Ano 3 | nº 520| 24 de maio de 2017
NOTÍCIAS
Semana começa com pecuaristas evitando negócios com o JBS e preços da arroba em queda
A semana começa com grandes incertezas do mercado do boi gordo. O envolvimento da JBS em escândalos de corrupção na última semana trouxe apreensão ao mercado, que abre nessa segunda-feira (22/05) com pressão de baixa dos preços da arroba bovina.
Os pecuaristas estão retraídos na expectativa de um melhor direcionamento do mercado nos próximos dias. Apenas quem precisa vender, no entanto, tenta redirecionar os contratos para frigoríficos de menor porte, temendo pela saúde financeira da JBS. Do lado dos frigoríficos a maioria ainda segue fora das compras. Apenas aqueles que necessitam preencher escalas ofertam abaixo da referência. Em São Paulo os negócios variam entre R$138,00/@ a R$139,00/@, já descontado o Funrural. Mas, tentativas de baixa são cada vez mais comuns. Embora haja muita dúvida sobre o direcionamento do mercado do boi nos próximos dias, o analista da Scot Consultoria, Alex Santos Lopes, traças alguns cenários possíveis. “Há risco de termos mais oferta sendo direcionada para as outras indústrias. Fator que poderá intensificar a pressão nos preços”, diz Lopes. Ao mesmo tempo, a JBS poderia aumentar as ofertas de compra para garantir matéria prima. De qualquer forma, um cenário mais claro para os preços do boi gordo deve aparecer ao longo da semana. A orientação do analista é para que os pecuaristas continuem “negociando os animais a medida que as contas fechem, e não retardem a entrega.” Outro fator importante a ser considerado nesse cenário conturbado que tomou conta do mercado nos últimos dias, é a alta do dólar. Conforme explica Lopes, “o dólar valorizado frente ao real aumenta a competitividade do milho e da soja brasileira no mercado internacional, com a possibilidade de elevar as exportações desses produtos e, consequentemente, os valores desses ingredientes na dieta fiquem mais caros”. Considerando apenas o impacto na moeda norte-americana, em função dos acontecimentos da última semana, pode ser que a situação dos custos – que até agora esperávamos ser um ano mais tranquilo – podemos ver uma mudança nesse prognóstico”, alerta.
NOTÍCIAS AGRÍCOLAS
Brasil continuará a crescer no mercado de carnes chinês, diz Rabobank
Os exportadores brasileiros de carnes deverão continuar a aumentar sua fatia de participação no mercado chinês até 2020, principalmente nas vendas de carne bovina, segundo análise do Rabobank divulgada no início do mês
No segmento de aves, o Brasil deverá enfrentar o aumento da concorrência com os EUA no mercado chinês, à medida que os casos de gripe aviária vão sendo resolvidos no país norte-americano. “Espera-se que o mercado de aves seja equilibrado, com exportações contínuas de carne de peito (processada) e importações principalmente de asas e de pés”, disse o banco especializado no agronegócio. O Brasil também deve continuar elevando exportações de carne suína para a China, impulsionado principalmente pelo baixo custo de produção da carne brasileira. “Porém, dada a ainda pouca experiência brasileira no mercado chinês, o país ainda precisa aprender mais sobre as preferências da indústria local em relação aos cortes utilizados na produção de processados, principal destino das importações da China”, disse o Rabobank. Os exportadores brasileiros também poderão enfrentar queda nos preços das carnes no mercado chinês diante da maior concorrência com outros países exportadores, como a Austrália e os EUA. Nos próximos nove anos ocorrerá a redução gradual de tarifas de comércio entre Austrália e China, como parte do acordo de livre comércio ChAFTA. Já os EUA estão negociando acesso direto ao mercado chinês, sendo que atualmente o comércio está focado em Hong Kong. As importações totais de carnes pela China Continental devem somar 6 milhões de toneladas em 2020, sem contar as compras indiretas via Hong Kong e Vietnã, segundo o Rabobank. Desse total, quase 2 milhões deverão ser carne bovina.
