Ano 7 | nº 1469| 19 de abril de 2021
NOTÍCIAS
Boi gordo: testes pouco efetivos no mercado paulista
Em São Paulo, a semana passada terminou com preços estáveis no mercado do boi gordo, mas com compradores testando preços menores nos últimos dias, no entanto, sem efetividade
Segundo levantamento da Scot Consultoria, na última sexta-feira (16/4), o boi gordo, a vaca gorda e novilha foram negociados, respectivamente, em R$317,00/@, R$291,00/@ e R$306,00/@, preços brutos e a prazo. Para animais destinados ao mercado externo, as negociações podem chegar em R$325,00/@, preço bruto e a prazo. No Espírito Santo, a disponibilidade curta de boiadas e a semana mais curta, por causa do feriado nacional (21/4), levou os compradores a aumentaram as ofertas de compra pelas três categorias destinadas ao abate. Alta de R$4,00/@ do boi gordo e R$2,00/@ para as fêmeas. Com isso, a cotação do boi gordo, vaca gorda e novilha gorda, na região, está, respectivamente, em R$297,00/@, R$282,00/@ e R$292,00/@, preços brutos e a prazo.
SCOT CONSULTORIA
Boi: arroba cai para R$ 318 em São Paulo
A arroba do boi gordo recuou do intervalo entre R$ 318 e R$ 319 para R$ 318, de acordo com a consultoria Safras & Mercado
O recuo recente dos preços está ligado a uma melhora incipiente da oferta de boiadas em alguns estados em virtude da perda de qualidade das pastagens. Com isso, há avanço das escalas de abate em algumas regiões. No mercado futuro, os contratos do boi gordo negociados na B3 também refletem o movimento de melhora da oferta e recuaram. O vencimento para abril passou de R$ 314,3 para R$ 312, o para maio foi de R$ 309 para R$ 305,55 e o para outubro, de R$ 326,2 para R$ 326 por arroba.
CANAL RURAL
China e Rússia fazem queixas contra carne e soja do Brasil
Moscou já reclamou de nível de glifosato no grão, enquanto Pequim relatou registros de coronavírus em embalagens de carnes
As embaixadas do Brasil na China e na Rússia reportaram, em telegramas ao Itamaraty, problemas em alimentos brasileiros exportados. Segundo diplomatas, autoridades nos dois países cobram soluções e há até queixa por “falta de controle” em relação aos produtos brasileiros. Moscou, por exemplo, alertou para o índice de agrotóxico acima do limite permitido. Só em 2020, a reclamação envolveu mais de 300 mil toneladas de soja. A missão em Pequim, por outro lado, relatou ao menos seis registros de presença do novo coronavírus em embalagens de carne e de pescado. Nos telegramas, as duas embaixadas disseram que os órgãos de fiscalização da Rússia e da China pediram providência ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A Folha teve acesso a 350 páginas das correspondências enviadas ao Ministério das Relações Exteriores. Os documentos foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). Em uma das correspondências, de novembro, o embaixador Paulo Estivallet de Mesquita relatou que a aduana da China suspendeu um estabelecimento brasileiro exportador de pescado. A medida foi tomada em razão da não apresentação de medidas corretivas após os produtos apresentarem resultado positivo para o vírus causador da Covid-19. “Na comunicação, a aduana chinesa afirma esperar que o Mapa atribua importância à identificação do novo coronavírus em produtos exportados pelo Brasil para a China e às não conformidades encontradas na auditoria por videoconferência”, escreveu Mesquita. De acordo com ele, o órgão “solicita, ademais, que as autoridades brasileiras adotem medidas para investigar a causa da contaminação, requeiram a adoção de medidas corretivas pelo estabelecimento e notifiquem as referidas correções ao lado chinês, a fim de garantir a segurança dos pescados exportados para este mercado”. Ao falar especificamente do Brasil, citou ao menos cinco vezes em que a mídia tratou da detecção do coronavírus em produtos importados da cadeia de frio. Os casos ocorreram nas províncias de Hubei, Shanxi e Shandong. “A mídia chinesa continua a insistir na narrativa de que alimentos importados da cadeia de frio apresentam alto risco de transmissão da Covid-19, chegando mesmo a insinuar que o primeiro caso da epidemia, em Wuhan, teria origem em produtos vindos de outros países”, escreveu o embaixador.
