
Ano 4 | nº 724 | 05 de abril de 2018
NOTÍCIAS
Mudança de tática de compra dos frigoríficos
Cinco desvalorizações ocorreram para a arroba do boi gordo no fechamento do mercado desta quarta-feira (4/4)
Apesar de não existir facilidade para adquirir boiadas, está frequente a mudança de estratégia de compra das indústrias. O desajuste entre a oferta e a demanda por carne bovina é a causa dessa mudança de atitude. Os frigoríficos tiraram o pé das negociações com o fim de controlar o nível de estoque. Em São Paulo, principalmente, compradores têm pulado dias de escala e diminuído a quantidade de bovinos abatidos por dia. O objetivo é comprar comedidamente para ajustar a produção ao escoamento vigente. A pressão, por enquanto, não está intensa já que a disponibilidade de boiadas também não está abundante. Mas este é um componente de risco para o mercado e seus impactos devem ser mensurados com atenção.
SCOT CONSULTORIA
Mercado do sebo sem alterações no preço na semana
Com a oferta ajustada a demanda, o mercado de sebo segue sem alteração de preço em ambas as regiões pesquisadas
A alta observada para o óleo de soja ao longo de março deu um fôlego para o mercado do sebo, uma vez que a gordura animal é utilizada como substituto do óleo de soja na produção de biodiesel. No Brasil Central, o sebo está cotado, em média, em R$2,10/kg, livre de imposto. No Rio Grande do Sul, o produto está cotado, em média, em R$2,25/kg, nas mesmas condições. Para o curto prazo, atenção à demanda, que deve continuar ditando o rumo do mercado.
SCOT CONSULTORIA
Funrural: produtores foram a Brasília contra pagamento da dívida
Produtores rurais de todo o país foram a Brasília em manifestação contrária à cobrança retroativa do Funrural
Cerca de 3.000 produtores rurais se concentram nesta quarta-feira, dia 4, em frente ao Congresso Nacional, em Brasília, para protestar contra o Funrural. Os produtores querem a aprovação do parcelamento de suas dívidas junto aos bancos e o fim da cobrança retroativa do passivo. Caravanas de diversas cidades chegaram a Brasília e estão concentradas em um estádio esportivo próximo ao Congresso. De acordo com a União Democrática Ruralista, responsável pela organização do ato, 315 sindicatos rurais de todo Brasil estão confirmados para participar da manifestação. Representantes do setor dizem que não podem pagar o passivo, que deixou de ser arrecadado por conta de mudanças de entendimento no Judiciário. Ato coincidiu com a data em que o Supremo Tribunal Federal julga o habeas corpus do ex-presidente Lula.
CANAL RURAL
Barreira chinesa aos EUA pode acelerar habilitação de frigoríficos brasileiros
Brasil aguarda visita de missão da China para vistoriar 11 plantas no país; expectativa é que novas habilitações possam elevar exportações em 50%
O anúncio feito pela China de sobretaxar 106 produtos dos Estados Unidos, incluindo variedades de carne bovina, pode acelerar o processo de habilitação de frigoríficos brasileiros para exportar ao país asiático. Desde o fim do ano passado, o Brasil aguarda a visita de uma missão chinesa que deve vistoriar 11 plantas no país. Atualmente 16 plantas de carne bovina estão habilitadas a exportar para China. No ano passado, o Brasil exportou 211 mil toneladas de carne bovina in natura para o país, uma alta de 29% em relação ao exportado em 2016, de acordo com o Ministério da Indústria Comércio Exterior e Serviços (MDIC). Caso os chineses venham a habilitar todas as 11 novas plantas, a expectativa é de que o volume exportado para o país possa crescer 50%.
