CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 555 DE 13 DE JULHO DE 2017

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Ano 3 | nº 55513 de julho de 2017

 NOTÍCIAS

Boi: Com necessidades de compra, frigorífico sustenta valores

As negociações de boi gordo seguem em ritmo lento no mercado brasileiro

Os valores ainda são bastante distintos, o que, segundo pesquisadores do Cepea reflete a urgência de negociação, seja por parte de vendedores ou de compradores. De modo geral, a oferta é maior que a demanda, principalmente devido ao menor volume de abate e das escalas alongadas. Apesar dessa pressão, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa do boi gordo subiu de forma pontual em alguns dias. Nessa quarta-feira, 12, o Indicador fechou a R$ 124,70, leve alta de 0,24% em sete dias. Como frigoríficos que tinham escalas alongadas se afastaram do mercado em certos dias, as poucas unidades de abate que precisaram negociar com maior urgência, acabaram ofertando preços maiores (devido à retração vendedora), elevando a média das negociações. 

Cepea

Maggi vai aos EUA para discutir reabertura do mercado de carnes

Defesa da sanidade de produtos brasileiros também foi tema em Genebra, onde se fortalece candidatura brasileira ao Codex Alimentarius. Reunião do ministro com secretário norte-americano será na segunda-feira (17)

Durante encontro, em Genebra, com o embaixador encarregado de Negócios dos Estados Unidos, Theodore Allegra, o Secretário-Executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Eumar Novacki, confirmou audiência do Ministro Blairo Maggi com Secretário de Agricultura do governo norte-americano, Sonny Perdue. A reunião está prevista para a próxima segunda-feira (17), em Washington, quando será discutida a retomada de exportações de carne para os EUA. Novacki se encontra na Suíça para participar de reunião do Codex Alimentarius, apoiar a candidatura brasileira à presidência da entidade e realizar reuniões bilaterais com parceiros comerciais, defendendo a sanidade de produtos brasileiros. O Secretário acredita que providências tomadas pelo Mapa e explicações técnicas de missão já enviada aos EUA servirão para reabrir o mercado norte-americano a exportadores de carne do país. No encontro com Allegra, Novacki detalhou as providências adotadas pelo ministério em relação a reações à vacina contra aftosa detectadas pela área de defesa sanitária norte-americana. Uma das medidas foi a determinação a frigoríficos que carnes in natura de cortes dianteiros (local de aplicação da vacina) sigam apenas na forma de recortes, cubos, iscas ou tiras, a fim de identificar facilmente eventuais problemas. O Secretário destacou a recente revisão do Regulamento Sanitário brasileiro (RIISPOA), que atualizou normas seguidas por funcionários e por empresas, “mitigando em muito riscos de corrupção”, e o Programa de Compliance do ministério, com foco na ética, que deverá ser concluído até janeiro do próximo ano. Novacki pediu apoio à candidatura brasileira ao Codex e ouviu do representante dos EUA que ele reconhece o trabalho de Guilherme Costa, Coordenador de Assuntos Multilaterais da Secretaria de Relações Internacionais do Mapa, indicado para o cargo e, atualmente, Vice-Presidente da entidade. Vinculada à FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentacão), O Codex trata dos padrões, diretrizes e recomendações para a segurança, qualidade e comércio leal de alimentos entre os 188 países membros. Eumar Novacki esteve também na representação da Etiópia e compareceu à evento na sede da Organização Mundial do Comércio (OMC), no lançamento em conjunto com a FAO do relatório Revisão Global de Ajuda para o Comércio 2017 (Global Review for Aid for Trade 2017). À noite, Novacki participou de evento na residência oficial brasileira, que reuniu representantes de países membros do Codex.