VALOR ECONÔMICO
Ágio do bezerro em MT supera 26% em março e obriga pecuarista a adotar novas estratégias
Imea recomenda maior depósito de carcaça no animal e travamento de preços pelos confinadores
O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA), informou que em março o bezerro de ano teve uma valorização de 6,32% em relação ao boi gordo, que registrou um ganho de 1,89%. Isso fez o indicador subir em 3,19 p.p., no comparativo com fevereiro, alcançando os 26,50% de ágio. Para o Gestor Técnico do Imea, Cleiton Gauer, a média do ágio do boi fica em torno de 23%, mas agora já ultrapassou o patamar dos 25% e isso traz uma preocupação para o setor. “Neste momento de fazer a aquisição de um animal mais jovem a um preço elevado e depois fazer a venda com uma arroba desvalorizada pode trazer um impacto significativo”, informou. Diante da oferta restrita do bezerro, o instituto estima que o indicador deve permanecer em patamares elevados no curto e médio prazo. “A fim de contornar este cenário e fechar um caixa que compense o custo da aquisição, é necessário um maior depósito de carcaça no animal, como também é recomendado o travamento de preços com antecedência pelos confinadores”, pontuou o IMEA. O rendimento da carcaça em todas as categorias dos bovinos registrou um aumento de produtividade em 2020. “A categoria que mais se destacou foi a de animais jovens de 24 meses no Mato Grosso. A exportação aquecida para a China impulsionou esse aumento de carcaça. Para se ter ideia, no comparativo com o ano de 2019, os avanços foram 12,56% para o novilho e de 3,89% para a novilha”, concluiu.
IMEA
Emirados Árabes emitem certificação para gado vivo do Brasil
Os Emirados Árabes Unidos aprovaram certificação para a importação de búfalos e bovinos em pé oriundos do Brasil, informa a ANBA
Os Emirados Árabes Unidos aprovaram certificação sanitária para importar gado vivo do Brasil. Segundo comunicado da Embaixada dos Emirados Árabes Unidos em Brasília, foi autorizado o Formulário de Certificação Sanitária para a exportação de vacas e búfalos vivos do Brasil para os Emirados Árabes. De acordo com o Secretário-Geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Tamer Mansour, com o certificado o Brasil poderá exportar grandes quantidades de animais, búfalos ou bovinos, tanto para criação, como para abate e produção de leite ao país árabe. O Brasil já chegou a exportar gado vivo para os Emirados Árabes Unidos, mas em pequenas quantidades e voltados para reprodução e experimentação genética.