CANAL RURAL
Maggi mostra avanço do agro nacional a deputados da UE; explica mudanças na fiscalização
Para Maggi, Operação Carne Fraca foi mostra de que as instituições no Brasil funcionam de forma democrática e independente
Uma comissão de representantes do Parlamento Europeu foi recebida na terça-feira (03) pelo Ministro Blairo Maggi (Agricultura, Pecuária e Abastecimento), que estava acompanhado do presidente da Embrapa, Maurício Lopes, e do Presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), João Martins, com o objetivo de conhecer melhor a agropecuária brasileira. Em relação à fiscalização dos produtos brasileiros, o Ministro revelou ter feito algumas mudanças na inspeção do Mapa e garantiu que os fiscais têm trabalhado para garantir a qualidade dos produtos, tanto para o consumo interno quanto externo. Por mais de três horas os deputados da União Europeia (UE) tiveram informações sobre como o Brasil passou, nos últimos 40 anos, da condição de grande importador para um dos maiores exportadores de alimentos do mundo. Em sua apresentação, o Ministro fez questão de ressaltar que o Brasil não oferece nenhum subsídio aos produtores do país e que, mesmo assim, a agropecuária vem crescendo de forma consistente. Maggi reafirmou o discurso da sustentabilidade, apresentando os números da Embrapa Territorial, que revelam que mais de 65% do território brasileiro é preservado por florestas naturais. Disse que mais de 20% desse total é de responsabilidade dos produtores rurais, que têm procurado manter preservados justamente os locais próximos às margens de rios. Em sua apresentação, o Presidente da Embrapa disse que a mudança de paradigma brasileiro na agricultura deveu-se em grande parte a investimento em pesquisa. Maurício Lopes falou aos europeus sobre os desafios enfrentados pelo país para desenvolver a produção agropecuária, como a transformação do solo do cerrado brasileiro de fraco e muito ácido em área fértil. Outro grande desafio de pesquisadores da Embrapa foi tropicalizar a agricultura no país. Lopes disse que algumas culturas, embora sejam típicas de regiões temperadas, hoje são produzidas em áreas de clima tropical graças ao zoneamento climático e ao melhoramento genético das plantas.
CARNETEC
Em Goiás poder de compra do recriador piorou na comparação anual
Desde o início do ano, o mercado do boi gordo não está sustentado, assim como o mercado de reposição. O preço da arroba não estimula e com isso os negócios não giram, ficam travados na queda de braço entre vendedor e comprador
Mas ampliando o horizonte da análise, o mercado de cria, que retraiu nos últimos tempos, dá indícios de recuperação no estado. Na comparação anual, o preço do bezerro de desmama (6@) aumentou 13,8% e do bezerro de ano (7,5@) 12,4%. Logicamente essa recuperação de preços não é integral. Inclusive está longe de alcançar os patamares observados em 2015/2016, mas o cenário demonstra tendência de melhora. Com isso, a relação de troca piorou para o recriador. Se em março do ano passado, com o preço de venda de um boi gordo de 16@ compravam-se 2,17 bezerros de desmama, atualmente, nas mesmas condições, compram-se dois. Queda de 8,1% no poder de compra. Em curto prazo, esta sustentação de preços da cria pode perder força com a chegada de mais animais ao mercado (período de desmama), portanto, para os criadores, negócios pontuais podem ser mais oportunos agora do que no futuro.
SCOT CONSULTORIA
EMPRESAS
BRF pode reduzir abates em 14%
Em uma reação à crise decorrente da Operação Trapaça, que levou à suspensão das exportações de três de seus abatedouros e interrompeu os embarques de todos os seus frigoríficos para a União Europeia, a BRF anunciou ontem que vai paralisar parcialmente os abates de frango em Rio Verde (GO) e Carambeí (PR)
Com isso, o número de plantas da empresa que terão os abates paralisados – integral ou parcialmente – a partir de maio chegará a três, o que pode provocar uma redução de mais de 10% nos abates da BRF. Na última semana, a companhia já havia anunciado que os 3,2 mil funcionários da área de abate da unidade de Capinzal (SC) entrarão em férias coletivas de 30 dias em 7 de maio. Nas unidades de Rio Verde e Carambeí, as férias coletivas terão início em 14 e 21 de maio, respectivamente, de acordo com a BRF. Ao todo, 1,2 mil funcionários da planta paranaense entrarão em férias coletivas por um mês. No caso de Rio Verde, cerca de 2,3 mil funcionários serão afetados, mas não imediatamente – a parada será em etapas. Segundo o Vice-Presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Indústria de Carne e Derivados de Rio Verde, Edson Contessoto, as férias coletivas na planta terão três fases. Em 14 de maio, cerca de 750 funcionários pararão. Assim que se encerrarem os primeiros 30 dias, outros 750 trabalhadores entrarão em férias. A terceira e última fase de paralisação entrará em vigor em julho, disse. Atualmente, o frigorífico de Rio Verde abate cerca de 450 mil frangos por dia, segundo Contessoto. Em Carambeí, os abates giram em torno de 350 mil aves, segundo o fiscal agropecuário Antonio Carlos Ferreira. Na catarinense Capinzal, os abates são da ordem de 475 mil, conforme o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Carnes e Derivados da região (Sindicadezal), Luciano Soccol. Procurada, a BRF não informou quanto abate nos três frigoríficos. A partir dos números obtidos pelo Valor, no entanto, é possível ter a dimensão das paralisações anunciadas pela BRF. Considerando que um terço dos abates deixarão de ser realizados em Rio Verde e que os abates em Carambeí e Capinzal serão paralisados, 975 mil frangos deixarão de ser abatidos, o que representa 13,9% dos 7 milhões de frangos abatidos por dia pela BRF. A BRF também deve ter novidades hoje em sua crise societária. A expectativa é que Abilio Diniz renuncie à presidência do conselho de administração, como parte do acordo firmado com as fundações Petros e Previ.
