Ano 7 | nº 1623 | 29 de novembro de 2021
NOTÍCIAS
Boi gordo: com mais uma semana de alta nos preços, mercado mira comportamento da demanda a partir da virada de mês
Na sexta-feira, 26 de novembro, o mercado brasileiro do boi gordo encerrou a semana com altas pontuais, efeito da redução dos negócios diante da ausência de ambas as pontas da cadeia pecuária
No decorrer desta semana, a arroba voltou a registrar altas consistentes, reflexo da dificuldade das unidades frigoríficas em preencher adequadamente as suas escalas de abate. Segundo dados apurados pela Scot Consultoria, nas praças paulistas, ao longo desta semana, a cotação da arroba do boi gordo subiu R$ 4/@, para R$ 316/@, enquanto os preços da vaca e da novilha prontas para abate tiveram acréscimos de R$ 10/@ e R$ 7/@, respectivamente, alcançando R$ 295/@ e R$ 305/@ (valores brutos e a prazo). Durante a semana, os preços dos principais cortes bovinos ficaram estáveis após as altas acumuladas na semana anterior, informa a IHS. “Como os abates de boiada gorda continuam limitados, a produção de carne também segue apertada”, informa a consultoria. Segundo a IHS, a intensidade dos aumentos recentes nos preços da arroba bovina superou os ajustes feitos nos preços da carne bovina no atacado. Por isso, as indústrias seguem de olho no fluxo do escoamento da carne na próxima semana – no caso de avanço nas vendas, novos reajustes nos preços dos cortes bovinos podem ocorrer. Em relação ao mercado externo, a Secex informou que a média diária embarcada de carne bovina in natura durante as três primeiras semanas de novembro ficou em 4,90 mil toneladas por dia, volume 41,6% inferior à média de novembro de 2020, mas um avanço de 19,1% frente à média de outubro de 2021. Entre as principais praças pecuárias do Brasil, novas altas na arroba foram observadas nos Estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Rondônia, onde os frigoríficos enfrentam forte escassez de oferta de boiadas gordas. Na bolsa B3, os contratos futuros do boi gordo tiveram uma sessão de tímidos ajustes positivos na quinta-feira. No atacado, o mercado de carne bovina encerrou a semana com preços firmes.
PORTAL DBO
Boi gordo: mercado paulista em ritmo de espera
Com as indústrias ofertando mais pela arroba do gado gordo, as escalas ficaram mais confortáveis e já estão fechadas para os próximos dias. Ao longo da semana a cotação da arroba do boi gordo subiu R$4,00, a da vaca gorda R$10,00 e a da novilha gorda R$7,00. Já na comparação diária os preços ficaram estáveis
O boi, vaca e novilha gordos ficaram apregoados em R$316,00/@, R$295,00/@ e R$305,00/@, preços brutos e a prazo. No Rio Grande do Sul, com a ponta vendedora segurando a oferta de animais, buscando melhores condições de negociação, as escalas das indústrias caminham curtas. Assim, a semana terminou com compradores ofertando mais pela arroba para todas as categorias. Com isso a cotação subiu R$0,25/kg para o boi gordo, R$0,10/kg para a vaca gorda e R$0,10/kg para a novilha gorda, na comparação feita dia a dia. Atacado de carne bovina com osso, esmo com vendas compassadas, as cotações das carcaças casadas subiram no comparativo semanal. A carcaça casada de bovinos castrados, nos últimos sete dias, subiu 0,7%, ou R$0,13/kg, e ficou cotada em R$19,50/kg. Já a de bovinos inteiros ficou precificada em R$19,05/kg, alta de 1,1%, ou R$0,20/kg, nas mesmas condições.
