
Ano 11 | nº 2794 | 10 de setembro de 2026
NOTÍCIAS
Mercado do boi gordo: subiu a cotação da novilha em São Paulo
Mercado estável, com alta apenas para a novilha, reflexo da menor oferta.
Pelos dados da Scot Consultoria, em São Paulo, cotação ficou estável para o boi gordo e para a vaca terminada, mas a novilha gorda subiu R$ 2/@ na quarta-feira, para R$ 337/@, no prazo. Ainda de acordo com os números de Scot, o macho terminado sem padrão-exportação continua valendo R$ 345/@ no mercado paulista, o “boi-China” está apregoado em R$ 350/@, e a vaca gorda é vendida por R$ 322/@ (valores brutos, no prazo). Na comparação feita dia a dia, a cotação ficou estável para o boi gordo e para a vaca. A cotação da novilha, porém, subiu R$2,00/@, reflexo da menor oferta e da maior demanda no momento. O escoamento no mercado interno estava entre fraco e razoável. Os frigoríficos estavam comprando apenas o necessário para manter o fluxo de fornecimento. A ponta vendedora resistia, na expectativa de melhores negócios, mas as negociações eram fechadas dentro das referências. No Pará, após a alta registrada nas praças de Marabá e de Redenção, a cotação ficou estável na comparação feita dia a dia. A oferta estava controlada. Os negócios fechados dentro das referências. Em Goiás na comparação feita dia a dia, a cotação não mudou.
SCOT CONSULTORIA
Preços da arroba do boi voltam a subir no pós-feriado
Mercado futuro já começa a operar contratos superiores a R$ 380 por arroba; ritmo de exportações apresenta ligeira alta neste começo de mês
O mercado físico do boi gordo abriu a semana pós-feriado nacional registrando negociações acima da referência média. O analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias ressalta que a diferença de preços entre mercado físico e futuro chama a atenção, com alguns vencimentos superiores a R$ 380 por arroba. “O mercado físico não retrata essa situação, o descolamento é evidente e pode representar uma oportunidade para travamento de preços, garantindo a operação para frigoríficos”, disse. Segundo ele, o recente comportamento dos preços da carne no atacado e o estreitamento das margens da indústria no mercado doméstico também são fatores que chamam a atenção neste início de setembro. Já a exportação de carne bovina apresentou ligeira melhora nesta primeira semana do mês, com um ritmo diário de 10,15 mil toneladas. Preços médios da arroba do boi: São Paulo: R$ 348,75. Goiás: R$ 337,86. Minas Gerais: R$ 337,35. Mato Grosso do Sul: R$ 344,66. Mato Grosso: R$ 330,08. O mercado atacadista trabalha com expectativa de melhora dos preços para a carne bovina, perspectiva alimentada pelo efeito da entrada dos salários na economia sobre a reposição entre o atacado e o varejo. Segundo Iglesias, apesar dessa perspectiva, a carne bovina continua perdendo competitividade para as proteínas concorrentes, especialmente a carne de frango e os ovos. “O mês de setembro tende a permanecer desafiador para as vendas, diante da quantidade limitada de datas e eventos capazes de estimular o consumo”, pontuou Iglesias. Quarto traseiro: R$ 26,50 por quilo. Quarto dianteiro: R$ 19,00 por quilo. Ponta de agulha: R$ 18,50 por quilo.
SAFRAS NEWS
Exportação de carne bovina do Brasil recua 27% em agosto de 2026
As exportações de carne bovina do Brasil caíram 27% em agosto, com receita de 1,2 bilhão de dólares.
As exportações brasileiras de carne bovina apresentaram uma queda significativa de 27% em agosto de 2023, totalizando 195.000 toneladas embarcadas. A receita gerada com esses embarques foi de 1,2 bilhão de dólares, o que representa uma diminuição de 19% em comparação ao mesmo mês do ano anterior, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Dados das exportações: Volume embarcado: 195.000 toneladas. Queda em relação a agosto de 2022: 27%. Receita total: 1,2 bilhão de dólares. Queda na receita em relação ao ano anterior: 19%.