MAPA

FAO nega posição contrária à carne bovina

O Diretor-Geral Agência da ONU para agricultura e alimentação (FAO), José Graziano da Silva, garantiu ontem que a entidade não tem planos de recomendar que as pessoas reduzam o consumo de carnes

Há dez dias, o Ministro da Agricultura do Brasil, Blairo Maggi, foi a Roma e avisou, durante conferência da FAO, que o Brasil não aceitaria uma sinalização do órgão nesse sentido. Entendemos que a FAO, no cumprimento do seu mandato, deve priorizar questões relativas à produção de alimentos, à produtividade e à nutrição. Nesse contexto, alimentos de alto valor proteico, como a carne bovina, devem ser reconhecidos. Recomendações sobre diminuição do consumo de carne bovina, devido a emissões, não devem ser feitas”, afirmou Maggi na ocasião. Em Genebra, Graziano foi enfático hoje. “Isso é uma invenção que não sei de onde surgiu”, afirmou. “Nunca recomendamos reduzir o consumo de carnes. Há uma preocupação em diversificar o consumo de proteínas. É fortemente recomendável aumentar o consumo de proteínas de origem vegetal e, entre as proteínas animais, a recomendação é elevar o consumo de peixe, por ser mais saudável e de mais fácil digestão”. José Graziano não soube explicar a postura de Blairo Maggi. “Tem que perguntar para o Ministro. Ele foi a Roma se encontrar comigo na conferência da FAO. Se ele tinha outras intenções, tem que perguntar a ele”. Para o Diretor-Geral da FAO, a confusão pode ter sido causado porque há 20 anos um analista destacou num estudo da FAO o elevado volume de água necessário para a produção de um quilo de carne – e, portanto, o impacto da atividade para o ambiente. “Mas esse número nunca foi reavaliado, a FAO não o utiliza e nem temos recomendação sobre isso”. Em relatório sobre as perspectivas agrícolas para o período 2017-2026, a FAO e a OCDE estimam que o espaço para uma ampliação expressiva do consumo global de carnes é limitado, em virtude de recentes tendências de dieta, baixa renda e restrições de oferta. Conforme Graziano, a queda do consumo de carnes no mundo está sendo particularmente influenciada pelo menor ritmo de crescimento da demanda na China. “Esse é o grande problema do consumo mundial. Está se reduzindo o consumo de cereais e de carnes porque não há mais o ‘efeito China’ no mercado”. O consumo de alimentos está em expansão, mas em ritmo menor, e em países em desenvolvimento como o Brasil a média já está próxima de 3 mil calorias per capita, que é o patamar dos países desenvolvidos, segundo o Diretor-Geral da agência da ONU. Um problema apontado pelo relatório de OCDE e FAO, lembra ele, é com o aumento da obesidade. E calorias e proteínas adicionais deverão vir principalmente de açúcar e óleo de palma. De qualquer forma, a FAO é cada vez mais explícita na recomendação para que a população amplie o consumo de peixes. Graziano, em recente visita a Tóquio, apontou o Japão como um modelo global de dietas saudáveis, por causa do nível de consumo de peixes, frutas e legumes. Na verdade, o ataque à carne normalmente costuma vir de outras organizações internacionais. Em 2010, um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio-Ambiente (UNPE) sugeriu a redução do consumo de produtos de origem animal para mitigar os impactos da mudança climática. Em 2015, a Agência Internacional para Pesquisa de Câncer, vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), colocou a carne vermelha no grupo “2A”, lista que inclui produtos com “provável cancerígeno para humanos”. E também incluiu bacon, presunto e salsicha na mesma categoria do cigarro.

VALOR ECONÔMICO

Boi gordo: tentativas de compra abaixo da referência ainda são comuns

Apesar de alguns ajustes positivos, o cenário predominante ainda é de pressão de baixa para o mercado do boi gordo

O final da safra, que normalmente acontece entre maio e junho, ”atrasou” devido ao bom volume de chuvas e a boa situação das pastagens, o que permitiu que o pecuarista conseguisse segurar por mais tempo a boiada na fazenda. Assim, o que se observa agora é uma maior oferta de animais terminados, consequência da diminuição da capacidade de suporte das pastagens. Em São Paulo, a referência para o macho terminado ficou em R$125,50/@, à vista, livre de Funrural, na última quarta-feira (12/7). Apesar da estabilidade frente ao último fechamento, a referência está 15,8% menor quando comparada ao início do ano. No estado, as escalas de abate giram em torno de seis dias. No mercado atacadista de carne com osso, o boi casado de animais castrados está cotado em R$8,34/kg, estabilidade frente ao último fechamento.

