
Ano 3 | nº 626 | 26 de outubro de 2017
NOTÍCIAS
Boi gordo: pressão de baixa parece estar se dissipando, apesar de ainda ser evidente em MS, estados vizinhos, e no PA
Mercado sem tendência definida
A depender principalmente da condição local de oferta, a cotação sobe ou desce. No fechamento da última quarta-feira (25/10) foram registradas oito altas e sete quedas na cotação da arroba do boi gordo. A pressão baixista provocada pela interrupção dos abates no Mato Grosso do Sul parece estar se dissipando, apesar de haver ofertas de compra abaixo da referência, mas desta vez, não generalizada. Comparativamente, São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul e Pará são os estados que estão diante de maior pressão sobre as cotações.
No mercado atacadista de carne bovina com osso, preços estáveis. A carcaça de bovinos castrados está cotada em R$9,25/kg.
SCOT CONSULTORIA
Boi gordo: preço da arroba cai até R$ 6 em um mês
A quarta-feira, dia 25, para o boi gordo foi de preços acomodados
Os frigoríficos ainda estão confortáveis em suas escalas de abate, com isso os testes em relação às cotações se tornam recorrentes. A Scot Consultoria indicou que no fechamento foram registradas oito altas e sete quedas na cotação da arroba do boi gordo. Em Mato Grosso do Sul, a pressão baixista provocada pela interrupção dos abates parece estar se dissipando, apesar de haver ofertas de compra abaixo da referência, mas desta vez, não generalizada. O mercado atacadista também apresentou preços estáveis ao longo do dia. O viés ainda é de baixa, uma vez que os frigoríficos seguem com as câmaras frias abarrotadas. A reposição permanece lenta, situação que pode mudar durante a primeira quinzena do mês, considerando o recebimento dos salários como estímulo à demanda. Em um mês, o valor da arroba na praça de Araçatuba (SP) já registrou queda de R$ 4. O preço saiu de 141,50 no dia 25 de setembro e fechou esta quarta-feira cotado a R$ 137,50. Em Goiânia (GO) os preços tiveram uma baixa de R$ 6 no mesmo período. Em Belo Horizonte (MG), o valor saiu de R$ 138 para R$ 13. Boi gordo no mercado físico (R$ por arroba):
Araçatuba (SP): 137,50
Belo Horizonte (MG): 132,00
Goiânia (GO): 128,00
Dourados (MS): 131,00
Mato Grosso: 126,00-127,50
Marabá (PA): 128,00
Rio Grande do Sul (oeste): 4,30 (kg)
Paraná (noroeste): 137,00
Tocantins (norte): 128,00
CANAL RURAL
Líder em carnes para muçulmanos, Brasil quer ampliar 60% do mercado
Maior produtor e exportador mundial de carne bovina e segundo maior de frangos, o Brasil é também líder nas vendas de carne halal, especialmente cortada para muçulmanos. O país exporta para 22 países islâmicos, num total de 2 milhões de toneladas ao ano
Ainda assim, as entidades representativas consideram que o setor é subestimado no país, ao produzir apenas 33% da capacidade. O potencial estimado de crescimento das exportações é de 60% até 2020. Na semana passada, o Brasil venceu na Organização Mundial do Comércio (OMC) um contencioso movido contra a Indonésia, que impunha medidas restritivas ao comércio internacional e dificultava a entrada do frango halal brasileiro. Com a vitória, as portas de um mercado de 250 milhões de habitantes e pelo menos U$S 70 milhões começam a se abrir. “Nós vamos ver agora, já que havia tantas barreiras antes de chegar no ponto da negociação propriamente dita”, espera o Subsecretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, Carlos Cozendey. “Temos venda de produtos halal para vários países muçulmanos, como Malásia, Arábia Saudita. Nem todos têm o mesmo tipo de certificação de produto halal mas o Brasil tem a capacidade de cumprir as exigências feitas.” O Brasil entrou nesse ramo no fim dos anos 1970, para atender ao pequeno mercado interno. A partir de 2002, porém, os produtores brasileiros perceberam o imenso potencial mundial do setor. “Os pequenos e médios produtores começaram a entender a importância do Oriente Médio. Estamos falando do consumo de 800 milhões de habitantes”, lembra Tamer Mansour, assessor para assuntos estratégicos da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira. “Mas se abrirmos para todo o mercado islâmico, falamos de 1,6 bilhão de pessoas que procuram o corte halal. Por isso, o Brasil começou a mudar completamente a visão sobre esses mercados, que se tornaram prioritários.” Quase 40 anos depois, as certificadoras de produção halal estão estabelecidas no Brasil e contam com o aval de entidades internacionais islâmicas. A Câmara de Comércio Árabe-Brasileira espera que a realização de grandes eventos no Oriente Médio nos próximos anos, como a Expo 2020, em Dubai, e Copa do Mundo no Catar, em 2022, vai alavancar uma nova fase do comércio halal brasileiro. A câmara avalia que 90% dos frigoríficos brasileiros são habilitados para desenvolver a produção halal.
