CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 1285 DE 24 DE JULHO DE 2020

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Ano 6 | nº 1285| 24 de julho de 2020

 

SINDICARNE-PR 

SAÍDA IRREGULAR DE GADO DO ESTADO DO PARANÁ CAUSA PREJUÍZO MILIONÁRIO

Nos últimos meses observa-se uma grande evasão irregular de gado para cria, recria, engorda e abate do estado do Paraná 

Isso ocorre pela ausência da fiscalização das saídas dos animais por parte da Secretaria de Fazenda do estado (SEFA). A informação é do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Paraná (Sindicarne-PR). “O maior incentivo a esta situação é a falta de fiscalização por parte da SEFA, com o que não se recolhe o ICMS devido na movimentação. Perde a cadeia produtiva da pecuária paranaense que já vê o seu rebanho diminuindo ano a ano e perde o Estado que arrecada menos impostos”, afirma o Presidente da entidade, Péricles Salazar. A alíquota na operação interestadual do gado vivo, no Paraná é de 12%. O Estado perde, em média, R$ 422,00 por animal pronto para abate, isso sem contar bezerros e o boi magro. “Neste momento em que os governos estaduais necessitam de recursos para combater a pandemia do COVID, a SEFA deliberadamente renuncia a obtenção de mais receitas do ICMS e ao mesmo tempo penaliza a indústria paranaense, deixando fluir livremente a atividade clandestina dos sonegadores”, completa Péricles Salazar. Há uma saída muito elevada de animais para abate do Paraná para outros estados, devido a adquirentes de fora que colocam na documentação fiscal que se tratam de bezerros para engorda e não de animais terminados para abate. Com isso pagam preços menores e quase não recolhem impostos. Além da adulteração das informações na documentação fiscal, há intermediários de gado que fazem a travessia sem Nota Fiscal, em destaque por toda a divisa com o Estado de São Paulo. A Secretaria de Estado da Fazenda atendeu as solicitações feitas pelo Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná (Sindicarne) e implementou a pauta fiscal do gado. No entanto, esta segue ainda sem atualizações de valores, estando defasada em relação ao preço real do animal. Sem a fiscalização efetiva desta operação, esta saída irregular de animais continuará acontecendo, o que deverá futuramente impactar na capacidade das indústrias que dependem desta matéria-prima, causando diminuição nos abates e gerando em consequência o aumento do desemprego no Estado do Paraná.

NOTÍCIAS AGRÍCOLAS/O Paraná (Cascavel)/AGROLINK/CANAL RURAL/PORTAL DO AGRONEGÓCIO/AGROEMDIA/AGRONEWS 

NOTÍCIAS 

Boi segue firme, mas terminador enfrenta reposição em valor recorde, diz Cepea

Os preços do boi gordo seguem firmes, por volta de R$ 220,00 no estado de São Paulo. Apesar disso, pesquisadores do Cepea indicam que o pecuarista terminador tem registrado piora no poder de compra de animais de reposição, tendo em vista que os valores do bezerro e do boi magro subiram com bastante força nos últimos meses

Segundo levantamento do Cepea, no estado de São Paulo, o bezerro é negociado acima de R$ 2 mil por cabeça desde meados de junho, e o boi magro, de R$ 3 mil por cabeça, ambos recordes reais da série histórica do Cepea (os valores foram deflacionados pelo IGP-DI). Considerando-se as médias mensais deflacionadas, a arroba do boi gordo no estado de São Paulo registra ligeira desvalorização de 1,42% na parcial deste ano (de dezembro/19 a parcial de julho/20), ao passo que os valores do bezerro subiram 27,5%, e os do boi magro, 13,6%. Nesse cenário, o pecuarista terminador precisa de mais arrobas de boi gordo para a compra de animais de reposição. Além da reposição, que representa mais da metade dos custos de produção de pecuaristas, a forte valorização do dólar também elevou os preços de importantes insumos pecuários que são importados.

Cepea

Escalas de abate apertadas

Na praça paulista, com as escalas de abate estagnadas em três dias, em média, o ritmo da compra de gado gordo segue compassado

Algumas indústrias ofertaram preços acima da referência e alongaram, timidamente, as programações de abate, e ficaram fora do mercado no fechamento da última quinta-feira (23/7). A referência para o boi gordo está firme em R$218,00/@, bruto e à vista, R$217,50/@, livre de Senar, e em R$214,50/@, descontado o Senar e o Funrural. O boi jovem, até 30 meses, é negociado em até R$225,00/@, nas mesmas condições. A pouca oferta de boiadas e a dificuldade em compor as escalas contribuem para o mercado firme e trazem uma expectativa de cenário positivo para os preços do boi gordo nos próximos dias.

