CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 1597 DE 20 DE OUTUBRO DE 2021

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Ano 7 | nº 1597 | 20 de outubro de 2021

 

NOTÍCIAS

Boi: cenário de quedas permanece sem China, diz Safras & Mercado

De acordo com a consultoria Safras & Mercado, o cenário de quedas das cotações do boi gordo permanece no mercado brasileiro sem novidades em relação à China

Em São Paulo, capital, o preço foi de R$ 268 para R$ 267 por arroba, na modalidade a prazo. Em Dourados (MS) e em Goiânia (GO) ficou estável em R$ 267 e R$ 250, respectivamente. Na B3, as cotações dos contratos futuros do boi gordo voltaram a recuar após dois dias de alta nos vértices mais curtos da curva. O ajuste do vencimento para outubro passou de R$ 270,75 para R$ 268,95, do novembro foi de R$ 280,70 para R$ 278,05 e do dezembro foi de R$ 295,10 para R$ 291,60 por arroba.

AGÊNCIA SAFRAS

Arrefecimento no mercado do boi gordo

O ritmo lento no mercado interno mantém os preços da arroba pressionados nas praças paulistas.

No comparativo diário o boi e vaca gordos recuaram R$1,00/@. Já para a novilha gorda, a queda foi de R$3,00/@. Com isso, o boi, vaca e novilha gordos foram negociados, respectivamente, por R$269,00/@, R$260,00/@ e R$277,00/@, preços brutos e a prazo.

SCOT CONSULTORIA

Boi: desinteresse chinês complica conjuntura de mercado no Brasil, diz Safras

Diante da perspectiva de queda no decorrer da semana, o ambiente de negócios ainda sugere por novas tentativas de compra abaixo da referência. Um lote de carne bovina brasileira teria sido rejeitado na alfândega chinesa, e os frigoríficos estariam tentando realocar a carga para o porto de Hong Kong ou para o Vietnã

O mercado físico de boi gordo voltou a se deparar com queda nos preços da arroba na nas principais praças de produção e comercialização do país. Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, perspectiva de queda no decorrer da semana, o ambiente de negócios ainda sugere por novas tentativas de compra abaixo da referência média por parte dos frigoríficos. A ausência de informações sobre a China segue pressionando o mercado. O Governo Federal do Brasil ainda busca alternativas para solucionar o imbróglio o mais rápido possível, mas as autoridades chinesas não demonstram interesse concreto em retomar as compras de carne bovina do Brasil após os casos de vaca louca já esclarecidos. Segundo informações da Safras, um lote de carne bovina brasileira teria sido rejeitado na alfândega chinesa, e os frigoríficos estariam tentando realocar a carga para o porto de Hong Kong ou para o Vietnã. “O cenário se mostra muito desafiador tanto para a indústria, quanto para os pecuaristas. A cada dia sem a China do lado comprador, mais difícil se torna o quadro para a pecuária de corte brasileira”, salienta Iglesias. Em São Paulo, Capital, a referência para a arroba do boi ficou em R$ 267 na modalidade a prazo. Em Goiânia (GO), a arroba teve preço de R$ 250. Em Dourados (MS), a arroba foi indicada em R$ 267. Em Cuiabá, a arroba foi negociada por R$ 257. Em Uberaba, Minas Gerais, preços a R$ 257. Já os preços da carne bovina ficaram estáveis no atacado. O ambiente de negócios permanece complicado, ainda em viés de baixa. “O cenário permanece muito complicado, com a demora da China em retomar as importações de carne bovina brasileira se torna cada vez maior a possibilidade de os frigoríficos disponibilizarem a carne bovina armazenada nas câmaras frias no mercado doméstico, uma vez que não há mercados com o potencial de consumo da China. Esse movimento tende a contaminar as demais proteínas animais, como a carne de frango e a carne suína”, disse o analista. O quarto dianteiro seguiu precificado a R$ 20,70 por quilo. Quarto dianteiro ainda é cotado a R$ 14 por quilo. Ponta de agulha segue precificada a R$ 13,80, por quilo.

