
Ano 4 | nº 728 | 11 de abril de 2018
NOTÍCIAS
Reabertura de frigoríficos reduz margens
A rápida expansão da capacidade de abate de bovinos do parque frigorífico nacional, viabilizada pela reabertura de abatedouros que estavam fechados há muitos anos, está cobrando uma fatura indigesta das indústrias
Por causa da maior concorrência por boi gordo – o que agrada aos pecuaristas, mas incomoda a indústria -, a rentabilidade dos frigoríficos deteriorou-se especialmente no primeiro trimestre de 2018, de acordo com dois executivos de companhias de médio porte consultados pelo Valor. Além disso, os preços baixos da carne de frango e da carne suína pressionam as cotações da carne bovina no mercado brasileiro, o que dificulta eventuais repasses de preços dos frigoríficos para recompor as margens, afirmou o analista da consultoria MB Agro, César Castro Alves. “O curto prazo é tenso”, sintetizou. A rentabilidade dos frigoríficos piorou tanto nas vendas no mercado interno quanto no externo, que apresenta boa demanda, mas preços em queda. Na exportação, a diferença entre o preço da carne bovina embarcada e o do boi gordo ficou em 4% na média dos primeiros três meses do ano, de acordo com levantamento da MB Agro. A média histórica do indicador calculado desde 1997 é de 21%. No ano passado, o indicador ficou em 11%. No mercado doméstico, a situação também não é confortável. O preço da carcaça bovina representou 97% do preço do boi gordo no primeiro trimestre, também segundo a MB Agro. Normalmente, esse indicador de margem bruta é mesmo negativo porque os frigoríficos só entram no azul apenas depois de venderem os subprodutos como o couro e cortes de carne de maior valor agregado. Nesse sentido, a diferença negativa entre o preço da carne bovino e do boi não é uma novidade na indústria de carne. O grande problema para as empresas é que o atual quadro é bastante diferente daquele que justificou o movimento de reabertura de frigoríficos. No ano passado, em meio ao encolhimento dos abates da JBS, a carcaça valia 101% do preço do boi. “A animação com a expansão dos frigoríficos era fantasiosa”, avaliou um alto executivo de um dos maiores exportadores de carne bovina do país. A avaliação é que, mesmo que a oferta de boi tenha aumentado em razão do ciclo pecuário, a expansão de capacidade ficou além da conta. Na Marfrig Global Foods, por exemplo, a reabertura de frigoríficos ampliou a capacidade de abates em 70%. Grupos menores como o frigorífico Frigol, do interior paulista, também expandiram os abates em mais de 50%. A avaliação de um empresário do Centro-Oeste é que os frigoríficos concorrentes não esperavam uma reação da JBS, que restringiu expressivamente os abates no ano passado após a delação dos irmãos Batista. O problema, segundo esse empresário, é que a JBS não “morreu” e reagiu fortemente, voltando aos níveis de abates anteriores à Operação Carne Fraca – a investigação foi deflagrada em março de 2017. De fato, a disposição da JBS em recuperar sua participação histórica no mercado brasileiro de carne bovina é grande. Em fevereiro, uma fonte próxima à companhia deu de ombros para a possibilidade de a retomada do abate comprometer a rentabilidade do negócio da JBS em carne bovina. “As abóboras vão ter que se mexer”, afirmou a fonte, em alusão à concorrência. A sinalização dessa fonte era que, por não haver espaço para todos aumentarem a capacidade, os rivais é que deveriam se ajustar e reduzir o atual nível de abates de bovinos. Recentemente, a JBS e a Marfrig admitiram que a margem do negócio de carne bovina no Brasil está pressionada. “É de se esperar contração de margem na operação de bovinos no 1º trimestre”, afirmou em 28 de março, em teleconferência com analistas, o CEO da Marfrig, Martín Secco. Apesar disso, o executivo disse acreditar na recuperação das margens ao longo do ano. Segundo Secco, o primeiro trimestre é sazonalmente mais fraco. Na JBS, porém, a percepção é que o cenário de margens pressionadas vai além do primeiro trimestre. “Ainda observamos um mercado com excesso de capacidade, o que vai ser desafio para recuperar as margens ao longo desse ano”, afirmou no mês passado, em teleconferência com analistas, o Presidente do Conselho de Administração da JBS, Jerry O’Callaghan.
