
Ano 4 | nº 727 | 10 de abril de 2018
NOTÍCIAS
Preços da carne bovina caíram no varejo
Assim como para o atacado, no varejo o mercado de carne bovina continua enfraquecido. Na última semana, os preços variaram entre estabilidade a queda
Em São Paulo e em Minas Gerais, os preços caíram 0,2% no período e no Rio de Janeiro houve queda de 0,3%. No Paraná, os preços ficaram praticamente estáveis, com variação positiva de 0,1%. Nem mesmo com o a entrada do mês e o maior poder de controle de estoques dos varejistas, colaboraram para alta nos preços.
Scot Consultoria
Mercado do boi gordo com baixa movimentação
Mesmo com o início do mês, época em que sazonalmente há uma melhora no consumo, a demanda por carne bovina não tem acompanhado o ritmo da oferta e, mesmo com a disponibilidade de animais terminados não sendo abundante, esta tem sido suficiente para atender o mercado e até mesmo permitir às indústrias ofertar preços menores
Este cenário, de oferta maior que a demanda, faz com que as empresas tenham cautela na hora de alongar as escalas de abate. Entretanto, apesar da dificuldade das indústrias em girar o estoque, as pastagens estão em boas condições e possibilitam aos pecuaristas reterem os animais no pasto, aguardando preços melhores. Com isso, o mercado do boi gordo esteve travado e com poucas alterações na última segunda-feira (9/4). Das trinta e duas praças pesquisadas pela Scot Consultoria, houve desvalorização em duas, considerando o preço a prazo, nas demais as cotações ficaram estáveis. No mercado atacadista de carne bovina com osso, o boi casado de animais castrados ficou cotado, em média, em R$9,47/kg, estabilidade frente ao fechamento da última semana.
Scot Consultoria
Sebo bovino: ofertas de compra abaixo da referência no Brasil Central
Apesar da colheita da soja na reta final e do consequente aumento da oferta do óleo de soja, concorrente do sebo na produção de biodiesel, o mercado está estável
No Brasil Central, a gordura animal está cotada, em média, em R$2,10/kg, livre de imposto. Existem ofertas de compra abaixo da referência, mas sem força para mudar o mercado. No Rio Grande do Sul o produto está cotado, em média, em R$2,25/kg. No estado, os preços estão estáveis desde meados de janeiro. Para o curto prazo a expectativa é de que o mercado siga com os preços andando de lado.
Scot Consultoria
EMPRESAS
Marfrig torna-se a 2ª maior DO MUNDO em carne bovina
Em um lance surpreendente para uma companhia que parecia fadada a se desfazer de ativos, a Marfrig Global Foods fechou na manhã de ontem um acordo para adquirir 51% da National Beef, quarta maior produtora de carne bovina dos EUA
O negócio, de US$ 1 bilhão (o equivalente a R$ 3,3 bilhões), representa uma dupla conquista para a companhia de Marcos Molina. Com a tacada, a Marfrig se tornará a segunda maior empresa de carne bovina do mundo, ultrapassando a Tyson Foods e ficando atrás somente da JBS. Na área financeira, consegue reduzir o índice de endividamento graças ao lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de R$ 1,7 bilhão gerado pela National Beef anualmente. A operação entusiasmou os investidores. Ontem, as ações da Marfrig subiram 18,8%, maior alta do Ibovespa. Com isso, ganhou R$ 727 milhões em valor de mercado, fechando o pregão a R$ 4,6 bilhões. Mas o significado do anúncio feito pela Marfrig vai além, sinalizando uma volta às origens. A empresa decidiu concentrar a atuação no negócio de carne bovina. Paralelamente à aquisição da National Beef, venderá integralmente a americana Keystone, subsidiária especializada no fornecimento de carnes a redes de restaurantes, como o McDonald’s. Até então, a venda de uma fatia minoritária na Keystone era a opção da Marfrig para reduzir a alavancagem. Considerando só a inclusão do resultado do frigorífico americano, o índice de alavancagem da Marfrig cairá de 4,55 vezes para 3,35 vezes. Com a venda da Keystone, que pode ser avaliada em mais de R$ 8 bilhões, a alavancagem caíra mais, calculou o BTG Pactual. Segundo o banco, o índice cairia a 1,8 vez, o menor entre as empresas de carnes do Brasil. Na Marfrig, o objetivo para o fim de 2018 é ter um índice abaixo de 2,5 vezes, mas agora os executivos da companhia acreditam que o índice ficará “extremamente baixo”. A intenção da empresa, que passará a faturar quase R$ 35 bilhões por ano com as operações de carne bovina – a National Beef faturou R$ 24,3 bilhões (US$ 7,3 bilhões) em 2017 -, é concluir seu redirecionamento rapidamente. A jornalistas, o Vice-Presidente de finanças e relações com investidores da Marfrig, Eduardo Miron, disse que o objetivo é oficializar a aquisição da National Beef e concretizar a