
Ano 6 | nº 1359 | 11 de novembro de 2020
NOTÍCIAS
Mercado do boi gordo: preços subindo
A última terça-feira (10/11) foi marcada pela alta de preços da arroba do boi gordo em 24 praças pecuárias, das 32 pesquisadas pela Scot Consultoria. Os frigoríficos estão dando férias coletivas, pois mesmo com a oferta de compra melhorando diariamente, o fluxo de boiadas não acontece
Na região Sul de Goiás, a cotação da arroba do boi gordo subiu R$6,00 na comparação feita dia a dia e ficou em R$278,00/@, considerando o preço bruto e à vista, R$277,50/@, com desconto do Senar e R$274,00/@ com desconto do Senar e Funrural. A cotação da novilha gorda também subiu. Alta de R$5,00/@, cotada em R$268,00/@, considerando o preço bruto, à vista, R$267,50/@, com desconto do Senar, e R$264,00/@ com desconto do Funrural e Senar.
SCOT CONSULTORIA
Boi: valor da arroba passa de R$ 280 para R$ 285 em Minas Gerais
Segundo Safras & Mercado, os preços da arroba subiram, mas o ritmo de alta é mais cadenciado neste momento
Os preços da arroba do boi gordo voltaram a subir nas regiões de produção e comercialização no mercado físico brasileiro nesta terça-feira, 10. Segundo o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o movimento é mais cadenciado, mas o cenário pouco mudou, ainda com um ambiente pautado pela restrição de oferta, ressaltando que a oferta de animais de pasto estará apta ao abate apenas no primeiro trimestre de 2021. “A demanda de carne bovina também está aquecida, avaliando que o consumo doméstico caminha para o seu ápice, com a indústria frigorífica começando a se planejar para atender esse período do ano”, diz. As exportações iniciaram novembro com um bom ritmo. O papel da China segue relevante neste processo, com o gigante asiático absorvendo volumes substanciais de proteína animal brasileira. “A movimentação cambial ganha peso daqui até o final do ano, avaliando que um real muito valorizado pode desmotivar a atuação dos frigoríficos na compra de gado”, assinala. Em São Paulo, Capital, os preços do mercado à vista ficaram em R$ 290 a arroba, ante R$ 289 da segunda-feira. Em Uberaba, Minas Gerais, os valores ficaram em R$ 285 a arroba, ante R$ 280. Em Dourados, no Mato Grosso do Sul, os preços ficaram em R$ 281 a arroba, contra R$ 281. Em Goiânia, Goiás, o preço indicado foi de R$ 277 a arroba, ante R$ 275 a arroba. Já em Cuiabá, no Mato Grosso, o preço ficou em R$ 267 a arroba, ante R$ 266. No mercado atacadista, os preços ficaram estáveis. De acordo com Iglesias, a tendência de curto prazo ainda remete a reajustes, em linha com a boa reposição entre atacado e varejo no decorrer da primeira quinzena de novembro. Além disso, o número a demanda doméstica se aproxima do seu ápice, avaliando a incidência do décimo terceiro salário e de outras bonificações motivando o consumo. Com isso, o corte traseiro permaneceu em R$ 20,80 o quilo. O corte dianteiro permaneceu em R$ 15 o quilo, e a ponta de agulha seguiu em R$ 15 o quilo.
AGÊNCIA SAFRAS
Exportações brasileiras de carne bovina em bom ritmo em novembro
Na primeira semana de novembro o Brasil exportou 42 mil toneladas de carne bovina in natura (Secex)
A média diária embarcada (10,5 mil toneladas) foi 35% maior que o embarcado em novembro de 2019. Comparado com o fechamento de outubro/20 (8,13 mil toneladas/dia), o volume diário foi 29,1% maior. As exportações aquecidas, junto à oferta restrita de boiadas para abate, dão sustentação aos preços da arroba do boi gordo no mercado brasileiro.