RFI
CPI de MS e JBS assinam acordo
Empresa disponibilizou cinco propriedades como garantia para descongelamento dos bens
Acordo prevê continuidade dos abates e não redução das vagas de empregos dos frigoríficos do Estado
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Irregularidades Fiscais e Tributárias de Mato Grosso do Sul oficializou na quarta-feira, 24, com a JBS o acordo para troca de garantias referentes aos R$ 730 milhões em bens e recursos da empresa que foram bloqueados, após a comissão comprovar irregularidades nos contratos firmados com o Estado. As informações são da assessoria do presidente da comissão, deputado Paulo Corrêa. No acordo, a JBS disponibilizou as duas unidades frigoríficas de Campo Grande e mais três áreas localizadas próximo ao aeroporto da capital, Campo Grande, em troca dos outros imóveis e de R$ 73 milhões em dinheiro que já haviam sido bloqueados. As cinco propriedades oferecidas em garantia somam 391 hectares de área total e estão avaliadas em R$ 756 milhões. A assinatura do acordo, que já havia sido anunciado na última sexta-feira, agora será homologado pelo juiz Alexandre Antunes da Silva, da 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais de Campo Grande. Dentre as cláusulas estabelecidas pela CPI para firmar o acordo estão a não redução das vagas de emprego nos sete frigoríficos instalados no Estado e a continuidade dos abates, garantindo assim o funcionamento normal das unidades, além da estabilidade da pecuária local e do mercado da carne. O documento prevê também que, caso a JBS não cumpra o acordo, volta a valer a primeira decisão de bloqueio de R$ 730 milhões, incluindo dinheiro depositado nas contas da empresa. Mesmo assinando o acordo, a JBS alega que cumpriu partes dos Termos de Acordo de Regime Especial (Tares) e pediu uma nova análise à Secretaria de Fazenda para confirmar o valor final devido ao Estado pelo descumprimento das obrigações. A empresa afirmou, ainda, que vai contratar uma auditoria externa para fazer o mesmo levantamento. Com isso, em um prazo de 120 dias, JBS e Estado devem fazer uma nova reunião para definir o valor devido e, no fim da ação judicial, caso a empresa deixe de pagar o valor apurado, os imóveis bloqueados hoje como garantia passam a ser patrimônio de Mato Grosso do Sul.
