CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 541 DE 23 DE JUNHO DE 2017

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Ano 3 | nº 54123 de junho de 2017

NOTÍCIAS

EUA suspendem importação de carne in natura do Brasil

O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) anunciou a suspensão das importações de carne in natura do Brasil devido à “recorrente preocupação” com a segurança sanitária do país

Ainda de acordo com o USDA, desde março, quando eclodiu a Operação Carne Fraca, os Estados Unidos rejeitaram 11% da carne brasileira enviada ao país. A medida ocorre menos de um ano depois da assinatura de um acordo que incluiu o Brasil na cota para a compra de até 64,8 mil toneladas de carne in natura de países da América Central com tarifas preferenciais de até 10% ante uma taxa alfandegária usual do país de 26,4%. Segundo o USDA, a suspensão ficará em vigor até que o Brasil tome as medidas corretivas necessárias. Ontem, os três maiores frigoríficos do país confirmaram que o Ministério da Agricultura suspendeu preventivamente a exportação para os EUA de cinco unidades, sendo três da Marfrig, uma da JBS e outra da Minerva. A decisão da pasta ocorreu após técnicos americanos detectarem “não conformidades” na carne vendida aos americanos. Essas “não conformidades” estão relacionadas às vacinas contra a febre aftosa. O problema é que uma das reações da vacina é aparecimento de caroços e até mesmo abscessos — acúmulo de pus — próximos da região do corpo onde a vacina é aplicada. O abscesso é uma inflamação nas carnes decorrente do processo de vacinação contra febre aftosa. Em muitos casos, essa inflamação não é detectada no corte da carne no Brasil, sendo identificada posteriormente no porto de destino do produto. Porém, a identificação desse problema foi feita inicialmente no Brasil pelo Ministério da Agricultura e, depois, reconhecida pelo USDA nas fiscalizações feitas em portos no país. As autoridades americanas estão fazendo a fiscalização em 100% da carne in natura proveniente do Brasil desde o advento da Operação Carne Fraca, em 17 de março deste ano. Em nota divulgada em Washington, o USDA reconheceu a auto suspensão feita pelo Brasil. Esse fato pode ser positivo para o país, pois indica que as autoridades americanas reconhecem que o Brasil está atuando na fiscalização da exportação do produto. Entre janeiro e maio deste ano, o Brasil exportou o equivalente a US$ 48,7 milhões de carne bovina in natura para os Estados Unidos. Trata-­se de apenas 2,8% do total vendido para o mundo (US$ 1,755 bilhão).

VALOR ECONÔMICO

Blairo diz que irá aos EUA prestar esclarecimentos após suspensão de compra de carne in natura do Brasil

O Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou que irá viajar aos Estados Unidos para prestar todos os esclarecimentos necessários e tentar reverter a suspensão de compra de carne in natura do Brasil imposta na quinta-feira pelo governo norte-americano

Blairo disse, em mensagem publicada nas redes sociais, que viajará acompanhado de uma equipe do ministério para “fazer as discussões necessárias e restabelecer esse mercado tão importante que o Brasil conquistou nos últimos anos”. Na quinta-feira, o Departamento de Agricultura norte-americano (USDA) anunciou que os Estados Unidos suspenderam todas as importações de carne bovina in natura do Brasil devido a recorrentes preocupações sanitárias sobre os produtos. A medida ocorre após o USDA ter aumentado em março a realização de testes para a carne fresca e produtos prontos de carne do Brasil, como precaução após a operação policial Carne Fraca, que revelou um esquema ilegal de fornecimento de produtos alimentícios alterados ou adulterados com a participação de empresários e fiscais do Ministério da Agricultura. A suspensão se deu após o Brasil, maior exportador de carne bovina do mundo, ter conseguido apenas no segundo semestre do ano passado acesso ao cobiçado mercado norte-americano de produto in natura. Blairo disse que todas as medidas corretivas para as exigências apresentadas pelos norte-americanos já estão sendo tomadas. Segundo o ministro, o embargo temporário atinge 13 unidades brasileiras, sendo que cinco já tinham sido suspensas preventivamente pelo Brasil, embora estivessem habilitadas para exportar aos EUA.