SCOT CONSULTORIA
Mercado do boi com preços firmes em 2022, mas margens ficarão apertadas
Nas exportações, volta da China é dada como certa, protecionismo dos EUA tende a perder força e volta da Rússia não deve impactar demanda
Segundo o analista da Scot Consultoria, Alcides Torres, “o movimento de retenção de fêmeas observado desde de 2018 deve seguir no próximo ano e isso vai colaborar para a sustentação dos preços da arroba”, comentou. Os preços da arroba caíram com a saída da China das exportações nos últimos dois meses, mas conseguiram se recuperar. “Nos últimos trinta dias, os preços da arroba foram impulsionados pela baixa disponibilidade da oferta e a cotação passou de R$ 260,00/@ para R$ 320,00/@”, informou. Com o desempenho econômico lento e inflação elevada, a demanda por carne bovina no mercado interno deve seguir recuando e o foco será para o consumo de proteínas alternativas. “Tivemos uma queda de 10kg no consumo per capita da carne bovina, que estava próximo de 35 kg/ano e agora o brasileiro consome em média 25 kg bovina por ano”, contou. Os preços da carne bovina no atacado subiram com a redução da oferta de animais para abate, mas a queda no consumo de carne está ligada a perda de poder aquisitivo da população. “Se a pessoa tem dinheiro ela vai pagar o preço que a carne está, mas o que está espantando o consumidor brasileiro é o fato de não conseguir comprar e tivemos uma migração para o consumo de carne de frango neste ano”, comentou. Com a queda no consumo interno, a alternativa foi destinar boa parte da produção à exportação e a demanda chinesa seguiu muito aquecida até o mês de setembro. “Neste ano tivemos dois casos de doença da vaca louca nos estados do Mato Grosso e Minas Gerais em que a China deixou de comprar do Brasil e os embarques reduziram significativamente”, ressaltou. O analista da Scot Consultoria estima que a demanda chinesa deve seguir impulsionando o mercado no próximo ano. “Nós esperamos que a China tenha um incremento de 5% na demanda por carne bovina, já que houve um aumento nos preços dos suínos na China de 50% em um mês e isso deve colaborar para eles buscarem a proteína brasileira”, disse. Para ele, “importante que no próximo ano, o Brasil melhore os embarques com outros países para não ficar dependente da demanda chinesa. A meta é abrir novos mercados e ter a diversificação de compradores para o produto brasileiro. Os chineses devem ser autossuficientes na produção de suínos e de frango em breve, mas não vão ser em bovinos”, assegurou.
SCOT CONSULTORIA
Oito consórcios públicos municipais recebem títulos de adesão ao Sisbi
Com o reconhecimento, os produtos registrados pelos Serviços de Inspeção Municipal vinculados a estes consórcios podem ser comercializados em todo território nacional
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) entregou na sexta-feira (26) Títulos de Adesão ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA) para oito consórcios públicos municipais, em evento realizado em Iguatemi (MS). O reconhecimento destes consórcios beneficiará 26 municípios do Mato Grosso do Sul, 40 de Santa Catarina, 29 do Rio Grande do Sul, 30 do Paraná e 17 de Minas Gerais. Os consórcios que receberam os títulos são participantes do Projeto de Ampliação de Mercados de Produtos de Origem Animal para Consórcios (Consim). O Sisbi-POA faz parte do Sistema Unificado de Atenção a Sanidade Agropecuária (Suasa) e busca padronizar e harmonizar os procedimentos de inspeção de produtos de origem animal para garantir a inocuidade e segurança alimentar. Para obter a equivalência dos seus serviços de inspeção junto ao Mapa, é preciso comprovar que as medidas de inspeção higiênico-sanitária e tecnológica praticadas permitem avaliar a qualidade e inocuidade dos produtos de origem animal com a mesma eficiência do Ministério da Agricultura. A Ministra Tereza Cristina destacou que a adesão ao Sisbi por meio dos consórcios possibilitará a inclusão da pequena agricultura, que muitas vezes não consegue ter acesso a esses sistemas. O Secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, José Guilherme Leal, explicou que o reconhecimento de equivalência mostra que o consórcio municipal tem a mesma qualidade de inspeção do Sistema de Inspeção Federal (SIF). Lista dos consórcios: Consórcio Intermunicipal da Região Sul do Mato Grosso do Sul (Conisul) – MS; Consórcio Intermunicipal para o Desenvolvimento Sustentável da Bacia do Rio Taquari (Cointa) – MS. Consórcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento Sustentável do Alto Paranaíba (Cispar) MG; Consórcio Público Intermunicipal de Atenção a Sanidade Agropecuária, Desenvolvimento Rural e Urbano Sustentável da Região Central do Estado do Paraná (CID Centro) – PR. Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Sustentável da Serra Gaúcha (Cisga) – RS. Consórcio Intermunicipal do Vale do Jacuí (CV-Jacuí) – RS; Consórcio Intermunicipal dos Municípios da AMAVI (CIM-Amavi) – SC; Consórcio Intermunicipal Multifinalitário da AMREC (CIM-AMREC) – SC. Foram realizadas oficinas para orientar os prefeitos, secretários de agricultura, dirigentes dos consórcios municipais, donos das agroindústrias, responsáveis técnicos de agroindústrias e a equipe técnica veterinária de inspeção dos consórcios municipais envolvidos. Sessenta empresas receberam consultoria técnica especializada para adequações estruturais e de procedimentos, e implantação dos autocontroles. Foram disponibilizadas 10 mil vagas em cursos técnicos na área de Inspeção de Produtos de Origem Animal, Registros de Estabelecimentos e produtos, implantação e verificação de programas de autocontrole e funcionamento do SUASA, com certificação pela Escola Nacional de Gestão Agropecuária (Enagro).