Agência de Notícias Brasil-Árabe
Em dia de poucas vendas, preço do boi gordo sobe em Mato Grosso
O dia foi de menor fluidez de negócios, com frigoríficos e pecuaristas avaliando as melhores estratégias para o curto prazo
O mercado físico de boi gordo registrou preços mistos na sexta-feira, 16. Segundo o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o dia foi de menor fluidez de negócios, pois muitos frigoríficos e pecuaristas se ausentaram, avaliando as melhores estratégias para o curto prazo. Com o avanço das escalas de abate em alguns estados, a tendência é que os frigoríficos tentem exercer alguma pressão na segunda quinzena de abril. “Outro aspecto está relacionado ao clima seco, gerando desgaste nas pastagens e por consequência reduzindo a capacidade de retenção dos pecuaristas. A safra de boi gordo se aproxima do seu auge, e este período costuma marcar o ponto de mínima dos preços no decorrer do ano. De qualquer maneira a queda não deve ocorrer de maneira contundente, a resiliência será a principal característica dos preços pecuários em 2021”, assinala. Em São Paulo, Capital, a referência para a arroba do boi ficou a R$ 318 a arroba, ante R$ 318 – R$ 319 na quinta-feira. Em Goiânia (GO), a arroba teve preço de R$ 305, estável. Em Dourados (MS), a arroba foi indicada em R$ 306 – R$ 307, inalterado. Em Cuiabá, o boi gordo foi negociado a R$ 310 a arroba, contra R$ 309. Em Uberaba, Minas Gerais, preços os valores permaneceram inalterados em R$ 312 a arroba. No mercado atacadista, os preços da carne bovina ficaram estáveis. Com isso, o corte traseiro permaneceu em R$ 20,65 o quilo. O corte dianteiro teve preço de R$ 18,00 o quilo, e a ponta de agulha permaneceu a R$ 17,75 o quilo.
AGÊNCIA SAFRAS
ECONOMIA
Dólar tem 4ª queda seguida com exterior benigno, mas de olho em Brasília
O dólar emendou a quarta queda diária consecutiva e fechou no menor patamar em uma semana na sexta-feira, conforme investidores acompanharam o ambiente externo benigno e o noticiário político local
O dólar à vista caiu 0,75%, a 5,5856 reais na venda, após variar entre 5,6789 reais (+0,91%) e 5,5672 reais (-1,07%). A cotação não engatava quatro dias de baixa desde a mesma série encerrada em 19 de março. Na semana, a divisa recuou 1,57% –maior queda desde a semana finda em 12 de março e terceira semana consecutiva de perdas –sequência mais longa do tipo desde dezembro passado. Em abril, o dólar cai 0,80%, mas no acumulado do ano ainda sobe 7,59%. Operadores comentaram que a sexta-feira foi de mais desmonte de posições negativas nos ativos domésticos, diante de novas máximas históricas nos mercados externos por expectativas de rápida recuperação da economia global. Endossando o otimismo, a economia da China cresceu a uma taxa recorde de 18,3% primeiro trimestre ante o mesmo período do ano anterior, sugerindo força na maior consumidora mundial de commodities –importante componente das exportações brasileiras. De forma geral, porém, o persistente ruído político continua a limitar a confiança e manter os elevados prêmios de risco. Bruno Marques, sócio e gestor dos fundos multimercados macro da XP Asset, avaliou que o dólar, apesar dos patamares atuais, não parece tão distante dos níveis em que deveria estar e vê a moeda hoje como hedge de posições em bolsa, mesmo com a Selic em alta. “Acho que (a alta de) juros afeta um pouco o real, os juros até pioraram mais que o câmbio no ano, mas não acho que vai ser uma Selic de 5% que vai resolver isso. Nosso problema não é só juros, até porque o mercado já precifica isso (alta da Selic). Já tem bastante coisa no preço”, disse.
REUTERS
Ibovespa fecha acima de 121 mil pontos com aval externo
A BRF ON contabilizou declínio de 6,46%, diante do cenário de alta dos preços de grãos e potencial aumento das matérias-primas da ração animal. Na semana passada, o Presidente do Conselho de Administração da BRF, Pedro Parente, disse que os preços das commodities agrícolas estão em patamares bastante altos e o cenário é de firmeza nas cotações, com a China importando produtos “como nunca” enquanto recompõe seu plantel de suíno
Na sexta-feira, o Ibovespa subiu 0,34%, a 121.113,93 pontos, com alta de 2,93% na semana e ampliando o ganho em abril a 3,84% No ano, agora tem acréscimo de 1,76%. Foi mais uma semana de valorização, a terceira seguida, em movimento endossado por máximas em Wall St e noticiário corporativo aquecido, embora tenha ocorrido pouco avanço palpável nas frentes de saúde, política e fiscal no Brasil. A Vale, dona da maior fatia na carteira teórica do Ibovespa, de mais de 11%, renovou recordes nessa semana, quando acumulou valorização de 5,5%. Na quinta-feira, a cotação chegou a 109,88 reais na máxima, maior patamar intradia. Em paralelo, o noticiário corporativo brasileiro desencadeou oscilações expressivas na bolsa paulista, com destaque para GPA, Cia Hering e Lojas Renner, entre outras. Na visão do estrategista da RB Investimentos, Gustavo Cruz, o foco na semana ficou mais em questões corporativas, incluindo o começo de nova temporada de balanços nos EUA. “O exterior puxa (essa recuperação), o Ibovespa acaba sendo beneficiado”, afirmou. Em entrevista à Reuters nessa semana, o responsável pela estratégia de renda variável na AZ Quest, Eduardo Carlier, afirmou que o maior problema do Brasil ainda é o quadro fiscal. “É esse componente que gera maior incerteza”, disse.
