CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 758 DE 24 DE MAIO DE 2018

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Ano 4 | nº 758 | 24 de maio de 2018

NOTÍCIAS

Sobre a decisão do STF:

O Deputado Jerônimo Goergen explica seus efeitos:

Veja o vídeo no link:

https://drive.google.com/file/d/1bY2ejvIorJGyZzWBgx7pYQoSS6-Y6P2y/view?usp=sharing

STF decide por pagamento de passivo do Funrural

Por 7 a 3, ministros entendem por cobrança dos débitos, mas discussão não está encerrada

A novela do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural) ganhou mais um capítulo na quarta-feira, 23, desta vez com cara de desfecho, pelo menos em parte. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu contra a modulação, ou seja, não aceitou a possibilidade de suspender a cobrança dos débitos retroativos ao julgamento de março de 2017, quando a Corte declarou a constitucionalidade do Funrural. Com isso, produtores e adquirentes que não tiverem recolhido o tributo têm até o dia 30 de maio para decidir se aderem ao Programa de Regularização Tributária Rural (PRR), que regulamenta o pagamento do passivo do Funrural. Fábio Calcini, advogado tributarista do Brasil Salomão e Matthes, explica que embora o julgamento traga um certo desfecho – apesar de ainda ser possível entrar com embargos de declaração sobre a decisão dos embargos – no que diz respeito ao produtor rural pessoa física e empregador, ele não esgota totalmente o assunto Funrural. Os casos de adquirentes, cooperativas, produtor pessoa jurídica e física segurado especial ainda são passíveis de decisões. “Não encerra a discussão, porque o passivo, como regra, não está no produtor rural, mas nos adquirentes”. Ele lembra que a última grande decisão sobre adquirentes foi a do Mataboi em 2010, em que o parecer foi favorável ao não recolhimento do tributo, e que a resolução nº 15 do Senado – que proíbe em tese a cobrança retroativa do tributo – reforça isso. Sobre a adesão ao Refis, ele diz que é preciso ter cautela e analisar caso a caso qual a melhor alternativa e se é possível cumprir com o pagamento. No julgamento desta quarta-feira, seis ministros – Luís Roberto Barroso, Luiz Fux, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Cármen Lúcia – acompanharam o relator Alexandre de Moraes e votaram para rejeitar os embargos de declaração colocados por produtores e entidades do agronegócio. “Fazer modulação seria favorecer aqueles que não contribuíram. Acatar esses pedidos seria incentivar que, ao invés de pagar seus tributos, você entre com uma liminar para conseguir uma modulação no futuro”, disse Moraes. Votaram a favor da modulação os ministros Edson Fachin, Rosa Weber e Marco Aurélio Mello. Fachin defendeu o estabelecimento de um marco inicial para os efeitos da decisão do STF: no caso, 30 de março de 2017, data do julgamento que considerou o Funrural constitucional. “Entendo que cabe a modulação tendo em conta o que compreendo pela expressiva mudança de jurisprudência”. De acordo com o STF, a decisão terá impacto em 20 mil processos que estavam suspensos em todo o Judiciário e aguardavam a manifestação da Corte.

Portal DBO com ESTADÃO CONTEÚDO

STF reafirma que Funrural está de acordo com a Constituição

Suprema Corte rejeitou embargos impetrados por entidades representativas de produtores rurais

