
Ano 3 | nº 540| 22 de junho de 2017
NOTÍCIAS
Boi: Ritmo de negócios segue lento
O ritmo de comercialização continua lento no mercado pecuário, com poucos negócios reportados
Conforme pesquisadores do Cepea, compradores e vendedores seguem recuados, negociando apenas quando há urgência. Quanto aos preços, apesar da leve alta de 0,4% no Indicador ESALQ/BM&FBovespa do boi gordo entre 14 e 21 de junho, no acumulado do mês (até dia 21), a queda é de 3,5%, refletindo o período de safra e a diminuição do volume de abates do maior player do mercado brasileiro. Nessa quarta, o Indicador fechou a R$ 128,04 – valor à vista e livre de Funrural.
CEPEA
Mudança na vacina contra aftosa deve evitar reação
Redução da dose atual de 5 ml para 2 ml foi solicitada pelo Mapa aos laboratórios no início deste ano. Medida está em consonância com a programação de retirar totalmente a vacinação do país entre 2019 e 2023, disse Guilherme Marques
Uma medida importante adotada no início deste ano pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) deve evitar reações à vacina contra a febre aftosa. Houve pedido formal aos laboratórios que produzem a vacina para que reduzam a dose atual de 5 ml para 2 ml. Guilherme Marques, Diretor do Departamento de Saúde Animal do Mapa e Presidente da Comissão Sul-Americana para a Luta contra a Febre Aftosa (Cosalfa), observou que o Brasil é livre da febre aftosa e, portanto, não é preciso mais utilizar uma dose reforçada. Marques observou, inclusive, que a medida irá reduzir custos de logística e está em consonância com a programação de retirar totalmente a vacinação do país entre 2019 e 2023, quando o Brasil deverá ser reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) como livre da doença sem vacinação, como já acontece em Santa Catarina. Outra medida relevante é a retirada do sorotipo C da vacina. Estudo do Centro Americano de Febre Aftosa, que concluiu pela inexistência do vírus da febre aftosa tipo C na América do Sul, foi determinante para recomendação da Cosalfa de suspender a vacinação com esse sorotipo na região. A decisão foi tomada no encerramento da 44ª reunião ordinária da Comissão Sul-Americana para a Luta contra a Febre Aftosa (Cosalfa), em abril deste ano. De acordo com o estudo, o último foco de febre aftosa com o sorotipo C nas Américas data de 2004. “Por essa razão, bem como em função de estudo que o Brasil tem, tomamos a decisão de, no futuro, retirar o vírus C de toda vacina produzida no país”, disse o Diretor do Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura que é também Presidente da Comissão Regional da OIE para as Américas. O Ministro Blairo Maggi, garantiu, na quarta-feira (21), que a reação à vacina não oferece risco à saúde pública, ao ser questionado sobre sinal (caroço) encontrado em carne exportada aos Estados Unidos. O Mapa, preventivamente, suspendeu a certificação sanitária do SIF (registro do Serviço de Inspeção Federal) dos embarques de frigoríficos citados pelos país e trabalha para prestar todos os esclarecimentos e correções no sentido de normalizar a situação. O mecanismo de auto suspensão é acionado como estratégia para facilitar o retorno das exportações.
MAPA
Tentativas de compra abaixo da referência são comuns no mercado do boi gordo
O cenário predominante ainda é de pressão de baixa para o mercado do boi gordo. Tentativas de compra abaixo da referência são comuns na maioria das regiões pesquisadas
Das trinta e duas praças levantadas pela Scot Consultoria, houve queda em nove para o mercado do boi gordo, na última quarta-feira (21/6). A boa oferta de animais terminados colabora para este cenário. Em São Paulo, as escalas de abate giram em torno de quatro a cinco dias. Entretanto, existem indústrias com programações mais apertadas e não se vê ânimo em intensificar as compras, frente à demanda lenta. No estado, a arroba do macho terminado ficou cotada em R$128,00, à vista, livre de Funrural, queda de 3,0% desde o início do mês. No mercado atacadista de carne com osso, o boi casado de animais castrados ficou cotado em R$9,07/kg, estabilidade frente ao último fechamento. Para os próximos dias não estão descartadas quedas nos preços. A margem de comercialização do frigorífico que não faz a desossa ficou em 28,2%.
SCOT CONSULTORIA
Desempenho do mercado de carne é de ano de crise, diz Scot Consultoria
De acordo com o balanço sobre o mercado de carnes realizado pela Scot Consultoria, a inflação medida pelo IPCA, índice oficial do país, entre maio de 2016 e maio de 2017 acumula alta de 4,3%. Na primeira semana de junho, a carne no varejo tinha subido 4,6%
Ou seja, o fôlego do mercado foi suficiente somente para acompanhar a inflação e preservar o poder de compra do varejista. Isso quer dizer que, por meio da situação da venda de carnes, os empresários do varejo não estão ganhando mais do que em 2016. Já com os frigoríficos, este elo, reajustou seus preços exatamente iguais à variação do IPCA. Em uma pesquisa rápida com algumas indústrias a Scot Consultoria indica que, até o começo deste mês, os abates estavam muito iguais aos de 2016. Mas naquele ano já haviam caído entre 10,0% e 20,0% frente a 2015. Salvo alguma variação no peso de carcaça, temos praticamente o mesmo volume de carne no mercado este ano. É certo que as exportações caíram, aumentando um pouco a oferta no mercado interno em 2017. Mas, só 20,0% da produção é exportada. Reduzimos, em carne in natura, 5,0% os embarques até maio. Ou seja, aumentou em cerca de 1,0% o volume que voltou para os açougues e supermercados do país. Nada significativo. Segundo a Scot Consultoria, em comparação com 2016, a quantidade de carne produzida neste ano e os preços são muito parecidos. “Apesar da melhora destes indicadores, o mercado de carne comporta-se ainda como se fosse ano de crise”, diz a consultoria. A Scot Consultoria ainda afirma que somente o fato de atingir a marca de 14 milhões de desempregados este ano, confrontado com a teoria da elasticidade renda, deixa claro que a venda de carne ainda não se recuperou.
