
Ano 4 | nº 725 | 06 de abril de 2018
NOTÍCIAS
Consumo de carnes bovina e suína continua enfraquecido
A oferta de carne suína continua superior à demanda no mercado doméstico, mesmo após o fim da Quaresma e o registro de temperaturas mais amenas, e o consumo de carne bovina continua enfraquecido, segundo informações do Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea)
O preço do suíno na região de Bragança Paulista, Sorocaba, Piracicaba, Campinas e São Paulo, caiu 2,2% entre 28 de março e 4 de abril, a R$ 3,03/kg. Em Belo Horizonte (MG), a queda no preço foi de 0,6% na semana, para R$ 3,01/kg. O bloqueio russo às compras de carne suína brasileira colabora para elevar a oferta interna do produto, pressionando quedas nos preços. No caso da carne bovina, as exportações têm sido importante canal de escoamento para o produto neste ano, sustentando os preços internos da arroba do boi enquanto o consumo doméstico continua fraco, segundo os pesquisadores do Cepea. A exportação de carne bovina in natura de janeiro a março deste ano foi recorde para um primeiro trimestre, somando 319,05 mil toneladas, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), compilados pelo Cepea. Esse volume representa uma alta de 20,5% ante o exportado no mesmo período do ano passado. A receita com as exportações no período cresceu 24,1%, para R$ 4,2 bilhões.
CARNETEC
Arroba do boi gordo não reage e o momento é de atenção
Poucas foram as alterações nas cotações da arroba no fechamento do mercado desta quinta-feira (5/4)
Apesar de estarmos no início do mês, período em que sazonalmente o consumo cresce, os frigoríficos têm cautela para comprar matéria-prima. As vendas não evoluem como esperado. Apesar das recentes altas no mercado atacadista de carne bovina com osso, os preços do produto desossado acumulam quatro semanas de desvalorização. Este cenário vai pressionando, aos poucos, as cotações. Os pecuaristas seguram as boiadas, devido ao respaldo da capacidade de suporte das pastagens, tentando sustentar o mercado. Mas estamos no período de descarte das fêmeas e isso, naturalmente, incrementa a oferta para as indústrias. O momento requer atenção e é preciso ponderar os riscos do mercado na tomada de decisão.
SCOT CONSULTORIA
Maggi faz evento com Temer e lança selo para marcar erradicação da aftosa
Vacinação, rigorosa inspeção sanitária e participação do setor privado foram lembrados para o novo status sanitário que deverá ser oficializado pela OIE, no próximo mês, em Paris
“Todos fizeram sua parte e chegou o dia de comemorarmos”, anunciou o Ministro Blairo Maggi (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) em cerimônia com a presença do Presidente Michel Temer para celebrar a erradicação da febre aftosa no país. No evento realizado na sede da Embrapa, nesta quinta-feira (5), foi lançado o selo e carimbo comemorativos dos Correios “Brasil Livre da Aftosa”. Michel Temer confirmou em seu discurso que deverá comparecer à 86ª Sessão Geral da Assembleia Mundial da OIE, em Paris, no dia 24 de maio, data em que está prevista a entrega ao governo brasileiro do certificado internacional de zona livre de febre aftosa com vacinação. Com a obtenção do certificado, de acordo com o Ministro Blairo Maggi, “vamos frequentar outros mercados, mais exigentes, que pagam melhor. E não só mercados de bovinos, mas de suínos e outros”. O reconhecimento internacional, frisou, “é de simbolismo muito grande, que vai trazer um novos status ao País daqui para a frente”. Maggi lembrou que as primeiras providências para enfrentar a doença no Brasil começaram a ser adotadas em 1919. Mas que as respostas mais efetivas foram possíveis a partir das últimas décadas, graças aos esforços de governo e da participação do setor privado. Michel Temer disse que a certificação “irá repercutir mundialmente” e que “é um motivo de orgulho, permitindo ampliar a oferta de produtos em mercados como o Japão”, de onde recebeu recentemente equipe de empresários e com o qual está previsto acordo de comércio com o Mercosul. Vencer a batalha contra a febre aftosa, segundo o Presidente, demonstra que “com a união de forças, atingimos nossos objetivos. É um exemplo do que podemos fazer com persistência e determinação”, avaliou. Blairo Maggi destacou o trabalho diuturno de inspeção sanitária realizado pelo Mapa e a participação dos pecuaristas no esforço de controle da doença. E entregou uma placa de agradecimento ao Presidente da República, para marcar as políticas públicas executadas com esse objetivo. A semana foi marcada por eventos alusivos à erradicação da febre aftosa com a realização de sessões solenes no Senado Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal, exposição de painéis no túnel que liga o edifício sede do Mapa ao seu anexo. Na mostra foi montada uma linha do tempo que narra os fatos mais relevantes, desde o primeiro registro da febre aftosa no Brasil, com imagens das campanhas de vacinação e mais informações. Na quarta-feira, o Secretário de Defesa Agropecuária, Luís Rangel, e o Diretor do Departamento de Saúde Animal, Guilherme Marques, delegado do Brasil na Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), visitaram o Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro) de Pedro Leopoldo, em Minas Gerais. Referência para análises e diagnósticos de aftosa, o Lanagro Pedro Leopoldo foi reconhecido pela ONU/FAO na área de Biossegurança e Manutenção de Laboratórios de Alta Contenção Biológica.
