
Ano 3 | nº 549| 05 de julho de 2017
NOTÍCIAS
Mapa determina a frigoríficos nova forma de cortes para exportação de carne aos EUA
Medida visa facilitar retomada do mercado norte-americano
Memorando do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) determinou a frigoríficos que carnes in natura de cortes dianteiros a serem exportadas aos Estados Unidos sigam apenas na forma de recortes, cubos, iscas ou tiras. A medida visa facilitar as negociações para retomar as vendas para aquele mercado. Na última sexta-feira (30), encerrou o prazo para estabelecimentos industriais revisarem seus programas de autocontrole e implementem medidas adicionais de reinspeção. O Serviço de Inspeção Federal (SIF) também revisou seus planos de fiscalização nos estabelecimentos registrados no Mapa. No próximo dia 13 de julho, o Diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), José Luís Vargas, e o Coordenador-Geral de Controle e Avaliação do Dipoa, Rafael Filipputti, se reunirão com autoridades sanitárias dos Estados Unidos, em Washington. O objetivo é discutir as medidas de controle adotadas depois que foram detectados abcessos na carne bovina in natura exportada ao mercado norte-americano.
MAPA
Brasil reduzirá dose de vacina contra aftosa em 2018, diz Sindan
Um dos problemas apontados pelos EUA foram os abscessos profundos, entremeados na carcaça, de difícil visualização
A indústria de produtos veterinários do Brasil vai ofertar no próximo ano uma vacina contra a febre aftosa com uma dose menor, que trará maior praticidade na aplicação, o que potencialmente ajudará a reduzir riscos de a carne bovina ser comercializada com abscessos (caroços), afirmou nesta terça-feira um dirigente de associação do setor de saúde animal do país. Os abscessos, que responderam por 28 por cento dos problemas apontados pelo governo dos Estados Unidos para suspender a carne in natura do Brasil, podem ser gerados por uma vacinação mal executada, realizada com uma agulha rombuda (sem ponta), mas o problema não deve ser atribuído ao medicamento em si, que passa por rigorosos testes e é seguro, segundo o Sindicato da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan). A vacina com uma dose reduzida de 5 ml para 2 ml, que estará disponível no mercado para a campanha de vacinação do segundo semestre de 2018, proporcionará maior facilidade para uma aplicação subcutânea, minimizando riscos de erros no processo, disse à Reuters o Vice-Presidente-Executivo do Sindan, Emílio Carlos Salani. “Como terá maior praticidade, não vai ter cansaço (de quem aplica) ao final do processo… Vai ser igual a uma vacina de criança, uma picadinha, sem choro”, afirmou Salani, explicando que o processo de vacinação de um rebanho, manual, demanda grande esforço dos técnicos, e uma dose menor traria algum alívio. A redução da dose, que deverá ser apresentada ao governo dos EUA enquanto o Brasil tenta reverter a suspensão, está entre as reivindicações de representantes do setor pecuário no Brasil para reduzir o risco de abscessos. Com uma aplicação subcutânea facilitada pela redução da dose, se algum abscesso for gerado pela vacinação, ele será superficial e eliminado mais facilmente pelo frigorífico ou pelos fiscais do Ministério da Agricultura no processamento da carne. Um dos problemas apontados pelos EUA foram os abscessos profundos, entremeados na carcaça, de difícil visualização. Após a suspensão dos EUA, o ministério determinou um fatiamento da carcaça pelos frigoríficos como forma de minimizar a possibilidade de a carne ser comercializada com abscessos, os quais não apresentam problemas à saúde, segundo técnicos do governo brasileiro. A diminuição da dose, que tem um custo unitário de 1,5 real atualmente, proporcionará ainda uma redução de custo de até 7 por cento ao pecuarista, uma questão que a indústria de medicamentos terá de lidar, disse o dirigente do Sindan, sem entrar em detalhes. Também vai reduzir custos logísticos, pois uma caixa poderá transportar 6 mil vacinas, ante até 2,5 mil atualmente. O Ministério da Agricultura confirmou nesta terça-feira que uma missão técnica brasileira fará reunião em Washington no dia 13 de julho para discutir medidas para a retirada do embargo provisória à carne in natura do Brasil, que tem impacto muito mais à imagem do produto nacional do que financeiro, uma vez que os norte-americanos são clientes menores. No encontro, o ministério deverá apresentar os resultados de auditorias que estão sendo feitas nas empresas, além de melhorias em procedimentos para evitar novos problemas. O setor de saúde animal está investindo 15 milhões de dólares na redução da dose e também na eliminação de um sorotipo do vírus da aftosa na vacina brasileira, disse Salani. A indústria de medicamentos veterinários reúne no Brasil empresas como Ourofino, Boehringer Ingelheim do Brasil e Ceva Saúde Animal. O sorotipo C será retirado do medicamento que estará disponível no ano que vem, uma vez que esse tipo do vírus está erradicado do Brasil, explicou ele, lembrando que a medida também atende a um pedido do ministério, assim como a redução da dose. A vacina com um sorotipo a menos faz parte do processo do país para deixar de vacinar totalmente contra a aftosa, um passo que poderia colocar no futuro o rebanho brasileiro em outro patamar. A carne de um país livre de aftosa sem vacinação é mais valorizada no mercado global.
