Ano 3 | nº 458 | 17 de Fevereiro de 2017
NOTÍCIAS
Boi/Cepea: Vendas desaquecidas de carne limitam compras de boi
Frigoríficos têm tentado pagar cada vez menos pelos animais abatidos, reduzindo as compras e pressionando as cotações da arroba
Diferente do esperado, a demanda por carne bovina não se aqueceu com o recebimento dos salários e as vendas no atacado não decolaram. Com isso, segundo pesquisadores do Cepea, frigoríficos têm tentado pagar cada vez menos pelos animais abatidos, reduzindo as compras e pressionando as cotações da arroba. Parte dos pecuaristas, no entanto, resistiu à pressão, saindo do mercado diante das ofertas de preços menores. Com isso, frigoríficos que precisaram realizar compras tiveram que se dispor a pagar preços mais altos, resultando em limitação das baixas ou mesmo em aumento das médias em alguns dias. O Indicador ESALQ/BM&FBovespa do boi gordo (estado de São Paulo, à vista) fechou a R$ 145,09 nessa quarta-feira, 15, ligeira alta de 0,1% em sete dias, mas queda de 0,5% no mês. No atacado da carne com osso da Grande São Paulo (à vista, CDI), o valor da carcaça casada do boi recuou 1,1% na semana e 1,5% no mês, a R$ 9,94/kg na quarta
Interpol avança em investigação de fraudes contra frigoríficos exportadores brasileiros
A maior parte dos casos de fraude identificados tinha relação com a comercialização com o mercado asiático.
O escritório brasileiro da Interpol emitiu um aviso para que as polícias de 190 países onde a organização está presente compartilhem informações sobre investigações relacionadas a fraudes contra frigoríficos brasileiros, informou a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) na quinta-feira (16). A “Difusão Roxa” emitida pela Interpol nesta semana é um mecanismo de cooperação que libera a solicitação ou fornecimento de informações entre as polícias internacionais da organização sobre modus operandi, objetos, dispositivos e métodos de ocultação usados por criminosos. “A difusão da investigação a torna global, expandindo o monitoramento e tornando ainda mais efetivo o processo investigativo”, disse o presidente-executivo da ABPA, Francisco Turra, em nota. A ABPA já relatou à Interpol mais de 700 casos de fraude prejudicando agroindústrias exportadoras e importadores de carnes de aves e de suínos do Brasil. Entre as fraudes cometidas estão clonagem de e-mail de sites de empresas exportadoras, boletos de vendas que não aconteceram, falsificação de rótulos de produtos que não foram produzidos no Brasil e utilização de selos do Serviço de Inspeção Federal (SIF) falsos. A Polícia Federal brasileira já investiga essas fraudes desde janeiro do ano passado. Algumas empresas brasileiras afetadas pelas fraudes chegaram a estruturar áreas de compliance exclusivas para lidar com o problema, segundo informou a ABPA em maio. Em setembro, o Vice-Presidente de Mercados da ABPA, Ricardo Santin, disse à CarneTec que a maior parte dos casos de fraude identificados tinha relação com a comercialização com o mercado asiático.
CARNETEC
Mercado do boi gordo pressionado, mas com dificuldade para novas reduções de preços
Embora a pressão de baixa ainda exista, a força para alterar os preços já não é a mesma das semanas anteriores
Nada mudou em termos de conjuntura. A demanda segue ruim e a disponibilidade de boiadas não é abundante, embora venha melhorando com a chegada de fêmeas descartadas ao mercado. As ofertas de compra, de forma geral, estão quase sempre alinhadas à referência. Inclusive, em algumas praças, como no Norte do Tocantins, existe oferta de frigorífico grande acima da referência. Em São Paulo, os testes de mercado são mais intensos. Há quem tente comprar por até R$143,00/@, à vista, mas sem sucesso. Em contrapartida, tem quem pague R$146,00/@, nas mesmas condições. Não há programações de abate longas no estado, mesmo que o nível de ociosidade seja considerável. No mercado atacadista de carne bovina, estabilidade de preços para as peças com osso e queda de 0,35% para os cortes desossados.
SCOT CONSULTORIA
Mercado do boi gordo mantém fria a procura por reposição
A pressão baixista do mercado do boi gordo e a falta de expectativas por melhora ainda são os fatores determinantes para o desinteresse no mercado de reposição
Quando comparada com a semana passada, a média dos valores do mercado de reposição dos quatorze estados analisados não apresentou mudanças significativas. Porém, Mato Grosso se destacou com uma queda semanal de 1,7%. O boi magro anelorado (12@), na média todas as praças pesquisadas, caiu 0,3% na comparação ao início do ano. As incertezas continuam acompanhando as categorias mais jovens. Os bezerros anelorados apresentaram queda semanal de 0,5% em média, considerando todos os estados analisados, e queda de 1,4% desde o início do ano. Em curto prazo, com as negociações de troca ganhando volume, é possível que os preços da reposição ganhem sustentação, após a considerável queda verificada principalmente a partir do segundo semestre do ano passado.