SCOT CONSULTORIA

Em junho Brasil exportou 25,1 mil cabeças de bovinos vivos

Segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, em junho o Brasil exportou 25,1 mil cabeças de bovinos vivos, com faturamento total de US$15,8 milhões

Em relação a maio deste ano o volume foi 23,2% menor. Já em relação ao mesmo período do ano passado, houve aumento de 53,3% no número de cabeças exportadas. Do total, 15,1 mil cabeças foram embarcadas para a Turquia, que hoje é o maior cliente de bovinos vivos do Brasil. Desde o início de 2017 foram enviados para o país 62,8 mil animais, o equivalente a 49,3% do total exportado.

SCOT CONSULTORIA

Mercado futuro reage, mas segue sem sustentação

Arroba para entrega em outubro volta a se aproximar de R$ 130, no entanto instabilidade do setor pode causar novas oscilações

Um dos principais agentes no planejamento dos pecuaristas que terminam seus animais no cocho, o mercado futuro segue com alta volatilidade. Depois da arroba com entrega para outubro cair mais de R$ 10 em menos de uma semana em meados de junho, os preços voltaram a reagir, alcançando pico de R$ 129,2/@ na B3 (Bolsa, Balcão, Brasil), na tarde desta quarta-feira, 12 de julho. De acordo com Douglas Coelho, analista da Radar Investimentos, a retomada se deve a um ajuste de mercado após o setor se recuperar parcialmente dos baques causados pela Operação Carne Fraca, delação da JBS e suspensão das importações pelos EUA. Os escândalos fizeram com que a arroba para outubro registrasse o seu pior patamar no ano em 21 de junho: R$ 118,6. “O mercado futuro reflete a situação naquele momento. O preço de R$ 118,6 para outubro não tinha nenhum equilíbrio e só era justificado pelas incertezas do mercado. Quando o setor conseguiu se reequilibrar, os preços reagiram”, destacou o analista, ressaltando que antes da deflagração da Operação Carne Fraca, em 17 de março, a arroba para outubro estava cotada em R$ 146. Coelho acredita que ainda há espaço para uma correção maior nas cotações, no entanto afirma que é impossível prever como o mercado irá reagir nos próximos meses. “Novas oscilações devem acontecer, ainda existem pendências a serem resolvidas: a situação da JBS ainda não foi decidida; o Brasil ainda não prestou os esclarecimentos à União Europeia; e os EUA ainda não suspenderam o embargo”, concluiu. Com as indefinições de preço, o analista observa o crescimento da aquisição de contratos de opções, ferramenta que garante ao pecuarista o pagamento do preço mínimo estipulado por ele mesmo. Já para o gerente técnico da Associação Brasileira dos Confinadores (Assocon), Bruno de Jesus Andrade, a reação de preços para entrega futura está relacionada à expectativa de queda no confinamento. “Quando a arroba caiu a menos de R$ 120, a conta do confinamento não fechava e expectativas de queda da atividade se intensificaram. Com isso o mercado passou a prever uma queda na oferta de animais para outubro e os preços voltaram a subir”, destacou. De acordo com expectativas da Assocon, o confinamento no Brasil deve crescer 15% em 2017, com 3,6 milhões de cabeças terminadas no cocho. No entanto, Andrade ressalta que esse número ainda deve sofrer novas alterações, provavelmente para baixo, até o último trimestre. As projeções da entidade no início do ano apontavam para crescimento de 25%, representando 4 milhões de cabeças confinadas. Já em relação a preços, o executivo acredita que a arroba para outubro deve se manter entre R$ 127 e R$ 130 nos próximos meses.