REUTERS
Exportações do agronegócio do Brasil batem recorde de US$ 11,57 bi em março
As exportações brasileiras do agronegócio alcançaram o faturamento total de 11,57 bilhões de dólares em março, um recorde para o mês que nunca havia ultrapassado a marca de 10 bilhões de dólares na série histórica iniciada em 1997, afirmou o Ministério da Agricultura em nota na sexta-feira
O resultado ainda representa alta de 28,6% em relação ao valor obtido no mesmo período do ano passado. Segundo o ministério, os preços dos produtos exportados subiram 8,7% na comparação com março de 2020, enquanto o volume embarcado aumentou 18,3%. O complexo soja foi o setor de maior destaque, com avanços de 18,9% em volume, para 14,8 milhões de toneladas, e 38,2% em receita, para 6,01 bilhões de dólares. O ministério também ressaltou o desempenho do setor de carnes, que também bateu recorde de exportações, ao totalizar 1,60 bilhão de dólares, alta de 16,1% –considerando as proteínas in natura de frango, bovina e suína. A principal carne exportada foi a bovina, com 711 milhões de dólares em vendas externas (+11,9%) e volume recorde de 158 mil toneladas (+7,8%). Os embarques de carne suína também bateram recorde, com aumento de 51,2% no volume exportado, alcançando 108 mil toneladas equivalentes a 260 milhões de dólares (+57,4%). O governo ainda destacou as vendas externas de açúcar, cujo volume atingiu recorde de 1,97 milhão de toneladas em março de 2021 (+39,6%). O ministério disse que esse recorde de volume, em conjunto com o aumento de 9% no preço médio, gerou 638,96 milhões de dólares em exportações (+52,1%). As importações do agronegócio também aumentaram, passando de 1,28 bilhão de dólares em março de 2020 para 1,34 bilhão no mês passado, alta de 4,5%.
REUTERS
Vendas reais no varejo brasileiro recuam 10,1% em março, mostra ICVA
As vendas no varejo brasileiro caíram 10,1% em março frente ao mesmo período do ano anterior, descontada a inflação, de acordo com o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), que acompanha as vendas 1,4 milhão de comerciantes credenciados à empresa de meio de pagamentos
Em termos nominais, que espelham a receita observada pelo varejista, houve retração de 0,3%. Em fevereiro, houve queda real de 17,1% e declínio nominal de 9,9%. De acordo com o Chefe de Inteligência da Cielo, Pedro Lippi, esse resultado não necessariamente está relacionado a uma melhora no Varejo, visto que, a partir de março de 2021 os meses usados como base de comparação foram impactados pela pandemia. Os setores que apresentaram maiores desacelerações em relação ao ritmo de fevereiro foram Vestuário e Supermercados e Hipermercados, segundo o ICVA. Já Turismo e Transportes e Postos de Combustíveis registraram aceleração.