MAPA
ECONOMIA
Dólar sobe ante real em linha com temor internacional sobre nova variante da Covid-19
O dólar subiu frente ao real na sexta-feira, acompanhando movimento internacional de aversão a risco em meio ao pânico de investidores com a descoberta de uma nova variante do coronavírus
A moeda norte-americana negociada no mercado interbancário avançou 0,55%, a 5,5961 reais na venda. Na B3, onde os negócios ultrapassam as 17h (horário de Brasília), o dólar futuro tinha alta de 0,50%, a 5,5985 reais. No acumulado da semana, o dólar caiu 0,25% contra o real, após fechar a última sexta-feira em 5,6104 reais na venda. A Organização Mundial da Saúde (OMS) designou na sexta-feira a nova variante da Covid-19, detectada na África do Sul com um amplo número de mutações, como de “preocupação”, a quinta variante a receber essa designação. Autoridades britânicas acreditam que essa é a cepa mais significativa até agora, tendo levado a União Europeia, o Reino Unido e a Índia, entre outros, a anunciarem controles mais rígidos de fronteira. As notícias sobre a variante vêm em meio a um quadro sanitário já em deterioração na Europa, que levou à imposição de lockdowns em alguns lugares. Economistas do Citi disseram em nota a clientes na sexta-feira que a incerteza sobre a nova variante “veio para ficar pelas próximas semanas”, afirmando que isso é negativo para o desempenho de moedas de países emergentes. O Brasil já ultrapassou países como os EUA na parcela da população completamente vacinada contra a Covid-19, e, recentemente, a cidade mais populosa do país, São Paulo, afirmou que 100% de sua população adulta já concluiu a imunização.
Reuters
Ibovespa afunda com aversão global ao risco por conta de variante ômicron
O Ibovespa despencou na sexta-feira, diante o clima de aversão global aos ativos de risco. A identificação de uma nova variante da Covid-19, chamada de ômicron, despertou temores do impacto econômico advindo de um recrudescimento da pandemia
De acordo com dados preliminares, o Ibovespa caiu 3,26%, a 102.356,34 pontos, o que seria a maior queda desde 19 de outubro. Na mínima da sessão, o índice recuou a 101.494,70 pontos e renovou o menor patamar intradiário do ano. O volume financeiro foi de 25,5 bilhões de reais. Na semana, o índice caiu 0,66%, segunda baixa consecutiva, também segundo dados preliminares.
