
Ano 6 | nº 1271| 06 de julho de 2020
NOTÍCIAS
Preço da carne bovina subiu no atacado
As constantes altas do boi gordo foram repassadas aos preços da carne sem osso no varejo, que apresentou valorização de 0,4% nesta semana, na média de todos os cortes pesquisados pela Scot Consultoria
O aumento foi de 0,6% nos cortes do dianteiro, frente a uma valorização de 0,4% nos cortes do traseiro. Na comparação anual, houve aumento de 22,0% na média de todos os cortes pesquisados, puxado principalmente pelos cortes do dianteiro, que apresentaram valorização de 29,6%no período. A flexibilização da quarentena, com a reabertura gradual do comércio em alguns municípios, e o início do mês contribuíram com a maior movimentação e altas observadas no preço da carne bovina nas últimas semanas. Destaque para as exportações, em especial para a China. Em junho, o volume exportado de carne bovina in natura foi recorde para o mês, totalizando 152,5 mil toneladas. A quantidade exportada cresceu 33,2% na comparação com o mesmo período do ano passado.
SCOT CONSULTORIA
Boi gordo: calmaria na última sexta-feira, mas mercado firme
Em São Paulo, o cenário foi de calmaria e com cotações firmes na última sexta-feira (3/7).
Segundo levantamento da Scot Consultoria, o boi gordo ficou cotada em R$220,00/@ bruta e à vista para o boi comum, e R$225,00/@ para a boiada jovem de até quatro dentes. Embora no fechamento da última sexta-feira parte das indústrias tiraram o pé do acelerador, o início de mês, com o recebimento dos salários, associado a oferta limitada de boiadas desenha um cenário firme.
SCOT CONSULTORIA
Carne bovina: início do mês traz expectativa de aumento no consumo
A última sexta-feira, 3, foi marcada pela baixa liquidez no mercado spot de boi gordo. A consultoria Agrifatto afirma que foram registradas poucas negociações, com pequenos lotes de animais, e o ambiente foi de estabilidade de preços
“A pressão baixista gerada pela indústria se mantém, mas ainda sem força. Porém, algumas unidades diminuíram suas compras ou as suspenderam. A arroba do “boi-China” orbita faixa dos R$ 220 R$ 225 por arroba e para o boi comum, o deságio permanece entre R$ 10 R$ 15 por arroba”. Já no mercado atacadista de carne bovina, houve um fluxo maior de vendas, o que enxugou os estoques, que já eram baixos. O início do mês traz as expectativas de uma melhora no consumo interno, com a chegada dos salários e do auxílio emergencial. “As indicações começam a receber pequenos reajustes positivos entre R$ 0,10 e R$ 0,20 por quilo, com isso, já é possível ver cotações da carcaça casada bovina na casa dos R$ 14,20”.
CANAL RURAL
Covid-19: Paraná publica documento com medidas de prevenção em frigoríficos
Entre as medidas, há a decisão de que indústrias mantenham plano de contingência para a doença e indicação de distanciamento mínimo entre postos de trabalho
A Secretaria de Saúde do Paraná publicou na última semana um documento que estabelece medidas de prevenção e controle da transmissão do vírus causador da Covid-19 em indústrias de abate e processamento de carnes. Entre as medidas publicadas na resolução nº 855/2020, há a indicação de que todas as indústrias devem instituir um plano de contingência para prevenção, monitoramento e controle da transmissão do coronavírus. No plano devem constar ações a serem realizadas pelo Serviço Especializado em Engenharia e Segurança e em Medicina do Trabalho em articulação com a Vigilância Epidemiológica do município em que a planta industrial está instalada. No documento, consta a indicação de cumprimento de normas do uso de equipamentos de proteção individuais. Os postos de trabalho devem ser organizados de forma que haja espaçamento de 2 metros entre os trabalhadores, associado ao uso de equipamentos de proteção individual. Se essa distância não for possível, devem ser utilizadas máscaras de acetato do tipo face shield e/ou anteparos físicos de material impermeável e transparente, colocados entre os postos de trabalho, sem que a distância seja inferior a 1,5 metro. Também há indicação de afastamento dos trabalhadores durante a atividade laboral e a conduta a ser cumprida quando ocorrerem suspeitas ou casos confirmados. Às empresas, a normativa determina que disponibilizem equipamentos de proteção e condições para que o trabalhador esteja seguro no ambiente laboral. Aos trabalhadores, a determinação é que use corretamente os equipamentos e avise sua chefia imediatamente caso apresente algum sintoma ou sinal compatível com a doença para que o rastreamento e o bloqueio sejam mais efetivos. O Paraná abriga cerca de 300 frigoríficos de diversos portes, que empregam mais de 100 mil pessoas, de acordo com o governo estadual.