REUTERS
EMPRESAS
Marfrig nega compra de frigoríficos em dificuldade
Mesmo com a operação dos Estados Unidos gerando caixa e as exportações para a China bem posicionadas, com auxílio do dólar, não espere que a Marfrig saia às compras neste momento em que o parque frigorífico nacional deve passar a contar com empresas deficitárias à beira da quebradeira
Parte das perguntas que os investidores fazem a Eduardo Puzziello, Diretor de Relações com Investidores, sobre a “alocação [futura] de capital” do grupo, está ligada às expectativas que todo o mercado está depositando sobre todos os players. Sem demanda interna e boi caro, a ociosidade cresceu e plantas mais dependentes do consumo doméstico estão parando. A resposta é não, apesar de que ele concorde com a situação crítica dos frigoríficos de menor porte. “Muitos vão sair do mercado e não voltarão ou voltam menores ainda”. A prioridade da Marfrig é abaixar cada vez mais a relação alavancagem, “já nos mais baixos níveis históricos. A dívida líquida é de 1.6 vezes o Ebitda”. O mercado já viu uma fração desse movimento acontecer em janeiro, um mês depois do executivo da Athena Food no Chile assumir o RI. A Marfrig retirou dois bonds de US$ 1,750 bilhão, pagando 7%, e lançou outro de US$ 1,5 bilhão por 10 anos, por 3,95%. Os US$ 250 milhões de diferença foram cobertos com caixa próprio. “Vamos ter uma economia de US$ 60 milhões ao ano por quatro anos”, diz, em referência ao prazo de vigência das duas dívidas que foram compradas. Arrendamentos também não estão nos planos num primeiro momento. Mesmo porque é conhecida da pecuária nacional a corrida para esse tipo de negócio em 2014 e 2015, ainda longe da explosão da demanda chinesa, e as companhias tiveram que sair devolvendo as unidades arrendadas. E a JBS (JBSS3) foi a líder nessa ponta, seguido da Marfrig. Das 11 indústrias no Brasil, duas estão paradas, e a geração de negócios para a China e outros mercados compradores já é atendida suficientemente, além do que elas oferecem de oferta para o Brasil. “Então, pensar num ativo que esteja na mesa e que necessite de recursos em sustentabilidade e questões trabalhistas [além de autorizações para exportação], fica difícil”, afirma Eduardo Puzziello. O ROI (retorno sobre investimento) ficaria muito alongado e quebraria a qualidade da gestão de passivo que a empresa quer perseguir. As operações no exterior atualmente também estão ajustadas à demanda. As quatro plantas do Uruguai e uma (das duas) argentina também atendem os Estados Unidos, além de três do Brasil. Dito isto, na conta de chegar da Marfrig só cabe os “pequenos movimentos” atuais de uso do capital. Os US$ 100 milhões que serão empregados nos próximos tempos no Paraguai, com a parceria firmada com produtores locais que garantirão matéria-prima de qualidade para o mercado externo, anunciada em 2020, e o upgrade na planta de hambúrgueres de Várzea Grande. Além da mais recente decisão, de mais que dobrar a capacidade de abate da filial de Iowa, nos EUA, de 1,1 mil bois/dia para 2,5 mil, que consumirá US$ 100 milhões até final de 2022.