SCOT CONSULTORIA 

Cotações firmes na reposição

Na média de todos os estados monitorados, entre machos e fêmeas anelorados e mestiços, a alta foi de 0,5% em relação à semana anterior. Embora o reajuste seja singelo frente às altas da semana anterior, a valorização no acumulado dos últimos doze meses foi de 58,5% 

Esse cenário mais ‘’brigado’’ desta semana é em função dos testes de valores menores observados para o boi gordo, no entanto, o cenário geral é de oferta curta, o que limita que a pressão de baixa ganhe força, mesmo com a chegada da segunda quinzena do mês. As altas da semana foram puxadas pelos machos. Considerando a média de todas as categorias, a valorização foi de 0,5%, frente a 0,3% da média das categorias das fêmeas aneloradas. Poucos negócios concretizados marcaram o cenário do mercado de reposição nesta semana. Para o curto prazo o cenário tende a ser de manutenção de preços.

SCOT CONSULTORIA 

Suspensão de embarques de frigoríficos brasileiros é precaução, diz diplomata chinês

Cinco unidades continuam barradas por Pequim por causa de casos de covid-19 entre funcionários

O Ministro Conselheiro da Embaixada da China no Brasil, Qu Yuhui, afirmou hoje que a recente suspensão das exportações de frigoríficos brasileiros por Pequim foi uma medida de “precaução, prevenção e antecipação” para não “desperdiçar” o esforço do governo de seu país no combate à covid-19. Durante transmissão ao vivo de reunião do Conselho Empresarial Brasil-China, Qu Yuhui disse que apesar de não haver comprovação científica de transmissão do novo coronavírus por meio do consumo dos alimentos enviados, há indícios de que as embalagens possam ter vínculo com a contaminação. O diplomata, no entanto, reforçou que os bloqueios são temporários e que não vão impactar na relação comercial entre os dois países – cinco unidades brasileiras estão proibidas de exportar por causa de casos da covid-19 entre seus funcionários. Qu Yuhui disse, ainda, que as medidas são “provisórias e sujeitas a ajustes e debates”, e que o governo chinês tem “todo interesse” de resolver essa situação temporária. Para isso, reforçou, mantém diálogo estreito e constante com as autoridades brasileiras. Recentemente, a China retomou a importação de um dos seis frigoríficos que tiveram as vendas suspensas nas últimas semanas. “O Brasil tem 102 frigoríficos habilitados. Isso não vai causar impactos substanciais ao nosso comércio com o Brasil”.

VALOR ECONÔMICO 

Demanda chinesa por carne bovina deverá dobrar em sete anos, diz diplomata

A demanda chinesa por carne bovina deverá dobrar nos próximos sete anos com a expectativa de aumento de consumo pela população

A importação deverá atingir 8 milhões de toneladas antes do fim da década e grande parte será de origem brasileira, estimou hoje o Ministro Conselheiro da Embaixada da China no Brasil, Qu Yuhui. Para fortalecer as relações, no entanto, ele sugeriu maior agressividade, paciência e energia do empresariado brasileiro nas negociações. “Os empresários brasileiros precisam ser mais agressivos no mercado chinês e evitar o imediatismo. Têm que pensar em longo prazo, insistir em marketing e entender melhor o consumidor chinês. E tem que gastar mais energia em procurar parceiros locais para que as cadeias de comércio e produção possam ser mais integradas entre China e Brasil”, afirmou durante uma transmissão ao vivo. “Hoje, o chinês consome 4 quilos de carne bovina por ano. Ainda é muito pouco. A estimativa é que até 2027 a importação chinesa de carne bovina chegue a 8 milhões de toneladas”, afirmou. “O Brasil tem conseguido ocupar fatia significativa do mercado chinês, com 30% da importação. O potencial é muito grande, não podemos ficar por aí”, avaliou. Yuhui contou que a política da China prevê a busca pela autossuficiência nos principais alimentos, sobretudo de arroz e trigo, mas admite a maior dependência do mercado internacional para a demanda de outros itens e derivados. “A China tem urbanização intensa, temos a maior classe média do mundo com 400 milhões de pessoas. Vamos ter maior demanda, sofisticação e diversificação por produtos agropecuários”.

