
Ano 3 | nº 533| 12 de junho de 2017
NOTÍCIAS
Carne bovina estável no atacado e margens melhores
Os preços da carne bovina caíram no atacado entre o final de maio e começo de junho, mas ficaram estáveis nos primeiros dias de junho
O pagamento de salário chegou, mas mesmo assim, nas duas primeiras semanas do mês, os preços da carne sem osso não deram sinal de alta. Para as indústrias, porém, não houve o impacto nos seus resultados, pelo contrário. A arroba do boi caiu 1,2% na última semana e elevou em quase dois pontos percentuais a diferença entre a receita e o preço pago pela matéria-prima. A conclusão deste cenário, especialmente quando “nesta conta” incluímos a queda de preços no varejo e a comparação das cotações no atacado em relação ao que se via há um mês, é que o consumo piorou. Historicamente, os preços em junho começam a melhorar e as médias mensais crescem até atingir o pico em novembro e dezembro. O Índice de Intenção de Consumo das Famílias da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que vinha em recuperação em 2017, voltou a cair e vem recuando desde abril. A queda no consumo certamente limitará altas de preços da arroba.
SCOT CONSULTORIA
O cenário geral é de pressão de baixa para o mercado do boi gordo
A semana passada terminou com cenário de baixa para o mercado do boi gordo
Em São Paulo a referência para o macho terminado ficou em R$129,50, à vista, livre de Funrural (9/6), uma queda de 1,9% em relação ao início da semana. No estado as escalas de abate giram em torno de seis a sete dias, fator que colabora para as tentativas de compra abaixo da referência. Foram observados pagamentos até R$2,00/@ menores. Apesar da demanda ainda ser um fator de atenção para as indústrias, elas vêm conseguindo segurar os preços para a carne com osso. Assim, diante das desvalorizações para o boi gordo e estabilidade para a carne, a margem de comercialização das indústrias está em patamares historicamente elevados. Atualmente ela está em 27,3%, mais de dez pontos percentuais acima da média histórica e vinte e seis pontos a mais que em igual período do ano passado, quando a margem estava em 1,2%.
SCOT CONSULTORIA
Blairo Maggi lidera missão à China
No dia 19, o Ministro da Agricultura terá audiência com o secretário para Alimentação e Saúde de Hong Kong, Ko Wing-man
O Ministro Blairo Maggi lidera a missão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) que participará da 7ª Reunião dos Ministros da Agricultura dos Brics, na China. O evento, em Nanquim, vai debater a inovação tecnológica para o fortalecimento da agricultura e a cooperação no setor do agronegócio entre os países do bloco: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A delegação do Mapa viaja neste sábado (10) e retorna ao Brasil na terça-feira (20). Blairo também terá reuniões com autoridades chinesas, dirigentes da maior estatal de processamento de alimentos do país asiático e importadores de soja, entre outros compromissos. No dia 19, o Ministro da Agricultura terá audiência com o Secretário para Alimentação e Saúde de Hong Kong, Ko Wing-man.