Money Times
MEIO AMBIENTE
Adesão a metas ambientais é o próximo desafio no campo
Frigoríficos e tradings definem alvos contra emissões e desmate. Desde 2020, algumas das principais empresas de alimentos do mundo anunciaram metas próprias de redução de emissões de poluentes e de eliminação do desmatamento de suas cadeias, ainda que permitido por legislações nacionais
A série de compromissos cresceu nas últimas semanas e a onda mais recente de novos compromissos vem do setor de carnes, que é apontado como o principal vetor de desmatamento e emissões na indústria de alimentos e tem o domínio de companhias brasileiras. Na última quinta-feira, a Minerva, maior exportadora de carne da América Latina, se propôs a rastrear todo o gado que abate no continente até 2030, ano em que pretende eliminar o desmate ilegal na cadeia. Das grandes empresas do segmento, ela foi, porém, a única a não se comprometer com o fim do desmatamento legal. No segmento de carnes, a primeira a anunciar publicamente suas metas foi a Marfrig. No ano passado, a empresa informou que prevê rastrear todo o gado que abate para que, até 2025, nenhuma cabeça comprada na Amazônia esteja relacionada a desmatamento, ainda que ocorrido de forma legal depois de 2009. Mais recentemente, a empresa se propôs a zerar o desmatamento legal em toda a cadeia até 2030, mas está definindo o ano-base (a partir de quando o desmatamento legal não deveria mais ter ocorrido). Líder global em carnes, a JBS anunciou, em março, o mesmo objetivo, de zerar todo tipo de desmatamento, mesmo dentro da lei, mas com um prazo cinco anos maior, até 2035. E, reconhecendo também que ainda há desmate ilegal em sua cadeia, comprometeu-se com a eliminação do problema até 2025 na Amazônia e até 2030 nos outros biomas. Já a BRF, dona da Sadia e Perdigão, ainda está elaborando seu compromisso. Os planos das indústrias de carnes estabelecem também metas de neutralização das emissões de carbono. A mais ambiciosa é a da Minerva, que pretende atingir esse objetivo até 2035, cinco anos antes da JBS. A Marfrig ainda não definiu sua meta de emissões, mas informou ter a “ambição” de neutralizá-las até 2050, podendo antecipar para até 2035. Já a BRF não tem meta para emissões totais, mas para redução da pegada de carbono da produção (escopos 1 e do 2 do protocolo internacional GHG de contabilização de emissões), que é de 20% até 2030 – o cálculo considera 2019 como ano-base. Responsáveis por mais de 20% das emissões de gases estufa, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), a agropecuária e o desmatamento são elementos centrais na crise climática – e, no caso dos frigoríficos, o problema não se restringe às compras feitas diretamente pelos frigoríficos. Para esses grupos, o maior desafio será, aliás, diminuir as emissões relacionadas aos seus fornecedores (escopo 3). Nem Minerva nem JBS estabeleceram meta específica para esse escopo, já que ainda precisam rastrear toda a cadeia e mensurar seu nível de emissões. A Marfrig, por sua vez, comprometeu-se com redução das emissões do escopo 3 em 35% até 2035.
VALOR ECONÔMICO
FRANGOS & SUÍNOS
Mapa inicia o Plano Estratégico Brasil Livre de Peste Suína Clássica em Alagoas
O primeiro passo será uma ação conjunta entre os setores público e privado para a execução da vacinação contra a PSC de forma regionalizada na Zona não Livre da doença
“O projeto piloto visa identificar as limitações e realizar os ajustes necessários para viabilizar a implementação da vacinação contra a PSC nos demais estados da Zona não Livre e, desta forma, reduzir os riscos na execução do Plano. A atuação das Equipes Gestoras Nacional e Estadual e a interação público-privada nas ações de vacinação também serão avaliadas”, explica o Diretor do Departamento de Saúde Animal da Secretaria de Defesa Agropecuária, Geraldo Moraes. O Plano Estratégico Brasil Livre de PSC tem por objetivo erradicar a doença nos estados que compõem a Zona Não Livre do Brasil: Alagoas, Amapá, Amazonas, Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Roraima. “O Brasil vem batendo recordes no volume de exportação de carne suína e tem expectativa de novo recorde na comercialização anual. A presença da PSC em parte do território nacional pode comprometer esse importante segmento da economia”, observou Moraes.
