Ano 3 | nº 447 | 02 de Fevereiro de 2017
NOTÍCIAS
JBS encerra atividades na unidade de abates em Coxim (MS)
A JBS encerrou as atividades em sua unidade de abates em Coxim, em Mato Grosso do Sul, na quarta-feira (1), com o término do contrato de sublocação da planta, informou a companhia em nota.
“Após tentativas de negociação com a locatária do estabelecimento (River Alimentos Ltda.), não foi possível chegar a um acordo que permitisse a manutenção da operação em Coxim”, informou a empresa em nota enviada à CarneTec. A JBS tinha 210 funcionários na unidade que poderão ser transferidos para outras plantas da companhia, caso tenham o interesse. “Os que não puderem ou não aceitarem a transferência, a JBS promoverá o desligamento, de acordo com aquilo que prescreve a legislação”, informou a empresa.
CARNETEC
Cenários diversos para o boi gordo, mas pressão de baixa ainda é mais frequente
O cenário do mercado do boi gordo é de pressão de baixa na maior parte das regiões, apesar de os ajustes nas referências terem ocorrido de maneira dividida, entre altas e baixas
O escoamento lento, mesmo em período no qual tipicamente o varejo se estoca para o maior consumo advindo do pagamento dos salários, é uma das causas. A oferta maior de boiadas em algumas regiões colabora com a pressão. No Norte de Minas, a pressão de baixa mais intensa não foi efetiva e, devido à redução dos negócios, os frigoríficos aumentaram os preços ofertados. Foi uma das cinco regiões com valorizações para o boi gordo. No mercado atacadista não houve alterações e as expectativas para o consumo são de mais uma virada de mês sem acréscimo expressivo na demanda.
SCOT CONSULTORIA
Giro dos estoques é ruim e ociosidade segue elevada
Há resistência em reduzir os preços para preservar as margens de venda
Os compradores seguem “apertando” o mercado, na tentativa de comprar por preços menores. Por enquanto, não há sinalização de aumento nas vendas de carne, mesmo que a semana de pagamento de salários esteja mais próxima. O cenário reduz o custo da matéria-prima. Apesar das margens, tanto da operação de desossa quanto de venda da carcaça, estarem acima da média histórica, as cotações do boi gordo não têm evoluído já que o giro dos estoques está ruim e a ociosidade é considerável. Isto mantém a falta de interesse em alongar as programações de abate. A seca, a falta de pasto e a consequente redução na capacidade de suporte do capim ajudam na pressão baixista. Assim, fica fácil testar o mercado com preços até R$ 3,00/@ menores que a referência. É claro que não há compras neste patamar, o mercado trava mediante estas ofertas, mas as indústrias “sentem” o mercado com este comportamento. Em São Paulo, há quem oferte, mesmo sem folga nas escalas de abate, até R$ 144,00/@, à vista. Preços maiores que a referência geralmente são com prazos maiores. Há possibilidade, por exemplo, de negócios por R$ 151,00/@ para pagamento em quinze dias. A carne bovina está estável. Há certa resistência, apesar do mercado ruim, em reduzir os preços para, pelo menos, preservar as margens de venda.
CANAL RURAL
Secretário-executivo do Mapa viaja à Rússia para intensificar negociações e participar de feira agropecuária
Na Prod Export, maior exposição agrícola do país, Novacki falará sobre a qualidade dos produtos brasileiros
O Secretário-Executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Eumar Novacki, embarcou ontem (1°) para a Rússia, onde participa de mais uma rodada de negociação para ampliar o comércio entre os dois países. O primeiro compromisso será na sexta-feira (3), quando Novacki se reunirá com o Vice-Ministro de Agricultura da Rússia, Evgeny Gromyko. No mesmo dia, o Secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, Luis Eduardo Rangel, mantém encontro com o chefe do Serviço Federal de Supervisão Veterinária e Fitossanitária (Rosselkhoznadzor) da Rússia, Sergey Dankvert, para discutir sobre a legislação dos dois países. No dia seguinte, os representantes do Mapa participarão da Prod Export, maior feira de produtos agropecuários da Rússia. No evento, o secretário-executivo fará uma apresentação sobre a qualidade dos produtos brasileiros, e Rangel falará sobre as garantias fitossanitárias do país. A Rússia é um país com quase 150 milhões de habitantes e um PIB (Produto Interno Bruto) de cerca de U$ 1,3 trilhão. De acordo com dados do Mapa, o agronegócio representa 92% do total das exportações para o país asiático. Em 2015, as carnes – bovina, suína e aves – somaram 60% do total das exportações do setor para os russos. Essa será a segunda visita do Secretário-Executivo do Mapa à Rússia em um período de quatro meses. A primeira foi em outubro do ano passado, quando Novacki negociou a ampliação do número de plantas frigoríficas autorizadas a exportar carnes para aquele país. Na oportunidade, Novacki ainda discutiu com os russos a abertura do mercado para mel, frutas, ovos, lácteos e rações para animais de pequeno porte (pets). Por sua vez, os russos pretendem aumentar as exportações de pescados e trigo para o Brasil.