SCOT CONSULTORIA
Pecuaristas alegam aumento nos custos da produção e preço da carne dispara em MT
Segundo o último levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Inmea), em julho, agosto e setembro, o ciclo de recria e engorda teve um aumento de mais de 26% no comparativo anual, chegando a custar R$ 172 para o criador
Atualmente o maior gasto num confinamento é com a reposição dos animais e a alimentação do gado. O boi magro com 12 arrobas, ou 360 quilos, está custando mais de R$ 3,2 mil no estado, quase 70% a mais que há um ano. O bezerro ficou 77% mais caro nos últimos 12 meses. No cocho, o milho, que é o principal ingrediente utilizado na ração dos animais, está mais caro. Esse cenário mantém a arroba do boi gordo valorizada. De janeiro para cá, a arroba aumentou 43%. Assim como o milho, o farelo de soja também é usado na ração do gado. A tonelada do produto é vendida hoje a R$ 2,4 mil segundo o Inmea, um valor 110% maior do que em novembro do ano passado. Além de mais caros, os grãos estão em falta. Neste ano, o preço atrativo das commodities impulsionados pela valorização do dólar contribuíram para a maior saída dos produtos para o mercado externo. O fator que impactou na redução de bois para o mercado foi a falta de chuvas no estado. Mais de 70% dos animais são criados no pasto. Nos próximos meses, a oferta de gado deve aumentar. A Diretora Executiva da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Daniella Bueno, explica que a maior parte dos animais são criados em pasto e por isso houve uma redução no número anual. “Valores alterados na arroba estão atrelados à falta de oferta e é justamente devido a grande estiagem. A maior parte dos nossos animais ainda são criados em pasto, 72% dos animais são criados em pasto, e apenas 25% estão dentro do semiconfinamento e confinamento. Então, a partir de agora com essa melhoria das pastagens, daqui 60, 90 dias, a gente vai começar a ter mais animais prontos oriundos da pastagem. Os animais também confinados tiveram uma redução muito significativa nesse ano, pelos números do Inmea, não vamos chegar a 650 mil e mais de 50% deles começaram a ser entregues agora em outubro. Então a gente tem esse aumento agora de oferta advindo também dos confinamentos”, afirma.
G1
ECONOMIA
Dólar zera queda pelo 2º dia seguido e fecha perto da estabilidade
O dólar oscilou entre ganhos e perdas ao longo da sessão e acabou fechando a terça-feira perto da estabilidade, com investidores evitando encerrar o dia com grandes mudanças de posição passada a euforia recente com as eleições norte-americanas e notícias positivas sobre progressos em vacinas contra o coronavírus
No fechamento, o dólar à vista teve ligeira alta de 0,11%, a 5,3913 reais na venda. O movimento local na terça se mostrou alinhado ao do índice do dólar no exterior, que também rondava estabilidade no fim da tarde. O tom desta terça foi misto, com alguns no mercado adotando postura mais conservadora à espera de sinais mais concretos sobre vacinas contra a Covid-19. As moedas emergentes de forma geral perdiam ante o dólar na sessão, depois de um rali nos últimos dias. O mercado se estabilizou pelo segundo pregão consecutivo pouco abaixo da marca de 5,40 reais, patamar próximo da média móvel de 100 dias e “no meio” das médias móveis de 50 e 200 dias. O nível próximo de 5,40 reais corresponde à média diária da taxa de câmbio desde o fim de março e tem sido visto como um patamar mais condizente com o atual combo de riscos no cenário. “O dólar tem mostrado pouca capacidade de sustentar queda ante o real e, mesmo que já tenha operado em forte baixa em algumas ocasiões, o câmbio oferece uma reversão sem fim de volta à sua atual banda de preço”, disse o DailyForex em nota. Desde a eleição norte-americana, em 3 de novembro, a moeda acumula queda de 6,42% no Brasil. No ano, o dólar ainda salta 34,35%, com o mercado de câmbio em parte afetado pela expectativa de forte retração econômica neste ano. “Aumento dos prêmios de risco relacionados ao fiscal, persistente ruído político, lento progresso nas principais reformas e confiança limitada entre empresários podem prejudicar a recuperação projetada” para a economia brasileira em 2021, alertou Alberto Ramos, diretor de pesquisas econômicas para a América Latina no Goldman Sachs.