CANAL RURAL
Arroba do boi gordo subiu R$ 9 em uma semana em Mato Grosso
De acordo com a consultoria Safras, as cotações dispararam em junho e continuaram subindo nos primeiros dias de julho nas principais praças do Brasil
Os preços do boi gordo dispararam no mercado físico em junho e continuaram subindo nos primeiros dias de julho, de acordo com a consultoria Safras. “Há dois motivos que explicam toda essa situação, o primeiro deles e mais relevante é do acentuado apetite chinês no mercado internacional, comprando volumes bastante substanciais de proteína animal”, diz o analista Fernando Henrique Iglesias. O país asiático continua com um significativo déficit no mercado local de proteínas animais, provocado pelo surto de peste suína africana (PSA) que dizimou o rebanho suíno doméstico. Ao mesmo tempo, no Brasil a oferta de animais terminados, prontos para o abate, avaliando a ausência de incentivos para o pecuarista confinar as boiadas no primeiro giro (a decisão de confinamento no primeiro giro começa em março, período em que o mercado atingiu seu ponto de mínima no ano). Os preços do boi gordo dispararam no mercado físico em junho e continuaram subindo nos primeiros dias de julho, de acordo com a consultoria Safras. “Há dois motivos que explicam toda essa situação, o primeiro deles e mais relevante é do acentuado apetite chinês no mercado internacional, comprando volumes bastante substanciais de proteína animal”, diz o analista Fernando Henrique Iglesias. O país asiático continua com um significativo déficit no mercado local de proteínas animais, provocado pelo surto de peste suína africana (PSA) que dizimou o rebanho suíno doméstico. Ao mesmo tempo, no Brasil a oferta de animais terminados, prontos para o abate, avaliando a ausência de incentivos para o pecuarista confinar as boiadas no primeiro giro (a decisão de confinamento no primeiro giro começa em março, período em que o mercado atingiu seu ponto de mínima no ano). Veja a comparação de preços do boi gordo entre 26 de junho e 3 de julho:
São Paulo: passou de R$ 217 para R$ 218
Goiânia (GO): passou de R$ 209 para R$ 211
Uberaba (MG): passou de R$ 209 para R$ 214
Dourados (MS): passou de R$ 206 para R$ 211
Cuiabá (MT): passou de R$ 188 para R$ 197
AGÊNCIA SAFRAS
ECONOMIA
Dólar cai em semana marcada por otimismo sobre recuperação global
O dólar caiu ante o real na sexta-feira, com dados positivos da China fortalecerem esperanças de recuperação da demanda da segunda maior economia do mundo e maior parceira comercial do Brasil
O dólar à vista fechou em queda de 0,55%, a 5,3205 reais na venda. Na semana, a moeda perdeu 2,65%, a primeira baixa depois de três altas semanais consecutivas. A sexta-feira foi de volume de negócios bem menor que a média, em dia sem a referência dos mercados norte-americanos, fechados por antecipação ao feriado do Dia da Independência, comemorado em 4 de julho. O volume de contratos negociados no mercado futuro de dólar comercial na B3 não chegava a 128 mil no fim da tarde, 37% da média diária das últimas 30 sessões. No atual ritmo, o giro caminha para ser o menor desde 20 de janeiro. De toda forma, investidores saudaram dados positivos do setor de serviços da China como indicação de força na segunda maior economia global —e a primeira a ser afetada mais severamente pela crise do Covid-19. O PMI de serviços do Caixin/Markit subiu a 58,4 em junho, leitura mais alta desde abril de 2010. A marca de 50 separa crescimento de contração. O dólar ainda sobe 32,58% em 2020, o que mantém o real com o nada honroso título de moeda de pior desempenho no ano. Analistas do Itaú Unibanco e do Rabobank atualizaram projeções para a taxa de câmbio, citando volatilidade e incertezas sobre fluxo de capital. O Itaú manteve estimativa de dólar a 5,75 reais ao fim de 2020. “Ao longo deste ano, o fluxo de capitais para o Brasil deve ser negativo, por causa do risco fiscal ainda elevado, da contração acentuada da atividade econômica e do cenário de juros baixos”, disse o banco. Para 2021, contudo, a projeção é de valorização da taxa de câmbio, com o dólar em queda a 4,50 reais por expectativa de retomada do crescimento econômico. Já o Rabobank vê o dólar em 5,45 reais ao fim de 2020, com a moeda indo a 5,10 reais ao término de 2021.
