CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 1239 DE 20 DE MAIO DE 2020

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Ano 6 | nº 1239| 20 de maio de 2020

 

NOTÍCIAS

Mercado do boi gordo firme em meio à pandemia

A demanda interna comedida, em função do quadro de pandemia, tem estabelecido um ritmo calmo nos negócios e, por causa do aumento da oferta de boiadas de final de safra, possibilitou um alongamento das escalas de abate

Em função disso, em boa parte das regiões monitoradas aconteceram ofertas de compra a preços abaixo da referência na última terça-feira (19/5), mas com poucos negócios concretizados. Apesar do aumento de boiadas, a oferta está limitada, tendo em vista ser este um ano de retenção de fêmeas e de preços firmes para a reposição. Além disso, o bom desempenho da exportação de carne tem transmitido firmeza ao mercado, em especial para o gado jovem (até quatro dentes) que recebe um ágio de até R$10,00 por arroba nos frigoríficos habilitados para exportação e que atendem à demanda chinesa.

SCOT CONSULTORIA

Boi gordo: tendência para os preços é de queda, aponta Safras

Já as negociações de animais que cumprem os requisitos de exportação para a China continuam acontecendo com um bom spread, segundo a consultoria

O mercado físico do boi gordo teve preços pouco alterados nesta terça-feira, 19, de acordo com a consultoria Safras. O analista Fernando Henrique Iglesias diz que a inclinação segue negativa para os preços dos animais negociados para o mercado doméstico. Já as negociações de animais que cumprem os requisitos de exportação para a China continuam acontecendo com um bom spread. “Outro aspecto que precisa ser considerado neste momento é a menor capacidade de retenção dos pecuaristas, avaliando o desgaste das pastagens com o clima frio e seco. A imposição de um feriado prolongado em São Paulo não alterou a rotina dos frigoríficos do estado, que operam normalmente, mantendo sua programação de abates incólume”, diz. Na capital de São Paulo, os preços do mercado à vista ficaram em R$ 193 a arroba, ante R$ 194 a arroba na segunda-feira. Em Uberaba (MG), permaneceram em R$ 184,00 a arroba. Em Dourados (MS), ficaram em R$ 175 a arroba, estáveis. Em Goiânia (GO), o preço indicado foi de R$ 180 a arroba, inalterado. Já em Cuiabá (MT), o preço ficou em R$ 171,00 a arroba, estável. No mercado atacadista, os preços da carne bovina seguem acomodados. A tendência de curto prazo oferece pouco espaço para reação dos preços, avaliando o arrefecimento da demanda ao longo da segunda quinzena do mês. “A demanda chinesa segue como grande diferencial para o mercado brasileiro neste momento, com um ímpeto de compra bastante agressivo. A peste suína africana provocou déficit significativo no abastecimento local de proteínas animais”, diz. A ponta de agulha ficou em R$ 10,70 o quilo. Já o corte dianteiro seguiu em R$ 11,30 o quilo.

AGÊNCIA SAFRAS

Mapa coordena última etapa técnica para o reconhecimento de três novas áreas livres de febre aftosa sem vacinação

Resultados da etapa serão encaminhados para Organização Mundial de Saúde Animal

O Rio Grande do Sul, Paraná e os estados que compõem o Bloco I do Plano Estratégico (PE) 2017-2026 do Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA) Rondônia, Acre, 13 municípios do sul do Amazonas e cinco municípios do oeste de Mato Grosso) iniciaram o estudo soro epidemiológico para febre aftosa, etapa necessária para que possam pleitear à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) o reconhecimento como zonas livres de febre aftosa sem vacinação. O trabalho é coordenado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e está previsto no plano estratégico. A etapa consiste na coleta de amostras de sangue e inspeção clínica dos animais, além da aplicação de um questionário que deve ser respondido pelo produtor rural. O objetivo do estudo é comprovar que não existe a transmissão do vírus da febre aftosa nessas regiões. A metodologia utilizada e os resultados obtidos irão compor o relatório que será enviado à OIE. A seleção das propriedades foi feita por amostragem e abrangerá 995 estabelecimentos rurais, com cerca de 50 mil bovinos. Para a execução desse trabalho, 120 médicos veterinários dos serviços veterinários dos estados lideram as equipes de campo. As amostras serão enviadas e processadas nos Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária (LFDA) do Ministério, situados em Porto Alegre (RS), Recife (PE) e Belém (PA). A previsão é concluir os estudos até julho.

