
Ano 5 | nº 1016 | 17 de junho de 2019
NOTÍCIAS
Demanda melhora e mercado do boi ganha força
Após a confirmação da volta das exportações de carne bovina à China o mercado ganhou força
Apesar de sexta-feira ser um dia, normalmente, com baixo volume de negócios e com testes de preços abaixo da referência, o que se viu no último dia 14 foi um mercado com preços mais firmes em relação aos últimos dias. Desde a suspensão dos embarques para a China, os frigoríficos estavam ofertando preços menores pelo boi gordo, o que diminuiu as programações de abate. Agora, com a volta da exportação para o país asiático e com as escalas enxutas, as empresas têm saído às compras com mais afinco. Já os vendedores, percebendo a maior procura, têm pedido preços maiores nas negociações. Em São Paulo, por exemplo, a cotação da arroba do boi gordo subiu e ficou em R$150,50, à vista, livre de Funrural. Foram verificados negócios ocorrendo acima da referência. Este cenário ainda deve continuar pelos próximos dias, mesmo com a entrada da segunda quinzena, o que pode abrir oportunidades para os pecuaristas em curto prazo.
SCOT CONSULTORIA
Acordo sanitário com a China deve ser revisado
Depois de ter sido obrigado a suspender, em caráter preventivo, as exportações de carne bovina para a China em consequência da confirmação de um caso “atípico” da doença da “vaca louca” em Mato Grosso, o Ministério da Agricultura quer revisar o protocolo sanitário firmado entre o Brasil e o gigante asiático
O acordo em vigor exige que as exportações brasileiras sejam suspensas imediatamente sempre que for identificado um caso de “vaca louca”, mesmo que seja em um animal de idade avançada que não tenha sido abatido e não tenha entrado na cadeia alimentar, como foi o recente caso mato-grossense. Mas, sobretudo após esse episódio, no segmento de carnes ficou a certeza de o acordo assinado em 2015 na gestão da então Ministra Kátia Abreu é desfavorável aos frigoríficos brasileiros. “Vamos começar em breve as negociações para aperfeiçoar o acordo sanitário com a China, porque ele tem muitas falhas”, disse ao Valor o Secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Orlando Leite Ribeiro. Uma dessas “falhas”, no entendimento do governo e da iniciativa privada, envolve a exigência de suspensão imediata dos embarques. De acordo com o secretário, o protocolo não especifica como deve ser o procedimento para levantar o embargo temporário e nem estipula prazos para a retomada do comércio. Na quinta-feira, a Ministra da Agricultura, Tereza Cristina, anunciou que Pequim autorizou os frigoríficos brasileiros a retomarem os embarques para a China. O Secretário de Defesa Agropecuária do ministério, José Guilherme Leal, esteve na capital chinesa com o objetivo de acelerar esse processo de reabertura. Nesta sexta-feira, porém, o GACC, serviço sanitário do governo chinês, comunicou o Ministério da Agricultura do Brasil que as carnes produzidas que tenham obtido certificado sanitário internacional durante o período do embargo temporário – entre 3 a 13 de junho – não poderão ser embarcadas para a China.
VALOR ECONÔMICO
Ministério prevê retomada da venda de carne aos EUA
O Ministério da Agricultura espera que os Estados Unidos levantem ao longo do segundo semestre o embargo às exportações brasileiras de carne bovina in natura, que já dura dois anos. A missão sanitária americana que está no Brasil visitando frigoríficos para avaliar a reabertura do mercado terminará seus trabalhos no próximo dia 28
Técnicos do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) chegaram na segunda-feira passada no Brasil para inspecionar plantas de seis Estados: São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Também serão auditados laboratórios da rede pública federal e haverá visitas às regionais do serviço de inspeção animal nacional e reuniões na sede do Ministério da Agricultura em Brasília. O resultado da missão é muito aguardado pelos frigoríficos brasileiros, que estão desde junho de 2017 sem exportar carne fresca aos EUA. O país suspendeu os embarques após detectar abscessos (inflamações) em carregamentos de carne. O então Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, fez uma série de tentativas para retomar as vendas, mas todas fracassaram. “A missão está transcorrendo bem e os sinais que tivemos até agora são positivos”, disse ao Valor o Secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Orlando Leite Ribeiro. “O ideal é que a retomada venha no segundo semestre”, acrescentou. Ribeiro explicou, no entanto, que o processo de reabertura tem que respeitar um cronograma. Após a auditoria, o serviço sanitário americano ainda terá que produzir um relatório sobre a missão no Brasil, e Perdue terá que analisá-lo para dar uma resposta ao Ministério da Agricultura do Brasil. Embora sejam grandes produtores de carne, os EUA têm um importante mercado potencial, sobretudo para os cortes dianteiros do Brasil, muito demandados para a produção de hambúrguer.