VALOR ECONÔMICO
BRF coloca funcionários de mais duas unidades em férias coletivas
A BRF S.A. dará férias coletivas de 30 dias aos funcionários do setor de abate de aves da unidade em Rio Verde (GO) e a todos os trabalhadores da linha de produção da planta em Carambeí (PR), informou a empresa na quarta-feira (04)
Os funcionários de Rio Verde iniciarão as férias em 14 de maio e os de Carambeí, no dia 21 do mesmo mês. “Em ambos os casos, a decisão considera a necessidade de adaptações no planejamento de produção, em decorrência de ajustes para atender à demanda”, disse a empresa em comunicado enviado à imprensa. A BRF anunciou férias coletivas para funcionários de quatro unidades de produção de carne de frango desde que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) decidiu, em meados de março, interromper a produção e certificação sanitária destes itens produzidos pela BRF e exportados para a União Europeia. “Em consequência dessa medida, a BRF revisou o seu plano de produção e determinou, até o momento, ajustes nas seguintes unidades produtivas: Mineiros (GO), Capinzal (SC), Rio Verde (GO) e Carambeí (PR)”, disse a empresa. A suspensão temporária das exportações foi realizada após a divulgação da terceira fase da Operação Carne Fraca da Polícia Federal no início de março, que revelou suspeita de participação de funcionários da BRF na falsificação de resultados laboratoriais relacionados à presença de salmonela em produtos. A medida já impactou os resultados das exportações de carne de frango brasileira em março. As vendas de carnes salgadas, principais produtos importados pelos europeus, registraram perdas próximas de 50% em volumes, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) na terça-feira (03).
CARNETEC
INTERNACIONAL
Grupos agrícolas sustentáveis unem forças nos EUA
A Field to Market: The Alliance for Sustainable Agriculture e a Mesa Redonda dos EUA para a Carne Sustentável (USRSB) anunciaram uma colaboração nos esforços para avançar na produção sustentável de commodities usadas na alimentação animal e carne bovina
“Estamos particularmente empolgados em trazer maior transparência e melhoria contínua na produção de ração, o que, por sua vez, terá um impacto positivo na sustentabilidade geral da carne bovina”, disse Rod Snyder, Presidente da Field to Market. Sob o acordo, ambas as organizações se comprometeram a:
– Reconhecer os indicadores, métricas e benchmarks da Field to Market nos documentos da USRSB que discutem a produção de alimentos animais sustentáveis;
– Incentivar os membros da USRSB e da Field to Market, quando aplicável, a utilizar os recursos de ambas as organizações em projetos pilotos, acordos potenciais da cadeia de fornecimento e comunicação apropriada voltada para o público;
– Compartilhar aprendizados científicos quando apropriado; e
– Participar das reuniões e sessões de trabalho do outro, fornecendo feedback e experiência quando necessário.
“Percebemos que a sustentabilidade do setor de carne bovina deve incluir todas as facetas do que se acontece ao se colocar esse hambúrguer ou bife em nossas mesas”, disse Rickette Collins, Presidente da Mesa Redonda dos EUA para Carne Sustentável. “Ao compartilhar aprendizados e experiências, a USRSB e o Field to Market podem levar o setor de carne bovina a soluções melhores para os desafios de sustentabilidade que todos enfrentamos em toda a cadeia de valor.” As organizações formaram uma força-tarefa conjunta para identificar áreas de engajamento e explorar potenciais projetos-piloto, incluindo membros de ambos os grupos, incluindo: Cargill, divisão Corteva Agriscience da DowDuPont, McDonald’s, Associação Nacional de Produtores de Milho, Texas Cattle Feeders Association, The Nature Conservancy e World Wildlife Fund.
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