Ano 3 | nº 515| 17 de maio de 2017
NOTÍCIAS
Arroba cai mais que corte no varejo
Queda na movimentação do boi gordo é reflexo da operação Carne Fraca, que não chega ao varejo
O preço da arroba do boi à vista registrou a quarta queda consecutiva e o menor valor desde outubro do ano passado. A desvalorização da arroba do boi gordo em abril foi de 1,17% na comparação com março, estabelecendo-se com média de R$ 123,66. Comparando com o preço da arroba em maio do ano passado a queda é ainda maior, chega 5,6%, sobre R$ 131 praticado há um ano. Este movimento deriva da diminuição nos abates, que em abril registrou o menor índice em Mato Grosso. Já para o consumidor as quedas de preços sobre o quilo da carne comprada no varejo tiveram percentuais quase imperceptíveis. Em abril, o quilo médio dos principais cortes de carne bovina teve valor médio de R$ 20,97. Em maio esse valor passou a R$ 20,82, queda até o momento de 0,71%. Comprando o preço médio atual de maio com o mesmo valor adotado há um ano, a retração é de 1,75% ao consumidor. Entre os principais cortes que deram essa média de valor estão: filé mignon, contrafilé, picanha, alcatra, coxão mole, coxão duro, patinho, acém, músculo, costela, fraldinha, lagarto, maminha, cupim, capa de filé e paleta. O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), responsável pelos levantamentos de preços da arroba e dos cortes de carne bovina no varejo, destaca ainda que houve uma queda de 22% no volume de animais abatidos em comparação com março, somando 283,3 mil animais no quarto mês ante 366,4 mil no terceiro mês. Os números comprovam os impactos da decisão dos frigoríficos de suspenderem os abates no Estado, o que prejudicou a cadeia produtiva pressionando o preço da arroba. O Diretor-Executivo da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, explica que os números mostram que a indústria atingiu o objetivo, derrubando o preço e manipulando o mercado da pecuária de corte. “Com o pretexto da Operação Carne Fraca, os frigoríficos conseguiram paralisar as atividades para ampliar a oferta de bois e pressionar os preços. Esta ação é possível porque temos um mercado concentrado e controlado por dois ou três grandes grupos, sendo que um deles detém 50% das unidades do Estado”, afirma Luciano Vacari. A diferença na evolução de preços na cadeia produtiva da carne bovina é discrepante. Enquanto a carne no varejo registrou alta de 268% desde 2005 e no atacado alta de 175%, a arroba do boi variou 150%. Se analisados os dados por recortes de tempo, é possível ver que de 2005 a 2008 os preços variavam proporcionalmente nos três campos. A partir de 2008, quando há uma crise no setor, a variação de preço no varejo passa a se distanciar dos demais elos e a partir de 2015 a arroba do boi assume definitivamente a menor escala de crescimento. “O produtor e o consumidor são os únicos prejudicados neste segmento. Tem setores estão ganhando em cima disso e o pecuarista tem cada vez mais dificuldade de fechar as contas da produção”, avalia Vacari. Dados do Imea apontam que o custo da cria passou de R$ 80 por arroba em 2009 para R$ 130 em 2016, um crescimento de 62%. No mesmo período, o custo para a engorda 85%, passando de R$ 70 para R$ 130 por arroba.
Mercado do boi gordo menos sustentado
O mercado ainda se comportou com estabilidade na maioria das praças pesquisadas pela Scot Consultoria
Nesta terça-feira (16/5), ainda vimos indústrias fora do mercado, planejando suas estratégias de compra para os próximos dias. Porém, em algumas praças a pressão sobre as cotações começa a aumentar, o alongamento das escalas e aumento nos estoques explicam esta tentativa de negócios em patamares abaixo das referências. É fato que os negócios nestes patamares não avançam, mas já mostram que o mercado não está mais firme como na primeira quinzena do mês. Em São Paulo a arroba fechou em queda, cotada em R$138,00, à vista, livre de Funrural, e já há tentativas de compras de até R$3,00/@ abaixo da referência. O mercado atacadista de carne teve recuo nesta terça-feira. O boi casado capão ficou cotado em R$9,07/kg, queda de 2,1% em relação ao fechamento anterior.