O Supremo Tribunal Federal rejeitou os embargos que questionavam a constitucionalidade do Fundo de Apoio ao Trabalhador Rural (funrural). Pelo placar de 7 votos a 3, a Corte reafirmou, na quarta-feira (23/5), que a contribuição está de acordo com a Constituição, consolidando decisão tomada em 2017. Os oito embargos foram impetrados por diversas associações representativas de produtores rurais. Alegavam que o STF adotou uma postura contraditória um ano atrás. Lembravam que por duas vezes, entre 2010 e 2011, o próprio Supremo tinha considerado a cobrança inconstitucional. E que esse posicionamento serviu de base para a obtenção de liminares que desobrigavam o recolhimento da contribuição. Quando reviu essas decisões, a Corte derrubou o efeito das liminares e acabou criando um passivo bilionário, com efeito sobre produtores e empresários rurais de todo o país. Com a rejeição dos embargos, nesta quarta-feira (23/5), a dívida continua.  “A decisão da Suprema Corte era um dos itens que ainda trazia insegurança jurídica aos produtores rurais”, diz a Frente Parlamentar (FPA), em comunicado, lembrando que representantes do colegiado chegaram a se reunir com ministros do STF para discutir o assunto. Ainda no comunicado, a bancada ruralista afirma que tudo o que podia fazer para garantir a segurança jurídica em relação ao Funrural está feito. E ressalta aprovação da lei que prevê condições diferenciadas de renegociação do passivo remanescente da contribuição. “O que tentamos atingir com a MP não foi se a cobrança era válida ou não. O principal objetivo sempre foi dar alternativa ao produtor com uma dívida retroativa robusta”, explica, no comunicado, a Presidente da FPA, deputada Teresa Cristina. Produtores e empresários rurais de todo o país têm até o próximo dia 30 de maio para aderir ao chamado Refis do Funrural, de acordo com as regras da lei. Mas, na Câmara dos Deputados, a discussão ainda não acabou. Os ruralistas querem que o Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) paute dois pedidos de urgência relativos a projetos relacionados à contribuição. Um deles é da própria deputada Teresa Cristina. A proposta, na prática, impede a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) de bloquear bens no caso do devedor não quitar seu débito em um prazo de 5 dias. Outro é de autoria do deputado Jerônimo Goergen (PP-RS). O texto pede o fim da cobrança do passivo do Funrural, tomando como referência uma resolução do Senado publicada em setembro de 2017.

GLOBO RURAL

Mais de 100 plantas de carnes param atividades em razão de greve dos caminhoneiros

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) disse na quarta-feira (23) que 129 unidades produtivas de empresas brasileiras de carnes bovina, suína e de aves foram paralisadas em decorrência da greve dos caminhoneiros

A previsão é de que cerca de 90% da produção de proteína animal no país seja interrompida até sexta-feira (25) caso a greve persista, segundo as entidades. Entre as empresas que já anunciaram oficialmente paralisações estão JBS, Marfrig, BRF, Aurora Alimentos e Frimesa. A greve dos caminhoneiros foi iniciada na segunda-feira (21) em protesto contra impostos incidentes sobre o preço do diesel, elevando custos para a categoria. A greve tem impossibilitado a circulação de mercadorias e insumos de diversas indústrias e já prejudica o abastecimento em algumas regiões. Os setores de carnes de frango e suínos deixaram de exportar 25 mil toneladas de produtos, o equivalente a uma receita de US$ 60 milhões, em decorrência da greve, segundo a ABPA. Já a indústria de carne bovina deixa de embarcar 1.200 contêineres por dia. A BRF S.A. suspendeu completamente as atividades em quatro unidades de frangos e suínos (Nova Marilândia-MT, Dois Vizinhos-PR, Toledo-PR e Campos Novos-SC) na manhã de quarta-feira (23) como consequência da greve. Outras unidades foram paralisadas parcialmente: Rio Verde (GO), Uberlândia (MG), Dourados (MS), Chapecó (SC) e Garibaldi (RS). E mais plantas ainda podem parar parte da produção caso utilizem toda a capacidade de estoques (Concórdia-SC, Herval do Oeste-SC, Francisco Beltrão-PR e Marau-RS), segundo comunicado enviado pela empresa à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no fim da tarde de quarta-feira (23). A BRF disse que diversos insumos utilizados na industrialização dos alimentos não foram entregues na terça-feira (22) e que 10% da ração destinada aos animais não chegou aos produtores, impactando a alimentação de cerca de 1 milhão de animais. A Marfrig disse que algumas de suas plantas frigoríficas deverão reduzir ou suspender temporariamente sua produção devido à impossibilidade de transportar seus produtos, sem detalhar quantas e quais unidades serão afetadas. A JBS também vai paralisar algumas unidades de carnes bovina, de aves e suína em razão da impossibilidade de escoar sua produção. “As paralisações têm como foco principal os estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, e em menor escala, também em Minas Gerais e Mato Grosso do Sul”, revelou a companhia.