VALOR ECONÔMICO 

ECONOMIA 

Exterior respalda ajuste e dólar tem maior alta em um mês

O dólar teve firme alta ante o real na quinta-feira, em um clássico dia de aversão a risco nos mercados externos por receios sobre o ritmo de recuperação dos Estados Unidos em meio a temores de efeitos econômicos de tensões EUA-China

O dólar à vista BRBY subiu 1,96%, a 5,2145 reais na venda, maior alta diária desde 26 de junho (+2,58%). A moeda oscilou em alta durante todo o pregão. Na máxima, foi a 5,2235, ganho de 2,14%, e na mínima marcou 5,12 reais, leve valorização de 0,11%. Na B3, o dólar futuro DOLc1 avançava 1,95%, a 5,2210, às 17h19. No que tem sido padrão, o real mais uma vez teve a maior oscilação entre as principais moedas, desta vez para o lado negativo. O mercado recebeu mal os mais recentes dados de auxílio-desemprego nos EUA, que mostraram elevação ante a semana anterior, “em um dos mais claros sinais de que a recuperação da economia dos EUA está estagnando”, disseram analistas do Wells Fargo. Investidores correram para outras moedas fortes, o que empurrou o euro EUR= para além de 1,16 dólar e fez o iene JPY= ser cotado abaixo de 107 por dólar. Mas esse quadro de dólar fraco é limitado a comparações com outras divisas de reserva. Moedas de risco, caso do real, tendem a sofrer com dúvidas sobre a força da economia norte-americana, já que um enfraquecimento nos EUA poderia pressionar a atividade no mundo e afetar demanda por commodities, por exemplo. “O potencial de uma possível vacina para o Covid-19 no curto prazo, juntamente com as próximas eleições nos EUA, são os principais eventos de risco previstos”, disseram profissionais do BofA sobre fatores com chance de impactar o dólar nos próximos meses.

REUTERS 

Ibovespa fecha em queda com Wall Street endossando realização de lucros

JBS ON valorizou-se 1,36%, também ajudada pelo câmbio, além de expectativas para o resultado trimestral. No setor de proteínas, MARFRIG ON teve baixa de 1,3%, após subir a 15,89 reais, cotação intradia recorde, mais cedo. MINERVA ON cedeu 1,89% 

O Ibovespa fechou em queda na quinta-feira, afetado pela piora em Wall Street, que induziu movimentos de realização de lucros, em sessão marcada por rico noticiário corporativo. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,91%, a 102.293,31 pontos. Na máxima, mais cedo, chegou a 104.949,40 pontos. O volume financeiro totalizou da sessão 29,1 bilhões de dólares. Isso esvaziou os ganhos da semana, com o Ibovespa agora tendo queda de 0,6% desde segunda-feira. Nas três semanas anteriores, o índice terminou com desempenho acumulado positivo. Em Nova York, em meio a balanços, o S&P 500 recuou 1,23%, afastando-se da máxima em cinco meses, com dados mostrando desaceleração da recuperação econômica, enquanto Washington debate novos estímulos. Para o gestor Ricardo Campos, da Reach Capital, a alta acima do esperado nos pedidos de seguro-desemprego nos EUA lançou dúvidas sobre o ritmo de recuperação da economia, o que azedou os mercados. Ao mesmo tempo, acrescentou, embora o noticiário sobre vacina contra o Covid-19 venha trazendo algum alento, o ressurgimento de casos na Espanha e no Japão, além do recorde de mortes na Flórida, nos EUA, endossaram posições mais defensivas.

