
Ano 3 | nº 603 | 21 de setembro de 2017
NOTÍCIAS
Produção brasileira de carne bovina deve ter leve alta em 2017, crescer 3-4% em 2018
A produção de carne bovina no Brasil deve crescer entre 3% e 4% em 2018, segundo estimativa de analistas do Rabobank divulgada em relatório na quarta-feira (20)
Para 2017, a expectativa é de leve aumento na produção em relação ao ano passado. A demanda interna e externa por carne bovina brasileira sofreu no primeiro semestre deste ano com a crise econômica no país e efeitos negativos da Operação Carne Fraca, que colocou em dúvida a qualidade do produto. Mas a partir de julho, as exportações começaram a acelerar, tendo registrado em agosto o maior nível desde outubro de 2013, segundo o Rabobank. Os analistas do banco esperam que os volumes de exportação no quarto trimestre fiquem acima dos registrados no mesmo período de 2016. A aceleração das exportações e a expectativa de retomada do crescimento econômico neste ano colaboraram para uma reação nos preços do boi gordo, que já chegaram em setembro aos mesmos níveis de fevereiro (R$ 145,15/kg), antes da crise envolvendo o setor. A China deverá continuar sendo um importante destino para a carne bovina brasileira, com a expectativa de que o número de plantas processadoras habilitadas a vender para o gigante asiático aumente em breve. O Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse no início do mês que o governo chinês demonstrou estar disposto a ampliar a compra de carnes do Brasil, durante visita à China. Atualmente, 16 plantas de carne bovina brasileiras estão autorizadas a exportar para a China e outras 89 aguardam liberação, segundo contabilização do Rabobank.
CARNETEC
Preço da arroba cai R$ 3 em uma semana
Os preços do boi gordo tiveram queda na terça-feira e já é possível notar com maior frequência indústrias pressionando o mercado, na tentativa de compras em patamares menores de preços
Alguns frigoríficos, que iniciaram a semana fora das compras, se posicionaram com preços abaixo dos observados na última semana, isso fez as cotações do boi gordo cederem. Em Araçatuba (SP), por exemplo, os preços já caíram R$ 3 por arroba. A cotação passou de R$ 145 na terça-feira, dia 12, para R$ 142 no fechamento de ontem. “A pressão de queda nos preços persiste. O escoamento da carne ainda é lento entre as cadeias, e essa situação só deve se alterar na virada de mês”, apontou o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias. É esperado um repique de demanda na primeira quinzena de outubro, enquanto que os frigoríficos seguem com escalas de abate posicionadas entre três a quatro dias úteis. No atacado os preços da carne bovina caíram. Além do escoamento lento, a concorrência entre as demais carnes segue muito acirrada.
CANAL RURAL
Frigoríficos voltam às compras, mas demanda ruim pressiona o mercado do boi gordo
Aos poucos, as indústrias estão voltando às compras. Porém, mesmo com os frigoríficos afastados das negociações nos últimos dias, as empresas estão ofertando preços menores pela matéria-prima
O lento escoamento da produção na ponta final da cadeia tem permitido essa estratégia. Na última semana, considerando a média de todas as praças pesquisadas pela Scot Consultoria, os preços do boi caíram 0,9%. De maneira geral, a oferta não é abundante mas tem sido suficiente para atender a demanda. Destaque para Mato Grosso do Sul, que apresentou queda nas três regiões pesquisadas pela Scot Consultoria na última quarta-feira (20/9). No mercado atacadista de carne bovina com osso não houve alteração e o boi casado de animais castrados continua cotado em R$9,34/kg.
SCOT CONSULTORIA
Preço do sebo bovino caiu 17,3% em relação ao começo do ano
Com a oferta ajustada à demanda os preços do sebo não tiveram alteração na última semana
Segundo levantamento da Scot Consultoria, no Brasil Central o produto está cotado em R$2,15/kg, sem imposto. Na comparação com o início do ano houve queda de 17,3%, reflexo da menor competitividade em relação ao óleo de soja. No Rio Grande do Sul o preço da gordura animal também não teve alteração na última semana e está cotado, em média, em R$2,15/kg, nas mesmas condições. Para os próximos dias a tendência é de que a oferta regulada à demanda mantenha as cotações andando de lado.