AGÊNCIA SAFRAS

Governo determina suspensão de produção de carne bovina para a China

Frigoríficos poderão manter carga em contêineres refrigerados por até 60 dias; vendas aos chineses estão paralisadas desde 4 de setembro

O Ministério da Agricultura determinou ontem (19/10) que frigoríficos habilitados a exportar carne bovina ao mercado chinês suspendam qualquer nova produção que tenha como destino o país asiático. Na terça-feira, a paralisação das exportações brasileiras de carne à China completou 45 dias. Em 4 de setembro, seguindo um protocolo sanitário entre os dois países, o Brasil suspendeu voluntariamente suas vendas ao mercado chinês após a confirmação de dois casos atípicos do mal da “vaca louca”, em Mato Grosso e Minas Gerais. Ainda que as vendas tenham sido paralisadas por decisão do governo brasileiro, cabe à China determinar o fim do embargo, o que ainda não ocorreu. A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) já declarou que o risco de contaminação do rebanho brasileiro é considerado “insignificante”. Ontem, além de determinar a suspensão da produção para vendas à China, o Ministério da Agricultura também autorizou os estabelecimentos processadores de carne bovina habilitados a vender aos chineses a estocarem em contêineres refrigerados a proteína que produziram antes da data da suspensão. A medida é válida por 60 dias. Esses contêineres terão que permanecer dentro das plantas habilitadas pela China, e a temperatura e condições de armazenamento das cargas deverão ser monitoradas. As empresas poderão emitir o Certificado Sanitário Nacional (CSN) para transferir esses estoques de um frigorífico autorizado pelos chineses para outro. Não é necessário que as unidades pertençam sejam do mesmo grupo empresarial.

VALOR ECONÔMICO

Boi gordo cai, mas preço da carne no varejo segue firme

Embargo chinês ao produto do Brasil tem reflexos no campo

Brasil e Argentina estão com seus mercados domésticos retraídos por causa de problemas em suas economias e vendendo menos carne bovina ao exterior, por motivos diferentes. Mas, nos dois países, os preços da proteína resistem e continuam em patamares elevados. No Brasil, por sinal, alguns cortes ainda não pararam de subir nos supermercados. No campo, o boi gordo, mesmo diante de uma oferta retraída, começou a acusar o cambaleante consumo doméstico e o enfraquecimento das exportações, motivado pelo embargo chinês à carne bovina brasileira, que ontem completou 45 dias. De 3 de setembro para cá – a suspensão voluntária das vendas à China ocorreu no dia 4, depois da confirmação de dois casos atípicos de “vaca louca”, em Minas e em Mato Grosso -, o indicador Cepea/B3 para a arroba caiu cerca de 12%, de pouco mais de R$ 300 para menos de R$ 270. Já a carne bovina continua salgada no atacado e no varejo. Segundo levantamento da Scot Consultoria baseado em uma média de preços de 22 cortes, no atacado o quilo estava em R$ 31,39 em 1º de setembro, e na semana passada o valor era R$ 32,75. No varejo, no mesmo período, a cotação média da cesta até subiu, de R$ 42,90 para R$ 42,92 o quilo. Enquanto os consumidores torcem para que a queda do boi torne as carnes mais baratas, Brasília espera um sinal de Pequim sobre o fim do embargo. Mas até agora espera sentada, em meio a muito silêncio e à “falta de agenda” alegada pela China para discutir o tema. A Ministra da Agricultura, Tereza Cristina, se ofereceu para ir pessoalmente à China tratar da questão, mas ainda não recebeu nenhuma sinalização da Administração Geral de Alfândegas (GACC, na sigla em inglês). A Pasta afirma que tem fornecido “com presteza” as informações solicitadas pelos chineses, e que os técnicos do governo brasileiro também estão disponíveis para esclarecer quaisquer dúvidas. Apesar de não ser tratada como algo “excepcional”, a participação da Ministra é uma estratégia política para tentar destravar as restrições aos embarques de carne bovina mantidas há 45 dias por Pequim. Tereza Cristina enviou uma carta ao ministro da GACC. Na última vez em que o Brasil confirmou um caso atípico do mal da “vaca louca”, em 2019, o embargo dos asiáticos durou 13 dias. Como se trata de uma situação semelhante a anterior, era senso comum que a barreira não duraria muito. Um mês e meio depois, e nada. A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) já atestou que o rebanho brasileiro não está em risco. Diante da muralha da China, as exportações de carne bovina não resistiram e começaram a despencar. Nas primeiras semanas de outubro, a queda em relação ao mesmo período do ano passado chegou a quase 40%, segundo dados da Secex analisados pela consultoria Safras & Mercado.