SAFRAS NEWS
Mato Grosso: abate de fêmeas cai 24,59% em um ano
Mato Grosso reduz envio de fêmeas
O abate de bovinos em Mato Grosso somou 526,68 mil cabeças em frigoríficos com SIF em agosto de 2026, segundo dados divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), com base em informações do Mapa. O volume avançou 0,45% ante julho, mas recuou 9,91% na comparação com agosto de 2025. O resultado mensal foi sustentado pelo maior abate de machos. Segundo dados divulgados pelo Imea, essa categoria alcançou 343,49 mil cabeças em agosto, avanço de 4,80% ante julho e de 0,53% frente ao mesmo mês do ano anterior. Com isso, os machos responderam por 65,22% do total abatido em Mato Grosso no mês. Em sentido contrário, o abate de fêmeas somou 183,19 mil cabeças em agosto. O volume representa retração de 6,82% na comparação mensal e de 24,59% ante agosto de 2025. A participação das fêmeas no total de bovinos abatidos caiu para 34,78%, segundo dados divulgados pelo Imea. Dessa forma, apesar do avanço moderado no abate total em relação a julho, o menor envio de fêmeas aos frigoríficos manteve o resultado abaixo do observado em 2025 e deixou o abate mais concentrado nos machos. Segundo dados divulgados pelo Imea, esse movimento também coloca a evolução da retenção de matrizes entre os fatores relevantes para o mercado de bovinos em Mato Grosso. A retenção de matrizes tende a limitar a oferta de animais para a indústria, cenário que pode contribuir para sustentar as cotações da arroba. Os dados mostram, portanto, uma mudança na composição dos abates no estado. Enquanto o volume de machos avançou nas comparações mensal e anual, o envio de fêmeas aos frigoríficos apresentou queda significativa.
AGROLINK
ECONOMIA
Dólar fecha em alta no Brasil com acirramento das tensões no Oriente Médio
O dólar fechou a quarta-feira em alta ante o real, em uma sessão marcada pelo acirramento da guerra no Oriente Médio, enquanto no Brasil os investidores estiveram atentos aos desdobramentos da crise no Supremo Tribunal Federal (STF).
O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,44%, a R$5,1114. No ano, a divisa passou a acumular queda de 6,88%. Às 17h09, o dólar futuro para outubro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 0,43% na B3, aos R$5,1350. Na quarta-feira, no entanto, o dia foi de certa recomposição de posições em dólar após os recuos mais recentes. Pela manhã, o ministro do STF Flávio Dino determinou a reintegração de Andrei Passos Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal, um dia após o colega da corte, André Mendonça, ter ordenado o afastamento dele do cargo. Leandro Almada, diretor de Inteligência da PF afastado por Mendonça, também foi reintegrado. Mendonça está no centro de uma disputa com o ministro do STF Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito do Banco Master. Moraes, por sua vez, é um dos principais alvos de Flávio na disputa eleitoral com Lula.
No exterior, as atenções se voltaram novamente para o Oriente Médio. O Irã informou nesta quarta-feira ter atacado dez navios no Estreito de Ormuz, depois que os EUA afundaram cinco petroleiros iranianos. Já o presidente norte-americano, Donald Trump, opinou que a guerra com o Irã irá terminar apenas depois das eleições norte-americanas de novembro, já que Teerã estaria tentando influenciar a votação. Neste cenário, o petróleo Brent superou os US$100 o barril e os rendimentos dos Treasuries avançaram, em meio às preocupações com o efeito inflacionário da guerra. Nos mercados de moedas, o dólar ganhou força ante o real e outras divisas de países emergentes, como o rand sul-africano, a rupia indiana e o peso chileno. “Novos ataques no Golfo Pérsico levam o petróleo para cima com força, reacendendo o temor de pressão inflacionária global às vésperas de decisões de política monetária na zona do euro, no Japão e nos EUA”, disse Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, em comentário escrito. “Parte do movimento (do dólar) também reflete um ajuste técnico depois da forte queda recente da moeda americana por aqui. A proximidade das eleições no Brasil segue no radar dos investidores como fonte de incerteza, o que ajuda a conter um avanço ainda maior do dólar”, acrescentou.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda com exterior
O Ibovespa fechou em queda na quarta-feira, contaminado pelo viés mais negativo no exterior, com o barril do petróleo superando os US$100.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,93%, a 185.629,04 pontos, tendo marcado 187.362,44 na máxima e 184.810,27 na mínima do dia. O volume financeiro no pregão somou R$26,7 bilhões. Em meio a uma nova escalada nos conflitos no Oriente Médio, o barril de petróleo sob o contrato Brent avançou para US$101,21 (+3,36%), adicionando preocupações com a oferta da commodity e seus impactos na inflação global.