REUTERS
Ibovespa avança com volume reduzido, sem Wall St por feriado nos EUA
A JBS ON ganhou 3,05%, enquanto BRF recuou 1,03%. Cerca de 1.075 funcionários de uma fábrica de produtos de carne suína da JBS testaram positivo para Covid-19 até 1º de julho, além de 85 funcionários em uma fábrica de produtos de carne de frango da BRF na mesma cidade
O principal índice brasileiro de ações avançou na sexta-feira, em dia de volume reduzido e sem a referência das bolsas de Nova York, que não abriram por feriado nos Estados Unidos. O Ibovespa subiu 0,55%, a 96.764,85 pontos. O giro financeiro da sessão somou 14,6 bilhões de reais. Na semana, o índice avançou 3,1%. A alta veio mesmo após passar grande parte do dia sem direção definida, refletindo uma cautela global diante de um aumento nos casos de coronavírus nos Estados Unidos, que derrubou bolsas europeias e minou o otimismo dos investidores sobre as perspectivas de recuperação da economia. Para Jefferson Laatus, estrategista-chefe do Grupo Laatus, a retomada econômica e a expectativa de uma vacina contra o vírus dão ânimo ao mercado, mas uma segunda onda de infecções “fechar a economia vamos ver o mercado precificar negativamente”. A contração da atividade de serviços do país diminui em junho, chegando a 35,9, contra 27,6 em maio, mas ainda longe da marca de 50 — que separa crescimento de contração. No âmbito político, o Secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, afirmou que a reforma tributária deverá ser enviada pelo Ministro Paulo Guedes ao Congresso em agosto. Em live do Itaú BBA, ele disse ser preciso começar o debate sobre reforma tributária o mais cedo possível para ver em quais partes é possível um consenso para aprovação.
REUTERS
EMPRESAS
China suspende importação de mais dois frigoríficos do Brasil em meio a receio sobre Covid-19
A China suspendeu as importações de duas unidades processadoras de carne suína do Brasil pertencentes à JBS e à BRF, de acordo com a autoridade aduaneira chinesa, restringindo os embarques em meio a preocupações com o novo coronavírus
A China suspendeu temporariamente as importações de uma unidade da BRF em Lajeado e de uma da JBS em Três Passos, ambas no Estado do Rio Grande do Sul, segundo publicação com data de sábado no site da Administração Geral de Alfândega da China (GACC, na sigla em inglês). A BRF informou que a fábrica de Lajeado é a primeira da companhia a ser suspensa desde o início do Covid-19. A JBS já tem duas plantas suspensas. A publicação chinesa, que apenas identificou os frigoríficos por seu SIF, não dá o motivo para a suspensão. O Brasil é o segundo país com maior número de casos do novo coronavírus no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. A China é o maior comprador de carne suína, bovina e de frango do Brasil. O país asiático solicitou que os exportadores de carne certifiquem globalmente que seus produtos estão livres de coronavírus, o que BRF, JBS e outras processadoras de alimentos do Brasil já fizeram. Seis unidades de frigoríficos brasileiros foram até agora impedidas de exportar para a China em meio a preocupações crescentes com os milhares de casos de Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, entre trabalhadores da indústria no país. A JBS disse em comunicado que não comentaria a decisão e afirmou que estava adotando todos os esforços para “a garantia do abastecimento e da produção de alimentos dentro dos mais elevados padrões de qualidade e segurança além da máxima proteção dos seus colaboradores”. Em nota, a BRF informou não ter sido notificada oficialmente sobre a suspensão da habilitação para exportações de carne suína de sua unidade de Lajeado e ressaltou desconhecer o motivo da decisão. A BRF “já está atuando junto às autoridades brasileiras e chinesas, incluindo o Ministério da Agricultura – MAPA, o Ministério de Relações Exteriores – MRE, a Embaixada da República Popular da China no Brasil e o próprio GACC, para reversão da suspensão no menor prazo possível e tomando todas as medidas cabíveis para restabelecer tal habilitação”, disse a empresa em nota. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) disse à Reuters que só vai se manifestar após receber o comunicado oficial da China.