Reuters
Juros cobrados de empresas e famílias sobem em outubro, diz BC
Taxa chegou a 32,8% ao ano, a maior desde março de 2020
As taxas de juros dos empréstimos nos bancos subiram em outubro, segundo a pesquisa Estatísticas Monetárias e de Crédito do Banco Central (BC), divulgada dia 26, em Brasília. Nas operações com taxas livremente definidas pelos bancos, a taxa média cobrada de empresas e famílias ficou em 32,8% ao ano, aumento de 2,2 pontos percentuais em relação a setembro, quando estava em 30,6% ao ano. Essa é a maior taxa desde março de 2020 (33,3% ao ano). As famílias pagaram taxa média de 43,8% ao ano, com alta de 2,1 pontos percentuais em relação a setembro, e as empresas, 19,1% ao ano, aumento de 2 pontos percentuais. Em 12 meses, as altas foram de 4,8 pontos percentuais para as pessoas físicas e de 7,1 pontos para as empresas. No caso das famílias, o BC destacou os aumentos das taxas do crédito pessoal não consignado (6,2 pontos percentuais, chegando a 83,6% ao ano, em outubro), crédito pessoal consignado para servidores públicos (0,9 ponto percentual, com taxa de 17,9 % ao ano) e cartão de crédito rotativo (4,1 pontos percentuais; taxa de 343,6% ao ano). O cheque especial ficou com taxa de 128,8% ao ano, recuo de 0,8 ponto percentual em relação a setembro. No crédito às empresas, o destaque ficou para os crescimentos nos custos de contratação de desconto de duplicatas e outros recebíveis (1,5 ponto percentual, com taxa em 14,2% ao ano), capital de giro com prazo menor que 365 dias (6 pontos percentuais; taxa de 22,1% ao ano) e capital de giro com prazo superior a 365 dias (2 pontos percentuais, com juros em 19% ao ano). A inadimplência, considerados atrasos acima de 90 dias, do crédito livre para pessoas físicas chegou a 4,3%, com alta de 0,1 ponto percentual em relação a setembro. A inadimplência das empresas permaneceu em 1,6%. A alta dos juros também foi observada nas operações de crédito direcionado, que têm regras definidas pelo governo e é destinado basicamente aos setores habitacional, rural, de infraestrutura e ao microcrédito. A taxa média para pessoas físicas subiu 0,4 ponto percentual para 7,7% ao ano. Para as empresas, a alta, no mês, foi de 1,3 ponto percentual para 10,8% ao ano. A inadimplência do crédito consignado ficou estável em 1% para pessoas jurídicas e 1,4% para as famílias.
AGÊNCIA BRASIL
Confiança da indústria cai em novembro e vai ao menor nível desde agosto de 2020, diz FGV
A confiança da indústria no Brasil mostrou em novembro queda pelo quarto mês seguido e chegou ao nível mais baixo desde meados de 2020, diante da piora tanto do cenário atual quanto das perspectivas futuras, segundo dados da Fundação Getulio Vargas (FGV)
A FGV informou na sexta-feira que seu Índice de Confiança da Indústria (ICI) apresentou no mês recuo de 3,1 pontos e foi a 102,1 pontos, menor nível desde agosto de 2020 (98,7 pontos). “A confiança de novembro sinaliza uma mudança na trajetória de recuperação da indústria de forma disseminada, com 15 dos 19 segmentos apresentando queda da confiança”, destacou a economista da FGV IBRE Claudia Perdigão, em nota. “A retração da confiança ocorre em um momento em que a inflação avança, reduzindo a capacidade de compra dos consumidores, ao mesmo tempo em que o desemprego continua elevado. Soma-se a esses pontos choques de custos e gargalos de logística. Como resultado, o setor pode terminar 2021 com o otimismo em queda”, completou. Segundo a FGV, o Índice de Situação Atual (ISA), que mede o sentimento dos empresários sobre o momento presente do setor industrial, caiu 4,6 pontos e foi a 103,7 pontos, menor valor desde agosto de 2020 (97,8 pontos). O Índice de Expectativas (IE), indicador da percepção sobre os próximos meses, caiu 1,6 ponto para 100,3 pontos, menor patamar desde maio desse ano (99 pontos). Os dados mais recentes do IBGE mostram que a indústria brasileira encerrou o terceiro trimestre com perdas de 1,7% sobre o segundo, depois de recuo da produção de 0,4% em setembro.
Reuters
FRANGOS & SUÍNOS
Suínos: preços estáveis na sexta-feira
Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a arroba do suíno CIF ficou estável em R$ 140,00/R$ 145,00, assim como a carcaça especial, valendo R$ 10,40/R$ 10,80 o quilo
Na cotação do animal vivo, segundo informou o Cepea/Esalq, referentes à quinta-feira (25), os preços não mudaram nas principais praças acompanhadas pelo órgão, com R$ 7,47/kg em Minas Gerais, R$ 6,57/kg no Paraná, R$ 6,34/kg no Rio Grande do Sul, R$ 6,72/kg em Santa Catarina e R$ 7,73/kg em São Paulo.
