
Ano 4 | nº 704 | 07 de março de 2018
ABRAFRIGO NA MÍDIA
Abrafrigo pede mudança na legislação sanitária para resolver questão de salmonela
Entidade afirma que já havia encaminhado à Anvisa pedido de revisão
A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) exigiu nesta terça-feira (06/03) “urgente mudança na legislação sanitária para resolver o problema da presença de salmonela nas carnes”. Em nota, emitida em razão da deflagração da terceira fase da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, batizada de Operação Trapaça, a entidade afirma que já havia encaminhado, em maio do ano passado, pedido à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) solicitando essa revisão. A Abrafrigo diz que a legislação atual é “dúbia, subjetiva e contraditória” e pede que se busquem normas regulatórias que ofereçam segurança para o consumidor e que se respeite o “direito das empresas de trabalhar com parâmetros legais certos e definidos para resolver esse tipo de problema”. Sobre a nova operação da PF, a associação defende investigações “aprofundadas e corretas, que levem a exemplar punição aos envolvidos”.
ESTADÃO CONTEÚDO/ÉPOCA NEGÓCIOS/CANAL RURAL/PÁGINA RURAL/UAGRO/DINHEIRORURAL
ABRAFRIGO apoia investigações, mas pede urgência na mudança na legislação sanitária para resolver problema da presença da salmonella
Expediente foi encaminhado a ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária em maio de 2017
Preocupada com os efeitos desta terceira etapa da Operação Carne Fraca sobre o patrimônio empresarial do setor de frigoríficos brasileiros que levou décadas para ser formado, gerando mais de 4 milhões de empregos e com a possível perda da confiança internacional sobre os produtos brasileiros que visam o mercado exportador, a Associação Brasileira de Frigoríficos (ABRAFRIGO) defendeu em nota a “urgente mudança na legislação sanitária para resolver problema da presença da salmonella nas carnes”. “Nós já encaminhamos um expediente a ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária em maio do ano passado solicitando “uma urgente e eficaz revisão da legislação sanitária vigente que possa estabelecer os padrões microbiológicos de alimentos para consumo humano, em especial a incoerência da questão da Salmonella”, cuja presença nas carnes levou a suspensão da produção e comercialização de alguns produtos de empresas em decorrência da Operação “Carne Fraca”, da Polícia Federal e que agora volta a ganhar notoriedade em virtude de uma nova ação da Polícia Federal. “Se há irregularidades a ABRAFRIGO defende investigações aprofundadas e corretas que levem a exemplar punição aos envolvidos, mas é preciso lembrar que este problema aflige a indústria de carnes há muitos anos. Notadamente aquelas empresas que se dedicam ao processamento industrial de embutidos tendo como matéria-prima carnes cruas como os fabricantes de hambúrgueres, almôndegas e outros produtos formatados cujos ingredientes incluem a carne de frango e a carne suína. A legislação atual, emanada tanto do Ministério da Agricultura, do Ministério da Saúde e da própria ANVISA é dúbia, subjetiva e contraditória. Como pode um setor industrial utilizar a matéria-prima em cuja presença a salmonella não é proibida e obter um produto acabado sem salmonella?”, indaga a entidade que reúne empresas que representam mais da metade do mercado de carne bovina do país. “É por isso que solicitamos reiteradamente que se busquem normas regulatórias que ofereçam segurança para o consumidor e que respeitem o direito das empresas em trabalhar com parâmetros legais certos e definidos para resolver este tipo de problema e evitar situações como a encontrada pela terceira etapa da Operação Carne Fraca”, conclui a nota.
NOTÍCIAS AGRÍCOLAS/ SNA/AGROLINK/CARNETEC
NOTÍCIAS
Sem a recuperação esperada de início de mês, o mercado do boi gordo está travado
O escoamento da carne não vai bem, aliás nem a virada de mês foi suficiente para sustentar a arroba do boi gordo até agora
Por outro lado, a oferta não está abundante e também há resistência por parte dos pecuaristas em entregar as boiadas com preços abaixo da referência. Diante desse cenário todo o mercado ficou sem viés definido, nesta terça-feira (6/3). Em algumas praças a oferta restrita fala um pouco mais alto e as indústrias são obrigadas a ofertar preços acima da referência, como consequência as cotações se elevam. Já em outras praças, quem dita o rumo das cotações é o lento escoamento, e nesse caso as indústrias ofertam preços abaixo da referência, puxando as cotações da arroba do boi gordo para baixo. Para o curto prazo fica a expectativa de como a demanda irá se comportar. Se não houver uma reação no consumo, não há como a arroba do boi gordo ganhar firmeza.