MAPA
JBS anuncia início das exportações para Camboja e República Dominicana
A JBS anunciou na sexta-feira (16) o início das exportações de carne suína e de frango da Seara para Camboja e República Dominicana
O primeiro embarque de carne suína in natura da JBS para o Camboja seguiu para as cidades de Sihanoukville e Phnom Penh. “O país asiático se torna um importante cliente; a JBS pretende manter negócios regulares e estuda parcerias com o varejo para o envio de mix de produtos”, disse e empresa em comunicado. A JBS teve também 14 plantas em sete estados brasileiros habilitadas a exportar carne de frango para a República Dominicana. “O país é considerado turístico e com grande potencial de aumento de consumo no futuro pós-pandemia”, disse a empresa. A ABPA já havia anunciado na semana passada que a República Dominicana habilitou 28 plantas brasileiras a exportar carne de frango ao país, incluindo unidades da JBS, BRF e Lar Cooperativa. A JBS disse que já exporta para mais de 150 países no mundo.
CARNETEC
INTERNACIONAL
Estudo liga montadoras europeias a desmatamento na Amazônia, diz Deutsche Welle
Assentos de couro dos veículos de montadoras como Volkswagen, BMW, Daimler, grupo PSA (Peugeot, Citroen, Opel) e Renault possivelmente carregam marcas de desmatamento ilegal, difíceis de serem rastreadas, afirma um relatório publicado nesta 6ª feira (16.abr.2021) pela Rainforest Foundation Norway
Maior exportador de couro bovino do mundo, o Brasil fornece cerca de 30% desse material para a indústria automotiva mundial. Até virar estofado de veículos, o couro pode ter sido removido do gado criado numa área desmatada ilegalmente na Floresta Amazônica, aponta a fundação sediada em Oslo. “Atualmente, nenhuma montadora consegue provar que não está envolvida nisso”, complementa. Com ritmo acelerado de destruição, a Amazônia perdeu em 2020 a maior área dos últimos 12 anos a, 11.088 km², segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). A criação de gado continua sendo o principal motor da devastação: mais de 90% do desmatamento é ilegal e dá lugar a pastos, apontam estudos do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia). “Se o consumidor europeu quiser saber de onde vem o couro, ele vai esbarrar em muitas dificuldades. Essa indústria tem uma cadeia de fornecedores complexa, é muito difícil seguir o caminho do produto depois do matadouro”, diz Faggin. Segundo o estudo, quem compra dos grandes fornecedores brasileiros não pode assegurar que o material não tenha vindo de áreas desmatadas. “Ao contrário, o relatório mostra uma alta probabilidade de que o desmatamento seja um fator nessa cadeia de abastecimento”, diz o documento. A maior parte do que é exportado pelo Brasil vem de curtumes localizados na Amazônia Legal, que extraem a pele do gado criado e abatido na região. JBS Couros, Minerva Couros, Vancouros, Fuga Couros, Durlicouros, Mastrotto Brasil e Viposa, os 7 maiores fornecedores da indústria europeia, são listados como empresas que têm alguma ligação com o corte da floresta, não necessariamente ilegal. Das 7 empresas citadas no relatório, quatro responderam aos questionamentos da DW Brasil até o fechamento desta reportagem. A JBS, gigante do setor, negou qualquer ligação com desmatamento ilegal e citou uma ferramenta online criada que faria o rastreamento do couro, a JBS360. Sobre o problema da ilegalidade escondida nos fornecedores indiretos, a empresa afirmou que a Plataforma Pecuária Transparente, lançada em 2020, estende o “alcance de seu monitoramento aos fornecedores de seus fornecedores” e que trará uma “solução definitiva” até 2025. A Minerva, diz ter firmado o compromisso de eliminar de toda sua cadeia o desmatamento ilegal, e que planeja integrar uma nova ferramenta “ao seu sistema de monitoramento geográfico para a Amazônia, que proporciona uma avaliação de riscos relacionados às fazendas fornecedoras indiretas”. A Vancouros se limitou a afirmar que tem uma “política de compra de matéria-prima, assim como certificações ligadas a esse tema”. A Viposa enviou uma resposta semelhante, afirmando ter “uma política para compra de matéria-prima (couro), além de certificações e ações relacionadas aos temas de rastreabilidade, sustentabilidade e meio ambiente”.