SCOT CONSULTORIA
Sistema ILPF alcança produção de 40,6@/ha/ano
Número obtido pela Embrapa Agrossilvipastoril é quase 7 vezes maior do que a média nacional e 30% melhor do que os outros sistemas avaliados. Média de produção dos outros sistemas – ILP, IPF e pecuária exclusiva – ficou em 30@/ha/ano
Quão eficiente pode ser a produção em um sistema com integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF)? Uma pesquisa da Embrapa Agrossilvipastoril (Sinop, MT) em parceria com a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) e Associação dos Criadores do Norte de Mato Grosso (Acrinorte) conseguiu alcançar uma média de produtividade quase sete vezes maior do que a nacional com bovinos Nelore. O sistema com lavoura de soja e consórcio milho-braquiária por dois anos, seguida por dois anos de pastagem com Brachiaria brizantha cv. Marandu, com linhas simples de eucalipto a cada 37 metros, resultou em 40,6 arrobas por hectare no ano. No ciclo passado, o mesmo sistema registrou 32@/ha/ano. Além do ILPF, o estudo – que está em seu segundo ano – também avaliou sistemas com integração lavoura-pecuária (ILP), pecuária-floresta (IPF) e apenas pecuária. Estes registraram produção média de 30@/ha/ano (veja tabela no fim da matéria para detalhes). A média nacional é de 6@/ha/ano e a de Mato Grosso fica em 4@/ha/ano. “Esse experimento mostra que a pecuária pode ir muito além de onde está”, diz Bruno Pedreira, pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril. O resultado obtido na avaliação feita entre julho de 2016 e julho de 2017 mostrou como a intensificação da tecnologia usada na pecuária, com aumento de adubação e da suplementação proteinada, podem resultar em ganhos de produtividade. No ciclo 2 do experimento, a adubação passou de 50 kg/ha (NPK) para 100 kg/ha e a suplementação alimentar também dobrou, de 0,1% do peso vivo ao dia para 0,2%. De acordo com Pedreira, apesar de resultar em maior produção de forragem em todos os sistemas, o aumento da adubação teve maior impacto na pecuária exclusiva e na IPF. Na pecuária, houve um aumento de 56% no acúmulo de forragem e na IPF de 36%, com ambos os sistemas produzindo cerca de 20 toneladas/ha por ano. Ainda assim, a produção na ILP (22 ton/ha) e na ILPF (25 ton/ha) foi maior. “No ano 1 já tínhamos um residual de adubação da lavoura na ILPF e na ILP. Então, eles já estavam produzindo bem. Quando colocamos 100 kg de NPK a capacidade de produção se mantém ou ainda incrementa. A pecuária e a IPF nunca foram lavoura antes, então quando entramos com esses 100 kg de adubação, a variação é maior do que nos outros sistemas”, explica. Com a melhor disponibilidade de forragem e com o aumento da suplementação alimentar em todos os sistemas, o ganho de peso diário ficou, em média, em 735 g. Sendo assim, o pesquisador diz que o mais contribuiu para a diferença de produção entre os sistemas foi a maior capacidade de lotação do ILPF, que ficou em 3,47 UA/ha contra 3 UA/ha da IPF, 2,78 da pecuária e 2,66 da ILP. Havia uma expectativa de resultados melhores na integração lavoura-pecuária. Porém, por algum motivo que ainda precisa ser estudado, esse sistema foi mais suscetível ao ataque de cigarrinha do que os demais. Além do aumento da produtividade, Pedreira acredita que os sistemas ILPF trazem maiores possibilidades para o produtor dentro da porteira, aumentando as opções na tomada de decisões. “Se você já tem dentro da fazenda, soja e milho ficam baratos. Posso suplementar 0,2% de peso vivo ao dia – ou até mais – o ano inteiro se eu quiser. Se ele é só criador, depende do preço do bezerro. No ano em que o bezerro está com preço bom para ele, ganha dinheiro, no outro não. Se você tem o ciclo completo, se tem lavoura e floresta, passa a ser menos dependente do mercado e mais tomador de decisão da porteira para dentro. É um grande pacote tecnológico que traz muitas opções para o pecuarista”.
