
Ano 3 | nº 538| 20 de junho de 2017
NOTÍCIAS
Cadeia da carne no país levará ao menos 18 meses para se reestruturar, diz gestora TCP
As companhias de maior porte poderiam reabrir unidades que estavam fechadas, numa tentativa de preencher um vácuo deixado pela JBS
A cadeia produtiva da carne bovina no Brasil, afetada por preços baixos do gado, endividamento crescente, aumento na ociosidade e notícias como a delação da cúpula da JBS, levará ao menos um ano e meio para se reestruturar, avaliou nesta segunda-feira a TCP Latam, companhia especializada em reestruturação de empresas. A conclusão da TCP Latam foi obtida após pesquisa junto a pecuaristas, frigoríficos, transportadores, curtumes e fabricantes de insumos como ração e medicamentos, e dá uma ideia do período de dificuldades que coloca em xeque o setor líder na exportação global de carne bovina. “A cadeia produtiva como um todo está desordenada, o setor está passando por um estresse, e o estresse vai ser mitigado nos próximos 18 meses, com um reordenamento da oferta e demanda… E nesse processo os frigoríficos médios e pequenos vão ter um papel importante”, disse à Reuters o Diretor de Investimentos e Estudos Econômicos da TCP Latam, Ricardo Jacomassi. No processo de reestruturação, no entanto, seria necessário um apoio governamental aos pequenos e médios frigoríficos que sofrem com custos elevados de capital de giro, disse o diretor da gestora de reestruturação de empresas, sem entrar em detalhes sobre qual instrumento o governo poderia utilizar no auxílio. “Conversei com quase uma dezena de frigoríficos em Mato Grosso, eles não têm linha (de financiamento) e as linhas existentes estão muito caras.” Enquanto a gigante JBS sofre as consequências de incertezas geradas pela delação de sua cúpula, que envolveu o Presidente Michel Temer e importantes políticos –muitos pecuaristas têm evitado vender ao frigorífico–, por outro lado outras empresas grandes como Marfrig e Minerva podem se beneficiar de uma situação de preços mais baixos da arroba bovina. As companhias de maior porte poderiam reabrir unidades que estavam fechadas, numa tentativa de preencher um vácuo deixado pela JBS, como já aconteceu com a Minerva. Para o ano de 2017, a TCP Latam projeta o valor médio da arroba bovina de 119,3 reais, redução de 22 por cento em relação ao recorde do ano anterior, enquanto vê um declínio anual de 15 por cento nos abates no país, para 25,2 milhões de cabeças, numa sequência de quedas que vem desde 2013, quando somaram 34,4 milhões. Segundo o especialista da TCP, sócia da rede internacional BTG Global Advisory, de forma geral os pecuaristas têm problemas sérios de gestão e não conseguiram aproveitar os bons preços da arroba no ano passado. “Alguns pecuaristas com os quais estamos trabalhando na reestruturação da dívida, praticamente não tem nem balanço… E aí veio a crise, esse cara ficou descoberto”, disse ele, lembrando que os produtores de gado também enfrentam dificuldades para pagar suas dívidas. O estudo também citou impactos da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, que investigou irregularidades no setor.
Maggi reforça importância da parceria com Hong Kong, principal importador de carne brasileira
Em encontro com o secretário de Alimentos e Saúde, Ko Wing-man, Ministro reafirmou qualidade do produto brasileiro
Em viagem à China, onde participou no fim de semana da 7ª Reunião de Ministros da Agricultura dos BRICS (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o Ministro Blairo Maggi (Agricultura, Pecuária e Abastecimento), visitou Hong Kong, região administrativa do país e principal importador de carnes do Brasil. No ano passado, o volume de negócios fechados do produto foi US$ 1,6 bilhão. Blairo Maggi agradeceu a Ko Wing-man, Secretário de Alimentos e Saúde de Hong Kong, a compreensão demonstrada no episódio da Operação Carne Fraca. “Foram muito propositivos e nos ajudaram muito naquele momento”, disse o Ministro, acrescentando que a reação foi técnica e rápida por parte do governo de Hong Kong. “Queremos continuar parceiros”, afirmou o Secretário. O Ministro explicou que o Mapa continua apoiando as investigações feitas pela Polícia Federal e que não houve problemas com a qualidade dos produtos. Mesmo assim, observou que os processos estão sendo reexaminados e que a sua orientação no ministério é dar transparência e reforçar os controles. Disse ainda que, na semana anterior à viagem à China, esteve reunido no Ministério do Planejamento para falar sobre a ampliação de investimentos em tecnologia e em pessoal. “Estamos reformulando procedimentos e retirando burocracias desnecessárias para deixar as pessoas cuidando do que é mais importante. Queremos deixar as coisas bastante claras e transparentes para o mundo. Os senhores podem esperar transparência nos processos e nas nossas comunicações”, assegurou. De acordo com o Ministro, a equipe de Ko Wing-man está organizando uma missão técnica para visitar o Brasil. Na sexta-feira (16), em Nanjing, Blairo Maggi propôs que o Plano de Ação 2017-2020 dos BRICS estabeleça um grupo de trabalho para o monitorar e apresentar propostas que ampliem o fluxo de comércio e de investimento agropecuário e agroindustrial entre os países do bloco. “É fundamental contarmos com mecanismo para superar barreiras ao comércio”, ressaltou. A comitiva do Ministro foi integrada pelo Secretário de Relações Internacionais do Agronegócio do Mapa, Odilson Silva, e do Presidente da Embrapa, Maurício Lopes. A viagem serviu também para reuniões de interesse recíproco com todos os países do bloco econômico.