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JBS recebe aval para reabrir unidade de Passo Fundo após surto de Covid-19
A JBS recebeu aprovação judicial para reabrir sua unidade de processamento de aves em Passo Fundo (RS), após um surto de coronavírus entre funcionários da empresa, informou a companhia à Reuters na sexta-feira
“A JBS confirma a retomada das atividades em Passo Fundo”, disse a empresa por meio da assessoria de imprensa. Segundo documento do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS), ao qual a Reuters teve acesso, a desembargadora Vania Maria Cunha Mattos entendeu que a paralisação da empresa até o julgamento do recurso – mantida a interdição -, “poderá inviabilizar” atividades econômicas. “(Seria) rompida toda a cadeia produtiva, com prejuízo inequívoco não só dos empregos – diretos e indiretos, como a arrecadação de impostos, afora, desabastecer a população em geral”, disse a decisão. A desembargadora frisou que a JBS deve manter todas as regras de higiene e segurança do trabalho que garantam a vida e a integridade dos empregados e da população em geral, e que o trabalho deve ser feito somente por funcionários assintomáticos para que não se haja risco de propagação da Covid-19.
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Testes em unidades de JBS e BRF em Dourados revelam mais de 1.000 casos de Covid-19
Testes em massa revelaram um surto de infecções por coronavírus em fábricas operadas pelas processadoras de alimentos JBS e BRF no Centro-Oeste do país, afirmou o Ministério Público do Trabalho (MPT) no Mato Grosso do Sul na sexta-feira, citando dados das próprias empresas
Segundo o MPT, 1.075 empregados de uma fábrica de suínos da JBS testaram positivo para Covid-19 até 1º de julho, representam 30% dos testes processados até a data na unidade em Dourados. Outros 85 trabalhadores também testaram positivo em uma planta de aves da BRF na cidade, onde a empresa emprega cerca de 1.500 pessoas. A JBS testou 4.134 funcionários e 2.518 pessoas deram negativo para o coronavírus, enquanto 541 resultados estavam pendentes. A empresa emprega cerca de 4.300 pessoas em Dourados, epicentro do coronavírus no Mato Grosso do Sul, disse o MPT. JBS, maior processadora de carne do mundo, disse em nota que adota um rigoroso protocolo de segurança em suas unidades e que opera em conformidade com portarias conjuntas dos ministérios da Saúde, da Agricultura e da Economia. A empresa disse ainda que a planta de Dourados tem 20 casos de colaboradores afastados em decorrência de teste positivo para Covid-19, acrescentando que eles seguem em monitoramento pela área de saúde da companhia até seu pronto restabelecimento. A BRF, maior exportadora de carne de frango do mundo, disse que adota de forma voluntária um protocolo de aplicação de testes para Covid-19 em suas unidades, com o objetivo de preservar a saúde de seus colaboradores, seus familiares e da comunidade, e manter as operações de modo seguro. As empresas não comentaram o impacto na produção após o registro dos casos de Covid-19 em suas plantas em Dourados.
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FRANGOS & SUÍNOS
Alta nas exportações de suíno
As cotações para os animais terminados nas granjas paulistas fecharam junho em R$89,50/@, enquanto no atacado os preços ficaram em R$7,20 por quilo
Apesar da estabilidade no fechamento desta semana, o destaque fica para a alta dos preços em relação ao mesmo período do mês anterior, com variações de 2,9% para o animal terminado e 4,3% no atacado. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgados nesta quarta-feira (1/7), as exportações de carne suína fresca, refrigerada ou congelada, tiveram alta de 53,9%, com um volume exportado de 83 mil toneladas, ante 56,5 mil toneladas no mesmo período de 2019. As vendas ao exterior geraram faturamento de U$187,80 milhões em julho, contra U$129,72 milhões no mesmo período do ano passado, alta de 44,7%.