VALOR ECONÔMICO
ECONOMIA
Dólar tem maior alta em 1 mês com ajuste local; volatilidade dispara
O dólar registrou na sexta-feira a maior alta ante o real em quase um mês e acumulou valorização na semana, a primeira depois de três quedas seguidas, com investidores evitando exposição antes do fim de semana e repercutindo o exterior cauteloso, ruídos locais e chances de nova queda de juros no Brasil.
Uma medida de incerteza para a taxa de câmbio disparou. A volatilidade implícita das opções de dólar/real com vencimento em três meses subia para 13,5% ao ano, maior patamar desde 22 de maio. O dólar à vista saltou 1,16%, a 3,8992 reais na venda. É o maior ganho diário desde 17 de maio (1,62%). O patamar de fechamento é o mais elevado desde 31 de maio (3,9244 reais). Na máxima, a cotação bateu 3,9144 reais, valorização de 1,55%. Na semana, o dólar à vista subiu 0,56%. Na B3, o dólar futuro de maior liquidez subia 1,38%, a 3,9065 reais. O dólar já vinha em alta desde cedo, alavancado pela força da moeda norte-americana no exterior, após dados firmes nos Estados Unidos levantarem dúvidas sobre o espaço para cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos). Mas as compras se aceleraram na esteira de críticas do Ministro da Economia, Paulo Guedes, a deputados. Irritado com o parecer apresentado na véspera pelo relator da reforma da Previdência em comissão especial da Câmara, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), Guedes fez críticas a alguns servidores do Legislativo. Em resposta a Guedes, o Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que na democracia vale a vontade do coletivo. Além do noticiário político, fatores técnicos pressionaram o dólar. Operadores chamaram atenção para a crescente aposta em queda da Selic, o que reduziria ainda mais o diferencial de juros entre Brasil e EUA. Esse diferencial de taxas está atualmente em mínimas históricas, o que desestimula a vinda de “caçadores de retornos” ao Brasil —portanto, enfraquecendo a perspectiva de fluxo cambial.
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Ibovespa fecha em baixa, puxado por bancos
O principal índice brasileiro de ações fechou em baixa na sexta-feira, puxado sobretudo por ações de bancos, ainda sob efeito da proposta de estender a alíquota maior de imposto sobre o setor como parte do relatório da reforma da Previdência
O Ibovespa teve queda de 0,74%, a 98.040,06 pontos. O giro financeiro da sessão totalizou 16,7 bilhões de reais. Na semana, o índice teve oscilação positiva de 0,2 por cento. O setor financeiro foi um dos que mais pesaram no índice, após parecer da reforma da Previdência defender que alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos bancos retorne ao nível de 20%, após ter retornado a 15% neste ano. Dados econômicos do dia pesaram no mercado. Aqui, o Banco Central informou que em abril o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), prévia do Produto Interno Bruto (PIB), teve queda de 0,47% em ante março. O dado frustrou a expectativa de alta de 0,20% em pesquisa da Reuters. A tendência vendedora na B3 ganhou força após o Ministro da Economia, Paulo Guedes, manifestar irritação com o parecer apresentado na véspera pelo relator, Samuel Moreira (PSDB-SP), dizendo que os deputados “abortaram” a reforma da Previdência se o projeto autorizado pelo relatório for aprovado.
