
Ano 3 | nº 551| 07 de julho de 2017
ABRAFRIGO
Mesmo com a crise, exportações totais de carne bovina voltaram a crescer em junho
A movimentação em junho atingiu a 123.291 toneladas contra 121.325 toneladas no mesmo mês do ano anterior (+2%)
Mesmo com as turbulências que afetam o mercado de carnes brasileiro ainda apresentando seus efeitos, tanto na área internacional como na doméstica, as exportações totais de carne bovina e processada voltaram a apresentar crescimento em junho na relação com o mesmo mês de 2016 pela segunda vez no ano – o único resultado positivo até aqui tinha sido obtido em janeiro. A movimentação em junho atingiu a 123.291 toneladas contra 121.325 toneladas no mesmo mês do ano anterior (+2%). Para amplificar o bom resultado, os preços também apresentaram comportamento positivo, com um crescimento de 9%: a receita obtida passou de US$ 469,2 milhões em 2016 para US$ 510,3 milhões em 2017. Na carne in natura, que significa quase 80% da movimentação do produto, o valor médio apurado com os embarques em junho foi de US$ 4.214 dólares por tonelada contra US$ 3.929,2 dólares no mesmo mês do ano passado. As informações são da Associação Brasileira de Frigoríficos (ABRAFRIGO) que compilou os números finais de junho divulgados no final da semana pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), através da SECEX/DECEX. Para a entidade, o ambiente no mercado internacional ainda é de oferta restrita e o Brasil deverá continuar sua recuperação nos próximos meses para atingir pelo menos o mesmo patamar de vendas de 2016. No acumulado de janeiro a junho, as exportações ainda apresentam queda de 8% em volume em relação ao mesmo período de 2016 – 656.560 toneladas neste ano, contra 713.079 no ano passado. Em receita, a queda é de 3%: US$ 2,63 bilhões contra US$ 1,72 bilhões. Entre os principais importadores que ampliaram suas aquisições a China continua em primeiro lugar somando-se Hong Kong com o continente. O primeiro importou 147.549 toneladas no semestre, queda de 6,3% em relação a 2016. Em compensação a China Continental elevou suas compras de 86.846 toneladas para 94.618 toneladas, numa elevação de 8,9%. A Rússia também voltou a apresentar crescimento importante e é segundo maior cliente da carne bovina brasileira: de 69.312 toneladas adquiridas no primeiro semestre de 2016 passou para 94.618 toneladas, crescimento de 8,4%. O Irã também apresentou aumento significativo: foi de 43.495 toneladas para 51.558 toneladas (+ 18,5%), mas o melhor desempenho entre os grandes compradores foi o da Arábia Saudita que elevou suas importações de 15.030 no primeiro semestre de 2016 para 28.053 toneladas no mesmo período de 2017. Os Estados Unidos, país que proibiu recentemente as importações de carne in natura brasileira, também teve resultado positivo: no primeiro semestre de 2017 importou 26.693 toneladas contra 15.581 no ano passado, a maior parte de carne bovina processada. Já nos principais desempenhos negativos entre os grandes clientes, segundo a ABRAFRIGO, o pior resultado foi o do Egito, cujas importações caíram de 110.800 toneladas nos seis primeiros meses de 2016 para 42.302 em 2017 (-61,8%), devido aos problemas cambiais que aquele país enfrenta. O Chile também reduziu suas importações: de 32.577 toneladas para 26.918 toneladas (-17,4%). Ainda como resultado dos efeitos da Operação Carne Fraca, quase todos os países da Europa Ocidental continuam com restrições e suas importações estão bem abaixo das realizadas em 2016. No resultado geral do semestre, um total de 65 países ampliaram suas aquisições, enquanto que outros 78 diminuíram as importações.
ASSESSORIA DE IMPRENSA ABRAFRIGO
Pressão de baixa persiste no mercado físico do boi
As quedas ainda não chegaram ao fim no mercado do boi gordo
Na última quinta-feira (6/7) foram registrados recuos em onze das trinta e duas praças pecuárias pesquisadas pela Scot Consultoria. Segundo levantamento da Scot Consultoria, em São Paulo a referência caiu para R$126,00/@, à vista, livre de Funrural. Existiram ofertas de compra em preços até R$3,00/@ menores, embora o volume de compras seja inexpressivo. Não houve alteração de preços no mercado atacadista de carne bovina, mas a pesquisa indica uma tendência de queda em curtíssimo prazo.