Reuters

Frigoríficos compram em ritmo lento e boi fica estável na maioria das regiões

Sem grandes alterações no mercado físico. Na maioria das praças pecuárias a referência ficou estável

Nas regiões onde houve variação, a predominância ainda é de queda, com as indústrias resistindo em compor escalas de abate muito alongadas. Em São Paulo, a arroba do boi está cotada em R$128,00, à vista, livre de Funrural. Existem ofertas de compra tanto abaixo como acima da referência. As escalas de abate no estado atendem, em média, cinco dias úteis. Por fim, no atacado de carne com osso não houve alterações de preço, com a carcaça de bovinos castrados cotada em R$9,07/kg.

SCOT CONSULTORIA

Mercado futuro: preço da arroba do boi para outubro cai R$ 15 neste mês

Valor para entrega em outubro está menor do que preço negociado no mercado físico

Escândalos envolvendo empresas pecuárias e oferta descolada da demanda são os principais motivos para a queda dos preços do boi gordo no Brasil. Segundo o analista de mercado Elio Micheloni, da Terra Investimentos, a cotação da arroba do animal com entrega para outubro caiu R$ 15 em junho e está abaixo do que é negociado no mercado físico. De acordo com Micheloni, isso nunca aconteceu antes. Um dos problemas do mercado é o excesso de oferta, ocasionado pelo maior abate de fêmeas. De acordo com o analista, no momento o pecuarista não vê vantagem em criar bezerros, por isso está abatendo matrizes, em um nível que é o maior desde 2014. Micheloni aconselha o criador a vender seu produto no melhor preço que encontrar no dia, sem deixar para depois. Ele alerta para a desestabilização do setor e os impactos que ainda pode sofrer no curto prazo, portanto deve fechar negócios agora.

CANAL RURAL

Margem da indústria no maior patamar histórico

Mercado estável. Até o momento, nas três semanas de junho, praticamente não houve alta de preços em nenhuma delas. Os comportamentos variaram de manutenção do mercado a desvalorização, como a que ocorreu no levantamento anterior, de 1,3%.

Para as indústrias, porém, por mais estranho que possa parecer, nunca foi tão bom o negócio de venda de carne. As margens de uma operação de desossa, que indica a diferença entre o preço pago pela arroba e a receita com a venda de carne sem osso, couro, sebo, miúdos e subprodutos, estão em 38,0%, a maior já registrada desde 2007, quando começou o acompanhamento deste indicador. Embora a carne, que representa pouco mais de 80,0% da receita de uma empresa no mercado interno, tenha recuado, em média, 7,3% desde o começo do ano, o preço da arroba do boi gordo caiu ainda mais, 13,8%. Além disso, para ajudar no resultado, os miúdos, que compõe mais 14,0% da receita da indústria estão sendo vendidos por um valor 8,3% acima do registrado no começo do ano. Ou seja, a situação da indústria é confortável. Mas é bom lembrar que isso não se trata de uma análise de quem está ganhando mais ou menos na cadeia. Margens e receitas são resultados da interação entre o preço de venda e de compra, componentes que são determinados pelo mercado, pela oferta e demanda dos produtos.

SCOT CONSULTORIA

MS reduz alíquota do ICMS para gado em pé

Alíquota incidente nas operações interestaduais passará de 12% para 7%; medida vale por 90 dias

O governo de Mato Grosso do Sul anunciou nesta quarta-feira, 21, que vai reduzir – durante 90 dias – a alíquota do ICMS incidente nas operações interestaduais de gado em pé de 12% para 7%. A medida passará a valer em 1º de julho. O governo do Estado acredita que isso dará mais estímulo ao mercado de exportações de gado vivo. Para tomar a decisão de diminuir momentaneamente a alíquota do ICMS das exportações de gado em pé, o governo realizou estudos que levaram em consideração dados apresentados por instituições do agronegócio. Segundo elas, um único grupo empresarial responsável por 45% dos abates em Mato Grosso do Sul parou de comprar animais à vista para fazer pagamentos a prazo, geralmente em 30 dias, acarretando no aumento do rebanho parado no pasto. “Existe um represamento de gado no pasto. O mercado está travado e nós temos que fazer uma dinâmica para evitar esse boi estagnado, que só gera prejuízo ao produtor que não vende, ao Estado que não arrecada e ao consumidor que não tem a carne que gostaria”, atestou o Presidente da Acrissul, Jonatan Barbosa. Conforme o dirigente da Famasul, Maurício Saito, com a alteração da alíquota na operação interestadual do gado vivo, Mato Grosso do Sul vai se igualar aos estados de São Paulo, Mato Grosso, Tocantins e Paraná – que já praticam 7% de tributação. Para ele, a equivalência com os estados fornecedores vai estimular a saída do boi sul-mato-grossense. “E esse estímulo automaticamente se reverte em receita ao Mato Grosso do Sul”, pontuou. Segundo o Governador Reinaldo Azambuja, com a diminuição anunciada, o Estado vai dar uma possibilidade a mais para que os produtores possam escoar o rebanho. “Vamos dar uma alternativa ao mercado, momentaneamente, por 90 dias, para comercializarmos esse gado represado”, reforçou. Reinaldo ainda frisou que a medida é oportunidade de aumento de receita, já que o rebanho está parado. De acordo com a Acrissul, são cerca de 300 mil cabeças de gado paradas no Estado no momento. A mudança foi divulgada após reunião com representantes da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), do Movimento Nacional de Produtores no Estado (MNP/MS), da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul) e da Frente Nacional da Pecuária de Corte (Fenapec). Também participaram das tratativas deputados estaduais e secretários de governo.