Portal DBO

EMPRESAS

Delação de Wesley expõe ‘mensalinho’ a fiscais

Quando os irmãos Batista fecharam o acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), há dois meses, o envolvimento de políticos relevantes nublou o que vem sendo encarado como uma “bomba” no setor de carnes e no Ministério da Agricultura

Para que os fiscais federais agropecuários atuassem fora da jornada de trabalho e flexibilizassem a aplicação de regras sanitárias, a JBS pagava uma mesada mensal de até R$ 20 mil aos fiscais. A lista dos nomes desses funcionários públicos que recebiam o pagamento mensal da companhia que deviam fiscalizar será enviada ao Ministério Público Federal (MPF) em até 60 dias, segundo o compromisso firmado pelo presidente da JBS, Wesley Batista. Quando acertou a delação, Batista se comprometeu a fazer o levantamento e enviá-lo em até 120 dias após a homologação da delação. O Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin homologou a delação em 11 de maio. Procurada pelo Valor, a PGR confirmou o cronograma. Pagamentos a fiscais agropecuários por parte de frigoríficos nem sempre foram irregulares. Na década de 1980, as indústrias pagavam legalmente horas extras a fiscais porque os abatedouros funcionavam – e ainda funcionam – além do horário comercial normal. Essa prática foi vedada na gestão do Antônio Cabrera no Ministério da Agricultura (1990 a 1992). À época, o ministro, que é veterinário, entendia que o fiscalizado não pode pagar a quem fiscaliza. Mas a prática, pelo menos no caso da JBS, continuou. Só que ilegalmente. “Ocorre que os quadros do MAPA [Ministério da Agricultura] não dispõem de auditores fiscais agropecuários em número sequer próximo da suficiência para que os horários de funcionamento dos abatedouros frigoríficos tenham cobertura integral”, apontou o empresário Wesley Batista no “Anexo 24” da delação. De acordo com o documento entregue pelo Presidente da JBS, o pagamento mensal não visava aumento do lucro. E, mesmo quando a interpretação das regras sanitárias era “flexibilizada”, isso não provocava riscos à saúde, segundo ele. Por muitos anos, os frigoríficos se ressentiram da falta de atualização do regulamento de inspeção federal (Riispoa), que datava de 1952 e continha práticas pouco modernas. O Riispoa só foi atualizado em 2017. Em Brasília, o “Anexo 24” da delação do empresário Wesley Batista vem sendo tratado como o embrião de uma “Super Carne Fraca”, pela extensão dos pagamentos. Investigadores também aguardam com ansiedade a chegada da lista para dar novo ritmo às apurações no âmbito da Carne Fraca original. Fontes ouvidas pelo Valor dizem que mais de 200 fiscais estarão na lista de Wesley. A JBS tem cerca de 60 unidades de produção sob inspeção regular. Como os fiscais não têm foro privilegiado, parte da investigação deverá ser remetida à Curitiba, sede da Carne Fraca. Paralelamente à lista do empresário, as investigações da Carne Fraca também seguem em curso. O Valor apurou que essa investigação está sob sigilo porque suspeitos estão sendo grampeados e operações de busca e apreensão ainda podem ser feitas. Nos corredores do Ministério da Agricultura, é grande a tensão. Fiscais agropecuários que trabalham na sede da Pasta em Brasília temem que nomes de colegas, de chefes ou até os seus próprios possam aparecer na lista do empresário. “Já há uma grande tensão aqui sobre a lista de delação da JBS com nome de fiscais e agentes de inspeção que teriam recebido propina. Na hora que isso vier a público, a casa cairá de vez”, disse um fiscal. A lista tende a fornecer munição à Carne Fraca em um momento em que o setor parecia se recuperar do baque de 17 de março, quando a operação foi deflagrada pela Polícia Federal e gerou diversos embargos internacionais às carnes do país. Nas negociações internacionais, a divulgação da lista pode enfraquecer a posição brasileira e até mesmo dificultar a reabertura do mercado americano à carne bovina in natura do país, afirmou uma fonte ao Valor. O temor é compartilhado pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi. Nas últimas duas semanas, China, Coreia do Sul, Cingapura e diversos países árabes encaminharam documentos oficiais à Pasta pedindo esclarecimentos sobre o problema com os EUA. A relação com a União Europeia, que já está em momento delicado após as críticas do bloco europeu ao serviço sanitário do país, também poderá ser afetada pelos desdobramentos da delação dos Batista. Paira a suspeita, ainda, de que essa prática não se restrinja à JBS. No “Anexo 24”, consta que “sempre constituiu prática corrente no mercado de frigoríficos o pagamento mensal de quantias de mil a vinte mil para os auditores fiscais federias agropecuários do SIF [o Sistema de Inspeção Federal]”. Procurado pela reportagem, o Ministério da Agricultura não quis comentar. A Anffa Sindical, que representa os fiscais agropecuários, respondeu que é necessário apurar a veracidade das informações prestadas “por empresários” para o MPF. Em nota, a entidade também manifestou seu apoio à investigação. “A elucidação dos fatos e a punição dos culpados, caso fique comprovado após as investigações, estão alinhadas aos objetivos dos auditores fiscais federais agropecuários”, informou a Anffa, salientando a defesa da segurança alimentar e da manutenção dos mercados internacionais.