REUTERS
Supremo Tribunal Federal marca julgamento sobre tabela do frete rodoviário
Segundo pauta divulgada pelo Presidente do STF, ministro Dias Toffoli, as ações diretas de inconstitucionalidade serão avaliadas no começo de setembro
O Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ministro Dias Toffoli, divulgou a pauta para o segundo semestre que inclui o julgamento da tabela de frete rodoviário. As ações diretas de inconstitucionalidade (ADI) sobre a tabela do frete serão avaliadas em 4 de setembro. Há na Corte três ADIs, relatadas pelo Ministro Luiz Fux, contra a tabela de preços mínimos de frete, que foi uma concessão do então governo de Michel Temer ao movimento grevista dos caminhoneiros, realizado em maio do ano passado. Os processos foram abertos pela Associação do Transporte Rodoviário do Brasil (ATR Brasil), que representa empresas transportadoras; pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA); e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em dezembro, Fux chegou a conceder uma liminar (decisão provisória) para suspender a cobrança de multa feita pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) sobre as transportadoras que tenham desrespeitado a tabela. O Ministro, entretanto, voltou atrás da medida dias depois, após pedido de reconsideração da Advocacia-Geral da União (AGU). A CNA argumenta que o tabelamento é uma intervenção ineficaz no meio econômico, que tem causado perdas ao setor produtivo, como o aumento de 145% no valor do transporte de granéis agrícolas e a redução nas exportações. Os caminhoneiros defendem o tabelamento. Eles alegam que há uma distorção no mercado e que, sem a tabela, não têm condições de cobrir os custos do serviço que prestam e ainda extrair renda suficiente para o próprio sustento.
AGÊNCIA BRASIL
EMPRESAS
JBS investe R$ 45 milhões para ampliar produção em Ituiutaba
A JBS, maior empresa de proteínas animais do mundo, informou hoje que investiu R$ 45 milhões na ampliação de sua planta de Ituiutaba, em Minas Gerais
Segundo a companhia, o aporte, realizado nos últimos meses, permitirá um incremento de 50% na capacidade produtiva da unidade. O objetivo é atender à demanda doméstica e os principais mercados importadores, como Europa, Oriente Médio, China e Chile. “O incremento no volume da produção da planta de Ituiutaba a torna ainda mais estratégica no atendimento a todas as nossas certificações de exportação. Além disso, os novos postos de trabalho nos tornarão uma das principais empresas empregadoras da região, o que é motivo de muito orgulho”, afirmou, em nota, Renato Costa, Presidente da divisão Friboi. As reformas incluem modernização de equipamentos e implantação do projeto que permite um melhor fluxo para aumento da produção. Em função da expansão, a JBS informou que iniciará um segundo turno de trabalho na unidade e, ao longo do segundo semestre, abrirá 700 novos postos de trabalho na cidade. De acordo com a companhia, a unidade da Friboi está na lista de plantas a serem habilitadas para exportação de carne bovina in natura aos Estados Unidos e recebeu hoje uma comitiva do país.
VALOR ECONÔMICO
Dakang quer mais aquisições e mira bovinos
Quase um ano depois de iniciar a reestruturação financeira e operacional da mato-grossense Fiagril, a chinesa Dakang International Food & Agriculture, braço agrícola do grupo chinês Pengxin – que faturou quase US$ 2 bilhões no ano passado – avalia novas aquisições no país
Em entrevista ao Valor durante evento no interior de São Paulo, Richard Fan, Vice-Presidente da Dakang, afirmou que “está de olho” em muitas áreas, mas que tem mirado com especial atenção a bovinocultura. “Temos um projeto gigante de bovinos e vemos oportunidades significativas no Brasil”, disse ele. Mas, antes de fazer novos investimentos, a Dakang quer ter a certeza de que o desempenho está dentro dos conformes. “Estamos de olho, mas nossa agenda principal ainda é ter certeza de que nossos investimentos existentes sejam ainda mais bem-sucedidos e rentáveis para a Dakang para termos suporte para novos investimentos”. Há motivos para tanta cautela. A distribuidora de insumos Fiagril começou a colher os primeiros frutos da reestruturação que vem sendo feita desde meados de 2018. A distribuidora é controlada pela Dakang desde 2016. No ano passado, a Fiagril lucrou R$ 52 milhões, resultado bem melhor que o de 2017, quando amargou um prejuízo de R$ 10 milhões. Porém, como efeito colateral da reestruturação, a empresa ficou menor e viu a receita diminuir mais de 20%, passando de R$ 3,4 bilhões para R$ 2,7 bilhões. Por sua vez, a paranaense Belagrícola, adquirida pela Dakang em 2017, também saiu de um prejuízo líquido em 2017 (R$ 90 milhões) para um lucro de R$ 100 milhões em 2018. A receita cresceu 27% na comparação, para R$ 670 milhões. “Se a Dakang vir uma grande oportunidade, vai aproveitar. Quando e como fazer o investimento é o tipo de coisa que eu não posso falar”, disse Fan, que assegurou a intenção da empresa de fazer novos investimentos no país.