MAPA
Arroba do boi gordo atinge o menor valor desde agosto de 2013
Segundo o Cepea os frigoríficos que lidam com abates para o mercado interno têm um excesso de oferta e isso ajuda a derrubar o valor da arroba
A arroba bovina sazonalmente cai nesse período do ano, por dois motivos principais: a oferta maior de fêmeas e também de bois gordos, por causa da perda da capacidade de suporte dos pastos, às vésperas do inverno. Desde a Operação Carne Fraca, no dia 17 de março, porém, e exatamente dois meses depois, a referência usada na comercialização do boi gordo vem caindo consideravelmente, mais do que seria o normal para a época, nas praças pecuárias do País De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), a arroba do boi gordo em São Paulo – praça de referência para o País – alcançou nesta semana o valor mais baixo desde agosto de 2013. Conforme o indicador Esalq/BM&FBovespa para o Estado, na parcial de junho (até o dia 6) a arroba valia R$ 131,09. “Em agosto de 2013 o valor era de R$ 127,09, considerando-se a série histórica do Cepea, iniciada em 1997”, diz o centro de estudos. Entre a segunda-feira e sexta, o indicador desvalorizou-se mais 2,28%, de R$ 131,25 no dia 5 para R$ 128,25 sexta. Os frigoríficos que lidam com abates para o mercado interno têm um excesso de oferta e com isso derrubam o valor da arroba. “Imagina uma empresa do porte da JBS saindo do mercado e todos os bois que ela comprava estarem sendo enviados para os outros frigoríficos. Eles estão tendo uma oferta muito grande, afunilou toda a boiada para eles”, diz Rogério Goulart consultor da Carta Pecuária e criador de gado de corte em Mato Grosso do Sul. Ele comenta que a confiança do pecuarista com a empresa de fato foi minada. Para o pecuarista, se o frigorífico paga muito acima do mercado, como a JBS está fazendo, já se acende a luz de alerta.
ESTADÃO CONTEÚDO
Simvet/RS reprova possibilidade de inspeção estadual por terceirizados
Para entidade, proposta apresentada nesta quinta-feira pela Secretaria da Agricultura precisa ser melhor discutida
O Projeto de Lei apresentado pela Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul que retira do Estado a responsabilidade do serviço de inspeção sanitária e possibilita que o mesmo seja feito por empresas credenciadas não agradou ao Sindicato dos Médicos Veterinários no Estado do Rio Grande do Sul (Simvet/RS). A proposta, que será encaminhada para votação na Assembleia Legislativa em regime de urgência, dissocia a inspeção da fiscalização, esta sim que ainda continuará realizada pelos servidores estaduais. Para a Presidente do Simvet/RS, Angelica Zollin, a medida pegou de surpresa a categoria dos médicos veterinários. Na avaliação da dirigente, o projeto é muito amplo e vago. “E no que diz respeito a inspeção passar a ser feita pelo setor privado depois de treinamento e habilitação realizados pelo setor público, se o setor público já não consegue fiscalizar com as pessoas que tem, como terá braço para treinar o número necessário de médicos veterinários para inspeção? Isto não é algo que se resolve com pequenos cursos, serão necessárias diversas horas de qualificação”, questiona. Angelica também lembra que é necessário avaliar se a lei estadual não sofre com o impeditivo de leis federais, já que as mesmas determinam que a inspeção e fiscalização dos produtos de origem animal devem ser de responsabilidade única dos médicos veterinários do serviço oficial. “Estamos surpresos com esta proposta de mudança na questão da inspeção e fiscalização dos produtos de origem animal, que é uma atividade fim dos médicos veterinários do Estado”, salienta. Desde o ano passado, o Simvet/RS vem propondo a discussão sobre a terceirização da inspeção dos produtos de origem animal. Em âmbito federal, o PL 334/15, de autoria do deputado federal Marco Tebaldi (PSDB/SC), altera o artigo 4º da Lei 1283 de 18 de dezembro de 1950, regulamentado pelo decreto 30.691 de 29 de março de 1952, que dispõe sobre a inspeção industrial e sanitária dos produtos de origem animal. Uma emenda acolhida ao projeto autoriza a entrada de veterinários do setor privado na fiscalização dos produtos de origem animal.