SCOT CONSULTORIA
Preço da carne bovina em queda há um mês no atacado
Já são quatro semanas com desvalorização no mercado atacadista de carne bovina sem osso
O volume de vendas atual não é compatível com a oferta de carne de final de safra. O cenário não é bom para o escoamento. O Boletim Focus do Banco Central trouxe, nesta semana, um cenário preocupante para os índices econômicos. A economia, que cresceria 0,5% este ano, segundo expectativas de duas semanas atrás, foi revisada, e agora imagina-se que o avanço do PIB fique em 0,39%. A produção industrial despencou. Em maio esperava-se crescimento de 1,52%, mas o indicador caiu pela metade. E a venda de carne bovina é fortemente atrelada ao poder de compra da população. A arroba do boi gordo em São Paulo está nos menores patamares nominais desde setembro de 2014, as margens das indústrias andam nas máximas históricas e, ainda assim, o que se vê são escalas de abate curtas, controladas. Demonstração, mais do que suficiente, para não desconfiar de que o consumo patina, não anda nada bem, e sem consumo não há como o preço da arroba subir. Este cenário todo dá ideia do risco existente para quem pretende atrasar as vendas das boiadas e manter o boi no pasto.
SCOT CONSULTORIA
Preço da arroba do boi gordo atinge menor patamar desde 2014
A cotação da arroba atingiu em São Paulo R$127,00, o menor patamar desde setembro de 2014, segundo a Scot Consultoria
A chegada do frio, que reduz o vigor das pastagens e aumenta a oferta de bois no mercado, teria sido um dos motivos de mais essa queda. No fechamento do semestre, o preço da arroba já acumula desvalorização de 14,8% em São Paulo e 11,4% na média Brasil. Em Mato Grosso, onde está o maior rebanho do País, a valor é ainda menor. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que o preço da arroba nesta semana está cotado em R$118,00, aumentando a diferença para 9,0% entre os preços praticados no mercado paulista e no mato-grossense. Este cenário tem espantado os pecuaristas das compras de animais de reposição, que tiveram redução de preços em todas as categorias. O preço do bezerro em junho, por exemplo, foi de R$1.032,50, em média. O valor é 19,0% menor que o praticado no ano passado quando o bezerro custava, em média, R$1.278,00. Já os preços do boi magro caíram 14,0%, passando de R$2.014,00 em junho de 2016 para R$1,720,00 em junho deste ano. Essa desvalorização maior no mercado de reposição aumentou o poder de compra do pecuarista se comparado ao mesmo período do ano passado. Em junho de 2016 era possível comprar 1,42 garrote com o preço de venda de um boi gordo com cerca de 16@, hoje o pecuarista compra 1,46 garrotes com o valor da arroba, uma melhora 2,6% no poder de compra.
INFOMONEY
Redução do ICMS do gado em MT abre possibilidades aos produtores
Mudança, porém, não é garantia de melhores preços e aumento da oferta de gado de outros Estados pode pressionar valores em São Paulo
A redução da alíquota do ICMS para operações interestaduais de gado em pé em Mato Grosso do Sul de 12% para 7% e o anúncio da queda de 7% para 4% em Mato Grosso – por 90 dias – deu certo ânimo aos pecuaristas desses Estados em relação à comercialização do gado represado. “Essa queda no imposto vai aumentar a competitividade do gado sul-mato-grossense e diminuir os impactos econômicos causados por essa crise”, diz o Presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), Jonatan Barbosa. Segundo a entidade, são 300 mil cabeças de gado paradas no Estado. Para Gustavo Aguiar, analista da Scot Consultoria, a redução na alíquota é produtiva para o pecuarista por ampliar suas opções. “Ele sai da situação em que está praticamente refém dos frigoríficos do mesmo Estado e em algumas regiões praticamente limitado a um ou dois compradores”. Esse é o caso de Marcos Jacinto, produtor de Gaúcha do Norte, MT, município próximo a Canarana – onde, segundo o pecuarista, 90% do abate está concentrado no JBS, que há cerca de dois meses passou a pagar somente com 30 dias. “Com isso, a gente se obriga a vender para eles e com 30 dias. A outra opção é tirar o gado do Estado, porque nas outras regiões de Mato Grosso eles ainda detêm 50% do abate. Então vamos ver se baixar os três pontos [do ICMS] vai ser suficiente”, explica. Em nota, o Presidente da Associação de Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Marco Túlio Duarte Soares, afirmou que “com a possibilidade de