Na visão do especialista em investimentos Augusto Parente, fundador da AW Capital, o movimento do petróleo eleva expectativas de inflação mais alta ao redor do mundo, impactando diretamente a chance de o Federal Reserve subir os juros neste mês. Em Nova York, o S&P 500 caiu 0,48%, enquanto o rendimento do título de 10 anos do Tesouro dos Estados Unidos marcava 4,8406% no final do dia, de 4,804% na véspera. A apreensão com os reflexos do avanço do petróleo minou o apetite a risco na sessão, o que corroborou ajustes na bolsa paulista, após desempenho mais robusto na véspera, quando o Ibovespa marcou uma máxima intradia desde o final de abril. Dados da B3 disponibilizados nesta quarta-feira mostraram que o fluxo de estrangeiros para as ações brasileiras segue positivo, com uma entrada líquida de R$5,3 bilhões em setembro até o dia 4. Brasília também continua ocupando as atenções, com investidores ainda buscando avaliar os efeitos da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) na corrida presidencial. Na quarta-feira, o ministro Flávio Dino, do STF, determinou a reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal um dia após o colega da corte, André Mendonça, ter ordenado o afastamento dele do cargo. No final da tarde, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, cassou as decisões de Mendonça e Dino sobre o diretor-geral da PF.
REUTERS
Brasil tem fluxo cambial negativo de US$6,693 bi em setembro até dia 4, diz BC
O Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$6,693 bilhões em setembro até o dia 4, conforme dados divulgados na quarta-feira pelo Banco Central. No acumulado do ano até 4 de setembro, o Brasil registra fluxo cambial total positivo de US$9,089 bilhões.
Em todo o mês de agosto, o fluxo foi negativo em US$3,914 bilhões, com o país registrando saída líquida de recursos após quatro meses consecutivos de fluxo positivo. Pelo canal financeiro, houve saídas líquidas de US$6,448 bilhões em setembro até o dia 4. Por este canal são realizados os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, as remessas de lucro e o pagamento de juros, entre outras operações. Pelo canal comercial, que contabiliza exportações e importações, o saldo no mesmo período foi negativo em US$245 milhões. Os dados mais recentes do BC são preliminares e fazem parte das estatísticas referentes ao câmbio contratado. Na semana passada, de 31 de agosto a 4 de setembro, saíram do país US$7,511 bilhões líquidos. No acumulado do ano até 4 de setembro, o Brasil registra fluxo cambial total positivo de US$9,089 bilhões.
REUTERS
INTERNACIONAL
Valor das exportações de carne bovina dos EUA cresce 6% em julho
As exportações de carne bovina dos Estados Unidos cresceram 6% em valor em julho na comparação com o mesmo mês do ano anterior, enquanto o volume permaneceu praticamente estável, segundo dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e compilados pela Federação de Exportação de Carnes dos Estados Unidos (USMEF).
As exportações somaram 89.139 toneladas em julho, volume semelhante ao registrado no mesmo mês do ano passado, enquanto a receita aumentou 6%, chegando a US$ 796,7 milhões. O crescimento em valor foi impulsionado principalmente por mais um mês de forte desempenho de Taiwan, além de bons resultados no México, Japão, Oriente Médio, Colômbia, Caribe e países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). Os embarques para a China apresentaram uma pequena recuperação em relação aos baixos volumes registrados no ano passado, mas permaneceram muito abaixo dos níveis observados em anos anteriores. No acumulado de janeiro a julho, as exportações de carne bovina ficaram 8% abaixo do ritmo registrado no mesmo período do ano passado, totalizando 634.788 toneladas. Em valor, houve queda de 2%, para US$ 5,53 bilhões. Quando a China é excluída dos resultados, porém, o cenário muda: o valor das exportações cresceu 6%, enquanto o volume ficou apenas 1% abaixo do registrado no ano anterior. “Apesar dos desafios significativos, a demanda global pela carne bovina dos Estados Unidos continua impressionantemente resiliente”, afirmou Dan Halstrom, presidente e CEO da USMEF. Segundo ele, barreiras técnicas e incertezas continuam afetando fortemente as exportações para a China, mas há expectativa de que o acesso ao mercado seja restabelecido em breve. Enquanto isso, a carne bovina dos Estados Unidos vem aproveitando oportunidades de crescimento nos mercados da