Cepea/Esalq
Rebanho de matrizes suínas da China cresce 6,6% no final de outubro, aponta Ministério da Agricultura
O rebanho de porcas da China cresceu 6,6% com relação ao ano anterior no final de outubro para 43,48 milhões de cabeças, disse o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais na sexta-feira. O tamanho do rebanho caiu 2,5% em relação ao mês anterior, no entanto.
Reuters
Frigoríficos brasileiros mostram melhora em bem-estar de suínos
É o que aponta a ONG Alianima a partir de consultas Alegra, Aurora, BRF, Frimesa, JBS e Pamplona
A partir de janeiro de 2045, as granjas de suínos não poderão ter celas de gestação individuais no país, conforme instrução normativa publicada pelo Ministério da Agricultura no fim do ano passado. Os principais frigoríficos do Brasil se comprometeram publicamente a exigir baias coletivas em 100% de seus fornecedores entre 2025 e 2029, e metade já tem mais de 50% das porcas alojadas em instalações coletivas. É o que aponta a ONG Alianima a partir de consultas às empresas ou cooperativas Alegra, Aurora, BRF, Frimesa, JBS e Pamplona. As celas individuais são apertadas e restringem a movimentação dos animais – o que, segundo a organização, traz problemas físicos e sofrimento. Além de ficarem desconfortáveis, as fêmeas não conseguem interagir, explorar o ambiente ou construir o ninho para o parto, comportamentos naturais importantes. O percentual de porcas alojadas em instalações coletivas chega a 81% entre os integrados da Pamplona, segundo a própria companhia. Na Aurora e na JBS (Seara), são 60% e 61%, respectivamente. Alegra e Frimesa estão mais atrasadas em relação às demais, com 38% e 36%. Na cadeia de fornecimento da BRF, maior produtora de suínos do Brasil, o percentual chega a 46% – considerado positivo pela Alianima, pelo fato de os integrados da empresa reunirem, em conjunto, o maior plantel de suínos do país, com cerca de 400 mil cabeças. A ONG afirma que reconhece o esforço das empresas e incentiva que elas mantenham metas individuais, a despeito da instrução normativa. Para a Alianima, a legislação está defasada e pode ser encarada como um “atraso” na adoção de critérios de bem-estar animal. Os seis grupos consultados relataram que a falta de financiamento, principalmente para os pequenos produtores, é um desafio para acelerar o processo. Outro ponto de discussão é o tempo que as porcas devem permanecer em celas individuais após serem inseminadas e antes de serem encaminhadas a baias coletivas. A ONG defende o sistema “cobre e solta”, em que os animais são transferidos logo após a inseminação. A Alianima argumenta que a prática não reduz a produtividade e pode diminuir índices de aborto e de repetição de cio. A Alegra Foods e a Pamplona já operam com parte de seus planteis no sistema “cobre e solta”, em que os animais vão para baias coletivas em até sete dias, mas parte ainda fica isolada em celas por até 35 dias. Na Aurora e na Frimesa, são 35 e 42 dias, e a BRF trabalha com até 28 dias. A JBS, por sua vez, estuda três tempos: sete (“cobre e solta”), 28 e 35 dias. “Felizmente, dois terços dos fornecedores têm planos ou metas de reduzir os períodos que adotam atualmente. A Pamplona, por exemplo, afirmou que todos os seus novos projetos estão sendo planejados para implementar o sistema cobre e solta”, afirma a Presidente da Alianima, Patrycia Sato. A Alianima também questionou os frigoríficos sobre a continuidade de procedimentos cirúrgicos em leitões, como castração e corte de cauda sem uso de analgésicos e anestesia. Em nota à ONG, a JBS afirmou que não faz mais castração cirúrgica sem anestesia. As outras empresas ainda pretendem banir a prática, assim como o corte/desgaste de dentes e a mossa (corte das orelhas para identificação).