vender para outros Estados, o produtor consegue valorizar sua produção e ter garantias de que vai receber”. Segundo o analista, os frigoríficos de outros Estados vão começar a pesar essa atratividade do gado de outros lugares. “Você diminui o tributo que vai incidir sobre essa compra, então torna interessante essa aquisição por frigoríficos de São Paulo, por exemplo. Mas ele também vai ter que levar em conta a distância por causa do frete”. Aguiar e Jacinto concordam que o mercado paulista é o mais atrativo a princípio. “A única forma de agregar valor para a arroba é indo para São Paulo, porque é onde está o consumo. Então, com a redução, talvez tenhamos mais opções. Só que Mato Grosso do Sul também baixou e o frete para eles, principalmente para a região de Andradina, Araçatuba [ambas cidades em São Paulo] fica muito melhor. E o frete também é determinante. Mas pelo menos nos gera competitividade”, conta o produtor. Aguiar lembra, porém, que o aumento de opções não garante melhores preços. “O frigorífico vai pagar o mínimo possível dentro das possibilidades e necessidades dele. Ele não vai oferecer o mesmo preço de São Paulo para comprar o gado de Mato Grosso do Sul, porque daí ele poderia comprar por esse preço em São Paulo e evitar a operação, que envolve riscos e custos nesse deslocamento”. A redução da alíquota do ICMS deve abrir o leque de opções dos pecuaristas dos Estados beneficiados, mas pode pressionar os preços da arroba em São Paulo, dependendo do aumento da oferta de gado de outros Estados no mercado paulista. “Isso pode estimular uma visão um pouco mais pessimista de mercado e, como o mercado futuro opera via São Paulo, existem uma série de desdobramentos que podem ocorrer”, diz o analista da Scot. Como a medida de redução entrou em vigor em Mato Grosso do Sul em 1º de julho e ainda não tem data certa para começar a valer em Mato Grosso, o analista ressalta que é cedo para dizer como será esse fluxo de gado – e suas consequências – e se as compras por outros Estados vão valer a pena ou não. Com receio de que parte do gado parado em outros Estados possa ir para Minas Gerais, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Faemg) entregou um ofício ao governador de MG em 28 de junho pedindo ações que barrem essa entrada. “Como eles fizeram uma redução para facilitar a exportação para outros Estados, o medo é de abarrotar Minas, que já está com preços baixos”, disse Roberto Simões, Presidente da entidade ao Portal DBO. Em 5 de julho, os preços da arroba no Estado ficaram entre R$ 118 (Sul) e R$ 122 (Norte e Belo Horizonte), à vista, livre de Funrural, de acordo com dados da Scot Consultoria. Como a alíquota para operações interestaduais de gado em pé em Minas é de 12%, Simões pede que o governo de Minas equalize as condições de concorrência, taxando a entrada de animais, por exemplo.
Portal DBO
EMPRESAS
BRF aprova nova estrutura de gestão e atuação comercial
A BRF terá uma nova estrutura organizacional composta por 14 vice-presidências que reportarão ao CEO global Pedro Faria, informou a companhia em comunicado na quinta-feira (06)
A nova estrutura foi aprovada em reunião do Conselho de Administração na semana passada e faz parte da reformulação do modelo de gestão da empresa anunciada no início do ano, com objetivo de melhorar os resultados da BRF. A empresa também alterou o modelo de atuação comercial. Anteriormente, a BRF tinha um modelo comercial em que mercados internacionais (Ásia, Europa, Américas e África) eram geridos separadamente. A partir de agora, estes serão administrados em um único bloco comercial denominado Internacional, sob comando do executivo Simon Cheng, que vem liderando as atividades da BRF na Ásia nos últimos anos. Outro bloco de atuação denominado Brasil será gerido por Alexandre Almeida. A BRF ainda manterá separadamente a gestão comercial da OneFoods, referente aos negócios da subsidiária que atua nos mercados muçulmanos, sob liderança de Patrício Rohner. Além disso, o bloco Cone Sul agrupará os mercados de Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai, sob supervisão de Jorge Lima. “A nova estrutura reflete o amadurecimento do formato organizacional vigente até então. O objetivo é padronizar e centralizar os processos corporativos, mantendo uma organização enxuta, eficiente e estável, de modo a garantir o funcionamento efetivo de uma organização global”, informou a BRF em comunicado.