MAPA
Alta nas exportações brasileiras de carne bovina in natura, em relação a janeiro de 2016
Segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, em janeiro deste ano, o Brasil exportou 87,0 mil toneladas de carne bovina in natura, média diária de 4,0 mil toneladas
O faturamento total foi de US$352,5 milhões. Em relação ao mesmo período do ano passado, a alta foi de 11,7% no volume exportado e de 15,7% no faturamento total. Em relação a dezembro/16, o volume embarcado é praticamente o mesmo, com queda de 0,2%. Em um período como o atual, de lento escoamento da carne bovina, a exportação é importante para o controle dos estoques, limitando as quedas de preços.
SCOT CONSULTORIA
Embarques de carne e soja avançam
Produtos registraram alta de volume e receita em janeiro de 2017; milho recuou
O ano de 2017 começou com o aumento das exportações de alguns dos principais produtos do agronegócio brasileiro, de acordo com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). Em janeiro, o Brasil exportou 87.100 toneladas da carne bovina ao exterior, alta de 11,7% em relação as 78.000 toneladas de janeiro do ano passado. A receita no período subiu 15,6%, saindo de US$ 304,8 milhões em 2016 para os US$ 352,5 milhões neste ano. O preço médio pago pela tonelada foi de US$ 4.004, 3,5% a mais do que em janeiro do ano passado. O viés de alta também ocorreu nas demais proteínas. Na carne de frango foram exportadas 325.400 toneladas, aumento de 13,6% sobre o volume de janeiro do ano passado. Já a receita cresceu 35,47%, alcançando US$ 524,5 milhões. O preço médio da tonelada foi de US$ 1.611, que representa incremento de 19,4%. As exportações de carne suína somaram 54.500 toneladas em janeiro, alta de 40% sobre a quantidade embarcada no mesmo período do ano anterior. Com US$ 124,7 milhões, cresceu 70% em relação ao de janeiro de 2016. O preço médio da tonelada se manteve estável, com US$ 2.286.
ESTADÃO CONTEÚDO
EMPRESAS
Moody’s eleva perspectiva da Marfrig para positiva após conversão de debêntures
A Marfrig completou a conversão de R$ 2,1 bilhões de debêntures em ações em janeiro
A Moody’s Investors Service elevou a perspectiva para os ratings da Marfrig Global Foods de estável para positiva, após a conversão de debêntures da companhia em ações que culminou com o aumento da participação societária do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na Marfrig, informou a agência de classificação de risco na quarta-feira (1). A Marfrig completou a conversão de R$ 2,1 bilhões de debêntures em ações em janeiro. A elevação da perspectiva baseia-se na expectativa de melhora nas margens dos negócios de carne bovina da empresa na América Latina em 2017, na estratégia consistente de crescimento orgânico e desalavancagem, melhora “considerável” no perfil de liquidez ao longo de vários trimestres e aumento constante da participação dos negócios mais estáveis de carne de frango dos Estados Unidos nas vendas da companhia. A Moody’s ainda afirmou os ratings da empresa em “B2”, com base no portfólio diversificado no setor de proteína animal e na diversificação geográfica e capacidade de distribuição da companhia. “A diversidade da empresa em termos de fontes para obtenção de matérias-primas reduz os riscos relacionados ao clima e doenças de animais, enquanto a sua carteira de produtos e negócios de food service ajudam a atenuar parte da volatilidade inerente aos ciclos da commodity e às condições de oferta e procura de cada proteína específica”, informou a Moody’s. Apesar disso, a Moody’s considera que o endividamento ajustado da Marfrig medido por dívida bruta sobre Ebitda continua alto e deve ter chegado ao pico de 6,8 vezes em dezembro de 2016. A empresa ainda não divulgou os resultados financeiros referentes ao último trimestre do ano passado, quando revelará sua alavancagem para o período. A Moody’s espera que a melhora gradual na performance operacional se traduza em melhores métricas, com base na geração de Ebitda na Keystone e recuperação da margem Ebitda para o segmento de carne bovina diante do melhor cenário para o setor em 2017.