Boi gordo: menor preço nominal desde agosto de 2014
O preço do boi gordo vigente em São Paulo, de R$127,00/@, à vista, livre de Funrural, é o mais baixo desde agosto de 2014, em valores nominais
A soma de uma conjuntura de maior oferta de gado e de demanda lenta, que já era esperada para este ano, foi reforçada por todos os acontecimentos adversos recentes. Comparado ao preço nominal mais alto registrado neste intervalo em São Paulo, de R$157,50/@ ocorrido em junho/16, a cotação vigente caiu 19,4%.
SCOT CONSULTORIA
Final de safra mantém viés baixista no mercado do boi
A movimentação no mercado é pequena. O viés, no entanto, é de baixa. Final de safra e demanda sem fôlego não levam os compradores a acelerarem os negócios
O boi casado caiu quase 8,0% desde abril e não encontrou mais força para recuperação. Quem faz conta sabe que gado terminado no pasto seco é igual a aumento de custo. Além disso, o mercado não sinaliza recuperação de preço em curto prazo. Em São Paulo, as escalas estão praticamente todas alinhadas em quatro ou cinco dias. Ou seja, mesmo sendo possível comprar o boi “mais barato” em valores nominais desde outubro de 2014, as programações de abate estão controladas, ajustadas ao cenário de vendas. Com isso, as margens de comercialização das indústrias seguem próximas das máximas históricas, registradas há poucas semanas.
SCOT CONSULTORIA
Em defesa das carnes brasileiras
As recentes críticas da União Europeia ao sistema de defesa agropecuária do Brasil e o embargo imposto pelos Estados Unidos à carne bovina in natura brasileira no fim de junho passado acenderam o sinal de alerta na Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, que voltou a intensificar as ações para evitar que os países árabes também ergam barreiras às proteínas animais produzidas em território nacional
Para coordenar as ações de esclarecimento que voltaram a ser adotadas, a câmara, sediada na capital paulista, reativou o “comitê de crise” criado após a Operação Carne Fraca. Deflagrada pela Polícia Federal em 17 de março, a operação teve como objetivo investigar casos de corrupção envolvendo fiscais do Ministério da Agricultura e funcionários de frigoríficos, mas também expôs fragilidades no sistema de defesa agropecuário brasileiro que levaram dezenas de países a adotar barreiras temporárias às carnes do país. “Estamos novamente cumprindo nosso papel de informar os países árabes, com agilidade e transparência, sobre o que está acontecendo no segmento”, afirma Rubens Hannun, Presidente da câmara. Isso significa municiar todas as embaixadas dos países árabes no Brasil e embaixadas brasileiras nos países árabes com documentos sobre problemas apurados, medidas oficiais adotadas e outras informações disponíveis sobre eventuais problemas apurados. De acordo com Hannun, esse tipo de esclarecimento é importante para que os importadores não se sintam inseguros para continuar fazendo suas compras, por mais que as carnes bovina e de aves brasileiras sejam necessárias para os países árabes – quase 90% das importações de carne de frango da Arábia Saudita são atendidas pelo Brasil, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). De janeiro a maio, as importações árabes (21 países) de carnes bovina e de frango somaram 681 mil toneladas, 5,5% menos que em igual período de 2016, mas renderam US$ 1,3 bilhão, alta de 13,8%. Houve alguma turbulência depois da Carne Fraca, até porque embargos temporários foram adotados em países como Argélia e Egito, mas Hannun não tem dúvida que o impacto teria sido bem maior não fossem as ações do “comitê de crise”. Criado em 20 de março, o comitê, nos dias seguintes, enviou cartas de esclarecimento e promoveu reuniões com representantes do Ministério da Agricultura do Brasil e da indústria exportadora brasileira. A câmara também promoveu a vinda ao Brasil de jornalistas e formadores de opinião do mundo