MAPA  

Carne bovina: média diária exportada cresceu 39,2% em maio, na comparação anual

O Brasil exportou 78,67 mil toneladas de carne bovina in natura até a segunda semana de maio, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex)

A média diária embarcada ficou em 7,86 mil toneladas, queda de 26,4% frente a média registrada na primeira semana. Na comparação ano a ano, o volume está 39,2% maior este ano. O principal destino dos embarques é a Ásia, com destaque para China e Hong Kong, que representaram 50% e 11%, respectivamente, do faturamento com a exportação de carne bovina in natura entre janeiro e abril desse ano.

SCOT CONSULTORIA

Oferta pequena dá sustentação às cotações do sebo bovino

A baixa oferta da gordura animal resultou em valorização no mercado do sebo 

Segundo levantamento da Scot Consultoria, no Brasil Central, o produto está cotado em R$2,95/kg, livre de imposto. Alta de 1,7%, frente à semana anterior. No Rio Grande do Sul, o sebo está cotado em R$3,10/kg, nas mesmas condições, valorização de 1,6% na mesma comparação. Devido às incertezas do mercado em função do coronavírus, a expectativa é de que as cotações sigam andando de lado.

SCOT CONSULTORIA

ECONOMIA 

Dólar sobe ante real com noticiário doméstico amparando ajuste

O dólar fechou em alta ante o real nesta terça-feira, perto das máximas do dia e com a moeda brasileira na contramão dos mercados globais de câmbio, conforme investidores recompuseram posições

O dólar à vista fechou em alta de 0,67%, a 5,7609 reais na venda, depois de na véspera cair 2%. Ao longo da sessão, a moeda oscilou entre queda de 0,69% (para 5,683 reais) e valorização de 0,75% (a 5,7653 reais). Na B3, o dólar futuro ganhava 0,59%, a 5,7595 reais, às 17h45. Expectativas cada vez piores para a economia, perspectiva de juros nas mínimas históricas e falta de visibilidade para a volta dos debates sobre reformas econômicas mantêm o real pressionado. O Secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, afirmou na terça-feira que a contração do Produto Interno Bruto (PIB) este ano pode ser maior que 5%. O Goldman Sachs revisou para queda de 7,4% a estimativa para o desempenho do PIB neste ano (frente a -4,6% antes) e cita que o aumento de preocupações de ordem política e fiscal deve agravar a recessão. “Além disso, o governo federal e as autoridades locais continuam discordando quanto ao escopo e à intensidade das medidas para lidar com a crise da saúde pública. Nesta fase, não está claro quando a curva viral atingirá o pico”, disse o banco, acrescentando que o Brasil é um dos epicentros globais do Covid-19. No fim da tarde, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que, sem dúvida, o Brasil está tendo problemas com o coronavírus e que está considerando impor restrição de viagem a passageiros do país. O menor apelo do real é percebido em pesquisa do Bank of America com gestores. A fatia dos que acreditam que a moeda brasileira terá desempenho melhor nos próximos seis meses caiu para “apenas” 19% na sondagem deste mês, ante 46% na do mês passado. Uma parcela de 60% vê a economia retraindo mais de 5% neste ano. No exterior, o dólar caía 0,06% ante uma cesta de moedas e cedia frente a várias divisas emergentes e correlacionadas às commodities.

REUTERS 

Ibovespa fecha em queda com dúvidas sobre Covid-19 no horizonte

O Ibovespa fechou em queda na terça-feira em meio a ajustes após o rali da véspera, uma vez que permanecem incertezas sobre a pandemia de coronavírus nas economias, além de receios com o risco de uma segunda onda de contaminação pelo vírus

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,56%, a 80.742,35 pontos, tendo oscilado dos 80.647,02 pontos aos 82.174,55 pontos. O volume financeiro somou 24,5 bilhões de reais. Para o gestor Alfredo Menezes, da Armor Capital, uma retomada mais consistente nos mercados ainda depende de uma vacina ou medicamento eficaz contra o Covid-19, ou as pessoas continuarão temerosas para retomar suas rotinas e isso seguirá pressionando as economias. “É muito importante eliminar o medo das pessoas, e isso só vai ocorrer com a vacina ou remédio eficiente”, afirmou, acrescentando ainda que nesse cenário a recuperação da atividade econômica seria mais rápida. Na véspera, parte relevante da euforia nos mercados – o Ibovespa fechou com a maior alta em seis semanas – refletiu anúncio da norte-americana Moderna de que sua vacina experimental contra a Covid-19 mostrou potencial em um estudo muito limitado e de estágio inicial. Nesta sessão, reportagem do STAT News —voltado para temas de saúde— questionou a validade dos resultados do teste de vacina da Moderna. Atualmente não existem tratamentos ou vacinas aprovados para a Covid-19 e especialistas preveem que uma vacina segura e eficiente pode demorar de 12 a 18 meses.

