
Ano 3 | nº 672 | 17 de janeiro de 2018
NOTÍCIAS
Demanda fraca pressiona mercado do boi, mas oferta restrita limita desvalorização
A oferta de boiadas não está grande, porém, a volta gradativa dos pecuaristas aos negócios tem aumentado a disponibilidade de bovinos terminados
No entanto, mesmo com a oferta limitada, o que tem ditado o rumo do mercado é a demanda, que segue em ritmo lento, o que é natural para a época do ano. A dificuldade de escoamento deve se intensificar, já que entramos na segunda quinzena do mês, período em que há uma redução nas vendas. Vale ressaltar que, em algumas regiões, há indústrias com dificuldade em manter as programações, mesmo com demanda fraca por carne. Isto limita a pressão de baixa e, em algumas regiões, gera até ajustes positivos. Para o curto prazo a expectativa é de que a demanda siga em baixa e, com o aumento gradativo da oferta, o mercado continue pressionado negativamente.
SCOT CONSULTORIA
Setor de carne bovina espera melhora em 2018
O setor de carne bovina viverá nos próximos meses momentos melhores do que os de 2017. José Vicente Ferraz, da Informa Economics FNP, considera que a própria economia vai melhorar o desempenho do setor
Os sinais de crescimento, se concretizados, vão elevar a renda e a capacidade de compra dos consumidores. O analista atribui ainda a evolução do setor às eleições e à Copa do Mundo. “Esses dois eventos sempre animam a economia.” Ferraz diz que os sinais vindos do exterior também são bons para o mercado de carne bovina. A demanda externa cresce, e o Brasil é um dos principais fornecedores de proteína para o mundo. Embora ainda sob a desconfiança da Operação Carne Fraca, as exportações deste ano deverão ser melhores do que as de 2017. “O mundo precisa muito da carne brasileira, e será difícil uma substituição do país por outro mercado”, diz Ferraz. O Brasil tem um produto de boa qualidade para oferecer ao mercado externo, mas “a carne top sairá do Uruguai e da Austrália”, acrescenta. Na avaliação de Ferraz, estruturalmente há um gargalo na oferta de carne, mas, em 2018, o volume vai superar os de 2016 e de 2017. Oferta adequada e demanda crescente vão garantir estabilidade ou até elevação dos preços, acredita ele. “Não será uma evolução dos sonhos para os pecuaristas, mas esse cenário favorável contrasta com o dos outros setores da economia brasileira, que têm desempenho pior”, diz ele. O aumento da demanda pelo produto brasileiro não pode fazer o país se acomodar na questão da fiscalização da carne. “Se o Brasil não moralizar o sistema de controle sanitário, vai pagar caro no futuro.” Ferraz acredita que uma evolução nesse sistema de controle virá só com o próximo governo. Uma das primeiras coisas a serem feitas será retirar a fiscalização da influência política, implantando um sistema sanitário “técnico e correto”.
Folha de São Paulo
Abates de bovinos em MT sobem 3,5%, receita com exportação cresce 30% em 2017
Os abates de bovinos no estado de Mato Grosso subiram 3,55% em 2017, para 4,96 milhões de cabeças, segundo dados do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea) compilados pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea)
O aumento deve-se principalmente ao descarte de fêmeas, com alta de 13,28% no total de cabeças abatidas na comparação com 2016. Já os machos tiveram queda de 2,64% no total de abates, segundo relatório divulgado pelo Imea. A participação de animais fêmeas no abate subiu para o maior patamar desde 2014. “Para 2018, a previsão é que esta tendência persista, já que o criador ainda não visualiza a plena recuperação nas cotações do bezerro e observa na venda das vacas uma forma de fazer caixa”, informaram os analistas do Imea. O estado de Mato Grosso registrou um aumento de 30% nas receitas com exportações de carne bovina no ano passado, para US$ 1,16 bilhão, e alcançou o maior volume exportado da história, de 347,38 mil toneladas. “O bom desempenho das vendas externas em 2017 renova o ânimo das indústrias frigoríficas para 2018, no entanto, o embargo russo (que ainda persiste) liga o sinal de alerta para que o trabalho de diversificação e abertura de novos mercados continue.”