SCOT CONSULTORIA
Funrural: ruralistas recusam proposta e negociação trava
Equipe econômica do governo insiste em cobrar 5% do débito total, sem nenhum desconto, em cinco parcelas iguais a partir de novembro; parlamentares ligados ao setor produtivo não aceitam
A negociação sobre a tarifa do Funrural travou novamente, após uma rodada de conversas entre a bancada ruralista e o governo federal. Ao que tudo indica, a tarifa vai cair para 1,5%, mas parlamentares não concordam com a forma que a equipe econômica quer fazer a cobrança e isso acabou gerando um novo impasse em Brasília. O governo já concordou em dar desconto de 100% sobre a correção monetária do passivo e perdoar mais 25% de multas e encargos legais, mas a equipe econômica insiste em cobrar 5% do débito total sem nenhum desconto em cinco parcelas iguais a partir de novembro deste ano e, neste ponto, não há consenso. “Nós tínhamos encaminhado de uma forma na semana anterior e surgiram fatos novos que, pelo menos eu e vários outros parlamentares consideram que fica uma carga muito pesada e descapitaliza o setor e os produtores. Nós estamos negociando 95% da dívida e não 100% e, sobre isso, incidirá um juro de mercado e nós teremos a Selic que vai, no meu ponto de vista, trazer um volume final muito grande”, falou o deputado federal Jerônimo Goergen (PP-RS). A bancada ruralista vai se reunir mais uma vez com a equipe econômica do governo para tentar um acordo sobre os pontos nos quais ainda não há consenso. Nada impede que o anúncio seja adiado, se a conversa não tiver avanços. “Claro que cada vez que a gente senta à mesa outros pontos são levantados, talvez alguns deles não tinham sendo aceitos, mas outros são novos porque nós aqui representamos o rural do Brasil inteiro e a cada momento um parlamentar é demandado pela sua base e aí chega com um ponto diferente que é o caso concreto do produtor. Nós, como representantes, temos que levar isso ao governo e estamos tentando entrar em um acordo que seja bom para todos”, disse o presidente da comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, Sérgio Souza (PMDB-PR). Segundo a proposta, para os produtores que deixaram de recolher o fundo nos últimos anos porque estavam amparados por liminares, a alíquota deverá ser de 2,3% até que o valor retroativo seja quitado. A ideia é que a taxa extra de 0,8% seja cobrada anualmente, em outubro, por até 15 anos e, caso restem débitos, vai ser possível dividir o valor em parcelas mensais por mais cinco anos, totalizando 20 anos de financiamento. O prazo para aderir ao programa deve ser novembro de 2017, mas o valor só vai ser cobrado a partir da publicação da ata da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). “Não há como você obrigar o adquirente, aquele que compra o produto do produtor a reter a dívida. O adquirente vai passar a reter tão somente a contribuição de 1,5% a partir de janeiro de 2018. No entanto, o 0,8% terá que ser pago pelo agricultor. Ele vai ter que ir até a Receita, onde será emitida uma Dirf que não poderá ser maior do que esse percentual”, afirmou Sérgio Souza. Da nova alíquota de 1,5%, 1,3% vai para o Funrural e 0,2% é destinado ao Senar. A alíquota para quem tem passivo fica assim: 1,3% da comercialização vai para o Funrural, 0,2% ao Senar e mais 0,8% ao débito retroativo.
CANAL RURAL
Carne bovina ganha competitividade frente à de frango na comparação mensal
Atualmente, a relação de troca entre o boi casado de animais castrados e a carcaça de frango no atacado está em 2,54. Ou seja, com um quilo da proteína bovina é possível adquirir 2,54 quilos de carcaça de frango
Em relação a maio de 2016, esta relação está 0,8% maior, o que quer dizer que a carne bovina perdeu competitividade frente à carne de frango. Já em relação a abril a relação está 4,3% menor, resultado da queda de 1,4% para a proteína bovina e alta de 3,0% para a carcaça de frango.