REUTERS 

Contração do PIB pode ser maior que 5% em 2020, diz Mansueto

O secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, afirmou na terça-feira que a contração do Produto Interno Bruto (PIB) este ano pode ser maior que 5%, ante estimativa oficial de um recuo de 4,7%

A declaração, dada em live promovida pela Câmara de Comércio França-Brasil, vem num momento em que vários bancos de investimento têm piorado suas perspectivas para o Brasil. O Goldman Sachs agora prevê um tombo de 7,4% para o PIB em 2020, ao passo que o BTG Pactual estima queda de 7%. Na pesquisa Focus mais recente conduzida pelo Banco Central, a expectativa é de uma diminuição de 5,12% para o PIB neste ano. Mansueto afirmou que, por conta das medidas demandadas para enfrentamento à crise, o déficit primário neste ano pode “tranquilamente” chegar a 700 bilhões de reais, equivalente a pouco mais de 9% do PIB. Para 2021, o rombo poderá ser maior que 200 bilhões de reais. O déficit nominal, que inclui a conta de juros da dívida pública, pode alcançar 13% este ano, mais que dobrando em relação a 2019. Nesse cenário, o secretário do Tesouro voltou a destacar que a dívida pública bruta será inexoravelmente mais alta, indo para perto de 90% do PIB em 2020, mas frisou que mais importante do que esse salto será a trajetória de endividamento do país à frente. Por isso, Mansueto reforçou a necessidade de o Brasil aprovar reformas para conseguir engatar uma recuperação de maior fôlego no pós-crise. Segundo o Secretário, o governo pode fazer em algum momento captação no exterior, seja em dólar ou em euro. Mansueto pontuou ainda que o país não tem dificuldade para se financiar com a venda de títulos públicos no mercado doméstico, mas sublinhou que a expansão fiscal só consegue ser bancada com aumento da dívida de curto prazo. Para papéis com vencimento a partir de três anos, a visão é que o prêmio envolvido é muito alto. Mesmo com títulos longos pagando juros de 8% a 9% ao ano, o país não consegue vender muitos desses papéis, já que há baixo apetite por esses ativos. “Tradicionalmente quem compra um título longo desses —10 anos no Brasil é um título longo— é o investidor estrangeiro e o fundo de pensão. E mesmo antes da crise esses dois investidores já estavam ausentes do mercado”, afirmou.

REUTERS

EMPRESAS 

Brasil segue com exportação de carne aos EUA, mas há destinos melhores, diz Marfrig

Os embarques de carne bovina do Brasil para os Estados Unidos seguem fluindo, porém devem ter menor volume, pois “há destinos melhores” para os exportadores, disse na terça-feira o CEO da Marfrig na América do Sul, Miguel Gularte

Em teleconferência para comentar resultados trimestrais, ele destacou que a exportação representa cerca de 70% da participação de mercado da companhia no país. “Nos últimos anos tivemos a possibilidade de deixar a exportação mais forte e agora escolher onde colocar esse produto”, afirmou. Segundo o CEO, as vendas externas representavam anteriormente cerca de 50% dos resultados da empresa. O mercado norte-americano foi reaberto para a carne bovina in natura do Brasil em fevereiro, após uma interrupção imposta pelos EUA desde 2017 por questões sanitárias. Sem revelar o volume embarcado, Gularte afirmou que os cortes brasileiros são enviados para os EUA para compor um mix nos produtos processados. Ele ressaltou que a China retornou com demanda firme pela proteína desde que houve um controle parcial da pandemia naquele país. Países como Coreia do Sul, Japão e alguns mercados europeus também foram relevantes para as exportações da América do Sul ao longo dos três primeiros meses do ano. No primeiro trimestre, a estratégia de diversificação de mercados, além da China, foi determinante para o crescimento de 109% no lucro operacional da Marfrig, embora a companhia tenha amargado um prejuízo líquido de 137 milhões de reais por causa, principalmente, de despesas cambiais. Com relação aos efeitos da pandemia, Gularte ressaltou a necessidade de reforçar o caixa da empresa, mas disse que a Marfrig segue atenta a oportunidades de fusões e aquisições de menor porte. O fundador e Presidente do Conselho de Administração da empresa, Marcos Molina, acrescentou que a Marfrig tem utilizado o caixa gerado pela National Beef para baixar o endividamento e, diante das incertezas relativas à Covid-19, a Marfrig optou por postergar o pagamento de dividendos para o mês de julho. Segundo Molina, a distribuição de dividendos ocorre trimestralmente e corresponde a 56% do resultado. Nos Estados Unidos, o CEO das Operações América do Norte, Tim Klein, disse que houve uma elevação de custos por conta da paralisação temporária de uma das unidades da National Beef, além de despesas com materiais de prevenção, mas não há expectativa de que estas despesas afetem as margens da companhia ou aumentem os preços da carne comercializada no varejo norte-americano.