CARNETEC

Caminhoneiros decidem manter greve após fracasso de acordo em reunião com governo

Caminhoneiros continuarão de braços cruzados na quinta-feira depois do fracasso de uma reunião da categoria com representantes do governo federal mais cedo, que não conseguiu atender à reivindicação dos motoristas para redução dos custos do óleo diesel

Tanto a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) quanto a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) saíram da reunião afirmando que o governo não apresentou propostas para o fim da paralisação, que reúne cerca de 450 mil motoristas e já afeta uma série de setores da economia. “O governo foi irresponsável com a situação que está o país hoje. O governo foi avisado com antecedência e nem mesmo abriu negociação”, afirmou o Presidente da CNTA, Diumar Bueno, após o fim da reunião que contou com presença do Ministro-Chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e dos Transportes, Valter Casimiro. Ele se referiu a tentativas de negociações com o governo desde que a Petrobras adotou em meados do ano passado política de preços que permite reajustes diários nos preços dos combustíveis, algo que reduziu a previsibilidade dos autônomos na cobrança dos fretes. Uma das soluções apontadas pelo governo, zerar Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), depende de aprovação no Congresso de projeto para reoneração da folha de pagamentos, disse Padilha a jornalistas após a reunião. Entretanto, para os caminhoneiros essa solução é insuficiente porque o tributo representa cerca de apenas 1 por cento do custo total do diesel. Já sobre a incidência de PIS/Cofins sobre o combustível, o Ministro comentou que o governo está estudando como fazer uma redução. Segundo o Presidente da Abcam, que representa cerca de 600 mil caminhoneiros dos 1 milhão que existem no país, José da Fonseca Lopes, a categoria concordou em dar um prazo até sexta-feira para o governo chegar a uma saída para redução efetiva no custo dos combustíveis. O prazo se refere ao livre trânsito de caminhões que transportam produtos essenciais como medicamentos e alimentos que precisam de refrigeração. “Vai continuar tudo (a paralisação). A única coisa que nós concordamos é a liberação de carga viva, alimentos perecíveis, medicamentos e oxigênio, é só isso. Só isso que vai estar liberado, agora, depois de sexta-feira, aí não vai estar nada liberado, vai parar tudo”, disse Lopes a jornalistas. Os representantes dos motoristas terão uma nova reunião com o governo na tarde de quinta-feira e outra na sexta-feira. Segundo Lopes, se “houver uma boa notícia, aí vamos suspender o movimento”.

Redação Reuters

Greve dos caminhoneiros dificulta logística do mercado do boi gordo

Com as dificuldades de logística, em geral, não há referência no mercado do boi gordo e as escalas pararam de avançar

A última alta do preço do óleo diesel, cuja cotação já estava elevada, serviu para deflagrar uma onda de protestos que resultou na paralisação dos caminhoneiros. O ato tem por objetivo pressionar o governo para diminuir impostos sobre o diesel, e interrompeu o trânsito em entroncamentos rodoviários importantes, afetando transporte de bovinos para abate. Uma parte considerável das boiadas está enfrentando dificuldades para chegar ao frigorífico, e sem condições de adquirir matéria prima, alguns deles suspenderam todos os processos industriais e outros estão abatendo somente o gado que está no curral ou próximo da indústria. Além dos impactos no processo de industrialização, a greve também afetou o escoamento da carne, e alguns frigoríficos estão com os estoques cheios. O reflexo sobre o preço da carne para o consumidor dependerá do estoque no varejo. Mas se a greve perdurar, o abastecimento de carne pode ser afetado.

SCOT CONSULTORIA

Caminhoneiros aceitam liberar alimentos, carga viva e medicamentos

O movimento de caminhoneiros que mantém paralisações em 22 Estados e no Distrito Federal entrou num acordo provisório com o governo ontem para liberar alimentos perecíveis, cargas vivas e remédios até a próxima sexta-feira