VALOR ECONÔMICO
Desempenho externo das carnes na primeira semana de abril
Carnes iniciaram o quarto mês do ano obtendo uma receita cambial da ordem da US$60,792 milhões/dia. A carne bovina tende a um aumento anual de 55%
As carnes iniciaram o quarto mês do ano obtendo uma receita cambial da ordem da US$60,792 milhões/dia, valor que ainda se encontra 2% aquém dos US$62,060 milhões/dia de março passado, mas que supera em 4,3% os US$58,300 milhões/dia de abril de 2017. Lembrando que há um ano os embarques de carnes foram seriamente afetados pela deflagração (em meados de março) da Operação Carne Fraca, fica claro que os resultados de um ano atrás serão facilmente superados em abril corrente. Neste caso, não apenas porque houve incremento da receita média diária (um dos indicadores do desempenho do setor), mas também porque o mês tem três dias úteis a mais que abril de 2017. Sob essa perspectiva, os resultados da primeira semana de abril sinalizam para a totalidade do mês exportação da ordem de 49,5 mil toneladas para a carne suína, de 108,5 mil toneladas para a carne bovina e de 366,5 mil toneladas para a carne de frango. Se confirmados, tais embarques significarão aumentos (sobre, respectivamente, março de 2018 e abril de 2017) de 2,4% e 11% para a carne suína e de perto de 5% e de quase 25% para a carne de frango. Já a carne bovina tende a um aumento anual de 55%, mas pode alcançar volume mais de 10% inferior ao de março passado, mês em que seus embarques superaram as 121 mil toneladas, um dos melhores resultados da história do setor.
AGROLINK
Boi gordo: oferta e demanda controladas
De um lado, a boa condição das pastagens permite que os pecuaristas segurem os animais na fazenda e aguardem melhores negócios
De outro, os frigoríficos não têm interesse em alongar as escalas e compram de forma comedida. Além disso, com o intuito de controlar os estoques, abatem volume menor de animais. O resultado são preços travados e pouca movimentação no mercado do boi gordo. Em São Paulo, a cotação do boi gordo ficou em R$143,00/@, à vista, livre de Funrural (10/4). Queda de 0,3%, frente ao fechamento de segunda-feira (9/4). Tentativas de compra abaixo da referência são comuns no estado e na maioria das praças pecuárias pesquisadas.
SCOT CONSULTORIA
Abate de vacas em MT atinge maior volume desde maio/2014
Imea atribui o aumento ao atual ciclo pecuário, de maior descarte de fêmeas, intensificado pelo fim da estação de monta
O informativo semanal da pecuária de corte elaborado pelos analistas do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostra que o abate de bovinos cresceu 9,43% em Mato Grosso no ano passado, para 413,28 mil cabeças. Eles destacam que o crescimento se deve principalmente ao aumento de 12,05% no abate de fêmeas, para 221,69 mil cabeças, o maior montante abatido no Estado desde maio de 2014. Já o abate de machos subiu 6,56% para 191,59 mil cabeças. Os analistas comentam que a maior quantidade de fêmeas encaminhadas para linha de abate é puxada pela atual fase do ciclo pecuário (descarte de fêmeas) e pode estar intensificada pelo fim da estação de monta. Eles explicam que a estação de monta é uma das formas de manejo reprodutivo mais difundidas em Mato Grosso, e quem faz uso dessa ferramenta normalmente a utiliza entre os meses de novembro e março. “Com o findar da estação de monta, aquelas fêmeas que não ficaram prenhas começam a ser encaminhadas para os frigoríficos.” Os levantamentos do Imea mostram que os preços do boi gordo recuaram na segunda semana consecutiva em Mato Grosso, para R$ 132,45/arroba. “Em direção oposta, a vaca gorda registrou alta de 0,13%, cotada a R$ 124,05/arroba.” Segundo o Imea, depois de três semanas seguidas de valorização, o bezerro de ano sofreu desvalorização nesta semana. O animal fechou a semana cotado a R$ 1.237,08/cabeça, influenciado pela redução nas negociações no mercado de reposição. O Imea constatou aumento de 0,32 dia na escala de abate dos frigoríficos, para 5,67 dias. “O incremento na quantidade de dias pode estar associado a um reajuste na capacidade produtiva de algumas plantas frigoríficas.” Ao analisar o mercado futuro de boi gordo, os técnicos do Imea observam que contrato na B3 com vencimento para outubro/2018 saiu de um patamar de R$ 152,00/arroba em janeiro deste ano para os atuais R$ 149,70/arroba, registrando queda de 1,68%.