SCOT CONSULTORIA
Na Arábia Saudita, Maggi participa de seminário sobre agronegócio nesta quarta-feira
Evento em Riad, tem a participação de representantes brasileiros de entidades do setor
Em visita a Riad, na Arábia Saudita, o Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, encontrou-se com o principal executivo da Saudi Agricultural and Livestock Investment Company, Abdullah Aldubaikhi, na terça-feira (16) para falar de oportunidades de negócios no Brasil e, conforme afirmou, “para agradecer ao governo a posição favorável adotada após a Operação Carne Fraca no Brasil”. O país é grande importador de frango e produtos de aviários brasileiros, além de açúcar, soja e carne bovina. Blairo Maggi falou sobre as reformas em andamento no país, “que o tornarão ainda mais atrativo a investimentos”, sobre os avanços na economia nos últimos meses, como consequência de medidas estabilizadoras do Governo Michel Temer e do interesse de empresários do agronegócio em firmar parceria com investidores estrangeiros. “Estamos fazendo mudanças muito importantes para o futuro. Está surgindo uma nova lei de concessões e de participações, deixando muito claro como as empresas podem entrar em negócios no país”, afirmou. O Ministro explicou que a agricultura no Brasil é sustentável, sendo parte altamente tecnificada e outra parte familiar. Destacou os 61% do território nacional, que são mantidos preservados na forma original. “Ocupamos para atividades agrícolas 8% do território e 19,7% com a pecuária”. Disse ainda que cada agricultor precisa manter de 20% a 80% de sua área privada intacta, dependendo da região onde se encontra. O percentual mais elevado se refere à região amazônica. “Tudo isso cria um ambiente harmônico com o meio ambiente”, observou. Nesta quarta-feira (17), junto com representantes de entidades empresariais brasileiras participará do seminário, na capital, Investimento no Brasil: Agronegócio e Infraestrutura. Maggi está acompanhado do Presidente da Embrapa, Maurício Lopes, e do Secretário de Relações Internacionais do Agronegócio do Mapa, Odilson Silva. Ele cumprirá ainda agenda, no Oriente Médio, no Catar e Emirados Árabes Unidos. No Kuwait, o ministro teve a promessa de que será reaberto o mercado de carne, que estava fechado desde 2015.
MAPA
Mercado de reposição pouco movimentado em Goiás
Os preços de todas as categorias pesquisadas pela Scot Consultoria tiveram, em média, queda de 1,7% desde o começo do ano no estado. Nesse mesmo intervalo, os preços da arroba do boi gordo desvalorizam 9,9%
Perante essa situação, na média da relação de troca de todas as categorias de reposição, o poder de compra do invernista/recriador ficou 8,3% menor em relação ao começo do ano. Destaque para a relação de troca com o boi magro (12@), atualmente compra-se 1,19 boi magro com a venda de um boi gordo de (16,5@), há cinco meses comprava-se 1,31. Situação semelhante para o garrote (9,5@), que em janeiro/17 comprava-se 1,57 animal e hoje 1,45. Mesmo diante de pastagens ainda com capacidade de suporte aceitáveis, esses fatores colaboraram para diminuir o interesse dos pecuaristas em repor seus animais, nas últimas semanas poucas foram às negociações efetivadas.
SCOT CONSULTORIA
Mato Grosso registra queda de 28,74% no número de animais abatidos em abril
Primeiros sintomas: O que já era esperado para abril/17, pós-operação Carne fraca, veio a acontecer em solos mato-grossenses
A quantidade de animais abatidos caiu drasticamente em relação a março/17 (- 22,69%) e, comparando com o mesmo período do ano passado, a queda fica em 28,74%, desenhando-se assim como o menor volume abatido desde dezembro/08, totalizando 283,26 mil cabeças. Embora nenhuma planta frigorífica de Mato grosso estivesse envolvida diretamente nas investigações, a interrupção na importação de carne brasileira por parte de diversos países fez com que no mínimo sete frigoríficos do Estado dessem férias coletivas aos seus funcionários esperando a “poeira baixar”, obtendo assim tempo suficiente para os estoques se ajustarem. Para o mês de maio/17, já se vislumbra uma recuperação das exportações e com isso um retorno à normalidade no abate de Mato Grosso.