MAPA
Mercado do boi gordo sem viés definido
Com o feriado de quinta-feira passada (15/6) muitos pecuaristas saíram dos negócios e, desde então, o mercado segue pouco movimentado
Isso encurtou um pouco as escalas de abate, mas nada que faça os compradores se lançarem forte nas compras. Na abertura do mercado desta segunda-feira (19/6), muitas empresas estiveram fora das compras, aguardando um melhor posicionamento do mercado para traçarem suas estratégias de negociações da semana. Mas, em linhas gerais, o cenário para a arroba já é de maior firmeza em relação ao início do mês, quando havia grande pressão de baixa. Porém, vale a pena ressaltar que muitas regiões ainda apresentam pastagens em boas condições. Ou seja, ainda há pecuaristas retendo suas boiadas. Com a entrada da seca e do frio pode ser que, no curto prazo, ocorra alguma melhora na oferta. O mercado atacadista de carne bovina permaneceu estável e as margens frigoríficas permanecem em patamares historicamente elevados.
SCOT CONSULTORIA
IBGE confirma abates de animais similares ao do primeiro trimestre de 2016, mas com maior participação de fêmeas nas escalas
A soma do feriado da semana passada, com a segunda-feira típica de poucos negócios, deixou o mercado do boi gordo com baixa movimentação nesta abertura de semana
Os preços, na maioria das praças pesquisadas, permaneceram inalterados em relação aos últimos dias. Em São Paulo as ofertas de compra variam de R$128/@ a R$129/@ já descontado o Funrural. Em Goiânia (GO) a realidade das cotações está entre R$117/@ a R$119/@ a vista, enquanto que no Mato Grosso do Sul os negócios oscilam entre R$119/@ a R$120/@. “Os três dias de não negociação encurtaram um pouco as escalas dos frigoríficos, mas nada suficiente para que os compradores iniciassem a semana com mais intensidade”, diz o analista, Alex Santos Lopes, da Scot Consultoria. Sem uma demanda que exija maior empenho para comprar, a perspectiva é de mercado pressionado nos próximos meses. As pastagens ainda dão suporte para venda compassada dos animais, porém, quando a seca chegar oficialmente haverá necessidade de entrega, ao passo que os frigoríficos também evitam a formação de estoques diante da demanda patinando. “Todos os fatores indicam pressão no médio e longo prazo”, ressalta Lopes. O fator positivo é que o alongamento das condições dos pastos pulverizou as vendas, portanto, acredita-se que a concentração de animais, embora deva ocorrer, poderá ser menor. Os abates de bovinos no primeiro trimestre de 2017 vieram bem próximos aos comparativos anteriores. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), foram abatidos 7,37 milhões de cabeças de bovinos sob algum tipo de serviço de inspeção sanitária. Essa quantidade foi 0,5% menor que a registrada no trimestre imediatamente anterior e 0,7% maior que a apurada no 1º trimestre de 2016. A novidade é que os dados mostram uma mudança no perfil de abate. A participação de fêmeas cresceu próxima a 5,0%, confirmando a tendência de descarte neste ano. “Isso é consequência da desvalorização no preço do bezerro que aconteceu em 2016 e vem ocorrendo nesse ano”, explica Lopes. Com o incremento na participação das vacas, os dados mostraram aumento nos abates totais, após dois anos de quedas consecutivas. Em contrapartida, o abate de machos caiu, sendo influenciados pelos preços pouco atrativos do boi gordo. Além disso, o analista ressalta que é possível considerar entre as causas a “maior disposição dos frigoríficos em comprar fêmeas no primeiro semestre, que tem um preço mais competitivo”, diz.