SCOT CONSULTORIA
Mercado de reposição: negociações em menor volume e cotações andando de lado
Havia a expectativa de que a elevação sazonal de consumo de início de mês impulsionasse a arroba do boi gordo. Porém, até o momento esse fato não se concretizou
Com o mercado do boi gordo “travado”, há menor estímulo para os recriadores e invernistas se lançarem às compras de reposição e as negociações esfriam. Mesmo com a demanda por reposição patinando, não é observada pressão de baixa, isso porque há boa capacidade de suporte nas pastagens para a ponta vendedora reter os animais e não reduzir os preços pedidos. Há em algumas praças ajustes nas cotações, mas, de maneira geral, o cenário é de poucas variações. No balanço semanal, considerando a média de todas as categorias de machos e fêmeas anelorados pesquisadas pela Scot Consultoria, as cotações fecharam em alta de 0,2%. Para o curto prazo, com a chegada de volumes maiores de bezerros desmamados ao mercado os negócios para esta categoria podem ganhar ritmo. Além disso, conforme o primeiro giro do confinamento for se aproximando, a procura por categorias mais eradas deve se intensificar e também pode provocar movimentações no mercado.
SCOT CONSULTORIA
Novas investigações em curso
A Trapaça não será a única etapa da Operação Carne Fraca a ser deflagrada em 2018. É o que garantem fontes do Ministério da Agricultura, que, ao contrário do que aconteceu na primeira fase das investigações, deflagradas em março do ano passado, atualmente colabora com os trabalhos liderados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal (MPF)
As fontes não souberam detalhar datas ou focos das próximas etapas da operação, mas adiantaram que há mais de uma frente de apurações de irregularidades em andamento. E que, se a Trapaça se debruçou sobre laudos forjados por laboratórios para maquiar elevados níveis de presença de salmonela na carne de frango produzida em algumas unidades da BRF, o próximo capítulo poderá voltar a se concentrar nos fiscais. Esse foi o foco da primeira fase, quando a Carne Fraca destrinchou casos de corrupção entre fiscais agropecuários e funcionários de frigoríficos. O que chama a atenção dos investigadores agora, conforme as fontes consultadas pelo Valor, são casos de fiscais que aparentam ter padrões de vida incompatíveis com seus salários. Sinais dessas incompatibilidades teriam ficado evidentes já na operação de março de 2017. Foram apreendidos na época, por exemplo, diversos automóveis importados e bens pessoais de luxo com o ex-superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná, o fiscal Daniel Gonçalves, considerado pelo Ministério Público Federal como o “chefe da organização criminosa” nas investigações de corrupção, que está em prisão domiciliar. Casos semelhantes estão na mira. Procurado pela reportagem, o Secretário-Executivo do Ministério da Agricultura, Eumar Novacki, negou que a Pasta tenha informações sobre novas etapas da Carne Fraca. Mas afirmou que, se novas fases vierem, a Pasta estará preparada para as repercussões, até porque tem colaborado com as investigações. “Pode haver outras operações, mas muita coisa também já mudou desde que a Operação Carne Fraca estourou”, afirmou o Secretário, que ontem estava em São Paulo. Porém, ele admitiu que o país não está imune a possíveis embargos de países importadores, dependendo do que as investigações revelarem. Ontem, a preocupação do governo e da iniciativa privada em relação a eventuais embargos decorrentes da Operação Trapaça era sensivelmente menor que na segunda-feira. Segundo o ex-ministro Francisco Turra, Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), apenas União Europeia e Hong Kong pediram explicações formais ao Brasil sobre o caso. De acordo com Turra, o Ministério da Agricultura foi ágil, enviando explicações aos diversos importadores antes mesmo que eles as tivessem solicitado. Nos casos da UE e Hong Kong, isso só não aconteceu porque os pedidos feitos pelas autoridades foram “concomitantes” ao envio das explicações do Brasil. Para Turra, desde o trauma da primeira fase da Carne Fraca, o Brasil “aprendeu bastante”. Desta vez, a governo brasileiro conseguiu rapidamente circunscrever os problemas aos três frigoríficos da BRF, em Mineiros (GO), Rio Verde (GO) e Carambeí (PR). Essas unidades tiveram as exportações suspensas pelo próprio Ministério da Agricultura. Mas o Presidente da ABPA fez questão de lamentar as irregularidades cometidas na BRF. “É má prática, ilegal. Quem quer ser global, não pode errar”, disparou.