IMEA
Relação de troca menos favorável para o recriador no Pará
Desde janeiro, os preços do bezerro desmamado (6@) aumentou 6,7% e do bezerro de ano subiram 7,8% no Pará
A melhora pontual da procura por esta categoria, associada à oferta ainda limitada, possibilita esse cenário. No início do ano, com o preço de venda de um boi gordo de 16@ compravam-se 2,26 bezerros de desmana ou 2,02 bezerros de ano. Atualmente, nas mesmas condições, compram-se 2,07 ou 1,84, respectivamente. Ou seja, a atividade do recriador não está muito favorável, já que seu poder de compra caiu 8,4% na média da troca destas duas categorias. Vale ressaltar que este cenário pode não ser sustentado por muito tempo e o jogo pode virar. Com o período de desmana cada vez mais próximo, a oferta de bezerros tende a aumentar, com isso, desvalorizações não estão descartadas.
SCOT CONSULTORIA
EMPRESAS
Em dois dias, Marfrig teve alta de 40% na bolsa
A aquisição da National Beef pela Marfrig Global Foods e o anúncio de que a empresa brasileira pretende vender integralmente sua subsidiária Keystone neste semestre transformaram a relação da empresa com os investidores em uma lua de mel
Nos últimos dois dias, as ações da Marfrig subiram 39,8% na B3. Com o movimento, o valor de mercado da empresa de carne bovina já aumentou R$ 1,5 bilhão, para R$ 5,41 bilhões. Ontem, os papéis da companhia lideraram pelo segundo dia seguido as altas do Ibovespa. As ações fecharam a sessão de terça-feira cotadas a R$ 8,70, alta de 17,7%. No dia anterior, as ações já haviam subido 18,8%. Em todo o ano, a alta também é de 18,8%. Na segunda-feira, a Marfrig surpreendeu o mercado ao fechar a compra de 51% da National Beef, quarta maior produtora de carne bovina dos EUA, por US$ 1 bilhão. Com a transação, a Marfrig se tornará a segunda maior empresa de carne bovina do mundo atrás apenas da também brasileira JBS. Paralelamente à aquisição, a Marfrig também anunciou que venderá integralmente a americana Keystone, subsidiária especializada no fornecimento em produtos de carnes para redes de restaurantes, como McDonald’s e Subway. Os investidores estão animados com a expectativa de geração de caixa da Marfrig, que há anos estava no vermelho devido ao elevado endividamento. Considerando só a inclusão do resultado do frigorífico americano, o índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) da Marfrig cairá de 4,55 vezes para 3,35 vezes, segundo a empresa. Com a venda da Keystone, que pode ser avaliada em mais de R$ 8 bilhões, a alavancagem cairia mais, calculou o BTG Pactual. De acordo com o banco, o índice ficaria em 1,8 vez, o menor entre as empresas de carnes do país.
VALOR ECONÔMICO
Fitch diz que aquisição da National Beef é positiva
A agência de classificação de risco Fitch Ratings classificou a aquisição de 51% da National Beef Packing Company pela Marfrig como “levemente positiva” para o perfil de crédito da processadora de carnes brasileira, já que amplia a diversificação geográfica de produção e vendas da Marfrig, segundo comunicado divulgado na terça-feira (10)
A Marfrig anunciou na segunda-feira (09) que fechou acordo para adquirir o controle da quarta maior processadora de carne bovina norte-americana por US$ 969 milhões, numa operação financiada pelo Rabobank. A Marfrig anunciou também que pretende vender 100% da Keystone e utilizar os recursos desta operação para reduzir a alavancagem da companhia. A Fitch avalia que o impacto financeiro da aquisição da National Beef é “bem pequeno” em termos de alavancagem. A Marfrig fechou 2017 com uma alavancagem medida por dívida líquida/EBITDA de 4,9 vezes. A Fitch espera que a alavancagem pró-forma da empresa após a aquisição fique entre 3,8 a 4 vezes, a depender dos futuros dividendos a serem pagos aos minoritários. A processadora de carnes brasileira poderia ter uma elevação em sua classificação de risco de crédito pela Fitch caso reduza a alavancagem para abaixo de 3 vezes. A processadora de carnes já informou que pretende reduzir a alavancagem para 2,5 vezes ao final de 2018. A Fitch considera que os riscos da aquisição da National Beef são “administráveis”, considerando que os atuais executivos na liderança da empresa norte-americana permanecerão na companhia por cinco anos após a conclusão da transação. A venda da subsidiária de food service Keystone elevaria os riscos para Marfrig. “Apesar de ajudar a companhia a alcançar metas de alavancagem, essa venda elevaria o risco do negócio da empresa, já que a Keystone proporciona um fluxo de caixa relativamente estável”, avalia a Fitch. A maior parte da receita da Keystone é gerada pelas vendas de produtos de carne de frango processada nos Estados Unidos para a rede de restaurantes McDonalds. Executivos da Marfrig informaram em teleconferência com analistas na terça-feira (10) que pretendem concluir a compra do controle da National Beef e a venda da Keystone ainda no primeiro semestre deste ano.