ESTADÃO CONTEÚDO
EMPRESAS
JBS ainda corre atrás de R$ 1,8 bilhão
Para atingir a meta de embolsar R$ 6 bilhões com a venda de ativos, a JBS ainda terá de arrecadar em torno de R$ 1,8 bilhão (o equivalente a US$ 580 milhões) com a Five Rivers, que reúne as operações de confinamentos de bovinos da JBS nos EUA
Desde setembro, fontes próximas à JBS que estão par das tratativas avaliam que a venda de Five Rivers está próxima de ser anunciada, restando acertar pendências como o modelo de fornecimento de gado para os frigoríficos da JBS nos Estados Unidos. Ontem, a agência Bloomberg reforçou que a JBS está em “conversas adiantadas” para a venda da Five Rivers para um investidor que conhece “profundamente” essa operação. A agência não mencionou valores. De todo modo, é possível dimensionar o valor da Five Rivers. Em 14 de junho, a JBS vendeu as operações de confinamentos que a Five Rivers detinha em Alberta, no Canadá, por US$ 40 milhões (R$ 127,5 milhões, considerando a cotação da época). No Canadá, a capacidade estática do confinamento da empresa era de 75 mil cabeças. No EUA, a Five Rivers é muito maior, sendo capaz de abrigar 980 mil cabeças de bovinos. Portanto, se a JBS conseguir avaliação semelhante à transação feita no Canadá, a Five Rivers nos Estados Unidos renderá US$ 522,6 milhões à companhia brasileira. Com isso, a JBS ficaria próxima dos R$ 6 bilhões estimados pela diretoria em junho. Desde que lançou seu programa de desinvestimentos, a JBS já finalizou a venda dos confinamentos no Canadá e da subsidiária irlandesa Moy Park, segunda maior produtora de carne de frango do Reino Unido. Em um negócio “caseiro” feito no mês passado, a americana Pilgrim’s Pride, que é controlada pela JBS, assumiu a Moy Park por cerca de 1 bilhão de libras esterlinas, mas esse valor inclui também a assunção das dívidas da companhia irlandesa. Na prática, o montante que entrou no caixa da JBS no Brasil é de 790 milhões de libras, o que significa R$ 3,2 bilhões se considerada a cotação da moeda britânica em 11 de setembro – data do fechamento da transação. Além desses ativos, a JBS também já acertou a venda da participação de 19% que tem na empresa de lácteos Vigor, por cerca de R$ 780 milhões. Também controlada pela J&F, holding dos irmãos Batista, a Vigor foi vendida ao grupo mexicano Lala. Mas o pagamento desse negócio ainda não foi feito porque a cooperativa mineira CCPR, sócia da Vigor na Itambé, decidiu exercer o direito de preferência para assumir o controle da Itambé. Como a Lala ainda tem interesse na empresa mineira, o pagamento ainda pode demorar, mesmo porque a mexicana pagará uma quantia menor sem a Itambé, que foi avaliada em R$ 1,4 bilhão. Conforme o Valor já informou, a CCPR vem encontrando dificuldades para obter o financiamento de R$ 600 milhões para recomprar a Itambé. Na sexta-feira, a CCPR protocolou a compra dos 50% da Itambé no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Segundo uma fonte a par do tema, essa é uma maneira de a CCPR ganhar tempo. Enquanto o órgão antitruste avalia a transação, o que poderá levar até 40 dias, os mineiros seguem em busca do financiamento. No pior cenário, a JBS só receberá os R$ 780 milhões entre o fim de novembro e o início de dezembro. Procurada, a JBS não comentou.
VALOR ECONÔMICO
PF não indiciou Marfrig ou seus executivos na Operação Acrônimo
A Marfrig Global Foods informou em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que a Polícia Federal (PF) concluiu o relatório final da Operação Acrônimo e não indiciou a empresa ou qualquer um de seus executivos da companhia. Em meio ao não indiciamento, as ações da Marfrig registram uma das maiores altas do Ibovespa Os papéis da companhia chegaram a subir 1,88% na B3, cotadas a R$ 6,51. Quando a Operação Acrônimo estava fase de investigação pela PF, a Marfrig foi alvo de busca e apreensão. Os investigadores apuravam supostas irregularidades na campanha do Governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT). Agora indiciada pela PF, a esposa de Pimentel, Carolina Oliveira, mantinha um contrato com o Instituto Marfrig.