- Pela quarta semana consecutiva o preço da vaca gorda vem subindo no comparativo semanal, ficando cotada a R$ 119,24/@, por outro lado o boi gordo apresentou leve queda de 0,03%, ficando cotado a R$ 125,11/@.
• Com uma maior procura pelo bezerro de ano, o preço dessa categoria aumentou pela segunda semana consecutiva, ficando cotado a R$ 1.115,81/cab.
• Todos os equivalentes registraram queda, com exceção do equivalente dos cortes desossa- dos + couro/sebo + subprodutos (ECD), que aumentou 0,81% no comparativo semanal, puxado por uma valorização na carne sem osso.
• A relação de troca boi/bezerro recuou 0,83% nesta semana, visto que houve uma valorização no preço do bezerro, enquanto que o boi gordo registrou queda. Dessa forma, com a venda de um boi gordo é possível comprar 1,91 bezerro.
Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea)
ECONOMIA
Valor da produção agropecuária de 2017 é 4,4% maior que no ano passado
Os ganhos de produtividade das lavouras estimados em 21,6% para a safra de verão e de 20,2% para as de inverno
O Valor Bruto da Produção agropecuária (VBP) deste ano, estimado com base nas informações de abril, ficou em R$ 544,9 bilhões. O valor é 4,4% superior ao montante de fechamento em 2016, de R$ 521,7 bilhões. O VPB foi divulgado na terça-feira (16) pela Secretaria de Política Agrícola (SPA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Segundo os números da SPA, o montante das lavouras cresceu 10,2% e da pecuária teve redução de 6,3%. De acordo com o Coordenador-Geral de Estudos e Análises, José Garcia Gasques, “a principal fonte de crescimento do VBP neste ano é a safra esperada de 233 milhões de toneladas de grãos, segundo o IBGE, e de 232 milhões de toneladas, estimada pela Conab. Outro ponto importante a observar são os ganhos de produtividade das lavouras estimados em 21,6% em relação a 2016, para a safra de verão, e de 20,2% para as de inverno”. Um grupo considerável de produtos tem apresentado aumento no faturamento em relação a 2016. Destacam-se o algodão herbáceo (70,6%), amendoim (28,7%), arroz (10,6%), cana-de-açúcar (51,8%), laranja (20,6%), mandioca (82,4%), milho (20,8%) e uva (38,6%). Na pecuária, destacam-se os resultados na carne suína (10,2%) e no leite (2,4%). “Nos dois casos o efeito dos preços tem sido a principal causa do acréscimo do faturamento em 2017”, salienta Gasques. Desempenho desfavorável pode ser observado na banana (-17,1%), batata-inglesa (-61,2%), cacau (-15,4%), café (-10,5%), cebola (-44,8%), feijão (-21%), mamona (-45,3%) e trigo (-36%). Os resultados regionais mostram a liderança ocupada pelo Centro-Oeste, R$ 158,3 bilhões, de faturamento, seguido pelo Sul (R$ 143,9 bilhões), Sudeste (R$ 139,7 bilhões), Nordeste (R$ 51,5 bilhões) e Norte (R$ 33,5 bilhões). Veja os números do VBP nacional e regional.
MAPA
EMPRESAS
BNDES cria comissão interna para avaliar operações com JBS
A criação da comissão atende o interesse da diretoria e dos empregados do BNDES na apuração dos atos e fatos relacionados a essas operações
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou na terça-feira que sua Presidente, Maria Silvia Bastos Marques, criou uma comissão de apuração interna para avaliar todos os fatos relacionados às operações realizadas pelo banco com a JBS. O anúncio acontece após a Polícia Federal ter deflagrado na sexta-feira operação que investiga fraudes e irregularidades na liberação de apoio do BNDES à JBS de 8 bilhões de reais. Segundo o comunicado, a criação da comissão atende o interesse da diretoria e dos empregados do BNDES na “apuração dos atos e fatos relacionados a essas operações”.