Ásia, do Hemisfério Ocidental e do Oriente Médio. No Japão, as exportações de carne bovina recuaram 4% em volume em julho, para 20.104 toneladas, mas cresceram 9% em valor, alcançando US$ 170,8 milhões. De janeiro a julho, os embarques para o Japão ficaram 7% abaixo do mesmo período do ano anterior, com 134.580 toneladas. Em valor, a queda foi de apenas 1%, para US$ 1,07 bilhão. Oriente Médio e América do Sul apresentam crescimento. No acumulado de janeiro a julho, em parte devido aos desafios relacionados aos conflitos militares na região, as exportações para o Oriente Médio recuaram 13%, para 25.698 toneladas. A receita caiu 6%, para US$ 130,2 milhões. As exportações de carne bovina dos Estados Unidos para a América do Sul cresceram 8% entre janeiro e julho, totalizando 12.237 toneladas, enquanto a receita avançou 27%, para US$ 105,9 milhões. A Coreia do Sul permaneceu como o principal destino da carne bovina dos Estados Unidos em valor, mas as exportações desaceleraram em julho. Os embarques recuaram 21% em relação ao mesmo mês do ano anterior, para 15.754 toneladas, enquanto a receita caiu 11%, para US$ 165 milhões. No acumulado até julho, as exportações para a Coreia do Sul diminuíram 11%, para 129.897 toneladas, enquanto o valor caiu 6%, para US$ 1,31 bilhão. Na China, as exportações aumentaram em relação aos baixos níveis registrados no ano passado, mas ainda somaram apenas 2.532 toneladas em julho, no valor de US$ 21 milhões. O valor das exportações de carne bovina correspondeu a US$ 421,07 por animal terminado abatido em julho, crescimento de 14% em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado de janeiro a julho, a média foi de US$ 430,25 por animal, alta de 7%. As exportações representaram 12,5% da produção total de carne bovina dos Estados Unidos em julho, acima dos 11,9% registrados no mesmo mês do ano anterior. No acumulado dos primeiros sete meses do ano, as exportações corresponderam a 12,9% da produção total, ligeiramente abaixo dos 13,3% registrados no mesmo período do ano passado.
USMEF
SUÍNOS & FRANGOS
China registra caso de febre aftosa em suínos
A área afetada contava com 677 animais, dos quais 37 apresentavam sintomas da doença.
Surto ocorreu em um estabelecimento de abate em Chongqing, no sudoeste da China
O Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China confirmou a ocorrência de um surto de febre aftosa do sorotipo “O” em suínos em um estabelecimento de abate no distrito de Dazu, no município de Chongqing, no sudoeste do país. Pequim informou que recebeu um relatório do Centro Chinês de Prevenção e Controle de Doenças Animais que relatou o foco nessa terça-feira (8/9). A área afetada contava com 677 suínos, dos quais 37 apresentavam sintomas da doença. “Após o surto, as autoridades locais implementaram imediatamente planos de resposta emergencial, incluindo abate, desinfecção, descarte seguro, monitoramento e triagem, e investigação epidemiológica”, disse o ministério, em comunicado.
GLOBO RURAL
Abates recordes e pressão sobre os preços marcam suinocultura brasileira em 2026
Mesmo com exportações aquecidas, excedente interno derruba a relação de troca com milho e farelo de soja, deteriorando a margem do criador no campo
O ano de 2026 vem se consolidando como um período desafiador para a suinocultura brasileira. O setor enfrenta um ambiente de pressão sobre os preços e sobre as margens de rentabilidade dos produtores, reflexo direto do aumento da oferta de animais para abate e da consequente elevação da disponibilidade de carne suína no mercado doméstico. O ritmo de produção permanece intenso ao longo do ano, culminando em julho com um novo recorde histórico mensal de abates, fator que ampliou ainda mais a oferta interna e dificultou uma reação mais consistente das cotações. Embora as exportações brasileiras continuem apresentando resultados positivos em termos de volume embarcado, o crescimento dos embarques não tem sido suficiente para absorver integralmente o excedente gerado pela produção doméstica. Os dados da Safras & Mercado referentes aos preços médios do suíno vivo no Centro-Sul do Brasil mostram claramente a mudança de trajetória observada ao longo deste ano. Após um período de forte valorização em 2024 e, principalmente, em 2025, o mercado passou a registrar uma deterioração gradual das cotações em 2026. No ano passado, os preços permaneceram em patamares historicamente elevados. As médias oscilaram entre R$ 