As greves, no entanto, estão mantidas. A principal reivindicação é zerar as alíquotas dos tributos PIS, Cofins e Pasep sobre diesel e também gasolina. Caso o governo não edite um decreto reduzindo essa carga tributária, a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) promete seguir com as greves. De acordo com a entidade, 700 mil de um universo de 1 milhão de caminhões filiados à entidade estão paralisados no país. “O governo nos pediu para suspendermos as greves por uma semana, mas só vamos dar uma trégua para esses produtos por dois dias”, disse o Presidente da Abcam, José da Fonseca Lopes. “A reunião foi um pouco tumultuada, mas tenho quase certeza que o governo vai ceder. Se não zerar a carga tributária, não vamos suspender com as greves.” Lopes também lembrou que o movimento vem pedindo a alíquota zero para a Cide Combustíveis, porém a equipe econômica explicou que a alteração no tributo não é imediata, já que depende de aprovação no Congresso e logo depois só valeria após o prazo de 90 dias, conforme a legislação. Conforme dados da Abcam, 27% do preço final do diesel na bomba dos postos de combustíveis são impostos, entre Cide, PIS/Cofins e ICMS, e representam entre R$ 0,60 a R$ 0,80 por litro. Uma nova reunião já foi marcada para amanhã, às 14h, com os mesmos ministros na esperança de que o governo anuncie finalmente a alíquota zero para esses tributos incidentes sobre os combustíveis, afirmou Lopes.

VALOR ECONÔMICO

Petrobras anuncia que vai cortar em 10% o preço do diesel durante 15 dias

Petrobras confirma perdas de R$ 350 milhões em receita

A Petrobras reduzirá em 10 por cento o valor do diesel nas refinarias a partir de quinta-feira, em uma decisão “excepcional” devido aos protestos dos caminhoneiros, que deve resultar em perda de 350 milhões de reais em receita para a companhia. Em meio às manifestações, que afetam as exportações e o abastecimento interno do país, a empresa anunciou ainda que a nova cotação média do diesel, de 2,1016 reais por litro (sem tributos), será mantida por 15 dias. O valor representa uma redução de 0,2335 real por litro. A medida, disse o Presidente-Executivo da Petrobras, Pedro Parente, visa permitir um diálogo entre governo e representantes dos caminhoneiros diante dos recentes protestos, mas não foi muito bem recebida pelo mercado. As ADRs da Petrobras, negociadas em Nova York, caíram mais de 6 por cento no pós-mercado. “Foi uma medida em caráter excepcional e não representa uma mudança na política de preços da Petrobras, e acreditamos que seja possível ao governo e caminhoneiros encontrar essa solução definitiva para o diesel no Brasil”, disse Parente a jornalistas, após o anúncio. Após o período de 15 dias, a companhia promete retomar gradualmente sua política de preços, iniciada em julho do ano passado e que prevê reajustes quase que diários, em linha com mercado internacional e o câmbio. Parente salientou que a redução nas bombas dos postos pode chegar a 25 centavos por litro, considerando questões tributárias e dependendo do repasse pela cadeia distribuidora e revendedora. Parente ressaltou que a decisão sobre o diesel “não abre espaço para redução da gasolina”. Desde julho, quando a petroleira iniciou sua política de reajustes diários, a gasolina acumula alta de 46,7 por cento nas refinarias, ao passo que o diesel, 33,4 por cento, já considerando a redução de quinta-feira. O Presidente da Petrobras explicou que a queda de receita com a redução do preço do diesel será de 350 milhões de reais, com um impacto no caixa da empresa de 100 milhões de reais. Mais cedo, a empresa havia dito que reduziria a partir de quinta-feira o valor do diesel nas refinarias em 1,15 por cento, após uma queda no dólar na véspera.

REUTERS

ECONOMIA

Dólar cai novamente e se reaproxima de R$3,60 com Turquia e após ata

O dólar engatou na quarta-feira sua terceira queda consecutiva e chegou mais perto dos 3,60 reais, ajudado pela melhora do ambiente para moedas emergentes no exterior após a Turquia ter elevados os juros e depois de o Federal Reserve, banco central norte-americano, não ter mudado as perspectivas sobre o futuro da sua política monetária