VALOR ECONÔMICO
Frango: cotações estáveis ou em queda na sexta
Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a ave na granja ficou estável em R$ 5,20/kg, enquanto o frango no atacado recuou 0,76%, valendo R$ 6,55/kg
Na cotação do animal vivo, os valores não mudaram em Santa Catarina, valendo R$ 3,70/kg, nem em São Paulo, com preço de R$ 5,00/kg. No Paraná houve queda de 3,03%, chegando a R$ 5,77/kg. Conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à quinta-feira (25), a ave congelada teve retração de 1,15%, atingindo R$ 6,90%, enquanto a resfriada cedeu 10,14%, fechando em R$ 7,29/kg.
Cepea/Esalq
Frango/Cepea: Valores seguem em queda; competitividade da carne cresce
Os preços da carne de frango seguem em queda no mercado brasileiro. Segundo pesquisadores do Cepea, o movimento de baixa está atrelado ao fraco ritmo de vendas da proteína no mercado atacadista
Agentes consultados pelo Cepea indicam que vendedores estão reajustando negativamente as cotações, no intuito de elevar a liquidez e evitar aumento de estoques. Já as carnes concorrentes, a bovina e a suína, registram valorizações neste mês. Diante disso, a competitividade da carne de frango frente a essas concorrentes avançou ao longo de novembro.
CEPEA
França detecta novo foco de gripe aviária e fecha granjas contaminadas
A França anunciou neste sábado (27) que detectou uma forma “altamente patogênica” de gripe aviária em uma granja no norte do país. Autoridades francesas informaram que ainda não se sabe exatamente qual é a cepa que infectou os animais, mas que todos serão abatidos de antemão para evitar que a doença se espalhe
Diversos focos de gripe aviária foram detectados na França no último mês, tanto em granjas quanto em animais selvagens. A epidemia levou o governo a determinar que os animais de criadouros sejam mantidos em instalações isoladas sem contato exterior. Um surto da doença no último inverno foi responsável pelo sacrifício de cerca de três milhões de patos no Sudeste do país. A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) emitiu alerta no dia 15 sobre a rápida transmissão de uma cepa não identificada de gripe aviária, tanto na Ásia quanto na Europa. Segundo a organização, a China registrou 21 casos de infecção humana pelo vírus H5N6 – um dos responsáveis pela gripe aviária. Segundo informa a agência internacional de notícias Reuters, donos de aviários temem que as notícias imponham bloqueios de importação das carnes de frango e de pato. Especialistas de saúde franceses alertam, ainda, para a possibilidade de transmissão da doença para humanos. A gripe aviária geralmente é transmitida durante o fluxo migratório de aves selvagens.
Reuters
Suíça relata gripe aviária H5N1 em santuário animal, diz OIE
A Suíça relatou um surto do vírus altamente patogênico da gripe aviária H5N1 entre as aves de um santuário de animais, disse a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), com sede em Paris, na sexta-feira.
Reuters
Produção de aves deverá atingir recorde em 2021, projeta Conab
Aumento, de 4,5%, tem relação direta com a queda do poder aquisitivo da população, que passou a procurar proteínas mais baratas
A produção de carne de frango no Brasil deverá alcançar 15,3 milhões de toneladas neste ano, um crescimento de 4,5% em relação a 2020, segundo projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Caso se confirme, o volume será o maior da série histórica, informa o boletim AgroConab. Também em alta, as exportações de carne de frango devem atingir o recorde de 4,46 milhões de toneladas no ano, prevê a Conab. Em carne suína, a produção do país também poderá alcançar recorde ao crescer 5%, para 4,5 milhões de toneladas, sendo 1,24 milhão de toneladas para exportações, projeta a estatal. Já para a carne bovina, em um cenário de diminuição da demanda, a estimativa é de queda de 5% da produção quando comparada à do ano passado, para 8,1 milhões de toneladas. Do total, 2,65 milhões de toneladas devem ser encaminhadas às vendas externas. A Conab calcula que os volumes disponíveis de proteínas por habitante no ano chegam a 15 quilos no caso dos suínos, 50 quilos nas aves e 25,8 quilos em bovinos. Após a suspensão das exportações para a China, no início de setembro, o preço pago ao produtor de carne bovina teve forte queda, mas, nos preços ao consumidor final, a redução não ocorreu de maneira tão acentuada. Com a retomada das negociações com o país asiático, a tendência é que os preços ao produtor voltem aos patamares anteriores. Já os valores recebidos pelo produtor de carne de frango seguem em alta. A demanda aquecida e o encarecimento da ração — que leva milho e farelo de soja, por exemplo — contribuem para o movimento. Segundo a Embrapa, a despesa desses produtores com alimentação animal quase dobrou entre julho de 2018 e julho de 2021. Os produtores de carne suína também são impactados pela cotação elevada do milho, mas o mercado consumidor segue pressionando os preços, “trazendo relativa estabilidade às cotações, sem espaços para avanços consideráveis”.