VALOR ECONÔMICO
Carne Fraca: Blairo Maggi quer verticalizar sistema de inspeção animal
O Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, assinou nesta terça-feira (6) algumas portarias para regulamentar a chamada “verticalização” do sistema de inspeção animal, centralizando as ordens de comando sobre a fiscalização de frigoríficos no Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), em Brasília
Ele lembrou que a medida já consta de um decreto editado em dezembro do ano passado, que havia previsto essa nova hierarquia. As portarias, que devem ser publicadas na edição de amanhã do “Diário Oficial da União”, porém, só vão trazer como será operacionalizada regionalmente essa verticalização. Segundo Blairo, existem hoje dez Serviços de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa) espalhados pelo país, mas mal distribuídos, sendo que alguns de estrutura menor acabam sendo responsáveis por mais de um Estado. O que essa regulamentação fará, diz, é dar mais ou menos atribuições aos Sipoa, conforme novo critério mais racional. Como antecipou o Valor no ano passado, a “verticalização” do sistema de inspeção animal é uma das medidas anunciadas por Blairo em 2017 na tentativa de promover mudanças no sistema de fiscalização agropecuária federal.
VALOR ECONÔMICO
EMPRESAS
Minerva espera novos mercados para carne da América do Sul
Presidente da empresa, Fernando Galletti de Queiroz, também vê sinais de melhora no consumo doméstico e está otimista com o desempenho interno em 2018
A crescente demanda global por proteína animal deve levar a abertura de novos mercados para a oferta de carnes da América do Sul neste ano, independentemente das turbulências do setor no Brasil, afirmou, o Presidente da Minerva Foods, Fernando Galletti de Queiroz, em teleconferência nesta terça-feira, 6, com analistas e investidores sobre os resultados da companhia no quarto trimestre e no acumulado de 2017. Queiroz fez referência à Operação Trapaça, terceira fase da Carne Fraca, da Polícia Federal, deflagrada na segunda-feira pela Polícia Federal. Para ele, questões como essa não devem ser impeditivas para a expansão do setor no continente. O Paraguai, por exemplo, pode vir a exportar para os Estados Unidos ainda neste ano, segundo o executivo. “A Minerva tem uma situação única de distribuição lá”, afirmou. A companhia destacou que, desde a incorporação dos ativos adquiridos da JBS em agosto até dezembro, seu volume de exportações passou a representar 22% do total da América do Sul. Com isso, a empresa se posicionou como maior exportadora de carne bovina da região. Segundo Queiroz, até o momento, a empresa não teve nenhum questionamento ou reflexo relacionado à Operação Trapaça da Polícia Federal. A empresa não tem relação com a investigação da Polícia Federal, na qual o alvo é a companhia BRF e o mercado de carne de frango. Para ele, há temores de que a operação da PF levante questionamentos do mercado internacional sobre o setor de proteína animal brasileiro como um todo. “Estamos monitorando, mas não tivemos nada”, disse Queiroz. Ele ressaltou que o Ministério da Agricultura está fazendo um “trabalho excelente” para manter a situação controlada. Paralelamente, o executivo disse ver sinais de melhora no consumo doméstico de carnes e estar otimista com o desempenho interno em 2018. “Sobre o primeiro trimestre, acreditamos que o setor está cada vez mais racional e disciplinado e toda a volatilidade que a gente encontra pode servir como novos oportunidades.” A Minerva Foods reportou prejuízo líquido de R$ 313,5 milhões no quarto trimestre de 2017, revertendo um lucro líquido de R$ 12,3 milhões registrado em igual período de 2016. No ano, o prejuízo acumulado foi de R$ 280,9 milhões ante um lucro de R$ 195 milhões do ano anterior. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado somou R$ 363,4 milhões entre outubro e dezembro, um aumento de 45,4% ante igual trimestre do ano anterior. A margem Ebitda passou de 9,8% para 9,2%, na mesma base de comparação.
ESTADÃO CONTEÚDO
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