VALOR ECONÔMICO

Tereza Cristina se dispõe a ir à China negociar retomada de exportação de carne bovina

Ministra ainda aguarda resposta de autoridade chinesa sobre encontro

A Ministra da Agricultura, Tereza Cristina, enviou uma carta ao ministro-chefe da Administração Geral de Alfândegas da China (GACC) e se colocou à disposição para ir ao país asiático tratar pessoalmente da retirada da suspensão de vendas de carne bovina aos chineses, informou a pasta agrícola brasileira em nota. Segundo o comunicado, a Ministra ainda aguarda resposta da autoridade chinesa e, portanto, não há data confirmada para um encontro com o principal país comprador da proteína. As exportações de carne bovina do Brasil para a China foram suspensas no dia 4 de setembro em respeito a um protocolo firmado entre os dois países. O Brasil confirmou dois casos atípicos da patologia, mas que não causam risco ao rebanho, conforme avaliação da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE, na sigla em inglês). “Nesse mesmo protocolo (entre Brasil e China), não estão definidos os passos para a retomada do comércio. Assim, da forma como está acordado hoje, a decisão cabe à China. A revisão do protocolo, iniciada em 2019, é um dos muitos temas sobre a mesa em negociação entre os dois países”, afirmou o ministério. O Ministério da Agricultura ressaltou no comunicado que o Brasil foi totalmente transparente com as autoridades sanitárias chinesas, informando da possibilidade da doença antes mesmo da confirmação oficial, realizada por laboratório canadense. “Desde então, temos atendido pronta e tempestivamente todos os pedidos de informação que nos são dirigidos. Além disso, encaminhamos solicitação para reunião técnica, ainda não agendada pelas autoridades chinesas, que alegam estarem analisando as informações enviadas.” A pasta reafirmou que não há como estabelecer uma data para a retomada das exportações de carne bovina para a China, pois a decisão não cabe ao governo brasileiro e demonstrou atenção ao cenário da indústria. “Temos acompanhado de perto e com preocupação a situação dos frigoríficos”, disse o ministério. O volume de carne bovina exportado pelos brasileiros no acumulado deste mês até a terceira semana está em 45,69 mil toneladas, segundo dados da Secex, menos de um terço do total embarcado em outubro do ano passado, de 162,68 mil toneladas.

FOLHA DE SP

ECONOMIA

Dólar fecha perto dos R$5,60 com temor de desrespeito a teto de gastos

O dólar saltou para perto dos 5,60 reais na terça-feira, registrando seu maior patamar para encerramento desde meados de abril, evidenciando a forte reação negativa do mercado à intenção do governo de colocar parte do pagamento do benefício que vai substituir o Bolsa Família fora do teto de gastos

O dólar à vista subiu 1,35%, a 5,5956 reais na venda, máxima para fechamento desde o dia 15 de abril deste ano (5,6276). Entre as principais moedas globais, o real teve, de longe, o pior desempenho contra o dólar. Na B3, o dólar futuro tinha alta de 1,38%, a 5,6015 reais. O governo cancelou o anúncio do programa social que tem elevado a incerteza entre os agentes do mercado, o Auxílio Brasil, marcado para ontem à tarde, segundo a assessoria do Ministério da Cidadania. Mais cedo, uma fonte com conhecimento direto do assunto disse à Reuters que o valor pago pelo governo em transferência direta de renda à população de baixa renda em 2022 será de 400 reais, com parte dos pagamentos ficando fora do teto fiscal. Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora, disse em nota que “a percepção do aumento do risco fiscal, potencializado pelo lançamento do benefício social, deteriora a confiança dos investidores, que voltaram a vender o Brasil, reforçando posições compradas em ativos de segurança, como a moeda norte-americana”. Carlos Duarte, planejador financeiro pela Planejar, foi na mesma linha: “Isso é mais endividamento para o Estado, e o mercado está com medo de haver uma piora na situação fiscal”, disse à Reuters. Com os persistentes riscos domésticos somando-se a um ambiente global cada vez mais arisco para ativos considerados arriscados, à medida que os mercados antecipam suas apostas para aperto monetário nas principais economias, nem mesmo a intervenção do Banco Central conseguiu segurar o dólar nesta terça-feira. Pela manhã, a autarquia vendeu 500 milhões de dólares no mercado à vista em leilão, na primeira operação do tipo desde março. Vários especialistas têm ressaltado que o Banco Central não tem o poder, nem a intenção, de conter o patamar da moeda norte-americana, e apenas tenta fornecer liquidez aos mercados e conter distorções no comportamento cambial. “O que está acontecendo é o investidor estrangeiro fugindo do país”, disse Duarte, da Planejar, ressaltando que o BC não tem como controlar essa tendência.