NOTÍCIAS AGRÍCOLAS
Consumo de carne patinando em 2017
Vamos fazer um balanço do mercado de carnes. Comparar variação de preço nominal com variação de inflação e confrontá-las com a oferta este ano é uma boa medida para entendermos como está se comportando o mercado
Vamos lá. A inflação medida pelo IPCA, índice oficial do país, entre maio de 2016 e maio de 2017 acumula alta de 4,3%. Como ainda não temos este índice para o mês atual, vamos confrontá-lo com o preço da carne logo na primeira semana de junho. Nesta data, a carne no varejo tinha subido 4,6%. Ou seja, o fôlego do mercado foi suficiente somente para acompanhar a inflação, preservar o poder de compra do varejista. Isso quer dizer que os empresários do varejo não estão ganhando mais do que em 2016. Quem determina isso é a situação das vendas. Voltando ao frigorífico. Este elo, neste mesmo período, reajustou seus preços exatamente iguais à variação do IPCA. Uma pesquisa rápida com algumas indústrias indica que, até o começo deste mês, os abates estavam muito iguais aos de 2016, mas naquele ano já haviam caído entre 10,0% e 20,0% frente a 2015. Salvo alguma variação no peso de carcaça, temos praticamente o mesmo volume de carne no mercado este ano. É certo que as exportações caíram, aumentando um pouquinho a oferta no mercado interno em 2017. Mas, lembrem, só 20,0% da produção é exportada. Reduzimos, em carne in natura, 5,0% os embarques até maio. Ou seja, aumentou em cerca de 1,0% o volume que voltou para os açougues e supermercados do país. Nada significativo. Em resumo, quase a mesma quantidade de carne e preços quase iguais aos de 2016. Então, se tínhamos crise clara, assumida pelo governo e divulgada pelos índices oficiais em 2016, em 2017, apesar da melhora destes indicadores, o mercado de carne comporta-se ainda como se fosse ano de crise. Pelo menos é o que os preços nos mostram. E, somente o fato de termos atingido a marca de 14 milhões de desempregados este ano, confrontado com a teoria da elasticidade renda, bastaria para deixar claro que a venda de carne ainda não se recuperou.
SCOT CONSULTORIA
Entrada do inverno deve colocar mais pressão na @
Aumento na oferta de animais ao abate, em função na piora das pastagens, pode derrubar ainda mais o preço do boi gordo
O mercado do boi gordo passa por um momento atribulado após os recentes escanda-los do setor, o que fez com que o preço da arroba recuasse até 10% em algumas praças nos últimos três meses. De acordo com a Scot Consultoria, de 16 de março, dia anterior a operação Carne Fraca, até 1º de julho, o preço da arroba nas 32 praças pesquisadas caiu em média 6,3%, alcançando pico de 10,5% em Dourados, MS. Apesar de o mercado estar se adequando a esse cenário, outro fator deve intensificar ainda mais a pressão de baixa na arroba nos próximos dias: a chegada do inverno (21 de junho). A estação mais fria do ano é marcada pela redução na qualidade das pastagens em quase todo o país, o que reduz a taxa de suporte do pasto, obrigando os pecuaristas a vender os animais que ainda tem na fazenda aos frigoríficos. “É um ano atípico, onde os pecuaristas conseguiram driblar os efeitos dos escândalos do setor ao diluir a entrega dos animais para o abate. No entanto, devemos ter um aumento na oferta nos próximos meses, acarretando em uma concentração de oferta e, possivelmente, os preços mais baixos do ano”, destacou Alex Lopes, analista de mercado da Scot Consultoria. Outro fator que deve colaborar para o aumento da oferta nos próximos meses é a quantidade de animais estocados, já que desde o início do ano muitos pecuaristas têm segurado os animais nas fazendas esperando um possível aumento nos preços. Esse movimento foi expandido após a delação da JBS contra Michel Temer, o que fez com que os produtores evitassem fechar negócios com o frigorífico, principalmente, após a decisão em suspender os pagamentos à vista. “O cenário para o segundo semestre está totalmente incerto e qualquer previsão é arriscada. Ainda não sabemos o que acontecerá com a economia do País e qualquer novidade na política pode causar um imenso impacto no setor”, concluiu o analista, acrescentando também o momento da virada no ciclo de baixa na pecuária, comprovado pelo aumento na participação das fêmeas no abate do primeiro trimestre do ano. De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última semana, foram abatidos 7,1 milhões de bovinos no Brasil no primeiro trimestre de 2017. O resultado foi puxado, principalmente pela participação nas fêmeas no abate, que cresceu 12% no período. Já nos machos, foi registrada queda de 7,1%.
