2013, depois uma mudança em 2018. Então, essa é uma empresa acostumada a mudanças”, disse Furlan, mencionado os anos em que Abilio Diniz e Pedro Parente foram eleitos para comandar o conselho. Ao se despedir da BRF, Furlan brincou com seu “grave defeito de não vender as ações”. Quando Sadia e Perdigão se uniram, lembrou o ex-ministro, ele participou do aumento de capital, pagando R$ 40 por ação. No mês passado, voltou a acompanhar uma oferta, mas a um preço bem mais baixo”. “Subscrevi a R$ 20 há um mês e meio, esperando dias melhores para nossa empresa”. De fato, as ações da BRF estão em um dos níveis mais baixos da história. Quando a Perdigão incorporou a Sadia, o grupo valia R$ 20,6 bilhões. Atualmente, a companhia está avaliada em apensa R$ 18,9 bilhões — mesmo depois de levantar R$ 5, bilhões no follow-on —, com o papel negociado a R$ 17,53. No auge, em 2015, a companhia chegou a valer R$ 62,8 bilhões, com as ações a mais de R$ 50. Mudar esse quadro será uma das missões da Marfrig — e de Marcos Molina.

VALOR ECONÔMICO

Carapreta ganha espaço no mercado de carnes nobres

Com investimentos de R$ 1 bilhão, iniciados em 2017, empresa mineira cresce e deverá faturar R$ 500 milhões em 2022

Empresa de carnes nobres controlada pelo Grupo A.R.G., de capital nacional, a Carapreta, com três fazendas no norte de Minas Gerais, avançou no plano de investir R$ 1 bilhão em sete anos para consolidar as operações, viu seus resultados superarem as expectativas iniciais e, agora, costura um novo pacote de projetos para ganhar mercado no Brasil e no exterior. Com foco no setor de construção pesada, o A.R.G. foi fundado em Minas em 1978 pelos irmãos José, Rodolfo e Adolfo Géo. Em 2017, quando começou o plano de expansão que será concluído em 2023, a família já tinha duas fazendas com pecuária tradicional havia décadas, mas viu ali uma chance de melhorar e transformar a atividade em um negócio de fato rentável. Vieram então a profissionalização, a ampliação da produção, a diversificação, os investimentos em genética e marketing, os frigoríficos, selos de sustentabilidade e uma nova estratégia de vendas para ampliar a comercialização dos cortes da Carapreta no varejo, no food service e no exterior. “Quando estruturamos o projeto para agregar valor ao negócio, avaliamos a cadeia produtiva e estudamos os principais canais para as vendas. Vimos, nesse trabalho, que o mercado queria qualidade, regularidade e padronização”, afirma Vitoriano Dornas, CEO da Carapreta. Com faturamento de cerca de R$ 400 milhões em 2021 e previsão de chegar ao patamar de R$ 500 milhões neste ano, a empresa, que tem 1,4 mil funcionários, hoje está presente nos segmentos de bovinos, ovinos e pescados, além de manter operações agrícolas. Na fazenda Santa Mônica, em São João da Ponte, tem rebanho bovino, agricultura e geração de energia; na Santa Terezinha, no mesmo município, há frigoríficos, ovinos, agricultura, pescados e geração de energia, solar (4 MW) e com biodigestores (2 MW); e na terceira fazenda, incorporada na expansão e situada em Jequitaí, mantém agricultura e gado. Na bovinocultura, a Carapreta reúne, no total, 70 mil cabeças de gado, e para disputar o mercado de cortes nobres de Angus investiu em mapeamento genético e fechou parceria com a Alta Genetics. Na ovinocultura, conta com um rebanho de 30 mil cabeças – o maior da América Latina, segundo Dornas. No ano passado, a empresa produziu 8,5 mil toneladas de carne bovina, e a meta é chegar a 12 mil toneladas em 2022. A oferta de carne de ovinos, por sua vez, deverá subir de 1,2 mil para 1,5 mil toneladas. Para os próximos anos, a Carapreta pretende implantar mais um frigorífico, diversificar as exportações de carne, para mercados como China, EUA, UE e Israel, e ampliar e verticalizar as operações agrícolas. Hoje, a empresa tem 3,5 mil hectares com soja e milho.

VALOR ECONÔMICO

MEIO AMBIENTE

Minerva firma parceria para desenvolver projetos para redução de emissões

A Minerva S.A. disse na segunda-feira (28) que assinou um memorando de entendimentos com a Biofílica Ambipar Environmental Investments para desenvolver projetos de carbono visando reduzir emissões de gases de efeito estufa na cadeia de produção da companhia

A parceria é válida para atuação na cadeia do agronegócio na América do Sul, com exceção do Brasil e Peru, segundo comunicado divulgado pela processadora de carnes. Minerva e Biofílica formarão uma joint venture para avaliar e implementar projetos de carbono nas propriedades conectadas à cadeia de fornecedores da Minerva. Esses projetos terão foco na adoção de práticas aprimoradas de manejo, preservação das áreas excedentes de reserva legal, iniciativas de reflorestamento e REDD+, um mecanismo que visa evitar as emissões de gases associadas ao desmatamento de florestas por meio da remuneração daqueles que mantêm as florestas em pé. “Como resultado dos projetos a serem desenvolvidos junto à cadeia de fornecedores da Minerva Foods, serão gerados créditos de carbono e/ou Reduções Verificadas de Emissão, os quais poderão ser comercializados em mercados apropriados, inclusive junto à própria base de clientes da companhia”, disse a Minerva. A Biofílica é uma empresa brasileira fundada em 2008, focada na conservação de florestas nativas a partir da comercialização de serviços ambientais. A Minerva disse que a parceria com a empresa para desenvolvimento de projetos de carbono reforça o compromisso com a sustentabilidade como um dos pilares de seu modelo de negócios.