CARNETEC
Funrural:“STF desrespeitou seu próprio precedente”
Tributarista Arthur Maria Ferreira Neto defende aplicação da “Modulação de Efeitos”
Causou estranhamento até mesmo no meio jurídico a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) ao mudar de ideia e julgar constitucional a cobrança do Funrural (Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural). A Corte já havia pacificado o tema em 2010, mas voltou atrás e determinou o pagamento de dívidas atrasadas que podem chegar a R$ 20 bilhões em contribuição sobre a receita da produção rural. O Vice-Presidente do IET (Instituto de Estudos Tributários), advogado tributarista Arthur Maria Ferreira Neto, sustenta que essa decisão poderá causar graves prejuízos: “Os contribuintes do setor do agronegócio, confiando na decisão do Supremo, praticaram por mais de meia década suas atividades econômicas sem levar em consideração o valor do Funrural, o que obviamente influenciou a fixação do preço de venda dos seus produtos rurais”. “Agora estão sendo completamente surpreendidos pelo STF, que desrespeitou seu próprio precedente, colocando, em tese, tais contribuintes em situação de devedores do FUNRURAL em relação ao passado, o que poderá levar a Receita Federal a cobrar os valores não recolhidos a tal título nos últimos cinco anos”, afirma o advogado. Para o especialista do IET, seria importante que o STF “ao menos resguardasse os efeitos da sua nova decisão em relação ao passado, impedindo que o Fisco cobrasse os valores devidos a título de Funrural durante todo o período em que prevaleceu o entendimento anterior do Supremo”. O advogado conta que está em discussão a possibilidade de aplicação da chamada técnica de “Modulação de Efeitos”. Com isso, em nome da segurança jurídica ou de excepcional interesse social, o STF poderia restringir os efeitos de sua decisão a um momento específico no tempo. “Como o STF vem aplicando a modulação de efeitos para beneficiar o Fisco, naqueles casos em que profere decisão favorável ao contribuinte, nada mais coerente e razoável que a Corte também adote o mesmo critério no presente caso. Aliás, o uso da chamada modulação de efeitos agora, especialmente por se tratar de mudança de jurisprudência do STF, está em consonância com artigo que foi introduzido pelo Novo Código de Processo Civil”, ressalta Neto. Caso não haja essa modulação que proteja o contribuinte em relação ao passado, estima-se que a dívida potencial de FUNRURAL que poderá ser exigida pelo Fisco alcance o montante de 8 a 20 bilhões de reais.
AGROLINK
Desconfiança e tensão no mercado do boi gordo
Neste momento, não há fatores nos quais os preços do boi possam se apoiar para sustentação
A tendência de mercado frouxo, que já vinha sendo verificada antes dos acontecimentos da última semana, ganhou força com a tática praticamente unânime das indústrias de redução ou até mesmo retirada total das compras. O “efeito desconfiança” que gira em torno da JBS, com consequente sobra de gado para os demais frigoríficos, reforça o plano de mercado citado. Atenção especial deve ser dada às regiões onde há maior participação ou até mesmo amplo domínio da empresa nos abates. No fechamento desta terça-feira (23/5), vinte das trinta e duas praças pecuárias pesquisadas pela Scot Consultoria tiveram queda nas referências. Não houve alteração nas referências no mercado atacadista de carne bovina com osso, porém, a tendência do levantamento aponta para quedas em curto prazo.
SCOT CONSULTORIA
Exportação de carne bovina in natura chega a 57,0 mil toneladas
Segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, até a terceira semana de maio (14 dias úteis) o Brasil exportou 57,0 mil toneladas de carne bovina in natura, com faturamento total de US$239,7 milhões
A média diária exportada foi 4,1 mil toneladas. Em relação a abril último esse valor é 4,3% maior, entretanto, em relação ao mesmo período do ano passado, a queda é de 15,3%. Caso esse ritmo das exportações continue, o país deverá exportar 10,7% menos que em maio de 2016. Seria o quarto mês consecutivo de quedas nas exportações, somente em janeiro o volume exportado foi maior na comparação anual.
SCOT CONSULTORIA
MT: melhora a relação de troca boi/milho
Em abril, produtor precisou de 2,65@ de boi gordo para comprar uma tonelada do grão
O milho é um dos principais ingredientes das rações dos bovinos. Com o início da colheita do milho segunda safra em Mato Grosso o preço do cereal vem registrando consecutivas desvalorizações. Desta forma, isso é favorável para o pecuarista que utiliza este ingrediente na dieta. De acordo com o boletim semanal do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), ao analisar-se a relação de troca com o boi gordo, em abril, para comprar uma tonelada de milho o pecuarista dispendeu 2,65 arrobas de boi gordo, esse valor é o menor desde dezembro de 2015 e 7,48% menor em comparação a março deste ano. “O momento é de oportunidade para os confinadores e também para aqueles que estão com condições de pastos ruins, pois a colheita das 28 milhões de toneladas de milho está apenas no início, e quando este montante estiver de fato no mercado, as cotações podem cair ainda mais”, concluiu a publicação. Na última semana, o Imea havia destacado a queda de 83.130 animais abatidos em Mato Grosso em função da operação Carne Fraca. O instituto destaca que dos 141 municípios do Estado houve diminuição no volume abatido em 108, com destaque para Vila Bela da Santíssima Trindade, São José do Xingu, Cáceres, Barra do Bugres e Pedra Preta, que juntos reduziram seus abates em 20,25 mil bovinos no comparativo entre os meses de março e abril deste ano. O levantamento mostra que mesmo em regiões onde não houve férias coletivas ou paralizações (oeste, nordeste e médio-norte), o abate de bovinos recuou consideravelmente em função do pecuarista segurar seu gado na fazenda, protegendo-se de ofertas abaixo da referência.