SCOT CONSULTORIA
FEIRAs & Eventos
Desenvolvimento sustentável da pecuária será um dos temas discutidos na InterCorte Cuiabá
O evento, que vem percorrendo alguns dos principais polos de produção pecuária do Brasil, terá a sua primeira edição de 2017 na capital do Estado
Como tornar a pecuária do Mato Grosso cada vez mais sustentável é a questão que norteará o primeiro painel da InterCorte, que será realizada em Cuiabá (MT), nos dias 8 e 9 de março, no Centro de Eventos do Pantanal. O evento, que vem percorrendo alguns dos principais polos de produção pecuária do Brasil, terá a sua primeira edição de 2017 na capital do Estado, promovido pelo Terraviva Eventos e pela Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat). “A sustentabilidade é um dos grandes diferenciais de Mato Grosso, que tem o maior rebanho comercial do país. Além da pecuária, somos líderes também na produção de soja, de milho, algodão, girassol, peixe de água doce, e ainda mantemos 62% das áreas preservadas. Esses números são mérito do trabalho consciente dos produtores rurais. Um ativo que deve ser valorizado e debatido sem receio em fóruns de qualquer lugar do mundo. Então nada melhor que trazer esse debate para dentro de casa, na InterCorte em Cuiabá”, destaca Luciano Vacari, Diretor Executivo da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat). A abertura do painel de Sustentabilidade da InterCorte será feita por Fernando Sampaio, Diretor-Executivo do Comitê Estadual da Estratégia PCI (Produzir, Conservar e Incluir), uma ação coletiva, construída de forma participativa entre o Governo do Estado, representantes da sociedade civil, terceiro setor e empresas privadas para acompanhar o cumprimento das metas apresentadas por Mato Grosso durante o Acordo Global do Clima (COP21), realizado em Paris, na França, em 2015. O plano de trabalho da Estratégia PCI busca captar recursos para o Estado de Mato Grosso para expansão e aumento da eficiência da produção agropecuária e florestal, conservação dos remanescentes de vegetação nativa, recomposição dos passivos ambientais e a inclusão socioeconômica da agricultura familiar e de populações tradicionais, além de gerar a redução de emissões e sequestro de carbono, mediante o controle do desmatamento e o desenvolvimento de uma economia de baixo carbono.
AGROLINK
INTERNACIONAL
Com Trump, exportador de carne aposta em aproximação com México
O país é um dos maiores importadores de carnes do mundo e pode direcionar parte dessa demanda para a indústria brasileira
Exportadores brasileiros de carnes estão atentos à possível lacuna que o presidente Donald Trump pode abrir nas relações comerciais do México com o mundo e buscam a abertura para a comercialização das proteínas suína e bovina com o país latino-americano. O cenário é de incertezas por causa das declarações do líder norte-americano, que tem planos de deportações de imigrantes, além de pressionar as empresas a criarem empregos nos EUA. Desde à posse de Trump, os mexicanos têm sinalizado uma intensificação na busca por diversificar seus mercados fornecedores, inclusive com uma aproximação com o Brasil. O país latino-americano figura entre os maiores importadores de carnes do mundo e pode direcionar parte dessa demanda para a indústria brasileira. Na próxima semana, o Secretário de Agricultura mexicano, José Eduardo Calzada, desembarcará junto com uma comitiva de empresários para uma reunião em São Paulo. “Para nós essa visita é emblemática. Primeiro pela distância que o México sempre manteve do Brasil e também pela exclusividade que eles sempre dedicaram aos Estados Unidos”, afirmou ao Broadcast Agro, Francisco Turra, Presidente Executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que representa a indústria de aves e suínos. Atualmente, os mexicanos compram apenas carne de aves do Brasil e intensificaram essas aquisições nos últimos dois anos, reduzindo tarifas, depois que os Estados Unidos foram atingidos por um surto de influenza aviária – doença a qual o Brasil é livre. Já a proteína suína brasileira continua fora das prateleiras mexicanas. Segundo Turra, existe agora a possibilidade de abertura desse mercado, sendo que os mexicanos importam 1,05 milhão de toneladas por ano – principalmente de Canadá e Estados Unidos. “O problema nesse caso é sanitário, por causa da aftosa com vacinação”, afirmou Turra. Ele diz que há a possibilidade de se abrir um canal por meio de Santa Catarina, o único Estado brasileiro com status de livre de febre aftosa sem vacinação, da mesma forma como está sendo negociado com a Coreia do Sul. Inicialmente, esses países comprariam a proteína suína apenas de Santa Catarina. Turra afirmou que está em curso um processo de aproximação e que há associações mexicanas de processadores de carnes que têm forte interesse em comprar o produto brasileiro. A ABPA deve inclusive visitar essas indústrias na segunda quinzena de março. O representante, no entanto, não se arrisca a estimar qual seria o potencial de faturamento e de volume gerado por uma possível abertura do mercado mexicano à carne suína brasileira. Para o setor de carne bovina a expectativa é grande. Recentemente, uma missão de veterinários mexicanos esteve no Brasil inspecionando fábricas para que o país possa comprar cortes processados bovinos, entre os dias 30 de janeiro e 8 de fevereiro. A possível abertura do país para a exportação de carne bovina processada pode facilitar a habilitação para o produto in natura. Os padrões sanitários dos mexicanos são similares aos dos Estados Unidos, por isso não haveria grandes empecilhos em conquistar esse mercado uma vez que o Brasil recebeu o aval dos norte-americanos no ano passado. Ele também não se arrisca a estimar o potencial do mercado. O país latino-americano já começou a dar sinais claros de aproximação. No início deste mês, o México autorizou a importação de material genético avícola do Brasil. No total, 13 empresas do Brasil foram habilitadas a embarcar ovos férteis e ovos embrionados SPF, ou seja, livres de patógenos específicos.
ESTADÃO CONTEÚDO
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