MAPA
Mais uma semana de queda no mercado atacadista de carne bovina sem osso
Das quatorze semanas do ano, o mercado atacadista de carne bovina sem osso apresentou alta em apenas duas delas
Nem o início do mês, quando normalmente temos melhora quanto a demanda, com o recebimento dos salários e melhora no poder aquisitivo da população, resultou em alta nas cotações. Os preços ficaram praticamente estáveis nos últimos sete dias, com variação negativa em 0,3%. Nos últimos trinta dias, a queda acumulada é de 1,5%. A queda foi puxada principalmente pelos cortes do traseiro que tiveram recuo de 0,5% na semana. Já os cortes do dianteiro, que apresentam menor valor agregado quando comparado ao traseiro, apresentaram alta de 0,4%. Entre os cortes, destaque para a picanha que teve queda de 2,3%. O aumento no volume de abates nos dois primeiros meses do ano foi o principal fator que colaborou para um desequilíbrio entre a oferta e a demanda por carne bovina. Entretanto, o que se observa nos últimos dias é uma mudança na estratégia dos frigoríficos, no intuito de controlar seus estoques. As indústrias estão diminuindo os abates diários ou pulando dias de escala. Assim, vale a atenção do pecuarista quanto a esse comportamento, já que a expectativa para os próximos meses é de diminuição nas chuvas que pode resultar em aumento na oferta de animais disponíveis. Com a demanda enfraquecida e o aumento de oferta, quedas para o mercado do boi gordo não estão descartadas.
SCOT CONSULTORIA
Quatro institutos de pesquisa agropecuária são contemplados com R$ 49,7 milhões
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) pretende aplicar R$ 49,765 milhões em propostas apresentadas pelo Instituto Agronômico (IAC), Instituto Biológico (IB), Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) e Instituto de Zootecnia (IZ), todos ligados à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo
Conforme a Apta, o plano de desenvolvimento institucional do IAC receberá investimentos de R$ 13,250 milhões. O objetivo é aprimorar as condições de pesquisa e o desenvolvimento de produtos e processos direcionados às cadeias agrícolas, com impactos diretos na geração de ciência e pacotes tecnológicos para o setor de produção. O IB será contemplado com R$ 11,731 milhões para investir em três áreas: genômica aplicada à sanidade animal, vegetal e proteção ambiental; inovação tecnológica em sanidade animal; e controle biológico. Para isso, o Instituto pretende instalar uma Unidade Laboratorial de Genômica e Bioinformática, Unidade de Inovação Tecnológica em Sanidade Animal e Unidade de Inovação em Controle Biológico. Segurança e alimentos saudáveis e inovação em produtos e processos foram as duas áreas estratégicas definidas pelo Ital em seu plano de desenvolvimento institucional, contemplado com R$ 13,164 milhões. A área de segurança e alimentos saudáveis terá foco na investigação da contaminação química e redução da contaminação microbiológica dos alimentos e melhoria de aspectos nutricionais. A área de inovação em produtos e processos abordará o desenvolvimento de ingredientes, novos produtos, processos e formulações, materiais e embalagens e produtos e ingredientes obtidos a partir do aproveitamento de resíduos da indústria de alimentos. O IZ receberá investimento de R$ 11,665 milhões para desenvolver pesquisas em três áreas estratégicas: produção sustentável de carne, produção sustentável de leite e sistemas integrados de produção agropecuária.