REUTERS
Ibovespa engata 6ª alta seguida
O Ibovespa fechou em alta pelo sexto pregão consecutivo na terça-feira, flertando com níveis pré-pandemia, com Petrobras e outras blue chips como Bradesco, Itaú Unibanco e Ambev entre os principais suportes
Índice de referência da bolsa brasileira, o Ibovespa subiu 1,5%, para 105.066,96 pontos, contabilizando alta de 12,15% nos últimos seis pregões. O volume financeiro da sessão foi novamente expressivo e somou 48,1 bilhões de reais. No pano de fundo estão perspectivas positivas para a recuperação das economias, principalmente com o noticiário mais promissor sobre vacina contra a Covid-19 e o desfecho eleitoral nos Estados Unidos, com a vitória do democrata Joe Biden. No exterior, Wall Street teve uma sessão sem tendência clara, em meio a ajustes, principalmente no relevante setor de tecnologia, diante de perspectivas mais positivas quanto a uma vacina. Papéis de grandes empresas como Amazon.com e Facebook estão entre as que mais se beneficiaram na crise. A entrada de capital externo no mercado brasileiro nos últimos dias também foi destacada pelo chefe de renda variável e sócio da Monte Bravo Investimentos, Bruno Madruga. Em novembro até dia 6, o fluxo estrangeiro na Bovespa, excluindo IPOs e follow-ons, está positivo em 3,26 bilhões de reais. Mas no ano segue negativo em 81,6 bilhões de reais.
REUTERS
IGP-M acelera alta na 1ª prévia de novembro com pressão do atacado, diz FGV
O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) passou a subir 2,67% na primeira prévia de novembro, contra 1,97% no mesmo período do mês anterior, com a inflação ao produtor voltando a pressionar de acordo com os dados divulgados na terça-feira pela Fundação Getulio Vargas
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por 60% do IGP-M, acelerou a alta a 3,48% no período, depois de saltar 2,45% na primeira leitura de outubro. “A taxa do IPA segue influenciada pelos aumentos dos preços das matérias-primas brutas (2,31% para 4,19%) e dos bens intermediários (2,66% para 3,88%)”, disse André Braz, coordenador dos índices de preços, destacando o comportamento de produtos como milho, algodão, óleo diesel e farelo de soja. Para o consumidor, a pressão foi aliviada, uma vez que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que tem peso de 30% no índice geral, registrou avanço de 0,41% na primeira prévia de novembro, depois de alta de 0,64% no mesmo período de outubro. A principal colaboração para esse resultado partiu do grupo Educação, Leitura e Recreação, que reduziu a alta de 3,03% para 0,19% em novembro, refletindo forte arrefecimento nos preços das passagens aéreas. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), por sua vez, acelerou a alta a 1,31% no período, depois de subir 1,26% em outubro.
REUTERS
EMPRESAS
Auxílio emergencial e vendas maiores de processados ajudam BRF no 3° tri
Executivos da BRF disseram na terça-feira que o auxílio emergencial do governo pago durante a pandemia de Covid-19 reforçou seu desempenho no terceiro trimestre, acrescentando que o fim iminente dos pagamentos da ajuda pode ser um problema adiante
Falando em teleconferência de resultados, executivos da companhia afirmaram que a forte demanda por alimentos no Brasil permitiu à empresa aumentar os preços e compensar parcialmente o efeito negativo dos custos mais altos dos grãos e despesas relacionadas à pandemia.