IMEA
Projeto que reforça Defesa Agropecuária pode ser fatiado
O Ministério da Agricultura avalia fatiar o projeto de lei que vem sendo gestado há meses para fortalecer e transformar a Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) em uma espécie de ‘superagência’, com autonomia financeira e estrutura mais robusta de pessoal, nos moldes da Receita Federal
A ideia agora é se ater à área de inspeção animal e que o novo modelo, que promete reformular a SDA, permitindo a “terceirização” de parte da fiscalização agropecuária federal, seja voltado só para os frigoríficos, pelo menos no primeiro momento. Com essa estratégia, o Ministério da Agricultura quer evitar que o envio do projeto ao Congresso Nacional atrase ainda mais. No fim do ano passado, o Secretário de Defesa Agropecuária, Luís Eduardo Rangel, havia dito que a previsão da Pasta era finalizar a proposta até o fim de janeiro para enviá-la ao presidente Michel Temer. Mas desde que foi anunciado, o projeto de lei desperta dúvidas e resistências de fiscais e da equipe econômica do governo. No formato mais enxuto, o projeto vai continuar a propor a contratação de médicos veterinários para funções auxiliares da inspeção animal por meio da criação do Operador Nacional da Defesa Agropecuária (Onda), entidade de direito privado que seria ligada à Secretária de Defesa Agropecuário. Só que a nova estrutura não seria voltada para a área vegetal, como na versão original do projeto de lei elaborado pelo ministério. Em entrevista ontem em Brasília, o Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse que pretende entregar o novo projeto de lei que revisará a área de defesa agropecuária até março. “A restauração total [do sistema de inspeção] é muito grande. Então a ideia é terminar o projeto, mas ir implementando aos poucos”, disse Maggi ao Valor.
VALOR ECONÔMICO
Preços dos bovinos para reposição terminaram 2017 em alta em Goiás
O pecuarista goiano teve seu poder de compra diminuído em 4,3% no fechamento de 2017, frente ao observado em janeiro do ano passado
Isso ocorreu porque no intervalo as cotações das categorias de reposição em Goiás subiram, em média, 9,4%. Os preços acumularam queda no primeiro semestre, mas se recuperam na segunda metade do ano. Embora o preço do boi gordo também tenha aumentado durante o ano, 4,7%, esta alta não foi suficiente para manter a relação de troca positiva para o recriador/invernista. Além disso, a oferta de animais de reposição no estado não tão abundante e a demanda um pouco mais aquecida colaboraram com a alta nos preços e a piora na relação de troca. Durante 2017, Goiás foi o estado que teve maior valorização dos animais de reposição. Na média de todos os estados pesquisados pela Scot Consultoria, os preços de todas categorias de reposição caíram 1,1% neste mesmo intervalo. Mas vale destacar que, apesar dos preços terem se recuperado e fechado 2017 em alta, comparando a média de 2017 com o ano anterior, houve desvalorização nominal de 11,4%. Ou seja, no balanço geral, a intensificação da retenção de fêmeas nos últimos anos impactou negativamente o mercado de reposição e, para este ano, caso a demanda não colabore, a expectativa é que as cotações não tenham forças para altas.
SCOT CONSULTORIA
Superavit de US$ 81,86 bilhões do agronegócio foi o segundo maior da história
Ministro Blairo Maggi destacou que exportações do setor alcançaram US$ 96,1 bilhões, em 2017, em alta de 13%, representando 44,1% do resultado alcançado pelo país no mercado externo. As carnes ficaram em segundo lugar na pauta, com vendas de US$ 15,47 bilhões e crescimento de 8,9% em valor
Em 2017, as exportações brasileiras do agronegócio somaram US$ 96,01 bilhões, registrando crescimento de 13% em relação a 2016. No período, o setor foi responsável por 44,1% do total das vendas externas do Brasil. Com o crescimento do valor exportado sobre o das importações, o saldo da balança do setor foi superavitário em US$ 81,86 bilhões, ante os US$ 71,31 bilhões do ano anterior. Foi o segundo maior saldo da balança do agronegócio da história, inferior apenas ao registrado em 2013 (R$ 82,91 bilhões). “Esse saldo forte demonstra importância do setor para a economia”, disse o Ministro Blairo Maggi, durante divulgação dos dados à imprensa. “O agro foi importante para a manutenção das contas externas, das reservas internacionais, durante a crise econômica que o país sofreu”. Os produtos que mais contribuíram para o aumento das exportações foram o complexo soja (+US$ 6,30 bilhões), produtos florestais (+US$ 1,30 bilhão), carnes (+US$ 1,26 bilhão); cereais, farinhas e preparações (+US$ 953,86 milhões) e o complexo sucroalcooleiro (+US$ 889,34 milhões). A alta do saldo comercial deveu-se em parte ao início da recuperação de preços no mercado internacional, mas, especialmente, ao aumento dos volumes exportados. No ranking de valor exportado, o complexo soja também ocupou a primeira posição, somando US$ 31,72 bilhões. As vendas de grãos foram recordes, tanto em valor (US$ 25,71 bilhões) quanto em quantidade (68,15 milhões de toneladas). O preço médio de exportação do produto registrou pequena variação positiva de +0,7% (de US$ 374,73 para US$ 377,30 por tonelada). “O valor das commodities estão