árabe, sobretudo os quatro maiores importadores (Argélia, Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos) e ajudou a definir o roteiro de uma missão do governo brasileiro àquela região. “Estamos mobilizados novamente porque, ainda que a exportação brasileira de carne in natura aos países árabes seja muito pequena, a influência das posições de União Europeia e EUA pode ser grande. Se há problemas com o produto, eles têm de ser esclarecidos”, diz Hannun. Ele tem motivos para se preocupar. Depois que a União Europeia se mostrou contrariada com a falta de ações corretivas concretas após a Operação Carne Fraca e os EUA desconfiaram de reações de vacinas contra aftosa em bovinos, a China também decidiu intensificar as inspeções de carnes importadas do Brasil, basicamente por causa do problema identificado pelos americanos. “Com as turbulências políticas, a Carne Fraca e a delação dos executivos da JBS, a credibilidade do Brasil está em baixa. Não adianta o governo apenas prometer a adoção de medidas e planos de ações. É preciso pôr ordem na casa”, diz Pedro de Camargo Neto, vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB).
VALOR ECONÔMICO
Embargo dos EUA terá impacto mínimo nas exportações de carne, diz MDIC
A suspensão da compra de carne fresca brasileira pelos Estados Unidos deverá ter impacto mínimo nas exportações do país, disse o diretor do Departamento de Estatística e Apoio à Exportação do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Herlon Brandão, na segunda-feira
Segundo ele, os EUA são um pequeno mercado consumidor de carne in natura, e a liderança do Brasil no mercado global do produto não deve ser ameaçada num cenário de oferta restrita em todo o planeta. O embargo americano ao produto brasileiro foi anunciado em 22 de junho devido a preocupações recorrentes sobre a segurança dos produtos destinados ao mercado daquele país, segundo autoridades dos EUA. De acordo com Brandão, a venda de carne fresca para os Estados Unidos representa apenas 2% das exportações totais brasileiras. Tradicionalmente, o país vende carne industrializada para o mercado americano, cujas exportações não foram afetadas. Apenas este ano, segundo o diretor do MDIC, o Brasil começou a exportar carne in natura para os Estados Unidos. “O Brasil é o maior exportador mundial e existe oferta restrita no mundo. A carne brasileira é aceita em mais de 160 países. A suspensão vai afetar vendas pontualmente para os Estados Unidos, que apenas este ano começaram a importar carne in natura do país, mas deve ter um impacto limitado no mercado como um todo”, disse Brandão. No primeiro semestre, o Brasil embarcou 14 mil toneladas de carne fresca para os Estados Unidos, que totalizaram US$ 59 milhões. No ano passado, o país tinha vendido apenas US$ 121 milhões de carne in natura para os consumidores americanos. Brandão destacou que uma missão do governo brasileiro irá aos Estados Unidos neste mês para negociar o fim do embargo. Neste ano, o Brasil exportou 3,1 milhões de toneladas de carnes frescas e industrializadas que renderam US$ 6,9 bilhões. O valor exportado subiu 4,3% em relação aos US$ 6,6 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. A quantidade, no entanto, caiu 6,5% na comparação com os 3,3 milhões de toneladas vendidas nos seis primeiros meses de 2016. Em relação às carnes in natura, as exportações de carne suína saltaram 29% no primeiro semestre. As vendas de frango subiram 7,3%, mas as de carne bovina caíram 2%. Segundo Brandão, esse recuo deve-se ao Egito, terceiro maior comprador de carne bovina brasileira, que enfrenta uma crise cambial e está importando menos do resto do mundo. “A situação da carne bovina in natura está atrelada ao Egito, que era o terceiro maior destino no ano passado. Por causa de restrições cambiais, a venda de carnes bovinas para lá caiu 56,8% no primeiro semestre”, explicou o diretor do ministério.