CARNETEC
INTERNACIONAL
Rebanho argentino declina em até 1 milhão de bovinos devido à seca
O rebanho argentino encolherá em até 1 milhão de cabeças de gado no ano que vem, enquanto os produtores que enfrentam pastagens queimadas após a pior seca em décadas decidem abatem as fêmeas em vez de fazer com que seus rebanhos cresçam, disseram analistas
Uma onda de clima quente e seco desde novembro cortou 40% da produção total de grãos do terceiro maior exportador de milho e soja do mundo e derrubará cerca de 0,7% do produto interno bruto argentino este ano. O abate de mais fêmeas do que o esperado terá repercussões de longo prazo no rebanho do país que ama carne, numa época em que esperava aumentar as vendas para o exterior depois de sair do ranking das 10 maiores nações exportadoras de carne bovina sob o governo anterior. Ignacio Iriarte, analista do mercado de grãos, disse que o rebanho de 53,5 milhões de cabeças da Argentina diminuiria entre 500 mil e 1 milhão de cabeças. “O inverno está chegando sem ter plantado a pastagem normalmente cultivada entre fevereiro e março, que são as que fornecem alimento no meio do inverno”, disse ele. “Os próximos cinco ou seis meses serão críticos”. De acordo com a Câmara da Indústria de Carne Bovina Argentina (Ciccra), 44,5% dos animais abatidas em março eram fêmeas, uma taxa que foi 3 pontos percentuais maior do que no ano anterior. “Isso ameaça a oferta futura”, disse Miguel Schiaritti, Presidente da Ciccra. Ele disse que o rebanho vinha crescendo acentuadamente nos últimos dois anos, provavelmente se manterá estável em 2018 e diminuirá em 2019. O Departamento de Agricultura dos EUA disse em seu último relatório que o rebanho da Argentina diminuiria este ano devido ao clima e a um abate maior que o normal. As pastagens foram esgotadas em uma das principais áreas produtoras de gado na Argentina, em Chacabuco, no norte da província de Buenos Aires, de acordo com Guillermo Voisin, presidente da sociedade rural da região. “O que está por vir é muito desafiador, mas antes que as vacas fiquem muito magras é melhor vendê-las”, disse Voisin.
Reuters
Austrália tem novo programa designado a aumentar padrões de bem-estar animal nas fazendas
Um novo programa projetado para melhorar os padrões de bem-estar animal em fazendas australianas foi lançado no início do mês de abril na conferência Australian Cattle Veterinarians em Fremantle, Western Australia
David Beggs, porta-voz do grupo pecuário da Associação Veterinária Australiana, desenvolveu o novo programa de bem-estar, conhecido como WELFARECHECK®. Ele disse que é uma ferramenta para os veterinários usarem com seus clientes produtores para produzir um plano de bem-estar animal, garantindo que quaisquer riscos importantes para o bem-estar animal sejam reconhecidos e gerenciados. “O programa de Garantia de Produção Animal (LPA) é o programa de garantia nas fazendas da indústria pecuária australiana que abrange segurança alimentar, bem-estar animal e biossegurança. Ele fornece evidências da história do gado e das práticas agrícolas quando se transfere os animais.” “Um requisito fundamental do programa LPA é o bem-estar animal. Nosso recém-lançado programa WELFARECHECK® garante que as fazendas satisfaçam os requisitos de bem-estar animal do LPA. Ele funciona permitindo que detalhes sejam inseridos e registrados em relação a como os riscos de bem-estar animal estão sendo gerenciados ou podem ser melhor gerenciados em cada fazenda”, disse Beggs. “Agora que temos a estrutura em vigor, o conteúdo será continuamente atualizado para refletir as últimas novidades em ciência do bem-estar animal e garantir que os planos sejam os melhores possíveis.” O objetivo é que o plano WELFARECHECK® permita aos produtores demonstrar que eles consideraram adequadamente os riscos de bem-estar animal para suas fazendas individuais e que isso será reconhecido como um padrão mais alto de gerenciamento de bem-estar por processadores, indústria e público em geral. A Presidente da AVA, Paula Parker, disse que o novo programa WELFARECHECK® reflete o compromisso dos veterinários com a melhoria contínua dos padrões de bem-estar animal na Austrália. “Os veterinários se preocupam principalmente com o bem-estar dos animais. Programas como este são fundamentais para apoiar altos padrões de bem-estar nas fazendas australianas. Como veterinários, estamos sempre buscando e facilitando melhorias incrementais e sustentáveis aos padrões de bem-estar”, disse ela.
BeefPoint
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