venda da Keystone neste semestre. Para vender a Keystone, a Marfrig contratou o J. P. Morgan. No mercado, a Tyson Foods é vista como uma candidata natural, uma vez que tem ampliado sua participação em valor agregado e no food service. Em tese, a americana Pilgrim’s Pride, controlada pela brasileira JBS, também pode se interessar pela Keystone. Mas no momento, o objetivo da Pilgrim’s é digerir a compra da Moy Park e contribuir para a desalavancagem da JBS. No caso da aquisição da National, há duas pendências, cuja resolução é considerada simples: o aval da autoridade antitruste dos Estados Unidos e a aprovação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que tem 33,7% da Marfrig por meio da BNDESPar e mantém um acordo de acionistas com o empresário Marcos Molina, que tem 35% das ações da empresa. Como a Marfrig não produz carne bovina nos EUA, o risco de concentração no mercado americano é baixo, o que torna a aprovação mais fácil, disse Miron. A situação é diversa da vivida pela JBS há quase dez anos, quando Departamento de Justiça dos EUA (DoJ) a impediu de adquirir a National Beef devido à concentração. No EUA, a JBS já havia comprado a Swift e ativos de carne bovina da Smithfield. A National tem 13% dos abates de gado bovino nos EUA. No caso do BNDES, a sinalização também é positiva, disse Miron. Segundo ele, o conselho de administração da Marfrig aprovou a aquisição por unanimidade. No colegiado, há dois representantes indicado pela BNDESPar, frisou ele. O fato de a aquisição ser financiada apenas com dinheiro privado facilita o aval do banco. Para pagar os R$ 969 milhões, a Marfrig tomará um empréstimo do Rabobank. O financiamento, de US$ 1 bilhão, será feito em duas linhas. A primeira, um empréstimo-ponte de cerca de US$ 900 milhões, vence em um ano, ao custo da taxa Libor mais 500 pontos-base. Os US$ 100 milhões restantes serão tomados pela Keystone e vencerão em dezembro de 2022, ao custo da Libor mais 200 pontos-base. “Um financiamento desse porte mostra a confiança do banco e nos deixa muito contentes”, comemorou Marcos Molina, em teleconferência com analistas. Para formalizar a compra, a Marfrig criou uma holding no Reino Unido, a NBM – National Beef Marfrig. É essa holding que receberá o empréstimo-ponte do banco. Quando assumir a National, a Marfrig terá como sócias a Leucadia (firma de investimentos dona do banco Jefferies) e a associação de pecuaristas US Premium Beef, fornecedora da National. Ao ceder o controle, a Leucadia reduziu sua fatia de quase 80% para 31%. A associação ficará com 15%. Um acordo impede a venda por cinco anos.
VALOR ECONÔMICO
ECONOMIA
Saldo comercial do agronegócio alcança US$ 7,79 bilhões em março
Considerando os meses de março, o recorde foi na exportação de carne bovina: US$ 591,97 milhões. Volume embarcado aumentou 6,7% no primeiro trimestre do ano, resultando em vendas de US$ 21,47 bilhões, maior valor apurado nesse período
As exportações do agronegócio somaram US$ 9,08 bilhões, em março, registrando crescimento de 4,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando as vendas foram de US$ 8,73 bilhões. As importações de produtos do setor alcançaram US$ 1,29 bilhão (-6,9% abaixo de março de 2017). Como resultado, a balança comercial do setor registrou saldo positivo da ordem de US$ 7,79 bilhões. Os produtos do agronegócio representaram 45,2% do total das vendas externas brasileiras no mês, com aumento de quase dois pontos percentuais de participação comparado a março do ano passado. Os produtos de origem vegetal foram os que mais contribuíram para o crescimento das exportações do setor, com incremento de US$ 417,08 milhões, principalmente em função de produtos florestais, cujas vendas externas foram US$ 374,49 milhões superiores. Se destacaram outros setores, como sucos (+US$ 107,51 milhões); cereais, farinhas e preparações (+US$ 93,55 milhões); fumo e seus produtos (+US$ 78,84 milhões) e fibras e produtos têxteis (+US$ 27,97 milhões). Quanto ao valor exportado destacaram-se: complexo soja (44,3%), carnes (14,8%), produtos florestais (13,9%), complexo sucroalcooleiro (7,0%) e café (4,5%). Os cinco setores representam 84,4% das exportações do setor. O complexo soja registrou montante de US$ 4,03 bilhões em exportações no mês, o que representou queda de 0,8% sobre março/2017. A redução na quantidade embarcada do grão (-1,8%), aliada a um preço médio 1% inferior, resultou na redução, em valor, de 2,8%, passando de US$ 3,53 bilhões em março de 2017 para US$ 3,44 bilhões, explica o Coordenador de Competitividade do Departamento de acesso a Mercados do Mapa, Luiz Fernando Wosch. Já as exportações de farelo de soja registraram