REUTERS 

Risco fiscal assombra e derruba Ibovespa para faixa de 110 mil pontos

Notícias do plano do governo para financiar seu programa de auxílio social confirmaram nesta terça-feira os temores de iminente rompimento do teto de gastos, avivando um pessimismo que derreteu as ações brasileiras

Pressionado pelas perdas de 90 de 91 dos papéis da carteira teórica, o Ibovespa desabou 3,28%, a 110.672,76 pontos. O giro financeiro da sessão somou 36,7 bilhões de reais. O gatilho para a derrocada do índice veio com informações de que o governo federal planeja ampliar o pacote de auxílio social e ao mesmo tempo abrir mão do plano de cobrar imposto de renda sobre dividendos. Ou seja: gastar mais e arrecadar menos. “Isso piora drasticamente a expectativa quanto ao fiscal brasileiro e beira ao que nenhum investidor quer ver mais no Brasil: irresponsabilidade fiscal”, afirmou em nota o analista da Clear Corretora Rafael Ribeiro. Foi a senha para uma piora generalizada das previsões para o Orçamento federal, o que deflagrou também uma escalada dos juros futuros e do dólar contra o real. Isso, mesmo num dia de ambiente externo positivo, com alta das bolsas de Nova York. O Ibovespa ainda saiu das mínimas (chegou a baixar dos 110 mil pontos), após informações de que o governo adiou o anúncio do programa Auxílio Brasil, substituto do Bolsa Família.

REUTERS

PIB recua 1% em agosto, aponta Ibre/FGV

A atividade econômica registrou em agosto um recuo de 1% em relação ao mês anterior e alta de 0,7% no trimestre móvel encerrado no oitavo mês do ano, se comparado ao período concluído em maio 

Foi o que apontou a análise da série dessazonalizada do Monitor do PIB-FGV, divulgada hoje (19) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). Já na comparação interanual, a economia avançou 4,4% em agosto e 6,7% no trimestre móvel terminado no mesmo mês. Em termos monetários, a estimativa é de que no acumulado do ano até agosto de 2021, em valores correntes, o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e dos serviços produzidos no país), ficou em R$ 5,680 trilhões. Para o Coordenador do Monitor do PIB-FGV, Cláudio Considera, a economia brasileira continua em trajetória de recuperação em relação à forte queda de 2020 causada pela pandemia da covid-19. Os dados indicam que até agosto a taxa de crescimento do PIB em 12 meses ficou em 3,6%, em relação à verificada nos 12 meses até agosto de 2020, que apresentou queda de 3,1%. Considera disse que o setor de serviços, que registrou quedas mensais consecutivas e altas entre março do ano passado e igual mês deste ano, desde abril apresenta desempenhos positivo com a taxa acumulada positiva em 12 meses a partir de junho, sendo em agosto de 2,6%. “No setor de serviços tem relevância a atividade de outros serviços, que representa cerca de 15% do PIB, que chegou a ter taxa mensal negativa de 22,8% e que apresentou taxas positivas elevadas desde abril deste ano”, disse. No trimestre móvel terminado em agosto, o consumo das famílias subiu 6,5%, se comparado ao mesmo período do ano passado. O resultado foi influenciado, principalmente, pelo crescimento de 9,8% nos serviços. Na série com ajuste sazonal, o consumo das famílias avançou 1,9% no trimestre móvel de junho a agosto, em relação ao concluído em maio. Também no trimestre móvel terminado em agosto, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que representa os investimentos, cresceu 18,5% na comparação ao mesmo período do ano passado. De acordo com o Ibre, todos os componentes mantiveram a trajetória de crescimento. Apesar disso, na série ajustada sazonalmente, a FBCF registrou recuo de 3,5% no trimestre móvel de junho a agosto, na comparação entre março e maio. A exportação teve alta de 3% no trimestre móvel de junho a agosto, em relação ao mesmo período do ano passado. “Apenas os componentes da agropecuária e da extrativa mineral não contribuíram positivamente para esse crescimento. Na análise da série dessazonalizada, a exportação apresentou retração de 7% no trimestre móvel findo em agosto, em comparação ao findo em maio”, apontou o relatório. A importação teve elevação relevante de 32,7% no trimestre móvel de junho a agosto, na comparação com o mesmo período de 2020. O resultado foi influenciado, principalmente, pelo elevado crescimento de bens intermediários (40,8%). Em agosto de 2021, a taxa de investimento ficou em 17,6%, na série a valores correntes. “Esse resultado apresenta uma taxa de investimento abaixo da taxa de investimento média mensal considerando o período desde 2000”, indicou a análise.