AGROLINK
Nova projeção da FAO para as carnes em 2017
FAO estima que em 2017 a produção mundial de carnes permanecerá estagnada na faixa dos 320 milhões de toneladas
Nas projeções de seu mais recente Food Outlook, divulgado na quinta-feira (8), a Agência das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação estima que em 2017, pelo terceiro ano consecutivo, a produção mundial de carnes permanecerá estagnada na faixa dos 320 milhões de toneladas. Isso, porém, não ocorre indistintamente em todos os países produtores. A maioria deles tende a registrar incremento no volume produzido. Mas a redução prevista para a China deve neutralizar essa expansão, daí um crescimento próximo de “zero”. Desconsiderada a produção chinesa, a produção mundial tende a um crescimento próximo de 2%. Quanto ao comércio mundial, deve experimentar expansão pelo segundo ano consecutivo e aumentar cerca de 2,5% em relação a 2016 e mais de 8% em comparação a 2015. Essa expansão deve ser alimentada sobretudo pelas importações chinesas e será suprida, principalmente, pelas exportações de EUA e Brasil. O atual Food Outlook também analisa a evolução de preços das carnes nos últimos 36 meses (junho de 2014 a maio de 2017) e mostra que a queda iniciada em setembro de 2014 se estendeu até dezembro de 2016. Isto significa, também, que desde janeiro passado vem sendo registrada lenta, porém contínua recuperação de preços e, com isso, o valor atingido em maio último (171,7 pontos), cerca de 8% superior ao de um ano atrás, praticamente se iguala ao de maio de 2015, quando atingiu a marca dos 172,6 pontos (2002-2004 = 100). Porém, permanece quase 20% abaixo do recorde já registrado pelas carnes – 212 pontos em agosto de 2014.
AGROLINK
Projeto irá comprovar a origem de bezerros no Pará
SMGEO Indireto tem como objetivo evitar fraudes na venda de animais nascidos em áreas de desmatamento para a indústria
Constantemente alvo de denúncias de desmatamento e trabalho escravo, o Estado do Pará é visto por muitos como um dos grandes vilões da cadeia produtiva da pecuária brasileira. A credibilidade do trabalho dos pecuaristas do estado foi colocada à prova recentemente com a operação Carne Fria, em março, que investigava uma fraude no acordo com os frigoríficos de comprar animais de áreas sem desmatamento. De acordo com a investigação, as fazendas de áreas desmatadas produziam os bezerros e os vendiam para propriedades legais, que os engordavam e vendiam à indústria como se eles tivessem sido produzidos dentro da legalidade. Esse cenário reforçou ainda mais o anseio de uma força tarefa no Estado para apoiar o trabalho de pecuaristas que cumprem as exigências socioambientais de produção. O consultor Jordan Carvalho, da Apoio Consultoria, liderou um movimento entre os produtores, empresas e autoridades do Estado que culminou na criação do Sistema de Monitoramento Geográfico Indireto (SMGEO Indireto), que visa comprovar a procedência dos animais vendidos aos frigoríficos desde o seu nascimento por meio da rastreabilidade. O projeto contou com a adesão de ONGs como Amigos da Terra, Projeto Pecuária Verde de Paragominas e Associação dos Criadores do Pará (Acripará), além de grandes produtores locais e da Piastrella Rastreabilidade Animal, que será encarregada de monitorar a origem dos bezerros desde o nascimento e realizar o seu registro junto ao Serviço Brasileiro de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos (Sisbov), junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A apresentação aconteceu na tarde desta quinta-feira, 8 de junho, na BeefExpo, em São Paulo, SP. “Essa plataforma dará segurança jurídica aos frigoríficos, que saberão a procedência dos animais que estão comprando e estarão resguardados caso exista novas denúncias de ilegalidade”, destacou Carvalho, que será o gestor do projeto. “No lado dos produtores, eles conseguirão comprovar que estão dentro da legalidade, reforçando a credibilidade do seu trabalho e facilitando acesso a novos mercados”, acrescentou. O projeto está fase final e deverá ser lançado oficialmente no fim de julho, na sede da Fazenda Marupiara, em Paragominas, PA. Inicialmente está previsto que mais de 200.000 animais sejam rastreados. Em curto prazo esse número pode chegar a 500.000 cabeças. “Na primeira fase do projeto de implantação estaremos atuando nas regiões Sul e sudeste do estado, que abrangem 13,6 milhões de animais”, informou Consolata Piastrella, da Piastrella Rastreabilidade Animal. “Queremos criar uma cadeia de legalidade que ajude a afastar da pecuária paraense esse rótulo de desmatamento. O Pará é o estado que mais tem trabalhos de regularização ambiental e cobranças de legalidade. Com isso separaremos o joio do trigo, mostrando que existem bons produtores na região da Amazônia, que seguem todas as exigências do mercado local e de todo o país”, disse Jordan Carvalho. A Farra do boi na Amazônia – Em 2009, o Ministério Público Federal (MPF) moveu uma ação contra as principais indústrias do Estado com base no relatório “A Farra do Boi na Amazônia”, do Greenpeace, que mostrava o fornecimento de animais oriundos de áreas de desmatamento. Com isso foi feito um acordo com os frigoríficos segundo o qual eles só comprariam gado de fazendas que cumprissem algumas exigências socioambientais, entre elas a de que a fazenda estivesse fora de área de desmatamento ou indígena e que o CPF do proprietário não estivesse ligado a trabalho escravo.