REUTERS

Minerva capta R$ 600 milhões em CRA de 5 e 6 anos

Opção pela emissão de CRAs se revelou mais barata do que linhas de crédito que vem sendo oferecidas pelos bancos

A Minerva Foods, terceira maior indústria de carne bovina do país, vai captar R$ 600 milhões por meio da emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA). Serão feitas duas séries de títulos, com vencimento em 2025 e 2026, apurou o Valor. XP Investimentos e BTG Pactual coordenam a emissão. Na série que vence em cinco anos, a empresa captará R$ 400 milhões. A remuneração aos investidores será de IPCA mais 5,75% ao ano. Os títulos que vencerão em 2026, por sua vez, devem ter uma remuneração de CDI mais 5,40% por ano. Com os recursos, a Minerva pretende comprar, no mercado secundário, títulos de dívida da empresa no exterior. Atualmente, esses títulos são negociados abaixo do valor de face – cerca de 98%. Quando convertidos em reais, esses bônus tem uma taxa de juros de cerca de 10% ao ano. A opção pela emissão de CRAs se revelou mais barata do que linhas de crédito que vem sendo oferecidas pelos bancos, com prazo de no máximo um ano e taxa de juros de CDI mais 4% ou 5% ao no. Antes da crise do coronavírus, essas linhas de curto prazo tinham taxas de cerca de CDI mais 2% ao ano. Para não carregar o risco de inflação, a Minerva fará com os bancos o swap dos papéis que vencem em 2025, e pagará o equivalente a 150% do CDI – cerca de 4,5% ao ano, considerando a taxa atual. No fim de março, o endividamento bruto da Minerva somava R$ 11,7 bilhões, sendo 72% em moeda estrangeira. Do total, 18,5% vencia no curto prazo. A dívida líquida era de R$ 5,4 bilhões. O índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) estava em 2,99 vezes.

VALOR ECONÔMICO 

Marfrig negocia substituição de empréstimo ponte de US$ 500 milhões

Recursos foram utilizados para financiar a compra de participação adicional na National Beef

A Marfrig está em negociações avançadas com bancos para firmar um empréstimo com prazo de três anos e substituir o empréstimo ponte de cerca de US$ 500 milhões que fez no fim do ano passado para financiar a compra de uma participação adicional na americana National Beef. Em teleconferência com analistas, o Vice-Presidente de Finanças e de relações com investidores da empresa, Tang David, afirmou que o refinanciamento do empréstimo ponte permitirá o alongamento das dívidas da companhia. Atualmente, 25% das dívidas da Marfrig vencem no curto prazo. Com o refinanciamento, esse percentual deverá cair para 15%. Com isso, a Marfrig deve rolar a maior parte das dívidas que venceriam em 2020. No balanço divulgado ontem, o grupo informou que, em 31 de março, R$ 6,1 bilhões venciam neste ano. O endividamento de curto prazo (em até um ano) totalizava R$ 6,7 bilhões. O empresário Marcos Molina, fundador e controlador da Marfrig, também informou, na mesma teleconferência, que a americana National Beef voltará a distribuir dividendos aos acionistas em julho e que esses recursos também serão utilizados para a redução do endividamento. Entre janeiro e março, afirmou, a controlada americana não distribuiu os tradicionais dividendos trimestrais por cautela. Como as operações do grupo seguiram normalmente, com impactos poucos significativos da pandemia da covid19, os dividendos voltarão a ser pagos em julho. A National Beef é a principal divisão de negócios da companhia brasileira, e responde por cerca de 70% das vendas. A participação da Marfrig na americana é de cerca de 80%. Tradicionalmente, a National Beef distribui 56% dos lucros aos sócios. Além da Marfrig, um grupo de pecuaristas americanos é sócio da companhia americana.