CARNETEC

FRANGOS & SUÍNOS

Preços do suíno vivo caíram em MG, SP e RS na segunda-feira

Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a arroba do suíno CIF registrou queda de 0,99%/3,67%, custando R$ 100,00/R$ 105,00, enquanto a carcaça especial ficou estável em R$ 7,90 o quilo/R$ 8,20 o quilo

Na cotação do animal vivo, conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à sexta-feira (25), os preços ficaram estáveis no Paraná, valendo R$ 5,03/kg, e em Santa Catarina, com preço de R$ 4,81/kg. Houve queda de 2,64% em Minas Gerais, atingindo R$ 5,91/kg, baixa de 0,87% em São Paulo, alcançando R$ 5,71/kg, e de 0,77% no Rio Grande do Sul, fechando em R$ 5,13/kg.

Cepea/Esalq

Frangos: alta de mais de 3% para a ave resfriada

Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a ave no atacado ficou estável em R$ 7,45/kg, assim como o frango na granja, valendo R$ 6,50/kg

Na cotação do animal vivo, São Paulo ficou sem referência de preço, enquanto Santa Catarina ficou estável em R$ 4,03/kg e no Paraná, afixado em R$5,68/kg. Conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à sexta-feira (25), o frango congelado teve leve queda de 0,13%, atingindo R$ 7,51/kg, enquanto a ave resfriada subiu 3,85%, fechando em R$ 7,83/kg.

Cepea/Esalq

Bulgária relata surto de gripe aviária em fazenda industrial

Um surto de gripe aviária em uma fazenda búlgara com mais de 177 mil galinhas poedeiras forçou as autoridades a começarem a abater o rebanho restante, disse a agência de segurança alimentar do país na segunda-feira

O surto na cidade de Asenovgrad é a sexta fazenda industrial atingida pela gripe aviária altamente patogênica tipo A no sul da Bulgária desde dezembro.

O risco da doença para os seres humanos é considerado baixo, mas surtos anteriores entre aves de criação resultaram em extensos programas de abate para conter a propagação.

REUTERS

EUA seguem sofrendo com casos de gripe aviária

Minnesota foi o 18º estado com um surto de HPAI
Pela primeira vez, a gripe aviária altamente patogênica (HPAI) foi confirmada em Minnesota, o principal estado produtor de perus do país, disseram autoridades agrícolas no fim de semana. Cerca de 14,6 milhões de aves em bandos domésticos morreram de HPAI ou no abate de rebanhos infectados para reduzir a propagação da doença viral este ano. O USDA disse que a gripe aviária de “fluxo alto” foi identificada em uma fazenda de perus no condado de Meeker, cerca de 80 quilômetros a oeste de Minneapolis, e em um rebanho de espécies mistas no condado de Mower, cerca de 160 quilômetros ao sul de Minneapolis. Havia 300.000 perus na fazenda no condado de Meeker e 17 galinhas, patos e gansos no rebanho no condado de Mower, de acordo com a Minnesota Public Radio e a Associated Press. Minnesota foi o 18º estado com um surto de HPAI. Quatro outros surtos foram relatados no fim de semana, três em fazendas de perus e ovos em Dakota do Sul e um em uma fazenda de caça de terras altas no estado de Nova York, de acordo com o Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal. Separadamente, o Serviço de Marketing Agrícola disse aos avicultores orgânicos que eles poderiam manter seus pássaros dentro de casa como precaução contra HPAI, que pode ser transmitido por pássaros selvagens e seus excrementos. “O confinamento temporário pode ser feito sem comprometer o status orgânico da operação certificada” quando a gripe aviária é detectada na área, de acordo com um memorando do USDA. “O método de confinamento temporário deve ser aprovado pelo agente certificador e deve fornecer a proteção necessária às aves, atendendo aos requisitos dos regulamentos orgânicos do USDA.” Normalmente, o gado orgânico fica do lado de fora pelo menos parte do dia.

AGROLINK

Gripe aviária: França notifica mais 173 casos da cepa HPAI; total é de 1.028

Segundo o ministério, 34 países da Europa são afetados com a cepa de gripe aviária, que já notificaram focos em perus, galinhas e frangos de corte

O Ministério da Agricultura da França confirmou, até a última sexta-feira (25), mais 173 casos de uma cepa altamente patogênica de gripe aviária (HPAI), que tem sido responsável por surtos da doença no país. Até o momento são 1.028 casos em plantéis comerciais de aves, 39 casos em animais selvagens e outros 19 casos em galinhas. A pasta não informou em que região esses animais foram identificados. Segundo o ministério, 34 países da Europa são afetados com a cepa de gripe aviária, que já notificaram focos em perus, galinhas e frangos de corte. O primeiro caso na França foi detectado em 26 de novembro de 2021. O órgão orienta, como medida de prevenção ao avanço do vírus, o abate de animais em locais contaminados, a desinfecção da área e o controle da circulação de outras aves da propriedade em zonas definidas como proteção e vigilância.

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