VALOR ECONÔMICO
INTERNACIONAL
Carne americana retoma acesso à China, mercado de maior crescimento do mundo
Em maio de 2017, os Estados Unidos recuperaram o acesso ao mercado de carne da China, permitindo exportações de produtos frescos/refrigerados/congelados e com osso/desossados, bem como de alguns miúdos
Nos 13 anos desde que os Estados Unidos perderam o acesso devido à encefalopatia espongiforme bovina (EEB), a China passou de um comprador insignificante ao segundo maior importador do mundo. A indústria doméstica de carne bovina não conseguiu aumentar a produção no ritmo necessário para atender a demanda crescente. Como resultado, as importações de carne bovina cresceram acentuadamente desde 2013, chegando a 820 mil toneladas (US$ 2,6 bilhões) em 2016. Embora existam oportunidades para as exportações de carne bovina dos Estados Unidos para a China, as exportações deverão ser limitadas no curto prazo devido às exigências do mercado que limitam os estoques exportáveis. De 2011 a 2016, a produção nacional de carne bovina cresceu em 8% para 7,0 milhões de toneladas (equivalente em peso carcaça), mas foi superada por um crescimento ainda mais forte do consumo, que subiu 20%, para 7,8 milhões de toneladas durante o mesmo período. A produção da China é limitada por altos custos, infraestrutura inadequada da cadeia de frio, falta de investimento e uma indústria fragmentada, na sua maioria, de pequenos produtores localizados no interior do país, que é desafiada a atender os centros de consumo primário no leste da China. Incapaz de satisfazer plenamente a demanda com a produção doméstica, o país buscou cada vez mais o mercado internacional. Os Estados Unidos eram o maior fornecedor, com uma participação de mercado de dois terços do então pequeno mercado de carne chinesa de US$ 15 milhões quando perdeu o acesso em 2003. Durante os 13 anos seguintes, os consumidores da China consumiram cada vez mais carne vermelha e de aves, devido a maiores níveis de renda individual e crescimento populacional. Embora tradicionalmente a carne menos consumida, o consumo de carne bovina cresceu mais rápido em comparação com a carne suína e de frango durante os últimos 5 anos, uma vez que o aumento dos preços da carne de frango e da carne suína (devido à menor produção) tornou a carne bovina relativamente mais acessível. O mercado de carne bovina da China não é apenas maior por várias ordens de grandeza, mas também se tornou muito mais competitivo. Ao longo dos últimos 5 anos, a maioria dos principais exportadores de carne bovina aumentou sua participação no comércio total para a China e trabalhará para manter esses ganhos. Em vários casos, principalmente Uruguai e Argentina, a China tornou-se um mercado essencial. As potenciais exportações dos EUA também terão que enfrentar os diferenciais de taxa de câmbio e de preço, os serviços comerciais já estabelecidos pelos concorrentes e a preferência da China por carne magra versus com marmoreio (que é um atributo-chave da carne dos Estados Unidos). Inicialmente, a oferta de gado elegível dos EUA limitará as exportações de carne para a China. À medida que os produtores de carne bovina dos Estados Unidos começam a aderir ao protocolo de carne EUA – China, as exigências da China limitarão as ofertas exportáveis dos EUA. Por exemplo, como não existe um programa obrigatório de identificação de gado (ID) nos Estados Unidos, as operações irão utilizar programas de ID voluntários para mostrar a fazenda de nascimento ou o ponto de origem dos Estados Unidos. Além disso, a proibição da China sobre a detecção de promotores de crescimento exige que os produtores criem bovinos sem hormônios, que representam um pequeno segmento do rebanho devido à redução da eficiência e ao aumento do custo de produção. Esses animais são vendidos com um premium, por exemplo, com uma média de US$ 18 por tonelada durante janeiro-julho de 2017 e vendidos para um número limitado de mercados de preços elevados, particularmente os mercados da UE e de carnes especiais dos EUA. O pool de animais que já participam desses programas é limitado e a biologia da criação de bovinos implica que levará tempo para aumentar o número de gado pronto para abate que satisfaça esses requisitos. Os Estados Unidos têm vários Programas de Verificação de Exportação para países como a UE para facilitar o comércio de carne bovina. No curto e médio prazo, a carne vendida para a China terá que ser obtida deste segmento especializado do rebanho de gado dos EUA, concorrendo assim com a demanda desses mercados. A longo prazo, a forte demanda da China pode estimular mais produtores dos EUA a ajustar seus métodos de produção para atender às demandas do mercado. A China deverá importar 1,0 milhão de toneladas em 2018, 11% a mais maior do que em 2017. Os países sul-americanos continuarão a ser os principais fornecedores, já que o Brasil, o Uruguai e a Argentina mantêm o forte crescimento nas exportações. A Austrália, anteriormente o maior exportador da China, permanecerá limitada por seus estoques reduzidos, uma vez que a reconstrução do rebanho continua. A carne bovina dos EUA competirá com outras ofertas de carne de alta qualidade da Austrália e do Canadá, mas serão limitados pelos termos estipulados no protocolo. No entanto, a carne dos EUA tem uma boa reputação na China e pode encontrar sucesso em mercados sofisticados.
Relatório USDA
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