VALOR ECONÔMICO

JBS pagava ‘mensalinho’ a 200 fiscais sanitários

Maior processadora de proteína animal do mundo, a JBS pagou propina mensalmente, durante vários anos, a cerca de 200 fiscais do Ministério da Agricultura

O “mensalinho” chegava a R$ 20 mil por servidor. O objetivo era fazer os fiscais federais agropecuários flexibilizarem a aplicação das regras sanitárias. As informações constam de anexo à delação premiada feita pelo Presidente da JBS, Wesley Batista, ao Ministério Público Federal (MPF). A relação com os nomes dos fiscais envolvidos será enviada ao MPF em até 60 dias, segundo compromisso firmado por Wesley durante o processo de delação. Essa lista deve fornecer mais munição à Operação Carne Fraca, justamente no momento em que o setor parecia se recuperar do baque de 17 de março, quando a operação da Polícia Federal foi deflagrada e provocou uma série de embargos internacionais à carne produzida no Brasil. Nas negociações com outros países, o novo escândalo deve enfraquecer a posição brasileira e dificultar a reabertura do mercado americano de carne bovina. A JBS tem cerca de 60 unidades de produção sob inspeção federal. E suspeita-se que o pagamento do “mensalinho” não se restrinja à companhia. No anexo à sua delação, Wesley afirma que “sempre constituiu prática corrente no mercado de frigoríficos o pagamento mensal de quantias de R$ 1 mil a R$ 20 mil para os auditores fiscais federais agropecuários do SIF [o Sistema de Inspeção Federal]”. Até o início dos anos 90, a lei permitia que os frigoríficos pagassem compensações aos fiscais a título de hora extra, uma vez que as empresas funcionam além do horário comercial. A prática foi vedada na gestão de Antônio Cabrera no Ministério da Agricultura, entre 1990 e 1992. “Ocorre que os quadros do MAPA [Ministério da Agricultura] não dispõem de auditores fiscais agropecuários em número sequer próximo da suficiência para que os horários de funcionamento dos abatedouros frigoríficos tenham cobertura integral”, disse o Presidente da JBS em outro trecho do anexo à delação.

VALOR ECONÔMICO

Venda de ativos

O desembargador Olindo Menezes, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, suspendeu ontem a decisão judicial de primeira instância que impedia a JBS de vender seus ativos

O magistrado acatou o argumento da empresa, representada pelo escritório Warde Advogados, de que a gestão da JBS, que tem capital aberto e acionistas minoritários, não pode ser comprometida por uma investigação envolvendo seus controladores Joesley e Wesley Batista. Com a decisão, a JBS pode seguir adiante com a transação de US$ 300 milhões firmada com a Minerva Foods, já aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), e que envolve a venda de cinco frigoríficos na Argentina, três no Paraguai e um no Uruguai. A JBS precisa se desfazer de ativos para reduzir seu endividamento. Além da transação com a Minerva, a JBS pretende obter R$ 6 bilhões com a venda de outros negócios, como a irlandesa Moy Park, que produz carne de frango, a americana Five Rivers, a participação na Vigor e fazendas. Ao todo, as vendas devem trazer R$ 7 bilhões à JBS.