O dólar recuou 0,54 por cento, a 3,6251 reais na venda, acumulando, em três sessões, queda de 3,06 por cento. Na máxima do dia, a moeda norte-americana chegou a 3,6798 reais e, na mínima, a 3,6163 reais. O dólar futuro caía cerca de 0,60 por cento. “O Fed não trouxe novidades em sua ata, apenas fortaleceu a decisão do último dia 2, sem surpresas”, comentou o operador da corretora H.Commcor, Cleber Alessie Machado. Segundo a ata do Fed divulgado nesta tarde, a maioria dos membros do banco central avaliou que outro aumento dos juros seria justificado “em breve” se a perspectiva econômica continuar intacta. Os juros futuros norte-americanos precificam apostas amplamente majoritárias de nova alta em junho, a segunda de 2018, se confirmada. A questão é se depois desse próximo movimento o Fed terá que subir mais que o esperado a taxa básica do país. De modo geral, os mercados vinham tomando posições defensivas diante das perspectivas de que o Fed possa elevar os juros mais do que o esperado neste ano, movimento que teria potencial para afetar o fluxo global de capitais. Após a divulgação da ata, o dólar reduziu levemente os ganhos ante a cesta de moedas. Sobre divisas de países emergentes, o dólar já havia perdido força já no começo da tarde, após a Turquia elevar os juros e defender sua moeda. Depois de subir quase 5 por cento ante a lira turca mais cedo, o dólar recuava cerca de 2,5 por cento nesta tarde. Também caía ante o peso mexicano e o rand sul-africano. O banco central da Turquia elevou as taxas de juros em 3 pontos percentuais nesta quarta-feira, a 16,5 por cento, medida decisiva para sustentar a lira e reconquistar a confiança dos investidores abalada pelas intervenções do Presidente Tayyip Erdogan. Internamente, a ação mais intensa do Banco Central brasileiro, por meio de ofertas de swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda de dólares no mercado futuro, também ajudava no movimento de queda do dólar.

Redação Reuters

IPCA-15 tem menor alta para maio em 18 anos, com queda de alimentos e transportes

A prévia da inflação oficial brasileira subiu bem menos do que o esperado e registrou o menor nível em 18 anos para maio diante da queda dos preços de alimentos, transportes e artigos de residência, indo mais abaixo do piso da meta apesar da forte valorização recente do dólar ante o real.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) desacelerou a alta a 0,14 por cento em maio depois de subir 0,21 por cento no mês anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quarta-feira. Foi a menor taxa para o mês desde a variação positiva de 0,09 por cento vista no ano 2000 e muito aquém das expectativas de analistas em pesquisa da Reuters, de avanço de 0,25 por cento. Com isso, em 12 meses, a alta do IPCA-15 foi a 2,70 por cento, sobre 2,80 por cento antes, ainda abaixo do piso da meta de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Em pesquisa Reuters, a expectativa era de avanço acumulado de 2,81 por cento. Dos nove grupos pesquisados, três apresentaram deflação neste mês, com destaque para os preços de Alimentação e Bebidas (-0,05 por cento), depois de alta de 0,15 por cento antes, pressionados principalmente pela queda de 0,28 por cento em alimentação fora do domicílio. Os preços de Artigos de residência caíram 0,11 por cento depois de subirem 0,13 por cento em abril, influenciados pela deflação de 1,47 por cento de TV, som e informática. Já Transportes apresentaram a maior queda, de 0,35 por cento em maio após alta de 0,12 por cento em abril. Nesse grupo, as quedas nos preços de etanol (-5,17 por cento) e passagem aérea (-14,94 por cento) acabaram compensando o aumento na gasolina (+0,81 por cento). Na outra ponta, a maior alta de preços ficou em Saúde e Cuidados Pessoais, cujos com avanço de 0,76 por cento em maio. A inflação tem permanecido constantemente abaixo do objetivo do BC diante do desempenho fraco da economia neste ano e elevado desemprego no país, o que acaba afetando a confiança e o consumo.