REUTERS
IPO da JBS Foods International deve ocorrer a partir do 2º semestre
A decisão judicial que determinou na semana passada que os controladores da companhia estão proibidos de promover alteração societária na JBS não cria um impedimento para o IPO da subsidiária estrangeira
A JBS S.A. não pretende realizar a oferta pública inicial de ações (IPO) de sua unidade JBS Foods International nos Estados Unidos antes do segundo semestre deste ano, segundo o CEO global da companhia, Wesley Batista, em teleconferência com analistas na terça-feira (16). Ele acrescentou que a decisão judicial que determinou na semana passada que os controladores da companhia estão proibidos de promover alteração societária na JBS não cria um impedimento para o IPO da subsidiária estrangeira. “Logicamente, nós estamos analisando ainda o despacho judicial de sexta-feira. No nosso entendimento, ele não cria problema para gente seguir adiante”, disse Batista. A decisão judicial ocorreu no contexto da Operação Bullish, nova investigação deflagrada pela Polícia Federal na sexta-feira (12) com foco em empréstimos e aportes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na JBS. Quando a intenção de realizar o IPO da subsidiária internacional foi anunciada em dezembro de 2016, a JBS informou que pretendia concluir a operação até o fim do primeiro semestre deste ano. Mas a divulgação da Operação Carne Fraca da Polícia Federal, sobre investigação de corrupção e fraude envolvendo alguns fiscais agropecuários e unidades frigoríficas brasileiras, em 17 de março, impactou a percepção do mercado financeiro em relação ao setor de carnes do país. “Com os eventos que tivemos, especificamente a Carne Fraca, nós acreditamos que um IPO no segundo semestre é o momento mais próximo pra gente imaginar do que tentar sair a mercado com algumas questões pendentes”, disse Batista. “Acreditamos que o 2º semestre é a janela mais realista”. Questionado sobre outras opções para desalavancagem da companhia, diante do atraso do IPO, Batista afirmou que esse não era o objetivo principal da operação. “O IPO não tinha necessariamente como objetivo principal a desalavancagem. Ele tem há bastante tempo o objetivo de precificar a companhia nos seus negócios internacionais mais em linha com os pares internacionais e assim por diante. A companhia está segura com a capacidade de geração de caixa independentemente do IPO”, disse Batista. A JBS informou na noite de segunda-feira (15) que teve um lucro líquido de R$ 422,3 milhões no primeiro trimestre de 2017, revertendo prejuízo no mesmo período do ano passado, impulsionada principalmente pelas operações nos EUA e na Europa, já que os negócios no Brasil foram afetados por efeitos negativos da Operação Carne Fraca e desvalorização do dólar reduzindo receitas das exportações. Batista disse que efeitos negativos da Operação Carne Fraca ainda deverão ser refletidos nos resultados do segundo trimestre, já que houve impacto da investigação nos negócios realizados em abril. Para o segundo semestre, a empresa espera melhora no cenário para as operações na América do Sul e resultados ainda mais robustos nos EUA.