VALOR ECONÔMICO
FRANGOS & SUÍNOS
Brasil acionará OMC para contestar barreira da Indonésia a carne de frango
O Brasil vai acionar a Indonésia na Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar barreiras à importação de carne de frango do país, disse o Ministério da Agricultura em comunicado na noite de sexta-feira
A pasta acrescentou que circulou na véspera, em Genebra, na Suíça, um pedido de painel contra a Indonésia, que deverá ser examinado no Órgão de Solução de Controvérsias (DSB) em reunião prevista para 24 de julho. “A divergência com a Indonésia tem cinco anos. Em 2017, o país ganhou uma disputa contra aquele país na OMC, e os juízes deram prazo até junho do ano passado para os indonésios eliminarem as barreiras contra o frango brasileiro. Até hoje, porém, o país asiático não autorizou as exportações brasileiras”, explicou o ministério em nota. O Brasil pretende que a OMC avalie se a Indonésia estaria atrasando sem justificativa o reconhecimento sanitário de exportadores brasileiros, o que não seria autorizado pelas regras do organismo internacional de comércio. A Ministra brasileira da Agricultura, Tereza Cristina, visitou a Indonésia no mês passado, quando pediu respostas do governo local sobre uma missão técnica que visitou frigoríficos no Brasil em abril de 2018.
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Com melhora na liquidez, cotações do frango sobem
Alta foi um pouco tardia
A maior liquidez – típica em primeira quinzena do mês, quando grande parte da população recebe seus salários – tem elevado os preços do frango inteiro resfriado e congelado nesta segunda semana de junho, de acordo com pesquisas do Cepea. No entanto, essa alta foi um pouco tardia, uma vez que o fraco ritmo das vendas de carne no atacado e no varejo no final de maio aumentou os estoques e limitou possíveis aumentos nos preços no início de junho.
Para colaboradores do Cepea, há a expectativa de que a liquidez da carne de frango melhore no mercado doméstico, devido à maior competitividade em relação à carne suína – esta última, que tende a registrar maior demanda em épocas com clima mais frio, está se valorizando atualmente.
SC e PR disputam primeiro lugar na exportação de carne de frango
No fechamento dos cinco primeiros meses de 2019, Santa Catarina, com 39,10% do total, assumiu a liderança do setor
No fechamento dos cinco primeiros meses de 2019, Santa Catarina, com 39,10% do total, assumiu a liderança do setor – mas apenas na receita cambial (o Paraná ficou com 38,31%, 0,79 ponto percentual a menos). Já no volume, o Paraná mantém a liderança conquistada há tempos, com 39,39% do total, 1,33 ponto percentual a mais que Santa Catarina, com 38,06%. No entanto, o que se constata a seguir é que houve um esvaziamento significativo de outros estados ou regiões. Goiás e Mato Grosso passam a apresentar sensível redução nas suas exportações e contribuem para que o Centro-Oeste, até agora a segunda Região exportadora do País, caia para a terceira posição, atrás do Sudeste, que retorna ao segundo posto. Como os três principais exportadores de carne de frango do Brasil – BRF, Seara e Cooperativa Aurora – estão sediados em Santa Catarina, é lógico que o estado passe a liderar o volume e a receita cambial do setor, independentemente do local de saída da carne de frango exportada.
AGROLINK
INTERNACIONAL
Avançam processos sanitários para o Uruguai importar gado vivo do Brasil
O Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca do Uruguai continua trabalhando no acordo do protocolo sanitário com o Brasil para poder importar gado vivo, em resposta a uma solicitação feita por algumas indústrias frigoríficas
O Diretor de Serviços de Pecuária do Ministério da Pecuária, Eduardo Barre, disse ontem em uma coletiva de imprensa que nas últimas semanas vem avançando na troca de informações para fechar o acordo, algo que poderia ser definido em poucos dias. De acordo com a Tardáguila Agromercados, Barre explicou que o protocolo do Mercosul “é elogiado” e, portanto, “os certificados sanitários estão sendo finalizados, o progresso foi feito e resta apenas determinar como será certificado”.
El País Digital
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