SCOT CONSULTORIA
Cotações do frango voltam a subir
No caso do produto resfriado, a alta foi de 12,3%, com média de R$ 8,96/kg
As vendas internas de carne de frango se aqueceram em junho, contexto que elevou as cotações de todos os produtos de origem avícola de corte. Segundo agentes colaboradores do Cepea, o menor poder de compra da população brasileira diante da crise gerada pela pandemia de covid-19 pode estar levando demandantes a migrarem para proteínas mais baratas, como o frango, em detrimento das carnes bovina e suína. Assim, mesmo durante a segunda quinzena de junho, quando tradicionalmente as cotações da proteína recuam, devido à menor liquidez, os preços seguiram firmes. No atacado da Grande São Paulo, o frango inteiro congelado teve média de R$ 4,40/kg em junho, alta de 7,3% frente à do mês anterior. Para o produto resfriado, a valorização foi ainda maior, de 11,7%, com preço médio a R$ 4,42/kg em junho. Para os cortes negociados na Grande São Paulo, a maior alta nos preços de maio para junho foi observada para a asa de frango, que, segundo colaboradores do Cepea, tem oferta muito reduzida no mercado doméstico, visto que é um produto muito exportado, especialmente à China. De maio a junho, a asa congelada se valorizou 15,7%, atingindo R$ 8,91/kg no último mês. No caso do produto resfriado, a alta foi de 12,3%, com média de R$ 8,96/kg. Além da demanda final aquecida, as medidas de ajuste da produção por parte tanto da indústria quanto de produtores no primeiro semestre de 2020 se mostraram eficientes em conter as desvalorizações que vinham ocorrendo. Dessa forma, com o incremento na demanda, parte da indústria teve que aumentar a compra de novos lotes de frango vivo, impulsionando os preços. Na média das regiões de São Paulo, o animal foi cotado a R$ 3,42/kg em junho, forte avanço de 17,5% na comparação com maio.
CEPEA
INTERNACIONAL
Terceirização em frigoríficos da Alemanha na berlinda
Ministra da Agricultura do país propôs criação de imposto de bem-estar animal
Quanto a carne deveria custar? Mais do que custa agora, defende a Ministra da Agricultura da Alemanha, Julia Kloeckner. Depois de um surto de coronavírus detectado em um abatedouro na Alemanha ter jogado os holofotes sobre os padrões de qualidade dos frigoríficos no país, Kloeckner tenta convencer os consumidores – muitos com orçamento limitado – a deixar de contar com carnes a preços baixos. “A carne é barata demais”, disse Kloeckner. “Propagandas fantásticas de carnes de baixos preços não condizem com a sustentabilidade e a apreciação […] Isso não é mais aceitável”. Carnes baratas, desde o salame às tradicionais “wurst”, as salsichas alemãs, são um alimento básico para muitos alemães, mas um recente surto de covid-19 em um frigorífico no oeste do país gerou questionamentos sobre as práticas adotadas para manter os preços baixos. O Ministro do Trabalho da Alemanha, Hubertus Heil, condenou o sistema de “sub-sub-subcontratação” nos frigoríficos e está apresentando uma nova lei que os obriga a contratar pessoal diretamente. Além disso, a Ministra da Agricultura planeja uma série de medidas para enfrentar as “sérias consequências” da pressão por baixos preços da carne sobre o bem-estar dos animais e as condições de trabalho nos frigoríficos, assim como sobre a renda dos pecuaristas. Kloeckner propôs um imposto de bem-estar animal para compensar os pecuaristas pelo custo decorrente da melhoria nos cuidados com o gado. Para conter o risco de afastar o processamento de carne para fora do país, ela defende um selo europeu de bem-estar animal para as carnes. O site Numbeo, de dados sobre custo de vida, estima que um quilo de carne bovina custa € 10,64 na Alemanha, € 16,67 na França, € 14,58 na Holanda e € 12,32 na Dinamarca. A VDF, associação alemã da indústria de processamento de carnes, aceitará as mudanças. “O setor decidiu abandonar o sistema de trabalhadores subcontratados no abate, corte e empacotamento de carne o mais rápido possível”, disse o Diretor da VDF, Heike Harstick. Os processadores de carne de aves na Alemanha também abandonarão a terceirização da mão-de-obra em 2021, mas a adoção de funcionários em regime de emprego permanente levará ao aumento no custo de produção e no preço final, segundo a associação do setor ZDG.
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