REUTERS
Ações da BRF disparam após resultado recorde no Brasil
Analistas ainda têm dúvidas sobre o impacto do fim do auxílio emergencial nas vendas
Os resultados da BRF no terceiro trimestre animaram o investidor. As ações da empresa de alimentos subiram 5,95% na terça-feira. O desempenho da empresa, que lucrou R$ 216,8 milhões entre julho e setembro, foi catapultado por resultados históricos no Brasil. A valorização da terça-feira devolveu R$ 900 milhões ao valor de mercado da dona de Sadia e Perdigão. Atualmente, a BRF está avaliada em quase R$ 16 bilhões. No acumulado do ano, porém, o papel ainda amarga queda de 44%, o que indica que a empresa ainda tem um longo caminho pela frente. Para tanto, terá de mostrar que a boa fase é sustentável mesmo com o fim do auxílio emergencial. Em relatório divulgado a investidores, o BTG Pactual enfatizou a margem operacional recorde obtida pela BRF no Brasil, país responsável por mais de 50% das vendas da companhia de alimentos. “O Brasil foi praticamente o único responsável pelo resultado mais forte”, disseram os analistas Thiago Duarte e Henrique Brustolin. A avaliação do BTG é que, assim como ocorreu com outras empresas brasileiras de alimentos, o consumo em casa de produtos como margarina e produtos processados ajudou a BRF, assim como o auxílio emergencial pago pelo governo. O cenário ajudou a empresa a elevar o preço médio dos produtos vendidos no terceiro trimestre em 9,9%, na comparação com o segundo trimestre deste ano. Só esse aumento foi responsável por mais de 50% do crescimento do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, sigla em inglês) da operação brasileira da BRF no terceiro trimestre. No período, a margem Ebitda da companhia no Brasil atingiu o recorde de 15,7%. Por outro lado, os analistas do BTG fizeram uma ressalva. No balanço divulgado ontem, a empresa reportou uma perda de participação de mercado no Brasil, o pode indicar que a melhora do resultado no mercado nacional foi um fenômeno setorial e não necessariamente um resultado específico da estratégia do grupo. Para o CEO global da companhia, Lorival Luz, a demanda por alimentos deve continuar “sustentada” no Brasil mesmo com o fim do auxílio emergencial. O executivo afirmou que o fim do auxílio pode ter um impacto negativo, mas frisou há diversos outros fatores que podem sustentar o consumo.
VALOR ECONÔMICO
FRANGOS & SUÍNOS
OMC indica “demora indevida” da Indonésia em certificar carne de frango do Brasil
A Organização Mundial do Comércio (OMC) indicou na terça-feira uma “demora indevida” da Indonésia em reconhecer o processo de certificação sanitária do Brasil para exportações de carne de frango ao país asiático, informou o Ministério das Relações Exteriores em comunicado
Segundo a pasta, a organização divulgou resultado favorável ao Brasil em Painel de Implementação iniciado pelo governo contra barreiras comerciais da Indonésia às importações da proteína, em processo de certificação que remete a 2009. “De acordo com o relatório, diversas medidas aplicadas pela Indonésia continuam em desacordo com as regras da OMC… O Brasil espera que a Indonésia ajuste, o quanto antes, sua legislação e suas práticas, a fim de encerrar definitivamente o contencioso”, disse o ministério. O Brasil lançou um processo na OMC contra a Indonésia em outubro de 2014, alegando que as regras e procedimentos do país dificultavam a entrada de carnes, em reclamação que foi reforçada no ano passado. Em setembro de 2019, a Indonésia disse ter revisado regras para permitir a importação de carne de frango e produtos de aves do Brasil após uma decisão inicial da OMC. Na ocasião, o governo indonésio afirmou que seguia as recomendações da organização e que importadores não haviam solicitado compras do Brasil pelo alto custo de frete. O relatório final do Painel de Implementação poderá ser adotado pelo Órgão de Solução de Controvérsias da OMC em até 60 dias”, disse o Ministério das Relações Exteriores.