SF Agro
Estados defendem modernizar legislação de inspeção
Assunto foi discutido durante reunião do Conselho Nacional dos Secretários de Agricultura
Os secretários estaduais de Agricultura defenderam, na quarta-feira (21), mudanças para modernizar a inspeção de produtos de origem animal. Eles querem autorização, por lei federal, para inspeção privada, com a permissão para que estados que adotam esses serviços possam comercializar os produtos dentro do país. O pedido foi apresentado durante reunião do Conselho Nacional dos Secretários de Estado de Agricultura (Conseagri), em Brasília. A inspeção é tratada distintamente da fiscalização e da auditoria, ambas de competência exclusiva de governo. Diretor do Departamento de Saúde Animal do Mapa e Presidente da Comissão Sul-Americana para a Luta contra a Febre Aftosa (Cosalfa ), Guilherme Marques ressaltou que trata-se de uma experiência já adotada no mundo inteiro e reconhecida pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Um dos principais defensores da mudança é o Rio Grande do Sul. Seguindo modelos já adotados em Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, o estado elaborou proposta de lei estadual para contratar inspeção privada para esses produtos. O governo gaúcho alega que, da maneira como está a lei federal atualmente, a comercialização, nesse caso, é limitada a municípios do próprio estado de origem. O Secretário-Executivo do Mapa, Eumar Novacki, disse que o Mapa vai estudar o assunto.
MAPA
EMPRESAS
JBS vai recorrer de decisão que proibiu vendas de ativos à Minerva
A JBS informou na quarta-feira que vai recorrer da decisão judicial que proibiu a venda de ativos no Mercosul para a Minerva Foods
“A JBS vai protocolar os recursos cabíveis, dentro dos prazos”, informou a empresa, em nota enviada pela assessoria de imprensa. A decisão sobre a proibição partiu do juiz Ricardo Soares Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília. Na decisão divulgada nesta quarta, o juiz escreveu considerar a venda “prematura”, pois ainda não foram apresentadas provas que respaldem o suposto favorecimento da JBS pelo BNDES, conforme relatado por executivos da empresa em acordo de delação premiada com a Justiça. Soares Leite lembrou também que o referido acordo ainda terá sua validade analisada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ele acrescentou que a venda pretendida também não foi autorizada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) até o momento. A permissão para a venda havia sido solicitada pelas defesas dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS. Soares Leite é o juiz responsável pela Operação Bullish, na qual são investigados desvios no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em favor da empresa. O bloqueio de ativos da JBS foi imposto como medida cautelar pelo magistrado. A venda dos ativos que a JBS tem no Mercosul para a Minerva foi anunciada ao mercado em 6 de junho. A Minerva pagará US$ 300 milhões para ficar com os ativos, o que, no câmbio de hoje (21), equivaleria a cerca de R$ 1 bilhão.
VALOR ECONÔMICO
JBS e BRF questionam necessidade de responsável técnico na indústria
A entidade recorreu da decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que aceitou pedido das empresas, feito em processos distintos
Em tempos de discussão do modelo de inspeção sanitária gaúcho, duas gigantes do setor de proteína animal estão brigando na Justiça para serem dispensadas da obrigação de terem um responsável técnico nas unidades localizadas no Rio Grande do Sul. JBS e BRF têm ações contra o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado (CRMV-RS), que faz o registro das indústrias e tem função de fiscalizar a atuação do profissional. A entidade recorreu da decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que aceitou pedido das empresas, feito em processos distintos. Isso depois de duas decisões, em primeiro e segundo graus, pela manutenção da exigência. “A função deve ser exercida por médico veterinário, é o que determina a lei. Se a decisão for mantida, vai tirar quem cuida das boas práticas da companhia. É a mesma coisa que retirar um farmacêutico que é responsável técnico na fabricação de medicamentos”, compara Rodrigo Lorenzoni, Presidente do CRMV-RS. O argumento utilizado pelas empresas nos processos é o de que não haveria necessidade do responsável técnico porque já existem fiscais agropecuários que fazem a inspeção e a fiscalização dos produtos. Consultadas pela coluna, JBS e BRF informaram, por meio de nota, que não comentam ações em andamento. No Estado, as duas marcas teriam, respectivamente, 34 e 35 estruturas em que a figura do responsável técnico é exigida. Lorenzoni rechaça que o conselho tenha postura corporativista em relação ao tema: “São apenas 69 vagas de emprego. É uma questão de saúde pública. Quando se trata da segurança alimentar, todo e qualquer cuidado é pouco. Operações recentes feitas dentro e fora do Rio Grande do Sul, pelo Ministério Público e pela Polícia Federal, mostram que há brechas no processo e que, nestes casos, melhor pecar pelo excesso do que pela falta de zelo”, finalizou.
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