CARNETEC
INTERNACIONAL
Índice da FAO aponta alta dos alimentos
O índice de preços globais de alimentos da FAO, a agência das Nações Unidas para agricultura e alimentação, voltou a subir em junho e permaneceu no maior patamar dos últimos anos
Puxado por carnes, lácteos e cereais, o indicador alcançou 175,2 pontos, 1,4% mais que em maio e segundo maior resultado dos últimos 12 meses, abaixo apenas que o de fevereiro (175,5). Em 2016, a média foi de 161,5 pontos. Entre os grupos de produtos que compõem o índice o que registrou a maior valorização foi o dos lácteos. A alta em relação a maio foi de 8,3%, com destaque para a disparada da manteiga – em média, o produto subiu 14,1% e atingiu sua máxima histórica. O salto dos lácteos foi impulsionado pela redução da oferta de países exportadores, o que também influenciou valorizações de queijos e do leite em pó desnatado. No grupo dos cereais, a alta apurada pela FAO em junho foi de 4,2% em relação ao mês anterior, em larga medidas por causa do aumento do trigo, provocado por problemas nas lavouras dos Estados Unidos. Mas o arroz também teve alta expressiva, sustentada pela demanda firme no mercado internacional. Em contrapartida, o milho se manteve em baixa, pressionado pelas fartas colheitas na América do Sul, principalmente no Brasil. Já o indicador da FAO que mede especificamente as oscilações nos mercados de carnes fechou junho com variação positiva de 1,8% sobre maio, diretamente influenciada pela queda das exportações de carne bovina da Oceania e pela ainda “sólida” demanda global por carne suína. Do outro lado da balança, a carne de frango continuou em queda em razão de temores com a influenza aviária na Europa, na Ásia e na África. Nos grupos formados por açúcar e óleos vegetais, houve quedas em junho – de 13,4% de 3,9%, respectivamente. Nos dois casos, as ofertas globais são confortáveis.
VALOR ECONÔMICO
Exportações de carne bovina da Austrália foram 17% menores em 2016-17
Dois anos de liquidação do rebanho impulsionada pela seca, que viu o rebanho bovino australiano atingir o menor volume em duas décadas, resultou em uma redução significativa na carne disponível para exportar nos últimos 12 meses
Para o ano fiscal de 2016-17, as exportações australianas de carne bovina caíram abaixo da marca de um milhão de toneladas pela primeira vez desde 2011-12. Os volumes alcançaram quase 963.000 toneladas em 2016-17, um declínio de 17% com relação ao ano anterior. Em comparação com a média de cinco anos (2011-12 a 2015-16), as exportações de 2016-17 caíram em 19%. As exportações de carne bovina produzida a pasto para o ano fiscal 2016-17 foram 22% menores, em 705 mil toneladas. Melhores condições climáticas em todas as regiões de produção pecuária incentivaram os produtores a reter o rebanho e a começar a reconstruir seus rebanhos, que sustentam a disponibilidade limitada de produto para exportação. As exportações de carne bovina de animais terminados com grãos alcançaram 258.000 toneladas, 4% abaixo dos níveis de 2015-16. Uma combinação de altos preços do gado doméstico e preços mais baixos de grãos viu o número de gado confinado em todo o país superar um milhão de cabeças pela primeira vez no trimestre de março de 2017. A proporção de exportações de carne bovina australiana de animais terminados com grãos com relação ao total exportado em 2016-17 atingiu 27%.
Meat and Livestock Australia (MLA)
Uruguai utiliza quase um terço da Cota 481 com a Europa
O Uruguai fechou o ano produtivo, que terminou em 30 de junho, utilizando quase um terço das exportações de carne bovina de alto valor dentro da chamada Cota 481 para a União Europeia (UE), com preços em torno de US$ 9.000 a tonelada, em um negócio que é valorizado por seu status de isenção de impostos
Além disso, a cota Hilton foi cumprida totalmente (6.300 toneladas), mais um adicional de 76 toneladas pela entrada da Croácia na União Europeia. A Cota 481 consiste em 48.200 toneladas de vendas para a UE, que pode ser utilizada pelos seguintes países: EUA, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Uruguai e Argentina. As exportações uruguaias para essa cota foram estimadas em mais de 15 mil toneladas, ao manter-se a tendência de volumes exportados durante 2016 e os primeiros meses deste ano. De acordo com dados do Instituto Nacional de Carnes (INAC) até março passado, quando faltavam três meses para processar dados até junho, tinham sido enviadas 11,815 toneladas no ano fiscal de 2016/17. A tendência de negócios está aumentando, considerando que durante o ano de 2016, a Cota 481 totalizou 14.618 toneladas. Além disso, os preços operaram de forma estabilizada há quase dois anos, considerando uma média de US$ 9.125 a tonelada em 2015; US$ 9.112, a tonelada em 2016; e US$ 8.907 a tonelada, entre janeiro e março deste ano. Além da vantagem tarifaria, esse tipo de negócio permite maximizar o aproveitamento da carcaça à medida que pode-se colocar uma maior quantidade de cortes com relação à cota Hilton, que tem como carros chefe rump & loin.
El Observador
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