Portal DBO
EMPRESAS
Fitch rebaixa rating da BRF por volatilidade do caixa e alta alavancagem
A agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou o rating de escala global corporativa da BRF S.A. para “BBB-” na terça-feira (19), para refletir a volatilidade do fluxo de caixa e elevada alavancagem da companhia, além da incerteza em relação à estratégia e estrutura de capital que serão implementadas pelo futuro CEO
A alavancagem líquida da BRF está acima da estimativa inicial da Fitch, tendo fechado o ano fiscal de 2016 em 3,6 vezes, ante menos de 2 vezes em 2014 e 2015. A recente queda na performance da companhia foi influenciada pelo aumento dos preços de grãos usados para nutrição animal e pela Operação Carne Fraca, eventos que testaram a volatilidade do fluxo de caixa, segundo a Fitch. A piora dos resultados em 2016 e 2017 tem levado a diversas mudanças na empresa, incentivando inclusive a decisão de trocar o CEO. “A Fitch espera que o fluxo de caixa livre da BRF seja positivo em 2017, à medida que a pressão dos custos de matéria-prima diminua, e que a alavancagem caia para 3,3 vezes”, disse a Fitch em relatório. A perspectiva para o rating da BRF é estável, já que a Fitch estima melhora na margem Ebitda da empresa no segundo semestre e em 2018, com a queda nos preços de matéria-prima e gradual avanço na lucratividade de suas operações internacionais, principalmente no Oriente Médio. A BRF disse por meio de comunicado que, apesar do rebaixamento, mantém seu grau de investimento e se posiciona com duas notas acima do rating soberano em moeda estrangeira.
CARNETEC
Mataboi encerra recuperação judicial
Empresa foi adquirida no final de 2014 pela JBJ Agropecuária
A companhia de abate de bovinos e comércio de carnes, Mataboi Alimentos, acaba de encerrar o seu projeto de recuperação judicial. A empresa ingressou com o pedido de recuperação há 6 anos, após dificuldades de renegociação de suas dívidas com bancos e fornecedores. Ao final de 2014, a JBJ Agropecuária adquiriu o Mataboi, assumindo uma dívida de R$ 480 milhões. A chegada da JBJ trouxe uma nova perspectiva e esperança aos mais de 2.300 colaboradores e também ao Administrador Judicial Fernando Borges, nomeado para esta função, que já em 2016 relatava: “A empresa reestruturou sua operação e ganhou eficiência em suas atividades no ano de 2015. São nítidos os resultados alcançados através do reequilíbrio entre receitas e despesas. Quanto à estrutura administrativa da empresa, a reestruturação empreendida pela nova gestão permitiu estabelecer novas perspectivas para o futuro. Essas frentes de trabalho permitem atacar simultaneamente diversos problemas setoriais, trazendo melhor desempenho aos processos da Recuperanda. Quanto às regiões onde estão instaladas as plantas industriais, a empresa está estrategicamente ao lado do pecuarista, o que lhe traz grande diferencial competitivo. De acordo com Diretor Presidente do Mataboi, José Augusto de Carvalho Junior, “a chegada da JBJ fez tudo mudar. A ousadia do empresário José Batista Junior que, a despeito da situação pré-falimentar do Mataboi, adquiriu a empresa, aportou capital e deu uma nova vida à empresa em termos de profissionalização da gestão”, afirma José Augusto. “Houve melhoria na infraestrutura, na produção e readequação de políticas comerciais, melhorando o faturamento e o resultado financeiro. A empresa também aumentou a participação no mercado internacional, conseguindo habilitações em novos países e mercados. Beneficiado com a alta do dólar houve crescimento no volume de carne exportada. Atualmente, cerca de 70% da produção é destinada ao mercado internacional”, conta o Presidente. De acordo com José Augusto, “em 2014 houve uma entrada forte de capital, proveniente a créditos fiscais, mas não foi suficiente para que a empresa conseguisse enfrentar a situação que se deteriorava. A única solução que poderia viabilizar a continuidade da operação seria a venda de participação acionária, mas também muito difícil, pois pouca gente se aventurava a ser sucessor de tantos problemas”, explica. José Augusto conta ainda que além dos fornecedores restringirem o prazo de pagamento e os bancos não concederem empréstimos, o mais difícil em uma recuperação judicial é fazer frente às novas obrigações e ao mesmo tempo manter em dia o parcelamento das dívidas do passado. “Isso onera demais a empresa que, sem novas linhas de financiamento, muitas vezes não consegue sobreviver”, diz. Outro desafio enfrentando, já na nova gestão, foi em meados de 2016, quando um incêndio destruiu boa parte da unidade em Araguari, descapitalizando a empresa em mais de R$ 70 milhões e reduzindo seu faturamento na ordem de R$ 500 milhões naquele ano.
Assessoria MATABOI
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