VALOR ECONÔMICO

INTERNACIONAL

Suprema Corte da Índia suspende proibição de venda de gado para abate

A Suprema Corte da Índia suspendeu temporariamente, na terça-feira (11/7) a medida que proíbe a comercialização de gado bovino e bubalino para o abate. A proibição, imposta pelo governo nacionalista hindu, havia entrado em vigor em maio

A corte acatou a decisão de um tribunal inferior, que defendeu o direito básico das pessoas de escolherem seus alimentos. O governo informou à Justiça, também nesta terça, que está reavaliando a suspensão e que vai apresentar mudanças até o fim de agosto. A estimativa é de que a corte tome uma decisão final após o governo fazer tais alterações. O bloqueio recebeu críticas generalizadas do setor produtivo do país, um dos principais exportadores do mundo. De acordo com as regras, compradores e vendedores do mercado de gado seriam obrigados a assinar um contrato se comprometendo a não utilizar vacas e outros animais considerados sagrados pelos hindus para a produção de comida ou qualquer outra finalidade. As negociações envolvendo os animais poderiam ser apenas para fins agrícolas, como produção de leite ou para arar a terra. Este limite proibia a comercialização do gado chamado “improdutivo” – para abate -, que deveria ser comprado direto dos pecuaristas. A decisão da corte acatou as críticas dos governos estaduais, que definiram a medida como um golpe às exportações de carne e couro, que deixaria milhares de desempregados e limitaria o acesso de milhões de pessoas pobres às fontes baratas de proteína. Os hindus representam 80% dos 1,3 bilhão de pessoas da Índia. Em muitos Estados, o abate de gado e venda de carne bovina é proibido.

Estadão

Exportações de carne fecham em alta no primeiro semestre no Uruguai

Exportações de carne bovina do Uruguai fecharam a primeira metade do ano com crescimento de 14% em volume e 13% em valor em comparação com o mesmo período de 2016, de acordo com o Instituto Nacional de Carne (INAC)

Ao mesmo tempo, a China consolidou sua posição como o principal destino, adquirindo 48% do total, ou seja, quase metade da carne exportada. Essa supremacia já tinha ocorrido no mesmo período de 2016, quando o gigante asiático liderou com 47% do total. As exportações de carne bovina, expressas em peso com osso, atingiram 225.783 toneladas no primeiro semestre do ano. Em valor, as vendas na primeira metade do ano foram de US$ 756,3 milhões, de acordo com dados do INAC. Cerca de 92% das receitas em divisas foram gerados pela soma das vendas para China (38%); União Europeia (22%); Nafta – Canadá, EUA e México – (17%); Israel (9%); e Mercosul (7%). Em volume, 91% do total das exportações foram adquiridas pela soma de países ou blocos econômicos formados por: China, Nafta, UE, Israel e Mercosul. A China, que no primeiro semestre do ano passado tinha comprado 92.860 toneladas de carne bovina, este ano comprou 109.176 mil toneladas. Se as estatísticas são analisadas por país, os EUA foi o segundo comprador em volume, nos primeiros seis meses do ano, comprando 34.318 toneladas, volume maior do que o mesmo período de 2016, quando comprou 31.103 toneladas. Israel ocupou a terceira posição no ranking dos compradores de carne do Uruguai no primeiro semestre, com 17.564 toneladas, 8% do total colocado. O número representa 1.994 toneladas a mais que no mesmo período de 2016. Em quarto lugar ficou o Brasil, com 6.833 toneladas, seguido por Rússia, com 6.215 toneladas, e Ilhas Canárias, com 3.327. Deve-se notar que a UE é o terceiro destino da carne bovina uruguaia como bloco econômico, comprando 27,938 toneladas no primeiro semestre do ano, quase 4.000 toneladas a mais que no mesmo período de 2016. O preço médio de exportação de carne bovina este ano foi de US$ 3.387 a tonelada contra US$ 3.411 a tonelada no mesmo período do ano passado.

El Observador

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