REUTERS
Holanda vai sacrificar 48 mil frangos após novo surto de gripe aviária
Autoridades de saúde da Holanda determinaram na terça-feira o abate de 48 mil frangos após um surto de gripe aviária altamente contagiosa descoberto em uma fazenda na província de Groningem, ao norte do país. As medidas são as últimas tomadas pela Holanda, um grande exportador de aves e ovos, depois de ter encontrado pela primeira vez a doença H5N8 em aves selvagens.
REUTERS
Receita das exportações brasileiras de carne suína cresceu 24,5% em outubro
Segundo a ABPA, valor chegou a quase US$ 200 milhões; volume deverá atingir 1 milhão de toneladas em 2020
As exportações de carne suína do país (in natura e processada) alcançaram 88,5 mil toneladas e renderam US$ 199,4 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O volume foi 21,5% superior ao do mesmo mês de 2019, e a receita cresceu 24,5%. “As vendas para a Ásia seguem sustentadas, especialmente para os destinos impactados pela peste suína africana. A tendência é de continuidade desse quadro”, afirma Ricardo Santin, Presidente da ABPA, em comunicado. Conforme a entidade, o volume dos embarques deverá chegar a 1 milhão de toneladas este ano, um novo recorde. De janeiro a outubro já foram 853,4 mil toneladas, um aumento de 40,4% ante igual período de 2019. A receita aumentou 48,5% na comparação, para US$ 1,9 bilhão. Principal destino das vendas, a China respondeu, nos dez primeiros meses de 20290, por 423,2 mil toneladas, 123% mais que no mesmo intervalo do ano passado. A produção de carne suína do país já está em fase de recuperação depois dos estragos provocados pela peste suína, mas os volumes ainda são insuficientes para cobrir sua elevada demanda doméstica. A participação chinesa cresce ainda mais quando somadas as compras de Hong Kong — 143,1 mil toneladas até outubro, volume 10% superior do mesmo período do ano passado. Cingapura, Vietnã e Chile completam a lista dos cinco principais mercados da carne suína brasileira no exterior.
VALOR ECONÔMICO
MEIO AMBIENTE
Contenção da emissão de gases entra na agenda de frigoríficos Estudo mostra que sete de 60 empresas listadas em bolsa têm metas
Sob escrutínio de investidores internacionais preocupados com as mudanças climáticas, as companhias de proteínas animais listadas em bolsa começaram a dar sinais de atenção ao assunto
Levantamento da FAIRR Initiative, associação que reúne investidores institucionais com cerca de US$ 25 trilhões em ativos sob gestão, mostra que sete de um total de 60 companhias possuem compromisso para redução das emissões de gases do efeito estufa. Ainda é pouco, mas a associação considera que há uma evolução. Com o intuito de orientar investidores sobre os critérios ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês), a FAIRR divulga todo ano um ranking com o desempenho das empresas no índice de sustentabilidade desenvolvido pela iniciativa. Das 60 companhias acompanhadas – o que inclui empresas de lácteos, aquicultura e carnes -, apenas três aparecem na lista com baixo risco: Mowi e Bakkafrost, fortes na produção de salmão, e a Maple Leaf, de carnes embaladas. Entre as empresas de carne bovina, a Marfrig é a mais bem posicionada. A companhia brasileira aparece na quarta posição do ranking. No ano anterior, era a décima colocada. Ao Valor, o diretor de sustentabilidade da empresa, Paulo Pianez, comemorou os resultados. “A empresa já tinha sido a mais bem posicionada da América Latina e agora somos a melhor posicionada em proteína bovina”, ressaltou. De acordo com Pianez, a Marfrig trabalha para ser a primeira empresa de carnes a ser classificada como de baixo risco no ranking da FAIRR. Para tanto, a companhia trabalha em um programa de redução de emissões de