Portal DBO
CPI ouvirá os cinco frigoríficos que mais devem a Previdência
Segundo dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, apenas o grupo JBS deve R$ 1,8 bilhão
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que analisa as contas da Previdência Social fará uma audiência pública na quinta-feira (8), às 9 horas, com a participação de representantes dos cinco maiores devedores da Previdência Social do setor de frigoríficos. Foram convidados para a audiência Luiz Gustavo Antonio Silva Bichara, representante da JBS; Heraldo Geres, do Marfrig Global Foods; Geraldo Antonio Prearo, do Frigorífico Margen; e ainda representantes do Frigorífico Nicolini e da Swift Armour. Segundo levantamento feito pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, responsável pela cobrança das dívidas com a União, apenas o grupo JBS, segundo maior devedor da Previdência, deve recolhimento de R$ 1.837.489.343,08. Na quinta-feira da semana passada, a CPI ouviu representantes das cinco instituições privadas de ensino superior que mais devem à Previdência. Instalada no final de abril, a CPI destina-se a investigar a contabilidade da Previdência Social e esclarecer problemas com as receitas e despesas do sistema, inclusive discutindo os desvios de recursos e a situação dos grandes devedores. A comissão é presidida pelo senador Paulo Paim (PT-RS), e tem como vice-presidente e relator os senadores Telmário Mota (PTB-RR) e Hélio José (PMDB-DF), respectivamente. A audiência será realizada na sala 19 da Ala Senador Alexandre Costa. Os cidadãos podem participar com comentários ou perguntas aos parlamentares e aos convidados.
AGÊNCIA SENADO
FEIRAS & EVENTOS
Carne: qualidade pode trazer o consumidor de volta
Esse é o caminho apontado por especialistas para uma retomada do consumo, que vem caindo nos últimos três anos
Maciez, suculência e sabor. Essas são as características que o consumidor busca na carne bovina. Mas, segundo especialistas do setor, muitos produtos ainda não seguem estes padrões. Prova disso foi um teste de analise sensorial que o público realizou durante a Beefexpo, evento de pecuária de corte que aconteceu em São Paulo nesta semana. Durante a feira, foi possível experimentar diversos tipos de carne produzidos em diferentes sistemas. “Hoje, o consumidor deixa de comer carne bovina e opta por outras espécies, não só por causa do preço, mas sim por conta da qualidade. Ninguém fica satisfeito em chamar convidados para um churrasco, e ninguém consegue comer porque a carne está dura. Isso tem de ser evitado”, diz Sergio Pflanzer, professor de engenharia de alimentos da Unicamp. Para esse jogo virar, é preciso que o produtor seja parceiro da indústria. Sozinho, o prejuízo é quase certo. “O consumidor gera uma demanda. Essa demanda chega para a indústria, e a indústria deve passar isso para o produtor. Não é o produtor que decide o que produzir. Isso é errado no ciclo porque depois você não tem para quem vender essa carne. E hoje, no Brasil, infelizmente a carne vem piorando”, completa o professor. Foco na qualidade e atenção às preferências do consumidor. Esses são os caminhos apontados para que o pecuarista consiga agregar mais valor ao produto final. Mas não é só isso. É preciso também investir em tecnologias para aumentar a produtividade e reconquistar espaço no mercado. Em 2014, o consumo de carne bovina do brasileiro foi de 42 quilos por habitante. Em 2015, caiu para 38 quilos e, no ano passado, chegou a 36 quilos. Esses números mostram que a tendência de baixa é cada vez maior. “Esse é o desafio. A pecuária tem