REUTERS 

Arrecadação cai 30% em junho e tem o pior resultado para o mês desde 2004

Para governo, dados de julho indicam retomada e perspectivas positivas

Impactada pela pandemia, a arrecadação federal registrou queda real de 29,59% em junho na comparação com o mesmo mês do ano passado e ficou em R$ 86,3 bilhões. Foi o pior resultado para o mês desde 2004, segundo dados da Receita Federal. Apesar do resultado, o governo defende que as perspectivas para julho são positivas e os dados indicam retomada. O resultado da arrecadação no mês passado reflete a queda no ritmo da atividade econômica observada nos últimos meses, explicou o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita, Claudemir Malaquias. Mas, além disso, também foi impactado pelas medidas colocadas em prática pelo governo para fazer frente aos efeitos da pandemia, como o diferimento de impostos. A postergação de pagamentos, como de PIS/Cofins, Contribuição Previdenciária e Simples Nacional, gerou uma perda de receitas de R$ 20,4 bilhões no mês. A redução a zero da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) Crédito, por sua vez, teve impacto de R$ 2,3 bilhões. Já as compensações tributárias somaram R$ 6,8 bilhões. Mesmo desconsiderando esses efeitos, chamados de não recorrentes, no entanto, as receitas administradas ainda apresentariam uma queda de 9,32% no mês passado. Com esses efeitos no cálculo, a queda foi de 29,32%. Já no caso das receitas não administradas, onde estão os royalties de petróleo, por exemplo, a queda em junho foi ainda maior, de 39,41%. Com o desempenho do mês, o recolhimento no semestre atingiu a marca de R$ 666 bilhões, uma baixa real de 14,71% sobre o mesmo período de 2019. Foi o pior resultado para o período desde 2009. Apesar dos números, os representantes do governo expressaram otimismo com os rumos da economia. “A impressão que temos hoje do resultado da arrecadação é extremamente positiva”, disse Malaquias, acrescentando que boa parte do resultado do mês é explicada por medidas de diferimento, não de desoneração, e que esses valores podem ser recuperados até o final do ano. Segundo ele, a arrecadação é concentrada no final do mês, por isso é preciso esperar o encerramento de julho, mas já “há sinal de melhora”.

VALOR ECONÔMICO 

Desemprego chega a 12,4% em junho e deve subir, diz IBGE

Para técnicos, fim do isolamento levará a aumento da busca por vaga e retomada será insuficiente

As fileiras do desemprego receberam quase 1,7 milhão de pessoas a mais só no mês de junho. A alta de 16,6% na comparação com maio elevou o total de desocupados de então a 11,8 milhões, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados, que integram a segunda Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Covid-19 mensal (Pnad Covid-19), apontam para taxa de desemprego de 12,4% em junho, ante 10,7% registrado no mês anterior. E, de acordo com técnicos do IBGE e da Fundação Getúlio Vargas (FGV), ouvidos pelo Valor, o quadro do mercado de trabalho tende a piorar ainda mais nos próximos meses, mesmo com a reabertura da economia. Na leitura dos pesquisadores, a geração de empregos nos próximos meses de retomada vai atenuar, mas sem conseguir recuperar o contingente excluído da força de trabalho pela pandemia. Isolados sem poder buscar emprego durante a crise sanitária, boa parte dessas pessoas deve voltar à procura por vagas a partir de agora, pressionando os números do mercado de trabalho. “O desemprego tende a aumentar à medida que diminui o distanciamento social. Isso efetivamente vai acontecer. Teria de haver uma reação muito forte na geração de empregos para evitar isso”, diz o Diretor Adjunto de Pesquisas do IBGE, Cimar Azeredo. Em junho, mostra o IBGE, foram 17,8 milhões os brasileiros que não buscaram emprego por conta da pandemia ou por “falta de trabalho na localidade”, embora dissessem ter vontade de trabalhar. Esse número é menor que o de pessoas nessa mesma situação em maio, 18,4 milhões. Quando se considera os que apontavam outras razões para não buscarem oportunidades, o número de pessoas fora da força que, ainda assim, dizem querer um trabalho sobe para 26,7 milhões. “Se somarmos isso com os 11,8 milhões desocupados, temos aí uma subutilização de 38,5 milhões de pessoas. É um número grande, que está dado, e pode se movimentar [nas estatísticas]”, afirma Azeredo. Desde o início da crise, especialistas em mercado de trabalho têm alertado sobre a transferência automática dos previamente desocupados ou dos demitidos na crise para fora da força de trabalho, o que atenua os números oficiais do desemprego. O IBGE detalhou que quase a metade do total de afastados (48,4%) deixou de receber salários. Duque alerta que a redução de afastados não é necessariamente positiva, já que parcela considerável deles acabaram demitidos, passando ao desemprego. Ele observa que houve aumento de 3,2 milhões no número de ocupados e, mesmo assim, não foi possível barrar o avanço do desemprego. “Conjugados, os números não são bons. Nos próximos meses vai haver alguma recuperação no nível de ocupação, sobretudo via informais, que perderam mais e foram pouco mais da metade do saldo de ocupados de junho. Mas eu não contaria com um movimento forte”, opina.