AGÊNCIA BRASIL

Padrão de vida no Brasil deve ficar estagnado pelos próximos 40 anos, diz OCDE

Entidade projeta crescimento médio do PIB de 1,1% ao ano de 2020 a 2030, e 1,4% até 2060

O padrão de vida dos brasileiros deve ficar praticamente estagnado pelos próximos 40 anos, segundo projeção da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) divulgada na terça (19). De 2030 a 2060, deverá haver uma queda de 0,2% na fatia da população ativa no mercado de trabalho do Brasil. O potencial da taxa de ocupação no Brasil também deve cair 0,1% no mesmo período. Esse resultado só não é pior que na Índia (-0,6%).

Em grandes economias emergentes, como o Brasil, uma produtividade relativamente fraca implica em um processo muito mais lento de convergência aos padrões de vida dos Estados Unidos, diz o documento. De acordo com a entidade, o crescimento do PIB do Brasil deve ficar em 1,1% ao ano na década de 2020 a 2030, e em 1,4% entre os anos de 2030 e 2060. A OCDE também estima que o crescimento real do PIB dos países do grupo e do G20 deve cair pela metade no pós-Covid: de cerca de 3% para 1,5% em 2060. A organização ressalta a importância de reformas estruturais para melhorar o cenário fiscal desses países após a crise sanitária. A OCDE cita, ainda, o envelhecimento da população como um fator que serve para jogar mais pressão sobre os orçamentos dos governos. Para tentar reduzir esse impacto, a organização considera a importância de mudanças estruturais nos sistemas de previdência e no mercado de trabalho.

FOLHA DE SP 

MEIO AMBIENTE

Governo descarta afetar pecuária para reduzir emissões

O Brasil descarta participar de qualquer iniciativa global para a redução de emissões de metano durante a CoP 26, que acontece em novembro em Glasgow, segundo apurou o Valor 

Isso porque afetaria diretamente a produção agropecuária do país. A flatulência dos bois é responsável por boa parte da liberação mundial de metano, um dos principais gases causadores do efeito estufa. Interlocutores da União Europeia e dos Estados Unidos têm insistido em um compromisso de corte de pelo menos 30% nas emissões desse tipo até 2030 em relação aos níveis de 2020. O governo brasileiro, no entanto, não vê vantagens na medida. O país tem o maior rebanho comercial do mundo, com mais de 210 milhões de cabeças de gado. O país é também o maior exportador mundial de carne bovina. Em 2020, o Brasil exportou 2 milhões de toneladas da commodity. O negócio rendeu US$ 8,505 bilhões ao setor. O Brasil tem uma política de redução de emissão de metano que está incluída na sua Contribuição Nacionalmente Determinada (iNDC), um compromisso voluntário firmado pelos países no âmbito do Acordo de Paris para a redução de emissões. Mas não pretende “singularizar” o metano em um documento em separado. Na visão dos negociadores brasileiros, seria mais afetivo do ponto de vista dos interesses nacionais atacar o problema do desmatamento, que produz o dióxido de carbono. “Nós temos um setor agropecuário que é emissor de metano, não resta a menor dúvida. Mas, se conseguirmos conter as emissões de outros gases, nós já teremos cumprido as nossas metas de emissão”, diz uma fonte do governo brasileiro. “É uma escolha que nós fizemos e não vejo por que nós devamos aderir a essa declaração sobre o metano. Não é do nosso interesse”. Na visão do Brasil, o “custo de oportunidade” de firmar um compromisso para reduzir a emissão de metano é menor para europeus e americanos do que para o Brasil para outros países. Na visão de alguns interlocutores de Brasília, a iniciativa de colocar isso à mesa em Glasgow trata-se de uma “jogada de marketing” para o público interno. Isso porque, como a ideia acarretará um aumento de custos com possíveis demissões em alguns setores, há o desejo de transferir esses custos também para outros países. Nos bastidores, porém, diplomatas brasileiros já alertaram americanos e europeus que não pretendem levar a ideia adiante. Da perspectiva do Brasil, há interesse em cumprir a NDC e reduzir de outras maneiras as emissões. O grosso dos cortes deve corresponder ao desmatamento. No caso do metano, isso pode ser feito com uma política para os lixões e com a melhora no saneamento básico, por exemplo.

Valor Econômico

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