diferenças, desníveis tecnológicos entre 3 e 60 arrobas por hectare. Então o produtor tem que fazer esforço para aumentar a sua produtividade, a integração lavoura e pecuária e outros mecanismos para que continue ganhando dinheiro no negócio”, diz o consultor e ex-Secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura Ivan Wedekin. “Hoje quem trabalha tentando vender produtividade para o produtor é só a indústria. O distribuidor não faz isso de maneira adequada, o varejo não faz isso de maneira adequada, os técnicos, os veterinários, as consultorias são muito pequenas. Então precisa de uma profissionalização da cadeia como um todo. A indústria tenta fazer, mas não consegue”, afirma Vasco Oliveira, fundador da BeefExpo.
EMPRESAS
PF deflagra operação para investigar operações financeiras da JBS e controladores
A Polícia Federal informou que deflagrou na manhã de sexta-feira (9) mandados de busca e apreensão na JBS S.A., como parte de inquérito que apura se houve uso indevido de informações privilegiadas por parte das empresas do grupo em transações de mercado financeiro
Na sexta-feira, a PF afirmou que cumpriria três mandados de busca e apreensão nas empresas do grupo JBS e quatro mandados de condução coercitiva, expedidos pela 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, conforme nota do órgão público. A operação, chamada Tendão de Aquiles, foi aberta para apuração sobre a venda de ações de emissão da JBS na bolsa de valores pela controladora FB Participações S.A. no fim de abril, em período concomitante ao programa de recompra de ações da empresa, reiniciado em fevereiro de 2017. O inquérito também investiga a compra de contratos futuros de dólar na bolsa de futuros e a termo de dólar no mercado de balcão, entre o fim de abril e meados de maio de 2017. “Há indícios de que essas operações ocorreram com o uso de informações privilegiadas, gerando vantagens indevidas no mercado de capitais num contexto em que quase todos os investidores tiveram prejuízos financeiros”, informou a PF em comunicado. Segundo a PF, os investigados poderão ser responsabilizados por crime previsto no artigo 27-D da Lei 6.385/76, com penas de 1 a 5 anos de reclusão e multa de até três vezes o valor da vantagem ilícita obtida. Essas investigações já estavam em andamento pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que está coordenando a operação com a PF. As duas instituições atuam em cooperação desde 2010, quando foi firmado um acordo de cooperação com o fim de combater atos ilícitos contra o mercado de capitais. Os controladores da JBS teriam realizado um grande volume de compras de dólares, excedendo US$ 1 bilhão em posição montada, antes da divulgação da notícia sobre a delação do acionista controlador da JBS, Joesley Batista, em 17 de maio, que revelou esquema de corrupção envolvendo políticos brasileiros, segundo informações divulgadas pelo jornal Valor Econômico em maio. Os acionistas controladores da JBS também teriam vendido o equivalente a R$ 327,4 milhões em ações da empresa quando os executivos já estavam realizando a delação premiada. A J&F, controladora da JBS, disse por meio de nota que ambas as empresas seguem colaborando com as investigações e estão à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos necessários. A JBS já havia informado anteriormente, em resposta às investigações sobre as transações no mercado, que usa instrumentos de proteção financeira “visando, exclusivamente, minimizar os seus riscos cambiais e de commodities provenientes de sua dívida, recebíveis em dólar e de suas operações”.