Portal do Governo de MS e Acrissul

Adidos agrícolas auxiliam na recuperação do mercado pós Carne Fraca

Profissionais agilizam a prestação de informações às autoridades dos países em que atuam

Após a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, 22 países impuseram pelo menos um tipo de restrição à compra de carne brasileira. Hoje, apenas 11 países ainda mantêm alguma barreira ao produto brasileiro, mas este rápido recuo está associado, entre outros fatores, à atuação dos adidos agrícolas. Os adidos agrícolas atuam junto às embaixadas em países chave para a expansão do mercado agropecuário brasileiro. “Eles são assessores técnicos do embaixador. Entre as funções está a de ser uma ponte entre as autoridades agropecuárias dos países e o mercado brasileiro”, afirma a Coordenadora-Geral de Atuação dos Adidos Agrícolas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Edilene Soares. Hoje há adidos agrícolas na Rússia, Estados Unidos, China, União Europeia, Japão, África do Sul, Argentina e na Organização Mundial do Comércio. Os países são os maiores importadores de produtos agrícolas do mundo. “Além de ser a ponte entre a embaixada e as autoridades agropecuárias, os adidos representam os interesses do agronegócio brasileiro no mundo”, defende Edilene. Em 2015 foi assinada uma portaria interministerial ampliando para 21 o número de países que contarão com a presença do adido agrícola. A portaria cria, também, a possiblidade de um mesmo adido representar mais de um país. Com isso, 72 países serão atendidos. No caso da Carne Fraca, os adidos tiveram papel essencial prestação de informação de maneira ágil às autoridades dos países. “Os adidos já conhecem o mercado internacional em que atuam e como têm um canal de comunicação estabelecido com os atores envolvidos e com o Ministério da Agricultura, o repasse das informações e das medidas tomadas pelo ministério foram prontamente entregues às autoridades dos países envolvidos, de modo que as restrições puderam ser retiradas de maneira mais rápida”, conta a coordenadora. O cargo foi criado em 2009 e antes disso, era realizado por servidores do Ministério das Relações Exteriores. “Não era o ideal porque estes profissionais não têm o conhecimento técnico agropecuário e isso tornava os processos mais difíceis”, conta Edilene. A portaria de 2015 determinou novos critérios para a efetivação do cargo, como a necessidade de ser servidor lotado no ministério, ter curso superior e ter domínio da língua inglesa. Até 2009, servidores das empresas ligadas ao ministério, como a Embrapa, poderiam ser adidos. Eles são nomeados para missões de dois anos renováveis por mais dois. Além dos requisitos básicos, há um processo seletivo interno baseado em provas, que avaliam a capacidade dos servidores, e de análise curricular, um processo meritocrático. Os aprovados formam um quadro de acesso e passam por formação. O desempenho nessa formação garante pontuação que ajuda na classificação. Os selecionados são profissionais com conhecimento do setor agropecuário capaz de compreender e elaborar argumentos técnicos para defender a qualidade dos produtos agropecuários brasileiros no exterior. Esse conhecimento faz parte da formação dos auditores fiscais federais agropecuários (AFFAs) e são necessários para superar as barreiras não tarifárias dos países importadores. Quando surge uma vaga, uma lista tríplice é encaminhada para o ministro com os três melhores colocados em todo o processo que envolve ainda entrevista e análise curricular. O objetivo do quadro de acesso é ter profissionais aptos para preenchimento de vagas a qualquer tempo. No momento, por exemplo, o cargo da China está vago por não haver ninguém apto para ocupá-lo. O ministério está em processo seletivo para preencher o cargo vago e fazer a renovação dos adidos que são servidores de empresas ligadas ao MAPA que não poderão mais exercer o cargo por conta das novas exigências. No quadro formado, todos os inscritos aprovados são AFFAs. Entre 2017 e 2020 serão nomeados 25 adidos para os 21 países que contarão com os profissionais. Até 2021 o processo de acumulação de representação estará concluído e, então, os 72 países serão cobertos.