VALOR ECONÔMICO
Setor agropecuário aguarda publicação da MP do Funrural
Foram mais de 15.000 ações tramitando na justiça brasileira, nas quais muitos produtores rurais do país obtiveram decisões judiciais favoráveis
Três meses após o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir pela constitucionalidade do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural), o setor agropecuário brasileiro ainda aguarda a publicação da decisão para uma melhor avaliação dos seus efeitos e propositura dos recursos cabíveis. No entanto, ainda que o Acórdão não tenha sido publicado, o setor produtivo aguarda a publicação de uma Medida Provisória (MP) que vai tratar do pagamento das dívidas e da revisão da alíquota do fundo. Em 2010, o Supremo reconheceu a inconstitucionalidade da cobrança do Funrural, o que motivou muitos produtores e entidades de classe a ajuizarem ações próprias com pedido de liminar para interromper o pagamento do fundo. Foram mais de 15.000 ações tramitando na justiça brasileira, nas quais muitos produtores rurais do país obtiveram decisões judiciais favoráveis. A Medida Provisória deve trazer a redução dos juros, o abatimento das multas e encargos de sucumbência e a opção de parcelamento para aqueles produtores que deixaram de contribuir amparados por uma liminar. Além disso, a medida deve reduzir o valor a ser recolhido pelo produtor que não possui débitos. Outro ponto que pode ser contemplado é a retomada da isenção do Funrural na comercialização de bezerro, sementes, mudas, pintinhos de um dia, ovo galado, sêmen e leitão que foi revogada em 2008 e passou a incidir a cobrança sobre toda a comercialização da produção. A gestora do Núcleo Jurídico da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) Elizete Ramos informa aos produtores rurais de Mato Grosso que enquanto a decisão do STF não for publicada, as liminares continuam vigentes. Os produtores que não possuem liminar, devem continuar recolhendo o Funrural com a alíquota vigente, que é 2,3%. “Até que seja definido um novo percentual, o atual continua valendo”, reforça Elizete. O fundo incide sobre toda comercialização da produção, seja entre pessoas físicas ou entre pessoa física e jurídica. Quando a pessoa física vende para a jurídica, a pessoa jurídica faz a retenção do valor e paga ao fisco aquilo que foi descontado do produtor rural. Quando a comercialização se dá entre pessoas físicas, a responsabilidade do recolhimento é do produtor rural vendedor. O percentual devido pelo produtor rural pessoa física é de 2,3% e seu recolhimento deve ser feito na Guia da Previdência Social (GPS) gerada através do Sistema GFIP/SEFIP. Sobre esse tema, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-MT) elaborou um manual de orientação das contribuições previdenciárias na área rural que pode ser acessado pelo link:
http://http://www.sistemafamato.org.br/portal/arquivos/04072017120257.pdf
FAMATO
Concorrentes tentam ganhar espaço da JBS no Mato Grosso
Grandes frigoríficos estão reabrindo unidades no Mato Grosso, estado com 30,5 milhões de bovinos, o maior rebanho do país, num movimento contrário ao dos últimos anos
O objetivo é ganhar mercado que pertencia à JBS. A empresa passou a enfrentar dificuldades, reduzindo abates, após a delação premiada de seus controladores e do acordo de leniência, que prevê multa de R$10,3 bilhões. A Marfrig anunciou ontem que vai reabrir, em duas semanas, sua unidade frigorífica de Nova Xavantina, no Nordeste do estado. A empresa já tem duas unidades funcionando no estado, em Tangará da Serra e Paranatinga. Além disso, as unidades de Mineiros (GO), Tucumã (PA), Chupinguaia (RO) e de Paranatinga (MT) estão expandindo as linhas de produção. Com isso, a Marfrig quer elevar sua capacidade de produção de carne bovina em 25,0%. Outra unidade, em Pirenópolis (GO), será reativada. Segundo a Marfrig, esse movimento se deve à “maior disponibilidade de bovinos para abate no