VALOR ECONÔMICO
Preços externos da carne de frango sobem, mas longe dos valores máximos
Em 2021, o preço médio alcançado pelos quatro principais itens de carne de frango componentes do mix exportado pelo Brasil vem registrando forte recuperação em relação a 2020 ou mesmo a anos anteriores. Ainda assim, os preços mais recentes permanecem a uma significativa distância dos recordes já registrados, um deles desde setembro de 2008
Os dados mensais da SECEX/ME vêm demonstrando sensível valorização dos quatros principais itens exportados. Embora tenham registrado o menor índice de incremento anual, os cortes de frango, com aumento de 12,52%, apresentaram valorização considerada expressiva. O melhor resultado ficou com o frango inteiro – valorização de 28,56% – e, sobretudo, com os industrializados e a carne de frango salgada – com aumentos de 36,01% e 32,86%, respectivamente. Porém, todos eles se encontram a relativa distância dos recordes já registrados. O frango inteiro, por exemplo, alcançou seu melhor preço em abril de 2013, ocasião em que a tonelada do produto foi comercializada por mais de US$2 mil. Agora, registra valor 25% inferior. Em carne salgada, ela e os cortes de frango registraram seus recordes em setembro de 2011. Os cortes, com US$3.486,57 por tonelada; a carne salgada com US$2.266,63/tonelada. Hoje, alcançam valor cerca de 16% e 19% inferior. O caso mais significativo é o dos industrializados que, em setembro de 2008 – isto é, há mais de 13 anos – registraram preço médio de US$3.486,53 por tonelada, alcançando um resultado praticamente igual ao recorde dos cortes, que seria atingido exatos três anos depois.
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MEIO AMBIENTE
Ministro do Itamaraty chama de ‘protecionismo’ proposta da UE de proibir produtos do desmatamento
Carlos França manifestou-se contra possível banimento por parte do bloco europeu, que aguarda aprovação enquanto discute a medida
O Ministro das Relações Exteriores, Carlos França, chamou de “protecionista” a recente proposta da União Europeia (UE) de banir produtos ligados ao desmatamento, segundo entrevista publicada pelo jornal britânico Financial Times no domingo, 28. “Eu não posso aceitar usar o meio ambiente como uma forma de protecionismo. É ruim para os consumidores e para o fluxo de negócios”, declarou França. “Acho que existe certa miopia por parte da UE.” A proposta foi feita pela Comissão Europeia na quarta-feira 17 e afeta seis categorias de produtos: soja, carne bovina, óleo de palma, madeira, cacau e café. Seus derivados também estariam inclusos, como couro, chocolate e móveis. De acordo com a lei proposta, que precisa ser aprovada pelos governos da União Europeia e pelo Parlamento Europeu, as empresas terão de mostrar que as seis commodities foram produzidas de acordo com as leis do país produtor. Na entrevista ao FT, ministro atacou as políticas de subsídios do governo da França para apoiar os pequenos agricultores do país europeu. “Entendo as razões políticas internas do governo francês. Não é ambientalmente correto que eles deem subsídios à agricultura, porque terra e água são recursos escassos e operá-los de forma ineficiente não é sustentável”, disse. “É melhor plantar aqui no Brasil, onde a agricultura é incrivelmente avançada tecnologicamente, do que produzir na França.” A fala ocorre em meio à aprovação do acordo entre Mercosul e União Europeia, em discussões por 20 anos e atualmente parado para ser ratificado pelos países-membros do bloco europeu — uma das principais objeções, principalmente do governo do francês Emmanuel Macron, é garantir que a aprovação do acordo com um compromisso para impedir o desmatamento no Brasil.
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