MAPA

Nódulos na carne não têm risco sanitário, diz especialista

Caroços encontrados em carne bovina enviada aos EUA estão ligados a reação alérgica à vacina de febre aftosa e não trazem risco à saúde humana

Nos últimos dias o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) suspendeu preventivamente a certificação de cinco frigoríficos após autoridades norte-americanas encontrarem irregularidades na carne bovina brasileira. A autossuspensão ocorreu após a detecção de nódulos tanto na proteína in natura quanto na termoprocessada. De acordo com Enrico Ortolani, professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ), da USP, esses caroços são causados por uma reação alérgica de vacinas contra febre aftosa e não representam nenhum risco sanitário. ”Os nódulos surgem apenas no local da vacina e não têm nenhum risco à saúde humana. Acredito que essa suspensão foi imposta por medida preventiva e logo deve ser esclarecida”, destacou o especialista, acrescentando que esse problema é recorrente em países que vacinam seu gado contra aftosa. “Recentemente um professor do Reino Unido veio ao Brasil para estudar esse fenômeno”. Ortolani fez questão de ressaltar a diferença entre esses nódulos e outro problema que geralmente é causado durante a vacinação: o abscesso. “São coisas totalmente diferentes. Esse caroço surge quando o animal tem alergia a algum componente da vacina. Ele cresce gradativamente em um determinado período após a vacinação, sendo quase impossível de ser detectado na hora da aplicação. Já o abscesso é causado unicamente pela má higienização dos produtos e é perceptível na mesma hora”, explicou. “A diferença é muito grande, o nódulo é sólido e o abscesso é líquido”, acrescentou. Nesse caso da exportação aos EUA, o que chamou a atenção de Ortolani foi a presença dos caroços no produto final. Ele explica que sempre que é encontrado esse nódulo na carcaça do animal, a área afetada é descartada pelo frigorífico no momento da toalete. “É um procedimento básico. É muito estranho como isso tenha passado desapercebido”, afirmou. De acordo com o especialista, esse fenômeno começou a ter maior incidência na pecuária brasileira em meados da década de 1980, quando o setor adotou as vacinas oleosas. Esse tipo de vacina é composto por substâncias antígenas (vírus), que podem causar diferentes reações em cada animal. Outros fatores que podem colaborar para a incidência desses caroços podem ser o mal uso e o armazenamento incorreto. “Ainda não se tem uma certeza em relação às prevenções desses nódulos. A própria Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) tem desenvolvido diversas pesquisas sobre o assunto”. Militante ferrenho da retirada da vacinação contra aftosa no país, Sebastião Guedes, da Comissão Nacional de Pecuária de Corte (CNPC), afirma que o embarque de carne com esses nódulos é um erro primário e que deve levantar novamente as discussões em relação à reação vacinal. “É importante que a cadeia discuta não só a forma como a vacina é aplicada, mas também a qualidade dos agentes emulsionantes utilizados na composição das vacinas, que têm causado enormes prejuízos aos produtores brasileiros”, destacou. A recente decisão do Mapa em retirar o vírus C da vacina, que reduzirá a dose de 5 ml para 2 ml, é vista pelos especialistas como fundamental para reduzir as reações vacinais. “Quanto menos componentes você utilizar na vacina, menor é a chance de causar reações alérgicas nos animais”, explica Ortolani. Para Guedes, a solução para evitar que esse tipo de situação se repita é simples: “Basta que o país resolva tirar a vacinação de vez. Não existe razão para continuar aplicando essa medicação sendo que já temos mais de 118 milhões de cabeças em áreas onde a doença não é diagnosticada há mais de quatro anos, prazo que a Panaftosa (Centro Panamericano de Febre Aftosa) afirma que não há mais necessidade de vacinar. Estamos jogando dinheiro fora e casos como esse podem prejudicar a imagem do Brasil no exterior”, concluiu. Os Estados Unidos representaram 3% do total de embarques de carne bovina in natura do Brasil entre janeiro e maio deste ano. No período foram exportadas 11.792 toneladas por US$ 49 milhões.