baixos, mas a produção tem-se mantido com produtividade e a desvalorização cambial. Então, o agro vai muito bem, mas sob olhar estreito, porque o produtor tem tido a renda cada vez mais corroída. Há um sinal amarelo, porque o Brasil tem agricultura como grande sustentáculo”, disse o Ministro. Apesar de comemorar a contribuição do saldo comercial dada ao país em um momento difícil da economia, Blairo Maggi observou ser importante aumentar as importações. Isso, afirmou, permitirá que a indústria se beneficie e que a balança comercial tenha participação mais forte com produtos de maior valor agregado. Ele lembrou que a Alemanha não planta café, mas é o terceiro maior exportador do produto, enquanto o Brasil é o maior produtor. “Como uma indústria cafeeira vai se instalar no Brasil se não pode importar para fazer um blend, demandado no mercado”, questionou. O Secretário de Relações Internacionais do Agronegócio do Mapa, Odilson Silva, lembrou que, nos últimos 20 anos, sem o agronegócio, o país deixaria de faturar R$ 1,23 trilhão. Carnes ficaram em segundo lugar, na pauta, com vendas de US$ 15,47 bilhões e crescimento de 8,9% em valor. A carne de frango, principal produto do setor, representou quase metade desse montante (46,1%). Foram exportados US$ 7,14 bilhões do produto, 5,5% acima do que havia sido registrado no ano anterior. As vendas de carne suína apresentaram recorde histórico, somando US$ 1,61 bilhão, ou seja, 9,7% superiores a 2016. Blairo Maggi lembrou que “tivemos o ambiente da Carne Fraca, durante o ano, com um grau de preocupação muito intenso”, mas que “o governo como um todo trabalhou na mesma direção. E os números demonstram que esse período foi ultrapassado com o aumento do volume de vendas”.
MAPA
Suspensão de embarque de gado por Santos pode prejudicar operações do Minerva
Agentes do mercado portuário confirmam programação do grupo para o final de janeiro, a exemplo das exportações efetuadas em novembro
Por pressão do deputado federal Ricardo Izar (PP-SP), o órgão regulador dos transportes aquaviários fez o gestor do Porto de Santos proibir o embarque de animais vivos desde a última sexta-feira (12). O parlamentar alega maus tratos no pré e pós embarque dos bovinos e com isso pode prejudicar as exportações pelo único terminal com capacidade para grandes navios, como os afretados pelo grupo Minerva, o maior exportador de gado e que teria uma nova operação ao final deste mês. A Associação Brasileira de Animais Vivos (Abreav), que repudiou a medida, diz ter ouvido que o Minerva tem agendado embarque de 27 mil animais, a exemplo da última operação realizada em novembro. Notícias Agrícolas solicitou confirmação ao grupo frigorífico, que apenas se limitou a lamentar, já que “o manejo do gado segue todos os procedimentos adequados para preservar o bem-estar dos animais durante o embarque e no decorrer da viagem até o destino”. Já o departamento de Relações Institucionais e Comunicação do EcoPorto, que administra os terminais privados por onde são feitas as operações de embarque de animais em pé, confirmou por telefone, no entanto, que havia previsão de embarque do Minerva para o final do mês, “mas que ainda a companhia não havia precisado a data de atracação do navio”, mas que “agora poderá ser adiada”. A Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), companhia mista federal, no comunicado divulgado aos agentes privados, disse: “A recente suspensão das operações de embarque de carga viva decorre de medida preventiva, em virtude de tramitar na Agência Nacional de Transportes Aquaviários – Antaq (órgão regulador do setor portuário) processo que definirá a realização de tais operações. Até que se conclua o trâmite, as operações estão suspensas. Após a manifestação do órgão competente, a Codesp tomará as medidas cabíveis”. Sérgio Brandolezi Scarpelli, da direção da Abreav, lembrou que o setor segue normas internacionais sobre o bem estar animal – inclusive a entidade tem uma cartilha com orientações – e os mercados compradores também são exigentes. “A preocupação agora é com o tempo que essa paralisação pode levar, atrapalhando os embarques e trazendo prejuízos”, afirmou. Em 2017, o Brasil embarcou mais em torno 400 mil bois em pé, sendo a Turquia atualmente o principal importador. A exemplo do crescimento de 30% nas exportações de 2017, em 2018 a entidade projeta igual percentual. A entidade ressalta ainda que toda operação é assistida pelos órgãos reguladores federais e estaduais no âmbito da defesa sanitária animal. Esse acompanhamento é realizado na recepção e permanência dos bovinos nos Estabelecimentos de Pré Embarque (EPE) e no embarque do gado nos portos de egresso. A alegação de maus tratos, ainda segundo a Abreav, ou condições adversas de transporte e situações inadequadas de acomodações surgem daqueles que desconhecem os procedimentos intrínsecos nas exportações brasileiras de gado vivo. Em resposta ao deputado Ricardo Izar, da Frente Parlamentar para a Defesa dos Animais e de organizações, a Abreav conclui: “Por si só, esses movimentos isolados e enfraquecidos ainda conseguem obter apoio legislativo, aparentemente mal orientado”.
Notícias Agrícolas
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