7,43/kg em janeiro e R$ 8,16/kg em setembro, sustentadas por um ambiente de oferta mais equilibrado e pelo bom desempenho das exportações. Em contraste, 2026 iniciou com média de R$ 7,72/kg em janeiro, mas passou a registrar sucessivas quedas ao longo dos meses. Em fevereiro, a cotação média recuou para R$ 6,70/kg, passando para R$ 6,59/kg em março, R$ 5,87/kg em abril e chegando a apenas R$ 4,86/kg em agosto. A magnitude desse movimento fica evidente na comparação anual. Enquanto agosto de 2025 registrou preço médio de R$ 7,87/kg, agosto de 2026 apresentou média de apenas R$ 4,86/kg, uma queda próxima de 38%. Além disso, o valor atual é inferior aos observados em agosto de 2020, 2021, 2022 e 2023, evidenciando a intensidade da pressão exercida sobre o mercado. A principal explicação para esse comportamento está no avanço da produção brasileira. Os dados de abates confirmam que a suinocultura atravessa uma fase de expansão da oferta. Entre janeiro e julho de 2026 foram abatidos 30,51 milhões de suínos, volume 3,2% superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando haviam sido abatidos 29,55 milhões de cabeças. O destaque absoluto ficou para julho. O país abateu 4,72 milhões de suínos no mês, configurando o maior volume mensal da série apresentada. O resultado superou inclusive o recorde anterior, registrado em julho de 2025, quando os abates totalizaram 4,70 milhões de cabeças. A expansão da oferta nacional fica ainda mais evidente quando se analisa o comportamento dos três principais estados produtores de carne suína do Brasil: Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. No Rio Grande do Sul, os abates somaram 5,998 milhões de cabeças entre janeiro e julho de 2026, um avanço de 6,02% em relação ao mesmo período de 2025. O estado apresentou o maior ritmo de crescimento entre os três principais produtores, evidenciando a forte expansão da atividade. O Paraná também manteve trajetória ascendente, registrando 6,120 milhões de cabeças abatidas no acumulado dos sete primeiros meses do ano, volume 4,96% superior ao observado em igual período do ano passado. Já Santa Catarina, líder nacional na produção e exportação de carne suína, alcançou 9,351 milhões de cabeças abatidas entre janeiro e julho de 2026, crescimento de 1,30% na comparação anual. Somados, os três estados abateram aproximadamente 21,47 milhões de suínos entre janeiro e julho, representando cerca de 70% de todo o volume nacional registrado no período. Outro indicador importante para avaliar a rentabilidade da atividade é a relação de troca entre o preço do suíno vivo e os principais insumos da alimentação animal. No caso da relação de troca suíno versus milho, 2026 apresentou um comportamento de deterioração ao longo do ano. Em janeiro, o indicador alcançava 7,06, acima do registrado em igual período de 2025, demonstrando uma condição favorável para o produtor. Contudo, à medida que os preços do suíno vivo foram recuando, a relação se enfraqueceu gradualmente, chegando a 4,56 em agosto. O resultado é significativamente inferior aos 7,64 observados em agosto de 2025 e abaixo dos níveis registrados em 2024. Isso significa que a capacidade de compra de milho pelos produtores diminuiu de forma expressiva ao longo do ano. A mesma tendência é observada na relação de troca entre suíno vivo e farelo de soja. Depois de iniciar 2026 em 4,34, o indicador caiu para 2,66 em agosto. No mesmo mês de 2025, a relação era de 5,02, praticamente o dobro do valor atual. As relações de troca revelam que o problema enfrentado pelo setor não está apenas na queda nominal das cotações do suíno vivo. Em termos práticos, cada quilo de suíno comercializado compra atualmente menos milho e menos farelo de soja do que há um ano, indicando uma piora relevante da rentabilidade da atividade. Para os próximos meses, o comportamento do mercado dependerá principalmente da capacidade de desaceleração da oferta, da continuidade do bom ritmo das exportações e da evolução do consumo interno. O último quadrimestre tradicionalmente apresenta fortalecimento da demanda doméstica em função das festividades de fim de ano, fator que pode contribuir para uma melhora gradual das cotações. No entanto, diante dos atuais níveis de produção e dos volumes recordes de abate observados em 2026, uma recuperação mais robusta exigirá um ajuste mais efetivo entre oferta e demanda.
SAFRAS & MERCADO
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