VALOR ECONÔMICO 

EMPRESAS 

China impõe medidas aos frigoríficos do exterior

A Comissão Nacional de Saúde da China (NHC) emitiu na quinta-feira (23) diretrizes de controle de coronavírus para empresas de processamento de carne, incluindo exigências aos produtos importados de animais e aves, que, segundo eles, deverão estar livres de vírus antes do processamento nas fábricas chinesas

As diretrizes vêm após uma série de surtos de coronavírus ligados a fábricas de processamento de carne na Europa e nas Américas, com a China proibindo importações de várias origens. Os produtos de carne importada devem ter certificados para passar nos testes de ácido nucleico do coronavírus, além de outros documentos, certificados e registros de inspeções, antes de serem processados nas plantas chinesas, informou o NHC em comunicado. As empresas de processamento de carne devem acompanhar a fonte de aves e carne, disse o NHC, e estabelecer um mecanismo completo de rastreabilidade. “Os locais de trabalho, incluindo abate, corte, armazenamento e acondicionamento de carne (plantas), são principalmente ambientes fechados e densamente povoados, com baixa temperatura, onde o risco de propagação de vírus é bastante alto”, disse a autoridade de saúde em outro comunicado em seu site. A NHC pediu aos processadores que realizem uma limpeza e esterilização regulares e completas de todas as unidades de trabalho, incluindo abate, embalagem e armazenamento a frio. Os animais a serem abatidos devem vir de áreas não epidêmicas, segundo o comunicado, sem identificar as regiões. Os processadores de carne em áreas de médio e alto risco devem coletar cinco amostras de ambiente, respectivamente, nas unidades de abate, corte e embalagem, para testes de ácido nucleico, enquanto os de áreas de baixo risco devem fazer esses testes de amostra pelo menos uma vez por semana, de acordo com a declaração.

Reuters 

Procuradores pedem afastamento de todos empregados da JBS em unidade no MT após casos de Covid-19

O Ministério Público do Trabalho pediu afastamento remunerado de todos os funcionários da unidade da JBS na cidade de Colíder, no Mato Grosso, por ao menos 14 dias e que a Justiça do Trabalho obrigue a empresa a testar todos eles para Covid-19

Segundo o MPT, desde 20 de maio, a empresa já teve 84 casos confirmados pela Covid-19, ou 16,9% de todo os casos da cidade, sem contar familiares e outras pessoas próximas deles. De acordo com o documento, isso também representa que cerca de 14% dos 602 funcionários foram infectados. “Ou seja, há uma incidência da contaminação na unidade do frigorífico 12 vezes mais intensa do que na população em geral do município”, afirmaram os procuradores Ludmila Pereira Araújo e Marcel Bianchini Trentin. O MPT alega ainda que, nas listas de empregados afastados apresentados pela empresa à Vigilância Sanitária só constam trabalhadores sintomáticos e não houve afastamento de pessoas com doenças crônicas preexistentes, como hipertensão e diabetes. Consultada, a JBS afirmou em nota que não comenta ações judiciais em andamento, mas alegou que entre medidas adotadas contra a pandemia, afasta colaboradores com resultado de teste positivo para Covid-19 até que se recupere. “A empresa também realiza busca ativa e afasta preventivamente todos os contactantes suspeitos, além do monitoramento permanente de todos os colaboradores e sistemática desinfecção das unidades”, afirmou a empresa.

REUTERS

Para ONGs e MPF, Marfrig se torna exemplo a ser seguido

Compromisso da empresa em rastrear 100% do gado que abate deveria ser adotado pelos demais frigoríficos, dizem representantes dessas áreas

