
Ano 3 | nº 548| 04 de julho de 2017
NOTÍCIAS
Mercado do boi gordo dá largada no segundo semestre sob pressão
Abertura do mercado desta semana (3/7) o que se notou foi uma maior pressão sobre as cotações
Tipicamente, a segunda-feira é um dia de pouca movimentação e de poucas variações nos preços. Entretanto, na abertura do mercado desta semana (3/7) o que se notou foi uma maior pressão sobre as cotações. Reforçando a conjuntura da semana passada, a arroba ainda está diante de um cenário de queda. Houve recuo em doze praças para a arroba do boi gordo. Em média, em junho, quando analisadas todas as praças pesquisadas pela Scot Consultoria, o recuo para a arroba do boi gordo foi de 2,3%. O crescente aumento na oferta de boiadas, com o final de safra, somado ao lento escoamento da carne, são fatores que colaboram para o cenário de queda. Em São Paulo, a arroba do boi gordo ficou estável frente ao último levantamento, cotada em R$127,00, à vista, livre de Funrural. No estado as escalas giram em torno de cinco dias. O mercado atacadista de carne bovina com osso ficou estável. O boi casado de animais castrados ficou cotado em R$8,90/kg.
Marfrig amplia abates de bovinos
A Marfrig confirmou as expectativas e anunciou a ampliação de seus abates de bovinos no país
Em comunicado divulgado ontem, a companhia informou que o incremento virá da reabertura de duas unidades frigoríficas que estavam paralisadas desde 2015 – localizadas nos municípios de Nova Xavantina (MT) e Pirenópolis (GO) – e da expansão da produção em outras quatro unidades situadas nos Estados de Goiás, Mato Grosso, Pará e Rondônia. “Após a implementação total dessas ações, estima-se que a operação brasileira da divisão Beef eleve sua capacidade efetiva em torno de 25% em relação ao patamar atual. Esse aumento está alinhado à estratégia da companhia na busca pelo crescimento sustentável”, afirma o comunicado assinado pelo Vice-Presidente de Finanças e Relações com Investidores da Marfrig, José Eduardo de Oliveira Miron. Na B3, os papéis da companhia fecharam ontem com alta de 0,6%, em linha com o Ibovespa. No mesmo comunicado, a empresa não relaciona o incremento a eventuais oportunidades abertas pelas dificuldades enfrentadas pela JBS, que lidera o segmento no país. O texto afirma apenas que a expansão anunciada é consequência “da maior disponibilidade de bovinos para abate no Brasil, decorrente do ciclo positivo de gado e da maior retenção no primeiro semestre, e do atual cenário macroeconômico”. Procurada pelo Valor, a Marfrig não informou sua atual média diária de abates de bovinos – em todo o ano passado, os abates da companhia superaram 2 milhões de cabeças – e preferiu não detalhar a estratégia de expansão anunciada. Mas esclareceu que, para a reabertura das unidades de Nova Xavantina e Pirenópolis estão sendo contratos 1,35 mil funcionários no total. A reportagem apurou que a expansão da produção nos outros quatro frigoríficos acontecerá por meio da implantação de segundos turnos. De fato, o “ciclo positivo de gado bovino”, também marcado pelo aumento de matrizes para descarte, já motivaria por si só uma ampliação dos abates no país em algum momento neste ano. O “momento” pode até ter sido adiado, mas, agora, tornou-se uma tendência praticamente irrefreável. “Em janeiro e fevereiro, os abates em geral caíram cerca de 20% no país, em parte porque o mercado não exigia e os pastos estavam muito bons. Depois veio a Operação Carne Fraca [deflagrada pela Polícia Federal em 17 de março], que provocou queda de 50% dos abates em março e abril, até porque as exportações foram prejudicadas. Ou seja, é hora de tirar o atraso, o que deverá tornar o segundo semestre deste ano bastante positivo nessa frente”, afirmou um especialista. Uma outra fonte de mercado pondera, entretanto, que o “fator JBS” também tem alguma influência nos movimentos de suas concorrentes, por mais que possa não ser a condição predominante. Como já informou o Valor, uma das primeiras medidas adotadas pela líder de mercado após a delação de seus proprietários foi suspender os pagamentos à vista pelos bovinos adquiridos dos pecuaristas e não mais efetuar as compras à vista. Posteriormente, a JBS também decidiu reduzir sua escala de abates no país. Dado o peso da companhia no setor, as medidas tiveram reflexos no mercado, inclusive sobre os preços do boi gordo.