Estadão
Embrapa e universidades lançam pesquisa para pecuaristas
Levantamento inédito pretende descobrir as prioridades da pecuária de corte brasileira
Uma pesquisa inédita vai caracterizar as prioridades da pecuária de corte no Brasil
Disponibilizada para acesso público oficialmente a partir desta quinta-feira, 5, a enquete quer conhecer a opinião de produtores rurais, empresários, consultores, técnicos, pesquisadores, professores, estudantes e demais atores da cadeia sobre as principais demandas e problemas atuais do setor. A pesquisa visa auxiliar no direcionamento de estratégias de pesquisa, transferência de tecnologia e divulgação de informações para os públicos de interesse. “Com a informação vinda dos próprios componentes da cadeia, poderemos ter uma visão ampla sobre essas demandas e problemas. Será possível definir metas de inovação e a partir de uma informação qualificada entender o que é prioritário”, explicou o pesquisador da Embrapa Pecuária Sul (Bagé, RS), Vinícius Lampert. Além dos dados para conhecer o perfil do entrevistado, a pesquisa navega por diversos temas que vão ajudar a contextualizar essas demandas, como saúde e bem-estar animal, nutrição animal e forrageiras, melhoramento animal, gestão e sistemas de produção e ciência e tecnologia da carne. Conforme Lampert, o setor produtivo está em constante mudança, demandando atenção e atualização sobre essas transformações no tempo e no espaço. “Nesse contexto, esse levantamento é para entender as demandas nesse momento, em 2018”, pontuou. Além de uma visão geral das demandas, os resultados da pesquisa podem ser segmentados, gerando informações das prioridades por região, estado do país ou por perfil do participante. A pesquisa vai ajudar a aprimorar o conhecimento a respeito de demandas tecnológicas em importantes áreas da pecuária de corte. Para o pesquisador da Embrapa Gado de Corte (Campo Grande, MS), Paulo Henrique Nogueira Biscola, quanto mais atores da cadeia preencherem com precisão as necessidades reais do setor, maior será a possibilidade de extrair informações qualificadas desses dados. “Com a participação de um número expressivo de pessoas será possível identificar as necessidades por perfil de respondentes a partir de variáveis geográficas e demográficas. Essa estratificação é importante para no futuro termos ações mais direcionadas a determinados territórios e públicos”, explica. A enquete vai ser enviada via WhatsApp e e-mail para grupos variados de atores ligados à pecuária de corte. Os interessados em participar também podem acessá-la no portal Embrapa, através do link http://labegen.cppsul.embrapa.br/pesquisa/. Em média, para responder a pesquisa é necessário um tempo inferior a 5 minutos. Uma primeira análise será feita no dia 31 de maio de 2018 e os entrevistados interessados que informarem seu e-mail têm a possibilidade de receber o resultado do levantamento.
Embrapa
EMPRESAS
Acordo entre Abilio e fundos trava e gera impasse na BRF
O acordo dos fundos de pensão Petros e Previ com Abilo Diniz, que poria fim à disputa pelo comando da BRF, empacou. As tratativas, que pareciam caminhar para um desfecho amigável, emperraram ontem durante a extensa reunião extraordinária do conselho de administração da BRF
Pouco antes do início da reunião, que começou às 10h, fontes que participavam das conversas se diziam otimistas. Abilio renunciaria à presidência do colegiado e cederia o posto a Augusto Cruz, nome indicado pelas fundações para comandar o conselho da empresa. Ao meio-dia, o sinal de alerta acendeu. Se tudo tivesse ocorrido como o esperado, a reunião teria terminado rapidamente. Com essa expectativa, as fundações já haviam convidado Cruz para ir à sede da BRF, na capital paulista. Lá, Cruz conheceria os conselheiros e diretores da companhia. No entanto, a reunião foi interrompida às 20h de ontem, e recomeçará hoje, às 14h30; A falta de um acordo castigou as ações da BRF. Depois de abrirem o pregão na B3 em alta, os papéis viraram e intensificaram o movimento de queda ao longo da tarde. Maior baixa do Ibovespa, as ações da BRF caíram 4,38%, fechando a R$ 22,05. É o menor valor em