Produção de carne suína da China cresceu 31,9% no primeiro trimestre
Volume, de 13,69 milhões de toneladas, foi o maior desde o intervalo de janeiro a março de 2019
A produção de carne suína da China no primeiro trimestre cresceu 31,9% em relação ao mesmo período do ano passado, para 13,69 milhões de toneladas, segundo dados divulgados pela agência Reuters. O aumento ocorre após enormes investimentos na reconstrução do plantel de suínos do país desde que a peste suína africana devastou fazendas em 2018 e 2019. A vara de porcos da China chegou a 415,95 milhões de cabeças no fim de março, um aumento de 29,5% no ano, disse o National Bureau of Statistics, segundo a Reuters. Em dezembro, o número era de 406,5 milhões de animais. “O fundamental é que há mais porcos no rebanho”, disse Pan Chenjun, analista sênior do Rabobank. Uma onda severa de doenças durante o inverno acabou se refletindo no aumento da produção de suínos, já que muitas fazendas, preocupadas com o aumento do risco de infecção, enviaram os porcos para o abate mais cedo. O peso médio dos suínos abatidos era menor do que há um ano, disse Pan, indicando que a terminação antecipada é um dos principais motivos para o aumento da produção. Grandes produtores, incluindo New Hope Liuhe, Jiangxi Zhengbang e Tech-bank Food, também disseram que abateram porcas ineficientes durante o trimestre, o que aumentou a produção de carne. A produção no trimestre atingiu seu maior nível desde o primeiro trimestre de 2019, quando a China produziu 14,6 milhões de há 2 dias Agronegócios toneladas de carne suína, segundo cálculos da Reuters. O volume foi um pouco maior do que as 13 milhões de toneladas no quarto trimestre de 2020. As importações de carne da China nos primeiros três meses de 2021 chegaram a 2,63 milhões de toneladas. O volume representou um aumento de 20,8% em relação ao mesmo período do ano passado.
VALOR ECONÔMICO
Argentina: governo incentiva frigoríficos a dar detalhes dos embarques
Após as medidas anunciadas sobre a criação de um cadastro para “monitorar” as exportações de carnes, o governo argentino ordenou aos frigoríficos exportadores de carnes que revisassem os valores declarados de seus embarques nos próximos 15 dias úteis e fornecessem elementos, explicações e/ou subsídios documentação que permite à Alfândega determinar a base de avaliação aplicável, conforme detalhado no Diário Oficial da União (BO)
A notificação foi enviada aos frigoríficos exportadores Azul Natural Beef, Agrop Negocios, Argus Meats, Black Bamboo, Ecocarnes, Compañía Bernal, Coto, Friar, Frigolar, Frigorífico Forres-Beltrán, Frigorífico Alberdi, Frigorífico General Pico, Marfrig Argentina, Mochopa, Mmagno SRL, NCG Trade, Login Food, Entrerriana Cattle Processor (PGE), Rafaela Alimentos, Santa Giulia e SA Importadora e Exportadora. O objetivo da medida é que as empresas notificadas ratifiquem ou corrijam “a dúvida razoável decorrente dos valores declarados”. Nesse sentido, a Administração Federal da Receita Pública (AFIP) teria encontrado divergências nessas declarações de embarques de cortes bovinos registrados pelas empresas, durante o primeiro bimestre de 2020. “Caso seja homologado, a apuração das novas bases de cálculo será feita de acordo com os percentuais expressos em cada caso”, afirma o BO. Por fim, declara que a apresentação da documentação deve ser feita através do Sistema de Procedimentos Aduaneiros (SITA) utilizando exclusivamente os códigos indicados no documento, “sem prejuízo de poder utilizar outros mecanismos que considere pertinentes e que comprovem de forma confiável a apresentação do documentário contribuído”.
La Nación
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