VALOR ECONÔMICO
Paradeira no mercado de reposição no Paraná
Últimos acontecimentos relacionados à pecuária de corte têm afastado os pecuaristas das compras
Os últimos acontecimentos relacionados à pecuária de corte têm afastado os pecuaristas das compras e o ritmo das negociações são menores no estado. Comparado com o mesmo período do ano passado, em média, o preço de todas as categorias de machos para reposição caíram 15,5% e o preço do boi gordo, na mesma comparação, recuou 13,3%. Desta maneira, atualmente o pecuarista está com maior poder de compra do que estava em junho do ano passado. Em junho de 2016 comprava-se 1,42 garrote (9,5@) com o preço de venda de um boi gordo de 16,5@, hoje compra-se 1,46, melhora de 2,8% no poder de compra do pecuarista. Entretanto, desde o começo o ano, o preço do boi gordo desvalorizou mais do que a média dos preços dos animais de reposição, 13,3% e 5,1%, respectivamente. Sendo assim, nesse intervalo de tempo a relação de troca ficou desfavorável para o pecuarista. Em janeiro desse ano comprava-se 1,62 garrote com o preço de venda de um boi gordo de 16,5@, e atualmente compra-se 1,46. Ou seja, comparado com o início do ano o poder de compra do pecuarista caiu 10,1%.
Blairo Maggi defende em Conferência da FAO consumo de carne bovina
Ministro destaca pesquisa da Embrapa, que permite criação de gado com emissão zero, e conclama países desenvolvidos a honrarem compromissos do clima. Países em desenvolvimento são os mais afetados pelas emissões históricas de economias industrializadas, disse o ministro
Ao discursar na 40ª Conferência da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação), o Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, defendeu o consumo de carne bovina pela sua “contribuição à segurança alimentar e nutricional”, o maior acesso a mercados e conclamou países desenvolvidos a honrarem compromissos com o clima. “Entendemos que a FAO, no cumprimento do seu mandato, deve priorizar questões relativas à produção de alimentos, à produtividade e à nutrição. Nesse contexto, alimentos de alto valor proteico, como a carne bovina, como bem observou o Comitê de Segurança Alimentar-2016, devem ser reconhecidos”, afirmou. “Recomendações sobre diminuição do consumo de carne bovina, devido a emissões, não devem ser feitas”. Maggi destacou pesquisas da Embrapa, vinculada ao ministério, que permitem a criação de bovinos sem emitir gases de efeito estufa e, ainda, o Plano ABC, que integra a produção da lavoura, pecuária e florestas. O Plano ABC, informou, atingiu cerca de 12 milhões de hectares em 2016, “favorecendo a sustentabilidade e a renda de muitos agricultores”. O maior acesso a mercados, disse Maggi, “é essencial para a redução da insegurança alimentar, da fome e da má nutrição”. Enfatizou que “a agricultura brasileira se desenvolve de maneira sustentável em linha com a Agenda 2030”. O país, de acordo com o ministro, fornece alimentos diversificados, seguros e de alta qualidade para o consumo interno e para grande parcela da crescente população mundial. Conclamou países desenvolvidos a cumprirem o Acordo do Clima de Paris, que foca na redução do aquecimento global. “Países em desenvolvimento são os mais afetados pelas emissões históricas de economias industrializadas. E estimamos que, particularmente, os principais emissores mundiais cumpram com seus compromissos perante à comunidade internacional”. O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo, graças em grande parte à produtividade, que tem crescido de 4% ao ano, desde 1975, lembrou o Ministro. A importância do setor para a economia do Brasil também foi lembrada. “De pequenos a grandes produtores, empregam um a cada cinco trabalhadores e respondem por mais de 20% do nosso Produto Interno Bruto (PIB)”. A legislação ambiental, que exige preservar de 20% a 80% das propriedades rurais, dependendo da localização, e esforços dos agricultores nessa área mereceram destaque no discurso.