VALOR ECONÔMICO 

JBS e MPT não se entendem sobre proteção de trabalhador 

Auditores cobram mais medidas de combate à covid-19

A JBS continua a se desentender com o Ministério Público do Trabalho (MPT) por causa das medidas de proteção de funcionários que o órgão pede para serem tomadas nas plantas durante a pandemia. Na segunda-feira, terminou sem acordo a audiência realizada no Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4-RS) por determinação do Tribunal Superior do Trabalho (TST) sobre unidade da empresa em Trindade do Sul (RS). Uma nova audiência será realizada na terça-feira da semana que vem. Auditores do trabalho têm travado uma batalha com a JBS na Justiça por causa da adoção de medidas de proteção de funcionários com relação à codiv-19. O desentendimento já causou o fechamento de algumas unidades, como em Ipumirim (SC). O MPT tem conseguido, em primeira instância, decisões que obrigam a JBS a adotar medidas como a distância mínima de 1 metro entre os funcionários nos frigoríficos, mas a companhia recorre. O assunto já chegou ao TST. A última instância trabalhista tem julgado pedidos da companhia para suspender liminares. Um dos recursos, sobre unidade em Rondônia, foi aceito pelo Vice Presidente e corregedor, Ministro Aloysio Corrêa da Veiga. Nesse caso, a liminar que obrigava a companhia a tomar algumas medidas de proteção foi suspensa. Já o pedido dirigido à unidade de aves em Trindade foi negado. O corregedor ainda determinou a audiência. “Não tivemos acordo. A empresa não apresentou nenhuma proposta”, afirmou a procuradora do Trabalho Priscila Dibi Schvarcz, que participou da audiência. Uma nova tentativa de acordo foi designada para a próxima terça-feira. Segundo a procuradora, o prazo foi dado para a JBS comprovar a eficácia das máscaras que estão sendo oferecidas aos trabalhadores. Elas estão sendo submetidas a testes em laboratório, que ficarão prontos na sexta-feira. “Nosso grande objetivo era que a JBS viesse negociar. Já fizemos acordos com outras empresas do setor”, afirma o subprocurador-geral do Trabalho Eneas Bazzo Torres. De acordo com o procurador, o coronavírus trouxe mais um problema para o setor de frigoríficos, que já é propenso a doenças ocupacionais. “A JBS não vem cumprindo as medidas mínimas de prevenção, como o distanciamento mínimo entre os empregados”, afirma. Ainda segundo o subprocurador-geral, as ações reúnem entre 30 e 40 pedidos – desde os mais básicos como a distância entre os funcionários, até outros como a retirada de bebedouros das fábricas, que antes o MPT pedia para serem colocados. Entre os pedidos também está o uso de material individual e descartável durante refeições, controle de ponto não biométrico e manutenção de exaustores ligados durante período de trabalho nos ambientes refrigerados para aumentar a taxa de renovação de ar, entre outros. Para o MPT, com a conduta infratora a JBS fica em posição mais favorável que a concorrência, que está arcando com custos adicionais de prevenção.

VALOR ECONÔMICO 

BRF fará testes em 100% dos funcionários em Concórdia

Acordo nesse sentido foi firmado com a Vigilância Sanitária do município catarinense

A Vigilância Sanitária de Concórdia, no oeste catarinense, determinou o afastamento de 50% dos funcionários da BRF no município para que todos façam exames para o diagnóstico da covid-19. Concórdia apresenta alta incidência da doença. A empresa confirmou a informação. Segundo o procurador Anderson Corrêa da Silva, do Ministério Público do Trabalho (MPT), a decisão foi tomada em reunião realizada com a presença de representantes da empresa, da Vigilância Sanitária local, do Ministério Público do Estado de Santa Catarina (MP-SC) e do MPT. Na prática, explicou, a decisão da vigilância tem o efeito de uma “interdição parcial” da unidade. Em Concórdia, a BRF abate frangos e suínos e produz alimentos processados como presunto, salsicha e linguiça. Com a realização dos exames, os funcionários que testarem positivo para a covid-19 e não tiverem sintomas ficarão sete dias afastados, disse o procurador. Aqueles que testarem positivo e apresentarem sintomas ficarão 14 dias fora do trabalho. Após os testes de metade dos funcionários, os outros 50% seguirão o mesmo procedimento. Com isso, a Vigilância Sanitária de Concórdia quer garantir que todos os funcionários da companhia na cidade sejam testados como forma de conter a disseminação da doença. Segundo o último boletim epidemiológico do governo de Santa Catarina, Concórdia registra 255 casos da covid-19 e cinco óbitos. A taxa de incidência de covid-19 em Concórdia é elevada, de 341,63 casos por 100 mil habitantes. A taxa estadual é de 72,2. No Brasil, a incidência é de 121 casos por 100 mil habitantes, segundo o Ministério da Saúde.