CARNETEC
ECONOMIA
Export/Cepea: Vendas e preços menores reduzem faturamento em 2016
Depois de iniciar 2016 com exportações em volumes recordes, o agronegócio brasileiro encerrou o ano com redução nos embarques, em relação a 2015, refletindo a valorização do Real frente ao dólar e a queda na produção agrícola nacional, principalmente de grãos, decorrente do clima adverso
Cálculos do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, mostram que, entre janeiro e dezembro de 2016, comparativamente ao mesmo período de 2015, o volume exportado pelo agronegócio brasileiro (IVE-Agro/Cepea) caiu 2,6% e os preços em dólares recebidos pelos exportadores do setor recuaram 1,8% (IPE-Agro/Cepea). Com isso, o faturamento em dólar do setor diminuiu 3,6%, fechando em US$ 86 bilhões. Em Reais, o faturamento caiu expressivos 21%, devido à desvalorização de 17,6% da taxa de câmbio efetiva real do agronegócio (IC-Agro/Cepea), que, por sua vez, reduziu a atratividade das exportações do agronegócio brasileiro em 19% nesse mesmo período. Em 2016, diminuíram os volumes exportados (IVE Agro/Cepea) da maioria dos produtos considerados nos índices de exportação do Cepea, em relação ao ano anterior, com destaque para o óleo de soja (24,9%) e o milho (24,4%). Também recuaram os embarques de café (8,3%), soja em grão (5,2 %), frutas (4,7%), etanol (3,7%), algodão em pluma (3,5%), farelo de soja (2,6%) e carne bovina (0,3%). Segundo pesquisadores do Cepea, soja, milho e café estão entre os produtos que mais sofreram com o clima em 2016. Já as vendas externas de celulose se mantiveram estáveis, enquanto cresceram as de carne de aves (2,1%), suco de laranja (15,3%), madeiras (15,9%), açúcar (20,5%) e carne suína (32,6%). A China se manteve como o principal destino das exportações do agronegócio brasileiro em 2016, com 24,3% dos embarques (em receita). O bloco de países da Zona do Euro ficou com a segunda posição, com 17,3%. Estados Unidos, Japão e Irã também se destacaram como importantes parceiros comerciais do Brasil em 2016. Os grupos de produtos mais importantes no ano, em termos de valor exportado, foram os do complexo soja, carnes, sucroalcooleiro, produtos florestais e café. Para 2017, a expectativa é que a produção agropecuária brasileira se recupere, com expressivo crescimento comparativamente a 2016, segundo a Conab, uma vez que as previsões indicam clima mais favorável neste ano. Outro fator importante para impulsionar o comércio é o aumento da renda dos asiáticos, que deve manter firme a demanda por alimentos. Por outro lado, a mudança na orientação dos acordos e tratados de comércio internacional por parte do governo norte-americano pode acarretar em volatilidade aos mercados, afetando o câmbio e as taxas de juros no mercado internacional. Ainda, restrições ao comércio podem ser impostas a importantes parceiros comerciais do País.
Estudo da Farsul aponta mudanças no mercado internacional de carne bovina
A Farsul divulgou nesta terça-feira o mapeamento das exportações brasileiras de carne bovina entre 2006 e 2016. O estudo traça um panorama do mercado mundial de carne e das mudanças pelas quais o setor passou durante o período no Brasil
É justamente no continente asiático que está o maior potencial para a carne brasileira, em um movimento que vem sendo consolidado nos últimos dez anos. Segundo Economista-Chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz, os chineses já são os maiores compradores de carne brasileira e devem se consolidar como os maiores importadores de carne do mundo, até 2018. No período analisado pelo estudo, houve um crescimento de 778% no valor de carne bovina exportada pelo país para o continente asiático. O volume cresceu 299%. O Oriente Médio desponta como outra região em crescimento. O valor de carne brasileira exportada para a região cresceu 101% em dez anos, com uma valorização de 78% no preço do produto comercializado. Na América Latina e o Caribe o valor aumentado cresceu 337% enquanto o volume teve aumento de 136%. “O estudo nos mostra que precisamos estar mais abertos ao mercado mundial, principalmente aos mercados emergentes. Passamos muito tempo com o foco exclusivo na União Europeia e no Leste Europeu, e o que o estudo revela é que essas regiões não concentram o melhor potencial no momento”, avalia o economista. Segundo o mapeamento, apresentado por Renan dos Santos, analista de relações internacionais, o valor das exportações para a União Europeia caiu 51%, apesar do aumento de 79% no preço. O Leste Europeu também apresentou desaquecimento, com queda de 47% no valor e 59% no volume de carne exportada. O movimento está em sintonia com um decréscimo mundial da participação da União Europeia na importação de carne, que caiu pela metade desde 2006. Nos mercados emergentes, um dos aspectos que chama a atenção é a mudança no perfil do produto, que passou a priorizar carne in natura em detrimento de miúdos e carne industrializada. A expectativa é que haja um contínuo crescimento de comércio com a Ásia, já que, apesar do aumento observado nos últimos dez anos, o consumo de carne per capita no continente ainda é baixo em relação à média mundial. Na China, o consumo é de 3,5 kg de carne bovina por habitante, em contraste com os 45 kg de consumo per capita no Rio Grande do Sul. No entanto, da Luz ressalta que para aproveitar essas oportunidades, é importante que o país tenha um papel mais ativo na política de aproximação desses mercados. “Temos que ter uma posição mais firme em diversas áreas, como a exposição de nossos produtos, mas principalmente em relação ao Mercosul, que representa um entrave ao impedir a realização de acordos bilaterais. É muito difícil celebrar um acordo com o qual todos os países do bloco concordem, por isso a presença no bloco impede o aproveitamento de todo o potencial desses novos mercados. Precisamos buscar acordos com países de perfil semelhante ao Brasil, e o Mercosul é um impedimento para que isso aconteça”.
Apresentação do Mapeamento das exportações brasileiras de carne bovina – Estudo completo.
Farsul
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