MAPA
Exportação de carne bovina do Brasil cresce em junho; vendas aos EUA diminuem
Os EUA suspenderam os embarques do produto brasileiro no dia 22 de junho
As exportações de carne bovina in natura pelo Brasil cresceram em volumes e valores em junho deste ano na comparação com maio e em relação ao mesmo mês do ano passado, em um período em que a imagem do produto brasileiro foi abalada pela suspensão das vendas brasileiras para os Estados Unidos. Os EUA suspenderam os embarques do produto brasileiro no dia 22 de junho, alegando problemas sanitários. Ainda que as exportações para aquele país tenham ficado abertas na maior parte do mês, as vendas de carne in natura aos EUA ao final do período caíram para 10,4 milhões de dólares, ante 19 milhões de dólares em maio, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgados na segunda-feira. Os negócios do produto in natura com os EUA, que só começaram no segundo semestre do ano passado, ainda representam um percentual pequeno em relação ao total que o Brasil exporta, com a suspensão ao produto nacional pelos norte-americanos tendo muito mais impacto na imagem do que financeiro para a indústria. Ao todo, o Brasil exportou para todos países em junho o equivalente a 422,3 milhões de dólares de carne in natura, ante 382,8 milhões de dólares em maio e 379,6 milhões em junho de 2016, segundo a Secex. Os embarques totais do Brasil totalizaram 100,2 mil toneladas em junho, aumento de 10,8 por cento na comparação com os 90,4 mil toneladas de maio e de 3,7 por cento frente os 96,6 mil toneladas de igual mês do ano passado. O valor médio apurado em junho com os embarques foi de 4.214 dólares por tonelada de carne bovina in natura, contra 4.235,5 dólares em maio e 3.929,2 dólares em junho do ano passado. Questionado sobre o impacto da suspensão dos EUA, o Diretor do Departamento de Estatística e Apoio à Exportação do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Herlon Brandão, evitou comentar o assunto. Ele lembrou que uma missão do governo brasileiro deve ir aos EUA em julho para apresentar explicações aos norte-americanos e tentar reverter a suspensão. “Eu não tenho detalhes, mas isso vai ser negociado”, afirmou ele a jornalistas. O Brasil é o maior exportador global de carne bovina.
China intensifica inspeções de carne importada do Brasil
A autoridade que fiscaliza qualidade na China intensificou as inspeções de carnes importadas do Brasil após uma recente proibição dos Estados Unidos a alguns produtos brasileiros de carne bovina.
O gigante asiático adotará medidas se encontrar problemas de segurança alimentar em carnes importadas do Brasil e notificará o público em tempo hábil, informou a Administração Geral de Supervisão de Qualidade, Inspeção e Quarentena em comunicado enviado à Reuters. Os EUA suspenderam as importações de carne in natura brasileira no fim do mês passado, após um elevado percentual dos embarques não passar em testes de segurança.
Reuters
Mapa lança esclarecimentos sobre reações pós vacinação contra febre aftosa
A Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) lançou uma nota técnica com esclarecimentos sobre reações pós vacinação contra febre aftosa. Confira abaixo na íntegra: “NOTA TÉCNICA No 6/2017/DFIP/MAPA/SDA/MAPA ESCLARECIMENTOS SOBRE REAÇÕES PÓS VACINAÇÃO CONTRA FEBRE AFTOSA
A vacina oleosa contra a febre aftosa foi desenvolvida na década de 80 pelo Centro Pan-americano de Febre Aftosa – PANAFTOSA, órgão vinculado a Organização Pan-americana de Saúde, em colaboração com os países da América do Sul, sendo utilizada no Brasil e países da América do Sul, em substituição à vacina aquosa há mais de 25 anos. Buscou-se no seu desenvolvimento a obtenção de uma vacina segura e eficaz, que além de não oferecer risco de transmissão da doença, induzisse a uma resposta imune eficiente e prolongada. A vacinação contra febre aftosa constitui-se em estratégia fundamental para o Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa – PNEFA e para o Plano Hemisférico de Erradicação da doença – PHEFA. Através da vacinação massiva e sistemática dos bovinos e bubalinos, conseguiu-se a erradicação da febre aftosa no País e o avanço no mercado internacional de carnes, alcançando condição de liderança nas exportações. As regras para a produção e controle de qualidade de vacinas contra a Febre Aftosa, estão aprovadas pela Instrução Normativa no 50/2008 do MAPA. De acordo com a regulamentação estabelecida, os fabricantes de vacinas contra a febre aftosa são obrigados a realizar, em cada partida produzida, testes de controle de qualidade para avaliar a potência, segurança, esterilidade e