Redação Reuters

Câmara aprova reoneração e inclui isenção de PIS/Cofins

A Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira o projeto que trata da reoneração da folha de pagamentos de diversos setores e, de olho na recente crise que provocou protestos de caminhoneiros em todo o país, também reduz a zero a incidência de PIS/Cofins sobre o óleo diesel até dezembro de 2018

A redução da contribuição, inserida na quarta no texto do projeto, não conta com a concordância do governo do Presidente Michel Temer, que chegou a mobilizar seu articulador político, o Ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, para comparecer pessoalmente no plenário da Casa para tentar evitar a votação. A matéria será agora analisada pelo Senado e Marun disse que buscará junto aos senadores que sejam feitas “correções” no texto. Na véspera, Executivo e Congresso haviam fechado acordo segundo o qual o governo reduziria a Cide sobre o diesel a zero, enquanto a Câmara ficaria responsável pela aprovação do projeto da reoneração. A ideia de também zerar o PIS/Cofins surgiu nesta quarta, reforçada após reunião do Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), com representantes de caminhoneiros. O governo, no entanto, alega que a isenção do PIS/Cofins sobre o diesel só pode ser feita diante da indicação de receitas que compensem a perda de arrecadação com o fim da cobrança do tributo. Marun estima o impacto da isenção em entre 10 bilhões de reais e 15 bilhões de reais neste ano. A crise dos combustíveis e os protestos dos caminhoneiros também elevaram a expectativa pela votação, na próxima semana, de um projeto que regulamenta o transporte de cargas. Os protestos dos caminhoneiros, que devem entrar no quarto dia na quinta-feira com novas paralisações em rodovias de todo o país, já geram impactos no abastecimento, de acordo com várias entidades setoriais.

Redação Reuters

EMPRESAS

Marfrig escolhe 5 interessadas na Keystone e espera proposta vinculante em junho

A Marfrig Global Foods anunciou na quarta-feira que o processo de venda da Keystone Foods avançou para a segunda fase, que prevê uma proposta vinculante de compra da unidade fornecedora de alimentos processados para redes de restaurantes no mês de junho

A Marfrig selecionou cinco empresas para participar desta segunda fase, mas não revelou o nome das interessadas na Keystone, que tem operações concentradas nos Estados Unidos e na Ásia. Além da proposta vinculante de compra em junho, a segunda fase contempla ainda acesso ao dataroom, reuniões com a liderança da Keystone e visita a plantas nos EUA e na região da Ásia, informou a Marfrig. As ações da Marfrig disparavam na abertura do mercado, subindo 8,7 por cento às 11h10, enquanto o Ibovespa mostrava desvalorização de 0,93 por cento. Na máxima, o papel chegou a subir mais de 12 por cento. Entre as empresas interessadas na Keystone estão as norte-americanas Tyson Foods e Cargill e a chinesa Fosun International, disse à Reuters neste mês uma fonte com conhecimento direto do assunto.

Analistas veem a operação com potencial de adicionar valor à Marfrig. Em teleconferência com analistas recentemente, o Presidente-Executivo da companhia, Martin Secco, disse que esperava finalizar as negociações para a venda da unidade no curto prazo. A venda da Keystone também é considerada pela companhia como importante para alcançar meta de endividamento medido pela relação dívida líquida sobre Ebitda de 2,5 vezes no fim do ano. No final do primeiro trimestre, a alavancagem era de 3,67 vezes.

Redação Reuters

Marfrig reduz atividade em algumas fábricas por greve de caminhoneiros

A companhia de alimentos e carne bovina Marfrig afirmou nesta quarta-feira que algumas unidades da empresa devem reduzir ou suspender temporariamente a produção por causa dos efeitos da greve dos caminhoneiros.

A empresa não deu detalhes sobre as unidades afetadas pela mobilização dos motoristas, iniciada na segunda-feira e que deve ser mantida na quinta-feira após falta de acordo mais cedo entre representantes da categoria e do governo federal.

Redação Reuters

SUINOS&AVES

Setor de suínos e aves já tem 78 unidades paradas por greve de caminhoneiros, diz ABPA

O total de unidades produtoras de carnes suína e de aves paradas em decorrência dos protestos dos caminhoneiros subiu para 78 nesta quarta-feira e pode ir a 112 na quinta com a continuidade da greve, informou a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que já calcula perdas de 70 milhões de dólares com exportações não realizadas

“Está ficando bastante complicado com relação à greve, pois já há uma série de plantas fechadas. Já temos 78 plantas fechadas, o que equivale a mais de 85 mil trabalhadores”, afirmou à Reuters o Diretor de Mercados da ABPA, Ricardo Santin, acrescentando que essa quantidade de unidades equivale a cerca de 60 por cento da capacidade nacional de abate.