Imea
EMPRESAS
Ação da JBS sobe 9,3% com expectativa de venda de ativos
A expectativa de que a holding J&F terá de vender alguns de seus negócios para preservar a JBS, principal empresa de seu portfólio, colaborou para que as ações da maior companhia de proteínas animais do mundo registrasse alta de 9,3% ontem na bolsa de São Paulo
Com isso, os papéis recuperaram parte das perdas que se acumulavam desde quinta-feira, motivadas pelo teor das delações dos irmãos Batista, donos do conglomerado, e de outros executivos do grupo. A alta se deu graças à possibilidade da J&F ganhar musculatura com a aceleração da venda de empresas que já estavam na vitrine, como Vigor, Eldorado e Flora, e mesmo de companhias para as quais ainda não havia esses planos, como Alpargatas. Esse movimento fez o valor de mercado da empresa subir para R$ 17,9 bilhões, R$ 1,4 bilhão a mais que na véspera, mas ainda R$ 8 bilhões a menos que o registrado na quarta-feira. Para preservar JBS, holding deve vender ativos 2. Um IPO de US$ 500 milhões que ficou inviável 3. Contexto A informação de que a J&F já havia contratado o Bradesco BBI para coordenar um plano de venda de ativos foi desmentida pela holding. Entre seus negócios, a Alpargatas com vendas de mais de R$ 4 bilhões ao ano é o ativo mais fácil de vender.
VALOR ECONÔMICO
A complicada situação da JBS e a miopia do mercado
Para Lygia Pimentel, médica veterinária e consultora pela Agrifatto, situação apertada do JBS pode evoluir para um setor mais equilibrado, competitivo e justo no longo prazo
“Das dívidas de curto-prazo, há R$ 18 bilhões para acertar contra um caixa de R$ 10 bilhões. Faltam, portanto, R$ 8 bi em um contexto dramático de evasão de recursos e de receitas neste momento. Com a fuga dos fornecedores, o custo fixo deve aumentar, podendo acelerar o desgaste do fluxo de caixa. Há um risco grande relativo à solvência da empresa, especialmente porque ela deverá enfrentar outros processos jurídicos nos próximos meses e anos. Lê-se no mercado hoje a afirmação de que é impossível alguém comprar o JBS. Associa-se essa consideração de aquisição a seus concorrentes Marfrig e Minerva, que não teriam musculatura para realizar a aquisição de um monstro como esse. A única solução possível, portanto, seria e que a empresa fosse salva pelo governo. Considero a análise totalmente míope. O governo não seria a solução para nossos problemas pelo simples fato de ele mesmo ter sido o causador do que ocorre no momento. O fato é que nos revoltamos com a situação atual, no entanto pedimos mais interferência do Estado. Não faz o menor sentido. No momento, é necessário reencontrar o equilíbrio de mercado para que as coisas fluam de maneira natural e saudável, sem distorções geradas com o uso de recursos públicos em empresas privadas. Um resgate não seria a solução e, se viesse a ocorrer, manteria o gigante em pé, reforçando o risco que esse tipo de empresa representa ao setor produtivo e ao Brasil. Pode parecer uma enorme tragédia no momento, mas para o longo-prazo, significa um setor mais equilibrado, competitivo e justo diante do real cenário de mercado. Na verdade, em caso insolvência, a maior possibilidade é de fatiamento da empresa em companhias menores e focadas em seu produto. Nesse caso, ela seria comprada por diferentes companhias, inclusive grupos internacionais. Isso reduziria a concentração de mercado e certamente reaproximaria o fluxo de investimentos da empresa, colocando o mercado e, especialmente a pecuária, de volta aos seus trilhos”.
Agrifatto
Marco Aurélio diz que benefícios a empresários da JBS podem ser revistos pelo STF, segundo Estadão
O Ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello indicou que os benefícios concedidos aos irmãos Wesley e Joesley Batista, donos da JBS, em acordo de delação premiada, podem ser revistos pelo plenário da Corte, segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo
“Realmente a negociação pode partir do Ministério Público, mas quem fixa os benefícios é o Judiciário. Nesta delação de agora, o ministro Edson Fachin somente homologou o acordo nos aspectos formais, não o conteúdo em si, o conteúdo em si será avaliado pelo órgão julgador, que é o plenário do Supremo”, disse Marco Aurélio, segundo o Estadão, durante seminário sobre o uso das delações premiadas, na noite de terça-feira, em Brasília. A delação dos irmãos Batista, que receberam imunidade penal como parte do acordo, e a divulgação de áudio de uma conversa gravada por Joesley Batista com o presidente Michel Temer deflagraram uma enorme crise política no governo, levando opositores e até alguns aliados a pedirem a renúncia de Temer. Em um artigo publicado na terça-feira no site UOL, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, rebateu as críticas ao acordo, dizendo que não teve “outra alternativa” senão conceder o benefício da imunidade penal aos colaboradores. “Embora os benefícios possam agora parecer excessivos, a alternativa teria sido muito mais lesiva aos interesses do país, pois jamais saberíamos dos crimes que continuariam a prejudicar os honrados cidadãos brasileiros, não conheceríamos as andanças do deputado com sua mala de dinheiro, nem as confabulações do destacado senador ou a infiltração criminosa no MPF”, disse Janot.
REUTERS
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