crescimento de 16,8%, atingindo US$ 507,14 milhões, enquanto as exportações de óleo de soja diminuíram 5,8%, com US$ 84,47 milhões. As carnes ocuparam a segunda posição no ranking, alcançando US$ 1,34 bilhão, praticamente o mesmo valor registrado no mês em 2017. O principal produto do setor foi a carne bovina, cujas vendas foram de US$ 591,97 milhões, recorde histórico para março. Em relação ao mesmo mês em 2017 houve incremento de 22,1% das vendas, em função da ampliação da quantidade em 24,1%, que compensou a queda de 1,6% no preço. As exportações de frango apresentaram queda de 9,7%, com US$ 580,59 milhões. Além da retração da quantidade (-1,6%), houve queda no preço médio do produto (-8,2%). Também houve queda nas vendas de carne suína (-23,4%), decorrentes tanto da retração na quantidade embarcada (-7,8%), quanto do preço (-16,9%). As importações de produtos do agronegócio sofreram queda de US$ 96,09 milhões na comparação com março de 2017 e março de 2018. Os principais produtos adquiridos pelo Brasil foram: pescados (US$ 142,72 milhões); álcool etílico (US$ 135,19 milhões); trigo (US$ 87,73 milhões); papel (US$ 78,73 milhões) e vestuário e produtos têxteis de algodão (US$ 58,35 milhões). Além dos pescados e do trigo, outros produtos que tiveram as maiores reduções em importações foram arroz (-US$ 30,93 milhões); lácteos (-US$ 22,53 milhões) e malte (-US$ 15,24 milhões. A Ásia se manteve como principal região de destino das exportações do agronegócio, somando US$ 4,65 bilhões. A União Europeia ocupou a segunda posição no ranking de blocos econômicos e regiões geográficas de destino das vendas externas do agronegócio brasileiro no mês. Houve crescimento de 22,9% nas vendas ao mercado, decorrentes, principalmente, do aumento nas exportações de celulose (+162,6%); soja em grãos (+59,7%); sucos de laranja (+38,8%); fumo não manufaturado (+120,2%) e farelo de soja (+12,9%).
MAPA
MEIO AMBIENTE
Sustentabilidade: manejo adequado de bovinos reduz emissões de metano na atmosfera
Quanto menos fibroso e mais digestível for o alimento consumido pelo animal, menos metano emitido e o impacto no meio ambiente é menor
No período chuvoso, quando os rebanhos bovinos costumam ser alimentados com ração de boa qualidade, a emissão de metano nos pastos é cerca de nove vezes menor do que no período seco, quando as pastagens são escassas e apresentam menos nutrientes. Esse é um dos principais resultados da pesquisa realizada pelo analista da Embrapa Meio-Norte (PI) Marcílio Nilton Lopes da Frota em sua tese de doutorado. De acordo com as informações divulgadas pela Embrapa, trata-se de uma constatação importante, uma vez que contrapõe pesquisas de outros países, que apontam a pecuária brasileira como causadora de impactos negativos ao meio ambiente, devido à emissão de metano pelos rebanhos, em especial o bovino. A tese de Frota foi apresentada ao Programa de Doutorado Integrado em Zootecnia, na Universidade Federal do Ceará (UFC) e sua pesquisa foi realizada na região dos Cocais Maranhenses. De acordo com os resultados obtidos por Frota, a emissão de metano varia de acordo com a alimentação do animal. Quanto menos fibroso e mais digestível for o alimento consumido, menos metano será produzido. Nessa situação, o animal ganha mais peso, leva menos tempo para ser abatido e, consequentemente, diminui o impacto no meio ambiente. Além da alimentação, a emissão de gás metano no ambiente depende também do sistema de produção. “As propriedades que utilizam o Sistema Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), por exemplo, em vez de emitir gases, os sequestra”, diz o analista. Ele cita os dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), em que o valor médio de emissão de metano entérico para animais de corte jovens é de 56 quilogramas de metano por ano para toda a América Latina. “As críticas à pecuária brasileira advêm do grande número de animais no rebanho (mais de 200 milhões) e dos baixos índices da pecuária extensiva, com tempo de abate superior a três anos e meio”, explica Frota. Segundo ele, o valor adotado pelo IPCC não é preciso porque os animais não ficam isolados, mas são inseridos em um sistema de produção. “Esses valores de emissão variam ao longo do ano e não podem ser estáticos e pré-definidos para todo o País.” O pesquisador defende que deva ser levada em conta a emissão por quilo de produto gerado, uma vez que o animal pode estar bem alimentado, emitir uma quantidade maior de metano, mas ter um rápido desenvolvimento, ser abatido em menos tempo e assim gerar uma menor emissão por quilo de carne produzido.
EMBRAPA
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