“E os outros que estão funcionando estão com capacidade reduzida.” Na véspera, a ABPA contabilizava oito plantas com atividades suspensas. Nesta quinta-feira, algumas cooperativas do Paraná e a gigante de alimentos BRF comunicaram a interrupção dos trabalhos em algumas plantas, seguindo o anúncio feito na terça pela Aurora. Caminhoneiros estão desde segunda-feira realizando protestos em diversas vias e portos do país contra a alta do diesel. As manifestações prejudicam o transporte de animais e insumos até os frigoríficos, bem como os embarques de carnes para exportação. Segundo Santin, 50 mil toneladas deixaram de ser exportadas nos últimos três dias por causa dos protestos, acarretando em perda de 70 milhões de dólares. Conforme o diretor da ABPA, a normalização das operações pode demorar até 40 dias, dependendo da unidade. “Fala-se que após um atraso desses, de três dias, para normalizar a planta e girar como era antes da greve, pode levar 40 dias… O problema maior que tem por ora é ter desabastecimento nos pequenos mercados”, afirmou Santin.

Sem acordo com o governo nesta quarta-feira, os caminhoneiros decidiram continuar os protestos na quinta-feira.

Redação Reuters

LOGÍSTICA

Transporte de produtos do agronegócio sofreu mais com alta do diesel

Os reajustes do diesel de janeiro de 2017 para cá, que levaram caminhoneiros a entrar em greve esta semana no país, têm impacto significativo para o agronegócio porque as rotas operadas por transportadores de grãos e cana são mais longas e marcadas por estradas em más condições

Levantamento do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial (EsalqLog) mostra que, entre Sorriso, em Mato Grosso, e o terminal hidroviário de Itaituba, no Pará, o custo dos transportadores subiram 6% no período apenas por causa da escalada do combustível. Se o caminhoneiro é autônomo, o que para as cargas do agronegócio é uma realidade em 70% dos casos, foi ele mesmo que absorveu esse aumento e, na maioria dos casos, não conseguiu repassá-lo a produtores ou consumidores. Como observada Thiago Péra, pesquisador e coordenador do EsalqLog, os autônomos não têm contratos formais com os embarcadores, que não aceitaram os repasses. “Ou o motorista leva o produto pelo preço acordado, ou outro é contratado”, diz. De acordo com a análise de Péra, o custo do combustível para o transportador de longa distância chega a quase a 40% do total. “Rotas rodoviárias mais deficientes são mais sensíveis às variações de preços do óleo diesel do que rotas de melhor qualidade”, afirma. Em exemplo é a BR-163, que liga o norte de Mato Grosso a Itaituba. Com alguns trechos em péssimas condições, a rodovia faz o motorista gastar mais com combustíveis do que nas estradas que levam ao porto de Santos, no litoral paulista. Péra aponta que os preços de óleo diesel nos postos acumularam altas de 13%, 16,1% e 14,9% nos Estados de Mato Grosso, São Paulo e Paraná, respectivamente, entre janeiro do ano passado e maio último. Se de Sorriso a Itaituba o impacto da valorização sobre os custos de transporte foi de 6%, na rota multimodal de exportação de Sorriso ao terminal ferroviário de Rondonópolis (MT) foi de 5,3% e entre Toledo (PR) e porto de Paranaguá (PR) foi de 5,1%. Esses aumentos significaram altas de R$ 9,05 por tonelada de grãos transportada entre Sorriso e Santos, de R$ 6,74 entre Sorriso e Itaituba, de R$ 2,92 entre Sorriso e Rondonópolis e de R$ 2,79 entre Toledo e Paranaguá. No caso da cana, na rota de Ribeirão Preto ao porto de Santos o aumento foi de R$ 0,60 por tonelada. A EsalqLog estima que o transporte de produtos do agronegócio movimentou, no total, R$ 105 bilhões em 2017. Esse valor é calculado com base no preço dos fretes, e o combustível é um fator menos importante que os fundamentos de oferta e demanda. “No auge da safra, o valor do frete sobe, independentemente do que ocorre com os custos do caminhoneiro. Da mesma forma, a queda é garantida na entressafra. Então, não é possível dimensionar os aumentos do diesel no montante transacionado pelo setor”, conclui Péra.

VALOR ECONÔMICO

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