O tabuleiro mudou e o nome do jogo agora é “inclusão”. A palavra foi usada à exaustão na webinar que na quinta-feira marcou o anúncio dos compromissos da Marfrig Global Foods com a sustentabilidade ambiental de sua cadeia de suprimentos nos próximos cinco e dez anos, em referência aos fornecedores indiretos de gado da empresa de carne bovina, mais difíceis de serem monitorados. Mas, tendo em vista as declarações de representantes de organizações da sociedade civil e do Ministério Público Federal que participaram do evento, também poderia servir para os demais grandes frigoríficos do país, instados a também entrarem com mais ambição nesse barco, e para o governo federal, cobrado para acelerar a implantação das políticas preservacionistas existentes e melhorar a fiscalização para coibir as irregularidades. A Marfrig, segunda maior indústria de carne bovina do mundo, atrás da JBS, se comprometeu a rastrear a origem de 100% do gado que compra no bioma amazônico até 2025, de fornecedores diretos e indiretos. Até 2030, pretende conseguir fazer a mesma coisa com os animais criados no Cerrado, ainda em segundo plano quando o tema é desmatamento. Na pecuária brasileira, a maior parte do rebanho bovino total de mais de 210 milhões de cabeças — mais de 40 milhões delas são abatidas todos os anos — está na Amazônica e no Cerrado. No bioma amazônico, a Marfrig já monitora 26 milhões de hectares, onde estão todos os seus fornecedores diretos. “O desafio é grande. Vamos dobrar os investimentos em sustentabilidade nos próximos anos [foram R$ 260 milhões na última década], tendo como norte a manutenção e a recuperação das florestas. E [a adoção de] medidas de inclusão de produtores é parte desse sucesso”, disse Marcos Molina, fundador e controlador da Marfrig, na webinar da quinta-feira. Entre essas medidas, estarão o apoio ao acesso a financiamentos e à assistência técnica. Joost Oorthuizen, CEO global da ONG IDH – The Sustainable Trade Initiative, lembrou que na Holanda onde estava, que cada vez os consumidores europeus — e a Comissão Europeia — querem ter certeza que tudo o que compram é livre de desmatamento. “Para nós, na Europa, todo o foco na proteção das florestas e comércio sustentável só tende a crescer”, disse. E Oorthuizen também cobrou, de maneira bem-humorada, metas mais ambiciosas dos frigoríficos brasileiros — e da própria Marfrig. “Se prometemos menos e entregamos mais, é ótimo”.

VALOR ECONÔMICO

FRANGOS & SUÍNOS

Egito autoriza exportação de produtos termoprocessados de aves do Brasil

As 40 unidades frigoríficas do Brasil que estão habilitadas para exportar frango inteiro ao Egito foram autorizadas, na quarta-feira, a embarcar também produtos termoprocessados de aves, informou governo brasileiro

Após a autorização, licenças para embarques já foram emitidas, disse em nota o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra. Segundo a entidade, os termoprocessados que foram autorizados são produtos como steaks empanados, mas a maior demanda do Egito neste segmento é direcionada à mortadela de frango. “A forte procura pelo produto brasileiro indica uma demanda que até então estava reprimida, e que agora deverá incrementar a expressiva participação do mercado egípcio entre os principais importadores de produtos avícolas halal do Brasil”, afirmou. Questionada pela Reuters sobre o potencial que o embarque destes subprodutos pode alcançar, a ABPA informou que ainda não há como projetar o desempenho de comercialização a longo prazo. Décimo quarto principal comprador de carne de frango do Brasil, o Egito importou 39,1 mil toneladas da proteína entre janeiro e junho deste ano, volume que supera em 27% o total embarcado no primeiro semestre de 2019, conforme dados da associação. No fim de março, o país árabe habilitou 42 plantas frigoríficas para carnes do Brasil, sendo 27 de frango e 15 da proteína bovina. Além disso, o país renovou a habilitação de 95 empresas do setor (82 de carne bovina e 13 de carne de frango) e ainda autorizou o início da importação de miúdos bovinos brasileiros. Depois de um recuo nas exportações do agronegócio para países árabes no primeiro semestre, a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira disse à Reuters em junho que acreditava em uma recuperação motivada pelo aumento de vendas de aves para o Egito.

REUTERS 

Oferta reduzida impulsiona preço do suíno vivo, que se aproxima do recorde real em algumas praças, diz Cepea

Depois de caírem com força entre março e abril, os valores do suíno vivo iniciaram um movimento de recuperação em todas as praças acompanhadas pelo Cepea, que segue firme. Segundo colaboradores do Cepea, neste mês, a alta nas cotações tem sido intensificada pela baixa oferta de animais em peso ideal para abate

Do lado da demanda, a reabertura parcial do comércio em importantes regiões consumidoras em junho seguem favorecendo a procura por carne suína ao longo de julho. Além disso, as exportações brasileiras da proteína continuam registrando bom desempenho, o que tem limitado ainda mais a disponibilidade doméstica. Outro fator que tem influenciado as altas do suíno vivo é o elevado preço do boi gordo no mercado brasileiro. Segundo pesquisadores do Cepea, as cotações dos produtos suinícolas, de modo geral, tendem a acompanhar as movimentações dos valores no mercado de bovinos. Diante disso, em algumas regiões, especialmente nas de Minas Gerais, os valores médios do suíno se aproximam dos patamares recordes reais da série do Cepea (iniciada em 2002) – os valores foram deflacionados pelo IGP-DI. Já em termos nominais, ou seja, sem considerar a inflação, em muitas praças o animal já é negociado nas máximas da série do Cepea.

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