Portal DBO

EMPRESAS

JBJ quer convencer o Cade que Batista concorre com Batista A JBJ Agro quer convencer o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que é uma concorrente efetiva da JBS e não há alinhamento entre ambas

A argumentação é essencial para viabilizar a aprovação, sem restrições, da aquisição do Mataboi. Em seu parecer, a Superintendência Geral (SG) do Cade avaliou que “as relações existentes entre os controladores das duas empresas (JBS e JBJ) poderiam resultar em um alinhamento de incentivos entre elas, reduzindo a rivalidade entre dois concorrentes no mercado”. Os donos de JBS e JBJ são irmãos. “A proximidade entre José Batista Júnior [dono da JBJ] e sua família [os irmãos Joesley e Wesley Batista são donos da J&F, holding que controla a JBS] não excede os limites naturais e afetivos desse tipo de relação, não havendo quaisquer elementos que possam ser interpretados como indícios de coordenação”, afirma a petição protocolada por BJ e Mataboi. Para fins de análise concorrencial, o Cade considerou os dois grupos como um só, o que baseou a impugnação do negócio e seu envio para o plenário da autoridade antitruste. A petição classifica o cenário de “fictício”, “irreal” e diz que ele “não encontra respaldo na legislação brasileira, concorrencial ou societária, e tampouco nos precedentes do Cade”. E continua: “Conforme jurisprudência do Cade, não é possível somar os market shares de grupos distintos a não ser que haja justificativas societárias para tanto, o que, no caso em comento, não ocorre”. Para as empresas, caso fosse verdade a coordenação entre as duas companhias, o certo seria julgá-­las por infração à ordem econômica. Em seu parecer, a SG destacou como indicativo da atuação coordenada a eleição de José Batista Junior para o cargo de Diretor Presidente interino da JBS, em setembro do ano passado. Sobre a questão, as empresas envolvidas no negócio responderam que “tal situação não é justificativa adequada para respaldar a racionalidade adotada pela SG […] porque a escolha de Júnior para o cargo de Diretor Presidente Interino foi fruto de conjuntura emergencial e atípica”. “De qualquer modo, Júnior jamais assumiu o cargo, ou seja, não tomou conhecimento de informações sensíveis (estratégias comerciais) da JBS”, prossegue o texto. A petição também faz referências ao momento político vivido pela JBS. Já na introdução, diz que o caso chega ao tribunal do Cade “em um momento delicado, em meio a inúmeras especulações midiáticas, envolvendo inclusive o nome do Cade, após virem à tona as delações dos executivos da JBS”. Fechada em dezembro de 2014, a aquisição do Mataboi pela JBJ marcou a volta de Júnior Friboi (como José Batista Junior é conhecido) à indústria de carne bovina. As partes envolvidas na compra do Mataboi foram multadas em R$ 664 mil por consumarem a aquisição sem o aval do órgão, prática conhecida como “gun jumping”.

VALOR ECONÔMICO

Irmãos em xeque

A BNDESPar, braço de participações do BNDES que tem cerca de 21% da JBS, pediu a convocação de uma assembleia de acionistas para pedir o afastamento da família Batista da direção e do conselho de administração da empresa, disseram duas fontes à Reuters

Pelo acordo de leniência firmado pela holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista com o Ministério Público Federal, Joesley já foi afastado de qualquer função na JBS por cinco anos. Wesley, contudo, continua a participar do conselho de administração e a ocupar o cargo de CEO da companhia. Os minoritários também vão pedir uma indenização à J&F por supostos prejuízos provocados pelos irmãos Batista.

VALOR ECONÔMICO

INTERNACIONAL

USDA propõe métodos adicionais de classificação de carcaças bovinas

O Serviço de Comercialização Agrícola do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (AMS/USDA) propôs incluir dentição e documentação da idade real como métodos adicionais de classificação da maturidade de carcaças bovinas para classificação de qualidade

Atualmente, os Padrões para Classificações de Carcaças Bovinas dos EUA incluem apenas evidências esqueléticas e musculares como determinação do agrupamento de maturidade. Dentição refere-se à condição dentária. A revisão proposta permitiria que as carcaças de novilhos e novilhas alimentados com grãos determinados como menores de 30 meses de idade pela dentição ou pela documentação da idade real sejam incluídos no grupo de maturidade mais jovem para carcaças reconhecidas como “beef” (maturidade A). O USDA está recebendo comentários sobre a revisão proposta, que foi publicada no Registro Federal na semana passada, até o dia 18 de agosto.

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