Portal DBO
Venda direta de gado para o varejo ganha força em Uberaba
Para evitar o risco de não receber da JBS, pecuaristas estão negociando gado diretamente com o varejo em Uberaba, Minas Gerais. Açougues e supermercados da região, que pagam à vista, estão comprando mais gado e mandando para frigoríficos que trabalham por demanda
— Acho que os pequenos frigoríficos podem ocupar um espaço que se abriu. Os pecuaristas, que costumavam vender a prazo, ficaram receosos. Esse modelo de venda direta para o varejo, que manda abater, é antigo e está ganhando força de novo. É bom para a economia. Açougues e supermercados geram muitos empregos, conta Matusalem Alves, da rede de supermercados Zebu Carnes. Ele adota o modelo da compra direta há 20 anos e abate duas mil cabeças de gado por mês para as seis lojas da marca. O movimento no frigorífico Boi Bravo, que abate para terceiros, cresceu 30%, diz Romeu Costa Telles, Diretor da empresa.
Preço da carne cai do pasto ao supermercado; veja cortes mais baratos
Produtores estão recebendo 7,5% menos no boi gordo, comparado ao início do ano, e cortes no varejo estão quase 10% mais baratos
Ruim para o produtor, nem tanto para o consumidor. De janeiro a maio deste ano, o preço do boi gordo [pago aos produtores] caiu 7,5% (por arroba), passando de R$ 148,72 no início de 2017 contra R$ 137,70 ao fim do mês passado, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral). No mesmo período de 2016, o valor estava em R$ 145,81. Por outro lado, nos supermercados apenas um corte avaliado pelo Deral teve alta no primeiro semestre do ano: a costela bovina, que subiu 1,8%. Todos os demais cortes estão com a cotação mais baixa no varejo, com destaque para a alcatra, o coxão mole e o mignon – com preços 8,8%, 8,7% e 7,3% menores. De acordo com estudo do Deral, os motivos para a baixa são vários: da maior produtividade à crise político-econômica do país. As delações da JBS e os efeitos da carne fraca trouxeram incertezas e falta de confiança ao mercado. Além disso, “o menor poder de compra da população contribuiu para uma diminuição no consumo interno de carne bovina, desaquecendo este mercado e puxando para baixo as margens dos preços”, destaca relatório do Deral. Outro fator para a redução de preços em abril e maio é o pico de safra do boi gordo. Neste período, os animais que passaram a primavera e verão engordando estão prontos para o abate, aumentando a oferta no mercado. Este ano, contudo, há um problema. “Muitos produtores estão optando por segurar seus animais no pasto à espera de uma recuperação nos preços da arroba”, informa o Deral. Também houve forte queda nas exportações de carne bovina do Paraná. No período de janeiro a abril de 2016, foram exportadas 12,5 mil toneladas, gerando receita de US$ 40,8 milhões. Neste ano, no mesmo período, foram 8,8 mil toneladas e US$ 33 milhões em valores. Isso representa exportações 30% menores e 18% menos receita gerada. “Esta carne que permanece no mercado interno, somada a uma situação de redução no consumo interno, causa um cenário de grande oferta e redução de cotações”, destaca o Deral. A expectativa do órgão, vinculado à Secretaria da Agricultura e Abastecimento do estado, é que os pecuaristas não consigam segurar seus animais no pasto por muito tempo, devido às geadas que podem prejudicar as pastagens. Com isso, os preços podem cair ainda mais. Confira o preço dos principais cortes de carne e a variação de janeiro a maio no varejo, segundo a Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento: Acém (s/osso): R$ 5,93 (-4%) Alcatra (s/osso): R$ 27,96 (-8.8%) Contra-filé (c/osso): R$ 21,58 (-3,2%) Costela (c/osso): R$ 14,82 (+1,8%) Coxão mole: R$ 23,15 (-8,7%) Mignon (s/osso): R$ 44,67 (-7,3%) Carne moída 1ª: R$ 21,71 (-5,1%) Carne moída 1ª: R$ 14,03 (-5,8%) Paleta (c/osso): R$ 15,57 (-3,2%) Patinho (s/osso): R$ 23,07(-1,8) Peito (c/osso): R$ 12,96 (-3,8).
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