CARNETEC
IPO fica mais distante, e ação da JBS desaba
“Se as pessoas estiverem discutindo coisas que não sejam a companhia e a perspectiva de resultados, a gente acha que não vale a pena fazer o movimento”
Apesar de ainda nutrir esperança de abrir o capital da subsidiária JBS Foods International no segundo semestre, o empresário Wesley Batista sinalizou ontem que a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) pode não ocorrer em 2017. Em teleconferência com analistas ontem, o Presidente global da JBS indicou que as investigações que envolvem a companhia a Carne Fraca e mais recentemente a Operação Bullish atrapalham a percepção dos investidores, afetando assim a avaliação (“valuation”) da subsidiária. “Vamos aguardar o momento correto de fazer o IPO”, afirmou. De acordo com o empresário, se o tema de discussão entre os investidores não for apenas os resultados da companhia, a abertura de capital pode não valer a pena. “Se as pessoas estiverem discutindo coisas que não sejam a companhia e a perspectiva de resultados, a gente acha que não vale a pena fazer o movimento. Porque provavelmente será prejudicial”, disse. Indagado por analistas, Wesley Batista inicialmente deu a entender que o IPO aconteceria no segundo semestre. Segundo ele, esse seria um prazo “realista”, tendo em vista que a repercussão da Carne Fraca já havia atrasado o cronograma inicial da companhia, que pretendia abrir o capital da JBS Foods International neste primeiro semestre. “Acreditamos que no segundo semestre é o momento mais próximo”, disse, ressaltando que a empresa só deveria “ir ao mercado” após resolver questões pendentes referentes à Operação Carne Fraca. Não contentes com as respostas, os analistas voltaram à carga. Quase ao fim da teleconferência, Batista completou seu raciocínio. Ele afirmou que, “quando fala em segundo semestre”, é preciso ponderar que, independentemente da Operação Carne Fraca ou de outro evento, o IPO só deve ser feito caso gere valor aos acionistas. Para os investidores, o fato é que a abertura de capital, que era bem vista pelo potencial de “destravar” valor, está cada vez mais distante. Tanto é assim que o Itaú BBA rebaixou a recomendação para as ações da JBS, de ‘outperform’ para ‘market perform’. Nesse cenário, as ações da JBS registraram ontem a maior queda entre os papéis que compõem Ibovespa na B3. Os papéis caíram 8,62%, para R$ 9,86. Com isso, a companhia perdeu R$ R$ 2,538 bilhões do valor de mercado, encerrando o pregão avaliada em R$ R$ 26,905 bilhões. Do ponto de vista jurídico, no entanto, Batista afirmou acreditar que não existam obstáculos para o prosseguimento do IPO da subsidiária, a despeito das dúvidas suscitadas pelo despacho que autorizou, sexta-feira, a Operação Bullish. A investigação apura supostas fraudes nos investimentos feitos pela BNDESPar, braço de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na JBS. O banco, que atualmente tem 21,3% do capital da companhia, comprou participações na JBS entre 2007 e 2011, pagando de R$ 7,04 a R$ 9,99 por ação. Na decisão que autorizou a Bullish, o juiz Ricardo Soares Leite, da 10ª Vara Federal Criminal de Brasília, determinou que os controladores da JBS “não promovam qualquer mudança estrutural nas empresas existentes, nem a inclusão ou exclusão de sócios pelo menos até o relatório conclusivo da Polícia Federal”. No entendimento dos advogados da JBS, o IPO pode ser feito. “Nosso jurídico não vê que isso nos impeça [de fazer o IPO]”, disse o presidente global. Segundo ele, o entendimento da área jurídica da JBS é d eque a companhia pode até fazer aquisições. O que estaria vetado é uma “reestruturação substancial, que mexa na estrutura da companhia, na sua composição de controle acionário ou coisa que o valha”, acrescentou. Diante das questões dos analistas, o empresário ressaltou que o objetivo do IPO da JBS Foods International não é angariar recursos para reduzir o endividamento da companhia o índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda em doze meses) subiu de 4,16 vezes no fim de 2016 para 4,2 vezes em 31 de março. Batista disse que, embora a abertura de capital ajude a desalavancar a companhia, a intenção do IPO é fazer com que a JBS seja melhor avaliada pelo investidor. A avaliação corrente é que, listada na bolsa de Nova York (Nyse), a empresa será melhor compreendida pelos investidores estrangeiros. Com ações listadas apenas no Brasil, a empresa é vista como um frigorífico brasileiro, e não como uma empresa global de proteínas com operações em diversas partes do mundo, e sobretudo nos EUA.
VALOR ECONÔMICO
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