CARNETEC
Controladores venderam 0,17% do capital total da JBS em maio
Os acionistas controladores da JBS venderam mais ações da empresa em maio, sendo uma parcela de R$ 45 milhões ainda antes da divulgação da delação premiada deles próprios à Procuradoria Geral da República, que ocorreu na noite do dia 17
Um lote que rendeu R$ 9,95 milhões foi vendido no dia 16 e outro maior, que gerou R$ 35,11 milhões, no próprio dia 17. Nos dois dias, venderam 0,17% do capital. Já se sabia que os controladores tinham vendido 1,16% do capital da empresa em abril, por R$ 328 milhões. As informações sobre os negócios de maio foram divulgadas em documentos enviados pela JBS à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no sábado. Em conjunto com a Polícia Federal, a CVM investiga se houve uso de informação privilegiada nessas operações. Os órgãos também apuram se a JBS, como empresa, praticou irregularidade semelhante ao comprar dólar no mercado futuro em maio. A CVM e a PF também analisam se as vendas de ações dos controladores foram combinadas com um programa de recompra de ações conduzido pela JBS. A J&F, holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista que controla a JBS, tem negado qualquer ilegalidade em negócios com ações ou dólar. Por terem vendido os papéis da JBS antes do efeito negativo que a delação teve sobre os preços na bolsa, os controladores evitaram perda de R$ 97 milhões com as vendas de ações feitas em abril, e de mais R$ 11 milhões com as transações pré-delação do mês de maio.
VALOR ECONÔMICO
INTERNACIONAL
Venda do frigorífico Canelones “não deveria nos preocupar”, diz ministro uruguaio
A aquisição feita pelo frigorífico Minerva Foods do frigorífico uruguaio, Canelones, que era de propriedade do grupo JBS, “não deveria nos preocupar”, disse Tabaré Aguerre, ministro da Pecuária, Agricultura e Pesca do Uruguai.
Aguerre ressaltou que o negócio entre as duas empresas de capitais brasileiro “não muda a capacidade industrial, não acho mudarão os planos de negócios e não muda o nível de concentração ou estrangeirização”. Ele explicou que, antes disso, havia no país quatro frigoríficos do Marfrig, dois do grupo de Minerva e um dos JBS, constituindo três grupos brasileiros responsáveis por cerca de 40% do trabalho “e o que aconteceu é que um desses grupos vendeu um frigorífico a outro”. Ele acrescentou que no Uruguai há uma indústria frigorífica que, nos últimos 10 anos, “se modernizou muito”, com os mais altos padrões nas instalações industrias, bem como na genética de animais, na qualidade da carne, no status sanitário e no sistema de rastreabilidade. Neste contexto, o país tem uma capacidade industrial instalada superior à oferta que tem e, “por isso temos dito que o único caminho que o Uruguai tem é intensificação sustentável, que nos permita aumentar a eficiência e a extração. Isso depende de que seja rentável para quem produz gado e, nesse sentido, a gente vem crescendo, de forma lenta, mas sem pausa”. Ele também anunciou que “este ano vamos bater provavelmente o recorde de abates”, com uma diminuição no rebanho de “270 mil ou 300 mil animais, praticamente a mesma quantidade de animais vivos foram exportados e estamos esperando uma parição de bezerros significativamente maior do que no ano passado”. Aguerre acrescentou que se vê no cenário internacional uma estabilização ou mesmo uma melhora nos preços dos alimentos, depois que ele insistiu que o caminho a seguir para o Uruguai é a qualidade, não a quantidade. Ele ressaltou que a iminente abertura do mercado japonês, em cujo marco recentemente se vendeu o “principal frigorífico e o mais moderno “(BPU) a uma das principais empresas do negócio de carne do Japão (NH Foods).
El Observador
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