quase sete anos. Com a queda de ontem, o valor de mercado da empresa atingiu R$ 17,9 bilhões. No ano, a BRF já perdeu R$ 11,8 bilhões. Na comparação com o seu auge, em agosto de 2015, a BRF perdeu R$ 45 bilhões. O que emperra o acordo das fundações com Abilio é a presença de Francisco Petros na chapa dos fundos de pensão ao conselho de administração da BRF, que será eleita em 26 de abril pelos acionistas. Advogado, Petros é o atual vice-presidente do conselho da BRF e foi indicado pela Petros para o cargo. Na chapa das fundações, ele segue na função. Desde que começou a negociar sua saída, Abilio tenta tirar Petros da chapa, assim como Guilherme Ferreira e Roberto Funari. No caso dos dois últimos, o empresário teve êxito. Para o lugar deles, indicou Flávia Almeida, da Península, e um executivo cujo nome ainda não é público. Em relação ao pedido de Abilio sobre Petros, as fundações não concordaram, e o acordo foi costurado com a permanência do advogado – até a quarta-feira, era o que diziam fontes próximas a Abilio e aos fundos. À luz do que ocorreu ontem, porém, já há quem diga que o plano de Abilio sempre foi dar um golpe de última hora em Petros, deixando as fundações sem chance de reação. Na reunião de ontem, a animosidade de Abilio com Petros piorou por causa da proposta feita pelo empresário de criar um bônus de retenção de R$ 41 milhões para vice-presidentes e diretores da BRF. Ausente do encontro, Petros enviou um voto contrário à proposta. No voto, o advogado teria argumentado que a inclusão do bônus na pauta da reunião era irregular. Pelo estatuto da BRF, os assuntos a serem tratados deveriam ser conhecidos pelo colegiado com cinco dias de antecedência. No entanto, Abilio avisou apenas na quarta-feira. O advogado também queria que a criação do bônus ficasse a cargo do próximo conselho de administração. Apesar da contrariedade, o bônus foi aprovado. Para um observador da disputa, o bônus de retenção mostra que Abilio transformou em questão de honra a manutenção do CEO José Aurélio Drummond, eleito ao cargo em dezembro de 2017 graças ao voto de Abilio Diniz. Para tentar amenizar o clima ontem, Drummond teria se disposto a não receber o bônus até apreciação da pauta pelo novo conselho da BRF. Dos R$ 40 milhões, ele receberá R$ 6 milhões. A interlocutores, Abilio tem afirmado que a permanência de Petros é insustentável pelo comportamento “irascível” do advogado, que conduz investigações espinhosas no comitê de auditoria. Por meio de Eduardo Rossi, da Península, Abilio tenta convencer os acionistas relevantes – inclusive a Previ – de que a saída de Petros seria boa para todos. Um dos argumentos é que o CEO e o vice-presidente de finanças, Lorival Luz, pedirão demissão se Petros continuar. Segundo uma fonte, não há qualquer chance de rompimento entre Petros e Previ. Uma mudança, com a eventual saída de Francisco Petros, só ocorreria se fosse consensual. A mesma fonte disse que as duas fundações deram início ao movimento para tirar Abilio e vão seguir juntas até o fim. Em todo o caso, os fundos ainda acreditam em um acordo que evite o voto múltiplo. Procurados, Abilio, Petros e os fundos de pensão não comentaram.
VALOR ECONÔMICO
INTERNACIONAL
EUA: tarifa da China para carne dificulta acesso a mercado reaberto ano passado
A China reabriu seu mercado para a carne bovina dos Estados Unidos no ano passado, mas novas tarifas chinesas podem acabar com a demanda antes mesmo de ela surgir de verdade
Após o governo do Presidente Donald Trump anunciar uma proposta para sobretaxar em 25% mais de mil produtos da China, o país asiático disse que pretende impor tarifas similares sobre produtos dos EUA, incluindo grãos e carne bovina. “O interesse em carne bovina dos EUA vem aumentando na China e nossa base de clientes se expandiu”, disse o Presidente da Federação Norte-Americana de Exportação de Carne, Dan Halstrom. “Mas se uma tarifa adicional de importação for adotada para a carne bovina dos EUA, essas relações comerciais construtivas e as oportunidades de mais crescimento serão colocadas em risco.”
Dow Jones Newswires
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