Brasil, decorrente do ciclo positivo de gado e maior retenção no primeiro semestre do ano e do atual cenário macroeconômico”. A crise na JBS e a Operação Carne Fraca já provocaram queda de 6,0% no preço da carne. Temos super oferta de bois e baixamos o ICMS, de 7,0% para 4,0%, para abater em outros estados. Essas reaberturas são bem-vindas — diz o Secretário de Desenvolvimento Econômico do estado, Ricardo Tomczyk. Em junho, a Minerva anunciara reabertura de unidade de bovinos em Mato Grosso, em Mirassol D’Oeste, a partir de meados de julho. No mercado, comenta-se que ao menos dois frigoríficos que estavam arrendadas à JBS no estado também serão reabertos em breve. Nos últimos anos, Mato Grosso assistiu ao fechamento de uma série de unidades de abate, especialmente pela JBS. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) concluiu, em abril, que a empresa exercia o monopólio do mercado, graças à compra de vários frigoríficos, que eram fechados, “num caso clássico de concentração econômica”. A CPI recomendou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a abertura de um procedimento administrativo. Procurado, o Cade informou que ainda não recebeu o documento, mas que vai requisitá-lo. O Presidente da CPI, deputado Ondanir Bortolini (PSD), disse que os indícios de suspeita de monopólio levaram ao pedido de investigação: — O que motivou a instalação da CPI foi a concentração de plantas com a JBS. O relatório da CPI concluiu que a JBS detinha 56,0% do mercado frigorífico do estado, contra menos de 25,0% da segunda, a Marfrig. O documento revelou, ainda, que a empresa passou a arrendar frigoríficos em regiões em que já possuía unidades funcionando. Em seguida, fechou ou paralisou o abate em muitos deles. Hoje, das 25 unidades da JBS (compradas ou arrendadas), 14 estão fechadas. Especialistas em agropecuária ouvidos pelo GLOBO avaliam que a estratégia usada pela JBS no Mato Grosso não é comum. Para o analista de mercado, Gustavo Aguiar, da Scot Consultoria, essa prática, teoricamente, é desleal. Ele lembra, entretanto, que, com a crise de 2008, muitos frigoríficos fecharam e ficaram disponíveis para compra, o que elevou a concentração nesse mercado. De cinco anos para cá, algumas unidades fecharam porque acabou acontecendo uma readequação à menor oferta de gado no país. Mas grande parte da concentração se deu mesmo nas mãos da JBS — diz Aguiar. Estudo da consultoria TCP Latam mostra que, no Mato Grosso, houve uma queda no número de abates entre 2013 e 2016. O total caiu de 5,8 milhões de cabeças para 4,5 milhões no período. O “efeito JBS”, com fechamento de frigoríficos, aparece claramente na pesquisa — observa o diretor da consultoria, Ricardo Jacomassi, observando que também houve queda na demanda. O fechamento de unidades da JBS causou ao menos 14 mil demissões no estado. Em Colíder, cidade de 32 mil habitantes ao norte de Mato Grosso, a empresa fechou uma unidade em 2011 e demitiu 700 trabalhadores diretos. Ao menos três mil pessoas dependiam dos salários pagos pela JBS. O Presidente do sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Carnes e Laticínios do Portal da Amazônia (Sintracal), José Evandro Navarro, afirmou ao GLOBO que a atuação da JBS no Mato Grosso, nos últimos cinco anos, foi determinante para o sufocamento de pequenos e médios frigoríficos: Se você tem o frigorífico vizinho fechado, você diminui em R$8,00 o preço pago pela arroba do gado, na média. Segundo o relatório, a JBS alegou inviabilidade financeira ou operacional de algumas plantas e falta de matéria-prima em algumas localidades para justificar o fechamento de unidades. Procurada, a JBS respondeu que foi informada sobre a conclusão da CPI dos Frigoríficos em Mato Grosso e “vai colaborar com seus desdobramentos à medida que houver solicitações de órgãos públicos originadas pelo relatório da Assembleia Legislativa do estado”.
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