gases de efeitos estufa que inclui o chamado “escopo 3” – a emissão gerada na criação de gado que não pertence à companhia. Na avaliação do executivo, a meta anunciada pela Marfrig de monitorar 100% dos fornecedores indiretos de gado da Amazônia até 2025 também vai ajudar a reduzir o risco da companhia. Atualmente, o grupo brasileiro já consegue monitorar a origem de 42% do gado abatido desde a origem. Segundo Pianez, esse é o volume considerando basicamente a pecuária de ciclo completo – quando o pecuarista cria do bezerro ao boi gordo. Entre as empresas brasileiras acompanhadas pelo ranking, a Minerva Foods é a pior colocada. O grupo está na 33ª colocação, com grau de risco alto. Procurado pelo Valor, o diretor de sustentabilidade da Minerva, Taciano Custódio, questionou pontos da metodologia. Segundo ele, não faz sentido reduzir a nota de uma indústria de carne bovina como a Minerva por não ter uma política de rastreabilidade das compras de soja. Diferentemente de mercados como o americano, a criação de bovinos no Brasil é extensiva, e o uso de ração baseada em grãos é a exceção. JBS e BRF, as outras duas empresas brasileiras de carnes que aparecem no ranking da FAIRR, ficaram na 9ª e 10ª posição, com risco médio. Procurada, a JBS informou que a evolução dos critérios do ranking permitiu a melhora da posição do grupo, que era o 17º em 2019.
VALOR ECONÔMICO
INTERNACIONAL
Impulso de Portugal ao acordo UE-Mercosul está ameaçado
Existe falta de vontade política europeia. Primeiro, foi por conta da instabilidade antes do impeachment de Dilma Rousseff. Depois, não quiseram maior contato com Michel Temer com a legitimidade contestada. E agora pelo desgaste forte do governo Bolsonaro junto à opinião pública europeia
Inicialmente, alguns membros da UE e do Mercosul esperavam que a presidência da Alemanha, neste semestre, impulsionaria o encaminhamento no Conselho Europeu (reunindo os chefes de governo) e depois no Parlamento. Mas Berlim, visivelmente temerosa dos efeitos internos que isso poderia ter, levou o governo de Angela Merkel a se retrair e mesmo a jogar dúvidas sobre o acordo no estado atual em razão do desmatamento e outros estragos ambientais no Brasil. Nesse cenário, a melhor das hipóteses passou a ser Portugal assumindo a tarefa entre janeiro e junho de 2021. O governo de Jair Bolsonaro chegou a enviar uma delegação a Lisboa, quando recebeu a confirmação do engajamento português em tentar avançar durante sua presidência. Ocorre que também esse esforço esperado dos portugueses ”está subindo no telhado”. A Comissão Europeia, o braço executivo da UE, que é fortemente favorável ao acordo que negociou, só o submeterá aos chefes de Estado e de governo dos 27 países membros com a certeza de que o tratado pode ser aprovado por eles. A constatação no momento, porém, é de falta de viabilidade política para que isso ocorra. No ano que vem, haverá eleição federal na Alemanha, onde os verdes, que não cessam de atacar o tratado UE-Mercosul, têm quase 20% das intenções de votos. Ou seja, antes havia a expectativa de que, o encaminhamento do acordo não ocorrendo na presidência alemã, seria na portuguesa. Agora, nem isso está mais claro, mesmo se a possibilidade não pode ser completamente descartada. Os mais pessimistas na Europa dizem, no entanto, que a apreciação do acordo provavelmente só ocorrerá em 2022, depois da eleição presidencial na França, em abril daquele ano. Até lá, a Comissão Europeia vai querer ação do governo de Jair Bolsonaro na área ambiental. Enquanto isso o governo Bolsonaro, que perde um aliado em Washington, enfrenta os efeitos do virtual congelamento de relações com a Europa.
VALOR ECONÔMICO
ABRAFRIGO
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