VALOR ECONÔMICO 

FRANGOS & SUÍNOS 

Custos de produção de frangos de corte e de suínos disparam em abril

Custos de produção de frangos de corte e de suínos calculados pela CIAS voltaram a ter mais um mês de forte alta
Os custos de produção de frangos de corte e de suínos calculados pela CIAS, a Central de Inteligência de Aves e Suínos da Embrapa, voltaram a ter mais um mês de forte alta em abril, acumulando 6,40% e 3,50%, respectivamente, na comparação com março. O ICPFrango de abril chegou aos 263,02 pontos, o maior valor nominal desde que o índice foi criado. De janeiro a abril deste ano, o acumulado já chega a 13,22%. Apenas os gastos com a nutrição dos animais subiram 11,49% em 2020. Com isso, o custo de produção do quilo do frango de corte vivo no Paraná passou dos R$ 3,19 em março para R$ 3,40 em abril. Já o ICPSuíno foi aos 263,09 pontos em março, continuando a alta registrada mensalmente desde outubro de 2019. Este também é o maior valor nominal do ICPSuíno desde a sua criação. Em 2020, o índice acumula alta de 9,84%. O custo por quilo vivo de suíno produzido em sistema de ciclo completo em Santa Catarina passou dos R$ 4,44 em março para R$ 4,60 em abril. Os índices de custos de produção foram criados em 2011 pela equipe de socioeconomia da Embrapa Suínos e Aves e Conab. Santa Catarina e Paraná são usados como estados referência nos cálculos por serem os maiores produtores nacionais de suínos e de frangos de corte, respectivamente.

EMBRAPA 

Grupo produtor de suínos da China prevê recuperação da produção de suínos em 2021 e preços caem

O New Hope Group, um dos maiores criadores de suínos da China, espera que a produção de suínos do país se recupere da epidemia de doenças do ano passado até 2021, enquanto os preços começarão a cair após uma corrida de novos participantes na criação de porcos, disse o presidente Liu Yonghao na segunda-feira

A peste suína fatal da doença suína africana reduziu o enorme rebanho de suínos da China em cerca de metade no ano passado, mas o governo ofereceu incentivos aos agricultores para estimular a recuperação. Liu disse que os preços da carne de porco, a carne favorita da China, permanecerão relativamente altos este ano, mas poderá cair abaixo dos custos de produção nos próximos anos, à medida que novos participantes, incluindo empresas imobiliárias e de internet, se voltem para a agricultura. “Essas empresas, com muito dinheiro, costumam investir muito. Por um lado, eles podem impulsionar o desenvolvimento da criação de porcos rapidamente”, disse Liu em uma entrevista on-line com repórteres. “Por outro lado, isso definitivamente levará ao excesso de oferta e, finalmente, empurrará os preços abaixo do custo de produção”. Liu não nomeou nenhum dos novos jogadores. A China Vanke Co Ltd, uma das principais empresas imobiliárias da China, anunciou para os gerentes de uma unidade de criação de porcos em seu pedido de recrutamento. Não divulgou seus planos para o negócio e não pôde ser encontrado para comentar imediatamente. Os produtores estabelecidos de suínos também estão se expandindo rapidamente, incluindo o negócio de criação de suínos da New Hope, New Hope Liuhe. A empresa vendeu 3,6 milhões de porcos em 2019 e planeja produzir 15 milhões em 2021 e 25 milhões em 2022. Abaterá 8 milhões neste ano, informou um funcionário da empresa na segunda-feira. Os preços de varejo da carne de porco atingiram quase 60 yuans no início de novembro de 2019 e novamente em fevereiro, quando os matadouros fecharam durante o pico da epidemia de COVID-19 na China. Mas os preços dos suínos caíram 30% nos últimos três meses. Na semana passada, eles caíram abaixo de 30 yuans por kg pela primeira vez desde outubro, já que os porcos que foram criados com pesos mais pesados do que o normal quando os processadores foram fechados durante fevereiro e março foram para o matadouro.

Reuters

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