tolerância. Essas partidas são submetidas aos mesmos testes, no Laboratório Nacional Agropecuário do MAPA, como condição de liberação para a comercialização e uso. Todas as partidas são testadas e aquelas, cujos resultados de análise não estiverem conformes, são condenadas e destruídas. O índice de aprovação de vacinas contra a febre aftosa no controle oficial desde o ano de 2015 até 2017 é de 98%. Por conter em sua composição adjuvante óleo mineral na proporção de 70 por cento do volume da dose, a vacina contra aftosa é um indutor de reações no local da aplicação, o que é esperado para a proteção do animal vacinado. Reações no local da aplicação, reações alérgicas e de hipersensibilidade são inerentes à maioria dos medicamentos injetáveis, com intensidade variável de acordo com o tipo de produto e do indivíduo. As advertências sobre estes efeitos e os cuidados para a correta aplicação sempre estão previstos nos rótulos e bulas dos produtos. Com base nas diretrizes do PANAFTOSA, amparados no Regulamento Técnico para Produção e Controle de Qualidade de Vacinas Contra a Febre Aftosa, aprovado pela Instrução Normativa no 50/2008, aceita-se, no teste de tolerância, a observação do surgimento de nódulos no local da aplicação. É importante ressaltar que nódulo é uma reação esperada em função da presença do adjuvante oleoso na formulação da vacina, existindo registro dessas ocorrências desde o início do uso obrigatório da vacina oleosa no Brasil (1992). Diferentemente, abcessos são lesões que ocorrem eventualmente em decorrência de más práticas e de contaminação microbiológica no local da aplicação. Todas as partidas de vacina contra febre aftosa passam por testes de esterilidade para garantir que não houve contaminação no produto durante o processo de fabricação. O agravamento das reações locais, ou a evolução dessas reações para abscessos, estão relacionados com a aplicação incorreta do produto, podendo levar a perdas no processamento das carcaças. Visando minimizar esses riscos e prejuízos aos produtores, o MAPA, por meio do Departamento de Fiscalização de Insumos Pecuários da Secretaria de Defesa Agropecuária, publicou e disponibilizou em 2008, a Cartilha Produtos Veterinários – Orientação para o Uso Responsável (http://www.agricultura.gov.br/assuntos/insumos-agropecuarios/insumos- pecuarios/produtos-veterinarios/produtos-veterinarios ). Considerando o exposto pode-se afirmar que a detecção de abcessos em carcaças não está relacionada à qualidade das vacinas contra febre aftosa.
MAPA
EMPRESAS
Ativos da JBS
Na decisão em que negou recurso da JBS para liberar a venda de ativos da empresa no Mercosul à Minerva, o Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin usou critérios puramente técnicos e não entrou no mérito da questão
Para Fachin, o instrumento usado pelos advogados da JBS – uma Reclamação – não foi adequado. Alvo do recurso, a liminar que suspendeu a negociação, anunciada no início de junho por US$ 300 milhões, foi expedida pela 10ª Vara Federal de Brasília há cerca de dez dias. Em sua argumentação, os empresários Joesley e Wesley Batista, sócios da JBS, dizem que o juiz Ricardo Leite contrariou o STF ao não levar em conta o acordo de colaboração premiada, no qual não está previsto esse tipo de proibição. Fachin, porém, entendeu que a JBS deveria recorrer à segunda instância (o Tribunal Regional Federal). “Não preenchidas as hipóteses de acionamento da via reclamatória, eventual inconformismo deve ser articulado em sede processual própria”, diz despacho de Fachin, assinado sexta-feira.
VALOR ECONÔMICO
INTERNACIONAL
Pelo nono ano consecutivo, Argentina não cumpriu cota Hilton
Pelo nono ano consecutivo, a Argentina não conseguiu exportar o volume de carne bovina suficiente para cumprir sua cota Hilton, com os benefícios tarifários para sua entrada na União Europeia (UE)
A cota do país é de 29.500 toneladas, sendo o país com maior participação nessa cota. No final de maio, estimava-se que a Argentina tinha exportado dentro da cota 21.598 toneladas, 73% do total, e acredita-se fechando o ano 2016/2017 faltaria entre 5.000 e 6.000 toneladas para cumprir o acordo. No ano fiscal de 2015/2016, a Argentina deixou de exportar 7.150 toneladas dentro da cota. No entanto, o governo argentino disse na segunda-feira parado que as condições melhorarão em para o ano de 2017/2018, com a aplicação de um “sistema federal mais eficiente, flexível que permite que todas as empresas tenham acesso e que cumpram toda a cota”, disse o Presidente do Consórcio de Exportadores de Carne ABC, Mario Ravettino.
El Observador
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